Alimentao Saudvel e Nutritiva

AUTORIA, PESQUISA, REVISO, ORGANIZAO: JOS CARLOS DUTRA DO CARMO.

Este arquivo uma cortesia de JOS CARLOS DUTRA DO CARMO, que sempre tem por filosofia de vida ajudar o prximo da melhor maneira possvel.

SITE: www.sitenotadez.net, j acessado por mais de 17 milhes de pessoas.

E-MAILs: sitenota1000@gmail.com - sitenotadez@sitenotadez.net

Este texto contm 53 e-mails de Nutricionistas e Endocrinologistas de todo o Brasil e 29 textos do Programa Globo-Reprter, relacionados s reas de sade e nutrio, e mais outros captulos sumamente importantes.

Voc est a fim de emagrecer, sem sacrifcios nem traumas, ou de melhorar, consideravelmente, a qualidade de sua alimentao?

Nos textos integrais do arquivo encontrar as respostas para todas as suas dvidas relativas rea de nutrio.

CAPTULO I.

E-mails que recebi de Nutricionistas e Endocrinologistas de todo o Brasil que tiraram minhas inmeras dvidas com presteza, carinho e muita competncia. So criaturas fantsticas e maravilhosas, extremamente sensveis, humanas e solidrias. Estejam certas de que as guardarei bem no fundo do corao at os ltimos dias de minha vida.

1. Sua dieta est excelente. Continue assim. Atenciosamente, Alberto. albertofilho@mail.cultura.com.br

2. Prezado amigo, nada tenho a ensin-lo. Ao contrrio, est me dando uma lio de vida. Sua dieta e estilo de vida so perfeitos. S estou lhe escrevendo para dar-lhe parabns. Que DEUS o abenoe e a seus familiares. Um abrao, Wesley. NOTA. Recebo centenas de e-mails diariamente, sendo-me impossvel responder todos, mas voc merece .

3. Meu caro Jos Carlos, parabns, no s pelo seu cardpio, mas pelo seu estilo de vida. Voc faz o que a grande maioria, infelizmente, covarde bastante para fazer:reconhecer que um estilo de vida saudvel a chave do bem-estar. Siga em frente. Que Deus o ilumine e passe seu exemplo a todos que puder. Um fraternal abrao. Durval Damiani, MD, PhD. Pediatric Endocrinology, So Paulo, SP.

4. Prezado Jos Carlos, acho que seu plano est muito bom. O que de fato importa no controle a disciplina, e isso voc prova que tem. Como sugesto, a cada 3-4 meses devem ser realizados os seguintes exames: glicemia em jejum, glicemia ps-prandial (2h), hemoglobina glicosilada, lipidograma, hemograma e sumrio de urina. Anualmente, realize fundo de olho e microalbuminria. Boa sorte, Ana Mrcia, jmcls@uol.com.br

5. Prezado JOS CARLOS DUTRA DO CARMO, sua dieta contm todos os nutrientes necessrios a uma alimentao saudvel. Uma observao seria a concentrao de po noite;poderia comer uma parte do po pela manh. Mas, como pratica exerccios fsicos a partir das 18h, talvez fique com mais apetite depois. Se for o caso, continue assim. No volte a usar bebida alcolica, e que Deus o mantenha com sade e alegria. Grato pelas mensagens. ABRAM.

6. Prezado Jos Carlos, parece-me que leva uma vida saudvel e tem uma alimentao adequada. importante, sem dvida, fazer exames de rotina para acompanhamento do seu caso clnico, como, por exemplo: glicemia de jejum e ps prandial, hemoglobina glicada, amilase, tgo, tgp, uria, creatinina, Na, K, Ca, Hemograma, etc. Obrigado pela mensagem. Atenciosamente, www.ezequiel.med.br ,falecomigo@ezequiel.med.br

7. Tudo bem? Sou diabtico tipo I, diferente do seu. Sua dieta, a princpio, boa. Para saber se seu controle bom mesmo pea a seu mdico o exame de hemoglobina glicosilada, para saber como anda seu controle nos ltimos dois meses. Esse exame vai avaliar se est tudo bem com voc. Suas mensagens me caram muito bem e trouxeram-me uma luz, pois ando muito ansioso ultimamente devido a um caminho que terei de escolher na vida profissional. Obrigado. Escreva-me. Sem acar, Nlson.

8. Bom dia, Jos Carlos. Meu nome Leon e sou pai de uma diabtica. Minha filha tem 11 anos e diabtica h 7 anos. A dieta dela no lhe serve. Quanto aos exames, o que vai lhe dar mais segurana o da HEMOGLOBINA GLICOSILADA, que lhe dar a informao de como andou sua taxa nos ltimos trs meses. Aconselho-o a acessar o Site da APDJ-ASSOCIAO DOS DIABTICOS JOVENS, que muito bom. Sem mais nada a acrescentar no momento, estarei disposto a tirar qualquer dvida que estiver ao meu alcance. Leon.

9. Prezado Jos Carlos. Desculpe-me pela demora em responder-lhe, mas o excesso de trabalho muitas vezes impede-me de manter as correspondncias em dia. Seu plano alimentar est muito bom. Li-o em todos os seus detalhes. A nica ressalva seria com relao s seis tangerinas s 22h que consome. Poderiam ser reduzidas para trs unidades, sem problemas. No resto, pareceu-me uma pessoa muito disciplinada e consciente de que sade e bem-estar passam pela alimentao, atividade fsica e bem-estar mental. Continue assim. Parabns! Um abrao, Josefina.

10. Caro Jos Carlos, desculpe-me pela demora em responder-lhe. que estava viajando. Seu cardpio est muito bom e bastante saudvel e equilibrado! Acho que no tenho nada a acrescentar nele, pois cuida muito bem do seu corpo (alimentao e atividade fsica) e da sua alma (paz de esprito). Parabns. Dra. Adriane. NOTA. Obrigada pelas mensagens. Aproveito e tambm envio-lhe uma: "No so os fatos, considerados pelas pessoas que esto ao seu redor, que o faro feliz ou infeliz. Ao contrrio, voc que, sendo feliz ou infeliz, construir circunstncias felizes ou infelizes. Quando entender isso, ter a felicidade ao seu redor." Dr. Celso Charuri (Pr-Vida). adrianerodrigues@uol.com.br

11. Caro Jos Carlos, no sou nutricionista, logo no poderei responder todas as suas questes de maneira completa e precisa, mas algumas delas so interessantes para se observar. Arroz, macarro, lentilha, po, mesmo integrais, so ricos em acar, logo o seu consumo desaconselhado. Ch de erva-doce e cidreira ajudam o funcionamento do rim, mas no a eliminao do acar. O melhor leo o de Canola. Alimentos ricos em gorduras tambm so prejudiciais. Sorvetes lights so mais doces porque so fabricados com uma grande quantidade de adoantes e aumentam a quantidade de gorduras nesses produtos. No existem (cientificamente comprovado) alimentos que diminuam a absoro de acar. Andr Luiz, Toxicologista, Fundao Oswaldo Cruz, andrebio@fiocruz.br

12. Jos Carlos, sua dieta poderia sofrer pequenas modificaes, mas de forma geral est muito boa. Deveria tomar suco de laranja natural at 30min depois de preparado para no perder vitamina C. Nunca aquea o azeite de oliva: ele perde todo o efeito benfico e se torna leo de cozinha. Na hora de compr-lo, prefira o extra-virgem, extrado a frio. No coloque razes na salada, pois contm carboidratos. No coma muitas frutas de uma s vez, porque possuem pequena quantidade de carboidrato e podem elevar a glicemia. Seu jantar tem po em excesso. Carboidrato e refrigerante diet de boa qualidade podem ser consumidos moderadamente, mesmo por diabticos, j que no contm acar (exemplos: coca, antrtica). Espero ter colaborado em alguma coisa. Atenciosamente, Dra. Adriana.

13. Jos Carlos, no sou mdica nem nutricionista, mas tenho diabete do tipo I, insulino-dependente desde os 15 anos de idade (hoje estou com 45 anos) e ao longo de todos esses anos sofri bastante, mas tambm adquiri muito conhecimento com relao ao diabetes. Com tudo que j vivi e pelas dietas que me foram prescritas por nutricionistas, acredito que seu cardpio precisa de um ajuste o mais rpido possvel, para que no venha comprometer o controle de sua glicemia e originar complicaes ao longo do tempo. Sugiro que acesse os seguintes sites e tente contato com o pessoal da rea mdica ou nutricional: www.adj.org.br www.diabetesnoscuidamos.com.br Espero t-lo ajudado e qualquer dvida ou se quiser trocar idias sobre o assunto pode mandar-me um e-mail francimello@terra.com.br Um sorriso, Franci.

14. Caro Jos Carlos, sua mensagem no constitui importnio. Sua dieta me pareceu adequada tanto do ponto de vista quantitativo (quantidade total de calorias) quanto qualitativo. Aliada sua atividade fsica (realmente intensa) e a uma vida pouco estressada, caracteriza um estilo de vida invejvel e que deveria ser imitado por todos os indivduos, mesmo os aparentemente saudveis. Todavia, gostaria de fazer-lhe algumas observaes. No conheo estudo cientfico que comprove as propriedades medicinais do suco morno. Trata-se, como diz, de crendice popular. Se no tem colesterol elevado, at duas gemas de ovo por semana no lhe far mal. A ingesto de lquidos durante as refeies no benfico nem malfico para a sade. Deveria substituir o carboidrato da noite (pes) por protena de origem animal. Obrigado pelas mensagens finais e lembre-se de que um prazer eventual mesa no lhe far mal. Parabns. Dr. Augusto Costa.

15. Caro Jos Carlos, avaliei seu cardpio e de forma geral possui bons hbitos alimentares e um bom estilo de vida, porm algumas modificaes podem ser feitas. Pode acrescentar s saladas de frutas farelo de aveia, pois possui muita fibra auxiliando na absoro. O azeite no deve ser levado ao fogo. Torna-se uma gordura ruim quando aquecido. Use-o somente em saladas. Para preparar os alimentos utilize um bom leo: milho, girassol, canola. Deve-se evitar o caldo de cana. Ele possui alta quantidade de carboidrato, elevando, assim, a glicemia. Quanto ingesto de gua no tem importncia se for logo aps as refeies. No deve ingeri-la durante as refeies. Bom, para um ajuste nas quantidades e horrios seria necessrio uma consulta personalizada com a presena da pessoa. Estou disposio em meu consultrio. sac@diabetesbrasil.com.br ivaniacatia@bol.com.br

16. Prezado Jos Carlos, agradecemos-lhe pelas mensagens enviadas. Em relao s suas dvidas, gostaramos de esclarecer que por questes ticas no fazemos consultas via Internet. Em nosso arquivo de notcias e na seo do dia-a-dia, poder encontrar diversos artigos sobre os mais variados alimentos, onde poder esclarecer muitas das suas dvidas. Sugerimos-lhe, tambm, que leia o artigo sobre alimentao saudvel, coma um pouco de tudo e de tudo um pouco: http://www.emedix.com.br/dia/nut001_1f_comadetudo.shtml As barras de cereais so encontradas nas farmcias, supermercados e lojas de produtos naturais. O azeite extra virgem um tipo de azeite e pode ach-lo nos grandes supermercados. O ideal que consulte um mdico de sua confiana, que a pessoa indicada para avaliar sua dieta e fazer as sugestes necessrias. Contamos com sua compreenso. Boa Sorte. Cordialmente, Emedix contato@emedix.com.br

17. Boa Noite, Jos Carlos. Desculpe-me a demora em responder-lhe, mas no tive tempo de avaliar seus dados com calma. Pelo que calculei, seu peso est ideal (ndice de massa corporal normal). O controle do seu diabetes, pelo que entendi, apenas com dieta, certo? O importante manter a glicemia de jejum entre 70-110 e a ps-prandial (2h aps o almoo) abaixo de 140 e a hemoglobina glicosilada (HbG) dentro da faixa normal. Pea para seu mdico acrescentar estes exames junto glicemia de jejum, que devem ser feitos de trs em trs meses. Dosagem de colesterol total e fraes e triglicerdeos a cada 6 meses/1 ano. Se conseguir manter sua HbG normal, a chance de complicao do diabetes diminui muito (esta a meta). Sua alimentao est saudvel e ficar adequada desde que mantenha o peso. Faa atividade fsica regular, que indispensvel para uma boa sade. Parabns pela fora de vontade. Um abrao. Ana Tereza de A. Oliveira, anaterezaoliveira@hotmail.com

18. Ol, Dutra, est no caminho certo, preocupa-se com a alimentao e faz atividade fsica. Assim, s ganha benefcios. Sua dieta est adequada. No entanto, poderia fazer a refeio da manh mais ou menos como a do jantar (com po, queijo, leite, etc ). Est usando muita fruta, que rica em acar! Usada isoladamente, acarreta aumento da glicemia aps a digesto. O ideal no consumir fruta ou outras fontes de carboidratos simples sozinhos. Quando comer fruta, inclua uma protena como iogurte ou leite. Se consumir po, faa-o com protena ou gordura, como queijo ou manteiga. Se comer doce, use-o na sobremesa, nunca isoladamente. Assim, a digesto fica mais lenta e a glicemia no aumenta de repente no sangue. Quanto aos exames, sempre aconselhvel medir a glicemia, mas o exame mais importante a CURVA GLICMICA. Faa, tambm, exames de urina (24h) e sangue bsicos. Bebidas alcolicas, elimine-as para sempre de sua vida. Espero t-lo ajudado. Um abrao, Fabiana.

19. Ol, Jos Carlos. Bom, no sou endocrinologista nem nutricionista, ainda. Afinal, a carreira que pretendo seguir. Tenho 18 anos e diabetes h 9 anos. Gostaria de parabeniz-lo pela dedicao em manter sua sade, cuidando da alimentao, fazendo atividades fsicas... uma lio de vida. Sempre fui muito cuidadosa com a alimentao, muito responsvel, mas com o tempo fui deixando os cuidados de lado, tomando a insulina em horrios desregulados, comendo o que tivesse vontade e isso s me fez mal. No vale mesmo a pena. Agora voltei rotina dos meus cuidados dirios e estou bem melhor. Com relao a sua alimentao, no posso dizer-lhe muito. S o fato de tomar caldo de cana que me deixou em dvida, afinal ele contm muito acar. Como seu diabetes do tipo 2 pode ser que no tenha problema. A banana tambm uma fruta bastante doce e calrica, mas para voc que pratica atividades fsicas no deve fazer mal, afinal tem o potssio que combate as famosas cibras. As mensagens so lindas. Bom dia. Carolina.

20. Jos Carlos, sou diabtico h 14 anos, insulina dependente, problema renal e j tive 2 AVC (derrame cerebral), pesava 105 kg, 1,80 m altura. H seis meses conheci um produto natural que venho tomando diariamente. Emagreci 14 kg e hoje tenho meus exames todos normais, inclusive a glicose. Tomo esse produto no caf da manh e na janta, pois preciso emagrecer (o que no o seu caso). Minha vida mudou por completo, hoje tenho mais sade, no me sinto cansado e no tenho fome. Vendo esse produto, mas no estou querendo ganhar nada sobre isso. Se quiser, procure um distribuidor da Herbalife na sua cidade e experiente-o. Vai ver sua vida mudar. O produto no cura nada, mas previne inmeras doenas e controla todo o seu organismo para trabalhar bem em todos os sentidos. Isso apenas uma ajuda. Se quiser conhecer os produtos, acesse http://www.sucec.com.br/net/clovis/herbalife Repito-lhe: no estou querendo vender-lhe nada, mas se quiser o produto procure algum representante na sua cidade. Abraos, Clovis Trizzine. ctrizzine@ig.com.br

21. BEM, Zɔ CARLOS, INFELIZMENTE NAO SOU NUTRICIONISTA, MAS, SIM, BILOGA. TENTAREI RESPONDER SEU E-MAIL NA MEDIDA DO POSSVEL. ACONSELHO-O PROCURAR OS VIGILANTES DO PESO MAIS PRXIMO DE SUA CASA. PRECISA FAZER UMA RE-EDUCAO ALIMENTAR. COM OS VIGILANTES DO PESO OBTER UMA DIETA BALANCEADA, SEM A DITADURA IMPOSTA POR ALGUMAS DIETAS. O ALHO UM PODEROSO ANTI-INFLAMATRIO. QUANTO BERINJELA, AINDA NO EST PROVADA, CIENTIFICAMENTE, A SUA EFICINCIA. MAS OS RESULTADOS EMPRICOS SO PROMISSORES. AT GUA EM EXCESSO PODE CAUSAR DANOS SAUDE. OS ADOANTES ARTIFICIAIS SO MALFICOS SADE. O MELHOR INGERIR SUA BEBIDA SEM ACAR BRANCO OU UTILIZAR O MASCAVO. PREFIRA OS CHS BIORGNICOS. ACREDITO QUE OS CHS NO ELIMINAM O ACAR EM EXCESSO QUANDO TEM OS SEUS RINS FUCIONANDO COM DEBILIDADES, COMO NO CASO DA DIABETE. Ana Paula de Amorim, Curitiba, PR.

22. Prezado Jos Carlos. Analisei atentamente seus registros nutricionais e atividade fsica. Seu estilo de vida est dentro dos preceitos de boa sade para a qual a alimentao saudvel associada atividade fsica so essenciais. No h nada que poderia sugerir-lhe, a no ser alguns conselhos. Livre-se em absoluto de qualquer alimento industrializado parcial ou inteiramente processado (por exemplo, guloseimas, frangos de granja - resfriados ou congelados, todos os embutidos, inclusive salsichas e lingias, etc.). Enquanto mantiver atividade fsica no mude em nada sua dieta. Se, por algum motivo, deixar de se exercitar por longos perodos, diminua pela metade a ingesto de gros, farinceos, razes e acar livre. No se prive, jamais, das folhas verdes (claras ou escuras) e frutas, principalmente mamo formosa, melo, morango, melancia, maracuj, kiwi, ameixa preta fresca, etc. O importante manter seu peso no mesmo patamar por um longo perodo sem alterao aprecivel do seu estilo de vida. Atenciosamente, Prof. Dr. Daniel Giannella Neto. Lab. Endocrinologia Molecular e Celular. Equipe Mdica de Diabetes. Hospital das Clnicas-FMU, SP.

23. Jos Carlos, desculpe-me a demora para responder-lhe. Analisando seu cardpio dirio percebo que deve ter realmente feito uma boa reeducao alimentar. Mas pode, ainda, acertar algumas coisas. No caf da manh mantenha um potinho da salada de frutas. No entanto, seria importante acrescentar-lhe uma fatia de po integral com uma fatia mdia de queijo branco, por exemplo. O ch pode mant-lo pela manh e durante o dia tambm. Entre o caf da manh e o almoo ingira mais um potinho de salada de frutas ou uma banana. O almoo est certinho, assim como o lanche da tarde. O jantar tambm est correto, podendo ser inserida nele uma salada variada, retirando-lhe, assim, um po de sal, dando preferncia s fatias de po integral. Com relao s frutas no jantar, prefira de uma a duas frutas apenas, no mais que isso. Lembre-se de que antes do exerccio deve comer alguma coisa, como, por exemplo, frutas, sucos de frutas, po integral. Aps 1h da atividade fsica, precisa alimentar-se: leite com uma fruta, iogurte desnatado com cereais, etc. Qualquer dvida, escreva-me novamente. Atenciosamente, Raquel Dammous, Nutricionista CRN 15152/p.

24. Prezado Z Carlos, meu nome Marlete Pereira da Silva e atualmente respondo pela Chefia do Servio de Nutrio e Diettica do HUCFF e sou Conselheira do CRN-4 (Conselho Regional de Nutricionistas da 4 Regio). Terei o maior prazer em atend-lo. Como no disponho de tempo, no momento, responderei um pouco agora. Comprometo-me a tirar todas as suas dvidas. Gostaria da sua colaborao no sentido de cobrar das autoridades da sua cidade um concurso para nutricionista, um profissional muito necessrio. Infelizmente, muitos desconhecem o nosso papel na preveno e na promoo sade. importante fazer de 4 a 6 refeies dirias, a fim de no sobrecarregar o sistema digestivo. Comer em demasia causa gastrite. Os alimentos que possuem propriedades "medicinais" so chamados funcionais; tanto o alho quanto a berinjela esto entre eles. Segue as suas funes: Alho: um antibitico natural, rico em vitaminas e minerais, protege contra a arteriosclerose, combate doenas cardacas, anticoagulante, potencializa as funes mentais e o sistema imunolgico, diminui a presso arterial; Berinjela: antioxidante, calmante, depurativo do sangue, diurtico e laxante suave, diminui o colesterol do sangue. At breve! Marlete. marlete@hucff.ufrj.br

25. Jos Carlos, desculpe-me pela demora em responder-lhe. que tenho muitos e-mails para responder diariamente e isso ocupa bastante meu tempo. Quanto ao seu cardpio, o consumo de carne branca, vegetais e frutas est excelente. Todavia, em razo do seu diabetes, o consumo de frutas est um pouco acima do adequado. No ingira mais de seis pores dirias e evite consumi-las separadamente, sem usar um alimento proteico ou rico em gordura, como, por exemplo, frutas oleaginosas. Consuma castanhas, nozes ou amndoas em pequena quantidade junto com a salada de frutas. Ou prepare uma vitamina contendo semente de linhaa, farelo de aveia, fruta e leite de soja. Esta uma boa opo de caf da manh. Inclua, tambm, azeite de oliva extra-virgem na salada do almoo. So alimentos ricos em mega 3, um cido graxo essencial que nosso corpo no produz e lhe indispensvel. Consuma duas a trs colheres de sopa de farelo de aveia por dia, pois ele excelente para retardar a liberao de glicose dos alimentos. Quanto ao consumo de ch, inclua jambolo ou chapu de couro no seu ch branco e ingira, ainda, duas xcaras de ch verde por dia, porque um excelente antioxidante. Um abrao e continue acompanhando meu site, que sempre traz informaes teis. Maribel. Nutricionista.

26. Oi, amigo, boa tarde. No sou nutricionista nem endocrinologista, mas apenas um diabtico que chegou ao mximo do que no podia e teve conseqncias graves por isso, como a perda dos rins e da viso e m circulao nas pernas. Cada organismo reage de uma maneira, mas se fizesse sua dieta estaria morto com uma alta glicmica enorme. Cana de acar e gua de coco, esta ltima um pouco menos, so um veneno para o diabtico. O acar natural das frutas e dos legumes tambm acar como outro qualquer! Voc come inmeras bananas por dia..., prato fundo com carne, frutas... Depois de pouco tempo de comer banana, toma gua de coco! Quem lhe passou essa dieta?! Tomar um copo de cana de acar ou consumir trs colheres mdias de acar branco puro a mesma coisa. Ser que o paladar doce da cana e o prprio nome da cana, sendo cana de acar, no lhe diz nada? Bem, qualquer mdico do diabetes responsvel lhe diria o mal que sua dieta poder fazer-lhe. Por essa razo, penso que deve consultar um mdico, apesar de que minha experincia poder nos dizer algo, mas muito traumtica, pois todas as canas-de-acar que tomei ficaram nos rins e na vista! Bem, como lhe disse antes, e repito-lhe, no sou mdico. S no entendo um diabtico comendo tanto acar diariamente. Abraos preocupados do MAQ. maq@esc.microlink.com.br

27. Boa noite, Jos Carlos! Meu nome Juliana, fao Gastro-Pediatria e sou especialista em Nutrio Enteral e Parenteral. Antes de mais nada, gostaria de agradecer-lhe pelas mensagens e parabeniz-lo pela "revoluo" que conseguiu fazer em seu cardpio, sem que isso trouxesse alteraes nas taxas de glicose, mantendo um peso aceitvel para sua estatura. O que tenho a dizer-lhe que, se esse cardpio lhe d prazer, embora em algumas refeies cometa excessos, continue com ele. Talvez pudesse variar um pouco as frutas, ou, quem sabe, um dia na semana, em vez de comer trs tipos de protena em uma refeio (ovo, frango e peixe), poderia substitu-los por sua paixo: carne de porco (de preferncia sem gordura). Um dos exames indispensveis para o real controle da glicemia a HEMOGLOBINA GLICOSILADA (mostrar o controle glicmico no s do dia do exame), triglicerdeos, colesterol total, LDL, HDL, creatinina, EQU. Acredito que a elaborao mais adequada de seu cardpio fique a critrio de uma nutricionista, visto que essa sua especialidade. Em relao aos exames, so algumas sugestes, mas indispensvel uma avaliao mdica e exame fsico por um profissional de sua confiana. Estou sua disposio. Espero ter toda essa disposio com a sua idade, melhor, estar de bem com a vida como aparenta estar. Um abrao! Juliana. jceloi@hotmail.com

28. Boa tarde, Jos Carlos. Meu nome Fernanda e sou nurtricionista do HASP. Analisando seu cardpio, notei algumas coisas: consumo muito alto de frutas. importante que realmente se alimente de uma forma fracionada, mas poderia espaar mais os horrios. Os diabticos podem comer de tudo, isto , normocalrica, normoproteica e normo lipdica. Alimentos proibidos: acar simples, demerara e mascavo, mel, refrigerantes, sucos com acar tipo Tang, doces de colher, cocada, doce de banana, doce de mamo, po doce, bolacha recheada, bebidas isotnicas: tipo Gatorade, leite condensado, sorvete. Proposta de cardpio. Desjejum. Duas fatias de po integral com requeijo, um copo de leite com achocolatado diet (no light), uma fruta. 10horas. Um copo de iogurte. Almoo. Uma poro grande de salada temperada com limo, sal e azeite, cinco colheres de arroz, cinco colheres de feijo, um bife mdio (frango, peixe ou bovino), legumes refogados, uma fruta. Merenda. Uma xcara de ch com adoante, trs bolachas cream craker e queijo branco. Jantar. Duas fatias de po integral com queijo, alface e tomate, uma fruta, um copo de leite ou sopa de legumes e uma fruta. Ceia. Um copo de leite e duas bolachas cream craker. Como no o conheo pessoalmente, esta seria uma orientao geral. Qualquer dvida, entre em contato comigo. Fernanda Lina Torihara.

29. Prezado Jos Carlos, infelizmente no estou qualificado para prestar-lhe orientaes profissionalmente, pois no sou nutricionista. O pouco que pude saber que o medicamento Daonil, conforme consta nas informaes do fabricante, no tem a obesidade como efeito colateral. O limite mximo de peso em relao sua altura seria 72 kg; portanto, o excesso de 16 kg. O ch pode ajudar no funcionamento do rim no sentido de que contribui para evitar a formao de clculos renais, pois diurtico. Caf, ch ou limonada, se estiverem com adoante, no h problemas. A beterraba possui bastante acar, mas pode ser consumida na medida de meia beterraba mdia por dia. A berinjela tambm deve ser limitada meia berinjela mdia por dia. Couve, quiabo e repolho no tm problemas. A substituio do po francs pelo integral vantajosa pelas fibras que a pessoa passa a ingerir. O leite deve ser limitado a um copo por dia. Se for desnatado, 1 copo e meio diariamente. Como no pude responder s dvidas, recomendo-o entrar em contato com o Dr. George Guimares, que um nutricionista profissional conhecido. Emails: nutriveg@iname.com e nutriveg@terra.com.br Telefones: 031-11-3884-1731/3884-4575/5533-3861. Sua pgina: http://www.nutriveq.com.br/ Atenciosamente, Fernando. fmendes@email.com

30. Caro Jos Carlos, desculpe-me pela demora em responder-lhe. primeira vista, seu cardpio e seu estilo de vida (no beber, no fumar, praticar regularmente atividade fsica), esto timos. provvel que baste isso para seu controle. No entanto, bom lembr-lo de que o bom controle do diabtico no apenas o da glicemia de jejum e ps-prandial. Faz-se necessrio, tambm, a dosagem da Hemoglobina A1c, que reflete a mdia das glicemias em todos os horrios do dia. De preferncia, use a metodologia que mede a HbA1c (normal at 6,2%). Existem outros mtodos para a hemoglobina glicada que no mede apenas a A1c. So menos precisas mas, por conta do preo, so as utilizadas pela maioria dos laboratrios (valor normal geralmente at 8%). Alm disso, importante manter a presso arterial abaixo de 125 x 85 mmHg, colesterol total abaixo de 200, LDL abaixo de 100, HDL acima de 45 e triglicrides abaixo de 150. Se no conseguir estes ndices com as mudanas de estilo de vida, obrigatrio o uso de medicamentos. Alm disso, deve ser feita a dosagem da microalbuminria, avaliaes cardiolgica e oftlmica pelo menos uma vez por ano. Na ausncia de endocrinologista em sua cidade um clnico ou cardiologista pode acompanh-lo. importante que ele conhea os consensos mais recentes para o tratamento do diabetes (www.diabetes.com.br) da hipertenso (VII JOINT) e da dislipidemia (NCEP III). Atenciosamente, Alberto Ramos, ajsr@uol.com.br

31. Bom dia, Jos Carlos. Seguem-lhe, abaixo, algumas colocaes que lhe seriam importantes, de acordo com seu quadro estvel de diabetes e dados antropomtricos. 8h30min. Acrescente um alimento que contenha carboidrato complexo (de absoro lenta), que vai manter sua glicemia estvel durante toda a manh: 1 biscoito gua e sal ou uma fatia de po integral de forma. Comece a refeio pela MASTIGAO dos alimentos ricos em fibras, pois eles lhe do saciedade prolongada e reduzem a assimilao dos carboidratos, estabilizando, assim, a glicemia por mais tempo. 20h. Antecipe um pouco esse horrio para as 19h ou 19h30min, bem como o horrio do lanche da tarde para as 16h, no mximo. Use alimento rico em fibras: uma laranja com bagao, ou uma ma com casca, ou uma pra, ou outra fruta, exceto manga, banana e caqui, ANTES de comer o po, porque a absoro dos carboidratos ser mais lenta e gradativa, no provocando "picos" glicmicos e se estabilizando por mais tempo. 22h. Coma apenas duas frutas ou, como opo, alimentos proteicos: leite, ou iogurte light, ou queijos brancos. Nunca faa exerccios em jejum. Seria conveniente fazer, a cada seis meses, uma avaliao da composio corporal, realizada com freqncia em academias de ginstica. A finalidade aferir as massas gorda e magra, para verificar se no est perdendo massa muscular, muito comum nos diabticos descompensados. Um fraterno abrao e que Deus o ilumine e o guarde. Luiz Sinicio.

32. A pedido da Dra. Hermelinda, estou enviando os comentrios a respeito do seu cardpio. Suco de laranja natural esquentado: crendice popular. O suco de laranja rico em vitamina C. Perde parte dessa vitamina quando aquecido. Lembre-se de que um copo de suco puro de laranja contm cinco laranjas. A fruta, quando consumida em maior quantidade, eleva a glicemia ps-prandial. Caf da manh. Consumo excessivo de frutas. O ideal uma unidade ou uma poro pequena por refeio. bom conter leite ou derivados, desnatados, pois so alimentos ricos em clcio. Esto faltando carboidratos complexos (po integral, aveia, cereais sem acar, tapioca, cuscuz, biscoito integral), que devem ser controlados e no usados vontade. Lanche da manh. Faa uso de um lanche no intervalo da manh (fruta, suco de fruta ou gua de coco), sendo uma unidade ou uma poro pequena. Almoo. O almoo est correto e bem equilibrado. No entanto, use mais feijo e menos arroz. Carnes de frango e de peixe, coma-as moderadamente. Saladas vontade, sempre variadas, com temperos naturais. O azeite de oliva puro interessante consumi-lo cru. Lanche da tarde. Suco de frutas, em pouca quantidade. Jantar: 19h. Sugestes. Igual ao almoo ou saladas completas com frango, carnes magras ou peixe. Sopa de legumes com frango, carne ou peixe. Suco de fruta e sanduche natural. Lanche Leve: 21h ou 22h. Sugestes. Leite desnatado e fruta. Leite desnatado e cereais sem acar. Mingau de aveia com leite desnatado, canela e adoante (ralo). Iogurte desnatado e fruta. Iogurte desnatado e trs unidades de biscoito integral. Leite desnatado e uma fatia de po integral. Queijo magro e fruta. OBSERVAO. Produtos lcteos, use-os sempre desnatados ou magros (leite, requeijo, iogurtes e queijos). Fruta, sempre uma unidade pequena. Grata. Nilza.

33. Boa Tarde, Jos. Fiz uma anlise QUALITATIVA de sua dieta. Veja as observaes a seguir. Exames laboratoriais que deve fazer: teste de tolerncia a glicose, triglicrides, colesterol e clcio. Tem pancreatite aguda ou crnica? Se sua glicemia est dentro do normal, at alm para um diabtico, PARABNS! Qual diabetes tem: tipo I ou II? Seu IMC (ndice de Massa Corporal), que a altura ao quadrado dividida pelo peso, deu limtrofe para sua idade (24,9). No sei se tem bastante massa magra, pois para esse mtodo isso influencia, ou seja, superestima o resultado. Com relao sua dieta, faa as seguintes modificaes. Tome ch verde em vez desses que est tomando. Ele tem ao efetiva na saciedade e ajuda na perda de peso. Coloque uma colher de sopa cheia para um litro de gua e tome o ch o dia todo. Est comendo muita fruta. A recomendao de 3/4 pores/dia. Mesmo que sua glicemia esteja tima, o acar das frutas pode alterar esse valor. s 10h30min passe a comer somente salada de fruta. No almoo, coma as duas bananas que estavam no lanche da tarde. No desjejum falta o consumo de leite desnatado para atender as necessidades de Clcio. Duas fatias de po ou um po francs de manh lhe proporcionar quantidade suficiente de energia para suas atividades. Tambm diminuir sua fome no lanche da manh. No lanche da tarde, coma somente salada de fruta e uma bolacha cream cracker, torrada com requeijo ou gelia diet. Na ceia, deve comer a menor quantidade possvel, como, por exemplo, uma poro de fruta e um copo de leite desnatado. Com relao ao azeite, prepare sua refeio com uma colher e meia de sopa em cada uma (jantar e ceia) e o total deve ser de trs colheres de sopa. Bom, Jos Carlos, quanto ao resto, est tudo muito bem equilibrado. Se incorporar essas pequenas modificaes tenho certeza de que iro fazer uma grande diferena. Espero que o tenha ajudado. Um grande abrao. Andressa Penteado Fantinatto, CRN 13562, afantinatto@hotmail.com

34. Santos, 22 de maio de 2003. Prezado Jos Carlos, em resposta a seu e-mail, primeiramente sugiro-lhe que consulte um profissional especializado, nutricionista ou mdico endocrinologista, pois a presena do paciente muito importante para qualquer avaliao e para melhor atend-lo em suas dvidas. Nessa consulta sero analisados os seus hbitos alimentares atuais, preferncias nutricionais e a necessidade ou no de mudanas alimentares, com o objetivo de controlar o peso e a glicemia, principalmente para ajustar a alimentao e a atividade fsica que j pratica. No so necessrias mudanas bruscas, como passar fome, mas, sim, disciplina e muita fora de vontade para seguir uma dieta saudvel e equilibrada. Uma das mudanas a necessidade de realizar 6 refeies dirias e a incluso de todos os tipos de alimentos, em todas as refeies, desde o caf da manh at o lanche noturno. As variedades dos alimentos e as quantidades adequadas devem ser individualizadas de acordo com as preferncias do paciente. Quanto aos chs brancos, so excelentes e existem outros: camomila, hortel, melissa e ma. Os chs pretos e mate contm cafena que, em excesso, podem deixar o paciente mais ansioso. O caf contm duas substncias: cafestol e kahweol, que elevam o colesterol srico, por isso recomendado sempre que possvel o uso do filtro de papel, que tem a propriedade de reter as substncias citadas. As frutas so compostas de frutose, que um carboidrato, no um acar simples, mas ingeridas em excesso podem alimentar a taxa de glicose do sangue. Por isso, a necessidade de uma dieta individualizada. Os biscoitos, mesmo os gua e sal, tm que ser ingeridos com controle, porque so carboidratos e o excesso ajuda a aumentar a glicose. As margarinas light contm menores quantidades de gordura, portanto no importa a marca. Todos os alimentos tm sua importncia: frutas, fibras, alimentos integrais e todos devem ser ingeridos adequadamente, e calculados em consulta com o profissional e o paciente. Atenciosamente, Jussara P. Bueno, Nutricionista do HOSPITAL ANA COSTA, anacosta@anacosta.com.br

35. Ol, Jos Dutra. Meu nome Nair Rabello, sou nutricionista da equipe do Dr. Levimar Arajo, que me enviou seu email. Em primeiro lugar quero pedir-lhe desculpas na demora em respond-lo. Passei por uma srie de mudanas nas ltimas semanas, mas no me esqueci do seu pedido. Estive analisando as informaes que me enviou e preciso fazer alguns comentrios. A faixa de variao de peso terico para voc : Peso mnimo, 58Kg; peso mdio, 65KG; peso mximo, 72KG, que justamente o peso que tem atualmente. Voc tem um bom conhecimento quanto variabilidade dos alimentos da dieta, mas precisa rever as quantidades ingeridas em cada refeio. Veja, a seguir, uma SUGESTO de cardpio. Desjejum. Leite (um copo duplo desnatado) ou duas fatias de queijo branco. Po integral (duas fatias ou um po de sal ou cream cracker). Fruta (uma unidade ou uma fatia mdia ou um copo de salada de frutas). Requeijo cremoso (uma colher de sopa). Colao. Uma banana ou uma ma ou outra fruta. Almoo. Arroz (cinco colheres de sopa), podendo ser TROCADO por: Farofa, angu, batata, macarro. Exemplo: trs colheres de sopa de arroz e duas de batata. Feijo (cinco colheres de sopa), que pode ser trocado por: Gro de bico, lentilha, soja, ervilha. Vegetais folhosos ( vontade). Legumes (duas colheres de sopa): abbora, chuchu, cenoura, etc. Quanto mais variado melhor (mais colorido o prato). Carne (um bife ou um pedao pequeno), preferencialmente branca (peixe ou frango). Os temperos pode continuar usando-os. Lanche. Um po (ou substituto, conforme j descrito). Leite (idem). Fruta (idem). Lanche. Um po, carne (fil de frango, peixe ou quatro colheres de sopa de atum). Vegetais folhosos vontade. Uma Fruta. Ceia. Duas fatias de queijo ou leite. Cinco unidades de cream cracker ou um po de sal. Procure reduzir o intervalo entre as refeies: mximo de 3 horas. Ingerir no mnimo dois litros de gua por dia (evitar faz-lo somente no almoo) uma hora antes, durante e uma hora aps. Mantenha a prtica da atividade fsica e o controle emocional que so de fundamental importncia para o sucesso do seu tratamento. Em caso de mais alguma dvida, coloco-me disposio para solucion-la. Obrigada pelas lindas mensagens e que DEUS continue abenoando-o. Se quiser conhecer um pouco mais nosso trabalho, entre no site www.diabetes.med.br Um grande abrao, Nair Rabello.

36. Jos Carlos, uma orientao nutricional completa s possvel pessoalmente, pois necessita de algumas medidas da estrutura fsica e uma anlise alimentar mais completa no que diz respeito aos hbitos e alimentos usados. Entretanto, tentarei diminuir as suas dvidas, conforme solicitado. importante conhecer o padro da glicemia e o uso de hipoglicemiantes. Se as dvidas persistirem, pode fazer novo contato. Essa orientao no substitui uma consulta com um nutricionista. O seu peso ideal, de acordo com a altura e a faixa etria, de 65 Kg . Os alimentos devem ser ingeridos a cada 3 horas para controlar o esvaziamento gstrico, otimizar a produo de insulina e tornar constante a absoro de glicose, evitando os picos de hiperglicemia e hipoglicemia. Esse hbito fundamental para controle de peso e do apetite. O alho e a berinjela so alimentos importantes como fonte de vitaminas, minerais e fibras. Os chs de cidreira e erva-doce com adoante podem ser usados sem restries (para pacientes diabticos), tanto a folha in-natura como o industrializado de saquinho. Os adoantes mais indicados so base de aspartame. Arroz e macarro so alimentos com concentrao alta de glicdios (acares), portanto devem ser usados como substitutos, preferindo sempre os tipos integrais. Todos os leos podem ser usados no preparo dos alimentos, em quantidades moderadas. O importante no us-los sob a forma de frituras (para no causar obstruo das artrias). O azeite-de-oliva deve ser usado para temperar saladas. Lentilha e ervilha secas, gro-de-bico, feijo branco, feijo preto, podem ser usados como substitutos do feijo mulatinho. Coma vegetais (crus ou cozidos) e frutas, sem restrio. Tome qualquer leite desnatado (p ou lquido) sem medo. Bagaos so fibras alimentares importantes no controle do colesterol, da glicemia e na regulao do ritmo intestinal (as frutas e os vegetais so ricos em fibras solveis e insolveis). A aveia um alimento muito importante como fonte de energia, ferro, vitaminas do complexo B e fibras. O fato do alimento ser rico em fibras no significa pouca caloria. importante uma avaliao mais completa, incluindo exames de laboratrio, para a elaborao de um plano alimentar. Entretanto, as dvidas mencionadas so bem pertinentes para o controle metablico do diabetes. Atenciosamente, Gildete Fernandes, Nutricionista do Hospital Portugus, Salvador, BA, flavio@hportugues.com.br

37. Caro JOS CARLOS DUTRA DO CARMO, realmente apresenta excesso de peso. O seu peso deve ser em mdia 70 kg. O fracionamento da alimentao indispensvel tanto para reduzir peso, quanto para o controle do diabetes. O ideal so 6 refeies, mas pode ser 5 tambm. O alho e a berinjela so dois alimentos com nutrientes com efeitos positivos para nossa sade, mas propriedades medicinais talvez seja um termo muito forte. A ingesto deles ajuda para uma boa sade. O Daonil no engorda, ajuda no controle do diabetes e um diabetes descontrolado leva a reduo de peso, pois as clulas no conseguem receber os nutrientes. Com a medicao o organismo passa a funcionar adequadamente, aproveitando tudo o que ingerimos. Diferente de engordar. Pode tomar qualquer ch de erva ou outro de fruta que preferir. Os chs ajudam no bom funcionamento do intestino. Evite os chs que contm cafena, como o preto e o mate, porque estimulam o sistema nervoso central e o deixam mais ansioso. Retire as peles do peixe e do frango antes de consumi-los. Beba 2 litros de gua por dia, no mnimo. As frutas contm acar que alteram o controle da glicemia. Coma somente 5 a 6 por dia. Evite comer uva, jaca e abacate. Pode substituir uma fruta por uma barra de cereal sem acar. Lentilha, ervilha, feijo, gro de bico e soja pertencem mesma famlia das leguminosas. Uma substitui a outra. No devem ser consumidas juntas. Fruta de casca: ma, pra, goiaba, caqui, ameixa. Fruta com bagao: laranja e mexerica. No momento, no pense na aveia: muito calrica. Cevada, nada contra nem a favor. Existem alimentos ricos em fibras, como a aveia, que so bem calricos. Cuidado. Alimentos integrais: arroz integral, pes integrais, verduras, legumes, gros (lentilha, ervilha, milho, etc). Existem macarro e arroz integrais de marcas variadas. Combine-os com o seu paladar. A ingesto de farelo de trigo para um bom hbito intestinal, ou seja, o intestino funcionar diariamente sem fazer fora e produzir fezes de consistncia pastosa. Margarina e manteiga no so muito saudveis. Evite-as. Troque o leo de cozinha por azeite extra-virgem. Use o adoante stvia, muito mais natural, pois retirado das plantas. Coma oleaginosas diariamente como amndoas, avels, macadmias, pistache, nozes e castanha-do-par, que contm leos "bons" e protegem as artrias. Cuidado, em excesso traro aumento de peso. No mximo uma ou duas unidades por dia. Espero ter ajudado a contento. Um abrao, Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos. Nutricionista ABCD. secretaria@abcd.org.br

38. Jos Carlos, recebi seu e-mail hoje e vou comear a tirar-lhe algumas dvidas. Realmente, de acordo com o seu IMC (ndice de massa corporal), est com obesidade de grau 1. Seu peso ideal 66 Kg, ento seria desejvel uma reduo de 23 Kg. Para se emagrecer de maneira saudvel, no se deve perder mais que 4 Kg por ms (essa margem permite emagrecer com sade e com menor risco de voltar a engordar). No seu caso, tanto para emagrecer como por causa de diabetes, mesmo indispensvel a realizao de 6 refeies dirias. Este um princpio da nutrio "maior fracionamento e menor volume". Se fica por muito tempo sem comer, seu corpo pensa que est passando por um perodo de falta de alimento e diminui a velocidade do metabolismo, estocando tudo que ingerido. E, devido a diabetes, est mais suscetvel a uma hipoglicemia se ficar muito tempo sem se alimentar. Estarei calculando quantas calorias seriam o ideal para ingerir por dia. Entrarei em contato com voc novamente, respondendo as outras dvidas. Atenciosamente, Flvia Morais, Nutricionista, Mundo Verde Franquia, nutricao@mundoverde.com.br http://www.mundoverde.com.br/inicio.asp OBS: A MUNDO VERDE tem vrias lojas em Salvador. Localize-as abrindo o seu site. Bom dia, Z Carlos, tudo bem? Espero, realmente, que sim. A essa altura j deve est realizando as seis refeies dirias, n? Se ingerir 1700 Kcal por dia emagrecer 4 Kg por ms. Essas 1700 Kcal devem estar divididas nas 6 refeies dirias, da seguinte forma: 340 Kcal no caf da manh, 120 Kcal na colao, 500 Kcal no almoo, no lanche da tarde 170 Kcal, no jantar 425 Kcal e 85 Kcal na ceia. No aconselhvel fazer somente uma refeio pela parte da manh, porque, como diabtico, pode ter uma crise de hipoglicemia. Continue consumindo alho e berinjela, pois o alho tem ao depurativa, diurtica e digestiva. um antibitico natural, devido a alicina, alm de vermfugo e anticoagulante. Previne as tromboses, purifica as mucosas e evita a formao de catarro. Tambm tem efeito contra o excesso de cido rico, o reumatismo, a presso alta e a arteriosclerose. A berinjela diurtica, desobstrui as vias biliares e auxilia na reduo do colesterol. Que bom que toma ch! Alm de erva-cidreira, camomila, capim-limo, funcho, pode usar o ch verde, o abajeru e o pata-de-vaca, que ajudam a baixar a taxa de glicose sanginea. O melhor adoante o stvia, feito do ch das folhas de uma planta de origem do sul do pas e do Paraguai. Pode ser usado sem causar efeito colateral algum. A maioria dos chs so diurticos, mas nem todos ajudam a diminuir a taxa de acar no sangue. Um abrao, Flvia, nutricao@mundoverde.com.br

39. Ol, achei muito interessante a maneira como vem adotando novos hbitos em sua vida. Primeiramente, parabenizo-o pela fora de vontade e superao que demonstra ter. , realmente, difcil responder seu e-mail da maneira mais completa, discursando sobre as questes propostas de modo satisfatrio; afinal, cada tpico, cada questionamento daria horas de discusso. Sinto-me frustrada por no ter todo o tempo para debatermos como gostaria sobre o que props em sua mensagem, mas o que lhe posso adiantar : Seu peso no est 19 Kg acima do ideal como relatou. A faixa de IMC (ndice de Massa Corporal) para pessoas acima de 62 anos no a mesma para os mais jovens cronologicamente. Portanto, conclu que est, em mdia, 10 Kg acima do seu peso ideal. Gostaria de salientar, porm, que hoje sua perda de peso dever ocorrer em conseqncia da mudana de seus hbitos. Continue praticando a f, a atividade fsica e reduzindo alimentos ricos em gordura e acar. Desta maneira, ter controlado quaisquer enfermidades cardiovasculares ou crnico-degenerativas, como o prprio diabetes. Faa, sim, um esforo e fracione mais sua dieta, ou seja, reduza um pouco a quantidade ingerida no almoo (mantenha a qualidade), coma um lanche no meio da tarde, alguma coisa pela manh e sua sade agradece. Continue ingerindo bastante gua. Se for do seu agrado, mantenha os chs e evite os pretos, porque aumentam a ansiedade. Cuide do estmago! Ingira produtos integrais, pois sua absoro mais lenta, elevando, gradualmente, e de forma reduzida, a taxa de glicose no sangue. Varie ao mximo os adoantes que usar. No existem estudos conclusivos sobre os efeitos de nenhum deles no organismo, portanto a recomendao de troc-los freqentemente. Todos os leites desnatados, com selo de fiscalizao e no formato longa-vida, so mais confiveis do que qualquer outro. Nenhuma restrio ao presunto de peru. Margarinas lights a sua escolha nocivas somente pelo excesso em seu consumo. Barras de cereal contm acar mascavo, porm seu aporte de fibras pode reduzir seu efeito negativo consuma com moderao. Qualquer alimento, rico ou pobre em fibras, engorda se consumido em quantidades superiores a sua necessidade energtica. Tenha por hbito ler o rtulo das embalagens. A princpio, ser complicado entender, mas a prtica e a comparao de produtos o tornaro um consumidor atento s quantidades relativas principalmente de fibras, gorduras (saturadas e insaturadas), carboidratos ou acares (evite os simples), protenas, clcio e ferro. No mais, disponho-me a ajud-lo em quaisquer outras dvidas e desculpe-me por no poder me aprofundar mais. Atenciosamente, POLYANA SELVATICI.

40. Ol, Jos Carlos. Apesar de fazer pesquisa culinria e escrever textos sobre o tema, no sou nutricionista e, portanto, no estou habilitada a dar-lhe conselhos mdicos. No entanto, vou tentar responder algumas de suas dvidas, baseadas em meu conhecimento emprico. Acho que consome alho demais, o que pode ter um efeito irritante no estmago, apesar de alho ser notoriamente bom para a sade. Tambm cultiva pouco o prazer da comida e se angustia com a possibilidade de ter que deixar certos hbitos, o que pode provocar ansiedade e compulso alimentar. A alimentao saudvel, acredite, muito gostosa e criativa. Visite meu site para ver algumas receitas e conhecer possibilidades criativas: www.clipfit.com Experimente, de manh, comer 1 fruta, como mamo, algum cereal, tipo aveia ou granola, sem acar, misturado ao suco de laranja. Pode dispensar a berinjela e o alho, pois foi provado que berinjela crua no tem os efeitos medicinais que andaram divulgando, alm do que o gosto deve ser terrvel. Os chs so naturalmente diurticos e pode experimentar ch verde, que antioxidante. importante tomar pelo menos 2 litros de gua por dia, saudvel e auxilia na perda de peso. Evite usar leo para cozinhar. Use o azeite virgem como condimento, apenas para dar gosto, sem nunca aquec-lo. Gordura aquecida aumenta os radicais livres e faz mal para o corao. Seu almoo est bom, mas pode temperar a salada. A beterraba rica em acar mas tambm tem fibras, o que retarda a liberao do acar para o sangue. Pode com-la sem exagero. Experimente refogar as verduras com shoyo (molho de soja) ou mesmo gua. O sabor fica mais rico e mais saudvel. O acar das frutas vem sempre combinado com vitaminas e fibras, e , portanto, saudvel, sem exageros. Pode consumir 4 ou 5 frutas por dia, sem problema. No se preocupe com tantas restries e coma as frutas de que gosta, sem exageros. No sou a favor de laticnios. Pode substitu-los por soja. H vrias receitas timas com gros de soja. Procure consumir somente cereais integrais, a fibra realmente retarda a liberao do acar para o sangue. Evite comer alimentos refinados, como arroz branco, biscoitos e bolos feitos de farinha de trigo refinada. Quanto margarina, no faz bem sade. Elimine os adoantes artificiais. Use o acar natural das frutas. Barras de cereal so um produto processado, como se fosse um biscoito grosso; elimine todo alimento processado e refinado, se possvel:nunca se sabe o que vai dentro deles. Cascas e bagaos: a casca das mas, por exemplo, saudvel, o bagao das laranjas tambm. Os alimentos ricos em fibras tm tantas calorias quanto os refinados, portanto, controle a quantidade; no entanto, do uma sensao de saciedade e o efeito retardador de liberao do acar para o sangue existe. Alm disso, as fibras estimulam a regularidade intestinal. Procure lojas de produtos naturais. O Mundo Verde uma rede que tem lojas no Brasil inteiro. O site deles : www.mundoverde.com.br . Arroz integral muito comum e h macarro integral tambm, sempre neste tipo de loja mais natural. Na verdade, hoje em dia at os grandes supermercados tm uma seo de alimentos naturais; pesquise. Um ltimo conselho: farelo de trigo pode ser saudvel, mas muito desagradvel como o suco de berinjela e alho cru. Pare de se preocupar tanto e busque mais o prazer da vida, sem feijoada e torresmo, e sem exageros. A Wickbold fabrica pes integrais e uma empresa grande, mas as solues caseiras so sempre melhores. Um abrao e boa sorte, Noga Lubicz, vendas@clipfit.com

41. Ol, Jos Carlos, como vai? Recebi seu e-mail hoje e estou um pouco surpresa pela maneira como colocou seu problema a ns, nutricionistas. A perto de Ipia no h nenhuma Universidade prxima, para atendimento nutricional? Bom, voc tem muitas dvidas, por isso acho interessante procurar um nutricionista que esteja prximo de onde mora. Somos impedidos de fazer consultas virtuais. Alm disso, h tcnicas importantssimas que s em contato com os pacientes que conseguimos realizar, como por exemplo: Peso, Altura, Pregas Cutneas, entre outras medidas, que de exclusiva competncia do nutricionista. Atendo pacientes em seus domiclios, por isso sei da importncia de se avaliar pessoalmente cada indivduo, entende? A seguir, algumas respostas que posso lhe fornecer. Segundo seu peso e sua altura, est obeso, mas o emagrecimento deve ser cauteloso, aos poucos. Primeiramente, precisa chegar ao sobrepeso e depois se houver necessidade com relao sade, a sim, chegar eutrofia (normalidade). Tudo isso cruzando exames laboratoriais, para se certificar que nveis de colesterol, triglicrides, uria, creatinina, hemoglobina, hematcrito, etc, estejam adequados. O emagrecimento nunca pode colocar o estado de sade em jogo, por isso devem existir tais cuidados. O alho tem poder anti-oxidante, que retarda o envelhecimento precoce e pode auxiliar na preveno de problemas imunolgicos. Mas no h a necessidade de se tom-lo batido com suco! Outros alimentos, mais aceitveis, tambm so fontes deste nutriente, como as frutas, fontes de vitamina C ( s um exemplo!). A berinjela conhecida como auxiliar na diminuio dos nveis sricos de colesterol. Mas o recomendvel que se tome batido com suco de laranja, em jejum, pela manh. O paciente diabtico no deve exceder 3 pores de frutas/dia, pois o acar prprio destes alimentos tambm eleva os nveis de glicemia (frutose). Por isso, quando preparar um suco, nunca o faa puro, sempre o dilua em gua. E respeite o limite de quantidade de frutas. Os chs mais indicados, para qualquer patologia, realmente so os de ervas: erva-doce, cidreira, capim-limo, camomila, ou os de frutas como o de ma (feito com a casca), o de maracuj, etc. Mas nunca tome os mais escuros, pois contm cafena, que prejudicial por estimular demasiadamente o Sistema Nervoso Central, alm de "competir" na absoro de vrios nutrientes. Sendo os chs de ervas, podem ser consumidos livremente, puros ou adoados com edulcorantes artificiais. Se no for Hipertenso (Presso Alta) pode tomar qualquer tipo. O Stvia tem procedncia natural, mas no seu caso no h necessidade. Compre os no calricos! O melhor lquido para "limpar"os rins a gua pura! Quanto ao fracionamento da dieta, 5 a 6 refeies por dia so ideais. Vou enviar-lhe uma Orientao Nutricional. A sua dieta no est ruim! Qualquer alimento diet aquele que fabricado com o ingrediente principal modificado ou substitudo por um de funo teraputica. Por exemplo:o acar substitudo pelo adoante, entende? Os edulcorantes (adoantes) tm um sabor aparentemente mais forte porque o poder adoante deles muito maior do que o da sacarose (acar). Por isso os sorvetes e todos os produtos diets (e no necessariamente os lights) so mais "doces". Desejo que consiga agendar uma consulta com o nutricionista! Mas, mesmo assim, espero t-lo ajudado. Um abrao e no esquea de ler a Orientao em anexo! Slvia Regina, snd@hospitalsantamarina.com.br Hospital e Maternidade Santa Marina, Tel. 031-11-5013-1240/1241.

42. Prezado Jos Carlos Dutra do Carmo, em retorno ao seu e-mail gostaramos de nos desculpar pela demora em respond-lo, devido ao grau de questionamentos e das buscas realizadas. Se ficamos muito tempo sem ingerir alimentos, o organismo economiza energia, no queimando a mesma quantidade que queimaria se houvesse ingesto de alimentos em curto espao de tempo. Com relao aos chs, a Jasmine oferece ch de Ma (lanamento). Ma benfica para o corao: pela presena de potssio, elemento indispensvel na gerao de energia para atividade celular, nas contraes musculares e na transmisso de estmulos nervosos. Pela presena de pectina, que evita a deposio de gordura na parede arterial, evitando a arteriosclerose. depurativa do sangue: Contm acido mlico, que elimina detritos provenientes do metabolismo. Efeito emagrecedor: pela presena de pectina, que dificulta a absoro das gorduras, da glicose e elimina o colesterol. O potssio contido na ma faz eliminar o sdio excedente e conseqentemente o excesso de gua retida no corpo. 40 g de ma seca equivale a 2/2,5 mas in-naturas. Os chs auxiliam nas funes gstricas e digestivas. Com relao a outros chs, muito complicado indicar algum especifico, pois cada ch natural, principalmente de ervas, so indicados para algumas funes determinadas. Os chs ajudam no funcionamento do rim, assim como a ingesto de gua vital para o funcionamento do rim, que o filtro do nosso organismo. A cafena presente no caf e nos chs pretos tem ao estimulante no sistema nervoso e pode aumentar a presso. O coador de pano no tem nenhuma influncia no colesterol. O colesterol dado pela ingesto de gordura de origem animal. O ideal um balanceamento de protenas, carboidratos, fibras, gorduras e vitaminas. O arroz e o macarro so carboidratos. A beterraba contm bastante acar. Quanto ingesto de verduras e legumes, o bom consumir um mix colorido (vitaminas). A frutose metabolizada independente da insulina. Somente seu mdico poder indicar-lhe a quantidade de frutas a ser consumida. Quanto eliminao do suco, o melhor consumir a fruta, pois contm fibras, que so indicadas para diabticos e pessoas com colesterol alto. Todas as frutas tm frutose. Frutose no o mesmo que sacarose (acar comercial). Sacarose um dissacardeo (glicose + frutose). As frutas contm frutose que no necessitam de insulinas para serem metabolizadas. muito importante o consumo de fibras. Est agindo corretamente, consumindo produtos integrais. Evite os produtos beneficiados e refinados. Com relao s margarinas, no podemos afirmar qual a melhor. O mais indicado no consumi-las. No consuma manteiga e seus derivados! A respeito dos biscoitos, os da marca Jasmine so ricos em fibras, principalmente os salgados que possuem poucas calorias. Relativamente s mudanas de atitudes em seu cardpio e nas atividades da vida, parabns pela determinao e fora de vontade. Barra de cereais um conjunto de elementos integrais com verses diferenciadas. Por exemplo, ingredientes que contenham aveia, mel, flocos de arroz, coco. As barras no substituem as frutas e existem nomes comercias. Quando a Jasmine as fabricava, chamava-as de Suply. Lentilha e gro de bico so leguminosos e podem ser consumidos como sopas, saladas, etc. Consumir aveia moderadamente recomendvel, pois ajuda a reduzir o teor de gordura e acar no sangue. Recomenda-se que a aveia seja utilizada, de preferncia crua, reidratada em gua, para que as vitaminas e minerais sejam aproveitados integralmente. As fibras auxiliam para o bom controle da taxa de glicose no sangue. O ideal utilizar o mximo possvel de alimentos integrais e naturais. A Jasmine uma empresa h 12 anos no mercado e tem como linha mestra levar a seus clientes produtos integrais e naturais desenvolvidos com muito critrio e extremo respeito. Temos grande preocupao em oferecer produtos de alta qualidade e estamos sempre trabalhando para que os nossos clientes estejam totalmente satisfeitos. Colocamo-nos tambm sua disposio para maiores informaes atravs do telefone 0800-7018003 (discagem gratuita) nos dias teis, de segunda-feira a quinta-feira, das 8 s 18h e sexta-feira das 8 s 17h. Daniela Ricco Pinheiro, Engenheira de Alimentos. www.jasminealimentos.com.br sac@jasminealimentos.com.br

43. muito importante sua preocupao em melhorar a qualidade da alimentao. Com ela balanceada poder evitar e ajudar (ou sanar) doenas adquiridas por hbitos alimentares errneos. Quanto ao seu porte fsico, est entrando na obesidade. Seu peso ideal seria entre 65 a 71 kg. Sendo portador de diabetes, mais um motivo forte para perder os quilos a mais. Alimentar-se 6 vezes ao dia indispensvel, ou seja, comer mais vezes com menores quantidades. Procedendo assim, estar evitando, tambm, uma hipoglicemia ou problemas gastro-intestinais. O alho ajuda a combater infeces e a berinjela abaixa o colesterol ruim (LDL) no sangue. O caf da manh uma das refeies mais importantes, pois o seu principal papel o fornecimento de nutrientes e, em especial, de energia para as primeiras horas do dia e para as necessidades globais. Saltar o caf da manh, como vem fazendo, implica em afetar parcialmente, de forma aguda, a capacidade de ateno, alm de reorientar os aportes nutricionais para outros horrios de alimentao, o que possui uma associao reconhecida com o risco de obesidade. Tudo em excesso prejudicial, inclusive a quantidade de ch que est ingerindo. Os chs tm propriedades especficas e sem um controle na sua ingesto fica difcil medir o quanto dessas propriedades o organismo est recebendo. Ajudam o bom funcionamento do rim, como qualquer outro lquido, sempre tomado nos intervalos das refeies e nunca durante as grandes refeies, porque isso acarretar uma dilatao do estmago e diluio do suco gstrico, o que dificultar a digesto. A quantidade ideal de 1,5 a 2 l/dia. O excesso de ch no elimina acar da urina. O que elimina o excesso de acar a fibra. As fibras ajudam o organismo a eliminar o excesso de glicose, colesterol (LDL), triglicrides e previnem o cncer do colon. Os chs de cafena eliminam o clcio do organismo e estimulam a mucosa gstrica e o sistema nervoso central. Quanto aos adoantes artificiais, todos so de boa qualidade. Cada pessoa tem a sua preferncia, visando o paladar. Pode comer arroz com lentilha, pois os gros (leguminosas e cereais) so ricos em fibras. Todo alimento integral mais saudvel e mais rico em fibras e vitaminas. Os leos mais indicados no uso de tempero ou para cozinhar, so chamados monoinsaturados e polinsaturados, que so de origem vegetal e combatem o colesterol ruim. Toda gordura animal chamada saturada e aumenta o colesterol ruim no sangue. Mas lembre-se de que os alimentos com fibras tambm engordam, se consumidos em excesso. Procure ingerir vegetais crus e sem temperos (no caso das saladas), aproveitando o sabor natural desses alimentos. Tudo uma questo de hbito. O leo aquecido aumenta a produo de radicais livres, devido a sua oxidao. Portanto, o ideal us-lo uma nica vez, quando se tratar de frituras. Pode consumir feijo com gro-de-bico ou isoladamente, mas em pequenas quantidades. O lanche da tarde tambm tem o seu valor, portanto mude os seus hbitos alimentares, incluindo esta refeio. No seu caso, as frutas em excesso podem prejudicar devido ao teor de acar monossacardio existente nelas (frutose). Por que 2 copos de leite noite e os 2 pes com presunto? O ideal seria distribu-los durante o dia, o que facilitaria um sono mais tranqilo devido digesto das protenas. Cientificamente, a melhor margarina a Becel Pr-Active, que tem antioxidantes que combatem os radicais livres. A barra de cereal no substitui a fruta, mas pode ser usada em refeies pequenas, entre o desjejum e o almoo. Continue praticando exerccios, pois melhorar o nvel de acar e evitar outras doenas resultantes do sedentarismo. Mantenha toda essa esperana e satisfao interna confiante no seu Deus. D preferncia s carnes magras. Retire as peles do peixe e do frango antes de consumi-los. Prefira os adoantes como FINN, ZERO-CAL E GOLD. Evite o ASSUGRIM, DIETYL, DOCE MENOR, TAL E QUAL, SUCARYL E DOURA, pois podero alterar sua presso. Use os alimentos DIET com moderao. As massas (macarro, farinha, angu, etc) e vegetal (batatas, mandioca, car) devero ser usadas em substituio ao arroz, ou quando us-los juntos, diminuir a quantidade de arroz. Alimentos ricos em fibras: feijo, verduras, legumes crus, frutas com casca e bagao, cereais integrais (arroz, po, aveia). As fibras so muito importantes para ajudar no controle da glicemia. Elimine do seu cardpio: acar, rapadura, pudim, torta, bala, refrigerante, mel, bombom, sorvete. Atenciosamente, Maria Elisabete Chemim, Nutricionista Clnica dos Hospitais Andr Luiz e Arapiara S/A, Belo Horizonte, MG.

44. OI, SOU KEYLI, NUTRICIONISTA. Vou tentar esclarecer suas DVIDAS. Demonstrou ser uma pessoa muito preocupada com sua sade. Parabns e obrigada desde j por confiar em mim. Como voc mesmo disse, no uma consulta e por isso nem vou lhe dizer o preo que cobro. Mas saiba que estou muito feliz pelo carinho da sua mensagem. A MDIA DE PESO PARA SUA IDADE 65 Kg, MAS AT 73 Kg normal pelo IMC. Fazer seis (6) refeies por dia realmente indispensvel para qualquer dieta. O medicamento DAONIL no engorda. TODOS OS CHS BRANCOS PODEM SER CONSUMIDOS COM ADOANTE. Evite os chs que contm cafena, como o preto e o mate, pois estimulam o sistema nervoso central e o deixam mais ansioso. Caf demais faz a presso subir. ACRESCENTE UM FIO DE AZEITE DE OLIVA NA SALADA. COMA AS FRUTAS QUE CONTM MAIS GUA: MELANCIA, MELO, ABACAXI, LIMA. Evite comer jaca, uva e abacate. As frutas so ricas em um acar chamado frutose, que absorvido no sangue e se transforma em glicose, no fgado. Sendo assim, no aumenta muito a taxa de glicose no sangue aps a absoro, exceo feita s uvas, que possuem uma quantidade maior de glicose que as outras. Suco de fruta, apesar de natural, contm frutose, que o acar da fruta que tambm altera a glicemia. Portanto, quando tom-lo, misture-o com gua. PODE USAR O QUEIJO BRANCO PARA SUBSTITUIR O PRESUNTO. No lugar de uma fruta pode comer uma barra de cereal LIGHT. Lentilha e gro-de-bico substituem o feijo. FRUTAS COM CASCAS E BAGAOS: MA, PRA, LARANJA, MANGA, TANGERINA, LIMA. A ingesto de alimentos ricos em fibras fundamental para auxiliar o bom controle da taxa de glicose no sangue. Prefira alimentos base de gros integrais, como po, arroz e biscoitos integrais. Eles contm mais fibras, so mais nutritivos, acabam com a fome mais rpido e diminuem e velocidade de absoro da glicose no sangue. Substitua o po comum (francs, branco) pelo integral. O po integral aconselhado por ser rico em vitamina B e em germe de trigo, que possibilita o perfeito funcionamento dos intestinos. Uma marca de po integral idnea a PLUS VITA. Substitua o biscoito conhecido como gua e sal pelo GRAN DIA DANONE. No ingira lquidos durante as refeies e prefira carnes cozidas e assadas com pouco leo. Recomendo ler o rtulo antes de consumir os alimentos industrializados. Se contiver as palavras glicose, sacarose, acar ou acar invertido, evite esses alimentos. O alimento diettico (diet) que deve ser usado o adoante. Utilize os que contm CICLAMATO DE SDIO, SACARINA OU ASPARTAME. Alimentos diets: No contm acar, mas tm gorduras e outras substncias prejudiciais em excesso. Seguindo a dieta prescrita pelo nutricionista, no preciso consumir alimentos artificiais. Alimentos lights: Podem conter acar e por isso no devem ser consumidos. Uma alimentao equilibrada deve conter frutas e hortalias de cores bem variadas todos os dias, pois esses alimentos so ricos em vitaminas e minerais. EVITE:Acar branco, mascavo, doces preparados com acar, mel, melao, rapadura e frutas em calda; neston, farinha lctea, mucilon, cremogema, e excesso de farinhas de mingaus; bebidas alcolicas e refrigerantes. Excesso de: ervilha, milho, aipim, batata-doce e inglesa, inhame, fruta-po, bananas, uvas, cereja, castanha. Alimentos com muito sal e gorduras: Carnes salgadas, lingias, enlatados, frituras e biscoitos doces, principalmente os recheados. MODERE:Alimentos dietticos, manteiga, margarina, creme de leite, leite de cco, azeite de dend e gorduras animais; pes e massas; frutas secas (ameixa, uva passa). PREFIRA: Adoantes, por exemplo: Stevia, Assugrin, Dietil, Sucaryl, Doce Menor, Holda, Finn, etc. leos Vegetais (soja, milho, canola, azeite doce e outros). Leite e iogurte desnatados, queijos brancos. Folhosos (alface, agrio, brcolis, repolho, couve, cheiro verde). Verduras (abbora, quiabo, berinjela, jil, maxixe, pepino, tomate, cebola, cenoura). Frutas (abacaxi, laranja, caj, caju, goiaba, melancia, melo, tangerina. Alimentos ricos em fibras: frutas e verduras cruas e cereais integrais (aveia, por exemplo). ESPERO QUE TENHA COLABORADO COM VOC. SE AINDA FICOU COM ALGUMA DVIDA, ESCREVA-ME DE NOVO. FOI UM PRAZER AJUD-LO. QUE DEUS O ABENOE. KEYLI. E-mail: kquirelli@ig.com.br Oi! Como vai? Espero que esteja tudo bem. Fiquei muito feliz em saber que consegui esclarecer suas dvidas. Mas, se ainda quiser perguntar algum coisa, estarei sempre disposio! Lembrei de mais um site bom que fala de muitas coisas legais sobre alimentos: www.soscozinha.com.br Resolvi mandar-lhe mais algumas orientaes sobre diabetes. Espero que goste. Atualmente estou trabalhando no Restaurante Baby Beef, em Salvador. Voc o conhece? Veja o site: www.babybeef.com.br Quando vier a Salvador, fale-me, para quem sabe nos conhecermos pessoalmente. Tem esposa e filhos? Sua me ainda viva? Diga a elas que lhes desejo um timo Dia das Mes. Um abrao, Keyli.

45. Oi, Z Carlos, enviei-lhe um pacote via postal cheio de informaes sobre diabetes e alimentao. Se tiver alguma dvida, escreva-me. Um abrao. Clarice Helena Couto, Endocrinologista e Clnica Mdica, Clnica Sade Consciente, Blumenau, SC. claricecouto@uol.com.br A seguir, os dados coletados do material fantstico e maravilhoso que me enviou CLARICE. Utilize somente 20 ml de leo por dia no preparo dos alimentos. Verduras de folhas cruas, que podem ser consumidas vontade: Acelga, agrio, almeiro, aspargo, brcolis, chicria, couve, espinafre, repolho, palmito, rabanete, tomate, pepino, cebola. Legumes saudveis: abbora, abobrinha, moranga, beterraba, berinjela, cenoura, chuchu, vagem, quiabo, nabo, ervilha (fresca), jil, couve-flor, pimento. Tubrculos e razes recomendados, com moderao: aipim, batata inglesa, batata doce, batata baroa (mandioquinha), car, inhame. Frutas indicadas: abacaxi, ameixa, banana dgua, banana ma (branca ou preta), caqui, caju, figo, goiaba, jabuticaba, laranja (pra ou lima), maracuj, melancia, melo, morango, ma, mamo, manga, pra, tangerina, pssego, uva. GRUPO DE ALIMENTOS. Vegetais do Tipo A. Podem ser ingeridos sem restries: Acelga, agrio, alface, almeiro, chicria, couve-manteiga, brcolis, couve-flor, espinafre, mostarda, nabo, pepino, rabanete, repolho, tomate. Vegetais do tipo B: Abbora, abobrinha, berinjela, beterraba, cebola, cenoura, chuchu, ervilha, palmito, pimento, quiabo, vagem. FRUTAS: Abacaxi, ameixa, banana, caqui, goiaba, laranja, ma, mamo, manga, melo, melancia, morango, pra, pssego, tangerina, uva. Carnes e peixes devem ser cozidos, grelhados ou assados. No frite os alimentos. Alimentos que devem ser evitados:Acar, balas, chocolate, bombons, mel, bolo, tortas, gelias, marmelada, leite condensado adoado, refrigerantes, cerveja, vinhos doces, champanha, alimentos fritos, azeitonas, castanhas. Alimentos sem restries: Ch (sem acar), caldo de carne ou galinha (sem gordura), limo, mostarda, picles (no adoados), vinagre, edulcorantes no calricos, condimentos (alho, baunilha, canela, cebola, cebolinha, cominho, louro, organo, pimenta, salsa, salso). Alimentao equilibrada aquela que contm todos os nutrientes: carboidratos ou acares, protenas, gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras vegetais e gua. TIPOS DE ALIMENTOS. ENERGTICOS. Fontes de carboidratos (glicose): cereais (arroz, milho, trigo, aveia, centeio, cevada) e seus produtos (farinhas, pipoca, po, macarro, massas, biscoitos) e tubrculos (batata, batata-doce, mandioca, car, inhame). Fontes de gorduras: leos vegetais, margarina, frutas oleaginosas (amendoim, nozes, castanhas, avels, amndoas). CONSTRUTORES. Fontes de protenas: carne de boi, aves, peixes, frutos do mar, ovos, leite, queijos, iogurte, coalhada, leguminosas (feijes, ervilhas, lentilha, gro-de-bico, soja). REGULADORES. Fontes de vitaminas, sais minerais, fibras vegetais, gua, verduras, legumes e frutas. Lembre-se de que o equilbrio nas refeies garante boa nutrio e melhor controle da glicemia. O que so fibras vegetais? So nutrientes importantes para a sade do aparelho digestivo e preveno de algumas doenas como priso-de-ventre, hemorridas, gastrite, colite e tumores do aparelho digestivo. As fibras macias so responsveis pelo menor aproveitamento da glicose e das gorduras durante a digesto. Exemplos de alimentos com fibras: leguminosas (feijes, ervilhas, lentilha, gro-de-bico, soja); cascas e bagaos de frutas; legumes e verduras; aveia e cevada. GORDURAS E COLESTEROL. O alto consumo de gorduras favorece o aumento dos seus nveis no sangue e de doenas decorrentes desse pssimo hbito alimentar. Prepare os alimentos com leos vegetais (de soja, arroz, girassol, gergelim, canola, oliva). Evite carnes gordas, embutidos, queijos gordos, creme de leite, maionese e manteiga. SDIO. Largamente encontrado no sal de cozinha, alimentos industrializados e de origem animal, o sdio um componente relevante para o desenvolvimento da hipertenso arterial (presso alta) e, portanto, deve ser consumido com moderao. Prefira temperos e alimentos frescos e congelados. Abuse de ervas aromticas, alho, cebola e cheiro verde. Alguns adoantes base de sacarina e ciclamato contm alto teor de sdio. No abuse dos adoantes e de outros produtos dietticos. O acar (refinado, cristal e mascavo), mel, doces, refrigerantes e o lcool contribuem de forma acentuada para o descontrole da glicemia. Evite-os. Mantenha o peso dentro da faixa de normalidade (20 a 25 kg/m), que se calcula dividindo o peso por altura vezes altura (IMC). Fracione a alimentao em 3 refeies principais ao dia e coma frutas entre as refeies, evitando longos perodos em jejum. Inclua nas refeies os trs grupos de alimentos: Energticos (arroz, massas, pes, batatas); construtores (carnes, ovos, leite e derivados) e reguladores (verduras, legumes e frutas). Substitua produtos refinados por integrais (o arroz branco pelo integral, por exemplo), devido ao maior teor de fibras que ajudam a controlar o ndice glicmico. Consuma 2 a 4 pores de frutas por dia (1 por vez) e prefira as frutas com menor quantidade de glicose e frutose. No abuse de uva, melancia e caqui. Prefira comer a fruta em vez de tomar o suco de frutas, pois este, alm de ser mais calrico, contm menor teor de fibra. Evite acar (refinado ou mascavo), refrigerante, doce, mel, pois aumentam rapidamente a glicemia. Use produtos diets com moderao, pois alguns apresentam maior valor calrico (chocolate, bolacha e bolo diet). Evite caf, ch mate, carnes gordas, queijos amarelos, frituras e bebidas alcolicas. O exerccio fsico um santo remdio para a sade. Pratique-o sempre, todos os dias, de segunda a sexta-feira.

46. Oi, Z Carlos, tudo bem? Li seu e-mail hoje, e, em breve, estarei respondendo TODAS as suas dvidas. um imenso prazer t-lo como meu cliente e tentarei tudo que for possvel para ajud-lo. Como sabe, no cdigo de tica dos nutricionistas proibido passar dieta por e-mail sem que faamos uma anlise com nosso paciente pessoalmente. Mas sei, tambm, como est inseguro quanto sua alimentao, e ento irei colaborar com voc, pois me disse que pediu ajuda a algumas nutricionistas e no ficou satisfeito. Enviar-lhe-ei um cardpio depois. Antes, porm, peo-lhe que responda algumas perguntas que lhe mandarei em breve para ajudar-me a entend-lo bem. Por enquanto, isso. Aguarde ainda nesta semana. Abraos, Aline Arouca de Castro. E-mail: Nutrielite@aol.com Z Carlos, a vai a resposta s suas dvidas. Fazer pelo menos 5 refeies dirias seria o ideal. Se forem 6, melhor ainda: seu organismo gasta mais energia para fazer a digesto em cada horrio, ento esta tambm uma forma de fazer o metabolismo acelerar. O alho e a berinjela contm propriedades medicinais. A berinjela ajuda a diminuir o colesterol ruim porque suas fibras, que so do tipo solveis, englobam molculas de colesterol LDL, excretando-as para fora do organismo. Portanto, faz bem ao corao. Daonil um hipoglicemiante oral que pode trazer como efeito colateral o aumento de peso em algumas pessoas. Pode ser ou no o seu caso (se bem que pelo que come, pode at ser que ele esteja fazendo ganhar mais peso). Nunca deixe de praticar exerccios fsicos diariamente e alimentar-se corretamente. Chs indicados: ch verde, banch, jasmim (ajuda no processo de digesto), camomila, maracuj (s de noite, porque d sono), erva-cidreira, hortel. No tome ch preto. Os chs ajudam no bom funcionamento do organismo em geral, desde que no sejam tomados em excesso, pois alguns podem conter compostos antinutricionais, ou seja, que iro diminuir a absoro de outros micronutrientes da dieta. Duas a quatro xcaras de ch ao dia so suficientes. No que o ch ajude a limpar o organismo, que a pessoa ingere tanta gua (do ch), que acaba urinando bastante, e fazendo o rim funcionar melhor. No tome chs que contm cafena, nem caf, porque aumentam a ansiedade. leo de cozinha: deve variar as fontes cada vez que for comprar leo. Uma vez compre leo de canola, outra vez de milho, na outra de girassol... e assim por diante. O melhor mesmo o de canola. As verduras e legumes devem ser consumidas com bastante variedade de cores (o melhor ter um alaranjado, um vermelho, um amarelo e um verde escuro). Acrescentar sempre um vegetal folhoso verde escuro (exemplo: espinafre cozido ou couve crua ou cozida). Coma algum alimento na parte da tarde. No deve ficar todo este tempo de jejum, porque poder entrar em acidose (que a queima de energia atravs da gordura, s que esta queima incompleta, podendo lev-lo a ter vertigens e irritabilidade). Por ter diabetes, evite comer o carboidrato simples:acrescente uma protena, ou uma gordura ou uma fibra junto. Exemplo: 2 fatias de po (que o carboidrato) com 3 pontas de faca de requeijo light (ou manteiga), biscoitos com pat, ou requeijo ou manteiga (em pouca quantidade). O carboidrato um acar, ento se no h uma protena, ou uma fibra ou uma gordura para retardar sua absoro, ele entra de uma vez no organismo, aumentando sua glicemia. No almoo, dever haver sempre junto com o carboidrato um peixe (que a protena), fibras, etc., ento no ter tanto problema, porque a absoro do carboidrato ser mais lenta. Nunca coma as frutas sozinhas. Acrescente a elas alguma fibra (farelo de trigo, ou aveia = 1 colher de sopa) para retardar a absoro da glicose do carboidrato da fruta. Frutose um carboidrato simples tambm e no deve ser consumido em excesso, pois as frutas contm glicose e frutose (e no s frutose). Abacate, jaca e uva devero ser consumidas em quantidades muito pequenas. O abacate contm muita caloria (gordura vegetal, mas no contm colesterol). A uva e a jaca tm muita glicose e frutose por grama de alimento. Adicione gua nos sucos naturais das frutas para que fiquem mais diludos e a absoro mais lenta. As frutas que pode consumir, em quantidades limitadas, so: Ma, abacaxi, ameixa vermelha, banana, pra, goiaba, pssego, laranja, caqui, Kiwi, figo, manga, melancia, mamo, morango, melo, uva, mexerica. As que mais contm fibras so: laranja (com bagao), ameixa fresca, mamo... Peito de peru: nenhuma restrio, desde que no coma mais que 2 fatias, j que rico em sdio. Pode optar por biscoitos naturais da marca Jasmine, que no contm em sua composio a gordura vegetal hidrogenada, que pssima gordura, presente nos biscoitos em geral, sorvetes, salgadinhos, margarinas, etc. O biscoito gua e sal no contm tanto sdio assim a ponto de preocupar, ainda mais porque voc j no coloca sal nas refeies. Prefiro que coma manteiga (em menor quantidade) ou requeijo light do que margarina. Pode substituir uma fruta por uma barra de cereal de vez em quando. H vrias marcas e diferentes sabores no mercado. Sites srios: http://www.rgnutri.com.br/ , http://www.nutricaoempauta.com.br/novo/46/nutriclinica.html Lentilha uma leguminosa que tem muita fibra e carboidrato. deliciosa e seu tempo de preparo menor que o feijo (20 minutos na panela de presso). Gro-de-bico um alimento rico em fibras e carboidrato e o tempo de seu cozimento um pouco lento. As fibras no contm calorias, portanto no engordam. Marcas de produtos integrais: Jasmine (cereais integrais), Wickybold (pes). O telefone do dono de uma loja de produtos naturais de Campinas :031-19-3252-9046/9113-1370 (Arnaldo ou Marilda). Atendem pelo correio. As melhores marcas de arroz e macarro integrais: arroz Rriz e macarro Renata. So muito bons e mais fceis de serem encontrados. Farelo de trigo bom para fazer o intestino funcionar bem e retarda a absoro da glicose. Azeite, marcas mais saudveis: Azeite de Oliva Extra Virgem, Azeite Puro de Oliva. No sei se consegui tirar todas as suas dvidas. Espero que tenha ficado satisfeito com as respostas. Caso ainda tenha dvida, envie-me um e-mail: nutrielite@aol.com Aline Arouca de Castro. Telefone: 031-19-3251-1670.

47. Jos Carlos, sou nutricionista do Hospital das Clnicas da UFMG e professora do Curso de Nutrio do Centro Universitrio Newton Paiva. Recebemos seu e-mail no Servio de Nutrio. Espero poder atend-lo adequadamente. Aqui vo algumas orientaes. Tomando por base seu peso, estatura e idade, recomendo uma dieta de 1800 Kcal/dia. A dieta com a lista de substituies enviarei pelo correio amanh. Faixa de normalidade de peso para a estatura, sem considerar a idade: 53,5 a 72,3, sendo a mdia de peso esperado = 63 Kg. Considerando 30 Kcal/Kg, a dieta chegaria a 1890 Kcal, aproximadamente. O fracionamento das refeies imprescindvel para o diabtico. Faa, pelo menos, 5 refeies por dia (desjejum, lanche, almoo, jantar e ceia). O alho, segundo a medicina natural, tem propriedades anti-inflamatrias. J quanto berinjela nada foi comprovado a respeito de reduo dos nveis sricos de colesterol. O ch pode ser ingerido, sem excesso, pois pode levar a perdas considerveis de eletrlitos, tais como os minerais sdio, potssio, cloretos, etc. Prefira os chs de hortel, camomila, erva-cidreira, erva-doce. Evite o mate e o ch preto pelo contedo de cafena. A ingesto de lquidos, preferencialmente de gua, num volume de pelo menos 2 litros por dia, auxilia o funcionamento dos rins, aumentando o volume urinrio, prevenindo a concentrao da urina e evitando as infeces do trato urinrio. Caso haja algum comprometimento renal, o volume de lquidos deve ser controlado. No exagere no uso de adoantes. A stvia ainda no tem estudos mais conclusivos. Utilize os adoantes base de ciclamato com sacarina (Assugrim, Doce Menor, Adocyl, Zero-Cal lquido) e alterne-os com os base de aspartame (Zero-Cal em p, Finn, Gold-fructofibras em p, Adocyl em p). A hipertenso arterial muito comum em sua faixa etria, incidindo em mais de 50% da populao nesta idade. uma complicao perigosa associada ao diabetes. Portanto, use o sal com moderao. Enviarei tambm uma orientao para dietas hipossdicas. Os leos mais indicados para cozinhar so os vegetais de soja, milho, algodo, girassol. No importa a marca ou embalagem. recomendvel o uso de azeite pelo menos uma vez ao dia, podendo ser utilizado na salada (1 colher de sobremesa), uma vez que contm cidos graxos monoinsaturados, importante fonte de lipdio para a sade. A composio da dieta e como agrupar os alimentos, poder entender melhor com as orientaes que enviarei, posteriormente. Evite ingerir numa mesma refeio arroz e massas ou feijo com outra leguminosa, porque so do mesmo grupo de alimentos. Entretanto, se as quantidades no forem demasiadas, eventualmente podem ser consumidos, se for um hbito que lhe agrada. No se deve ingerir lquidos durante as refeies, podendo faz-lo de uma a duas horas antes ou aps. No conheo todos os sites da Internet para recomendar algum especfico. Deve haver critrios para absorver as informaes de modo geral. Portanto, use o bom senso, priorizando os que tm embasamento cientfico ou que estejam associados a instituies confiveis. A cada ano que passa, bom ingerir pores menores de alimentos. A est nossa maior dificuldade, pois reproduzimos os hbitos alimentares incorporados ao longo de nossa vida. Com a idade, o metabolismo basal diminui e, por essa razo, mais saudvel consumir menos alimentos e, conseqentemente, menos calorias. As frutas no devem ser consumidas em excesso na dieta de diabticos, j que possuem frutose, um acar simples, semelhante ao metabolismo da glicose, podendo elevar os nveis sanguneos da glicose. Trs a quatro pores de frutas ao dia o suficiente, de preferncia com outros alimentos. O po de sal no apresenta nenhum inconveniente; portanto, no precisa evit-lo. Torradas ou po macio no tm diferena calrica. Esta uma falsa idia que muitas pessoas tm. Ao torrar o po, retirou-se apenas gua ou umidade do alimento. O biscoito gua a melhor opo para o diabtico hipertenso, pois no contm sal nem acar. Dois biscoitos equivalem a meio po de sal, em relao s calorias. O presunto de peru mais indicado, contendo menor teor de gordura e colesterol. As margarinas vegetais so mais apropriadas que as manteigas. Sugiro-lhe as mais cremosas e as lights. Quanto mais duras, apesar de vegetais, tm a estrutura qumica mais parecida com a manteiga animal. O processo industrial das margarinas, para adquirirem a consistncia cremosa (tranformando leos lquidos em creme) conferem-lhes a caracterstica de saturao encontrada nas manteigas (origem animal). A barra de cereais um bom alimento, entretanto no substitui as frutas. So ricas em fibras e auxiliam na saciedade, sendo uma boa alternativa entre as refeies. Podem provocar distenso abdominal em algumas pessoas, apresentando-se muito fermentativas. A aveia uma boa fonte de fibra solvel e insolvel, auxiliando o controle glicmico, a funo intestinal, desde que em quantidades moderadas. Assim como a cevada fonte de vitamina B. O mais importante ter uma alimentao a mais variada possvel. No necessrio exagerar em quantidade e freqncia de certos alimentos. Coma com prazer quantidades apropriadas e devagar. Os alimentos ricos em fibras, principalmente as insolveis (folhosos, bagao e cascas de frutas) so pobres em calorias e tm a funo principal de formar o bolo fecal e facilitar a sua eliminao. Os alimentos integrais so geralmente ricos em vitaminas do complexo B, exigem maior tempo de digesto, muitas vezes aumentam a saciedade. Enfim, espero ter atendido sua solicitao e lhe tirado algumas dvidas. Parece que j bastante disciplinado e preocupado com sua sade. Parabns. COMPLEMENTO. Evite: ameixa seca, biscoitos salgados, queijo, margarinas e manteigas com sal, doce de leite, sardinha em lata, sucos concentrados. Utilize com moderao: ameixa fresca, biscoitos doces, margarinas e manteigas sem sal, chs naturais, doce de frutas, leite tipo C, po doce, sardinha fresca, sucos naturais. Para aumentar o sabor dos alimentos, acrescente neles: organo, limo, manjerico, coentro, pimento, noz moscada, pimenta, hortel. Mastigue bem os alimentos, comendo devagar para facilitar a digesto. Evite tomar lquidos junto com as refeies, pois um hbito que dificulta a digesto. Faa 4 a 6 refeies dirias. Evite o uso de gordura de porco, peles, bacon ou torresmo. Consuma carnes magras, frango sem pele, peixe sem couro, retirando toda a gordura que enxergar. Evite os alimentos que contm acar (mel, balas, pudins, chocolates e similares). Os vegetais cozidos permitidos em sua dieta so: chuchu, abobrinha, beterraba, moranga, jil, vagem, berinjela, brcolis, couve-flor. Vegetais crus indicados: couve, alface, taioba, almeiro, agrio, acelga, rabanete, tomate. Utilize alimentos ricos em fibras: feijo, verduras cruas, frutas com casca e bagao, cereais integrais, farelo de aveia, legumes. Rosngelis Del Lama Soares, Servio de Nutrio do Hospital das Clnicas da UFMG, Belo Horizonte, MG, rodis@terra.com.br

48. Caro Jos Carlos, meu nome Edith, sou nutricionista do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina de Ribeiro Preto e seu e-mail chegou em minhas mos atravs da Secretria da Superintendncia do Hospital. Tentarei esclarecer suas dvidas de maneira clara e objetiva, porm, como voc mesmo relatou, fica difcil atravs de e-mail dar-lhe uma orientao adequada. Com relao ao pagamento, no tem sentido, pois estou me propondo apenas a tirar suas dvidas. Peso desejvel:mnimo - 57,800 Kg; mdio - 65,00 Kg; mximo - 72,300 Kg. O ideal que chegue ao peso desejvel mdio (65 Kg). Sua necessidade calrica de 1950 Kcal por dia, portanto no deve ultrapassar esse patamar. No entanto, deve diminuir para 1500 Kcal se quiser mesmo perder peso, manter a glicemia controlada e prevenir as complicaes do diabetes. Fracione a alimentao em 5 a 6 refeies ao dia. Mantenha intervalos entre cada refeio de 2 a 3h. Inclua em cada refeio um alimento de cada grupo (roda dos alimentos). Substitua os alimentos, mas que sejam do mesmo grupo e de valor calrico semelhante. Exclua acar e doces. Utilize leo no preparo dos alimentos em pequena quantidade. Evite frituras e alimentos gordurosos. Diminua o uso do sal de cozinha e alimentos industrializados. Prefira alimentos frescos, naturais e integrais, em vez dos industrializados. Pratique atividade fsica regular. a melhor maneira de manter uma alimentao equilibrada e peso corporal adequado. Se quer mesmo emagrecer e controlar sua glicemia tem que mudar seus hbitos. Sua alimentao no bem fracionada, tente fazer as 5 ou 6 refeies com intervalos de 3horas. Isso no significa passar fome, mas comer pouco vrias vezes ao dia. Atividade fsica muito importante. Continue praticando-a todos dias, mas no v alm do seu limite. Tente, no to difcil como parece, logo estar adaptado! Uma alimentao saudvel e equilibrada deve ser composta de alimentos variados para que fornea todos os nutrientes de que o corpo precisa. Para entender melhor importante conhecer os grupos dos alimentos. Grupo dos Alimentos Reguladores:So os que fornecem em maior quantidade as vitaminas, sais minerais e fibras que vo regular as funes do corpo. Grupo dos Alimentos Construtores: So alimentos que fornecem em maior quantidade as protenas que servem para manter a estrutura do corpo. Grupo dos Alimentos Energticos: So aqueles que fornecem em maior quantidade os glicdios (hidratos de carbono) e lipdeos (gorduras) que servem para dar energia (calorias) de que o corpo precisa para funcionar. importante saber que os alimentos ricos em glicdios, depois de ingeridos, sero transformados em glicose. So eles o acar, as farinhas em geral, arroz, macarro, pes, doces, etc. Portanto, os diabticos devem consumir com moderao e aprender como fazer a substituio destes alimentos. Os alimentos dos grupos construtores e reguladores tambm contm glicdios, porm em menor quantidade. Prato fundo: Talvez seja muita quantidade! Coma um prato de sobremesa de salada, dando preferncia s verduras e depois faa um prato raso composto de arroz, feijo, verdura, legumes, um pedao pequeno de carne e um copo de suco ou uma fruta de sobremesa. Berinjela: Tem valor calrico baixo e possui boa quantidade de fibras solveis e insolveis. Fibras solveis: excelentes para o bom funcionamento intestinal, do sensao de saciedade e retardam a absoro dos hidratos de carbono (glicdios), evitando elevao rpida da glicemia. Os alimentos ricos em fibras tm calorias, portanto devem entrar como substitutos. As verduras so fontes de fibras insolveis e contm baixas calorias. Alho: Tem alicina, que funciona como anti-oxidante. Alguns estudos mostram que possui ao anti-inflamatria. Chs: No tm valor nutricional, mas so uma maneira de aumentar ingesto hdrica. Alguns estudos mostram os benefcios dos chs. Para o bom funcionamento dos rins recomenda-se tomar bastante lquido, mas no necessariamente ch. O acar (glicose) eliminado pela urina quando a glicemia est alta. Adoante: No existe o melhor. A recomendao atual variar os tipos de adoantes e us-los apenas para melhorar o sabor e em pequena quantidade. Macarro: substituto do arroz, assim como batata, mandioca, batata doce, milho e outros cereais. Diabticos e obesos devem fazer a substituio e no ingeri-los juntos em uma mesma refeio. Lentilha: substituta do feijo, assim como ervilha, gro-de-bico e soja. So timos alimentos e devem fazer parte do cardpio, escolhendo um ou outro. Com relao marca, no sei a melhor, mas deve prestar ateno na data de validade, aspecto do alimento e da embalagem. sempre melhor escolher os integrais do que os refinados. leos: milho, girassol, canola e oliva contm maior quantidade de cidos graxos polinsaturados e, portanto, so considerados os melhores. Mas contm a mesma quantidade de calorias, devendo ser utilizados em pequena quantidade por obesos. Legumes e verduras: todos devem fazer parte das refeies, o importante a variedade. Lquidos: Durante as refeies pode tomar suco de fruta ou gua. As pessoas que tm esse hbito, quando no ingerem lquidos, tendem comer mais para sentir a sensao de estmago cheio, mas as enzimas no diminuem. A ingesto de lquidos deve ser de 2 a 3 litros por dia atravs de suco, ch, leite ou gua. A dica ingerir 1 copo de lquido a cada uma hora, mas no abuse de suco e leite, pois tm calorias. Biscoitos: So substitutos do po. Observe que po francs (25g) equivale a 3 biscoitos gua e sal, ou 1 fatia de po de forma tradicional, ou colher de aveia (tem fibra solvel e por isso vantagem substituir o po pela aveia). Margarinas:Use apenas 1 ponta de faca, pois as gorduras tm alto valor calrico. Escolha a de sua preferncia. Barra de cereal: tima opo para lanche, apesar de ser industrializada, mas fruta natural e mais nutritiva. Cascas e bagaos: Contm boa quantidade de fibras e algumas frutas podem ser consumidas com casca e bagao como laranja, pssego, nectarina, uva, ma, pra, tangerina, goiaba, caqui. Cevada: pode ser usada como infuso em substituio ao caf e ch. Cafena: Realmente um estimulante do sistema nervoso, mas tomado com moderao (3 xcaras pequenas por dia) no causa problema. Frutose: o acar das frutas e do mel. Se consumida em excesso pode levar ao aumento da glicemia e ganho de peso. As frutas devem ser ingeridas para fornecer vitaminas, minerais e fibras na poro de uma unidade ou fatia por refeio. Salada de fruta deve ser na quantidade de 1 xcara de ch cheia e em substituio fruta. Leite: No se preocupe com as melhores marcas, o importante ferv-lo antes de consumi-lo e compr-lo observando data de validade, aspecto da embalagem e carimbo de inspeo. Presunto de peru: Pode ser consumido esporadicamente no lugar da carne. Sites recomendados: www.diabetes.org.br e www.diabete.com.br Espero ter contribudo para que consiga perder peso e manter um bom controle da glicemia. Continue sempre buscando novas informaes, pois s tem a ganhar! Edith, nutricao@hcrp.fmrp.usp.br

49. Oi, Jos Carlos, segue abaixo as respostas das suas dvidas. Est com excesso de 11 Kg. Para a sua altura, o seu peso deve variar entre 64 a 78 Kg. OBSERVAO. O peso ideal depende de cada pessoa, ou seja, o peso que quer e pode ter. difcil opinar sem conhec-lo, mas acredito que deve emagrecer, pois o ajudar no controle do diabetes. Disse que no quer passar fome e com razo, mas para emagrecer necessrio fazer uma reeducao alimentar, aliada ao controle de calorias e atividade fsica, no implicando em passar fome, MAS O SUCESSO DA DIETA DEPENDE EXCLUSIVAMENTE DA FORA DE VONTADE DO PACIENTE. Se quiser emagrecer, ter que fazer algum esforo. O fracionamento da dieta importante, pois evita que fique muito tempo de jejum e acabe exagerando na refeio seguinte, alm de ajudar no controle da glicemia. Como no se adapta a 6 refeies por dia, pelo menos deve tomar caf da manh (desjejum), almoar, merendar e jantar, passando para 4 vezes ao dia. O alho e a berinjela so exemplos de alimentos funcionais, que possuem alguns componentes com funes especiais para o organismo. No caso do alho, bom para o corao e anti-cancergeno e a berinjela ajuda na diminuio do colesterol como, tambm, no controle da glicose. importante ressaltar que a nutrio uma cincia em crescente evoluo. H vrios estudos cientficos com estes alimentos e as quantidades dirias recomendadas que variam muito. Tudo em excesso ruim! O importante saber dosar. No caso dos chs, alguns possuem componentes anti-nutricionais e competem com os minerais. So irritantes gstricos, como o ch preto e o mate. O ch com maior restrio o ch preto. Os demais: camomila, erva-cidreira, erva-doce, capim santo, so mais liberados. A marca dos chs vai do seu gosto. Os que so vendidos no supermercado teoricamente possuem o registro do ministrio da agricultura e da ANVISA. Os chs feitos da planta devem ser consumidos somente quando souber a procedncia deles, para evitar contaminao microbiana. Cuidado quando for adquiri-los em feiras livres. Os chs so diurticos, mas no ajudam a eliminar o acar da urina. verdade que o ch mate e o preto possuem cafena e por isso estimulam o sistema nervoso da maioria das pessoas. Quanto aos adoantes, alguns no podem ser usados em alimentos que vo ao forno, por isso h limitaes. O stvia bom, mas indico-lhe um chamado SUCRALOSE (linea), que pode ser usado em vrias preparaes quentes e frias e mais natural. OBSERVAO. O stvia feito da planta stvia, que tem poder adoante. O sucralose um acar invertido, que no absorvido pelo organismo, sendo melhor que os demais que tm limites de uso. A mistura do arroz com a lentilha no tem problema, mas vai depender da quantidade que est ingerindo. Os leos vegetais que listou podem ser consumidos em pouca quantidade e no tm colesterol, pois so de origem vegetal. O que diferencia uns dos outros o perfil da gordura de cada um. O melhor leo o de girassol, seguido do milho e da soja. O azeite de oliva rico em uma gordura chamada monoinsaturada, que auxilia no aumento do colesterol bom (HDL). Pode ser usado nas saladas, sem exageros! O leo utilizado em frituras e reaproveitado possui a substncia acrolena, que cancergena. O feijo e o gro-de-bico podem ser consumidos juntos, MAS VAI DEPENDER DA QUANTIDADE INGERIDA. As verduras que listou no tem restries. A cenoura um pouco mais calrica que as demais e deve ser quantificada. A ingesto de lquidos durante as refeies tem controvrsias no meio cientfico. Ora dizem que pode, ora relatam que no. Indico aos meus pacientes o uso de frutas, em vez de sucos. No aconselho tomar gua nas refeies, pois dificulta a digesto por encher o estmago. NO EST COMPROVADO QUE DIMINUI AS ENZIMAS DIGESTIVAS; H OUTROS FATORES QUE FAZEM ISSO. Os sites que lhe indicaria so os das associaes de cardiologia, diabetes, de universidades, de hospitais, pois so mais srios. Evite revistas que no sejam especializadas em nutrio. Poderia acessar o www.google.com.br e pesquisar os sites de nutrio, procurando os referentes aos listados acima. Alimentos lights possuem reduo de at 30% de algum componente (carboidratos, gordura, protena, etc). No entanto, se ingeridos sem controle engordam tanto quanto os alimentos no lights. Exemplos: o sal light tem menos sdio que o sal normal; o creme de leite light tem menos gordura do que o normal, etc. O importante sempre ler os rtulos para verificar as diferenas. LEMBRE-SE: h produtos lights que possuem acar e o diabtico no pode com-lo. No caso do sorvete light, tem sabor mais doce porque tem como ingrediente algum adoante artificial, que deixa o produto mais doce. O acar das frutas chamado de frutose, que no aumenta tanto a glicemia quanto a sacarose (acar de mesa), mas AUMENTA, dependendo da quantidade que consumida. As frutas no podem ser ingeridas em excesso, porque aumentam a glicemia e engordam. FRUTAS COM MENOS ACAR: cereja, figo, goiaba, pra, framboesa, uva, morango, amora, ma, laranja, melancia, pssego, limo, rom, groselha. Com relao s fibras, consuma as frutas com casca e bagao, que o auxiliar no controle da glicemia e do colesterol. Beba o leite desnatado que achar mais gostoso! Olhe no rtulo a data da fabricao, procedncia, enriquecimento com vitamina D para ajudar na escolha tambm. A restrio ao presunto de peru s a procedncia e a validade. Se tiver presso alta, no o use. Procurar variar com blanquet de peru (menos calrico) e peito de peru. Evite os DEFUMADOS. O biscoito gua fica a seu critrio, sempre observando os rtulos. Particularmente, gosto da marca fortaleza. A margarina becel foi desenvolvida para o controle de dislipidemias. muito boa, porque tem menor quantidade de gordura saturada, prejudicial ao organismo. Os fabricantes relatam que o processo de produo dela difere das demais margarinas. A barra de cereal tem de vrias marcas no mercado e encontrada em qualquer supermercado, como da neston e nutri. um alimento energtico, que pode ser usado como lanche, variando de 90 a 110 Kcal. diferente da fruta no que se refere quantidade de carboidratos, minerais e vitaminas. Os exemplos de frutas com casca e bagao so: ma com casca, pra com casca, mamo com sementes (ajuda muito na priso de ventre), laranja (com bagao), mexerica (com bagao), ameixa com casca. Com relao aos exerccios que faz difcil avaliar, pois no minha rea, MAS O IMPORTANTE QUE PRATIQUE EXERCCIO FSICO PELO MENOS 3 VEZES NA SEMANA, SE NO TIVER PROBLEMAS CARDACOS OU OUTRA RESTRIO, com intensidade boa. O profissional de educao fsica poder auxili-lo sobre a freqncia cardaca, que deve estar adequada para a perda de peso. Indico-lhe o exerccio aerbico, como caminhada, andar de bicicleta, natao, pelo menos 40 minutos dirios, com a freqncia cardaca normal. A aveia e a cevada podem ser usadas. No caso da aveia, o melhor o farelo, porque tem mais fibras. Pode ser adicionada em bebidas lcteas ou frutas. Use cevada da mesma forma. A quantidade vai depender da dieta (as calorias destes alimentos devem ser computadas). De forma geral, uma vez por dia no desjejum uma boa opo. A ingesto de fibras muito bom no controle da glicemia. Contudo, o controle da glicose no depende s do consumo de fibras, mas de vrios fatores: ingesto adequada de calorias, atividade fsica, fracionamento da dieta, alimentos ricos em fibras, retirada de acares simples da alimentao, baixo consumo de colesterol e gorduras, etc. Os alimentos ricos em fibras engordam, sim! O NICO ALIMENTO QUE NO ENGORDA A GUA! Os alimentos ricos em fibra tm um ndice glicmico menor que os no integrais e ajudam no controle da glicose. Os alimentos integrais tm mais fibras, do maior saciedade e diminuem a velocidade de absoro da glicose. OBSERVAES IMPORTANTES. Jos Carlos, ao avaliar de maneira geral sua alimentao diria, nota-se algumas coisas importantes. Est de parabns por se preocupar com sua alimentao, pois o diabetes tipo 2 necessita de cuidados para no haver necessidade de usar insulina no futuro. O seu caf da manh pode ser melhorado com a introduo de um alimento protico tipo leite desnatado, uma poro de carboidratos e fruta. No almoo, a qualidade dos alimentos est boa. Atenciosamente, VANESSA. E-mail: vanessa.menezes@terra.com.br

50. Jos Carlos, sua faixa de peso deve variar entre 68 a 72 kg. As seis (6) refeies dirias so muito importantes, para perder peso, controlar sua glicemia (diabetes) e, tambm, manter o seu metabolismo corporal saudvel. O alho e a berinjela so alimentos funcionais, pois alm de fornecerem calorias e nutrientes como os demais, possuem princpios ativos que beneficiam a sade. S aconselho caf descafeinado ou chs pobres ou ausentes em cafena, como os de espinheira santa, camomila, de frutas (ctricas ou no) e de capim limo. A gua e os chs estimulam o funcionamento dos rins, que so os filtros do nosso organismo. Use o sal light. Troque o leo de soja por azeite de oliva extra-virgem. Alho, cebola, aafro, tomilho, alecrim, manjerico e outros temperos e ervas naturais devem ser utilizados em bastante quantidade em nossa alimentao diria. Use arroz, macarro e outros produtos integrais. Com relao ao consumo de carne, diversifique seu cardpio entre carne vermelha magra, peixes ou frutos do mar e frango sem pele. verdade que a beterraba possui um tipo de acar, mas pode com-la nas quantidades certas, 1 a 2 vezes por semana. Ingira gua ou chs nos intervalos das refeies. Coma jaca, uva e abacate com moderao. As frutas so ricas em um acar chamado frutose, que absorvido no sangue e se transforma em glicose, no fgado. Substitua o po francs pelo integral. A margarina light da marca BECEL a melhor de todas. D preferncia aos biscoitos integrais, sem sal. Utilize o adoante stevita, que no possui aspartame, sacarina e ciclamato. O telefone de contato do produtor 031-44-224-4335 e o e-mail www.stevita.com.br Alm de tomar gua, meia hora antes dos exerccios, deve comer um lanche leve base de carboidratos (po ou bolacha integral, ou aveia com granola e similares) e de protenas (queijos brancos, blaquetes de peru ou frango, iogurte natural desnatado). Pode consumir as barras de cereais, mas somente as dietticas (sem acar). O gro-de-bico e a lentilha so leguminosas, parentes do feijo. Como so do mesmo grupo, deve comer uma apenas em cada refeio. As frutas que tm cascas e bagaos so: ma, laranja, tangerina, uva e outras similares. A ingesto de alimentos ricos em fibras fundamental para auxiliar o bom controle da taxa de glicose no sangue e, tambm, ajudam a regular a absoro e excreo de gorduras e colaboram para o bom funcionamento do intestino. Os alimentos integrais so mais saudveis por conterem maior quantidade de nutrientes benficos ao organismo. Contm mais fibras, so mais nutritivos, acabam com a fome mais rpido e diminuem e velocidade de absoro da glicose no sangue. Substitua o po comum (francs) pelo integral, pois este mais rico em vitamina B e em germe de trigo, que possibilita o perfeito funcionamento dos intestinos. A SEVEN BOYS uma das melhores marcas de po integral. O telefone do fabricante 0800-313288 e o site http://www.sevenboys.com.br/ O biscoito GRAN DIA, da Nestl, uma marca de biscoito light e integral muito boa. No tome sopa de farelo de trigo (com gua, leite desnatado ou na comida). Evite tomar lquido durante as refeies, pois dilata o estmago e diluem as enzimas digestivas. A melhor oleaginosa que existe a castanha do Par. GRUPO DAS VERDURAS. COMA PELO MENOS 2 TIPOS POR REFEIO, TODOS OS DIAS. Acelga, aipo, espinafre, repolho, pepino, agrio, brcolis, escarola, tomate, alface, chicria, rabanete, palmito, almeiro, couve, rcula, endvia, aspargo, cebola, bertalha, salso. GRUPO DOS LEGUMES. COMA SOMENTE 2 TIPOS POR REFEIO, TODOS OS DIAS. Abbora, cenoura, nabo, vargem torta, abobrinha, chuchu, pimento, berinjela, couve-flor, quiabo, beterraba, moranga, vagem. GRUPO DAS FRUTAS. Abacate, abacaxi, ameixa, bananas (branca, caturra e ma), caju, caqui, figo, goiaba, kiwi, laranja-pra, ma, mamo, manga, maracuj, melancia, melo, morango, nectarina, pra, pssego, tangerina, uva. As principais causas do excesso de peso so: Consumo alimentar excessivo. Falta de atividade fsica regular (vida sedentria). Tendncia familiar. Distrbios psicolgicos (ansiedade e depresso). Hbitos alimentares errneos. As doenas que esto freqentemente associadas ao sobrepeso so :Diabetes tipo II. Hipertenso arterial. Doenas cardiovasculares. Aumento nos nveis sanguneos de colesterol e de triglicerdeos. Dificuldades respiratrias. Clculos vesiculares. Problemas articulares e distrbios intestinais. O tratamento dietoterpico : Faa 5 a 6 refeies por dia, com pequenos volumes, para diminuir o apetite, evitar o jejum prolongado e prevenir problemas como a m digesto e m absoro de nutrientes. Mastigue bem os alimentos antes e ingeri-los, pois a digesto deles comea pela boca. No consuma lquidos durante as refeies, porque prejudicam a digesto (ingira-os somente 30 minutos antes ou aps as refeies). A ingesto de lquidos junto com os alimentos causa a diluio do suco gstrico, dificulta a quebra dos nutrientes, atrapalha a absoro deles e propicia a formao de gases, causando a distenso do abdmen. Evite comer duas fontes de amido (carboidrato) na mesma refeio, porque o corpo selecionar um para digerir enquanto o outro ficar esperando para ser digerido, o que provoca gases, fermenta e acidifica o estmago. Evite, tambm, a combinao de protenas e gorduras na mesma refeio. A presena de gordura nos alimentos diminui a atividade glandular da secreo gstrica, baixa a quantidade de cido clordrico no suco gstrico, atrasando a digesto por tempo considervel. A quantidade um fator que intervm na digesto. Comer sem fome ou em excesso so fatores desequilibrantes na digesto, j que o corpo no assimila o que ingerido em excesso. Consuma bastante gua ou chs sem acar (no mnimo, 2 litros dirios), nos intervalos das refeies. Outras opes de lquidos de baixa caloria so a gua de coco e sucos de fruta como o de limo, melo e maracuj com adoantes e diludos em gua. Aumente o consumo de saladas de folhas verdes nas refeies, antes do prato principal, para diminuir a saciedade. Use e abuse do consumo das saladas verdes. Tempere as saladas com azeites extra-virgem (de oliva, linhaa ou de gergelim), pois auxiliam na funo intestinal, no combate ao colesterol, no processo de emagrecimento e na manuteno da sade do seu organismo. Acrescente sementes de linhaa e de gergelim em suas saladas. Elas possuem leos essenciais e fibras importantssimas para a sade de seu organismo. Prefira os alimentos cozidos a vapor, grelhados ou assados, eliminando de sua dieta as frituras e os ensopados gordurosos. Prepare tudo com pouqussimo azeite de oliva extra-virgem. Elimine os alimentos ricos em gorduras saturadas de sua dieta. D preferncia aos alimentos integrais, que so ricos em fibras e nutrientes indispensveis manuteno da boa sade, ajudando na eliminao das gorduras pelo organismo, na regulao da sua funo intestinal e no processo de emagrecimento. Evite estes alimentos: doces em geral, chocolates, frituras, maionese, carnes gordas, refrigerantes, queijos gordos, sorvetes e outros. Lembre-se de que precisa fazer certas escolhas para melhorar sua sade e qualidade de vida. Evite o consumo de produtos enlatados e desidratados (industrializados) e controle a quantidade de sal na sua alimentao. Ambos possuem alto teor de sdio, podendo causar reteno de lquidos e celulite. Consuma alimentos ricos em potssio (ameixa seca, ervilha, banana, figo, lentilha, espinafre, laranja, tomate, arroz integral), que regulam a excreo de sdio e elimina seus excessos no organismo. Se viciado em caf, tome cuidado. A cafena aumenta a ansiedade e irrita o sistema nervoso, podendo faz-lo extrapolar na dieta. Opte por uma xcara de ch de ervas, como cidreira, hortel ou camomila. O ch preto contm grande quantidade de cafena. Use os produtos dietticos com moderao. Leia os rtulos e verifique, principalmente, o valor calrico dos produtos. Nem sempre um produto diettico tem poucas calorias. Saiba utilizar os produtos lights em sua dieta, prestando muita ateno nos rtulos e nas informaes nutricionais. H vrios produtos que, apesar de lights, possuem calorias em excesso e acar. Use sal com moderao, pois pode causar reteno lquida. D preferncia aos temperos naturais como: cebolinha, salsa, slvia, manjerico, manjerona, tomilho, organo, que s devem ser acrescentados aos alimentos j preparados ou no final do cozimento. O consumo regular de soja e seus derivados importante para manuteno da sade. Para cozinhar gros de soja como se fossem feijo, deixe-os de molho por cinco minutos em gua fervente. Depois lave-os em gua fria e cozinhe-os com alho, louro e caldo de legumes. IMPORTANTSSIMO. No persiga metas impossveis. Peso ideal aquele que consegue atingir e manter de maneira saudvel. O objetivo do seu tratamento a mudana de hbitos alimentares, buscando mais sade e qualidade de vida! Dicas importantes para evitar maiores perdas dos alimentos. Quando for usar metade do abacate, deixe a outra com o caroo, para evitar que se deteriore com rapidez. A abbora altamente nutritiva e deve ser aproveitada inteira:casca, folhas, polpa e o cabo. Seus caroos, quando torrados com sal, servem como aperitivo. Use o mesmo procedimento para a soja e as sementes do melo. Cascas, talos e folhas das hortalias so ricos em fibras e podem ser utilizados em refogados, sopas, bolinhos, recheios para tortas, farofa, etc. No adicione bicarbonato de sdio ou outras substncias qumicas na gua do cozimento para acentuar sua cor. Alguns nutrientes so destrudos por elas. P de Casca de Ovo. Separe a casca, ferva por cinco minutos e seque-a ao sol. Bata no liquidificador e depois passe por um pano fino. Deve ficar como p. Utilize uma colherinha nos refogados, sopas, arroz, feijo e molhos. O p de casca de ovo riqussimo em clcio, nutriente importante para o crescimento e preveno da osteoporose, na gravidez e amamentao. Talos de Agrio. Faa bolinhos ou refogados com carne moda. Casca da ma. Utilize-a no preparo de sucos e chs. Um abrao. ROBERTA DA LUZ, NUTRICIONISTA, ESPECIALISTA EM ALIMENTOS FUNCIONAIS, e-mail: beta@costao.com.br

51. Salvador, 10 de maio de 2003. Prezado Jos Carlos. Terei o maior prazer em esclarecer suas dvidas. Analisando, superficialmente, sua vida nutricional, est com um consumo relativamente bom dos nutrientes fundamentais para uma boa alimentao, alm da prtica regular de atividade fsica que, como sabe, essencial. A avaliao nutricional depende de vrios fatores, no apenas peso, altura e idade. Baseado, apenas, nas suas informaes, pude calcular o seu IMC (ndice de massa corporal), que corresponde ao seu peso dividido pela sua altura ao quadrado, obtendo o valor de 30,79Kg/m2. Com esse valor analisado isoladamente, seu diagnstico nutricional de obesidade grau II. Entretanto, no um diagnstico fiel, pois precisaria avaliar sua composio nutricional (percentuais de gordura corporal e de massa magra msculo), atravs de um adipmetro ou por meio da bioimpedncia, alm da avaliao fsica e de resultados de exames laboratoriais (colesterol, triglicrides, hemograma, etc.). Como a consulta virtual, no ser possvel realizar tais mtodos. Portanto, esclarecerei suas dvidas e darei algumas dicas que podero ajud-lo no controle da reduo de seu peso, associada a uma boa qualidade de vida. Suas necessidades energticas, baseadas em um peso terico de 72 kg (calculado a partir do limite mximo de normalidade do IMC, que de 24,9 Kg/m2), ser de 1800 a 2200 Kcal. Sua taxa metablica basal (o mnimo que seu organismo precisa para manter-se vivo), a TMB, corresponde a 1459 Kcal (ou seja, essa a quantidade energtica mnima para que seu organismo mantenha suas funes vitais normais). Portanto, com esse valor calrico estipulado para voc (1800 a 2200 Kcal), poder consumir alimentos em quantidades suficientes e no sentir fome, alm de contribuir com perda de peso atravs da reeducao alimentar. Em relao ao fracionamento alimentar (5 a 6 refeies ao dia), FUNDAMENTAL, sim. Quanto maior o fracionamento das refeies, menor ser a quantidade de alimentos ingerida por horrio. Alm disso, nosso organismo precisa de energia (fornecida atravs dos alimentos), s que em quantidade suficiente para mant-lo em atividade. Se consumir quantidades moderadas, vrias vezes ao dia, o organismo absorver apenas o necessrio para repor a energia despendida (da no haver reservas e, conseqentemente, ganho de peso). Consumindo apenas 3 refeies por dia, sentir mais fome, ingerindo uma maior quantidade de alimentos, causando uma sobrecarga de substrato energtico em um mesmo momento. Isso far com que o organismo absorva o excesso, armazenando-o sob a forma de gordura (da o ganho de peso, ao longo do tempo). Vale ressaltar que o estmago um rgo elstico, que vai se distendendo a depender do volume presente em seu interior. Com o estmago maior, caber mais alimentos e o organismo pedir sempre mais, para tornar-se saciado. Portanto, vale a pena iniciar a sua reeducao alimentar pelo fracionamento e qualidade da alimentao. A seguir, responderei s suas perguntas, com comentrios. A substituio do caf pelo ch verde (ou ch de ervas), muito interessante. Poder consumir o que mais lhe agradar: cidreira, erva-doce, capim-santo, camomila... Evite tomar os chs pretos e o mate, alm do caf (devido presena da cafena), pois causam ansiedade e insnia. Os chs tm efeito diurtico e calmante. Em relao ao excesso de caf contribuir com o aumento da presso arterial, verdade, devido extrapolao do consumo da cafena. No vejo necessidade de eliminar a beterraba. Ela uma boa fonte de vitaminas e minerais e poder contribuir para a sua alimentao. No h nenhuma restrio em relao aos vegetais (couve, repolho, quiabo...). O importante consumir uma variedade de vegetais, em quantidades adequadas. Em relao retirada do suco durante as refeies, foi uma boa opo por estar consumindo menos calorias (deixe-o para os lanches). O ideal ser o consumo da gua pelo menos 30 minutos aps as refeies (para evitar a distenso abdominal, alm do prejuzo digesto). IMPORTANTE:aumentar o fracionamento e reduzir o volume das refeies uma regrinha bsica para a reeducao alimentar. Portanto, deixe de se alimentar em pratos fundos, coma devagar, mastigando bem os alimentos. Inicie sua refeio principal (almoo) sempre com um prato de salada, de preferncia crua (alface, acelga, couve, tomate, pepino, cebola...), que o ajudar na saciedade, alm de contribuir para o bom funcionamento do processo digestivo. O consumo do alho com berinjela pode ser mantido. So dois alimentos saudveis, que podero trazer benefcios para o seu organismo. Todas as frutas realmente tm frutose, que, no entanto, produz um menor aumento ps-prandial (aps a alimentao) da glicose plasmtica que os demais carboidratos (glicose, sacarose...). Portanto, poder consumi-las, variando os tipos (as frutas possuem ndices glicmicos variados), desde que ingeridas nos horrios certos e moderadamente (nunca em excesso, pois mesmo em se tratando de alimento saudvel, todo excesso ir prejudicar no seu tratamento). Prefira as frutas menos calricas. Poder consumir melancia, lima, laranja, tangerina, melo, carambola, acerola, pitanga, morango, sempre uma unidade por vez: 1 laranja ou 1 tangerina, ou 1 fatia de melancia, ou 2 carambolas, ou 10 morangos, ou 10 pitangas. noite, nosso metabolismo est reduzido (pois paramos nossas atividades), portanto devemos consumir refeies mais leves, levando sempre em considerao o VOLUME. O ideal ser beber apenas 1 copo de leite (e no 2, como vem consumindo), evitando a concentrao de alimentos em um nico horrio. Isso tambm serve para o consumo do po: apenas 1 (tima escolha os integrais). Utilize o queijo branco (queijo minas light) ou a ricota. E poder ainda substituir o po por inhame, aipim ou batata doce, ou cuzcuz... As margarinas light (Becel e Mila so as melhores) devem ser preferidas s manteigas, pois so boas fontes de gorduras insaturadas, benficas sade, alm de no conterem colesterol. O COLESTEROL EST PRESENTE APENAS NAS GORDURAS ANIMAIS. Os biscoitos de gua e sal podero ser substitudos por biscoitos integrais, caseiros ( venda em lojas de produtos naturais). Na ceia dever consumir apenas 1 fruta, ou 1 copo de iogurte light, ou 1 copo de leite desnatado, ou 1 copo de suco sem acar. O melhor adoante que tem no mercado atualmente o Stevita, base de stvia, que 100% natural, porque isento de aspartame, ciclamato, sacarina. encontrado nos supermercados. Se sentir vontade de comer algum doce, opte por uma fruta. A prtica regular de atividade fsica FUNDAMENTAL para o bom funcionamento do organismo, associado a uma melhor qualidade de vida. O importante manter o hbito de exercitar-se REGULARMENTE, pelo menos 40 minutos no MNIMO 3 vezes por semana. Como quer perder peso, aconselho-o a exercitar-se diariamente, pelo menos durante 30 minutos constantes. As barras de cereal so concentrados de cereais com outros nutrientes. So saudveis, por conterem ingredientes integrais, mas tm calorias (habitue-se a ler os rtulos dos alimentos, atentando-se sempre para os carboidratos se tm sacarose e aos lipdeos se tm muita gordura, teor de saturados, etc.). Poder consumir as barrinhas diets e lights (sempre as que forem ISENTAS de chocolate na composio menos calorias). Ser uma boa opo para os lanches da manh e da tarde. So prticas e fceis de carregar. As lentilhas e o gro-de-bico so do grupo das leguminosas, ricos em nutrientes saudveis (vitaminas e minerais). A lentilha pode ser utilizada em sopas, cremes, ou misturada ao arroz (lentilha com arroz fica tima e bastante nutritiva. Substitui o feijo). O gro-de-bico muito utilizado em saladas, cozido normalmente e consumido como preferir. As cascas dos alimentos so ricas em nutrientes. Da a importncia de consumi-las, sempre que possvel (casca da ma, casca da cenoura, casca da uva, casca da goiaba...). A laranja, tangerina, lima, contm bagao, que dever ser consumido, pois so boas fontes de fibras, importante na regularizao do trnsito intestinal e tambm auxiliam no controle do colesterol srico, alm de manter os nveis glicmicos normais. A aveia e a cevada tambm so fontes importantes de fibras, principalmente as fibras solveis, que contribuiro para o controle da taxa glicmica do sangue. Os ALIMENTOS INTEGRAIS so fontes importantes de vitaminas e minerais, alm de conterem fibras que aumentam a saciedade, fazendo com que tenhamos a sensao de plenitude por um tempo maior, alm disso este tipo de carboidrato tem menor influncia no aumento do ndice glicmico, o que se torna ideal para o diabtico. Em relao ao local de aquisio de produtos integrais, em Salvador so encontrados facilmente em todos os supermercados e em lojas de produtos naturais. Uma marca muito conhecida e fcil de ser achada a Me Terra, que tem a linha completa de integrais: arroz, macarro, semente de linhaa, trigo, aveia, cevada, po... Os produtos integrais geralmente so bem mais escuros que os convencionais, por no passarem por processos qumicos, alm de terem uma consistncia mais durinha, mesmo aps preparados. Os pes integrais caseiros so os melhores (contm 100% de trigo integral). So firmes (mais durinhos que os normais) e pesados. A marca Plus Vita tambm fabrica po integral. No conheo o mercado de Ipia no ramo dos produtos naturais. Poder sugerir aos principais supermercados a aquisio deles (em Itabuna e Jequi talvez encontre com mais facilidade). O farelo de trigo (esse o nome correto do cereal) rico em fibras e possui todos os benefcios mencionados anteriormente. A grande vantagem do consumo do farelo de trigo para quem est fazendo restrio alimentar (dieta), que ele dar uma maior saciedade e, com isso, ir consumir uma menor quantidade de alimentos. Consuma 1 a 2 colheres de sopa, diariamente, antes do almoo ou do jantar. Espero, de alguma forma, ter contribudo para essa nova etapa de sua vida, a da reeducao alimentar. Atravs dessas orientaes, tem tudo para alcanar seus objetivos. Lembre-se sempre: a qualidade de vida depende de uma alimentao saudvel, alm da prtica regular de atividade fsica. Estou sua disposio para maiores esclarecimentos. Atenciosamente, Renata Alves Gonalves Felice, Nutricionista CRN 1428, renatafelice@hotmail.com

52. Prezado Jos Carlos, seguem-lhe as respostas para suas indagaes. Caso permanea com alguma dvida, entre em contato comigo. Atenciosamente, Elaine Martins Pasquim, Nutricionista/Sanitarista, CGPAN/MS, elaine.pasquim@saude.gov.br Telefone: 031-61-448-8282, Tatiana Lotfi de Sampaio. No havia visto as perguntas finais, pois quando as imprimi no saram. Segue-lhe a complementao. Os doces, refrigerantes, sorvetes, sem acar, pode consumi-los. Como faz muita atividade fsica, tem que ter cuidado, pois a taxa de glicose pode abaixar rapidamente. preciso comer algo com amido (arroz, po, bolacha de gua) antes. Se demorar muito a atividade fsica, coma uma fruta durante. Ao final, uma fruta tambm, pois mesmo quando paramos de nos exercitar o corpo continua por um tempo em atividade mais acelerada, por isso ficamos com calor, por exemplo. A aveia e a cevada tm fibras, e, como lhe disse, todos os alimentos que possuem fibras so bons, pois ajudam a diminuir a glicose, do sensao de saciedade, ajudam o intestino a funcionar melhor. Os alimentos integrais - possuem seus nutrientes originais - como fibras, vitaminas e minerais, so mais nutritivos. Entendo sua indignao em no conseguir as repostas para suas dvidas. No entanto, e infelizmente, somente sero sanadas por completo com uma consulta pessoal com um(a) nutricionista. Portanto, existem, sim, muitos profissionais competentes, porm sem uma consulta pessoal se torna impossvel que no permanea com dvidas. Nesse sentido, tentarei amenizar seus questionamentos e lhe darei o contato do Conselho Regional de Nutricionista da Bahia, alm de encaminhar-lhes seu e-mail, a fim de que lhe indiquem aonde poder encontrar um profissional de modo mais fcil. Como no fazemos consulta por e-mail, justamente pelos problemas j identificados por voc, no lhe cobrarei por isso. Diabetes tipo 2 uma doena causada essencialmente pelo estilo de vida inadequado. Se no receber o cuidado adequado pode precisar de insulina tal qual o diabetes tipo 1. O diabetes uma doena que altera a maneira como o corpo usa o acar. A glicose um acar que circula no sangue para levar energia ao corpo, para isso precisa da insulina, um hormnio que ajuda a glicose a entrar nas clulas. A doena est associada ao aparecimento de doenas cardiovasculares. CAUSAS PRINCIPAIS. uma doena hereditria, ou seja, com antecedentes na famlia. Est associada com o tipo de alimentao, com a obesidade, a falta de exerccios e a idade. A necessidade das 6 refeies essencial para todos, mas principalmente para o portador de diabetes. Nosso corpo precisa de energia mesmo quando estamos dormindo. Ao dormir, a respirao no pra, o corao continua batendo, o crebro funcionando, os rins filtram o sangue. Na presena de alguma doena as clulas de defesa se multiplicam e defendem o corpo mesmo quando estamos dormindo. Portanto, para pessoas que no tm uma atividade pesada durante o dia, na maioria das vezes essas atividades bsicas para a sobrevivncia gastam muito mais energia do que se somar a energia gasta para andar, trabalhar, vestir-se, escovar os dentes... O diabtico tem dificuldade em gerar essa energia. A energia vem normalmente pelo amido de pes, massas, arroz, macarro, acar complexo, ou pelo acar simples. Quando falta energia o corpo comea a quebrar o msculo (protena) para fornecer energia (e no a gordura, como muita gente pensa). Como o diabtico j tem dificuldade em conseguir esse acar, acaba usando a protena. S que isso causa uma srie de problemas, pois a protena est presente no rim, no corao, no crebro, etc, j que esses rgos so feitos de msculo, e isso leva a um mau funcionamento deles (como ocorre com a desnutrio). Por qu das 6 refeies? Porque como o corpo tem dificuldade em absorver o nutriente dos alimentos, preciso que o ajude, dando alimento em pequenas quantidades, vrias vezes ao dia. Assim, ele sempre ter energia quando precisar, mesmo quando for dormir (pois estar fornecendo energia vinda da ceia, ou lanche da noite). Pelo ndice de Massa Corprea, que pode calcular, como lhe mostrarei a seguir, encontra-se com um ndice de 30,79 kg/m2. Isso significa que est no limite entre sobrepeso e obesidade. Para que fique no IMC de 25 (normal), deveria ficar com 72 kg, o excesso perdido de forma lenta e gradual, pois a perda de peso rpida faz com que haja esse mesmo gasto de msculos (protena) acima. Da a necessidade fundamental de um nutricionista acompanh-lo por um perodo maior, pois este profissional que saber qual a quantidade de calorias dever comer durante o dia e de que forma estar distribuda. O diabetes pode ser controlado somente com mudana no estilo de vida, especialmente alimentao e atividade fsica. No entanto, pode ser necessrio uso de medicamentos. Uma dieta personalizada deve ser feita pelo nutricionista e a prescrio dos medicamentos pelo mdico responsvel. O alho bom para reduzir o colesterol e para controlar infeces. Os efeitos da berinjela no esto comprovados. Mas ela possui muitas fibras assim como as outras verduras, que ajudam a controlar o diabetes. Isso porque as fibras ajudam a eliminar o acar do corpo. Qualquer coisa em excesso faz mal. Por que est bebendo ch to cedo em jejum e vrias vezes ao dia? Alguma recomendao? POR FAVOR, NO FAA ISSO. muito perigoso, especialmente para o diabtico. Lembre-se do que escrevi acima: o jejum prolongado ruim, pois o corpo vai continuar precisando de energia e voc no a estar fornecendo. Ento ele vai arranjar energia de algum lugar, ou seja, do msculo. O adoante stevia bom porque no deixa gosto amargo, adoa bem mais que o acar normal, no tem calorias, s que o preo maior que de outros. No entanto, como o efeito a longo prazo de nenhum adoante est comprovado, recomenda-se a troca deles freqentemente. Alguns chs tm efeitos teraputicos, mas o melhor para eliminar o acar da urina so as fibras das verduras e das frutas, alimentos integrais e bastante gua. O ch preto e o mate, assim como a coca-cola, o caf, e os alimentos que possuem cafena realmente estimulam da as pessoas tomarem caf para ficarem acordadas. Por que nunca come macarro com arroz? Alguma coisa que leu em algum lugar? No problema comer os dois juntos e sim a quantidade de amido (arroz ou macarro ou farinha ou batata, etc) que est comendo. Como lhe disse, tudo em excesso faz mal. Todo leo vegetal bom para reduzir o colesterol, desde que seja cru. Seja de soja, de oliva, de canela, de girassol, de algodo, etc. Portanto, quando se frita ou cozinha, por exemplo, bifes, batatas, legumes, qualquer leo se torna ruim, e, ao contrrio, ajuda a aumentar o colesterol. Pode, sim, comer feijo com gro-de-bico misturados. O ideal comer somente uma poro de carne por refeio e no duas como escreveu, mas isso quem tem que saber a nutricionista que avaliar quanto de protena precisa por dia. Em relao ao churrasco, tome cuidado, pois se formar aquela crosta preta algo ruim que se consumido por muito tempo est relacionado ao surgimento de cncer. Quanto s verduras, quanto mais melhor. Pode temper-las com limo, alho, cebola, ervas (organo, salsa, etc.) para dar mais sabor. Quanto quantidade, deve ser menor, mas mais vezes ao dia (lembra das 6 refeies no precisa passar fome e sim dividir melhor). Sites sugeridos e confiveis: www.anvisa.gov.br www.abeso.org.br www.saude.gov.br/alimentacao www.who.int www.eatright.org http://www.navigator.tufts.edu/ (este site analisa as homepages da Internet com informao de nutrio e os classifica se so bons, ruins, mais ou menos) www.usda.gov As frutas tambm tm acar (chamado frutose) e em excesso tambm fazem mal, por isso mais uma vez repito-lhe que importante comer em pequenas quantidades vrias vezes ao dia. No entanto, o acar da fruta diferente do acar normal, pois demora um pouco mais para ser absorvido, e vem com vitaminas, minerais e fibra que, como falei antes, ajuda a reduzir a absoro do acar. No precisa se preocupar tanto quais frutas deve comer. Lembre-se: No precisa retirar nada da alimentao, apenas comer em pequenas quantidades com moderao. E isso para todos os alimentos. O leite desnatado de qualquer marca bom, desde que tenha boa procedncia. O melhor comprar o tipo A, que no possui bactrias, pois esterilizado. Os tipos B e C possuem certa quantidade de bactrias e so mais utilizados pela indstria e no pelo consumidor. Em relao restrio do presunto de peru ou do po francs, no preciso restringir nada, pois preciso ter prazer em comer. Deu vontade, no tem problema comer, s se alimentar com moderao (para tudo). Sobre o biscoito de gua, tambm no tem uma marca preferencial. Mas bom saber que 3 biscoitos o mesmo que comer 1 po. Qual prefere? Acredito que o po d maior saciedade que as 3 bolachinhas e seja mais prazeroso. Margarinas: realmente no precisa se preocupar tanto com a marca, s com a questo da boa procedncia. Os produtos qumicos conservantes, aditivos esto em vrios produtos. O ideal realmente seria no consumi-los e somente comprar produtos orgnicos, mas estes so mais caros e se esses aditivos no estivessem acrescentados nos alimentos, todos os produtos que esto no supermercado estragariam, pois so eles que ajudam a preservar, por exemplo, o que chamamos de vida de prateleira. Barra de cereal: Nutri, por exemplo, ou outros podem ter acar, a ter que procurar por produtos DIET. Lembre-se de que DIET quando se tira totalmente UM nutriente do alimento (pode ser acar, gordura, sal). Por isso tem que conferir no rtulo se foi o acar mesmo que foi tirado. S para completar, o LIGHT aquele em que UM nutriente foi reduzido (pode ser o acar, a gordura, ou sal, etc). A fruta tem acar simples, portanto, talvez seja melhor comer algo com amido como um po ou bolacha de sal antes de dormir. O acar simples rapidamente absorvido, acabando com o fornecimento de energia em poucos instantes, e, como falei acima, mesmo dormindo o corpo precisa de energia. A laranja tem bagao, a ma tem casca, a goiaba tem casca, etc. No busque informaes na Internet, a no ser nos sites de boa qualidade. No precisa retirar nada da sua alimentao. A moderao e a pequena quantidade que devem ser levadas em conta. Se comer feijoada uma vez por semana, sem exagero, sem encher o prato, no faz mal. Comer uma fatia de carne de porco de vez em quando, desde que no seja frita, ou beber um copo de cerveja no fim de semana, no mata ningum! O melhor, no entanto, no beber nunca. Abaixo, como lhe prometi, o contato do Conselho Regional de Nutricionista da Bahia. CRN - 5 REGIO, PRESIDENTE: ELIANA DE CARVALHO GOMES. ESTADOS: Sergipe e Bahia. CONTATO: AV. 7 de Setembro, 174, Edifcio Santa Rita, Sala 701, 40.060-000/Salvador, BA. Telefone:031-71-322-8037. E-MAIL: crncinco@atarde.com.br Gostaria de lhe dar uma dica, independente do profissional, pago ou no pelo servio: acho que a graciosidade como se referiu continua sendo importante.

53. Prezado Jos Carlos, recebi seu e-mail e vou contribuir para o esclarecimento de suas dvidas. Estarei respondendo suas questes. Se lhe for possvel, gostaria que aps o recebimento me enviasse alguns dados que se fazem importantes para entender um pouco mais de quais restries necessita. Tentarei ser bem objetiva, mas, s vezes, onde menos se espera podem haver pontos a serem esclarecidos. Avaliando os dados de peso, altura e idade, realmente est acima de seu peso em 19 kg, como informado. Quando se calcula o seu ndice de massa corprea = IMC, este est acima do recomendado pelo rgo que institui valores de referncia: Organizao Mundial de Sade. O seu ndice atual 32, indicador da obesidade de grau 1. Deveria ter o IMC igual a 24, com peso ideal em torno de 70-72 Kg. No entanto, relata que pratica atividade fsica vrias vezes por semana. necessria uma avaliao mais completa para saber o que realmente precisaria ser perdido em relao gordura, pois existe tambm massa muscular que no gostaria de eliminar. Concordo quando diz que no quer passar fome e que o seu cardpio ajusta-se ao seu limite. Como nutricionista, no costumo proibir o consumo de alimentos (exceto em situaes especficas) e aqui em nosso Hospital respeitamos o hbito alimentar do paciente, aspectos culturais e psicolgicos, sempre de forma individualizada. No entanto, critrios como nmero de refeies ao dia, combinao de ingredientes e restries alimentares so inseridas de forma a tornar a alimentao mais equilibrada e saudvel em casos como do portador de diabetes. O fracionamento das refeies muito importante para a perda de peso, mas caso no consiga realizar 6 refeies, faa 5. Mas para que serve o fracionamento? Durante o dia, quanto mais refeies fizer, maior ser a sensao de saciedade. No adianta comer 5 vezes ao dia em grande quantidade. As pores tm que ser o suficiente para deix-lo satisfeito. Concordo que uma mudana de hbito alimentar, mas necessria, e com o passar do tempo ir se acostumar e mesmo se esquecer de comer... Claro que, eventualmente, durante sua rotina de trabalho, haver dias em que no conseguir comer no horrio determinado. Todavia, to logo tenha oportunidade, faa sua refeio e lembre-se de que as refeies principais como caf da manh, almoo e jantar tm de ser respeitadas nos horrios definidos. Alho e berinjela possuem propriedades medicinais, mas com qual finalidade toma essa mistura com suco de limo? Se formos avaliar, uma infinidade de alimentos possuem propriedades medicinais: gengibre, tomate, cebola, soja, etc e cada um deles possui um estudo direcionado para alguma patologia. A mistura relatada, segundo alguns estudos, est ligada diminuio de colesterol e triglicrides. Os estudos indicam a diminuio dos nveis sanguneos de colesterol e triglicrides, mas no so conclusivos nem reconhecidos pelo Conselho de Medicina e Nutrio, portanto no provado cientificamente. Estaria realizando, tambm, uma dieta pobre em gorduras? Se afirmativo (devido a problemas constatados laboratorialmente), valido o consumo, pois alguns estudos INDICAM a reduo de gorduras no sangue, mas isso no o isenta de uma dieta! Sobre o consumo de chs, tudo o que ingerido em excesso faz mal. Mas o que poderia causar o consumo excessivo de chs? Nas ervas utilizadas para infuso de ch, h dois componentes chamados taninos e fitatos que podem causar irritabilidade da mucosa do estmago. Os chs possuem menores quantidades desses componentes e segundo a quantidade indicada no seu consumo no h problema. Sobre o adoante, o nico natural o stvia, os demais so base de aspartame (artificial), portanto se quer uma alimentao mais saudvel o stvia indicado. Mas por que o stvia o mais recomendado? Justamente por ser extrado da folha de stvia, que possui esteviosdio, a substncia que promove o poder de adocicar. Quais chs poderia indicar-lhe? Todos, desde que consumidos com moderao. No seu caso, adoados com adoantes, porque o consumo de sacarose (acar) est proibido. Os fabricantes de chs mais conceituados do mercado so Leo e Vemat. No entanto, estas marcas mudam de regio para regio e podem ou no ser encontradas. Os chs no so os principais ajudantes do rim. O que propicia o bom funcionamento deste a gua, que por sua vez utilizada para a infuso de ch. Quanto a eliminar o acar na urina a informao no procede, pois uma vez diabtico e no controlado sempre haver um excesso de acar na urina:glicosria. Se tiver um diabetes controlado, no haver acar na sua urina. Evite os chs que contm cafena, como o preto e o mate, pois estimulam o sistema nervoso central e o deixam mais ansioso. Ch verde tambm possui cafena, portanto no o tome em excesso. Avaliando suas dvidas em relao ao almoo, observo que talvez desconhea a composio dos nutrientes, pois mistura os mesmos nutrientes. H vrios grupos de alimentos: protenas (alimentos de origem animal: carnes, leite, queijos); carboidratos (pes, massas, batata, car, arroz, inhame, farinhas, etc.); gorduras (leos), leguminosas (gros, como lentilha, feijo, gro-de-bico); verduras e legumes (alface, repolho, agrio, rcula, espinafre, cenoura, beterraba, berinjela, pepino, tomate) e todas as frutas. Quando se est fazendo uma alimentao equilibrada, consome-se 1 alimento de cada grupo. Exemplo: arroz, feijo, frango, cenoura cozida, repolho refogado, salada e fruta. Quando se fala de verduras cruas usadas nas saladas, pode-se utilizar mais do que uma pois possuem baixo valor calrico e fibras. Quando pergunta se pode comer arroz e macarro integral com lentilha a resposta no. Arroz e macarro so do mesmo grupo de alimentos (carboidratos) e, portanto, no devem ser consumidos juntos pelo paciente diabtico, pois deve controlar os carboidratos. O fato de ser integral no permite que consuma os dois. As marcas mais conhecidas dependem igualmente da regio. Sobre os leos, indico-lhe os de origem vegetal, ou seja: soja, canola, girassol, etc. Todos so isentos de colesterol. Azeites extra-virgem e leos crus podem, igualmente, ser utilizados, mas os azeites custam mais caro. A afirmao de que leos reaquecidos aumentam os radicais livres e faz mal ao corao verdadeira, mas isso s ocorre quando o leo reutilizado vrias vezes. Quando so reaquecidos vrias vezes, a altas temperaturas, podem favorecer o aparecimento de substncias que so prejudiciais sade. Sobre feijo e gro-de-bico, pertencem ao mesmo grupo de alimentos e, portanto, deve-se evitar consumi-los juntos. Os peixes podem ser consumidos, sem problemas, desde que grelhados ou assados. O quibe e o espetinho de frango, se assados, tudo bem; deve-se evitar com-los fritos. bom variar, durante a semana, a saber: bife acebolado, frango assado, peixe assado, peito de frango grelhado, etc. Quanto s verduras, devem ser consumidas cortadas em pedaos bem pequenos, a no ser que haja algum problema de mastigao ou deglutio. Evite beber gua ou sucos durante as refeies, por causa das enzimas digestivas e da dilatao do estmago. O consumo de suco de frutas indicado aps as refeies para beneficiar o aproveitamento melhor de algumas vitaminas e minerais como o ferro. No h necessidade de se adicionar adoante no suco, porque a fruta j doce. Os sorvetes lights so mais doces do que o normal porque o poder de adoar do adoante aspartame 4 vezes maior do que a sacarose (acar comum). O consumo de produtos lights deve ter uma ateno especial. Nunca se pode pensar que consumir somente produtos lights no engorda. Os produtos diets no possuem acar e so mais indicados para diabticos. A variedade do cardpio o segredo da dieta. Evita a monotonia e essencial para no enjoar. O acar das frutas chama-se FRUTOSE, um acar diferente da sacarose (acar refinado). As frutas devem ser consumidas por quem tem diabetes com moderao, mas sua frutose no prejudicial. Pode consumir de 2 a 4 unidades por dia (preferencialmente como lanche e aps as refeies). As que possuem mais frutose so: uva, caqui, manga, jaca. O leite desnatado, se for pasteurizado, nada contra. Leites como parmalat possuem boa credibilidade. Chocolate diet, caf, podem ser acrescidos ao leite com a utilizao de adoante. No vejo problemas em relao ao consumo de po francs, mas o integral melhor, pois possui fibras. Mesmo assim deve ser consumido com moderao. No h restrio quanto ao consumo de queijo tipo minas, ricota e cottage, j que possuem pouca gordura e pouco acar. O peito de peru est aprovado! Mas, que tal variar: torradas com gelia diet e bolacha de gua com ricota? No h restrio para o consumo de bolacha de gua. Margarinas Becel e Mila esto indicadas. Consuma produtos orgnicos (sem agrotxicos). A variedade importante e pode-se substituir a fruta por uma barra de cereais diet, que nada mais do que granola prensada. Comercialmente, recebem o nome de NUTRY. Frutas que tm cascas e bagao:laranja, tangerina, mexerica, carambola. Sobre a cervejinha, se fosse voc tomaria umas duas (sem lcool), afinal de contas do que vale a vida? Entenda:trata-se de moderao, sensatez e conscincia de que obtendo uma alimentao equilibrada pode-se desfrutar de tudo. A proibio do consumo de bebidas s pelo diabetes no se justifica, mas no se deve abusar. Sabia que alguns mdicos indicam o consumo de vinho para pacientes cardacos? No sofra com a dieta. Se faz controle de colesterol e gorduras, evite a carne de porco, que no muito boa. Se fosse meu paciente, liberaria voc para comer uma copa de lombo grelhada uma vez ao ms. Feijoada? Depende de como preparada e da quantidade de gordura. A proibio do acar, no seu caso, uma realidade. O uso de adoante obrigatrio. Bolo, refrigerante, caf, sorvete, tudo diet, podem ser consumidos, com moderao. A atividade fsica muito importante. O acompanhamento de um profissional de educao fsica para monitorar os batimentos cardacos e orient-lo da freqncia cardaca mxima e mnima recomendado. Cevada e aveia podem ser consumidas entre duas a trs colheres de sopa por dia. Quando se utiliza fibras como estas na alimentao deve-se ingerir no mnimo 2 litros de gua por dia. Toda fibra precisa de gua para contribuir com a massa fecal, ou seja, fibras mais gua ajudam no funcionamento normal do intestino. Quanto afirmao das fibras ajudarem na reduo da taxa de acar sangunea verdadeira, alm de promover o bom funcionamento do intestino. Mas no se engane, ter fibras no significa que possuem menos calorias e, portanto, podem engordar da mesma forma. Uma alimentao equilibrada inclui na dieta alimentos com diferentes nutrientes. Quanto mais colorida for sua refeio, maior quantidade de vitaminas contm. Sua dieta montona, restritiva demais para um diabetes tipo 2, pobre em frutas e com horrios muito espaados. Espero t-lo ajudado e respondido a algumas de suas perguntas que outros profissionais no puderam. Fico contente. Com relao cobrana, meu dever como profissional da sade prestar orientao quando solicitada. Atenciosamente, Marisa Fernandez Meizoso, Nutricionsita, Supervisora do Servio de Nutrio e Diettica do Hospital Santa Cruz, snd@hospitalsantacruz.com.br

CAPTULO II.

TEXTOS de 29 programas do Globo-Reprter, da Rede Globo de Televiso, pesquisados no site http://redeglobo.globo.com/globoreporter/ com reportagens nas reas de nutrio e sade. Uma linguagem simples, objetiva, direta e com poucos termos tcnicos. So textos belssimos e muitos se constituem em autnticas lies de vida.

GLOBO-REPRTER:COMO ENVELHECER BEM13 DE OUTUBRO DE 2000.

LONGA VIDA.

Comeamos a envelhecer no final da adolescncia e nessa fase a maioria das pessoas comete erros. Mas a corrida da vida longa e, com alguma disciplina, podemos virar o jogo, arrancar para a vitria e chegar longe. Desculpas para continuar parado no lugar existem vrias. Pode dizer, por exemplo, que no tem tempo para nada. O oftalmologista carioca Andr Cechinel tambm no: "J fui para a clnica, atendi os pacientes de rotina e, agora tarde, vou fazer 11 0cirurgias". Os filhos exigem muito, do trabalho? A filha dele tambm:"Tenho uma filha de quatro anos que procuro acompanhar o mximo possvel. Vejo-a quase todos os dias, levo-a para nadar duas vezes por semana e duas vezes busco-a no colgio". Mesmo com a vida agitada, consegue uma brecha quase diria para os exerccios: "s vezes tenho que usar horrios alternativos. Chego na academia s 21h30min, s vezes vou aos domingos, porque sinto que para mim extremamente importante". Andr largou bem. Desde moleque faz exerccios, nunca fumou e bebe pouco. A partir dos 40, redobrou os cuidados: mais exerccios e alimentao balanceada. "No precisa enfartar aos 40 anos para mudar radicalmente de vida. Se tomar cuidados bsicos necessrios, diminui muito a possibilidade de isso acontecer". Como se no bastasse ser um modelo de corredor rumo velhice bem sucedida, Andr tem nas mos o que os mdicos consideram um elixir da juventude: um hobby que lhe enche de prazer. Tocar piano terapia: "A msica me leva para os melhores lugares do mundo". Com essa disciplina, Andr tem chances de ser um centenrio. No preciso ser um super-homem para viver tanto. Alis, nem existe um super-homem geneticamente perfeito. Mas j se sabe que, se a natureza no caprichou, a gente pode dar um jeitinho. Ou no, depende de cada um. "Descobrimos que existem genes bons e ruins e podemos dribl-los. Conhecemos pessoas que so filhos e netos de centenrios e enfartaram porque fumam, so sedentrios, emocionalmente estressados, tm uma percepo ruim da vida e uma baixa intelectualidade", diz a biogerontloga Ivana Cruz. Ivana estuda o envelhecimento no Instituto de Geriatria da PUC de Porto Alegre. Tem um olho na gentica e outro no estilo de vida. Comparando idosos muito diferentes, vai reforando outros estudos de diversos pases: "S 25% do processo de envelhecimento depende da nossa herana gentica e 75% de como levamos a vida".

RECEITA DA ALEGRIA.

Uma mulher vive no Rio Grande Sul, em um clima frio, quase europeu. Outra mora na Bahia, terra de sol e calor o ano inteiro. Uma se alimenta seguindo a mistura de receitas dos imigrantes italianos, portugueses e alemes. A outra herdou o paladar dos ndios e africanos, gosta dos produtos da terra. Uma catlica praticante, ajuda a comunidade e adora ler. A outra devota de So Jos, reza duas vezes ao dia e tem paixo pelos pontos do croch. Mas, afinal, o que faz mulheres to diferentes como a gacha Guilhermina e a baiana Carmen passarem dos 80 anos, to cheias de vida? " saber levar a vida, no beber, no fumar, no perder muitas noites, saber se alimentar", opina Carmen. "Levo a vida tranqila, no tenho dio nem raiva de ningum, gosto de fazer amigos, aqui na rua no tem ningum que no sabe quem Guilhermina", conta a gacha. Entrando um pouco na vida de cada uma, aprendemos que no to complicado envelhecer bem. O segredo parece estar na maneira como elas vo saboreando cada tarefa, alimentando bem o corpo e o esprito. "Adoro ler. noite, quando no vejo TV, leio e escrevo. Gosto de amor e aventura", diz dona Guilhermina. "Gosto do croch. Fico com o pensamento longe, no penso no que no presta", explica dona Carmen. Elas tambm preparam a prpria comida do jeitinho que gostam e esto sempre em movimento. Caminham por Gravata, pelas ruas de Salvador. Aos 82, dona Guilhermina descobriu o teatro. Dona Carmen nunca deixou de freqentar a igreja. Essas duas senhoras fazem parte de um grupo maior que est sendo estudado pela Escola Baiana de Medicina e pela PUC de Porto Alegre. O resultado vai beneficiar os idosos de amanh.

ALIMENTOS SAUDVEIS.

A ao do tempo sobre o nosso corpo semelhante ao que acontece com o metal exposto ao ar, chuva, ao desgaste do uso. A ferrugem resultado visvel desse processo. No nosso corpo, o nome oxidao. Invisvel aos olhos, ela comanda o envelhecimento. A oxidao age fazendo verdadeiros furos na membrana das clulas, exatamente como a ferrugem capaz de esburacar ou transformar em p um objeto de ferro. Podemos enferrujar muito e rpido ou menos e mais devagar, dependendo dos nossos hbitos. O cigarro, o excesso de gordura e o estresse aceleram o processo de oxidao. Mas a proteo coisa simples e est ao alcance das mos. Os grandes aliados nessa batalha contra a oxidao so os alimentos naturais: quanto maior e mais variado o consumo de frutas, verduras, legumes e carnes, melhor. Alguns alimentos tm muito poder de fogo. "Agem fazendo a proteo celular. So grandes combatentes da formao de radicais livres, que so os destruidores da nossa membrana celular, e agem fazendo exatamente a proteo dessa membrana", explica a nutricionista Mriam Naja. Algumas vitaminas encontradas nos alimentos naturais lideram esse exrcito do bem. A vitamina C pode ser encontrada na laranja, na manga, na goiaba, na acerola e no caju. A vitamina E est presente nos leos vegetais e no mais saudvel deles, o azeite de oliva. A vitamina A est nas folhas de verde escuro, como a couve e o espinafre, e nos legumes amarelos, como cenoura e abbora. Os minerais antioxidantes so o zinco presente nas carnes e o selnio encontrado na batata, na mandioca e na vedete do momento: a castanha do Par. "Ela tida como grande fonte de selnio e a ingesto de uma castanha do Par por dia seria necessria para manter a nossa recomendao diria", diz a nutricionista. Num passeio pelo supermercado, Mriam chama a ateno para um inimigo invisvel e perigoso. "A gordura hidrogenada a gordura saturada que est presente em praticamente todos os alimentos industrializados, nas bolachas, nos pes, nos bolos, nesses alimentos preparados com gordura hidrogenada, saturada, que faz os depsitos das gorduras na corrente sangunea". Com uma alimentao de qualidade e moderada na quantidade, as chances de envelhecer bem aumentam. Quem seguir a receita tambm estar melhor preparado para enfrentar o quase inevitvel. Um estudo da Escola Paulista de Medicina mostra que, depois dos 65 anos de idade, cerca de 85% das pessoas tm pelo menos uma doena crnica. Mas isso no o fim do mundo. "Aqueles que envelhecem bem no so necessariamente os que no tm doena, mas sim os que tm as doenas controladas e com isso conseguem manter sua funo, sua independncia", esclarece o geriatra Lus Roberto Ramos.

SEM PREGUIA.

Mrio e Ana correm dentro da gua. uma modalidade esportiva pouco conhecida, mas que caiu como uma luva para a necessidade dos dois. Mrio tem taxas de colesterol e triglicrides altssimas. Precisa de exerccio para diminuir riscos e fortalecer o corao, mas no suporta academias. "Acho a piscina democrtica. Voc fica com a cabea fora da gua, todo mundo igual, no tem aquele exibicionismo. legal", opina ele. Ana sofre de osteopenia, o estgio anterior da osteoporose, uma doena que enfraquece os ossos das mulheres principalmente depois da menopausa. Ela teve tambm um problema no joelho e no pode fazer exerccios de impacto. "Tive uma inflamao de menisco. Fiz sesses de fisioterapia e o mdico recomendou esporte aqutico", lembra ela. Ana e Mrio esto seguindo risca a recomendao mdica de no dar trguas s doenas, para que no atrapalhem a velhice. Uma perigosa iluso achar que existe uma poo mgica capaz de brecar a passagem do tempo. J foi assim com o hormnio do crescimento, apresentado h dez anos como uma espcie de elixir da juventude e, logo depois, descartado pelos mdicos srios. A reposio de hormnios sexuais tambm j provocou muita controvrsia, mas a evoluo das frmulas e o uso criterioso atenuaram a polmica. "Assim como grande parte das mulheres precisa de reposio hormonal, uma pequena parte dos homens pode se beneficiar com a reposio do hormnio masculino. S que essa reposio no pode ser feita ao acaso. Precisa de exames e uma avaliao clnica boa", explica o endocrinologista Marcelo Bronstein. Da pele atividade sexual, os efeitos aparecem no corpo todo quando feita a reposio dos hormnios sexuais que diminuem com a idade. "No ir contra a natureza. Se formos pensar assim, catarata um processo natural do envelhecimento e, portanto, no iramos operar. Mas voc no vai deixar as pessoas cegas. Tem que trat-las na medida em que alguma coisa est interferindo no bem-estar dela", conclui Marcelo.

ESTILOS DE VIDA.

O carro antigo, mas sai tinindo da garagem. Ao volante, o motorista que aprendeu a dirigir aos 34 anos. Hoje tem 87 e tambm continua em plena forma, levando a mulher e o carro pelas ruas da cidade. Mas isso s um passeio para manter o motor nos trinques. No batente dirio, o corpo de seu Insio que funciona como uma mquina de boa qualidade, muito bem conservada: "Vou dizer-lhe o remdio: em seis meses, no tomei duas aspirinas". Seu Insio dono do hotel onde d expediente todos os dias. E trabalha de verdade. Sobe e desce escada o tempo todo e com grande desenvoltura. Alongamento. Musculao. A academia dele aqui mesmo. "Venho de manh cedo dobrar todos os acolchoados e depois vem a moa e faz o resto. Dou uma revisada geral. importante trabalhar. Quem pra de uma vez se entrega para ir ao cemitrio", diz. Que ningum duvide. Seu Insio mora em Veranpolis, na Serra Gacha. Se a fonte da juventude no fica aqui, deve estar por perto: o pessoal da terra vive em mdia dez anos mais do que os outros brasileiros. J se sabe que isso se deve menos gentica e mais ao estilo de vida que levam. Remexer a terra, cultivar alface e as frutas. Seu Ferronato segue fazendo o que aprendeu na roa, "na colnia", como dizem os gachos:"Trabalhava na colnia at os 30 anos. Plantava trigo, milho e feijo". A diferena que a plantao de morangos, verduras e figos agora est na varanda do apartamento na cidade. "Tenho prazer de ver nascer, crescer e levar os amigos para ver. A figueira veio dos EUA. No existe figo mais doce. Este tipo agora tem na colnia, porque eu dei. No primeiro ano, deram 145 figos". Os grandes nmeros. Seu Ferronato gosta deles. Aos 83 anos, ainda prev muitas colheitas pela frente: "Meu pai viveu 105 anos. Quero ser assim tambm". Velhinhos poderosos como seu Ferronato, cheios de disposio, do lies de vida o tempo todo. Com certeza, o que eles so a natureza transferiu para os filhos, netos e bisnetos. Pena que as novas geraes no do muita bola para as lies mais importantes: os bons hbitos de alimentao, atividade fsica e convivncia. Carla Schwanke, geriatra da PUC de Porto Alegre, faz parte de um grupo que h seis anos pesquisa a longevidade em Veranpolis. Uma nova etapa da pesquisa j mostra que o abandono dos bons hbitos pode influir na sade da nova gerao. O filho do seu Ferronato dono de lanchonete e estressado, mesmo vivendo em Veranpolis, uma cidade de 19 mil habitantes: "Tenho que permanecer na sorveteria e fico bastante parado. S caminho aqui dentro, praticamente". Preocupao com tudo, falta de atividade fsica. difcil mesmo imitar o pai e o av. Entre as tentaes da lanchonete do pai, olha o neto do seu Ferronato indo pelo mau caminho:"Pediria um hambrguer e um refri". A equipe que estuda envelhecimento em Veranpolis agora ganhou o reforo do pediatra Manoel Pitrez. Ele e a equipe examinaram 250 crianas e adolescentes. "Tivemos uma prevalncia de sobrepeso de 25% dos adolescentes. Um em cada quatro tem peso acima do desejvel. Tambm tinham os nveis de presso entre 22 e 23% e colesterol entre 12 e 13% acima de 200", explica o pediatra.

SEXO E DESEJO.

Eles redescobriram o amor e o sexo numa pista de dana depois dos 50 anos de idade. Cledy, 66 anos, estava separada desde os 30. Osvaldo, 62, ficou vivo h seis meses. "Freqentava um clube da terceira idade durante trs anos. Uma senhora de l deu uma festa e conheci Osvaldo", conta Cledy. "Uma amiga nossa me apresentou a Cledy. Ela me dava empadinha, coxinha, e eu pensei:Essa a cozinheira'", lembra Osvaldo. "Dei-lhe uma ateno especial porque o achei bonito", esclarece ela. E comeou o amor do jeito que todo amor comea: com insegurana e desejo. "Viagra, medicamento, nunca precisei, mas se precisar tomo", garante Osvaldo. "Acredito que quando est tranqila e calma com a pessoa de que gosta, confia no outro, pode levar uma vida sexual em qualquer idade", opina Cledy. Cledy e Osvaldo confirmam o que dizem os especialistas: no a passagem do tempo, mas sim o preconceito o principal inimigo do sexo. "O indivduo que abdica da sexualidade quando maduro algum que j se disps a isso quando jovem. Estipula uma faixa etria na cabea dele e pra de atuar porque se condicionou a isso", explica o endocrinologista Marcelo Bronstein. "Os indivduos que aceitam bem a sua sexualidade, as modificaes que ocorrem, so pessoas que at o fim da vida no vo abdicar do sexo", continua Marcelo. Amor e sexo na terceira idade. Quem vive sozinho? So 90 anos de idade e de lembranas. Do carto postal de Florianpolis, dona Lauda guarda recordaes de menina:"Vi a Ponte Herclio sendo construda. Passei l muito antes de ser inaugurada. O que me entristeceu muito foi a Segunda Guerra Mundial". A viva que h quase trs anos decidiu deixar a casa dos filhos surpreende ao falar de solido: "No, nunca a senti, porque solido tem quem no gosta de ler, de passear, de conversar e outras coisas tambm. Nunca senti solido, apesar de estar s". No exatamente s. Dona Lauda encontrou um lugar para morar feito sob medida para pessoas idosas e independentes como ela: um projeto pioneiro da Igreja Metodista de Santa Catarina, mas que aceita moradores de todas as religies. Mistura a seriedade de um condomnio particular e a alegria de uma repblica de estudantes. Cada morador tem um apartamento decorado com seus prprios mveis e objetos. Entram e saem quando querem. Algumas atividades so coletivas, como as refeies e a ginstica, que acontece durante 40 minutos, trs vezes por semana. As senhoras que encontramos em Florianpolis adicionam tambm aquela dose de sabedoria que pode fazer da terceira idade uma das melhores fases da vida. "Quando somos jovens, h presses para provar quem somos. No queremos ter a angstia de pensar se vamos ser amadas ou no. Depois de um certo tempo de vida, j sabemos do que somos capazes. Podemos sabiamente saborear a vida sem presses", diz a psicanalista Suely Gevertz.

VOZES DA EXPERINCIA.

A professora tem 91 anos. A aluna, 71. "Nunca tarde para realizar um sonho antigo. Sempre digo que com dona Lindalva uma aula de felicidade". E mesmo. A professora doce e paciente apaixonada por msica desde que se entende por gente. O caso de amor com o piano comeou na Manaus do incio do sculo:"Desde os quatro anos sonhava com o piano. Quando completei seis, minha me me chamou, sentei no banquinho e ela mostrou aquelas teclas brancas e pretas para mim. Eram teclas cadas do cu". A msica deu foras para a menina sem recursos sair do Amazonas e vir para o Rio de Janeiro estudar na Escola Nacional. Ajudou tambm dona Lindalva a superar uma doena grave, ganhar a vida e chegar serena, lcida e saudvel aos 91 anos. "Todas as minhas decepes, at o amor que perdi, foi a msica que me ajudou a curar". Generosa, retribui ensinando tudo que a msica lhe deu. Descobriu talento no porteiro do prdio onde mora, no Rio de Janeiro, e abre o piano para que solte a voz. Generosa tambm essa paulistana de 86 anos. Todo ms costura cem fraldas para crianas carentes: "Tem gente que diz que j se aposentou e vai ficar em casa. opo. Talvez eu seja um pouquinho carente. Preciso de qualquer coisa til. Somos uma mquina: se no engraxa a mquina com atividade, enferruja". E dona Laurinha segue no ritmo da metrpole. No pra nunca. Duas vezes por semana, administra o bazar da igreja: "Sou muito religiosa, com a graa de Deus. um apoio. Assim como se precisa do psiquiatra na parte fsica, necessita-se ter o psiquiatra da parte espiritual l em cima". Da sade, dona Laurinha tambm cuida muito. Todos os dias faz 40 minutos de caminhada no maior pique. D s uma paradinha: " um costume oriental de abraar uma rvore. Voc pede bons pensamentos, para a raiz dar-lhe foras". Com energia redobrada, segue a caminhada. "No penso no dia de amanh, mas no de hoje. Estou bem, tima. Agradeo l em cima. J estou com juros e correo monetria". Alm de um belo capital, quem vive muito pode ter boas surpresas. Dona Lindalva, que ouvia msica no gramofone e tocou no cinema dos filmes mudos, gravou, aos 91 anos, com a ajuda de amigos, o seu primeiro CD. So composies dela, uma mestra na arte de tocar e de viver. " uma emoo muito grande. Para mim significa muita coisa. Significa o cu, a terra, as cachoeiras, todas essas msicas foram inspiradas na grande saudade que tenho da Amaznia". Saudade do que passou, dos que se foram. um sentimento natural de quem desafiou o tempo levando a vida to longe. Mas quem soube envelhecer parece mesmo gostar do presente, de apreciar cada dia. E se a vontade chegar l, nada como ouvir a voz da experincia. "Ter as pazes com Deus e consigo mesmo, com os outros, porque no h nada pior do que estar brigando com a gente mesmo e no perdoar os semelhantes", diz dona Edith. "Na velhice, preciso se sentir til. No pode deixar a peteca cair", afirma dona Laurinha.

GLOBO-REPRTER:DIETAS16 DE FEVEREIRO DE 2001.

MODELO DE VIDA.

Atrs de qualidade de vida, fizeram uma mudana radical. Foram viver em uma praia de Santa Catarina onde a vida anda mais lenta. E as condies do mar e o tempo ainda determinam o que se pe mesa. Paulo Zulu e a mulher, Cassiana, construram mais do que uma casa - um estilo de vida baseado em uma filosofia alimentar. "Sou o que eu como", afirma. S vai para a mesa de Zulu o que ele pesca e planta. Comida sem defensivos, sem agrotxicos, sem hormnios. Para o modelo de 37 anos, uma frmula de beleza e juventude. O glamour que Zulu esbanja nas passarelas tira da vida domstica simples. "Estou fissurado para colher esse milho faz tempo. Est bom quando os cabelinhos esto totalmente sequinhos, mostra. Os tomatinhos tambm enfeitam o jardim, plantados ao p das rvores de um pomar que comea a crescer com os carinhos do dono. "Aqui meu pezinho de caqui, que venho namorar todo dia. Desse tamanho e j tem mais ou menos 15 frutos. O mamo papaya menor porque no tem agrotxico, nem adubo qumico". Nada desperdiado. Maracuj que vai ao cho tambm vira suco. "Essa a minha rotina o ano todo. Venho, colho as coisas, vou l, pesco. Parece que marketing, mas no no. verdade. porque, para mim, a vida isso. Se no for assim, no tem graa, conta.

HBITOS ALIMENTARES.

O beija-flor come mais da metade do prprio peso em acar, todos os dias. S que, batendo as asas 70 vezes por segundo, gasta tudo o que come. Para o bilogo Armando de Luca, uma conta que nunca fechou. Nascido numa famlia boa de garfo, come mais do que gasta desde que se conhece por gente. Depois de 40 anos de dietas e ainda incapaz de controlar o quanto comia, Armando decidiu controlar quanto cabe no estmago. Emagreceu 22 quilos, em 45 dias, porque um balo dentro do estmago ocupa quase todo o espao que antes enchia com comida. o primeiro paciente brasileiro a experimentar a tcnica, desenvolvida nos Estados Unidos. Os mdicos levam o balo de silicone at o estmago atravs de uma endoscopia. Preenchido por um lquido, chega a ocupar 80% do espao. O paciente no consegue comer muito, nem querendo. O almoo agora assim: salada farta e uma sobrecoxa de frango assada, sem pele, ndice mnimo de gordura. Ele agenta? A gente ainda d uma misturadinha do que fome com o que vontade de comer. O pouco espao que sobrou no estmago faz Armando rejeitar as comidas pesadas. Cntia Capella, 26 anos. Na adolescncia, chegou a pesar 120 quilos. Aos 17 anos, inventou a prpria dieta - vivendo no extremo do que o corpo pode agentar. Duas salsichas por dia. Mais nada. Foi assim durante um ano. Perdeu 60 quilos. Manteve-se magra, mas no mudou a relao mal-resolvida com o que come. No restaurante a quilo, escolhe o menos saudvel: bolinho frito de arroz, macarro na manteiga, deixa a cenoura, leva o pur. O prato de Cntia cheio de gordura e carboidratos. O que vai comer no jantar? Nada. No quer engordar e nem deixar de comer tudo o que gosta. Ento submete o estmago a longos perodos sem comida e o organismo falta de nutrientes essenciais. Como no tempo das salsichas, a filosofia : alguns instantes de prazer e a privao total. Acho que preciso me reeducar. a prxima etapa. No uma deciso fcil. Requer mudanas de hbito que vo alm de uma temporada de regime. O nico mtodo comprovado para ser magro com sade funciona a longo prazo, mudando os hbitos alimentares e a forma de vida.

SEGREDO DAS ESTRELAS.

Alm da fama, o que tm em comum Brad Pitt, Demi Moore, Cindy Crawford, Sharon Stone e Madona? Seguem a dieta das estrelas, tambm conhecida como dieta da zona. Os seguidores atingem a zona de melhor aproveitamento dos alimentos e maior queima de gordura. A nutricionista Cora Hogue orienta um programa baseado na dieta da zona. Explica que a refeio ideal deve combinar 40% de carboidratos, como legumes, verduras e frutas; 30% de protenas, peixe, galinha ou carne vermelha;e 30% de gordura, uma colher de azeite, por exemplo, ou um punhado de amndoas. A comida preparada por um chef caribenho, Kennedy Deroche. A comida entregue em casa, a cada dois dias, durante uma semana. O bom na dieta das estrelas que os pratos nunca se repetem. No caf da manh, mingau com amndoas. No almoo, camares com molho italiano. No jantar, fil de peixe recheado e espinafre. Para o lanche, uma pra, um queijinho e uma noz. Alm da variedade, a comida gostosa e nunca se fica com fome. Nas refeies, nota-se a ausncia de arroz, macarro, batata, po, biscoito e sucos. Cora diz que esses alimentos entopem o organismo de acar e viciam o crebro. Fundamental fazer exerccio todo dia. De preferncia, musculao orientada por um instrutor. Para relaxar, os adeptos da zona fazem ioga. um regime difcil. H regras complicadas para balancear os alimentos. Por isso, as pessoas preferem que a comida venha pronta, o que torna a dieta cara. s mesmo para as estrelas. Elas so magras, mas o pblico est cada vez mais gordo: 60% dos americanos esto acima do peso e 25% so obesos. Mas gastam com dietas 33 bilhes de dlares por ano. Um estudo recente do governo americano conclui que quase todas as dietas esto erradas. Todas fazem perder peso nos primeiros dias, mas quase sempre a gordura volta. A nica que d sempre certo, segundo o estudo, a dos Vigilantes do Peso. Baixa caloria, pouca gordura e muita fibra. E o mais importante: acompanhamento a longo prazo, com incentivo de um grupo de apoio. O segredo do sucesso dos Vigilantes talvez seja o mesmo que explica a magreza das estrelas. Estar de bem com a vida.

PRATO PERFEITO.

O problema da carne vermelha que a gordura, to saborosa, um veneno a longo prazo. Mas, na composio de uma dieta saudvel, os mdicos no dispensam um bifinho. A carne vermelha tem suas utilidades, como o ferro e o zinco. Se comer s peixe, vai ficar anmico, explica o vice-presidente da Associao Internacional para Estudo da Obesidade, Alfredo Halpern. O ferro pode ser encontrado no feijo, no zinco, nos cereais. Mas muito mais fcil para o organismo absorver o ferro e o zinco da carne. A vantagem do peixe sobre a carne vermelha est no tipo de gordura que carrega. O mega-3 um cido graxo que combate o colesterol - a gordura que se acumula nas paredes das veias e artrias. o mega-3 o responsvel pela boa reputao dos peixes. Os nutricionistas recomendam peixe pelo menos duas vezes por semana. Em termos de quantidade de mega-3, o salmo e a truta, peixes importados, perdem feio para a nossa tainha. Para achar o campeo de combate ao colesterol, basta procurar pela sardinha. Em lata no vale - perde o mega-3. E frita, nem pensar: alm de perder a gordura boa, fica trs vezes mais engordativa. A doutora Anna Beatriz aceitou nosso convite para mostrar como se prepara uma sardinha sem perder os nutrientes. Assada. Sal, alho, alecrim, vinho branco e gua. O tempero tira o gosto forte da sardinha e evita que fique seca. Para acompanhar, batatas, tomates e azeitonas, ensina. um prato completo, no precisa de acompanhamento nenhum. Se quiser, uma boa salada, para dar o teor de fibras. No forno pr-aquecido, em 40 minutos est pronta. Livrar-se das espinhas fcil depois de assada. Basta passar a faca, com jeitinho, nas costas da sardinha. Exposta, a espinha sai inteira. Sabor importante. Partindo desse princpio, o endocrinologista Alfredo Halpern inventou uma dieta onde se pode comer de tudo, mas com um limite de pontos. um sistema para controlar a quantidade de calorias que se ingere durante o dia. Faa as contas: um cachorro quente completo tem 519 calorias. Um sonho - s um - 504. E um prato feito bem brasileiro, com feijo, arroz, bife e salada, s 306 calorias. O brasileiro est largando o carboidrato - arroz e feijo - e entrando na gordura. por isso que est engordando, avisa o doutor Halpern.

OBESIDADE MRBIDA.

Como os outros animais, temos um dispositivo no organismo que avisa quando j comemos o suficiente. quando nos sentimos saciados. Para algumas pessoas, essa mensagem parece nunca chegar ao crebro. A falta de controle pode levar obesidade mrbida. quando o excesso de peso representa risco de vida porque provoca diabetes, apnia do sono e complicaes cardacas. O bilogo Armando de Luca vai fazer uma cirurgia para reduzir o tamanho do estmago e resolver de vez o problema da compulso por comida. O balo que est usando agora temporrio. Esse paciente, em um perodo de quatro a seis meses em que vai utilizar o balo, pode perder em torno de 30 quilos. Assim, a cirurgia tem um risco bem menor, explica o doutor Sallet. Armando se adapta: Estou comendo um volume de comida muito menor do que estava habituado. Mas receio que, sem o balo, volte a comer mais. Presso alta e apnia do sono, paradas respiratrias de mais de um minuto, botaram o bilogo num grupo de altssimo risco. Os mdicos calculam que j temos um milho de obesos mrbidos. Dependendo da faixa etria, eles tm at 12 chances a mais de morrer em um ano do que a populao em geral, diz o cirurgio gstrico Arthur Garrido. A equipe do doutor Garrido j fez mais de duas mil cirurgias de reduo do estmago s em So Paulo. H dois anos, treina mdicos de outros estados para ampliar o atendimento nos hospitais pblicos. Ainda assim, s no Hospital das Clnicas de So Paulo a lista de espera para a operao de 15 anos.

UM CASO RARO.

Quem v Joyce Fornari hoje, toda animada, nem pode imaginar a histria que carrega. Fiquei quase um ano e meio dentro de casa sem querer sair. Sentia-me um monte de lixo. Um saco de banha. Pesava 153 quilos. Tentei fazer vrios regimes, todos:sopo, dieta da lua, comer s carboidrato, no comer protena, comer protena, no comer carboidrato, no comer nada... Tentei remdios tambm. Depois da operao, 64 quilos mais magra, Joyce conheceu o outro extremo dos distrbios alimentares. Ficou anorxica, com averso comida. Meu pesadelo engordar de novo. Tenho medo disso o tempo inteiro. Foi o que me levou anorexia. O conflito era com o espelho. O gordo olha no espelho e no se reconhece naquele corpo refletido. O que aconteceu com Joyce mostra que o oposto tambm acontece. A cada quilo que perdia, Joyce enxergava uma estranha no espelho. At hoje vive uma crise: tem medo de que a imagem da memria tome o lugar da magra do espelho. Joyce foi um caso raro, mas encontrou o equilbrio com a ajuda de um terapeuta. Joyce quase no sente fome. Agora, precisa seguir uma dieta especfica de nutrientes para no ficar doente. Hoje como porque tenho que comer. No quero entrar nessa histria de depresso por causa disso, de novo, conta. Joyce metade do tamanho que j foi, uma nova mulher descobrindo a prpria identidade, aos 41 anos de vida. Outro dia estava deitada e tomei o maior susto porque era o osso do meu joelho! No sentia o osso do meu joelho h anos! Tenho descoberto meus ossos. pura felicidade. melhor do que namorado novo.

DISCRIMINAO CONTRA GORDOS.

O problema que os obesos no cabem em um mundo onde a esttica tamanho P. uma presso muito grande pelo emagrecimento. H um endeusamento da figura magra. Se for magro, no muda s o corpo, muda a sina. Vai ter sorte, ser maravilhosa, ter muitos amigos e ficar rica!, explica o psiquiatra Taki Cords. Poucos conseguem se manter magros por tanto tempo. A gente sabe muito bem o que deve e o que no deve comer, mas muitas vezes acaba no raciocinando na hora de comer. uma compulso, desabafa Armando. A compulso por comida uma doena. Um sintoma comer escondido, at de si mesmo. Sem controle, tem gente que, todas as noites, se levanta da cama para assaltar a geladeira e nem sabe o que est fazendo, porque est dormindo. como se estivessem em transe hipntico. Algumas tendem a negar o que comeram. diferente de mentir, diz o cirurgio gstrico Jos Afonso Sallet. Mauro Bernardes nunca escondeu nada. Comeou a comer demais e engordou. Pulou de 85 para 120 quilos e passou a carregar um peso invisvel. A gente se sente humilhado pela discriminao feita de forma embutida. Ele era comissrio de bordo de uma companhia area. Acabou se demitindo e agora processa a empresa por discriminao. Quanto mais pressionado, mais comia e engordava. Ficou para trs uma carreira premiada por bom desempenho, com longa ficha de elogios. A rejeio aos obesos no mercado de trabalho foi medida por uma pesquisa em So Paulo. Foram consultados 1.400 executivos: 73% disseram que no contratariam um gordo. Refns de um organismo desordenado, ainda tm que enfrentar limitaes objetivas e especficas. Deixamos de ir a teatro e cinema por um bom tempo porque aquela situao constrangedora de no caber na cadeira no dava para agentar. Isso j uma forma que a gente se sente discriminado, diz Armando. Parece que tudo leva ao isolamento. enfrentar isso ou a intolerncia.

GORDO E ATLETA.

Como ser a vida de algum to gordo? Andar com dificuldade, sem flego, com pouca sade. Mas as aparncias enganam. David Alexander gordo e triatleta. J competiu em 276 triatlos e nunca deixou de completar uma prova. Mede 1,70 metro e pesa 130 quilos. Comeou tarde, aos 38 anos, to pesado quanto hoje aos 55. Chamou a ateno da imprensa esportiva e logo ficou famoso como o gordo mais atltico do mundo. David tem uma coleo de bicicletas. Com elas, viaja o mundo todo competindo. Todo dia de manh, sai de casa e vai treinar. O triatlo uma prova pesada. Natao, bicicleta e corrida. David aceitou o desafio do Globo Reprter e nadou em um lago gelado. S vou fazer isso para provocar meus amigos brasileiros, Djan Madruga e Fernanda Keller, diz. A temperatura da gua estava pouco acima de 0. Depois de nadar, pega a bicicleta super incrementada e pedala alguns quilmetros. A bicicleta agenta firme. Por fim, a corrida em uma trilha de terra cheia de pedras, na paisagem agreste do Arizona. David no exatamente um campeo. Carregar esse peso todo no ajuda. Mas tem excelente condicionamento e nunca se cansa. Na faixa dele, dos mais velhos, no se sai mal nos triatlos. Queria ser menos gordo, mais competitivo. Mas no perco peso de jeito nenhum. Nem meu mdico sabe explicar porque no emagreo com tanto exerccio. um mistrio, mas David no se importa. melhor ser gordo e em forma do que magro fora de forma. A diferena entre David e os atletas magros que eles, depois do exerccio, podem comer um prato de macarro, bife, pizza, e David tem que comer s uma saladinha. David explica que o corpo dele muito eficiente, queima poucas calorias. Se no fizer dieta, engorda. Procura comer poucos carboidratos, mas nem assim emagrece. David recomenda que os gordos como ele faam exerccio todo dia, mas no faam triatlo como ele, porque preciso ter muito treinamento. O mais importante, diz David, que me divirto muito.

GLOBO-REPRTER:GORDURA1 DE MAIO DE 2001.

HERIS E VILES.

festa para quem tem muito flego. Feira de So Cristvo, Rio de Janeiro. O forr diminui a saudade e aumenta o apetite. Para alimentar o entusiasmo, fartura de calorias. Gordurinha palavra elegante. So camadas de gordura impressionantes. Carne mesmo, mal d para enxergar. A receita faz sucesso. Baio de dois com carne de sol. Uma delcia; isso aqui uma beleza. Foram quatro pratos, me servi vrias vezes e vou pedir mais um. Hoje em dia diz que para passar na vistoria tem que ter air bag, brinca um dos freqentadores da feira. Dona Ldia uma quituteira de mo cheia em So Leopoldo, cidade da Grande Porto Alegre. Quando cozinha, enfrenta um drama: das comidas que faz, s sente o cheiro. Gosto muito de fritura, mas no posso comer. Aos 68 anos, dona Ldia descobriu uma bomba-relgio. Fui ao mdico e fiquei muito surpresa porque o meu colesterol estava muito alto - 420. Foi um susto muito grande. Tenho hipertenso e teria que mudar de vida ou enfrentar a doena. Minha mdica me deu medicao e fechei a boca. Professora aposentada, dona Ldia cozinha para fora. Faz lasanhas, bife a role, mas famosa pelos fios de ovos. A dieta, na porta da geladeira, base de frango grelhado, peixe, frutas e verduras. O colesterol baixou para 190; a presso, para 12/8. Ento, funcionou mesmo a dieta cortando gordura. Funcionou muito, comemora. O caf polmico at hoje. De bom para a sade a pssimo - fala-se de tudo. At o leite, tido como um rico alimento, bombardeado. Em excesso, poderia causar envelhecimento precoce. Arroz e feijo, para quem todo mundo torcia o nariz, hoje so recomendados com louvor. E o macarro, grande vilo at alguns anos atrs, est absolvido. A gordura parecia ser a nica unanimidade que restou. Todo mundo contra. Mas agora at ela tem defensores. O professor Rui Curi, do Instituto de Cincias Biomdicas da USP, diz que as pessoas saudveis podem comer gordura sem medo. Apenas usando bom senso. Ele acha que houve uma histeria contra os lipdios ou gordura, na alimentao. Mas so importantes at na reproduo das clulas. Numa experincia com ratos, uma equipe da USP descobriu que uma dieta sem gorduras enfraquece o sistema imunolgico, as defesas do organismo. O mdico Emlio Moriguchi diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia e acha que a gordura continua no banco dos rus. Tem motivos para isso: Temos vrias evidncias na literatura. Gordura na dieta aumenta o risco de infarto, mesmo para as pessoas com risco baixo. O brasileiro come gordura demais. Em Braslia, a alimentao de cada pessoa, em mdia, 42% gordura pura. Os ndices mais baixos esto em Curitiba, com 26%, e Belm, com 24%. Mas nem nessas cidades, a alimentao pode ser considerada saudvel. Henrique, com 130 quilos, no tem problemas de diabetes nem de corao. Muito menos a mulher dele, Vivian, que pesa s 48 quilos. A preocupao outra. Com ou sem gordura, como comer uma alimentao equilibrada se as necessidades so to diferentes? Henrique quer emagrecer e Vivian luta desesperadamente para engordar. Vivian faz um frango com quiabo no almoo. A comida, para os dois, a mesma. A diferena est no antes e no depois. Quinze minutos antes do almoo, Henrique devora um po doce. Assim fica muito difcil harmonizar a dieta. Sem radicalismo e sem separao, Vivian e Henrique continuam procurando a soluo.

A COR DA SADE.

Salada na mesa, dieta controlada. Bacalhau coadjuvante. Nem parece uma casa portuguesa. Mas para seu Alexandre no foi fcil aceitar os limites da cozinha saudvel. Ele viveu 30 anos cercado pelas tentaes. Por trs do balco, um cotidiano engordurado. O dono de padaria brigava com outra balana. Dez quilos acima do peso, estressado, hipertenso, fumante e com uma lcera no estmago. No tinha hora para se alimentar. O grande inimigo era a gordura que comia em excesso. Comia muito sanduche de presunto. No quero dizer com isso que o sanduche faz mal, mas em excesso prejudica. Passei a ter problemas de colesterol. A minha presso vivia numa faixa de 18/12 e 18/10, conta. Seu Alexandre passava dez horas por dia no balco. Tanto esforo para pagar os estudos da nica filha. Lcia se formou em nutrio e hoje professora universitria. Com o conhecimento adquirido na escola assumiu o poder em casa. Criou uma dieta limpa, espantando a gordura dos pratos do pai. O po nosso de cada dia. Tido como alimento sagrado, pode causar algum mal quando acompanhado de recheios gordurosos. Por isso, aqui vale o ditado: antes s do que mal acompanhado. O po enriquecido seria um santo aliado para combater doenas da terceira idade. O professor Yoon Kil Chang, da Unicamp, vai nos mostrar por que o po matria obrigatria. A Universidade montou uma padaria. A idia surgiu para atender uma nova concepo da atualidade: fornecer alm da fonte calrica para quem consome o po. Acrescentamos outros ingredientes que possam beneficiar a sade humana, explica. H 20 anos o professor Yoon pe a mo na massa para descobrir novos ingredientes. A novidade agora um p amarelo. O cientista quer acrescentar farinha de soja ao po dos brasileiros. Ele diz que o alimento contm substncias como isoflavonas que ajudam a reduzir o risco de doenas degenerativas. No prato tipicamente brasileiro, o feijo deveria ser mais valorizado. um alimento rico em fitatos - substncias bioativas, que protegem o organismo. Ajudam a eliminar o chumbo que todos ingerimos, na dieta do dia-a-dia, tomando gua ou leite. O excesso de chumbo no sangue provoca reduo do coeficiente de inteligncia. Uma das conseqncias a queda no desempenho escolar. O importante saber que a criana deve comer feijo, no deixar de consumir o arroz polido e, sempre que puder, um pouco de po integral de trigo, que tambm possui os fitatos, explica Jaime Amaya, engenheiro de alimentos da Unicamp. As pesquisas revelam mais: os alimentos so tambm uma forma de compensar deficincias genticas. Muitas pessoas trazem dentro das clulas, por herana familiar, genes que aumentam o risco de desenvolver doenas graves, como o cncer de mama. Em Porto Alegre, o estado com maior incidncia de cncer de mama no Brasil, so 76 casos para cada 100 mil mulheres - quase o dobro da mdia nacional. A principal explicao est na mesa das gachas: muita carne e gordura de origem animal. A salada fica de lado. Uma pesquisa canadense refora a tese sobre as gachas. As mulheres com defeito gentico, que no comiam frutas e verduras, tinham quatro vezes mais chances de desenvolver o cncer de mama. E o mais interessante que quem comia fruta e verdura simplesmente zerava o risco. A pesquisa est sendo feita com 200 mulheres gachas. Graziela e Maristela so bilogas e participam do estudo como voluntrias. Tiraram sangue para anlise. O teste de DNA revelou uma diferena decisiva: Maristela, 32 anos, no tem propenso gentica para cncer de mama. J o exame de Graziela mostrou que possui o defeito gentico, aumentando as chances de desenvolver o cncer. Por enquanto, Graziela no se previne. Aos 23 anos, estuda e faz estgio na universidade. Vive de sanduche, no faz exerccios e fuma. Quando almoa de verdade, o prato vem cheio de gordura. A outra biloga j faz isso, mesmo sem a ameaa gentica. Se almoa no trabalho, procura montar um prato colorido, cheio de folhas e legumes. No fuma e freqenta academia. Da famlia, Maristela recebeu mais do que herana gentica.

DIETA DAS PROTENAS.

Na hora do trabalho o banquinho serve para aliviar as dores na coluna. Roupas, s encontra em pouqussimas lojas. Estas so algumas das muitas dificuldades na vida do paisagista Jos Augusto Campos, de 46 anos. Desde os 12, luta contra a balana. J perdeu a conta de quantas vezes fez regime. A consulta com o cardiologista tem um motivo especial. Vai seguir a dieta do mdico americano Robert Atkins, onde s permitido comer alimentos ricos em protena (carnes, peixes, frutos do mar, aves e ovos) e gordura (manteiga, azeite de oliva, maionese). Acar, pes, massa, cereais e a maioria dos vegetais ficam proibidos - so os carboidratos. Segundo a dieta, o emagrecimento acontece porque sem os carboidratos, a fonte de energia do corpo, o organismo obrigado a consumir a prpria gordura - uma teoria contestada por muitos mdicos. Lingias fritando. Zeca engordava s de olhar. Agora, vigia bem de perto o que vai ser uma das refeies do dia. No comando da frigideira, dona Ana, que tambm quer perder peso com uma dieta tradicional. Desde a dcada de 80, o mdico Alberto Serfaty recomenda a seus clientes a dieta das protenas. Diz que 70% dos pacientes se mantm dentro do peso ideal. A gente no precisa criar uma situao de sofrimento ao paciente fazendo aquelas dietas de uma colherzinha de arroz, cem gramas de carne e capim vontade, diz o mdico. H 22 anos, Raul e Maria Lusa no comem carne. Tambm aboliram acar e frituras. Para ele, a opo vegetariana surgiu como terapia. Tinha enxaqueca que nenhum remdio curava, afta e uma acidez no organismo enorme. A alimentao tradicional brasileira muito boa. Tem arroz, feijo e mistura. Um tanto de abbora, um pouco de couve, de mostarda ou de taioba, uma poo de inhame, um pedao pequeno de carne ou um ovo. Em todas as tradies se encontra uma tendncia natural para um equilbrio alimentar, onde os vegetais so muito presentes. No restaurante popular do centro do Rio de Janeiro, o preo do almoo quase simblico: R$ 1,00. Todos os dias so servidas, em mdia, trs mil refeies. Joo e Sebastio Rosa passaram a freqentar o restaurante por motivos opostos:Joo quer engordar e Sebastio emagrecer. De acordo com a Organizao Mundial da Sade, um adulto que trabalhe e faa apenas uma grande refeio por dia precisa de uma mdia entre 1500 e 1700 calorias na refeio. Isso corresponde a mais ou menos 70% das nossas necessidades calricas dirias. Mas preciso que todos os elementos estejam bem equilibrados nessa balana. Protenas e gorduras na carne, carboidratos no feijo e no arroz, fibras e vitaminas na salada, legumes e verduras. Por isso, o grande desafio fazer um prato com variedade todos os dias. No computador, o controle de todos os ingredientes da refeio. Modo de preparo, peso, valor calrico, e a quantidade de protenas, gorduras, carboidratos e colesterol. Pesado, medido e em destaque. Cinco nutricionistas fazem o controle da qualidade dos alimentos. A preocupao com a gordura no est s no papel. At um forno especial usado no preparo das carnes. A carne colocada em grelhas e no fundo desse forno fica uma bandeja onde toda a gordura desse alimento dissolvida e depositada, explica a nutricionista. Dez dias depois de iniciar a dieta das protenas, Jos Augusto Campos est de volta ao consultrio mdico. Pela primeira vez, desde que comeou a comer basicamente carnes, ovos e queijos, prepara-se para enfrentar a balana.

LOW FAT.

Americano adora novidade. A corrida, por exemplo. O doutor Kenneth Cooper lanou a idia:correr era um santo remdio. O povo aderiu em massa, mas 20 anos depois o doutor Cooper caiu na real. Correr para poucos. Bom mesmo andar. Com a gordura a mesma coisa. Nos anos 80 o governo lanou guerra gordura. No coma carne vermelha, leite integral, manteiga. Gordura mata. Mas essa moda tambm no deu certo. Os americanos pararam de comer gordura e ficaram muito mais gordos. A guerra gordura tinha motivos: o corao e o colesterol alto. Nasceu uma nova indstria: a da comida sem gordura. Hoje existem venda, nos Estados Unidos, mais de 15 mil produtos com baixo teor de gordura. A indstria gasta US$ 30 bilhes por ano para convencer os americanos a s comprar o que traz as palavras mgicas: low fat, que significa baixa gordura. As novas pesquisas indicam: o total de gordura que uma pessoa saudvel come no tem relao com o risco de ataque cardaco. Comer muito macarro, po, arroz e acar pior do que comer carne vermelha. Gordura vital para o organismo. As membranas de todas as clulas so feitas de gordura. Perdendo a gordura, as clulas ficam mais expostas invaso de doenas. S as pessoas com colesterol muito alto, acima de 240 miligramas por decilitro de sangue, correm srio risco de ataque cardaco. Como reao guerra contra a gordura surgiu nos Estados Unidos o excesso oposto. A dieta do doutor Atkins, por exemplo. Com muita carne e bacon. Faz sucesso, mas muito pobre em carboidratos. A pessoa fica sem energia. Os americanos se entopem de po, batata, refrigerantes, sucos, balas e guloseimas. Tudo vendido como low fat. Engorda mais que um bife. Um prato de macarro, batata ou arroz desencadeia um desequilbrio hormonal no organismo. Em pouco tempo a pessoa sente fome e volta a se entupir. Por isso, mais da metade dos americanos est acima do peso. Os povos da Espanha, do Sul da Frana e da Itlia comem carne, peixe, legumes e verduras. Tudo regado a azeite. Por isso tm os mais baixos ndices de doena cardaca. Sem abrir mo da carne vermelha. Pesquisadores americanos acabam de descobrir que a gordura retirada na lipoaspirao poder ser uma fonte de vida. Eles colheram clulas-mes na gordura de ratos e enxertaram essas clulas em outros tecidos. Transformam-se em msculo, osso ou cartilagem. No futuro haver bancos de gordura. Voc se livra da barriguinha e guarda as clulas mes.

GULA MODERADA.

O despertador da maioria dos britnicos o som de fritura e o cheiro de gordura. Um bom dia s comea assim: salsicho, lingia, bacon, ovos, torradas. o breakfast - o caf da manh - enchendo a mesa e a barriga. Sempre se empanturraram, mas nunca como nos ltimos dez anos. o que revelam os nmeros do Ministrio da Sade do Reino Unido. Obcecados por grficos e tabelas, os britnicos transformaram em estatsticas o que a balana, a fita mtrica e o espelho j mostravam: silhuetas avantajadas. O levantamento comprova que o peso dos homens da Gr-Bretanha aumentou em mdia 6% na dcada passada. As mulheres ficaram 10% mais pesadas. Se o problema era a falta de uma pesquisa para deixar os gordinhos com menos peso na conscincia, os cientistas britnicos providenciaram uma. A gula moderada no chega a ser pecado. O professor Tom Sanders, do Departamento de Nutrio do Kings College de Londres, uma das mais renomadas universidades do mundo, acompanha todas as pesquisas sobre o assunto: A gente precisa da gordura para o bom funcionamento do corpo. como se fosse um depsito de energia em volta de rgos vitais, o corao, por exemplo. Por falar em rgo, a gordura j foi promovida na Gr-Bretanha. Os cientistas da Universidade de Oxford esto tratando pneuzinhos e outras sobrinhas explcitas como um rgo do corpo. Um dos pesquisadores explica que preciso aliviar o peso das acusaes sobre a gordura. Ser magro demais no necessariamente ser mais saudvel. um erro dizer que toda gordura faz mal. Mulheres magrinhas demais podem ter dificuldade para engravidar. No caso dos homens, a falta de gordura atrasa a puberdade, explica o nutricionista Sanders. Os pesquisadores da universidade College London tambm se interessaram pelo tema. O trabalho deles mostra que a gordura moderada pode ajudar no raciocnio. O grau de inteligncia de 3.900 pessoas nascidas h 55 anos foi testado durante toda a vida delas. A concluso da pesquisa se manteve: os mais gordinhos sempre mostraram ser mais inteligentes. Coincidncia ou no, uma coisa certa: mais alimentadas, as crianas se desenvolvem melhor, afirma o professor Sanders. O nutricionista s faz uma advertncia: Os pais precisam saber que a vantagem dos bebs mais pesadinhos muito pequena. No vale a pena perder o controle sobre a gula dos filhos. Existem pesquisas tambm para comprovar que os pais andam mesmo precisando de um puxo de orelhas. O resultado est na balana: as crianas de quatro a 11 anos esto engordando, e muito. Quase 15% das meninas e meninos britnicos andam gordinhos demais. Para tentar achar o equilbrio entre a gordura necessria e o conforto diante do espelho, um professor da Universidade de Birmingham teve uma idia mirabolante: props a criao de um superimposto sobre a comida com altas calorias. S que o governo britnico no engoliu a proposta do doutor Tom Marchal. Ia deixar muita gente de mau humor. Outra pesquisa concluiu que a falta absoluta de comida gordurosa pode afetar o estado emocional. Por outro lado, o estudo reafirma que gordura demais pode deixar o comilo de cara feia. Esse o segredo, diz o professor Sanders. Segundo ele, a pessoa tem que saber o que melhor para ela e transformar isso em meta. E o mais importante: gostar de si mesmo. Quanto mais gordos, menos orgulhosos. Metade dos ingleses tenta trapacear a fita mtrica comprando calas abaixo do peso. O autor da pesquisa, um professor universitrio meio acima do peso, admite: A gente abotoa a cala abaixo da cintura e acaba realando ainda mais a pana. Como diz o doutor Sanders, gordo ou magro, o importante ter sade.

GLOBO-REPRTER:REMDIOS6 DE JULHO DE 2001.

HIPOCONDRACOS.

Brasil, pas das farmcias? Somos o quarto mercado consumidor de medicamentos do mundo, movimentando US$ 7,5 bilhes por ano. Onze mil tipos de remdios. Uma avalanche sobre os pacientes. S em So Paulo, terra dos restaurantes, so trs farmcias para cada pizzaria. No pas inteiro, so 55 mil drogarias. No tempo em que farmcia se escrevia com ph, os remdios ficavam trancados a sete chaves, longe dos fregueses. Hoje, as farmcias so supermercados, vendendo a idia da sade. Basta encher a cestinha e pagar. Com tanta facilidade, o brasileiro acaba se envolvendo numa relao muito ntima com os medicamentos. E, s vezes, perigosa. Exagerado, hipocondraco ou apenas cuidadoso? Para no ficar sem remdio dentro de casa, Marzio Fiorini montou postos avanados. Tudo muito organizado. A caixa no quarto o estoque principal. Fica aqui guardada para emergncias, gripes, dores de cabea, inflamaes de garganta, enfim, no o que vou levar comigo na bolsa. Dentro da pochete viaja uma farmcia mvel. Esse aqui est sempre comigo, vai na minha bolsa de trabalho, na minha pasta de mo de viagem, tem todos os anti-alrgicos, desentupidor de nariz, para o estmago. Mais remdio na cabeceira da cama. Seria um posto de emergncia? o socorro noturno. Aquela coisa do calmante, do remdio para o estmago, mais forte, se tiver crise de gastrite, causada pela ansiedade. Tenho meu SOS noite. Se sentir alguma coisa estranha vou recorrer. No precisa nem levantar da cama. Ao alcance da mo, um guia de medicamentos. Ele estuda a composio dos remdios: quem sabe um dia pode precisar? Esse timo. Cetirizina. Pode at batizar uma filha com esse nome. Brinca, mas jura que no toma nada sem consultar o mdico. Mais do que a cura, dona Assunta procura segurana. Quando est acabando o remdio, j mando comprar porque no posso ficar um dia sem tomar medicamento. Aos 69 anos, como tantos aposentados brasileiros, gasta com sade mais da metade do que recebe. So R$ 200,00 por ms com o convnio. E mais R$ 300,00 com os remdios. Estmago, intestino, depresso. Medicamentos para o corpo e a alma. Desde pequena sempre fui nervosa. E os nervos foram abalando cada vez mais. Depois tive minha primeira nen, nasceu morta, mexeu mais ainda. Depois perdi meu marido. Problemas da vida da gente. Presa ao crculo vicioso dos remdios ou salva por eles. Quem pode julgar? a minha vida. No posso ficar sem eles.

VENENO.

A diferena entre um remdio que cura e um veneno que pode at matar est apenas na dose ingerida. frente dos agrotxicos e dos produtos de limpeza, os remdios so os campees da intoxicao no Brasil. Os centros de toxicologia colecionam histrias de envenenamento: acidentes dentro de casa ou erros cometidos nos hospitais. Centro de Assistncia Toxicolgica do Hospital das Clnicas. Mdicos e farmacuticos em planto permanente para orientar as vtimas dessa qumica perigosa. H sempre uma emergncia do outro lado da linha. Os especialistas tm pouco tempo para identificar o problema e aconselhar. A primeira coisa no dar gua, nem leite. De cada dez telefonemas, seis so resultado de intoxicao por remdio. A distrao em gotas. Pegou colrio por engano, achou que era remdio para dor de cabea e bebeu. Teve uma senhora que tomou medicamento de uso veterinrio. Deu o dela para o animal e tomou o do animal. Parecem histrias engraadas. No para a doutora Cristina. H dez anos no centro, sabe que pequenos erros diludos podem ser a receita para a tragdia. Teve um caso de uma me que foi farmcia comprar medicamento. Mas a prescrio no estava legvel. Era aminofilina, de quatro gotas, de oito em oito horas. E o balconista, para ajudar a me, escreveu na caixinha do medicamento: 48 gotas. Confundiu o g com o nmero 8. Nisso, a criana recebeu numa dosagem s 12 vezes a dose que deveria ter recebido. Ficou convulsionando mais de um dia e no fim acabou falecendo. O erro no s de quem receita. Para o doutor Anthony Wong, chefe do centro de assistncia toxicolgica, as crianas so as vtimas mais freqentes. Atradas pela aparncia agradvel e o sabor adocicado dos medicamentos. Remdios xaroposos com sabor tutti-frutti a criana pede para a me dar porque acha aquilo agradvel, critica. Quanto mais remdio por perto, maior a possibilidade de intoxicao. Por isso, os hospitais so um terreno perigoso. O doutor Wong alerta: Se estiver no hospital tenha certeza de que o medicamento que est sendo dado a seu filho ou a voc mesmo seja exatamente o que o mdico prescreveu. Toda vigilncia pouca.

SOCIEADE ALTERNATIVA.

Quem usa, jamais esquece. As agulhas e o p so para tratamento, as folhas secas podem ser remdios. Quem chega ao Hospital Alternativo de Goinia, sabe que, apesar da espera, o sonho da cura verde pode ser realidade. diferente, acho que o mdico d ateno para o paciente, no tem pressa de tir-lo do consultrio, diz a paciente. Medicina de baixo custo, atendimento gratuito. H 14 anos o hospital pblico oferece possibilidades de cura sem agresses qumicas com a medicina ayurvedica, que veio da ndia, o tratamento com plantas medicinais, a terapia chinesa das agulhas e a homeopatia. Na busca do equilbrio entre o corpo e a mente. Salva pelas plantas! A cantora Dagmar veio em busca de socorro com uma infeco urinria. Tratei nove anos e s veio arruinando minha situao. Deu gastrite, por causa dos remdios, fiquei pssima, tive que correr para a medicina alternativa, h um ano e estou me sentindo tima, bem melhor. Dona Terezinha reclama, mas volta. Sabe que para dores na coluna, acupuntura no tem igual. A doutora Maria Luiza espeta agulhas e aplica as mxas, bastes quentes de erva nos pacientes. O alvio imediato.O ponto de acupuntura tem acmulo de energia, envia estmulo ao crebro e tem uma resposta de acordo com o ponto, explica a mdica. Daniel est de volta ao consultrio da doutora Maria Jos. Hoje, curado, caminhando ao lado da me. H dois meses, no conseguia andar. Tinha uma inflamao intensa nas juntas, estavam bem vermelhas e doloridas ao tato. Estavam jogando na loteria dos remdios. Ortopedia, reumatologia, clnica geral. De tantas consultas com especialistas s restaram as receitas. Enquanto os mdicos s tratavam uma parte do corpo, Daniel sofria com dores, febre, falta de apetite e medo. O mistrio s foi desvendado quando a doutora procurou na histria de vida do menino a origem do problema. A partir do dia que o irmo dele, de quem gostava muito, que dormia no mesmo quarto que ele, decidiu casar e sair de casa, Daniel adoeceu. A cura no tem preo, mas o tratamento de Daniel custou apenas R$ 2,00. Aqui tambm se produz medicamento fototerpico. Na horta, as plantas brasileiras crescem misturadas s indianas. Guduche, nim e azaganda se adaptaram bem ao nosso clima. Foram trazidas por mestres da ndia, que inspiraram a criao do hospital.

FARMCIAS VIVAS.

O professor Francisco Abreu Mattos filho, neto e bisneto de farmacuticos. O bisav se encantou por essa espcie - operculinamacrocarpa. Ou batata de purga. Meu bisav usou uma batata que fica enterrada no cho, muito rica em resina. Extraa a resina e com ela fazia as plulas, misturada com outras plantas. Chamavam plulas purgativas do cirurgio Mattos. Aos 77 anos, o pesquisador cearense aposta na cura pelo verde, desde que a cincia caminhe junto com a cultura popular. Durante 25 anos, o professor Mattos e o agrnomo Afrnio Fernandes vasculharam o Nordeste em busca de plantas e conhecimento. O herbrio da Universidade Federal do Cear j tem 32 mil exemplares, todos classificados. Para o professor, o uso das plantas sem identificao cientfica s gera confuso. Ele d um exemplo: o alecrim-pimenta. Existem mais de 20 espcies com esse nome popular. No Sul, se falar em alecrim-pimenta ningum sabe o que , pensa que o alecrim do sul, usado como tempero. Lipia Cidoidis, o verdadeiro alecrim, um poderoso cicatrizante e anti-sptico. No laboratrio, extrai o remdio da planta. Para ter amostras vivas, o cientista plantou um horto na universidade. Ensina: o aafro mais que tempero. O pessoal no reclama que o colesterol e o sangue esto cheios de gordura? Aafro baixa o colesterol. Para que seja considerada de uso medicinal, preciso saber se a planta tem eficcia. E se no oferece riscos para a sade, afirma o professor. Avels, ou dedo do diabo, exemplo do perigo da automedicao com as plantas. Tem gente que usa misturando leite, com recomendao de alguns leigos, com a promessa de que cura cncer e Aids. Todo esse conhecimento acumulado o professor Mattos transformou num projeto generoso. As farmcias vivas. Hortas e pequenas fbricas de fototerpicos. Soluo para que esses remdios no acabem nas mos dos grandes laboratrios. A semente plantada no Cear deu frutos em todo o Brasil. Na ilha de Paquet, o projeto das Farmcias Vivas chegou na escola. Os alunos trabalham na horta, orientados pelos idosos da comunidade. A cura verde depende desse encontro de geraes. Do trabalho na terra brotam arruda, boldo e arnica. Matria prima da cura, que vai para o laboratrio da prefeitura, no Rio de Janeiro. Dona Maria de Ftima diabtica, vem buscar um composto de pata-de-vaca e carqueja. O remdio ajuda a controlar a taxa de glicose no sangue, que estava em 346 miligramas. Em dez dias comecei a baixar o nvel, cheguei a 182, diz ela. Meu sonho era de que todos os municpios do Brasil adotassem esse esquema. Pode no dar dinheiro, mas d muita satisfao, confessa Mattos.

G DE GENRICO.

Remdio sem a marca do laboratrio. Na receita, s o nome qumico. o princpio ativo, substncia que cura. Eles tm nomes estranhos - cloridrato de ambroxol, diclofenaco potssico - mas criam a perspectiva de um tratamento mais barato para a sade do brasileiro. So os genricos. A tarja amarela e a letra G identificam o medicamento, que comea a ocupar espao nas prateleiras. Cerca de 300 j conseguiram autorizao do Governo para venda e esto chegando s farmcias. Pouco, num pas em que so comercializados 11 mil medicamentos, na maioria remdios de marca. Quem aposta na produo dos genricos est se preparando para uma guerra. Os fabricantes sabem que, para conquistar territrio no mercado de remdios, tecnologia de ponta no basta. S vo ganhar se produzirem muito. Quem vende por menos precisa vender mais. Os genricos so obrigados a ser mais eficientes no seu processo de produo. O professor Gonzalo Vecina, presidente da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, prev para o Brasil o mesmo caminho dos EUA. Em seis anos, os genricos ocuparam a metade do mercado. O problema que no temos ainda um nmero muito grande de drogas. Por isso, o mercado situa-se na ordem de 1,5 a 2%. No Brasil temos cerca de 37 milhes de pessoas que vo s farmcias e no compram a receita integralmente. Isso significa que no concluem o tratamento. O que precisamos nos genricos ampliar o consumo deles. Fazer com que pessoas que no usam medicamentos por falta de dinheiro possam, ao ter o genrico, concluir a terapia, explica Jailton Batista, diretor de um laboratrio. Outra batalha: conseguir aprovao do governo para fabricar os genricos. Os medicamentos passam por testes de laboratrio. Precisam provar cientificamente que fazem o mesmo efeito que o remdio de marca. Um dos centros de controle dos genricos funciona na Fundao Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. numa mquina de nome complicado - extrator de base slida - que os novos produtos passam pelo grande teste. Na mquina, o plasma sanguneo de voluntrios que tomaram o medicamento candidato a genrico analisado. A Fundao Osvaldo Cruz controla e tambm produz genricos. Far-Manguinhos a fbrica da Fiocruz que fornece remdios para as campanhas de sade. Sete, dos 12 medicamentos que compem o coquetel contra Aids, distribudos pelo governo, so feitos na Fiocruz. A comea uma guerra entre o governo e os grandes laboratrios. O Brasil acha que no deve pagar pelo uso das patentes quando vidas estiverem em jogo. O genrico custa mais barato, diz a doutora Eloan, porque os fabricantes no gastam com pesquisa para desenvolver o remdio e nem com propaganda e marketing. E a melhor notcia: a chegada dos genricos pode contribuir para baixar o preo dos outros remdios. O preo cai, porque o genrico comea a ocupar mercado de forma to violenta que, se produtos de marca no derem algum tipo de respostas, deixam de ser comprados.

CURA SEM REMDIOS.

Luz e sombra na terra do sol. Uma cidade partida. De um lado a imagem da sade. Do outro, a luta para superar os caminhos traados pela doena. Avenida Beira Mar, com seus prdios e hotis modernos, fica a menos de cinco quilmetros de uma parte da cidade menos conhecida, a favela de Pirambu. Na favela surgiu um projeto simples e revolucionrio. Cuidar da sade sem depender dos remdios caros. De olhos vendados, procuram reencontrar o orgulho, superar o medo. Adalberto Barreto, psiquiatra e antroplogo, professor de medicina social, criou a terapia coletiva. Um imenso div na favela para quem no pode pagar consulta. a terapia que chamamos do resgate da auto-estima, porque a pior misria no a misria externa, que a gente v, aquela que est internalizada nas pessoas, quando no acreditam mais que so capazes, que tm direitos, explica Adalberto. Antnio Alves est voltando a acreditar. Vendedor ambulante, esfora-se na terapia. Quer superar o medo da morte, o pnico. Para fugir da doena, freqenta as sesses de massagem. E a reza da benzedeira. Os medicamentos me ajudam bastante, mas procuro mesmo a cura vindo dentro de mim, atravs do exerccio. Ponho o medo para fora, diz. H trs anos dona Zeneide entrou em crise. Buscou nos remdios a salvao: Tomava trs tipos de medicamentos. Passei por vrios psiquiatras, s muito remdio. Perdi um ano da minha vida numa cama, sem comer, nem falar. Se tivesse tomando a droga l fora, teria morrido, porque no existia nada. Foi uma coisa criada pela minha mente. Canind, a 100 quilmetros de Fortaleza, santurio dos romeiros. Onde at a farmcia tem nome de santo: So Francisco de Assis - santo das chagas e da cura. No ptio da igreja, um ritual de sacrifcio. Quando cruzam a porta na Baslica de Canind, como se os fiis estivessem entrando num grande consultrio. No serto, So Francisco de Assis tambm mdico. Para milhares de brasileiros, a cura no vem s dos remdios feitos em laboratrio. Depende muito da f. Dona Anglica acredita na fora das oraes para afastar o mal. Pedi muito pela minha sade. A gente tem que acreditar em So Francisco e procurar os mdicos. O doutor Adalberto diz que os mdicos no precisam compartilhar das crenas. Mas devem levar em conta o principio ativo da f:Talvez o verdadeiro milagre seja esse - quando ns, mdicos, entendermos que o processo da sade e da cura no depende s do remdio. Depende, tambm, do remdio que tem dentro de cada pessoa.

HORMNIOS E PLULAS.

Os medicamentos ajudaram a tornar a vida melhor e mais longa. O brasileiro que vivia em mdia 37 anos no incio do sculo XX, vive hoje 68. Mas os remdios e as vacinas no fizeram tudo sozinhos: as condies sanitrias melhoraram e a pobreza diminuiu em algumas regies. Mesmo assim, a tendncia ainda acreditar que essas drogas possam resolver nossos problemas instantaneamente. Para Sheila, a felicidade era ter uma casa cheia de filhos. Hoje, luta para recuperar os movimentos, pois o lado direito do seu corpo ficou paralisado e a fala, comprometida. Sheila recebeu um bombardeio de hormnios, mas no engravidou. No comeo do ano teve um acidente vascular cerebral. "Nos oito anos que a gente tentou foi em vo. No conseguiu nada e ela sofreu muito por tudo isso, conta o marido. Junto com os hormnios, uma rotina perigosa: Sheila fumava muito, no fazia exerccios, alimentava-se mal e no largava a cerveja. Fiz um estudo da terapia hormonal feita pelo colega. Estava correto. Faltou eliminar os outros fatores de risco, explica o mdico Anderson Medeiros. Ele, que hoje acompanha a recuperao de Sheila, alerta para outro perigo: as plulas anticoncepcionais tambm so remdios e fazem vtimas entre as mulheres jovens, fumantes e estressadas. Assim como hormnio usado na fertilizao, o anticoncepcional, usado de forma inadequada, se somar fatores de risco, expor a mulher a uma complicao vascular, esclarece o doutor Anderson. O mdico Henrique Aquino tem a receita para o futuro: Primeiro, no h nenhuma plula dourada que v resolver todos os problemas. Segundo, os medicamentos so armas importantes, contriburam para melhoria da qualidade de vida, mas tm que ser usados com extrema cautela e preciso".

GLOBO-REPRTER:ENVELHERCER BEM3 DE AGOSTO DE 2001.

APOSENTADOS E BEM DISPOSTOS.

Seu Magalhes Motta faz trabalhos manuais; dona Nair Penteado Vianna no larga o tric. Seu Magalhes carioca; adora passar os fins de semana no stio. Dona Nair mora em So Paulo. Tem orgulho dos tapetes que j teceu. Dona Nair agora se arrisca no computador, mas no passa do jogo de pacincia. Seu Magalhes tem prazer em percorrer o stio. O olho do dono engorda o gado. E nunca est satisfeito. Seu Magalhes, quase nos 80 anos, acredite, est pilotando um avio. Tranqilo, apesar das manobras audaciosas. brigadeiro aposentado, mas nunca quis parar de voar. Hoje, faz todas as loucuras e ainda esnoba: Vo bem alto, mas para vocs no interessante. Parafuso aqui no tem graa nenhuma", gaba-se ele. A experincia tanta que sobra confiana. Esse pra-quedas tem uns trs quilos. No pretendo saltar. O bom sentar em cima; emergncia de saltar, nunca tive. Tenho um cartozinho que diz que posso voar at o ano que vem; at os 80 anos e meio. Vou l e fao os exames. E vou querer outra. Vou voar at quando os mdicos deixarem". Dona Nair dirige como um piloto de provas. Tem agilidade e audcia. Se acha que terceira idade significa descanso, conforto, sossego, melhor nem conhecer dona Nair. Se tiver problema de coluna, tambm. Dona Nair foi sempre uma dona-de-casa pacata, av tranqila. At que, h seis anos, virou pelo avesso. Encontrou a felicidade na natureza, na liberdade, na aventura. Uma cratera no meio do caminho. Impossvel passar, mas ela tenta. Vai e volta. O filho a ajuda, mas at dona Nair perde a pacincia. Estamos muito prximos de um precipcio. E em plena situao de perigo, dona Nair s vezes parece que est brincando. Mas o filho vai dando instrues. Aos poucos, vai saindo, passando rente ao buraco. Alguns minutos depois, estamos num pequeno paraso. Santa disposio! Ser que todos podemos chegar aos 80 desse jeito ou s vamos ficar morrendo de inveja? Nunca tarde para tentar. Vida saudvel hoje investimento certo para a velhice amanh. Joo Paulo Abdu pratica esportes com regularidade. Na alimentao, muita salada e uma certa distncia de frituras e comidas pesadas. "O interessante comer alguma coisa que tenha vontade no dia. Nem sempre assim. Joo Paulo engenheiro; tem uma vida corrida. "Nossa gerao tem que trabalhar um pouco mais do que as outras. A gente tem que trabalhar, se especializar e estudar. O mercado est cada vez mais difcil".

VIDA SAUDVEL.

No piano, professora. Com as tintas, uma aluna aplicada. Dona Lenita Fiqueiredo d aulas de historia, literatura e jornalista h quase 50 anos. J escreveu doze livros, principalmente para as crianas. Dito assim, parece que dona Lenita apenas uma compenetrada intelectual. Ledo engano. Sempre foi o que se poderia chamar de da p virada. Dona Lenita andou pelo mundo. Tem fotos de Martin Luther King, general Figueiredo, Mdici. Mal sabia que depois ia ser presa". Foram trs meses na cadeia, por causa dos artigos que escrevia. Dona Lenita foi considerada subversiva pela ditadura militar. Fui torturada e me quebraram 11 costelas a murros. E, com tudo isso, ainda tem uma memria privilegiada. "Sei at a cor das cuecas do Napoleo; onde os artistas nasceram, quem amaram, onde esto, em que museu esto representados". Fantstica memria essa que desaparece, como um passe de mgica, quando o assunto idade. "Minha av dizia: depois que trintei, nunca mais contei. Estou beirando os 80". Mais independentes, mais saudveis e vivendo mais. Hoje mostram a cara. Vo para as ruas sem inibio. Ocupam espaos que pareciam fechados para sempre. Para sustentar a famlia, seu Davi Barbosa de Menezes j fez de tudo: vendeu pastis, foi segurana e motorista. "Sempre com vontade de estudar, de melhorar a vida e de ser uma pessoa grande em informaes". Seu Davi conseguiu o que queria: rompeu com o que estava predestinado, fugiu de uma velhice previsvel. "H muitas coisas que no valem nada: pensar em morrer, em doena, que tudo vai dar errado. Penso em estudar, diz. Seu Davi estuda em uma universidade da terceira idade, das muitas que j se espalham Brasil afora. S na Universidade de So Paulo, so quase 5 mil alunos com mais de 60 anos. Nos cursos, da psicologia pintura, a disposio e o empenho so permanentes. De Tarsila do Amaral a Pablo Picasso, o Museu de Arte Contempornea da USP tem de tudo um pouco. Mais jovens e criativos. No incio do curso, os desenhos eram quase infantis. Hoje, so mais refinados, mas um artista no renega sua obra. A evoluo traz estilo. Imaginao, cores, tomando formas, expressando emoes. Uma redescoberta. A vontade de reaprender, com certeza, prolonga a vida. Esse o segredo de uma longa sobrevivncia", finaliza seu Davi.

JOVENS DE ESPRITO.

Aos 88 anos de idade, seu Tuplet de Vasconcelos corre, ou melhor, ganha maratonas. J disputou 125 e venceu todas. "Segundo lugar no existe para mim. A no ser que coloque um cara de 20 anos para correr comigo, desafia ele. Trofus, medalhas, j perdeu a conta. Foi seis vezes campeo Sul-Americano e quatro campeo mundial na sua categoria. Para os mdicos, um espanto. Para ele, apenas o resultado de um estilo de vida. No como carne. Alimento-me de muito de frutas, legumes. Alm disso, o treinamento e dormir direito, no perder noites de sono. Em relao ao sexo, estou na ativa, pode crer. Cada um tem sua receita. Mas algumas surpreendem. A musculao, antes tida como inimiga dos idosos, foi absolvida. "A musculao que se fazia no se faz mais com nosso atleta vov. um trabalho bem mais leve", ensina seu Tuplet. Leve mas eficiente. A partir dos 50 anos, o homem tem uma perda de massa ssea e muscular que chega a 2% ao ano. As mudanas no alcanaram apenas a musculao. J chegaram at s ondas. "O surfe um esporte recente. No tem nem 40 anos no Brasil. E, como nenhum outro, tem a imagem da liberdade, paixo pela natureza. Alm de tudo, lembra juventude. O que no quer dizer que preciso ser jovem na idade. L no fundo, em cima da prancha, h um jovem de esprito", garante Afonso Freitas, de 69 anos. Seu Freitas tem estilo. Tinha 37 anos quando descobriu o surfe. Gostei de estalo. Sabe quando v uma mulher, como, por exemplo, olhei para a minha h 30 anos? Foi algo emocionante, tive que agarr-la na mesma hora, sem explicao. Achei aquilo bonito, superior", lembra. Hoje, o remdio o mar. Doses homeopticas, todo santo dia. Todo dia h uma coisa diferente: uma onda melhor, uma queda diferente, uma manobra mais ousada. O surfe pode parecer que igual, mas nunca ". No vai ao mdico h algum tempo. Cuido-me base de mel de abelha, cpsulas de alho e comidas naturais. No tomo leite de vaca. Bebo leite de soja, como de tudo, mas muito disciplinadamente". E tem disposio para muito mais. Daqui a alguns anos, se ainda puderem me carregar para dentro dgua, vou pegar onda. No consigo me imaginar longe do mar". Sua mulher, dona Jlia Freitas, agradece: quando o conheci, era estressado, uma pessoa nervosa, autoritria. Atualmente, no. Hoje quem manda sou eu."

ENTRANDO NA DANA.

Florianpolis, 17h. Comea o baile. Os casais danam animados. Mas o ambiente um pouco estranho. Alis, muito estranho. uma clnica para cardacos. Tenho trs pontes de safena, conta o militar Luiz Souto, 67 anos. A dana complemento importante. Junto com remdios e exerccios, faz milagre. O tratamento faz parte de um programa da Universidade Estadual de Santa Catarina. E tenta salvar os velhinhos de uma cirurgia que, s vezes, nem necessria. Um dos aspectos mais srios do problema cardaco a aderncia idia. Muitas vezes a proposta chata, as pessoas no se sentem motivadas a continuar na atividade. A dana aumenta muito essa aderncia, explica o cardiologista Tales Carvalho. Alguns so acompanhados com controle da presso. Padre Jos Rangel, de 82 anos, nem saa mais da cama de to doente que estava. A dana recuperou o nimo. "Acho que se parar a morte. A vida caminhar, andar. E danar como dancei num ritmo que no estava habituado", opina o padre. As caras de felicidade j so um indcio da transformao. A dana s no cura. Mas um belo comeo. Gravata, cidade da Grande Porto Alegre. Com ginstica, algumas mulheres reaprendem a viver. Tm incontinncia urinria, no conseguem controlar o fluxo de urina. um problema que aflige pelo menos 10% dos idosos, a maioria mulheres. O tratamento um projeto piloto do Hospital da Puc do Rio Grande do Sul. Uma ginstica que fortalece a musculatura do perneo, regio posterior aos rgos sexuais. "Do-se conta de brincar com a questo de mexer o perneo. Mesmo que no haja mais vida sexual, tm lembrana e entendem qual a musculatura. bem saudvel para a cabea, alm de ser para o corpo", diz o fisioterapeuta Leon Kluber. O casal Marly Helosa Kus e Ren Carlos de Souza no se desgrudam. Na verdade, nem sempre foram assim. Um encontro tardio. Marly era viva; Ren, separado. S se encontraram sete anos atrs. Uma paixo incontrolvel entre o funcionrio pblico e professora. "O lado sexual um complemento de todas as atividades. E vejo no sexo no s a cama. H pessoa que fala em sexo e pensa que cama. mo na mo e frio na espinha", fala Ren. Conheci o lado espiritual e idealizado do amor. Cheguei a ter um susto a primeira vez. O que est acontecendo comigo? Ren me fez descobrir at isso. O encanto da vida a dois", conta Marly.

COPACABANA:PALCO DA BOA FORMA.

Copacabana, 6h. A capital brasileira da terceira idade comea a funcionar bem cedo. Da populao brasileira, 25% tem mais de 60 anos. Em cada quatro moradores, um j chegou terceira idade. Uma das maiores concentraes de idosos do planeta. E Copacabana tem muito orgulho disso. Bate-papo, at dentro dgua. Frescobol, ginstica e vlei. Ritmo puxado. Cada um se movimenta em um estilo muito prprio. At na lentido do tai-chi-chuan, ou de uns minutos de meditao. Copacabana alto astral, estado de esprito, no tem explicao. Jovens cantoras de setenta e poucos anos. O teatro, em Copacabana, fica lotado. O pblico de terceira idade sempre maioria. O show uma viagem pelo tempo. As cantoras foram estrelas da Rdio Nacional nos anos 50. No espetculo, do uma aula de como estar de bem com a vida. Se eu, com 78 anos, estou fazendo o que fao, se tiver uma pessoa na platia com a minha idade j querendo, com essa energia que a gente joga na platia, ela vai renascer, reviver e ficar to feliz quanto ns", diz a cantora Carmlia Alves. Disse ter 78 anos. D para acreditar? Algumas, para no causar tanta surpresa, escondem a idade com convico. No digo a idade porque acho desnecessrio. No canto com a minha carteira de identidade, interpreto com a voz que Deus me deu, tenta explicar Ellen de Lima.

GLOBO-REPRTER:PODER VERDE24 DE AGOSTO DE 2001.

AMAZNIA: CELEIRO DE REMDIOS NATURAIS.

Uma nova forma de riqueza - no cerrado, na Mata Atlntica, na Floresta Amaznica - a seiva das rvores, o veneno das plantas, a qumica dos insetos, as substncias que l sustentam e destroem a vida podem ajudar a salvar seres humanos? As novas expedies pela Amaznia no vo atrs das grandes rvores e predadores da regio. Buscam molculas naquela imensido. Partculas que poderiam curar a Aids e o cncer estariam escondidas por l? No Brasil esto 23% de todas as espcies conhecidas no mundo. H centenas, talvez milhares, que nem foram catalogadas pelo homem. Uma equipe de cientistas brasileiros j recolheu mais de 1,2 mil amostras de plantas e rvores. De l, so levadas para testes em laboratrio. Um barco-escola navega pelas guas da Amaznia atrs de remdios que possam combater de poderosas bactrias a tumores do cncer. H seis anos o doutor Druzio Varella comanda a equipe que vasculha as margens do Rio Negro em busca de plantas medicinais. A gente colhe tudo o que algum diz que serve para alguma coisa, diz o doutor Druzio Varella. A expedio avana mato adentro e pra diante de uma rvore que tambm ser testada no combate ao cncer. Essa famlia da vinca tem uns alcalides que tm ao antitumoral, principalmente contra linfoma, leucemias. J est comprovado, de uso prtico, revela o cancerologista. Os frutos so conhecidos como pepino bravo. Quem sabe no est neles a cura para outras doenas? A cincia percorre trilhas abertas pela experincia dos povos da Amaznia. O mundo est de olho nas folhas e madeiras que teriam poder de remdio. O dono de um armazm exporta plantas para os Estados Unidos, a Europa e o Japo. A procura muito grande fora do pas. Tem muita gente vendendo gato por lebre, afirma o comerciante Antnio Celso Ussi. Um leo to difcil de extrair, que muitas vezes misturado ao diesel para render mais, na Amaznia remdio popular. Levado ao laboratrio, a copaba mostrou atividade em tubos de ensaio. Temos indicaes de que realmente tenha atividade anti-inflamatria, cicatrizante, at repelente, diz Gislaine Pereira, farmacutica da Fiocruz.

O REPELENTE QUE SAI DA RVORE.

Um mestre nos usos e costumes da vida no mato. At a jibia pode virar remdio nas mos de Seu Estevo. Nada assusta o mateiro que tem 47 anos de experincia na selva. Com ele, o Globo Reprter desembarcou em uma trilha s margens do Rio Negro. a farmcia natural onde Estevo vem coletar remdios quando a famlia ou vizinhos precisam. Esse um cip conhecido como escada de jabuti. para hemorrida e para mulheres que tenham problema de tero, diz. Outro cip, que Estevo separa e corta, a gua que jorra para matar a sede tambm seria um remdio. A busca, agora, por uma rvore rara, difcil de encontrar no meio da floresta. Surge um amapazeiro. Um golpe no tronco e o que seria um ltex medicinal escorre como leite. Seu Estevo no fica sem o leite do Amap em casa. Quem freqenta a mata tem que se defender de muitos inimigos. Inclusive dos mosquitos transmissores de doenas. Uma rvore teria o remdio, um repelente natural. A resina que se acumula no tronco o Breu, que os ndios usavam para iluminar seus caminhos. Acendemos para espantar ona, mosquito. A fumaa funciona como se fosse um repelente. A todo mundo vai embora, ensina seu Estevo. No laboratrio do Instituto de Pesquisas da Amaznia, em Manaus, o conhecimento popular est sendo testado. Um equipamento retira essncia do Breu. Dentro de uma gaiola esto mosquitos que transmitem dengue. S que eles no esto infectados porque foram criados em laboratrio. Ser feito um teste com um leo essencial que foi feito a partir do Breu. No brao direito tem o leo, o repelente. No brao esquerdo no. Em alguns segundos est clara a diferena. ntido o ataque dos insetos no brao esquerdo. No momento do teste no tem nenhum mosquito pousado no brao onde tem o repelente. Foi a primeira vez que o material foi testado. muito promissor. Mos experientes para lidar com as ervas. Gente que j viveu na floresta usando plantas como remdio. Geni ndia mundurucu. Formada em bioqumica, comanda o resgate do conhecimento de seus ancestrais. Eles sempre buscaram a cura no meio do mato. A lngua de um peixe nobre da Amaznia serve para que o paj prepare o que seria um composto afrodisaco. Uma receita dos ndios que aproveita plantas e animais. um mirant que est sendo ralado. O guaran j veio ralado. O pnis da anta se queima para dar mais fora. De onde vem o poder das folhas, das razes, das resinas e fungos? Como surgiram na natureza as substncias que o homem tenta usar como remdio? Parecem no ter importncia na hierarquia da floresta. Mas dos fungos nasceu uma revoluo na medicina. No Brasil, so cerca de 13 mil espcies.

PLANTAS NO COMBATE AO CNCER.

Congeladas em hidrognio lquido, clulas do cncer. Em laboratrio, sero bombardeadas por extratos de plantas. O cncer mata mais de 100 mil brasileiros por ano. Na Amaznia, a equipe do doutor Druzio Varella coleta as amostras que sero testadas. Os cientistas marcam o lugar de onde cada amostra foi recolhida, para poder voltar exatamente mesma planta se ela mostrar atividade em laboratrio. O catlogo feito a bordo do barco-escola. A vantagem desse tipo de mtodo que se pode ter grandes surpresas. Pode se descobrir uma molcula que tenha uma ao jamais esperada, explica Varella. Isso aconteceu com o taxol, uma droga desenvolvida nos Estados Unidos. Teve origem na casca de uma rvore canadense, o teixo do Pacfico. Combate tumores de ovrio e de mama impedindo a reproduo das clulas cancergenas. A pesquisa que levou ao taxol demorou mais de 40 anos. No Brasil, o trabalho de investigar plantas para usar contra tumores recente. Da Floresta Amaznica para um laboratrio em So Paulo. Os cientistas querem saber se plantas tm o poder de controlar os tumores do cncer. Congelados num freezer, os 1.200 extratos esto prontos para testes. Sero aplicados contra clulas do cncer de mama, prstata, pulmo, intestino e leucemia. As plantas produzem antibiticos desde sempre para poder se livrar das bactrias, agentes anti-tumorais para impedir que tumores se formem no caule, nas folhas. Essas substncias existem, a depende da gente conseguir localiz-las, identific-las rapidamente, diz Drauzio Varella. Foi um dos primeiros brasileiros a falar do combate ao cncer com o uso de plantas medicinais. Nos anos 60, o doutor Walter Accorsi j divulgava o poder da casca do ip. Hoje, h pelo menos duas patentes nos EUA associando a rvore brasileira ao tratamento de tumores. O doutor Accorsi trabalha com um arbusto africano que h dois sculos foi trazido para o Brasil, o aveloz. A planta indicada para o cncer e a leucemia. E funciona. Tem um ltex que se cair no olho, cega. Ento, se a pessoa tomar mais gotas do que o necessrio, pode morrer. Temos que ter cuidado para usar plantas tambm, pois podem ser venenosas. A dose o limite entre envenenamento e cura, conta o mdico.

PLANTAS EM BENEFCIO DAS MULHERES.

Do campo para o laboratrio. O conhecimento popular traduzido em cincia. Plantas produzidas em srie para virar remdio. uma busca incentivada pelos pacientes. Uma mulher perdeu o interesse pelo sexo. Queria um remdio natural. No caso dela indiquei o Tribulus Terrestris, que uma planta que estimula a libido, a atividade sexual, e, tambm, melhora a performance fsica, diz o fitoterapeuta Dcio Alves. Em menos de 15 dias a dona de casa Frigg de Oliveira j comeou a sentir outra vez aquela motivao. Pai, me e filha vivendo em um paraso. Que pode se transformar em inferno quando a jornalista Stela Grissoti entra na TPM, a tenso pr-menstrual. Na cpsula, o leo de uma flor, a prmula. H um ms Estela combate a TPM com o remdio. Senti uma melhora logo no primeiro ms. Meu marido est querendo comprar um caminho de plulas, conta. A nutrloga Jane Corona usa sementes como remdio para enfrentar a TPM. Diz que uma das principais causas da TPM a priso de ventre. Segundo ela, uma dieta rica em fibras elimina o excesso de estrognio do organismo. s colocar no liquidificador uma colher de semente de linhaa, 1/2 xcara de amndoa e uma xcara de semente de girassol. E todo dia de manh coma com mamo, ensina. A ambulante Neide Oliveira teria que fazer uma cirurgia para eliminar os sangramentos causados por miomas. Procurou o botnico Juan Revilla, que lhe receitou os chs de uxi-amarelo e de unha-de-gato. Ela escolheu um tratamento de medicina natural. Aps 50 dias que est usando o produto pelo qual optou, teve reduo em dois ndulos miomatosos. Um cogumelo descoberto no Brasil. Tornou-se to famoso do outro lado do mundo que o cultivo se expandiu no interior de So Paulo e 95% de toda a produo brasileira exportada para o Japo. L, esse cogumelo j estudado h mais de 30 anos. Livros publicados no Japo dizem que o consumo do cogumelo refora o sistema imunolgico. Na Universidade Estadual de So Paulo, as pesquisas ainda no comprovaram que o cogumelo estimula o sistema imunolgico. Um teste foi feito com camundongos que tm tumores do cncer. Quando o ch foi preparado a 100C, chegou a prejudicar os animais. Mas quando feito com gua at 60C, os camundongos tiveram um aumento na vida de 15 a 20%. Bruna, de 12 anos, passou a maior parte da vida sofrendo com febres inexplicveis. Comeou a fazer um tratamento base de vitaminas e sais minerais. Exames revelaram que tinha o bao inchado. A famlia decidiu incluir no tratamento o ch de cogumelo. Em 30 dias notaram diferena. A pele corou, a febre no vinha mais. E a surpresa: o bao voltou ao tamanho normal.

TURISTAS OU BIOPIRATAS.

Um cip conhecido como mariri; as folhas so de chacrona. Esmagado por homens e mulheres, o cip libera sua poderosa qumica na hora da fervura. O cip representa a fora; as folhas, a luz. A unio desses dois vegetais deu origem a uma doutrina que tem seguidores em todo o Brasil. Renem-se em torno do ch ayuahasca, que teve origem no tempo dos incas. Quem o bebe diz que um remdio para os males do corpo e do esprito. O cozimento acompanhado pelos seguidores da doutrina. Samara comeou a tomar o ch ainda criana. Desde os 9 anos de idade j ramos tratadas com o ch. s vezes estvamos gripados, com febre ou problemas intestinais e os nossos pais nos davam uma colher de ch do vegetal, conta Samara Cardoso, professora de dana. A biopirataria fez histria na Amaznia. No caso da seringueira, sementes brasileiras levadas para a Malsia provocaram o fim do ciclo da borracha. Moradora das margens do Rio Negro, a dona de casa Adalgisa diz que recebe visitas de gente interessada no poder das plantas da regio: Quando chegam aqui, perguntam tudo e querem levar. Em abril deste ano, o governo regulamentou o acesso ao patrimnio gentico brasileiro. Mas o pas tem fronteiras desprotegidas. Alm disso, a exportao de folhas, plantas e madeiras para fins comerciais permitida. Com os equipamentos de nova gerao, um cientista estrangeiro no precisa de muito material para fazer sua pesquisa. Em um livro, a prova do acesso dos pesquisadores de fora a plantas originrias do Brasil. So trabalhos apresentados em um congresso. Trs pesquisadores japoneses trabalham em cima de um composto brasileiro, revela Suzana Leito, farmacutica da UFRJ. Na rea de biotecnologia, 97% de todas as patentes registradas no Brasil so de empresas ou inventores estrangeiros. Claro que existem casos de biopirataria, porm mais preocupante do que esses casos individuais a falta de pesquisa do lado brasileiro, alerta o pesquisador do Inca, Charles Clement. E os cientistas brasileiros que pesquisam na rea raramente protegem o que publicam. A espinheira-santa comeou a ser pesquisada no Brasil nos anos 80. Mas as duas primeiras patentes, aproveitando a planta como analgsico e contra lceras, foram registradas no Japo. Obtivemos resultados significativos. Na poca, chegamos a publicar alguns trabalhos com os resultados, mas no foi feito nenhum encaminhamento de um possvel patenteamento desse resultado, conta o bilogo da Escola Paulista de Medicina, Ricardo Tabach. Os brasileiros agora correm atrs do prejuzo. Esto testando o comprimido de espinheira-santa. No teste com seres humanos, a droga no teve efeitos colaterais. Agora ser feito o teste contra lceras, que j deu resultado em animais. As lceras no sumiram, mas tiveram ndice de reduo ao redor de 60% comparando com o animal que no foi tratado com espinheira- santa, explica Ricardo Tabach.

GLOBO-REPRTER:ALIMENTOS QUE CURAM11 DE JANEIRO DE 2002.

REEDUCAO ALIMENTAR.

Para Lilian Brando de Abreu, de 20 anos, a doena foi o comeo de uma vida nova. Lilian sabia que seguir em frente com sade s dependia dela. A opo foi mudar os hbitos alimentares e isso incluiu a famlia inteira. O pai j reduz a quantidade de comida no prato, sem reclamar. E reconhece: Ns melhoramos muito mesmo. O controle da alimentao surtiu efeitos. Perdi oito quilos, conta Amlia Brando, professora. No incio, a recomendao mdica de eliminar alguns alimentos prejudiciais sade era s para Lilian, mas ela aproveitou a situao. Com a famlia inteira mudando os hbitos bem mais fcil, acredita Lilian. A necessidade de mudana surgiu h cinco anos, quando Lilian era uma das maiores promessas da natao do Brasil. Uma queda no rendimento dos treinos denunciou e os exames confirmaram o aparecimento de diabetes. Pensei em largar tudo, mas percebi que aquele era o meu sonho e no ia ser uma doena que ia me vencer. Lilian parou de competir e trocou o sonho de atleta pela faculdade de nutrio. Estudando, aprendeu como escolher melhor os alimentos. Mudei meus hbitos para melhor, no sinto falta das besteiras que comia antes. A nutrio est ajudando muito a controlar minha sade. Foi tambm pensando no futuro que um grupo decolou com uma idia que colore de verde o vero carioca. A plantao na Pedra Bonita parece e capim. do trigo germinado que se retira a clorofila. O gro de trigo plantado e em poucos dias nasce o capim do trigo. no broto que encontrada a maior concentrao de clorofila da natureza - 70% da substncia. O capim pode ser colhido e o suco retirado na hora no moedor eltrico. A clorofila virou a bebida preferida da gerao sade. Para Edson e Miriam j rotina. O casal se exercita todos os dias e encontrou no suco de clorofila uma fonte de energia. Comecei com a clorofila e meu cabelo parou de cair. Sinto muito mais disposio durante o dia, conta ele. Essa disposio aumenta quando h maior suprimento de oxignio a nvel celular. A clorofila o sangue verde das plantas, explica a mdica ortomecular Jane Corona, uma estudiosa da clorofila. J descobriu porque o suco da substncia faz to bem. rica em magnsio, boa para o sistema imunolgico, para os ossos, para a digesto, cicatrizante e bactericida. Entre os benefcios est um que pode ser o fim do drama que atinge homens e mulheres - a clorofila tem a capacidade de fazer nascer cabelo e o cabelo branco voltar cor natural. Tem muito zinco, vitaminas B-1, B-2 e B-5 - vitaminas que temos em grande quantidade no cabelo, ento provavelmente deve ter uma ao no cabelo, diz Jane. Mas a clorofila pode ser encontrada tambm em todos os vegetais verdes. O suco de folhas foi uma alternativa encontrada por algumas mulheres da favela da Mar, no Rio, para conseguir o suco de clorofila, a um preo menor. Alface, hortel-pimenta, couve e a folha de abbora tambm muito bom. D um total de 14 folhas, ensina uma delas. Jane Corona diz que o ideal beber cem gramas de clorofila por dia, o que equivale a dois copos de suco: Com dois copos est fazendo um tratamento e repondo uma quantidade boa de vitaminas na sua dieta.

GROS DE SADE.

Gros que vieram da China e trazem lucros fabulosos. A soja a maior fonte vegetal de protenas. Um alimento rico, mas desprezado no Ocidente. O gosto o grande inimigo da soja. provocado por uma enzima, ativada quando o gro da soja entra em contato com a gua fria. Para eliminar o sabor forte, a soluo simples - jogar a soja na gua fervendo. Mas a receita ideal investir em pesquisa. Londrina, no norte do Paran, um dos principais centros de pesquisa da soja no mundo. E o Brasil, o segundo maior produtor: 37 milhes de toneladas. S 1% consumido no pas. Os cientistas tentam mudar o sabor da soja, para que fique mais atraente e conquiste espao na mesa do brasileiro. Onze anos de trabalho - e surge um novo tipo de soja. A professora Mercedes fez o cruzamento da soja japonesa com a brasileira. No um alimento transgnico, apenas uma soja de gros mais claros. mais fcil vender, inclusive exportar para o Japo, explica. Numa cozinha criativa, a soja entra para enriquecer a mesa. Saladas, queijos, bolos e biscoitos. O prato de legumes foi reforado com tofu, o queijo de soja tradicional da culinria japonesa. A soja no altera o sabor do bolo de laranja, nem dos biscoitos. Pode ser um bom complemento no caf da manh! Mas quais so os efeitos benficos no organismo? Na busca de respostas, Elizabeth Zanini, professora de qumica, cumpriu uma faanha indita:convenceu a turma de alunos do ensino mdio, gente que no costuma querer nada com a soja, a participar de uma pesquisa. Os alunos se envolveram de corpo e alma com a soja. Aprenderam a preparar farinha de soja. Distriburam o kinako e tambm cpsulas com grmen da soja para trs grupos de pacientes voluntrios:mulheres na menopausa, gente com colesterol alto e uma turma de jovens com problemas de pele. Senti o resultado em relao ao tempo que a acne durava. Aparecia e logo desaparecia, conta Aline Vitali, de 15 anos. Dona Maria Natlia sofria com as ondas de calor, provocadas pela menopausa. Doses dirias de kinako misturado ao leite trouxeram alvio para a dona de casa. Tinha de seis a sete ondas de calor por dia, agora tenho duas, comemora dona Maria Natlia.

ENERGIA NUCLEAR.

Eles esto entre ns: milhes de inimigos invisveis invadindo nosso organismo atravs dos alimentos. So fungos e bactrias, estragando a comida, trazendo doenas. As pessoas tm diarria, vmito. O botulismo, por exemplo, pode matar, diz Roberto Figueiredo, biomdico. So muitas doenas que esto envolvidas com alimentos. Roberto Figueiredo, especialista em conservao de alimentos, alerta: na geladeira de casa que a invaso pode comear. A salmonela uma bactria perigosa, que ataca os ovos. Roberto diz que no devem ser estocados na porta da geladeira. Os ovos no podem sofrer trepidao e a parte que mais sofre trepidao da geladeira justamente a porta! Com a trepidao, a casca do ovo se quebra, e isso aumenta o risco de contaminao. O ovo rachado deve ser jogado fora, orienta o especialista. Mas na guerra contra as bactrias, a indstria de alimentos usa armas mais potentes. No passado mais distante, o homem usava o sal, o fogo e algumas especiarias para conservar a comida. Depois vieram a geladeira, a pasteurizao, os conservantes qumicos. Agora, no sculo XXI, a indstria j usa at energia nuclear. A irradiao de alimentos uma forma de impedir que sejam contaminados pelas bactrias. As caixas com alimentos entram por trilhos e passam pela fonte de cobalto, que sobe para a superfcie quando o irradiador entra em ao, entrando em contato com o produto e mata os microorganismos que esto presentes nos alimentos. Para o professor Dirceu Vizeu, da USP, o mais difcil descobrir a dose certa para cada alimento. O problema fazer com que as modificaes no desejveis ainda deixem o alimento apto ao consumo humano. No h risco nenhum, a no ser o fato de que eventualmente no vai ter gosto bom, explica o fsico. Pela lei, a indstria teria que indicar no rtulo que o produto foi irradiado. Isso poderia assustar os consumidores. uma tecnologia segura, no oferece risco nenhum para o consumidor, apenas uma questo de esclarecer. Provavelmente, as pessoas j esto consumindo alguns alimentos irradiados sem saber, declara Ariel Mendes, vice-presidente da Unio Brasileira de Avicultura. Irradiamos, principalmente, especiarias, como pimenta-do-reino, cebola desidratada, alho desidratado. A empresa que vende no coloca isso no rtulo para o consumidor porque ela entra numa pequena parcela do alimento, como um tempero, justifica o engenheiro Paulo Rela. Fernando Bignardi, mdico homeopata da Universidade Federal de So Paulo, no recomenda alimentos irradiados. Se o mtodo de radiao se disseminar, vamos ter um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Cada um deles est dentro da faixa de segurana, mas juntando todos, no sei onde a gente chega, questiona Fernando.

ALIMENTOS SADIOS.

Foi o medo do agrotxico que fez o agricultor Luiz Carlos repensar o trato que vinha dando terra. Cada vez que precisava usar o veneno na lavoura, se preocupava com a famlia. Pedia para minha esposa recolher as crianas para dentro de casa. Sempre tive medo do agrotxico, conta Luiz Carlos. O alerta chegou h 11 anos para seu Milton, numa visita a uma feira de alimentos. Ele se impressionou com a falta de cuidado dos agricultores, queria produtos mais limpos e saudveis e resolveu plantar sua prpria lavoura. Em vez da terra, usou a gua - a tcnica a hidroponia. As verduras so plantadas em tubos plsticos e irrigadas com gua que recebe os mesmos nutrientes da terra. O resultado so alimentos limpos, como o seu Milton queria. O produto hidropnico ainda no to popular entre os consumidores, apesar de ser considerado um dos mais saudveis. Mas deve-se ter cuidado com a gua usada na plantao. A gua utilizada por seu Milton vem de uma nascente e chega limpa ao reservatrio. Em uma pesquisa da Universidade Estadual do Rio, a nutricionista Mrcia Madeira j identificou que 80% das hortas do estado do Rio tm algum tipo de contaminao. Com a poesia de Olavo Bilac, seu Targino faz uma declarao de amor ao ofcio que escolheu. Em um pedao de terra encravado na favela da Mar, no Rio, os canteiros de concreto ganharam cores. Homens e mulheres viraram agricultores voluntrios, numa horta comunitria e totalmente orgnica. Seu Targino passa o dia todo na horta - foi ele quem plantou as primeiras sementes. O carinho retribudo com os frutos que vo crescendo. Um orgulho que quer deixar de herana para outras geraes. No quero me engrandecer no, mas vou deixar isso para mostrar e para que as crianas sigam meu exemplo.

RECEITA IDEAL.

O cardpio do brasileiro mistura no mesmo prato arroz, batata frita, carne, massa, farofa. Tudo isso consumido ao mesmo tempo alimenta, mas nem sempre faz bem sade. A mdica Jane corona mostra como os alimentos podem ser combinados de forma saudvel: Se botar muita coisa no prato, no absorve nada. Segundo Dra. Jane, a mistura mais comum da comida do brasileiro, arroz, feijo e bife tambm uma das melhores do nosso cardpio. O arroz e o feijo tm aminocidos que se complementam, explica. O tutu de feijo, que vem com paio, cebola, farinha, considerado uma mistura pesada. Fica uma digesto difcil. O mais comum servir a massa com molho de tomate, mas esta no a melhor combinao. D muita acidez. O bom acompanhamento da massa so verduras e legumes, ensina. A escolha deve ser feita tambm sempre entre o arroz e a batata, nunca os dois juntos. Seno fica com excesso de carboidrato. No buf de saladas, poucas restries e muitos alimentos que previnem doenas. O broto excelente, quando a pessoa precisa de energia e tambm tem muitas vitaminas do complexo B. O tomate rico em substncias que nem todo mundo pode comer. Segundo Dra. Jane, ele tem licopeno, que usado no combate ao cncer de prstata. Mas aqueles que tm cido rico aumentado, deve evitar o tomate, avisa Jane. Para quem no pode consumir tomate, existem substitutos. A cenoura tem vitamina A, o pimento amarelo, a pimenta. A cor amarela boa para regenerar os tecidos, explica a mdica. A doutora Jane tambm diz que no se deve comer salada antes das refeies, como a maior parte dos brasileiros faz. A salada ajuda na digesto da dieta. Voc come um alimento - bom comer essa comida junto com a salada ou a salada depois, pra facilitar justamente a digesto.

GLOBO-REPRTER:GUERA CONTRA A GORDURA8 DE MARO DE 2002.

UM TTULO DE PESO.

Lagoa dos Trs Cantos, um lugarzinho desconhecido no noroeste do Rio Grande do Sul. So apenas 1.650 habitantes. Um mdico da regio descobriu que 60% da populao est muito acima do peso. Com isso, Lagoa dos Trs Cantos acabou ganhando um ttulo que no l muito lisonjeiro: ela , talvez, a cidade mais gorda do pas. Quase todos os moradores so descendentes de alemes. Uma famlia magrinha coisa rara. Normal por l ter mais de 100 quilos! Aqui tem muita festa, muita cuca, muita cerveja. Os alemes tm por costume comer cinco, seis qualidades de comida ao mesmo tempo, e isso coisa que engorda", justifica Sueli Koppher, dona de casa. Cuca uma receita antiga dos imigrantes, obrigatria no caf da manh, no lanche, no almoo, no jantar. uma massa de bolo, com recheio doce, e ainda tem acar caramelado por cima. A cidade vai experimentar vida nova. O objetivo de todos: perder dezenas de quilos e se livrar da ameaa das doenas que vm com a obesidade - diabetes, hipertenso, trombose. A proposta de um regime coletivo foi de mdicos de So Paulo. E o prefeito da cidade, orgulhoso dos seus mseros 69 quilos, adotou a idia. "Para mim, vai ser um desafio saber como a populao se comporta. Presumo que devam perder bastante peso, comendo muito bem, tendo pequenas modificaes no seu hbito, como tirar a gordura, que parece estar presente em todas as comidas", explica o endocrinologista Alfredo Halpern. Uma despedida em cada casa. A famlia Hoffmann convidou a equipe do Globo Reprter para o ltimo banquete. Para eles, em uma boa refeio, vai um pouco de tudo: pernil de porco, batatinha frita, macarro com molho de carne, po e salame e a cuca. Tudo feito com banha de porco, estupidamente calrica. de enlouquecer. Na nova dieta, vo poder comer s metade disso, durante um dia todo. Vo comer a cuca, mas provavelmente no tanta cuca quanto comiam anteriormente", diz o endocrinologista. E vai ter que ser um pedacinho mesmo. A meta para todos que fizerem o regime perder 5% da massa corporal em trs meses. Os Hoffmann apostam que vo conseguir.

REGIME COLETIVO.

uma epidemia:60% dos americanos esto acima do peso; 30% so obesos. Nos ltimos trs anos, a populao dos Estados Unidos engordou duas vezes e meia o que havia engordado nas quatro dcadas anteriores. Este ano, a obesidade vai ultrapassar o tabaco como o inimigo pblico nmero 1 da sade dos americanos. O problema social. Os mais ricos conseguem emagrecer, compram livros e programas de dieta, freqentam spas e academias. Os mais pobres comem alimentos mais baratos - mas menos saudveis -, tm menos acesso a informaes sobre dieta e se exercitam pouco. Nas grandes cidades americanas, a cultura do automvel incentiva a preguia. A crescente epidemia de obesidade obrigou as autoridades a tomar providncias. O primeiro prefeito americano a declarar guerra gordura um ex-obeso: John Street, o prefeito de Filadlfia. H trs anos, a cidade, de maioria negra, era a campe da obesidade no pas. Agora caiu para o quarto lugar. Filadlfia o bero da independncia dos EUA, declarada em 1776. Por isso, 76 o nmero da cidade. Est at no nome do time de basquete de Filadlfia. No ano 2000, o prefeito lanou a campanha 76 toneladas em 76 dias. Trinta mil pessoas se inscreveram no programa. O prefeito contratou a professora de ginstica Gwen Foster para ser a czarina da boa forma. Para a cidade emagrecer 76 toneladas, bastaria que cada participante perdesse 2,5 quilos. Mas, ao fim dos 76 dias, Filadlfia s tinha emagrecido onze toneladas. Hoje, Gwen Foster, que continua na guerra obesidade, no se considera derrotada. Afinal, Filadlfia deixou de ser a cidade mais gorda. O que mais deu certo na campanha foi a idia de formar grupos de apoio que se renem na hora do almoo. Surgiram grupos nos locais de trabalho, como enfermeiras que trabalham no mesmo hospital. Todo dia, saem para caminhar mesmo que a temperatura esteja bem perto de zero. No toa que Filadlfia virou a capital dos gordos nos Estados Unidos. O prato mais popular da cidade, famoso em todo o pas, um sanduche cheio de carne, queijo, cebola frita e muita gordura. Um cozinheiro garante que come s dez por semana, mas os colegas revelam que, na verdade, ele devora dez por dia. A campanha do emagrecimento dividiu Filadlfia. Quem contra parece decidido a recuperar as toneladas que o outro lado est perdendo. No centro da cidade, um mercado demonstra que a gordura no tem nacionalidade. A mais popular a comida dos Amish, colonos de origem holandesa, que oferecem pores gigantescas. A favor da campanha da prefeitura, s mesmo uma cozinheira que faz um cheese steak vegetariano. Parece carne assada, mas uma massa de trigo, marinada no tempero especial de dona Alfonsi. At d para enganar, tem gosto de carne. O exemplo de Filadlfia serviu de inspirao para Brooklyn. O novo administrador da regio mais obesa de Nova York vai lanar em abril uma campanha de emagrecimento. Ser um concurso entre os bairros do Brooklyn para ver quem emagrece mais.

CRIANAS DE OLHO NA BALANA.

Faz um ano que Vincius, Camila, Damio e Vnia esto em uma corrida, mas no um contra o outro. Cada um nada na prpria raia, lutando contra um problema comum: a obesidade. No faz muito tempo, tinham outro perfil e muitos quilos a mais. Para quem morria de vergonha do prprio corpo, a piscina era um poo de angstias. Hoje, vitrine para as novas medidas. A maior transformao a de Vincius. Aos 12 anos, pesava 75 quilos. Hoje, um ano mais velho, exibe feliz o novo visual, 16 quilos mais leve. Ao vencer a obesidade, Vincius conquistou mais que um corpo saudvel. Era um menino deprimido, triste. Mudou muito com os amigos e com a famlia, conta Neusa de Oliveira Ricci, me do Vincius. Junto com a turma da natao, Vincius virou exemplo, estmulo para um grupo de jovens que comeam a luta para emagrecer. No campus da USP de Ribeiro Preto, a obesidade atacada por todos os lados: enfermeiras, psiclogos, professores de educao fsica e nutricionistas ajudam jovens a perder peso em meio s transformaes da adolescncia. A idia recuperar o tempo perdido e compartilhar experincias, para no errar de novo. A partir de agora, a ordem correr das gorduras e queimar os excessos. Exerccio bom para perder peso. Uma das maneiras clssicas e mais saudveis para entrar em forma. Mas, para quem est acima do peso preciso ir com cuidado, para todo o esforo no acabar em um gol contra. Uma lei contra a gordura. Em Santa Catarina, lanche de escola tem de ser saudvel. Desde o comeo do ano, proibido vender frituras, salgadinhos, doces e refrigerantes nas escolas. Parece uma imposio indigesta, mas a lei catarinense foi sugesto de pais, nutricionistas e educadores preocupados com a dieta pesada das crianas. S que no fcil ditar um cardpio saudvel. As bocas se acostumaram s delcias proibidas, e as novas regras no interferem no lanche que vem de casa. Mas a nutricionista Anglica Magalhes acha que, aos poucos, os alunos vo tomar gosto por um lanche mais sadio. Se a nova regra vai pesar no desenvolvimento dos alunos, coisa que as balanas e fitas mtricas diro daqui a um ano. Mas os catarinenses no contam s com a lei. Nas creches de Florianpolis, de pequeno que se planta o pepino, a melancia, o melo... que se aprende a gostar de frutas, verduras e legumes. Ainda longe das tentaes das cantinas, os pequenos j crescem comendo com qualidade. Nada melhor do que aprender cedo o b--b da sade. E se a escola vira parceira, a lio para sempre.

UMA QUESTO DE SADE.

Uma imagem que choca: 180 quilos. Um desejo na fila de espera: fazer a cirurgia de reduo do estmago para emagrecer e ficar um homem saudvel como o irmo. O metalrgico Marivaldo Barboza tambm j foi obeso. Pesava trs vezes mais do que hoje. Estava morto! No vivia, no tinha vida, nenhum sentido. No tinha amor prprio", conta. Com 160 quilos e deprimido, Marivaldo viveu trancado no quarto durante um ano. No queria ser visto por ningum. "S quem sente o peso de carregar a gordura de uma obesidade mrbida sabe o quanto ela mata. No s a massa corporal, mata sentimentalmente. Voc perde desejos do ser humano", diz Mrio Barboza. No s uma questo esttica. Marivaldo, gordo, teve uma sucesso de doenas: trombose nas pernas, e quase a amputao delas; uma embolia pulmonar que o deixou em coma na UTI. No podia mais esperar. A sorte foi ter convnio mdico, que bancou parte das despesas. Hoje, estou fazendo coisas que no realizava. Ser pai, por exemplo, avalia. Desempregado, Mrio, irmo de Marivaldo, no tem convnio mdico. Est h mais de dois anos na fila do SUS, aguardando uma chance. Por trs vezes, j esteve praticamente na sala de cirurgia. Mas no havia vaga na UTI. A cada tentativa frustrada, Mrio fica mais traumatizado, mais ansioso, e mais gordo. No fundo, desisti, revela. Mrio corre contra o tempo. Est em um grupo de risco com centenas de outros obesos que vivem a agonia da espera na fila do SUS. Em quatro anos, a quantidade de operaes nos hospitais pblicos cresceu 700%. Mas no chega nem perto da necessidade. Hoje, s em um hospital de So Paulo so 300 pessoas aguardando a vez. Diminuir o tamanho do estmago de um obeso muito mais do que uma simples cirurgia. Antes e depois, a operao exige o empenho de vrios especialistas. No soluo mgica, como muitos pacientes imaginam. "A cirurgia obriga o paciente a aprender a se realimentar e, a partir da, perder peso", explica Carlos Arasaky, gastro-cirurgio. Eles ganham muito mais do que um corpinho elegante. A equipe da Universidade Federal de So Paulo j comprovou outros benefcios. Depois da cirurgia, a maioria dos pacientes no sofreu mais com a ansiedade e a compulso alimentar. A depresso grave, que aparecia em 73% dos pacientes pesquisados, caiu para 10%. No mgica e pode no ser o fim de todos os problemas. A cirurgia, para muitos pacientes, pode trazer novos transtornos: alimentares e psicolgicos. s vezes, to graves quanto antiga obesidade mrbida. Era uma vez uma mulher que pesava 153 quilos. Um ano depois da cirurgia, tinha perdido 64 quilos. Um sucesso acompanhado de um pesadelo: em vez de comer compulsivamente, Joyce Fornari simplesmente parou de se alimentar. Era anorexia. Por falta de nutrientes, a depresso voltou. O remdio, um velho conhecido: a dieta, agora para fortalecer e equilibrar o organismo. O que como hoje, fao-o com prazer. Ento, uma salada de rcula, com fil de frango, me d gua na boca", garante. Joyce, com 80 quilos e manequim 46, enfim, est em paz com a balana e com a comida. J se passaram trs anos. Agora, saborear cada conquista.

LOUCOS POR COMIDA.

A crise, muitas vezes, vem no meio da madrugada. O sono interrompido, e o ataque voraz geladeira. Compulso no gula, nem falta de vergonha. uma doena. Entre os obesos, 40% tm esse transtorno. Um destino traado no s pela gentica. "O que a gentica discute que, talvez, haja algum papel para o aumento da compulso, no s para alimentos, mas para exerccios compulsivos, lcool, drogas, compras, jogos. Seria alguma coisa ligada impulsividade", explica Taki Cords, psiquiatra especialista em transtornos alimentares. Comendo, a fonoaudiloga Regina Segalla ganhou 30 quilos em poucos meses. Encontrou ajuda em um grupo de apoio a portadores de transtornos alimentares, que tambm trata de muita gente, vtima das chamadas dietas milagrosas. Essas dietas so criminosas, realmente estimulam outras complicaes, alm da doena que o indivduo j tem. A compulso uma delas e vem carregada com outros problemas psiquitricos, principalmente a depresso", declara Taki Cords. A medicina ainda no descobriu a cura para a compulso. Mas, com o apoio de uma psicloga e de uma nutricionista, Regina est conseguindo controlar as crises. E a mulher que um dia se sentiu destruda agora j sabe lutar para voltar a ser a pessoa que era. "Estou voltando a me controlar. Antes, quem me dominava era a comida ou outras situaes", diz.

GLOBO-REPRTER: CURA PELOS ALIMENTOS12 DE JULHO DE 2002.

SABOR APIMENTADO.

Nunca corte uma pimenta sem luvas - ela pode queimar a pele. Mas coma sempre, tudo o que quiser, com esse delicioso tempero. Pimenta faz bem sade. A Embrapa analisou vrias pimentas e fez descobertas surpreendentes. Justamente a parte que arde, chamada capsaicina, a melhor novidade para a sade. Ela impede a coagulao do sangue e, portanto, evita tromboses. A pimenta tambm tem vitamina E, e chega a ter seis vezes mais vitamina C do que a laranja. Reduz o risco de doenas como o cncer, a catarata, o mal de Alzheimer, diabetes, explica a farmacutica Daise Lopes. A pesquisa cientfica elevou o status da pimenta de simples tempero para poderoso aliado no controle da nossa sade. Mas um detalhe importante: a pimenta-do-reino deve ser evitada porque no pertence ao grupo das pimentas com capsaicina. Das que so boas para a sade, a malagueta e a dedo-de-moa so as mais conhecidas. A jalapeo, originria do Mxico, tem uma ardncia bem baixa, mas a pele bem saborosa. A cumari amarela do Par. Tem ainda a pimenta-de-cheiro vermelha e amarela, que em algumas regies do pas chamada de pimenta-bode. Fabiana estuda as pimentas h pouco tempo, mas j virou uma especialista. Nem todas ardem, e mesmo as mais poderosas so agradveis se usadas com moderao. O importante a dose certa de pimenta, para que sinta o alimento. No tem que sentir s a ardncia, tem que ser saborosa", explica. Na sobremesa, que tal um sorvete de creme e biscoito de chocolate, com calda de abacaxi e pimenta? Para fazer a calda, tem que colocar o abacaxi, a pimenta dedo-de-moa e o acar e deixar aproximadamente uma hora e meia apurando no fogo. Para cada abacaxi, meio quilo de acar e duas pimentas sem semente, conta Fabiana. Pimenta tambm faz bem para o humor. No a toa que o povo baiano, um dos mais alegres do pas, tambm o maior consumidor de pimentas. Atuam no crebro estimulando a produo de endorfina, o hormnio que produz a sensao de bem-estar. um remdio natural, um alimento funcional completo.

A COR DA SADE.

A pesquisa avana. H pouco tempo os cientistas anunciaram que o tomate ajuda a prevenir o cncer de prstata. Agora, descobrem que a melancia to boa quanto o tomate, que a goiaba vermelha duas vezes mais poderosa. E a pitanga, essa frutinha quase esquecida, a campe quando se trata de fonte natural de licopeno. O licopeno, um pigmento encontrado principalmente nas frutas vermelhas, um antioxidante capaz de controlar a ao destruidora dos radicais livres. Com esse potencial antioxidante ingerido, voc tem preveno contra doenas como o cncer, por exemplo", explica Delia Amaya, coordenadora do laboratrio da Unicamp. O laboratrio da Universidade de Campinas um dos mais respeitados do mundo na pesquisa de pigmentos naturais: os carotenides. Matria-prima para pesquisa o que no falta por aqui. A variedade de frutas que temos tanta, que o Brasil j poderia at dispensar a importao. O caso do kiwi, por exemplo, foi promovido no mundo inteiro por propaganda muito forte. Mas kiwi no tem o mesmo valor nutricional para a sade que muitas frutas brasileiras. Kiwi no tem licopeno. Goiaba vermelha, como o Brasil produz, tem licopeno", explica Delia. Oscar controla h trs anos um cncer de prstata com uma dieta rica em licopeno. Estava no comeo da prstata e meu mdico me aconselhou a carregar no tomate, conta Oscar. O PSA, que indica a gravidade do cncer de prstata, j esteve em quase nove. Agora, est em 0,1, apenas. H cinco anos o urologista gacho Gustavo S vem recomendando uma dieta para complementar o tratamento convencional do cncer de prstata. Os pacientes podem fazer cirurgia, radioterapia, mas no podem deixar de comer alimentos ricos em anti-oxidantes. Tem funcionado para a cura e tambm para a preveno. Basicamente isso:tomate, derivados de soja, gros, e principalmente a baixa ou a diminuio das gorduras saturadas, principalmente da carne vermelha, explica Gustavo. Seu Oscar venceu o cncer com medicamentos, sem nunca abandonar a receita do mdico: comer, pelo menos, trs pores de derivados de tomate por semana. Comer ma todos os dias tambm no nenhum sacrifcio. Quem ajudou a mudar esta histria foram os descendentes de italianos da serra gacha. Os pomares de Veranpolis esto entre os mais antigos do pas. Foram plantados h mais de 60 anos. Aqui tambm o lugar do Brasil onde as pessoas vivem mais tempo. Estudos esto revelando que no simples coincidncia. Foi em Veranpolis a descoberta dos pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul de que a ma um fator importante pra se chegar idade avanada. Seu Pedro no aparenta os 68 anos de trabalho duro. Como trs por dia, conta. Para a equipe que estuda estes hbitos desde 94, o consumo da fruta foi fundamental para que os moradores de Veranpolis atingissem a maior expectativa de vida do pas. Os veranenses vivem 10 anos mais que a mdia nacional, que de 68 anos. A ma um antibitico, um anti-inflamatrio, auxilia nos tratamentos das diarrias, cnceres, previne doenas do corao, esquemia cerebral, melhora a funo pulmonar, explica a geriatra Carla Schawanke. Graas a uma substncia chamada quercitina, que tem ao antioxidante e retarda o envelhecimento das clulas.

PIZZA SAUDVEL?

Comida de domingo. Para a famlia toda. Ou refeio naqueles dias de pressa. Com vocs, sua majestade, a pizza. A inveno italiana caiu no gosto dos brasileiros j faz tempo. A novidade agora que esse alimento que para muita gente representa um risco sade pode ser exatamente o contrrio. Pizza para prevenir doenas. Ser possvel? A frmula um segredo. Inveno de um grupo de universitrias: uma massa parda, onde est um nutriente que comemos pouco, mas precisamos muito. Essa massa tem um alto teor de fibras, solveis e insolveis, e foi produzida tecnologicamente para que tivesse uma aceitabilidade alta, explica Monique, uma das inventoras da receita. As fibras insolveis so aquelas encontradas nas hortalias, boas para o intestino. As solveis so um tipo mais raro. Jil, feijo carioquinha, aveia, maa e caqui - so alimentos que tm fibras solveis. No organismo funcionam como barreiras contra o excesso de glicose e gorduras. Por isso, pizza enriquecida com fibra solvel faz bem. A fibra, por exemplo, pode regular o acar no sangue controlando a incidncia de diabetes na populao. Pode diminuir a absoro pelo organismo de triglicerdeos e gorduras, fazendo com que o indivduo tenha menos arteriosclerose e menos doenas cardiovasculares, explica a pediatra-clnica Cristina Senna. Sobre a massa, recheio leve. Molho, mussarela de bfala - que menos gordurosa - e tomate. Ser que tem gosto de remdio? crocante, light e muito gostosa, garante um pizzaiolo. No corao do Brasil, na vegetao do cerrado, j brotaram outras duas fontes de fibras solveis: a quinoa, um gro de origem andina, e o amaranto, espcie mexicana. As plantaes em Braslia por enquanto so uma experincia da Embrapa. Mas na casa de dona Beatriz Pellizzaro os gros j foram para a panela! Fiz o biscoito com quinoa e com o biscoito preparei os canaps - usei pat de tofu, queijo de soja - coloquei um pouquinho de amaranto dissolvido em carragena, uma alga marinha, conta. At o corante e a sobremesa so naturais. gelatina de alga marinha, explica. O suco vem de uma semente, feito de linhaa tostada. Me e filhos trabalham juntos na cozinha, unidos tambm pela dieta naturalista. Nunca comi carne, chocolate s eventualmente. Gosto, mas no sinto falta, diz a filha. Para a famlia Pellizzaro, comida remdio. Nabo um timo desintoxicante e bom para gripe tambm, explica Beatriz. Para quem acha a dieta muito estranha, os Pellizzaro mostram resultados. Na famlia, ningum toma remdio. Dificilmente adoecem. As filhas foram da escola pblica direto para a faculdade. A famlia vive em harmonia. Praticam juntos montanhismo. Para eles, sade tudo isso. E todos vo bem.

YES, NS TEMOS BANANAS.

Ao longo do litoral brasileiro, milhes de bananeiras revelam a nossa vocao tropical. Em algumas regies, as plantaes cobrem de verde milhares de hectares, como no Vale do Ribeira, sul de So Paulo. Foi l que dona Helosa tentou ser fazendeira. Mas descobriu, rapidinho, que o negcio no era to fcil. Os cachos so colhidos ainda verdes. O que no encontra comprador vira lixo. E de tanto ver o desperdcio, dona Helosa foi inventando um jeito de aproveitar as sobras. Comecei com a sopa, depois a casca. Como no tinha po, nem nada, comia a casca, porque sentia que parecia uma vagem refogadinha, conta. Comer banana verde tradio no Vale do Ribeira. Depois de cozida, claro. Mas ningum imaginava que a banana verde poderia ser to verstil. Dona Helosa foi descobrindo que d para fazer qualquer coisa com a massa. Batizou a receita de bio-massa e a usa para incrementar o cardpio - de bombom a pasteizinhos. bom para economizar e agregar valor nutritivo comida. A novidade que s a banana verde tem amido resistente, uma substncia que se perde quando a banana amadurece. O amido resistente funciona como um modulador dos nveis de colesterol e glicose no sangue. A banana verde bom para a reduo do colesterol, para preveno e tratamento do diabetes e do cncer do clon, e para aumentar a absoro dos nutrientes do organismo, pois favorece uma boa sade intestinal. Isso uma idia comprovada em animais, estamos agora comeando a verificar em humanos", conta a nutricionista Valria Paschoal. A dvida : ser que o amido resistente continua funcionando, com todas as suas propriedades, depois que a banana verde cozida? Essa a pesquisa que uma equipe da Universidade Federal de So Paulo est fazendo. Esclarecer isso fundamental para saber se a bio-massa da dona Helosa mesmo um novo alimento funcional ou apenas um complemento nutritivo. Depois de pesquisar 15 variedades de bananas, os cientistas j comprovaram vrios benefcios da fruta. Uma delas, a banana missouri, surpreendeu at os pesquisadores. Ela tem o dobro de fibras de outras variedades e metade do teor de acares, explica o professor de nutrio Franco Lajolo. Acrescentar vitaminas ao prato do brasileiro tambm desafio para os tcnicos dessa fazenda experimental, em Braslia. A plantao um exemplo da busca por um alimento mais saudvel. Aqui est nascendo uma cenoura com mais 35% de vitamina A do que as cenouras comuns. Falta de vitamina A pode causar desnutrio grave em crianas e at cegueira. O agrnomo mostra a diferena: a cenoura comum tem a parte superior esverdeada e mais clara nas laterais. A nova cenoura desenvolvida recebeu o nome de alvorada. Tem a cor mais alaranjada, o que significa um maior teor de carotenides. Se tiver o hbito de comer uma cenoura que tem um contedo de carotenide, de pr-vitamina a maior, vai ter reduzida a sua chance de contrair alguma doena, do tipo avitaminose A, que um problema srio em algumas regies do Brasil, esclarece Jairo Vidal Vieira. De gro em gro, essas galinhas enchem o papo de milho, soja e carvo vegetal. A rao vitaminada servida em uma granja de Jaboticabal, no interior de So Paulo, resultado de uma pesquisa para reduzir o teor de colesterol do ovo. Os cientistas descobriram que o carvo de churrasqueira modo cria uma espcie de purificador no organismo da galinha. O carvo retm parte do colesterol e os dois so eliminados nas fezes. Testes de laboratrio comprovaram que o ovo da galinha alimentada com a rao com p de carvo tem 22% menos colesterol do que os ovos comuns. Os cientistas constataram tambm uma reduo de 30% do colesterol na carne das galinhas poedeiras.

PODER DO SOLO.

J foi o tempo em que as flores serviam apenas para decorar. A capuchinha uma das flores mais saborosas que se pe mesa. O gosto lembra o do agrio. mais um surpreendente alimento funcional. A capuchinha tem dois pigmentos que so essenciais para a preveno da cegueira dos idosos. O Brasil um dos pases mais ricos do mundo em fontes de vitamina A. Todas as regies tm suas estrelas. O buriti, no Norte. O pequi, no cerrado. O caj e o leo de dend, no Nordeste. O leo de dend est sendo utilizado em programas de combate deficincia de vitamina. Aos poucos, a cincia encontra nas frutas nativas o mesmo potencial antioxidante de outras frutas j conhecidas, como a laranja, o mamo, a manga. Aquilo que enche os olhos de to colorido, remdio puro, que o Brasil tem para dar e vender. "O Brasil ainda no aproveita todo o seu potencial. Tanto assim, que vrias equipes internacionais vm em busca do estudo desses alimentos brasileiros. preciso que o pas coloque o foco na sua riqueza, identifique-a e a aproveite, acredita Glucia Pastore da engenharia de alimentos da Unicamp. O risco que, se no sabemos o que temos, e outros grandes grupos internacionais sabem, vo estudar e depois retornam esse prprio alimento funcional como um nutracutico, um comprimido, uma drgea, diz Glucia.

A VERDADE DO LIGHT.

Obesidade nos Estados Unidos virou epidemia: 30% dos americanos so obesos e mais da metade est acima do peso. Essa exploso de gordura nos ltimos dez anos coincidiu com a moda dos produtos diet, light e fat free, ou seja, sem acar, ou sem gordura. A indstria dos dietticos fatura US$ 50 bilhes por ano. E pelo visto no est fazendo efeito. Roselle e Danielle so duas jovens americanas tpicas. Para os padres obesos do pas at que no so muito gordas. Para casar, diz Roselle, os rapazes querem garotas cheinhas. Mas tm que se cuidar para no engordar mais. A geladeira est cheia de produtos dietticos. No adianta nada, dizem. A gente come produtos light porque acha que so saudveis. Acaba comendo muito mais do que deveria, reclamam. A nutricionista Lisa Sasson foi conosco ao supermercado. Ela condena molhos diet de salada. O azeite dos molhos normais faz bem sade, diz. Ajuda o corao. Tirar da dieta justamente essa gordura boa perigoso. um erro achar que a gordura o inimigo. Algumas formas de gordura so essenciais, complementa. Uma dvida que a gente tem quando vai ao supermercado que po comprar. Qual o po saudvel e que no engorda? Segundo Lisa, o po de trigo integral, que supernutritivo. J o po light no bom: pobre em nutrio, no satisfaz. Voc acaba comendo mais do que deveria, explica. E os sorvetes sem gordura? Lisa d a dica: No coma. A gordura que d um gosto bom e sacia o apetite. Por isso vai acabar comendo mais desse sorvete sem gordura. melhor comer sorvete normal. Uma bola s j satisfaz, com frutas frescas. No se deve comer sorvete fat free, avisa. Muita gente ao tomar caf prefere botar adoante em vez de acar achando que assim no vai engordar. As pessoas se entopem de calorias na refeio e no fim tomam caf com adoante. um erro. Os adoantes esto cheios de produtos qumicos. Podem fazer mal sade, ensina Lisa. Arroz e feijo: o que o brasileiro come todo dia. Isso engorda ou no? super saudvel. O feijo muito nutritivo, tem bastante protena, faz baixar o colesterol, rico em fibra. E o arroz em pequenas pores tambm timo, garante a nutricionista.

INFORMAES TEIS.

PIMENTA:

- Fabiana Gonalves - Especialista em pimentas. Telefones: 031-11-4427-8899/4437-1598.

- Alessandro Segatto - Chefe de cozinha dos pratos de pimenta. Telefone: 031-11-3068-8605. Rua Joo Manuel, 1156 Jardins - So Paulo.

- Daise Lopes - pesquisadora farmacutica. Telefone: 031-21-2410-7441. E-mail: dlopes@ctaa.embrapa.br

- Risoto de Pimenta:

2 xcaras de arroz arbreo (de fcil cozimento, para risoto);

2 xcaras de moranga cortada em cubos;

500 ml de gua com um tablete de caldo de galinha diludo;

2 colheres de sopa de manteiga;

1 colher de sopa de alho amassado;

2 pimentas de tamanho mdio, doce, tipo cambuci;

1 pimenta doce americana;

1 pimenta jalapeo.

Modo de fazer:

Coloque a manteiga para fritar com o alho. Jogue a moranga para fritar. Pique as pimentas - sem sementes - em rodelas. Refogue na mistura de manteiga e alho. Coloque na panela o arroz lavado e frita a mistura por 15 minutos. Jogue os 500 ml de gua na panela. Ferva por 15 a 20 segundos, em fogo mdio, com a panela tampada. Regule o tempo conforme o gosto da consistncia do arroz. Se preferir, sirva com queijo ralado.

- Sorvete com calda de pimenta:

Use sorvetes de creme, flocos - evite sorvetes de frutas.

Para fazer a calda:

1 abacaxi tamanho mdio;

500 g de acar;

3 pimentas vermelhas dedo-de-moa sem sementes.

Modo de fazer:

Pique o abacaxi, coloque no fogo com acar. Deixe uma hora fervendo tampado. Pique as trs pimentas, coloque na fervura do abacaxi com o acar e cozinhe por mais 10 segundos. Mexa bem para a pimenta pegar na calda. Sirva quente em cima do sorvete.

TOMATE:

- Pesquisas com tomate e outras frutas com licopeno na Faculdade de Engenharia de Alimentos - FEA, da Unicamp, em Campinas Telefone: 031-19-3788-4097 - glaupast@fea.unicamp.br

- Dr. Gustavo S - urologista, que trata os pacientes com licopeno. Telefone: 031-51-3233-4832. Rua Antenor Lemos, 57, conjunto 811 - Porto Alegre - RS.

MA:

- Pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul que fazem pesquisa com a ma. E-mail: dcpuc@terra.com.br

- Prefeitura de Veranpolis, terra da longevidade. Telefone: 031-54-441-1477.

Receita do Ch de ma:

Uma ma com casca, cortada em rodelas;

Um punhado de ma seca;

3 a 4 cravos;

1/2 colher de ch de canela;

1 litro de gua;

Modo de fazer:

Ferva a gua com os ingredientes, por no mnimo 1h. Caso no encontre a ma seca, pode fazer s com a ma comum.

BANANA:

- Helosa Freitas Valle - Ex-bananicultora que inventou a comida com a fibra da banana. Telefones: 031-11-3487-2065/3088-1513. E-mails: noelj@uol.com.br filhmjm@ig.com.br

- Dra. Valria Paschoal - nutricionista que fala das propriedades da banana. Telefone: 031-11- 6966-6089 (VP Consultoria Nutricional). E-mails: nutrival@uol.com.br artnutri@artinutri.com.br

- Dr. Franco Lajolo - mdico da USP que fala das pesquisas. Telefone: 031-11-3091-3656.

- Receitas da Biomassa de Banana Verde:

Lave bem com esponja e detergente 10 bananas verdes cortando as pontas sem deixar aparecer a polpa (a que tiver o custo mais acessvel na regio). Em seguida, leve em uma panela de presso de sete litros com gua fervendo, suficiente para cobrir as bananas. Conte oito minutos a partir do incio da presso da panela. Separe as cascas das polpas e num processador leve apenas as polpas bem quentes para processar, at que fique uma massa homognea. Leve em um recipiente plstico e armazene em geladeira. Prazo na refrigerao: uma semana. Use apenas material de inox no processo, para no oxidar.

- Sucoban de laranjaIngredientes:

- 4 colheres de sopa de biomassa de banana (desmanchada em 1/4 de copo de gua quente);

- 600 ml de suco de laranja (natural ou pronto).

Modo de preparo:

Bata a biomassa dissolvida em gua quente no liquidificador e acrescente o suco de laranja. Se preferir mais doce, acrescente acar ou adoante a gosto. Sirva gelado ou sem gelo.

- Feijo Enriquecido com BiomassaIngredientes:

500 gramas de feijo: carioca, rosinha, roxinho ou de sua preferncia;

5 litros de gua para cozinhar;

0,5 colher das de caf de colorau em p ou urucum;

250 gramas de biomassa (sempre diluda em gua quente);

temperos: alho, cebola, ou outros de sua preferncia;

1 cubo de tempero prprio para feijo (se preferir).

Modo de Preparo:

Depois de cozido, tempere o feijo a seu gosto, retire oito conchas de caldo de feijo e leve ao liquidificador, onde j est a biomassa batida e o colorau em p. Bata bem e retorne a mistura panela do feijo j cozido. Deixe levantar a fervura e est pronto para servir. Desejando o caldo menos espesso, acrescente gua fervendo e deixe ferver por mais alguns minutos e veja o ponto de tempero.

- Arroz CascabanIngredientes:

2 xcaras de ch de arroz agulhinha;

500 gramas de casca de banana verde cozida e picada;

50 gramas de queijo ralado;

Sal a gosto;

1 colher das de sopa de margarina.

Modo de Preparo:

Cozinhe o arroz normalmente com os temperos de sua preferncia. Num recipiente prprio para forno, despeje o arroz cozido, a casca da banana cozida, picada em cubinhos pequenos, e margarina. Desejando enriquecer mais, acrescente cenoura ralada. Se desejar: pulverize com queijo ralado e leve ao forno para gratinar. Se no deseja to misturado, acrescente, apenas, a casca da banana verde picadinha.

- Viradinho de Casca de Banana VerdeIngredientes:

Casca de 5 bananas verdes e picadas;

2 colheres (sopa) de cebola picada;

3 ovos inteiros grandes;

300 g de queijo parmeso ralado;

1/2 xcara (ch) de leo;

1 limo grande, gua.

Modo de Preparo:

Lave bem as bananas e cozinhe-as na panela de presso por oito minutos. Depois, separa a polpa da casca. A casca ser colocada numa vasilha com gua e limo por meia hora ou at que saia toda a oleosidade. Corte-a com uma tesoura e, novamente, deixe de molho na gua com limo por mais 10 minutos. Logo depois, escorra a gua e refogue, numa panela, a casca com leo, cebola e sal. Quando estiverem bem cozidas, junte os ovos e mexa com uma colher. Se preferir, acrescente queijo ralado e sirva imediatamente.

- Carne Moda BanIngredientes:

300 gramas de carne moda;

700 gramas de casca de banana verde picada (igual o procedimento da casca da receita anterior);

Alho, cebola, pimento, tomate, sal a gosto, salsa (temperos);

2 colheres de leo.

Modo de preparo:

Numa panela, coloque leo, deixe o alho dourar, coloque a cebola e acrescente no refogado a carne e deixe refogar bem. Junte as 700 gramas de casca de banana picadas em cubinhos (o tomate picadinho, o pimento - se preferir). Coloque 1/4 de copo de gua, sal e mexa, tampe e deixa abafar. Por ltimo, coloque salsa picada e s servir.

- Iogurte ban:

2 iogurte lquidos sabor frutas vermelhas (200 ml cada);

2 colheres de biomassa de banana verde (previamente diluda em leite quente).

Modo de Preparo:

No liquidificador, leve a biomassa diluda no leite quente, bata at ficar cremoso. Acrescente o iogurte e leve geladeira. s servir.

CENOURA:

Pesquisadores que desenvolveram a cenoura com mais caroteno em Braslia. Telefone:031-61-385-9110. E-mail: sac.hortalicas@embrapa.br

OVO:

- Professor Dr. Pedro Alves de Souza - galinhas que comem carvo e produzem ovos light. Unesp de Jaboticabal - Departamento de Tecnologia. Telefones:031-16-3209-2675/2676/2677, ramais: 241 (sala) e 245 (laboratrio). E-mail:pasoz@fcav.unesp.br

PIZZA COM FIBRAS SOLVEIS:

- Patrcia Nunes - tcnica em alimentos e estudante de Farmcia, www.pizzafibra.hpg.com.br pizzafibra@ieg.com.br

GROS: AMARANTO E QUINOA - GROS SEM GLUTEN:

- Humberto Pelizaro - Da famlia naturalista que come e comercializa gros, quinoa e amaranto. Telefone: 031-61-274-9510. W3 Norte, quadra 715 - Bloco F - LOJA 63.

- Carlos Spehar - pesquisador que trabalha com quinoa e amaranto. Telefones:031-61-388-9965/388-9865.

- Associao Nacional de Produtores de Quinoa. Telefones: 031-11-3064-9564/3088-3487.

GLOBO-REPRTER: SADE MESA-19 DE JULHO DE 2002.

LOUCOS POR CARNE.

Para a maioria dos brasileiros, comer sem ela uma tortura. No h prazer na mesa se faltar a carne. Vermelha, de preferncia. Pode ser assada, frita, cozida, de qualquer jeito, mas bem temperada. As pesquisas comprovam: no Brasil, uma pessoa come, em mdia, quase 40 quilos de carne bovina por ano. O rebanho do tamanho da populao: 170 milhes de cabeas. Um boi para cada brasileiro. E ningum neste pas entende mais do assunto do que o povo do Rio Grande do Sul. Faz bem ou faz mal sade? A maioria dos gachos tem noo dos riscos e benefcios da carne vermelha. Mas, para eles, o que menos importa o teor de protenas e toxinas. Importante mesmo o sabor. E, no Rio Grande, carne saborosa vem sempre acompanhada de um ingrediente perigoso: a gordura. Gostosa e gordurosa. Mas no Rio Grande do Sul no se faz churrasco sem costela. o que dizem dois doutores gachos: Fernando Lucchese, cardiologista, e Jos Antnio Pinheiro, gourmet, doutor nas especialidades da carne. Para ele, s h uma parte do boi capaz de concorrer com a costela: uma gorda picanha. regra bsica do mercado bovino gacho: carne magra, sinnimo de prejuzo. Um empresrio vende 25 toneladas por ms. Venderia mais se traseiros encalhados no frigorfico tambm fossem gordos. No tem jeito. Talvez seja mais fcil fazer o boi voar do que convencer o gacho a comer carne sem gordura. "Acho que uma negociao mais complicada que a negociao da dvida externa", brinca doutor Lucchese. Como bom cardiologista, vive tentando mudar o cardpio do seu amigo gourmet. O hbito cultural, segundo os especialistas. A carne interfere at na arquitetura das cidades. Construir prdios sem chamins, em Porto Alegre, pode no ser um bom negcio. que os gachos levaram a churrasqueira at para dentro dos apartamentos. como banheiro, tem que ter", diz o empresrio Ivan Pinheiro Machado. Os mdicos advertem: as mulheres gachas tambm so vtimas dos males da carne. "O Rio Grande do Sul tem a maior incidncia de cncer de mama do pas. E temos um dos maiores ndices de colesterol do Brasil, com grande incidncia de enfartos e doenas coronrias", revela o cardiologista. H quatro anos as bilogas Ivana da Cruz e Maristela Taufer trabalham em uma pesquisa que investiga a herana gentica dos brasileiros. O estudo revela que o gene responsvel pela vontade de comer carne est relacionado serotonina, uma substncia que regula o nosso sistema nervoso, encontrada em protenas de origem animal. "O que se viu a que as pessoas comem muito mais carne quando tm a variante que precisa da serotonina", explica a geneticista Ivana.

DIETA VERDE.

Em uma fazenda no sul de Minas Gerais vivem monges que herdaram de seus ancestrais hbitos milenares, costumes sagrados dos grandes mestres indianos. Da vaca, s o leite para fazer iogurte. Da terra, quase tudo o que ela produz: frutas, gros, verduras. H milhares de anos a pimenta faz parte do cardpio dos monges. Receita da medicina vdica, a mais antiga medicina do mundo. Usamos em pouca quantidade, como remdio", diz o monge Dada Siddhesh. Mas a comida tem que ser farta. A recomendao da doutrina indiana. A cozinha uma das reas sagradas da fazenda. l que eles buscam manter a fora e o equilbrio espiritual, alimentando bem o corpo. Uma comida que consideram muito saudvel a feijoada - vegetariana, lgico. Uma feijoada rica em ingredientes. Como em qualquer feijoada, vai tudo para a panela. S falta a carne. Mas isso eles no querem nem ouvir falar. Os grandes animais so vegetarianos - o elefante, o cavalo. O ser humano no precisa de protena animal. Se comermos vegetais, frutas e gros, teremos todas as protenas", justifica Dada Siddhesh. Para eles, os vegetais tambm evitam um drama de conscincia na hora de comer. Uma jovem alem, adepta da doutrina dos monges, diz que carne significa morte. "Eu vi como eles matam os animais. A carne cheia de sofrimento. Agora tenho conscincia de que um pedao de morte", diz Anne Schultheiss, fisioterapeuta. Mas at nos vegetais h restries. Alguns eles no podem comer. Existem dois ingredientes que so proibidos no cardpio dos monges: o alho e a cebola. Por qu? O alho e a cebola estimulam os chacras bsicos e agitam nossas mentes. Para a prtica de meditao, voc tem que estar mais tranqilo. Segundo o doutor Mauro Fisberg, especialista em nutrio, os vegetais podem mesmo alimentar, inclusive o esprito. Mas o corpo precisa tambm de outros nutrientes. De protenas que s existem na carne, como a vitamina B12, muito importante para o nosso sistema nervoso. "Ela pode dar alteraes no funcionamento cognitivo, relacionado com a inteligncia, a memria e o aprendizado, e levar a alteraes importantes do funcionamento do dia-a-dia, alerta o nutrlogo Mauro Fisberg. O bom senso na hora de comer a melhor receita para uma alimentao saudvel, diz o doutor Mauro.

REPOSIO HORMONAL SEM REMDIOS.

Os gros amarelos guardam uma riqueza. Alm de fontes de protenas, a soja contm fito-estrognio, isoflavonas, a verso natural do mais importante hormnio feminino, que regula a sexualidade, o envelhecimento, a memria, a rigidez dos ossos. Essa grande aliada feminina, os asiticos conhecem h muito tempo. Na Coria, por exemplo, onde a soja base de toda a alimentao, cada pessoa consome em mdia vinte gramas de gros por dia, sob diversas formas. J est provado que isso que garante s coreanas o ndice muito baixo de cncer de mama. Apenas trs casos em cada cem mil mulheres. No Brasil a histria outra. Somos o segundo produtor mundial, com 41 milhes de toneladas na ltima safra, mas o consumo interno insignificante. E que diferena isso faz! Entre as mulheres na menopausa que fazem reposio hormonal - e so cerca de quatro milhes -, poucas usam o hormnio natural. A grande maioria faz a reposio convencional, com hormnios sintticos, enfrentando os riscos j conhecidos dessa medicao que vo do aumento dos casos de cncer de mama, a problemas cardacos e derrames. Para repor hormnios na menopausa, s a alimentao no suficiente. Entram em cena as cpsulas de isoflavona, o extrato de soja concentrado e o gel feito com inhame. A psicloga Maria Lcia Horta toma os hormnios naturais h quase oito anos, depois de vrias tentativas com os hormnios sintticos. Cheguei a tentar vrios tipos diferentes, dosagens diversas, todos os mais poderosos que iam chegando ao mercado o meu ginecologista mandava experimentar e nada funcionava bem. Com os fito-hormnios passou tudo, no sinto mais nada, conta. Solange Lima, terapeuta energtica, ainda nem chegou na menopausa. Mas j sente os efeitos desse perodo. Comecei com muita depresso, o sono piorou bastante, muita insnia, dificuldade de dormir, acordar e no voltar a dormir e os calores noturnos. Nunca me agradou muito tomar hormnio sinttico, queria alguma coisa alternativa, conta. Alm dos sintomas clnicos da menopausa, que seriam fogachos, ondas de calor, depresso, tontura, vertigem, formigamento, que fazem parte dos sintomas da menopausa, observamos que a melhora foi de 85% das pacientes que fizeram uso da isoflavona, revela Kyunk Koo Han, ginecologista da Universidade Federal Paulista. Mas o cardiologista Otvio Gebara adverte: a isoflavona um medicamento, pode ter efeitos colaterais, e no deve ser usada sem critrio. Tem que ter um acompanhamento do ginecologista. No acredito que o uso de isoflavona, de compra livre no balco da farmcia ou loja de produtos naturais, seja recomendvel ou seguro, alerta o mdico.

DIET X LIGHT.

O brasileiro est mais diet, ou, pelo menos, tenta ser. A cada ano, dezenas de novos produtos chegam ao mercado. Para alguns, promessa de sade. Para a maioria, o desejo da beleza. Nesse mundo de silhuetas bem delineadas, homens e mulheres, aos poucos, trocam as delcias do verbo comer pela difcil tarefa de resistir. As sobremesas conquistaram paladares em todo o mundo, mas as preferncias esto mudando. Nas casas de doces, o desafio retirar destas maravilhas dois ingredientes que fazem mal sade: gordura e acar. O cardpio variado, mas levar mesa o prato certo exige conhecimento. Afinal, o que diet e o que light? Diet um produto que no tem um ingrediente na sua composio. Essa retirada tem uma finalidade teraputica. Por exemplo: existem diabticos que no podem consumir acar. Neste caso, o diet para o diabtico sem acar, e deve estar no rtulo. Ele pode ser diet para hipertenso, sem sdio, explica a nutricionista Adriana Pelloggia. O light aquele alimento que teve uma restrio de, no mnimo, 25% de um ou mais de ingredientes, como acar ou gordura, continua a nutricionista. Na teoria, simples. Na prtica, nem tanto. Diante das prateleiras, comeam as confuses. Por exemplo: quem nunca, durante um regime, tentando perder alguns quilinhos, no experimentou um chocolate diet? Afinal, o nome j diz: diet. No engorda. Certo? Errado! A mistura que enfeitia tanta gente vira diet com a retirada do acar. Mas as gorduras continuam l. Em alguns casos, para dar consistncia ao chocolate, as indstrias at aumentam o teor de gordura. Em uma casa, produtos dietticos esto nas refeies de todo dia. Pai, filha e neta so diabticos. A variedade de produtos diets no problema. A queixa contra os rtulos. Tenho que ler a embalagem inteirinha. No pode ser s a formulao, diz Graa de Carvalho Cmara, Diretora da Associao de Diabete Juvenil. A nutricionista Adriana Pelloggia acompanhou durante trs anos um grupo de 390 consumidores de produtos dietticos. Descobriu que muitos abandonam a dieta logo depois das primeiras confuses com as embalagens. Isso pode levar os indivduos a no acreditar no produto. No porque realmente no confivel, mas porque a leitura do rtulo dificulta a interpretao e a sua finalidade, revela Adriana. A clareza que o consumidor deseja, j lei. E j deveria estar nas embalagens. "Os rtulos dos produtos lights devem informar o nutriente do qual o produto reduzido. No caso dos alimentos diets, devem dizer o nome convencional do alimento e a finalidade a que ele se destina", declara Antnia Maria de Aquino, da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Para os refrigerantes, a regra outra, definida pelo Ministrio da Agricultura. Seja light ou diet, a bebida no pode receber nem um grama de acar durante a fabricao. Apenas adoantes e uma pequena quantidade de frutose, o acar natural da fruta, no caso, por exemplo, de refrigerantes de limo ou laranja.

LEITE SEM GORDURAS.

O mundo diet/light em breve vai ganhar uma nova bebida, bem mais saudvel: leite com baixo teor de gordura, direto do curral. Cientistas finlandeses, americanos e brasileiros esto em busca do superleite. E j colocaram as vacas de dieta. O segredo para ter leite light direto da vaca est em um cido, produzido em laboratrio a partir do leo de soja que est sendo misturado alimentao dos animais. Uma vez colocada na rao das vacas, a substncia absorvida pelo animal e faz com que sintetize menos gordura. A cor do leite a mesma. Tem um sabor um pouco mais fraco do que o leite integral. O leite de uma vaca que recebeu a rao comum, tem 3,5% de gordura. E o leite da vaca que recebeu o composto tem 2% de gordura. Portanto, h uma reduo de 40 a 50%. o equivalente ao leite semidesnatado que a gente encontra no comrcio, explica Dante Pazzanese Lanna, do Laboratrio de Nutrio Animal da Usp. O que sabemos que esse produto tem um efeito benfico para a sade, porque tem a propriedade de inibir o aparecimento do cncer. Isso est muito bem mostrado em pesquisas feitas em tumores de mama, prstata e pele, revela o pesquisador. Provar que o leite, mais magrinho, tambm pode evitar o cncer, ainda leva tempo, o novo desafio dos pesquisadores em busca do alimento perfeito.

JOVENS, RICOS, FAMOSOS E VEGETARIANOS.

Eles so vegan. O apelido da moda para vegetariano. Jovens, famosos, no comem carne de jeito nenhum. Ser vegan a palavra de ordem em Hollywood. Drew Barrymore, Joaquim Phoenix, Alicia Silverstone, Ashely Judd, todos so vegan. A cantora Shania Twain acaba de ser eleita a vegan mais sexy. Uma prova da revoluo na imagem das vegetarianas. Agora elas so exuberantes, bonitas e gostosas, vendendo sade. Nada daquela imagem raqutica e plida do passado. O movimento vegetariano est nas capas das revistas e nos supermercados. H uma enorme variedade de produtos sem nenhum ingrediente de origem animal. E restaurantes com o ltimo grito da cozinha vegan. A grande novidade em comida vegetariana em Nova York um restaurante que oferece uma refeio com um prato indiano, outro de origem chinesa. A sobremesa francesa e tem at hambrguer. A diferena que l nada cozido - tudo feito com vegetais crus. A chinesa Tolentin Chan a dona e chef da Quintessence, uma cadeia que j tem trs restaurantes. Tolentin era modelo e comeou a comer tudo cru h cinco anos. Ganhou mais sade e energia e resolveu cozinhar, ou melhor, preparar tudo cru para os outros. Em um forno de baixa temperatura, no mximo 90 graus, ela desidrata os alimentos para fazer bolinhos e hambrgueres vegetais. Por que comer tudo cru? Segundo Tolentin, isso preserva as enzimas dos vegetais, que so destrudas no cozimento. E ajudam na digesto. O resultado atraente e muito saboroso. Uma pesquisa da Revista Time revela que mais de dez milhes de americanos so vegetarianos. Um nmero bem maior complementa a dieta vegetariana com peixe e laticnios, mas evita a carne. O nutricionista John La Rosa aprova a dieta. Ele o presidente do centro mdico da Universidade de Nova York e um dos mais respeitados pesquisadores de nutrio nos Estados Unidos. A dieta vegetariana saudvel, mas no necessria, diz. No faz mal comer tambm peixe e laticnios sem gordura. Mas a gordura de origem animal deve ser evitada. O doutor La Rosa faz um alerta: uma boa dieta vegetariana tem que incluir alimentos ricos em protenas vegetais, como feijes e nozes. O problema que os jovens embarcam na moda vegan sem muita informao. Acham que basta substituir o hambrguer pelo sanduche de salada e ficam subnutridos. Gibby e Patty so vegetarianos h 30 anos e cheios de energia. Eles mostraram como escolher alimentos para compor uma dieta vegetariana equilibrada. H uma grande variedade de feijes, todos com muita protena. Produtos como tofu e tempeh, base de soja, e seitan, feito com trigo, so ricos em protena. A abundncia de cereais impressionante. Nos legumes e verduras, Patty recomenda compor um arco-ris. A variedade de cores oferece um leque de vitaminas. E para a sobremesa, sorvete feito com arroz. Gibby garante que uma delcia.

BODE LIGHT.

Vida dura com ele mesmo. O bode resiste s maiores adversidades, sobrevive s piores secas, come o que encontra na caatinga. Animal rstico, exige poucos cuidados, quase nada de investimento e por isso um companheiro histrico do sertanejo. Desde muito cedo. Bode assado, bode grelhado, lingia, hambrguer, almndega e quibe de bode! Para todos os gostos. Tem bode de sobra no Nordeste. Na regio esto 90% do rebanho brasileiro de caprinos. E os criadores apostam que uma nova descoberta poder multiplicar o consumo: bode light. O bode tem bons motivos para justificar a fama. Os especialistas garantem que entre as carnes vermelhas, a de bode a mais magra - tem a metade das calorias da carne de boi. O pequeno valor calrico semelhante ao das aves. E as vantagens no param por a. O bode alimenta mais e engorda menos do que a carne de boi. Tem seis vezes menos gordura, mas tem a mesma quantidade de protena e de ferro. "O bode light, principalmente o cabrito. A exemplo de outros animais, agora a vez do cabrito ser industrializado", diz Jos Carlos Nascimento, engenheiro agrnomo da Universidade Federal da Paraba. A fama de que bode light acabou abrindo o apetite dos consumidores e atraindo investimentos. Se antes o bode era servido em restaurantes pequenos no serto, hoje o carro-chefe do cardpio de grandes restaurantes nas capitais nordestinas. O bode virou prato principal. S em um restaurante no Recife, matria-prima para 15 receitas diferentes. O leite tambm tem fama de bom. mais digestivo e faz to bem quanto o leite de vaca. "Pode ser ingerido por crianas, adultos, idosos, pessoas convalescentes e as que tm intolerncia ao leite de vaca. O leite de cabra pode substituir o leite de vaca tranqilamente", diz Juliana Nbrega, tcnica em alimentos da Universidade Federal da Paraba. por isso que no serto tem um ditado que diz: Da cabra, nada se perde. Nem o berro".

INFORMAES TEIS.

CARNE:

- Jos Antnio Pinheiro Machado gourmet, com programa de TV na PBS, em Porto Alegre, defende a carne vermelha com bom humor. Telefone: 031-51-3228-1416. E-mail: anonymus@terra.com.br

- Fernando Antnio Lucchese - mdico cardiologista de Porto Alegre, fala sobre a carne. Endereo: Rua 24 de Outubro, 650, sala 501. Telefones: 031-51-3222-3595/7116.

- Ivana da Cruz - geneticista que faz as pesquisas a respeito da compulso pela carne ser gentica. E-mail: dcpuc@terra.com.br

- Organizao Ananda Marga - onde se formam os monges vegetarianos. Telefones:031-21-2255-5549/2236-4754. Endereo: Travessa Santa Leocdia, 30 - Copacabana Rio.

- Mauro Fisberg - mdico nutrlogo, afirma que o corpo precisa de protenas. Telefone: 031-11- 5575-3875.

- FEIJOADA VEGETARIANAIngredientes:

Feijo.

Legumes, que podem ser: inhame, abbora japonesa com casca, cenoura, beterraba, vagem, couve-flor.

Provolone defumado.

Tofu.

Glten.

Molho de soja.

Gengibre (ralar).

Ervas em geral.

Pimento.

Modo de fazer:

Cozinhar o feijo por 20 a 30 minutos. Cozinhar os legumes de 8 a 10 minutos, sem deixar desmanchar. Fazer o refogado.

Refogado:

Esquentar o leo e colocar gengibre ralado, as ervas, o glten, tofu, molho de soja e pimento, sal e pimenta. Refogar por um tempo e misturar os legumes e o feijo.

HORMNIOS:

- Doutor Yukio Moriguchi - geneticista da PUC do Rio Grande do Sul que trata da colnia japonesa. E-mail: dcpuc@terra.com.br

- Jane Corona - mdica nutrloga, que recomenda soja e salada para ajudar na reposio hormonal.

Telefone:031-21-2496-3768.

- SALADA RICA EM FITOHORMNIOS:

Tofu (Estrognio), organo e/ou tomilho (progesterona), azeite e sal para temperar, ma, agrio, brcolis, rcula, chicria.

(Todos contm indis que ajudam a metabolizar estrognio).

Semente de linhaa e/ou gergelim.

Po de linhaa.

- SUCO RICO EM CLCIO, PARA COMBATER A OSTEOPOROSE:

Couve + salsa + suco de laranja (tem a vitamina C que transforma o carbonato de clcio em citrato, que aumenta a absoro). O suco tem: clcio, magnsio, ferro, indol e fitohormnio.

- Kyung Koo Han - ginecologista da Universidade Federal de So Paulo que pesquisa a isoflavona da soja. Telefone: 031-11-5044-2963.

- Otvio Gebara - cardiologista que fala dos efeitos colaterais da isoflavona. Telefone:031-11- 3040-8001.

DIET E LIGHT:

- Walmir Coutinho - endocrinologista diet e light. Telefone: 031-21-2493-5764.

- Adriana Garcia mdica que fala sobre a diferena de diet e light. Telefone:031-11-9304-7717.

- Leite diet e anticncer direto da vaca - faculdade Esalq Piracicaba. Professor Dante Pazzanese Lana.

E-mail: lnca@esalq.usp.br Telefone: 031-19-3429-4478.

CARNE DE BODE:

- Local de criao de bode na Paraba - Municpio de Cabaceiras. Telefone:031-83-356-1117.

- Restaurante "O Amigo Bode". Telefone: 031-81-3466-2023. Endereo: Rua Marqus de Valena, 30 Boa Viagem.

GLOBO-REPRTER:COMER ERRADO13 DE DEZEMBRO DE 2002.

DIETA COMUNITRIA.

Algo de novo no horizonte de Lagoa dos Trs Cantos. Na pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, h um movimento que, seis meses atrs, era impensvel. O batalho toma conta das ruas, concentrado, ritmado e caminha unido em uma s direo:perder peso. Muitas toneladas! Mas como emagrecer com tanta fartura? Um tero dos moradores da cidade est fazendo dieta. Mais de 500 pessoas contando pontos em todas as refeies. O sistema permite comer de tudo, com controle da quantidade. At a festa tpica no mais a mesma. Antigamente, os descendentes de alemes faziam da comemorao uma comilana. Em tempos de emagrecer, o almoo simples: churrasco e saladas. Em pouco tempo de esforo, muita gente j tem o que comemorar. O sorriso da dona de casa Noeli Hoffmann vem de uma grande conquista. A cada regime, voltava a engordar em dobro. E era urgente emagrecer: o excesso de gordura ameaava seriamente o corao. Hoje, no lugar da carne de porco, o destaque so as duas travessas de salada. Pobre do agricultor Elnio, marido de dona Noeli, que perdeu dez quilos, e nem precisava. A esposa perdeu outros 13 quilos. No total, a famlia ficou 40 quilos mais leve. Descobrir coisas gostosas que no engordem chega a ser motivo para competio nas aulas de culinria. O curso outra novidade na cidade que decidiu enterrar o ttulo de "mais gorda do Brasil". Quem diria: cuca light? E justo a cuca, que parecia o inimigo mortal da dieta! A cuca foi conhecida na padaria de Ivaldo Borghetti em fevereiro deste ano. Era vspera do regime coletivo na cidade e parecia que a cuca estava condenada extino. Mas, dez meses depois, a surpresa: a padaria est vendendo cuca como nunca. A freguesia local encolheu, com tanta gente de dieta. Em compensao, a fama aumentou o mercado externo. Com o novo forno, seu Borghetti quer passar a produo semanal de 300 para 2 mil cucas. No comrcio da cidade, o novo padro de qualidade tudo sem gordura. Os fregueses fazem compras fugindo das calorias. Um pedao de carne, que era consumido em dois dias, hoje rende o almoo da semana inteira. E ningum reclama de comer menos. O esforo traz como recompensa a soluo para problemas que pareciam insolveis. O casal Petry est 26 quilos mais leve. uma alegria que vai contaminando vizinhos, amigos e que prepara a turma para a segunda etapa do projeto: a atividade fsica. So caminhadas, aulas de aerbica e a rotina da cidade, aos poucos, vai mudando radicalmente. E a vida das pessoas tambm. A agricultora Rejane Fries emagreceu 35 quilos. Junto com a auto-estima, veio um guarda-roupa totalmente novo. Sobraram uma antiga blusa de malha, que quase um vestido, e uma cala jeans, que dispensa comentrios. Quando o regime comeou, o objetivo era de que cada morador da cidade perdesse 5% do peso. Mas o grupo, que levou a dieta a srio, superou a meta: chegou a 8%. Todos juntos, conseguiram perder 3,5 toneladas! As prximas geraes, provavelmente, no tero todo esse problema. O cardpio nas escolas tambm mudou. A criana aprende, desde cedo, o jeito certo de comer:sem frituras e gorduras; com muitas verduras e frutas.

CRIANAS NA COZINHA.

Algumas crianas j deixaram a mamadeira faz tempo, mas ainda no aprenderam a comer. um longo caminho, de cheiros, sabores, comportamentos. Com 6 anos de idade, no mximo. Esto em uma aula de culinria onde tm uma misso muito importante: ensinar o boneco Boca-Mole a comer direito. A professora Cia Ferreira a me do Boca-Mole, um personagem cheio de problemas. Enquanto as crianas ajudam o boneco, elas que superam suas prprias dificuldades. Legumes e verduras so sempre o captulo mais difcil. A primeira vez de uma alface pode ser terrvel. Mas, com um pouco de insistncia, at a salada fica apetitosa. Na escola, tudo certo: Joo e a irm Jlia comem o lanche sem reclamar. Em casa, cada refeio uma queda-de-brao com a me. As crianas aprontam tanto que a me entrega os pontos: o almoo fica esquecido. Eles atacam a sobremesa e Joo d um novo show, pois s quer saber de guloseimas. Jlia exagera: repete o prato at quatro vezes. Na casa de Cludia da Purificao, me de Bianca e Matheus, nenhuma confuso na mesa. Ela pilota o fogo repetindo a tradio da famlia mineira. As crianas adoram. Tudo permitido e est ao alcance, a qualquer hora. Lanche antes do almoo, pode. Pipoca e televiso tarde, tambm. Ningum obrigado a comer o que no gosta. Desde que nasceu, Nicole passa a maior parte do dia com a av. Foi com ela que aprendeu a comer de tudo. At a me reconhece que ela comia as coisas mais detestveis para a maioria das pessoas, como jil, quiabo, bife de fgado. Mas a mesma av que fez o milagre, agora quer agradar a netinha com um armrio cheio de guloseimas. Nicole, que at os 2 anos no sabia o que era refrigerante, agora no vacila quando tem sede:assalta o cantinho da vov. A idia de fazer esse cantinho do lanche chamego de av mesmo, admite dona Lal. A me, dentista, trabalha o dia inteiro, mas vigia de perto os hbitos da filha. No primeiro ano de vida, os bebs precisam de muito alimento para garantir um crescimento rpido. Ganham de nove a dez quilos. A partir dos 2 anos, tudo vai mais devagar. Aumentam, em mdia, dois quilos por ano. As crianas j no querem comer tanto. Mas as mes se apavoram com a "falta de apetite". Muitas vezes, cometem erros terrveis, como mamadeira aos trs, quatro anos. At para a me ficar sossegada, porque a criana no comeu nada, mas pelo menos tomou a mamadeira. Concluso: essas crianas acabam ficando obesas na maioria das vezes, porque comem muito mais do que deveriam", alerta o pediatra e nutrlogo Ari Lopes Cardoso. Cludia sabe de tudo isso. A filha, de 8 anos, j est cinco quilos acima do peso ideal. As crianas se acostumaram. A me no consegue mudar. No quer abrir mo do prazer de comer. Hbitos errados, que viram rotina, trazem resultados perigosos. Doenas que s apareceriam na vida adulta acontecem hoje cada vez mais cedo. Pequenos erros dirios vo levar a criana a uma vida adulta repleta de erros, principalmente pela obesidade e suas conseqncias: diabetes, hipertenso, doena cardiovascular. Manter horrio e disciplina fundamental. Em casa que no tem rotina, onde se come na hora que bem entende, com certeza esse filho vai ser um indivduo com uma indisciplina alimentar para o resto da vida", observa o mdico Ari Lopes.

EUA: UM PAS DE OBESOS.

Cesar Barber o gordo mais famoso dos EUA. Entrou com um processo contra quatro redes de lanchonetes do pas. Barber pesa 120 quilos e alega que ficou obeso, diabtico e cardaco por causa da comida. Poucos levaram o processo a srio, e ele virou at motivo de piada. Vai ser difcil convencer o jri de que foi vtima de um lugar onde se entupia de galinha, hambrguer e batata frita. Em uma reunio de peso, dezenas de obesos recebem orientao em um hospital de Nova York para fazerem a cirurgia de reduo do estmago. Uma medida extrema para quem no consegue perder peso por meios tradicionais. Consideram-se mais vtimas da gentica e da gula do que da indstria alimentcia. A iniciativa de Barber pode levar a indstria alimentcia a enfrentar uma crise semelhante do cigarro. Os ex-fumantes insistiram 30 anos processando fabricantes e venceram: receberam milhes e provaram que fumar faz mal sade. A nutricionista Marion Nestle espera que processos como o de Cesar Barber faam a indstria da alimentao acordar. Segundo ela, os bilhes de dlares gastos na propaganda de alimentos so a principal causa da epidemia de obesidade nos EUA. Em 20 anos, os obesos passaram de 10% para um tero da populao do pas. Dois teros dos americanos esto acima do peso. Isso agora vai piorar, porque a epidemia atinge as crianas. Tanto que 20% delas j so obesas. Entre os negros pior: mais de 30% das crianas negras sofrem de obesidade. Uma das grandes indstrias americanas de fast-food j reagiu e anunciou que est usando um leo mais saudvel nas frituras. Mas a nutricionista afirma que a mudana no significa muita coisa, pois a batata frita no perde uma nica caloria. Hambrguer, batatas fritas e refrigerantes - o total passa de 2 mil calorias. Uma criana precisa de pouco mais do que isso por dia. Ou seja, duas refeies dirias podem levar o organismo a acumular gordura. Marion Nestle acha criminosa a propaganda que leva as crianas a se tornarem dependentes da comida altamente calrica. O vcio alimentado diariamente at no colgio. Com os cortes nos oramentos da educao e da merenda escolar, as escolas pblicas se vem obrigadas a aceitar a presena das redes de lanchonetes e marcas de refrigerante. Na nica escola pblica de Nova York que ainda no foi invadida pelas lanchonetes, os pais se mobilizam para manter um refeitrio onde a comida saudvel. Tem carne, legumes e verduras bem preparados. A escola tem curso de culinria, onde a professora, que caribenha, ensina a usar alimentos frescos. Os alunos so incentivados a cozinhar em casa. Eles admitem que gostam de comer em lanchonetes, mas s de vez em quando. Depois de aprenderem na escola os princpios da boa nutrio, sabem seguir uma dieta equilibrada. Resultado: ao contrrio da maioria das salas de aula nos EUA, l ningum obeso. A nutricionista acha que dos pais a responsabilidade de ensinar os filhos a comer certo. O sabor artificial que d gosto comida industrializada a arma secreta que torna o fast-food to irresistvel. Qumica para enganar e conquistar o nosso paladar. O maior fabricante de sabores artificiais do mundo tem filiais em dezenas de pases, incluindo o Brasil. O chefe de pesquisa, o ingls Brian Grainger, um alquimista do sculo 21. Animado, Brian Grainger acabou revelando sua nova criao, que est em fase de teste com crianas. Refrigerantes de cores berrantes que do uma sensao de frescor na boca. Uma mistura de sabores artificiais de frutas com um novo produto qumico, super secreto. J d para imaginar o efeito que a novidade vai provocar entre a crianada.

O PESO DA ALIANA.

Disciplina, persistncia e muita transpirao. o psiclogo Eduardo Casarin, lutando para perder os quilos que ganhou depois de casado. Ele o exemplo tpico de uma tese anunciada este ano pelos mdicos: o casamento engorda. A rotina, a comidinha caseira, a tranqilidade, tudo colabora. "Os estudos mostram que 50% dos casados aumentam at 20% do peso nos primeiros cinco anos do casamento, o que muita coisa. Um homem de 70 quilos pode ganhar at 14 quilos nos cinco primeiros anos", diz Bruno Molinari, clnico geral. Os maridos so as maiores vtimas: para cada mulher, trs homens engordam depois do casamento. Eduardo ganhou 12 quilos em um ano. E o magricelinho de antes, agora, tem at barriga. "Ainda no fiz as pazes com a barriga. Est aqui, mas no me pertence, vai ter que sair!, brinca Eduardo. Gordo, no ficou, mas se continuasse aumentando um quilo por ms, o risco era grande. "Comecei a perceber que estava com uma disposio muito baixa, cansava-me rapidamente e estava ficando feio. Ento, pensei: tenho que fazer alguma coisa. A, parei de fumar, comecei a fazer um pouco de exerccio, nada to forado e a ter um pouco mais de critrio para me alimentar", conta Eduardo.

CUIDADOS NA TERCEIRA IDADE.

Exerccio obrigatrio e reeducao alimentar. Tudo muito suave, sem exageros. A psicopedagoga Maria Isabel Vieira precisa emagrecer s um pouco, para no agravar um problema de coluna. "Quanto mais peso carregar na sua hrnia, pior. Ento, estou evitando isso", conta a psicopedagoga. Ela tem 69 anos, e o melhor, nesta idade, evitar os radicalismos. Por exemplo, comer muito no almoo e eliminar o jantar. Os geriatras recomendam comer de tudo e dizem que, assim, possvel emagrecer. "O certo a gente tentar comer vrias vezes ao dia, e sempre um volume pequeno. No temos que ter medo daquilo que chamado beliscar, precisamos ter horrio para beliscar. Esses horrios, a cada duas horas e meia, trs horas, seriam indicados para qualquer pessoa, no s idosa. Porque isso facilita a digesto, orienta Mriam Najas, geriatra e nutrloga. Com esse regime, dona Maria Isabel melhorou muito da osteoporose e se livrou das crises de dor nas costas. Com a perda de peso, a melhora nas crises, vai ser possvel evitar, por exemplo, uma cirurgia. Tenho esperana de que evite, porque fao exerccio e tenho uma alimentao saudvel para manter meu peso", comenta.

A NOVA MERENDA ESCOLAR.

Em Minas Gerais, tomar leite e comer bem se aprende na escola. o que est acontecendo com cerca de 300 crianas de uma escola municipal de Ouro Preto. Esto experimentando um projeto-piloto de alimentao escolar. Para quem estuda cedo, tem caf da manh, lanche e almoo. A turma da tarde, comea almoando, toma lanche e s vai para casa depois de jantar. Arroz, feijo, angu, quiabo refogado - comidinha mineira, da boa. "A dieta est atingindo cerca de 30 a 40% das necessidades nutricionais da criana. um valor que a gente consegue suprir na metade do turno em que o aluno est aqui, com alimentos bem interessantes, para ela ter um bom desenvolvimento", observa a nutricionista Waleska Dornas. Acostumar os alunos com a salada trabalho feito em mutiro. Professoras, merendeiras, todas unidas em campanha a favor da alface, do quiabo, de tudo o que os alunos rejeitam. "A gente vai incentivando e eles experimentam a gostam", comenta Ftima Faria, diretora da escola. Para muitas crianas, essa nova merenda escolar veio em boa hora:faltava comida em casa. "Com certeza, isso pode refletir no aproveitamento escolar deles. A certeza de ter o almoo e o jantar j d uma tranqilidade, para ele e para sua famlia. Estudar de barriguinha cheia muito melhor", comenta a professora Raquel Guimares. Se o projeto for aprovado, pode virar um modelo para as escolas pblicas de todo o Brasil. para isso que est sendo testado em Ouro Preto.

INFORMAES TEIS.

- Os contatos com a cidade gacha de Lagoa dos Trs Cantos e com o mdico que criou a dieta dos pontos, o endocrinologista Alfredo Halpern, podem ser feitos atravs site www.emagrecendo.com.br

- Colgio Loureno Castanho - escola que tem aula de culinria para crianas utilizando o boneco "Boca-Mole". Telefone: 031-11-3842-2302.

- Escola Coruja - escola que d pepino e tomate no lanchinho da tarde. Telefone:031-11-3661-8107.

- Ari Lopes Cardoso - mdico pediatra e nutrlogo, chefe do Departamento de Nutrio Infantil do Hospital das Clnicas em So Paulo. Telefone: 031-11-3069-8610.

- Mriam Najas - mdica geriatra e nutrloga. Telefones: 031-11-3842-5144/3841-9497.

- Escola Municipal Alfredo Baeta - escola em Ouro Preto, Minas Gerais, que est testando projeto-piloto de merenda escolar. Telefone: 031-31-3551-2731.

GLOBO-REPRTER:NUTRIO POPULAR14 DE FEVEREIRO DE 2003.

FIBRA MILAGROSA.

Os olhos brilhantes e a alegria no rosto no deixam dvida: chegou a hora do almoo no Abrigo Tereza de Jesus, no Rio de Janeiro. O feijo da dona Helena faz sucesso entre as crianas pequenas. E entre as grandes tambm. E hoje em dia tem algo diferente no panelo. o feijo com pectina. Faz bem para as crianas e para os adultos. rico em vitamina, anuncia a cozinheira. At para as cozinheiras pectina novidade. Quem diria: depois de 30 anos cozinhando quase todos os dias, agora vo ter que aprender com a nutricionista um jeito diferente de fazer o feijo. para aproveitar. Quando fazemos uma gelia e fica aquela cremosidade, aquele gel, a pectina. Quando deixamos o feijo de molho na geladeira e, durante a noite, em cima do caldo se forma uma camada de gel, tambm a pectina, revela Luclia Caldas, professora de nutrio da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio). Um tipo de fibra que est em todas as frutas e em grande nmero de vegetais. Funciona como uma espcie de faxineira:neutraliza substncias nocivas ao corpo, antes que provoquem doenas. Mas como aproveitar a pectina do feijo? Em vez de deixar de molho por doze horas antes de cozinhar, s ferver dois minutos e deixar descansar por uma hora, o suficiente para eliminar fungos e outros microorganismos. Depois, s cozinhar normalmente o feijo por mais uma hora. Mas tem um segredo, que o mais importante. No joguem a gua em que o feijo ficou de molho fora. Ali tambm est a pectina, ensina a professora. A pectina tem um papel importantssimo no nosso intestino. Impede algumas doenas, como o cncer, doenas cardiovasculares, provocadas por excesso de gordura que vo fazer mal ao homem, explica. s prestar ateno no cardpio para encontrar pectina por todo o lado: na batata, na cenoura. Depois de cozidas, deixam a pectina no caldo que fica na panela e que muita gente joga fora, sem saber. Nessa gua tem vitaminas (betacaroteno), minerais (potssio), fibras (pectina) e carboidratos, conta Luclia. Junto com a nutricionista, as cozinheiras tambm se sentem pesquisadoras. Acho que a cozinha a mesma coisa que medicina. Sinto-me um pouco cientista, diz uma delas.

DO SUCO AO BAGAO.

Outro alimento popular, que est na dieta de ricos e de pobres, a laranja. O Brasil um dos maiores produtores mundiais de suco de laranja do planeta. E tanto na indstria quanto em casa, quase sempre s o suco aproveitado. O bagao, a parte mais clara, ou vira rao para animais ou vai para o lixo. Seiscentas e quarenta toneladas por ano no Brasil. O nmero impressionou pesquisadoras da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), que sabem: o bagao da laranja uma das maiores fontes de pectina existentes na natureza. A gente est perdendo uma substncia importante, porque tem atividades teraputicas no organismo, como a diminuio dos nveis de colesterol. Para aqueles que so diabticos, atua diminuindo o teor de glicose no sangue. Tambm melhora o trnsito intestinal, diz a professora de nutrio da Uni-Rio Simone Boekel. Ento, por que no transformar o que era considerado lixo em ingrediente? O laboratrio de nutrio se transforma em uma usina de idias, e o bagao em pedacinhos virou ingrediente nobre em uma receita. Nove colheres de bagao e polpa de laranja picado, tudo misturado com a receita tradicional de bolo de laranja. O que era desperdcio virou tentao nutritiva para o caf da tarde. Quem resiste a essa pectina? A casca de laranja poder evitar que se venha a tomar remdios. Tem um efeito preventivo e at teraputico, principalmente das doenas cardiovasculares e do diabetes tipo II. No um remdio, mas uma substncia de alto valor fisiolgico, explica Wilma Turano, professora de nutrio da Uni-Rio. As cientistas descobriram que, alm do suco, da laranja tambm sai farinha. O bagao desidratado e modo fica parecido com farinha de mandioca e pode enriquecer bolos, massas e biscoitos. Cada cem toneladas de bagao jogadas no lixo levam junto 17 toneladas de farinha, que poderiam estar alimentando a populao.

REMDIO NATURAL.

Em uma casa, em Niteri, no Rio de Janeiro, todo o cuidado pouco com a alimentao. E um legume recebe ateno especial: a berinjela. Nos ltimos quatro meses, trs vezes por semana tem berinjela no cardpio. Quem nunca experimentou um prato novo por sugesto dos parentes ou dos amigos? Comer algo diferente porque algum disse que faz bem? No caso das doutoras em Cincia de Alimentos Maria Heidi e Sandra Derivi, o cardpio mudou no porque algum sugeriu, mas porque descobriram um dos segredos da berinjela. No foi na cozinha, mas entre os equipamentos do laboratrio. H dois anos as pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense estudam a berinjela. Tentavam descobrir os efeitos da pectina na sade das pessoas. Mas acabaram descobrindo outra substncia misteriosa ao fazer uma experincia com as cascas do legume. Uma rao especial feita com elas foi testada em ratos com diabetes. Duas semanas depois, uma surpresa: a sade das cobaias melhorou. Era como se os ratos nunca tivessem tido diabetes. Agora, as cientistas precisam descobrir qual a substncia misteriosa que parece fazer a berinjela funcionar como um remdio natural. Ela deve ter uma freqncia grande na mesa dos que so diabticos, porque a experincia com animais mostrou resultados muito significativos, acredita Sandra. As pesquisadoras lembram: nem sempre vemos tudo o que est em nosso prato. A gente no conhece tudo. Ainda existe muita coisa a ser descoberta. Muitas substncias que talvez tragam benefcios sade e que melhorem a qualidade de vida das pessoas. preciso trazer o almoo para o laboratrio, diz Sandra. Em casa, a professora Heidi vai alm: diabtica e decidiu aplicar nela mesma os resultados da pesquisa. A berinjela pode melhorar muito meu diabetes. Posso atenuar, diminuir com o tempo a medicao e, com isso, ter uma qualidade de vida melhor. a minha esperana, comenta a pesquisadora.

ALIMENTOS FUNCIONAIS.

Antes de sair para o trabalho, Elosa j planeja as refeies do dia inteiro. Guilherme est de volta s piscinas, depois de mudar a dieta, que foi decisiva tambm para acalmar o irrequieto Andr. No caso de Beatriz, era uma questo de vida ou morte. O que essas quatro pessoas tm em comum? Precisaram trocar o cardpio para viver melhor. Guilherme sofria com uma dor forte no ombro. Descobriu que o problema estava no leite, consumido em grandes quantidades. Elosa tinha enxaquecas dirias provocadas por chocolate e iogurte. Andr parecia ligado na tomada salgadinhos e refrigerantes eram liberados - e Beatriz teve cncer de mama. Abria latinhas e vidrinhos de conservas, conta. Os quatro descobriram, a duras penas, que um prato bem feito pode prevenir e at curar algumas doenas. O licopeno do tomate, o magnsio da alface, o betacaroteno da cenoura. J imaginou fazer a feira com uma receita mdica na mo, encher um carrinho com substncias que a gente no v, mas que esto ali, nas frutas e verduras, e funcionam como remdio para o nosso corpo? Fica mais barato do que correr para a farmcia, depois que as doenas aparecem. Isso j possvel graas cincia dos alimentos funcionais. "Alimento funcional aquele que traz substncias que podem prevenir e curar certas patologias, como as frutas, as verduras, os cereais integrais e vrios tipos de ervas", explica a nutricionista Joselaine Strmer. Ela no mdica, mas assina receitas que mudam a vida de seus pacientes. A dor no ombro de Guilherme era resultado de uma tendinite dos repetidos exerccios de musculao. "O leite dava inflamao nas articulaes e, por isso, as dores. Ele um caso bem especfico, porque tambm queria ganhar massa muscular e diminuir o percentual de gordura. Tive que trocar uma protena por outra. Onde tinha leite e derivados, a gente substituiu por soja e derivados. Joselaine cortou 30 itens da alimentao de Elosa, para descobrir a causa da enxaqueca que durante oito anos atormentou a paciente. O chocolate e o iogurte eram os grandes viles, mas havia ainda um outro motivo. "Tomava caf da manh, almoava e ficava a tarde inteira sem comer nada e depois s jantava. Isso tambm pode causar enxaqueca, porque um intervalo muito grande entre as refeies", diz Elosa Teixeira, administradora. 20% da populao sofre com a enxaqueca, segundo pesquisadores da Universidade Federal de So Paulo. Elosa criou nova rotina para manter a dor bem longe. "Todas as manhs, preparo meu sanduche, boto na sacolinha com frutas, meus lactobacilos e levo para o trabalho. s 10h, fao um lanche, como uma fruta", conta a administradora. O almoo ao meio-dia no mudou. s 15h, lactobacilos e s 17h, mais um lanchinho, sem dar tempo para a dor de cabea voltar. H oito meses, Andr era considerado hiperativo (agitado demais). Os remdios pareciam ser a melhor opo para tratar o menino de 9 anos. A nutricionista Joselaine descobriu o que deixava Andr agitado: no era a falta de medicamentos, mas o excesso de alimentos inadequados. "Todo alimento condimentado, com conservantes e acidulantes, pode provocar em algumas pessoas essa reao de agito. Muitas bolachas recheadas contm chocolate, cafena e o refrigerante tambm. Diminumos e at tiramos esses alimentos e introduzimos aqueles que ajudam a acalmar - frutas, verduras, sucos naturais, saladas cruas, diz a nutricionista. Para Andr mudar, a famlia inteira teve que mudar junto. Hoje, a nova dieta no nenhum sacrifcio. Os pais saem para trabalhar e ele faz sozinho o lanche da tarde. Como os salgadinhos sumiram da dispensa, aprendeu novas alternativas. "Antigamente, comia todo dia uma carne bem gorda, uma boa costela. Na hora do jantar vinha um prato bem consistente, com massas, salsichas, de que gostava muito", lembra a advogada Beatriz Cecchim. Tenho certeza de que essa alimentao contribuiu para o cncer, porque era muito errada, j que baseada em gordura, embutidos e alimentos inadequados", comenta. Durante a quimioterapia, Beatriz percebeu como os alimentos eram importantes para reforar o organismo debilitado. Quando o tratamento mais pesado terminou, a comida virou preveno. A salada o prato de quase todas as noites. Ela dispensa o sal: uma pitada de especiarias o nico tempero. claro que no vive s de salada. A alimentao faz parte do esforo de Beatriz para ter uma vida mais equilibrada, em todos os sentidos. "O papel da alimentao me manter saudvel, para que a doena no volte. No tenho 100% de garantia de que no possa ter novamente uma doena sria. Com uma alimentao saudvel, essas chances diminuem bastante", observa.

FARINHA ENRIQUECIDA.

Gros que sustentam a raa humana desde a Pr-Histria. H dez mil anos o homem aprendeu a moer o trigo e fabricar essa nvoa branca que passou a ser o melhor, mais popular e mais barato alimento da humanidade. Fonte de protena, carboidratos, gordura e minerais, a farinha de trigo pode ser tambm a fonte de um milagre: o fim de uma das mais cruis doenas que uma criana pode ter, a anemia, que no deixa crescer, impede o aprendizado, enfraquece o corpo e s vezes at mata. Esta farinha de trigo parece igual s outras, mas os cientistas fazem o teste e revelam a diferena: ela contm ferro. Mas o que isso significa? No laboratrio da Embrapa, que mais parece uma padaria, o pesquisador prepara o que chamam de po de ferro. Parece pouco, cabe na ponta do dedo, mas 32 miligramas de ferro misturados a cada quilo de farinha tm um efeito poderoso nas pessoas que consomem as coisas que podem ser feitas com ela. Bolos, biscoitos, at o pozinho feito de farinha misturada com ferro como se fosse uma pilha nova no organismo. Ter um benefcio notvel na sade: melhores condies de trabalho e maior vontade de estudar. Vai ficar muito mais animado que antes, porque a falta de ferro deixa a pessoa muito cansada, sem vontade de fazer as coisas, explica Jos Luis Aschieri, engenheiro de alimentos. Para deixar a farinha mais poderosa, alguns moinhos j usam o sulfato de ferro ou o ferro puro mesmo, em p. To fino, que pode ser absorvido na hora pelo organismo. O gosto igual, no existir nenhuma diferena nas caractersticas do produto se o processo for feito adequadamente, revela o especialista. Os moinhos no gostaram da idia, poucos aceitaram fazer o teste. No incio do ano que vem, todas vo ser iguais. Foi preciso uma lei federal para que os brasileiros tivessem a mesma farinha enriquecida que h mais de seis dcadas est na mesa dos pases desenvolvidos. A alegria na brincadeira de criana a prova do milagre que a farinha com ferro pode fazer. H bem pouco tempo, Larissa no conseguia caminhar. Gabriel no tinha foras nem para se manter acordado, dormia a maior parte do dia. Fizeram parte de uma pesquisa da Embrapa e da Fundao Oswaldo Cruz. Durante nove meses, comeram pes, massas e biscoitos enriquecidos com ferro, alm da dieta normal da creche. Depois de trs meses, o p de ferro misturado na farinha transformou as crianas. Gabriel, que era sonolento, acordou para a vida. Comeou a ter melhora na concentrao, facilitando o aprendizado. E isso foi comprovado no exame. Tinha uma dosagem de hemoglobina de 10.2 e passou a ter 12.8 e uma quantidade de ferro no sangue normalizada, conta a nutricionista Ana Paula Rodrigues. Uma soluo simples para a anemia, que atinge crianas ricas e pobres de todos os cantos do pas. O que chama a ateno so as taxas extremamente elevadas em crianas menores de dois a cinco anos. Por exemplo, em So Paulo h taxa de 50% em crianas; no Nordeste, chega a 80%, revela a nutricionista. um problema para o pas. O p de ferro na farinha foi a fora que faltava na vida das crianas. Hoje, Gabriel corre no quintal da casa, se diverte com o irmo e agora no gosta quando chega a hora de dormir. A me agradece todos os dias a chegada da farinha de ferro na vida do menino. A farinha o trouxe de volta para mim e para a vida, comemora.

LEITE, FONTE DE VIDA.

Touca e mai. Dona Maria da Glria Soares, de 83 anos, nunca perde os exerccios de hidroterapia. Quem v a aluna dedicada esbanjando bom humor no capaz de imaginar o sofrimento que enfrentou por causa da osteoporose. O tratamento que deu vida nova dona Glria base de vitamina D e clcio. E o mdico o pesquisador e endocrinologista pernambucano Francisco Bandeira. O especialista passou dois anos estudando a principal causa da osteoporose nas mulheres: a carncia de vitamina D. Examinou e entrevistou 150 pacientes. Chegou a uma concluso alarmante: 40% das mulheres entre 50 e 80 anos de idade, no perodo ps-menopausa, tm deficincia de vitamina D. O diagnstico tambm foi confirmado em 20% das mulheres entre 20 e 40 anos de idade. As complicaes da deficincia so perda e fragilidade sseas e pr-disposio a fraturas, anuncia o endocrinologista. O organismo obtm a vitamina D atravs de duas fontes naturais. A primeira uma alimentao rica em fgado de bacalhau, leo de fgado de peixes e bacalhau e peixes gordurosos, como salmo e arenque. Quem entende de pescado sabe que nossos peixes quase no tm gordura. Outra alternativa uma fonte que o Brasil tem de sobra: a vitamina D produzida quando a pele exposta ao sol. Mas no to simples assim: a partir dos 50 anos a pele vai perdendo a capacidade de sintetizar a vitamina, e as mulheres tm se exposto menos ao sol para evitar o risco de contrair cncer de pele. Resultado: em um pas tropical, ensolarado por natureza, a falta de vitamina D nas mulheres j se transformou em um problema de sade pblica. A sada para as mulheres que j esto com osteoporose, segundo o pesquisador, o consumo de alimentos enriquecidos com vitamina D. O estudo sugere que o leite seja enriquecido durante o processo industrial e j chegue s consumidoras com a dosagem ideal para suprir a falta da vitamina. O que se recomenda o enriquecimento dos alimentos de uso dirio. Como o leite recomendado por ser um alimento rico em clcio, a pessoa vai ingerir os dois nutrientes clcio e vitamina D. Isso um procedimento de custo baixo e tem um resultado do ponto de vista de melhora da sade da populao considerado excelente, analisa o mdico. Com as doses de vitamina D e exerccios, dona Glria voltou a ter uma vida saudvel. O difcil agora encontr-la quieta dentro de casa. De repente, passou a ser uma pessoa que est vivendo intensamente todos os momentos da vida, diz a filha, Vanja Soares.

PITADAS DE SADE.

As ervas, que do sabor aos nossos pratos, tambm protegem o nosso corpo. o que descobriram os pesquisadores do Departamento de Cincias Farmacuticas da Universidade de So Paulo (USP). Alm do organo, estudam as propriedades do alecrim, da linhaa, da canela, especiarias que h muito tempo despertam a curiosidade dos cientistas. "Os egpcios, ao embalsamar as mmias, utilizavam a canela, para impedir o processo de oxidao. Se protegia as mmias, protege tambm o nosso organismo, diz Jorge Mancini, farmacutico bioqumico da USP. No sculo XV, os portugueses foram ao Oriente em busca de especiarias. "Identificaram que as especiarias, em contato com os alimentos, aumentavam a conservao deles, podiam ser utilizados por mais tempo", conta o pesquisador. Protegem os alimentos e o organismo de quem os consome. Foi o que mostraram os testes de laboratrio, feitos com ratos. Pesquisas com seres humanos ainda esto no incio. O que se observa que a forma natural de consumo a mais benfica, diz Ana Vldia Moreira, nutricionista. A nutricionista d uma dica para quem pretende usar mais especiarias na cozinha:nunca devem ir para o forno junto com a comida, para que o calor no destrua suas propriedades. Quando outra pesquisa estiver concluda nem ser preciso se preocupar com isso. Em vez de pr organo no ovo frito, como tanta gente gosta, a farmacutica bioqumica Maria Helena Bernal resolveu encurtar o caminho: mistura as especiarias na rao das galinhas. Primeiro a linhaa, rica em mega 3, substncia que ajuda a combater o colesterol. Depois, em forma de extrato, o organo e o alecrim. Uma garantia de que o mega 3 no vai se perder. Mas enquanto o ovo no vem das granjas j recheado, vale a dica das nutricionistas:para ter os benefcios das especiarias, ningum precisa exagerar. "No necessrio consumir demais, quantidade culinria suficiente", orienta Ana Vldia. Uma pitada de sade no prato todos os dias.

PO SEM GLTEN.

O po sinnimo de comida desde os tempos da Bblia. S que para 500 mil brasileiros no um alimento para ser levado mesa, mas um veneno, que pode causar doenas graves, como anemia, osteoporose e cncer. Nildes de Oliveira Andrade uma dessas pessoas que possuem a doena celaca. O po no a nica ameaa. A presidente da Associao dos Celacos est proibida de comer qualquer alimento que contenha glten, protena presente na farinha de trigo. Por lei, os produtos com glten devem trazer o aviso na embalagem. No laboratrio da Universidade Estadual de So Paulo (Unesp), em Botucatu, a professora Marney Cereda tenta isolar o inimigo nmero um dos celacos. Da farinha de trigo, extrai uma massa borrachuda. " a alma do po. Parece chiclete e isso que a gente tem que substituir, no caso de desenvolver um produto que seja adequado aos celacos", diz. A professora mostra os ingredientes que podem substituir o glten: clara de ovo em p, farinha de mandioca moda e refinada e ainda polvilho azedo, que sai da mandioca e vai substituir o corao do po, o glten. Quem testa a nova frmula o nutricionista Luiz Fernando Escouto. "O desafio compreender o papel do polvilho com sua caracterstica tecnolgica, na substituio do glten. A proporo o segredo, observa. O pesquisador quer chegar a uma mistura semipronta, que possa ser vendida para os celacos prepararem o po sem glten em casa, ou em padarias especiais. Dona Nildes foi conhecer o projeto de perto. O novo po de mandioca preparado em um ambiente esterilizado, sem contato com farinha de trigo. O po sem glten foi para o forno e voltou para a avaliao de dona Nildes. H anos que no chego perto de um pozinho com aparncia de po francs. Est gostoso, s a textura deve ser melhorada, lembra um pouco o po-de-queijo, comentou.

O PODER DA PALMA.

No cho seco da Paraba no nasce nem capim. Quem diria que ia brotar ali planta to nutritiva? Resistente pior das secas, a palma j usada h anos para alimentar a bicharada. As cabras adoram. Malaquias Batista Filho, professor da Universidade Federal de Pernambuco e mdico do Instituto Materno Infantil de Pernambuco, descobriu que a salvao do rebanho, no auge da estiagem, pode salvar tambm vidas humanas, em um lugar onde a comida cara e escassa. Nosso grande problema nutricional na regio a deficincia em vitamina A, e, em segundo lugar, de ferro. A palma forrageira rica em vitamina A, bem mais do que os alimentos convencionais com preo elevado, como repolho, couve, coentro, bertalha, com uma vantagem adicional: no tem agrotxico, revela. Malaquias trocou o milho e o feijo pela lavoura de palma. A centenria fazenda da famlia, no interior da Paraba, virou um grande experimento. Cacto que no tem espinhos, a palma fcil de manipular e pode ser a grande sada para as deficincias nutricionais das crianas da regio. H dois problemas imediatos:a anemia e a deficincia de vitamina A. Estamos aproveitando a merenda para acrescentar vitamina A e ferro, conta Malaquias. Cortada em fatias e picada, em So Sebastio do Umbuzeiro, a palma entrou para o cardpio da merenda escolar e deixou as crianas mais saudveis e rechonchudas. O professor Malaquias sabe que a falta de vitamina A pode afetar a viso. Mas no s isso:ela mina a resistncia do organismo das crianas, transformando doenas aparentemente inofensivas em um risco para a sade delas. Conhecimento cientfico guardado na universidade no vale nada. Sertanejo da gema, Malaquias quer agora vencer o preconceito e a resistncia cultural de seu povo. Na regio ainda se pensa que palma s serve para alimentar bicho. Convencer o pessoal de que a planta comida de gente a nova obsesso do professor. E mesmo alimentando os bichos, a palma estar melhorando a alimentao humana. A cabra que come a planta produz um leite bem mais nutritivo. Os benefcios da palma no se restringem vitamina A. O professor descobriu propriedades que podem ajudar os diabticos. A palma tem valor hipoglicemiante, pode ser um auxiliar no caso de diabetes, anuncia. Olhar para a terra seca de So Sebastio do Umbuzeiro e enxergar possibilidades infinitas de combinaes culinrias. No cardpio de solues nutritivas do professor, um produto importado: a avestruz. A ave tem metade do colesterol da carne da galinha, um quarto do colesterol da carne de boi, e plenamente adaptada ao clima do semi-rido. A avestruz africana pode substituir com vantagens as criaes tradicionais do Nordeste. Criando a avestruz, voc utiliza o meio ambiente a seu favor, ao contrrio do boi, conta o professor.

INFORMAES TEIS.

FEIJO E CALDO DE LEGUMES.

- Luclia Caldas, nutricionista.

Telefone:031-21-2295-5737 - Ramais: 301/302 (Universidade do Rio de Janeiro - Uni-Rio).

- Cozinheiras do Abrigo Tereza de Jesus. Telefone: 031-21-2569-0387.

Como preparar o feijo:

- ferv-lo por 2 minutos (a partir da ebulio),

- deix-lo de molho por 1 hora,

- ateno: no escorrer a gua do molho,

- ferv-lo at cozinhar,

- temper-lo como de costume.

Pur de cenoura com batata:

- lavar e descascar os legumes,

- cozinhar os pedaos de cenoura e de batata na mesma panela,

- ateno:escorrer os legumes e reservar a gua do cozimento (caldo),

- amassar os legumes,

- de volta panela, acrescentar o caldo do cozimento e duas colheres das de sopa de leite em p,

- sal a gosto,

- mexer bem at incorporar todos os ingredientes.

FARINHA CTRICA:

- Wilma Turano e Simone Boekel, nutricionistas. Telefone: 031-21-2295-5737. Ramais: 301/302 (Universidade do Rio de Janeiro - Uni-Rio).

Bolo de laranjaIngredientes:

- 9 colheres de sopa da parte branca da laranja (albedo) e polpa picados (bagao),

- 150 g de margarina,

- 4 claras batidas em neve,

- 100 ml de suco de laranja,

- 2 xcaras de ch niveladas de acar,

- 2 xcaras de ch de farinha de trigo,

- 1 colher de ch de fermento em p.

Modo de fazer:

- bater no liquidificador o bagao picado, a margarina, o suco de laranja e o acar at formar um creme,

- bater as claras em neve e reservar,

- misturar levemente, na batedeira, o creme e a farinha de trigo,

- envolver as claras em neve e o fermento em p na massa,

- colocar para assar no forno, pr-aquecido, por aproximadamente 25 minutos, em temperatura mdia.

Rendimento: 20 fatias mdias.

BERINJELA:

- Sandra Derivi e Maria Heide Marques Mendez, doutoras em Cincia dos Alimentos. Telefone:031-21-2711-1012. Departamento de Bromatologia da Faculdade de Farmcia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Berinjela espalmada:

- lavar bem a berinjela,

- partir em fatias finas no comprido, sem separ-las (em forma de leque),

- entre as fatias, colocar rodelas de tomate, cebola, sal, queijo e ervas,

- regar com azeite a gosto,

- levar ao forno at assar.

ALIMENTOS FUNCIONAIS:

- Joselaine Stmer, nutricionista. Telefones: 031-51-3311-0514/3222-1387. Endereo: Rua Dona Laura, 87/205 - Bela Vista Porto Alegre.

FARINHA ENRIQUECIDA COM FERRO:

- Embrapa - enriquecimento de farinhas, nutrio a preos baixos. Endereo: Avenida das Amricas, 29501 Guaratiba Rio de Janeiro.

Assessoria de Comunicao: Jornalista Joo Eugnio Diaz. Telefones:031-21-2410-7488/9424.2162. E-mail: joao@ctaa.embrapa.br

- Jos Luis Ascheri, engenheiro de alimentos. Telefone: 031-21-2410-7449 (Embrapa).

- Rogrio Germani, engenheiro qumico. Telefone: 031-21-2410-7447 (Embrapa).

- Creche da Fundao Xuxa Meneghel, onde foi testada a farinha. Endereo: Rua Belchior da Fonseca, 1025 - Pedra de Guaratiba Rio de Janeiro. Telefone:031-21-2417-1252.

- Ana Paula Rodrigues, nutricionista. Telefone: 031-21-2411-5880.

- Elyne Engstron, mdica sanitarista. Telefone: 031-21-2598-2525. Escola Nacional de Sade Pblica (Ensp) da Fundao Oswaldo Cruz. Centro Colaborador de Alimentao e Nutrio.

LEITE ENRIQUECIDO COM VITAMINA D:

- Francisco Bandeira, endocrinologista. Telefone: 031-81-3426-8321 (consultrio).

ESPECIARIAS QUE COMBATEM DOENAS DEGENERATIVAS:

- Associao dos Celacos do Brasil. Endereo: Rua Loefgreen, 1596 - Vila Clementino 04040-002/So Paulo SP. Telefone: 031-11-5579-5834.

- Jorge Mancini, pesquisador da Faculdade de Cincias Farmacuticas da Universidade de So Paulo (USP). Telefone: 031-11-3091-3674. E-mails: fcf@edu.usp.br jmancini@usp.br

- Organo, alecrim e mostarda: antioxidantes testados com a comida.

- Linhaa com organo e alecrim: misturados rao das galinhas para produo de ovos com mega 3, menos suscetveis oxidao.

PALMA:

- Malaquias Batista Filho, mdico do Instituto Materno Infantil de Pernambuco e professor da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe) pesquisas alternativas alimentares na regio do semi-rido brasileiro. Departamento de nutrio da Ufpe. Telefones: 031-81-3271-8474/8470/8471/8475.

Instituto Materno Infantil de Pernambuco. Telefone: 031-81-3413-2119.

GLOBO-REPRTER:EMAGREA COM SADE23 DE MAIO DE 2003.

"GORDO NA ESSNCIA".

Picanha irresistvel assando na churrasqueira. Parece no existir imagem melhor para explicar por que o ser humano no se satisfaz s com a comida que alimenta. Queremos prazer na ponta do garfo. Na churrascaria, Fernando Ceylo cliente dos bons. Comer no rodzio mais farto da cidade para ele rotina. Mas para o restaurante, a chegada de Fernando sinal de alerta na cozinha. Fernando justifica tanto apetite. Quem gordo no come como todo mundo, diz. Fernando escritor e humorista. Troca o dia pela noite e passa madrugadas no computador cercado de super-heris que lhe do inspirao. Tem dias que nem saio daqui, conta. Uma vida sedentria, sem exerccios e recheada de lanchinhos. Fernando diz que o peso est na cabea. Na verdade, no sou s gordo porque estou gordo, tenho cabea de gordo. Quando perco peso, continuo gordo na essncia, penso como gordo, confessa. Meu peso igual idade de mulher, no revelo por nada, diz. No gosta de falar do prprio peso - quase 150 quilos. Mas as fotos na porta do guarda-roupa revelam outra pessoa. O mesmo Fernando, com 37 quilos a menos. Uma dieta rigorosa lhe deu trs anos do que chama de vida de magro. uma beleza. Voc fica mais seguro, acha que todo mundo est a fim de voc. E, realmente, d mais sorte com mulher, diz. Mas, aos poucos, voltou a engordar e hoje uma ordem do mdico obrigou o humorista e pensar de novo em regime. A dieta j foi adiada trs vezes. Esta mais uma tentativa. Em busca de uma soluo para o excesso de peso, o humorista foi conhecer a dieta da doutora Jane Corona. Desfilando por um labirinto de pratos apetitosos, foi recebendo sugestes, ouviu conselhos, comeu salada e... Est muito sem graa, disse. muito difcil comear a fazer dieta porque algum o convenceu, afirma. Hoje Fernando vive um dilema: de um lado, o prazer da comida; do outro, uma vida bem mais saudvel. Acho que vou ganhar essa guerra. J venci uma vez, vou vencer de novo, declara.

DIETA DO "VALE-TUDO".

Situao comum para quem tem excesso de peso: o aviso pode vir dos amigos, da famlia e at dos mdicos. E, s vezes, nem precisa de aviso: quem fica gordo acaba percebendo quando chega a hora de comear a emagrecer. a bom saber que d para trocar a tentao da comida que engorda por alimentos que ajudam a emagrecer de maneira bem mais saudvel, sem que necessariamente seja preciso passar pelo sacrifcio da fome. Perder peso comendo de tudo o que promete a nutrloga Jane Corona. Quer que seus pacientes emagream de barriga cheia. A dieta boa aquela em que se sai da mesa sem fome, diz a especialista. Comer bastante os alimentos certos sem cortar o que d prazer. O segredo da dieta do "vale-tudo" encaixar as peas certas no quebra-cabeas do prato. Os alimentos obrigatrios so divididos em grupos com nomes esquisitos. Os "termognicos" obrigam o organismo a gastar energia, queimar calorias. Ela recomenda o aafro e as sementes de gergelim, papoula e linhaa. Os "monoterpenos" reduzem o apetite (hortel, broto de alfafa, limo, laranja, tangerina, ma). E no podem faltar os "pr-biticos"(cebola, banana, trigo), que melhoram a digesto e alimentam a flora intestinal. Quem diria que at uma vil das dietas est liberada pela doutora. A batata contm substncias que diminuem a ansiedade da pessoa que est acima do peso. Normalmente o obeso uma pessoa ansiosa, tem necessidade de estar toda hora colocando um alimento na boca, explica. Se aquilo que d prazer a uma pessoa o arroz, como vai conseguir mudar esse hbito alimentar? O arroz tem que ser trabalhado de maneira que a pessoa possa com-lo. Ento, a gente faz arroz de lentilha e de ervilha, diz a especialista. Ou seja, possvel emagrecer comendo bastante.

MUSCULAO DIGESTIVA.

Os quilinhos a mais no vm s do prato mal feito. Luciana Alves das Chagas ganhou 15 quilos quando ficou grvida da primeira filha. Procurou ajuda do mdico Dcio Lus Alves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que receita uma dieta base de clcio e fibras. Uma combinao que obriga o estmago e o intestino a trabalharem mais. Digamos que seja assim, uma musculao digestiva. Isso aumenta o calor do corpo, voc queima mais calorias e gasta muita energia para consumir essas fibras. Isso junto, acelerando o metabolismo com o clcio, que faz o emagrecimento, explica o mdico. O melhor consumir leite, iogurte, caroo de tomate. Essas coisas, que tm muito clcio, vo ajudar, junto com as fibras", ensina o especialista. Em seis meses, Luciana recuperou a silhueta de recm-casada. Mas no foi fcil. Alm da "forcinha" a mais exigida do sistema digestivo, o cardpio tambm mudou. Agora tem legumes, frutas, suco, iogurte, conta ela.

POO ENERGTICA.

Outra mistura poderosa promete acabar com aquela fome que aparece antes do almoo e estraga qualquer regime. Uma espcie de poo energtica. Ma, banana, salsinha ou alfafa, grmen de trigo, semente de linhaa, isso tudo ajuda a aumentar o metabolismo, a queimar gordura, revela a nutrloga Jane Corona. A receita veio de um antigo livro de nutrio, que Jane adotou e repassou para suas pacientes. O efeito poderoso mudou a vida da psicloga Graa Souza Leo. Cheia de energia, hoje trabalha como voluntria ajudando crianas de uma comunidade pobre. Mas h seis anos o cansao tomou conta de um corpo submetido pior das combinaes:vida agitada e m alimentao. Sete quilos a mais e o alarme tocou. A mudana na dieta foi radical. A alimentao baseada em sanduches comprados na rua foi toda substituda por coisa mais nutritiva. Resultado: no foi s a comida na mesa que mudou. A vitamina me deu muita vitalidade, outra disposio para viver. A dieta mudou a minha vida, hoje tenho um dinamismo saudvel, afirma Graa.

COMBATE DIABETE.

J faz quatro anos que a auxiliar administrativa Yvette Monteiro toma remdio diariamente, por causa da diabete. A taxa de acar no sangue j chegou a 362, considerada um risco. O normal entre 90 e 110. Com a taxa alta, os sintomas so imediatos. Coceira nos olhos, muita sede, vontade de urinar e muita fome, conta. Para controlar a glicose, dona Yvette precisou trocar os doces, sorvetes e salgadinhos por pratos mais saudveis. alfacinha, cebola, tomate e pimento em grande quantidade. No posso misturar no mesmo dia macarro, arroz e batata, ressalta dona Yvette. Nunca experimentei remdios naturais, mas gostaria. No custa nada, para poder comer um pedacinho de pudim, um sorvete, comentou. Se era isso que dona Yvette queria, j tem. Foi uma das primeiras a testar um produto natural, a farinha de maracuj, criada para controlar a taxa de acar no sangue. Um teste rpido mostrou que a taxa de glicose estava alta. Mesmo com remdios e cuidados: 175. O quadro perfeito para a farinha de maracuj. A casca da fruta, que normalmente jogada fora, na Faculdade de Nutrio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), material nobre. rica em uma substncia chamada pectina. A pectina uma frao de fibra solvel. No organismo, forma um gel. No caso da diabete, dificulta a absoro de carboidratos de uma maneira geral, inclusive da glicose, revela o doutor em alimentos da UFRJ Armando Sabba Srur. A farinha j foi testada em ratos, com bons resultados. O preparo no laboratrio. Depois de lavar e retirar toda a polpa e as sementes, a casca cortada e levada ao forno para torrar. A casca de maracuj triturada e peneirada. Estava pronta a farinha que dona Yvette ia levar para casa. O professor ensina como a farinha deve ser usada. Durante as refeies. No caf da manh, almoo, jantar, pode-se colocar uma ou duas colheres de sobremesa no leite ou no suco e beber. Em casa, dona Yvette cumpriu risca. Durante quatro dias, trs vezes por dia, tomou a farinha de maracuj. O teste de sangue mostrou que a taxa baixou de 175 para 148. Um resultado comemorado por ela. Nunca tinha chegado a esta taxa depois que descobri o diabete, diz. Vou incorporar a farinha de maracuj a minha alimentao, anuncia dona Yvette. Para o pesquisador, a queda na taxa de glicose mostra que a farinha de maracuj cumpriu o seu papel. Mas alerta que ela no cura o diabete. Se parar de usar, a taxa volta a ficar como era, ressalta.

NATUREZA:FONTE DE INVENES.

Se depender do professor Armando Sabba Srur, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no vai faltar produto diferente para dona Yvette provar. Ele uma espcie de Professor Pardal - descobre utilidade para tudo, principalmente para partes de alimentos que costumam ir para o lixo. Foi assim com o sabugo de milho, que at agora s era usado em rao animal. Com a ajuda dos alunos de nutrio, o professor descobriu que o sabugo riqussimo em fibra e podia ser uma boa indicao para quem tem priso de ventre. A palha e os gros no interessam na experincia. O sabugo cortado em pedaos e levado ao forno para secar. A farinha do sabugo de milho no solvel, no se dissolve na gua ou no leite. A melhor forma us-la em receitas de bolos, de massas de pizza, por exemplo. O professor Sabba preparou um biscoito com a farinha do sabugo de milho. A experincia foi feita em uma fbrica de biscoitos na Regio Serrana do Rio. Leva manteiga, acar, farinha de trigo, ovos e a farinha do sabugo. O biscoito crocante e o sabor no decepciona quem experimenta. A criao do professor foi aprovada no sabor e tambm como fonte de fibra, para ajudar no funcionamento do intestino. As fibras, tanto do sabugo quanto da casca do maracuj, so excelentes fontes de fibras, nutrientes e sais minerais. No podemos abusar deles, mas no h nenhuma contra-indicao, diz o mdico Srgio Puppin. Uma vitria para o nosso Professor Pardal dos alimentos, que no se cansa de buscar na natureza a fonte de suas invenes.

SUBSTITUTO LIGHT DA GORDURA.

Arrancar mandioca no fcil, mas o resultado do esforo recompensado na mesa. Podemos preparar muitos pratos com ela. Alguns, nem conhecemos, diz o agricultor Abelardo. Tem razo. O que pouca gente sabe que a mandioca, to popular, pode render muito mais que antigas e deliciosas receitas. Quando retirada da terra e faz o caminho at os laboratrios de pesquisa, a velha mandioca pode se transformar em produto do futuro, virar alimentos, aditivos, complementos, coisas que o povo da roa e mesmo o povo da cidade nunca imaginou. A transformao acontece no laboratrio de engenharia de alimentos da Universidade de Belo Horizonte (Uni-BH). O gel do amido da mandioca um produto criado para substituir a gordura. E deu muito trabalho. Foram quatro anos de pesquisas at acertar o ponto. difcil, porque a gordura, alm de saciar, confere cremosidade, textura, volume e brilho aos alimentos. Tentamos fazer um amido modificado, que conseguisse imitar a gordura na maioria dessas caractersticas, explica a engenheira de alimentos da Universidade de Belo Horizonte Maria Aparecida Teixeira. Na maionese, o risco diminui bastante. Na receita, a pesquisadora substituiu metade da gordura pelo gel da mandioca. A maionese da mandioca passou no teste. O esforo agora fazer com que o gel que substitui a gordura possa ser usado pela indstria em muitas outras receitas. Trabalhando na roa de mandioca, seu Abelardo comemora a descoberta e pensa no futuro dos negcios. Depois o preo deve melhorar, porque vai ter consumo. Todos que plantarem vo faturar, avalia o agricultor.

FIBRA DE LARANJA.

Pes, bolos, delcias saindo do forno a todo instante. Na padaria da faculdade de engenharia de alimentos da universidade de Campinas (Unicamp), tudo preparado para agradar ao paladar e melhorar a sade. Tem que ser saboroso e ter uma textura adequada, seno vira remdio, que ningum gosta de tomar, comenta a nutricionista da Unicamp Maria Aparecida da Silva. E para fazer o gostoso saudvel tambm l sai a gordura e entram substitutos. Adicionar fibras a todas as receitas tambm parte da luta para reduzir a gordura no organismo. A da laranja, qualquer um pode fazer em casa.

O PODER DOS GROS.

Analisando o poder do feijo carioca, cientistas constataram que o gro ajuda a eliminar o colesterol. O maior destaque do feijo a capacidade que tem de reduzir a gordura sangnea, especialmente o colesterol, observa o doutor em qumica da Universidade de Campinas (Unicamp) Admar Costa de Oliveira. O feijo, a ervilha, o gro-de-bico e a lentilha vm sendo estudados no laboratrio da Unicamp. Transformados em p, alimentam as cobaias que ajudaram a elaborar a lista dos campees da sade. O gro-de-bico, embora no seja um alimento amplamente divulgado entre a populao, possui um valor nutritivo de protena bem maior que os outros trs. Isso foi uma surpresa para ns, conta o especialista.

YACON.

A raiz parece batata, tem um leve gosto de pra e bem suculenta. o yacon. O yacon uma raiz originria dos Andes que j pode ser encontrada no Brasil, mas ainda pouco conhecida, diz a engenheira de alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp) Fernanda Ventura. A raiz tem propriedades interessantes: diminui a absoro de acares, de gordura, refora o sistema imunolgico, previne alguns tipos de cncer e aumenta a absoro de sais, como clcio, ferro e magnsio, destaca a pesquisadora. No toa que decidiu encontrar um jeito saboroso de aproveitar todos esses benefcios. No laboratrio de engenharia de alimentos da Unicamp, Fernanda criou uma supergelia. Foram misturados yacon, acerola e goiaba. Essa gelia no tem adio de acares, de baixo valor calrico. Mas a dona de casa pode preparar a gelia com acar. Basta misturar a proporo de 50% de frutas e 50% de acar tradicional e levar ao fogo para fazer o cozimento como de costume, explica. E se a idia buscar sabor e sade, por que no experimentar? Devemos mexer com essas coisas, j que isso faz bem sade, comenta o agricultor Abelardo.

OBESIDADE E CNCER.

Quem est acima do peso corre muito mais risco de morrer de cncer. O alerta acaba de ser divulgado pela Sociedade Americana de Cncer, ao fim de uma pesquisa que acompanhou 900 mil americanos ao longo de 16 anos. Segundo Jill de Marco, porta-voz da organizao, o risco maior para as mulheres. A probabilidade de que elas morram de cncer pelo excesso de peso mais alta: 60% acima do risco normal. Os homens com excesso de peso tambm correm mais risco de morrer de cncer: 50% mais que os homens de peso regular. Os nmeros da pesquisa so impressionantes: a cada ano, 90 mil americanos morrem de cncer por estarem acima do peso. J se sabia que a obesidade pode causar diabetes e problemas cardiovasculares. Agora est provado que tambm aumenta o risco de vrios tipos de cncer. O mdico Louis Aronne, do New York Presbyterian Weill Cornell Medical Center, explica por que as pessoas gordas desenvolvem mais tumores que as magras. que as clulas de gordura produzem hormnios como a insulina, que provocam a reproduo desordenada das clulas, o que pode levar ao cncer, diz. Isso vai depender, alm do peso, do perfil gentico da pessoa. Para a maioria, os muitos quilos a mais no vo necessariamente levar ao cncer. Mas como ainda no h como saber quem tem ou no a predisposio gentica ao cncer, melhor prevenir reduzindo o peso. Para os obesos, aqueles com peso 30% acima do normal, o doutor Aronne tem obtido sucesso com um novo enfoque: o controle do apetite atravs do caf da manh. A dieta simples: evitar no caf da manh alimentos que contenham amido e acar, como cereais, pes, gelatina ou qualquer doce, sucos, refrigerantes e frutas doces como banana e ma. Tudo isso eleva o acar no sangue, produz insulina e abre o apetite. Vai sentir mais fome durante o dia e comer. Segundo o doutor Aronne, os gordos devem comer no caf da manh alimentos ricos em protena, como queijo, ovos, presunto, frutas cidas como o abacaxi e limonada sem acar. Segundo ele, quem segue essa dieta sente menos fome durante o dia e perde mais peso. Mas o doutor Aronne adverte que s as pessoas que esto muito acima do peso devem fazer dietas rigorosas porque tm a sade em risco. A dieta rica em protenas no saudvel para pessoas que tm peso normal.

TRABALHO PREVENTIVO.

No Brasil, antes que surjam os efeitos devastadores da obesidade, o Instituto Nacional do Cncer (Inca) est ensinando populao a se prevenir contra a doena. Comida saudvel, sem exagero na gordura, passou a fazer parte do currculo escolar. A merenda agora tem pratos bem coloridos, recheados com legumes, e salada de fruta de sobremesa. O que antes era recebido de cara feia hoje devorado com prazer. Em Cordeiro, na Regio Serrana do Rio, a Secretaria de Sade recebeu treinamento do Inca e repassou aos professores de escolas pblicas e particulares. Falar em preveno comear a pensar em se cuidar o mais cedo possvel. O primeiro alvo do programa a crianada que nem aprendeu a ler ou escrever, mas j sabe o que a alimentao pode fazer pela sade. So elas a grande esperana do programa de preveno. So quase cinco mil alunos empenhados em cuidar da prpria sade e ensinar aos pequenininhos. Uma lio saborosa aprendida rapidinho. Ma, abacaxi, banana, pra faz bem sade, diz Jorge Manoel Jnior, de 3 anos. Mexer na terra e cultivar a horta atividade que mobiliza a escola inteira. As crianas, os adolescentes, todos tm uma conscincia clara dos fatores de risco de cncer. A mudana vir com o tempo. Acreditamos que isso vai reduzir o quadro de cncer no municpio, comenta Glucia Gonalves, coordenadora do programa em Cordeiro. Da escola para casa, o programa vai ganhando seguidores. Alessandra precisou se adaptar s novas exigncias dos filhos. Plantou alimentos escolhidos pelas crianas. Segundo os mdicos, essa mudana de hbitos pode ser o diferencial para evitar o cncer. No caso do cncer, as pesquisas mostram que a influncia do meio ambiente maior do que a gentica. Muitas vezes a predisposio gentica d suscetibilidade maior a determinados agentes cancergenos do meio ambiente. Se voc evita, diminui o risco, explica a chefe do programa de preveno do Inca, Tnia Cavalcanti. A ex-ferroviria Sandra Teixeira sabe bem o que essa sensao. Assistiu morte da me, da tia e da irm mais nova, todas vtimas de cncer de mama. E no foi poupada pela doena. Um tumor no seio esquerdo foi o primeiro sinal para pedir socorro. Queria saber por que teve tantos parentes com a mesma doena. No Instituto Nacional do Cncer foi encaminhada para o aconselhamento gentico, feito apenas nos parentes de pacientes. O exame de sangue confirmou: ela tem uma alterao hereditria no cdigo gentico que provoca cncer. O diagnstico e a histria de tragdias da famlia serviram para que Sandra reforasse alguns cuidados com a sade. Segundo os mdicos, ela tinha muitas chances de trilhar o mesmo caminho da me, da tia, da irm. A opo foi fazer algumas mudanas e investir na qualidade de vida. Umas das principais preocupaes passou a ser a alimentao. Passei a comer mais legumes, mais verduras, a beber mais suco natural, conta ela. O cigarro j tinha sido abandonado. Faltava acabar com o estresse, substitudo por sesses de croch. O exerccio fsico cumprido levando as netas para a escola. J so trs anos desde que a doena foi controlada. Fao a minha parte. Procuro me alimentar, fazer o melhor por mim mesma. Resolvi que a sade a principal coisa desse mundo. Se a gente no tem sade, no tem nada, conclui Sandra.

OS PERIGOS DO ESTRESSE.

Passos rpidos, suor e olhares determinados. Parece uma procisso em busca do corpo ideal. Vontade de emagrecer que pode esbarrar em um inimigo poderoso: o prazer que existe em um bom prato de comida. s vezes o organismo no est precisando de alimento e a pessoa come, por isso engorda. Engorda porque come muito mais do que o organismo precisa. E come por qu? Come por angstia, ansiedade, tenso. O alimento passa a ser uma espcie de alimento do esprito, observa o mdico psicanalista Luiz Alberto Py. Em 2001, o Globo Reprter mostrou o gerente comercial Carlos Antnio Ferreira, um homem ansioso, de vida agitada e com o estresse flor da pele. Um dia, o mdico avisou: Carlos tinha um estilo de vida que desajustou o sistema hormonal e fez disparar o peso na balana. A luta para emagrecer comeou na mesma semana, com muitas promessas. Chegou a perder 37 quilos. Dois anos depois, a equipe do programa encontrou Carlos novamente. Abandonou a dieta, engordou de novo e parece mais estressado do que nunca. Quero morrer, estrangular-me, diz. O estresse , provavelmente, um dos grandes mecanismos de engorda. Algumas pessoas so mais sensveis a ele do que outras, observa Amlio de Godoy Matos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A soluo definitiva para o emagrecimento ainda no existe, mas a cincia j tem pistas. Os cientistas sabem que o intrincado jogo de hormnios e substncias qumicas agem no crebro, fazendo aparecer e desaparecer a sensao de fome. J foram identificadas pelo menos 12 substncias que trabalham assim. O problema so as ordens que o crebro d para que se coma mais, ou menos. Dependem tambm do tipo de vida que cada um leva. A gentica humana no ajuda. A natureza nos construiu para acumular gordura. Mas, na vida moderna, no precisamos mais caar o alimento. O conforto dos equipamentos e da vida urbana nos leva vida sedentria, ao estresse inevitvel. O estresse aumenta a cortisona, e a cortisona aumenta a gordura na regio do abdmen, a famosa barriguinha. As pessoas que tendem a engordar mais na barriga so provavelmente mais suscetveis ao do stress, explica o doutor Godoy. Carlos sabe que compensa com comida o estresse do dia-a-dia. No ano passado, sofreu com a perda do pai. Desde ento, sente que s a fora de vontade no suficiente para emagrecer. Necessito de uma terapia para descobrir a ansiedade que gera essa depresso que me faz comer, diz o executivo. Todos os dias, Carlos vencido pelas foras qumicas e psquicas que agem em seu corpo. O bombom d prazer. " muito bom para tirar o estresse!", diz. A geladeira o ampara. A porta da geladeira uma tentativa de sada da depresso, mas , ao mesmo tempo, a porta de entrada da obesidade, ressalta o psicanalista. Estou perdendo a coisa mais natural que tenho, a alegria. complicado, como ser humano, admitir que estou deixando de ser alegre para ser triste, diz Carlos. Mas no desiste. Um novo exame de sangue indicou glicose e colesterol acima do normal no seu organismo. Pode resolver o problema dele, e vai conseguir, afirma o doutor Godoy. No posso continuar gordo, porque seno vou abreviar minha vida, ressalta Carlos.

EXCLUSIVO:RECEITAS.

- Jane Corona, nutrloga - d as dicas dos tipos de alimentos e faz o drinque para ajudar no regime. Telefone: 031-21-2496-3768 (consultrio).

- Diviso dos alimentos da dieta elaborada pela nutrloga Jane Corona:

TERMOGNICOS - obrigam o organismo a gastar energia, queimar calorias: aafro, sementes de gergelim, papoula e linhaa.

MONTERPENOS - reduzem o apetite: hortel, broto de alfafa, limo, laranja, tangerina e ma.

PR-BITICOS - melhoram a digesto e alimentam a flora intestinal: cebola, banana e trigo.

COQUETEL PREPARADO PELA NUTRLOGA JANE CORONA PARA AJUDAR NA DIETA.

Ingredientes:

1 ma cortada em pedaos,

1 banana cortada em rodelas,

1 colher de sopa de grmen de trigo,

1 colher de sopa de semente de linhaa,

1 punhado de salsinha ou de broto de alfafa,

1 copo grande de gua.

Modo de fazer:

Bater todos os ingredientes no liquidificador e servir.

- Dcio Alves, mdico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - fala do clcio e das fibras. Telefone: 031-21-2496-3768.

- Professor Armando Sabba (Professor Pardal), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - d receitas para combater diabetes e priso de ventre. Telefone:031-21-2562-6449. E-mail: sabaa@nbe.ufrj.br

FARINHA DE CASCA DE MARACUJ PARA BAIXAR A TAXA DE ACAR NO SANGUE.

Ingrediente:

Maracuj.

Modo de fazer:

Lave bem o maracuj. Tire as sementes e a polpa. Conserve a casca e corte-a em pedacinhos. Seque no forno e depois triture no liquidificador.

Coma 1 a 2 colheres de sobremesa, a cada refeio, misturada na comida ou no suco.

FARINHA DE SABUGO DE MILHO PARA MELHORAR A PRISO DE VENTRE.

Modo de fazer:

Limpe o sabugo de milho, tirando os gros e conservando o sabugo. Corte-o em fatias finas e leve ao forno para secar. Triture no liquidificador e use a farinha para produzir biscoitos.

- Biscoitos James fbrica de biscoitos de Petrpolis, na Regio Serrana do Rio, onde foram feitos os biscoitos experimentais. Endereo: Avenida Portugal, 880 Valparaso. Telefones: 031-24-2231-6612/2231-6630.

- Srgio Puppin, cardiologista - fala do benefcio das fibras. Telefone: 031-21-2543-9666.

- Maria Aparecida Teixeira, engenheira de alimentos da Universidade de Belo Horizonte (Uni-BH) prepara maionese light, que substitui a gordura por amido de mandioca. Telefone: 031-31-3891-3301.

- Maria Aparecida Silva, nutricionista - prepara farinha da laranja na padaria da Universidade de Campinas. Telefone: 031-19-3788-4074.

FARINHA DA LARANJA, RICA EM FIBRAS, PARA AJUDAR NA REDUO DO COLESTEROL E FUNCIONAMENTO DO INTESTINO.

Modo de fazer:

Descascar a laranja, espremer o suco e conservar o bagao. Bater o bagao com gua no liquidificador. Coar bem e depois enxaguar o bagao que ficou no coador, para retirar o excesso da essncia de laranja. Tirar o bagao da peneira, levar ao forno baixo para secar.

Usar como farinha para enriquecer com fibras bolos, pes e biscoitos.

- Fernanda Ventura, engenheira de alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp) - fala sobre o yacon. Telefone: 031-19-3788-4006.

GELIA DE YACON - PARA AJUDAR NO REFORO IMUNOLGICO.

Ingredientes:

Polpa de goiaba, acerola e yacon.

Modo de fazer:

Misturar as polpas de goiaba, acerola e yacon (por exemplo, metade goiaba e a outra metade misturar acerola e yacon). Se no tiver goiaba e acerola, pode usar yacon e a fruta que tiver em casa. Misturar 1/2 quilo de polpas de frutas e 1/2 quilo de acar. Levar ao forno at dar a consistncia de gelia.

- Dr. Admar Costa de Oliveira faz pesquisa com gros na Universidade de Campinas (Unicamp). Telefone: 031-19-3788-4077.

- Controle do apetite atravs do caf da manh receita do mdico Louis Aronne, do New York Presbyterian Weill Cornell Medical Center. Evitar, no caf da manh, alimentos que contenham amido e acar, como cereais, pes, gelatina ou qualquer doce, sucos, refrigerantes e frutas doces como banana e ma. Segundo o doutor Aronne, os gordos devem comer no caf da manh alimentos ricos em protena, como queijo, ovos, presunto, frutas cidas como o abacaxi e limonada sem acar. Os homens gordos tm mais chance de sofrer de cncer do estmago e da prstata. Entre as mulheres, aumenta o risco de cncer de seio, tero e ovrio. Tanto homens quanto mulheres acima do peso esto mais expostos ao cncer no esfago, intestino, fgado, pncreas, bexiga e rim.

- Glucia Gonalves, coordenadora do programa de preveno do cncer em Cordeiro, Regio Serrana do Rio. Telefones: 031-22-2551-1293/2551-0012 - Secretaria Municipal de Sade.

- Tnia Cavalcanti, responsvel pela campanha do Instituto Nacional do Cncer (Inca) para preveno do cncer nas escolas. Telefone: 031-21-3970-7400.

- Dr. Lus Alberto Py, mdico psicanalista - fala da influncia da ansiedade na obesidade. Telefone: 031-21-2274-7507.

- Dr. Amlio de Godoy Matos, endocrinologista - trata do paciente Carlos Antnio Ferreira e fala sobre os hormnios do apetite. Telefones:031-21-2266-2553/2579-0291/2579-0292.

GLOBO-REPRTER: VIVER MAIS E MELHOR2 DE OUTUBRO DE 2003.

QUALIDADE DE VIDA.

No mesmo salo, no mesmo ritmo, passam jovens casais e outros, mais vividos. Msica e dana diminuem a distncia entre eles - unem o que o tempo separa. Danar para mim receita mdica, diz dona Cecilia Gehrard. Um mdico recomendou que danasse por causa da coluna. O baile da noite anterior faz o dia amanhecer lento na pequena cidade, a 120 quilmetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Protegidos pelas montanhas, estariam guardados na regio os segredos da longevidade? Colinas a cidade brasileira com a maior concentrao de idosos. Mais de 21% dos 2,5 mil habitantes - um em cada cinco moradores. O retrato do Brasil nos prximos anos. Ns, que fomos o pas do futuro, agora nos descobrimos envelhecendo. Viver mais j um sonho possvel. Hoje, quase 16 milhes de brasileiros j passaram dos 60 anos. Daqui a duas dcadas seremos 32 milhes. O desafio chegar l com sade, vitalidade e vontade de viver. Vigor o que no falta a Eldo Scholler, alfaiate aposentado que no aposentou a tesoura. Hoje, cria esculturas nos jardins que enfeitam as ruas de Colinas. Casado com dona Loiva, com filha e netos morando em outra cidade, Eldo ainda tem disposio para construir brinquedos, reinventar a prpria vida. Quando trabalhamos, estamos felizes, comenta Eldo. Tambm gosto, diz dona Loiva Scholler. Ele est mais do que correto e deve viver isso intensamente, recomenda a biogerontloga Ivana da Cruz. Se ao longo de nossas vidas buscarmos com nosso trabalho e nossas relaes familiares outros tipos de atividade que nos dem prazer, quando formos mais velhos, as trocas sero amenas e muito mais um prmio do que um castigo, avalia a especialista. A maioria dos moradores de Colinas de origem alem e vive no campo. Dona Emlia e Carlos Klein j comemoraram 65 anos de casados. Klein tem 88 e no pra de trabalhar. Tem muita gente que pensa que sou velho, no posso trabalhar mais, mas no sou. Gosto de trabalhar, afirma Klein. Perto dali, Ilmo Horst e a mulher saem juntos para a lavoura todas as manhs. Vo cuidar das plantaes de mandioca e feijo. Gostam do que fazem. Com o que produzem, conseguem um dinheirinho extra, que complementa a aposentadoria. s vezes, sentimos o cansao, verdade. Mas depois diminui, conta Horst. No me imagino parado, sem fazer nada. A princpio, a atividade fsica faz muito bem para a sade. Infelizmente, no Brasil, a expectativa de uma vida saudvel de 56 anos de idade. Com essa idade, 50% da populao j tem pelo menos uma doena estabelecida hipertenso, diabetes, colesterol alto - e isso muito ruim, diz Ivana da Cruz.

RECEITA DA LONGEVIDADE.

Na boa alimentao, est a principal receita para evitar as doenas. Ou, pelo menos, fazer com que elas apaream bem mais tarde. A gente come feijo, arroz, carne, aipim, batata, tudo o que se colhe em casa, conta Horst. Comi coisas como cheesburguer e cachorro-quente uma outra vez. Ter mesa um alimento saudvel um privilgio que no atinge a maioria dos idosos brasileiros. Uma pesquisa feita pela Universidade de Campinas (Unicamp) na Universidade da Terceira Idade de So Joo da Boa Vista, em So Paulo, revelou que os mais velhos no se alimentam bem. O estudo acompanhou 94 mulheres, com idade entre 55 e 83 anos. A concluso de que 60% comiam mal. Comia muita fritura. Adorava um pastelzinho, uma coxinha de galinha, conta a aposentada Maria Jos dos Santos Rodrigues. Os olhos de dona Francisca Krause brilham quando fala do torresminho que adora preparar. Ele fica crocante. Voc vai mordendo e fazendo aquele barulhinho gostoso... uma delcia! Com mandioca cozida, ento..., ressalta dona Francisca. Extravagncias parte, o problema falta de nutrientes bsicos, aqueles de que todos precisamos e que nem sempre aparecem nas refeies do dia-a-dia. Falta quantidade adequada de leite ou derivados, por conta do clcio. Por isso, temos muitos problemas de osteoporose no grupo de idosos. Foi constatado que somente 6% das idosas consomem carne duas vezes por semana, o que pode causar problemas como anemia, carncia de protenas e outros problemas futuros, revela a mestre em nutrio da Unicamp Glucia Navarro Ruga. E qual seria, afinal, a refeio ideal para quem tem mais de 60? Exatamente a mesma de quem tem menos de 60. Deve incluir carboidratos, protenas e fibras, que ajudam a regular o intestino. Agora que aprendi a comer, pareo uma menina. Pratico esportes, jogo vlei, fao mil e uma coisas, garante dona Maria Jos.

ENVELHECER SEM ESQUECER.

Corpo sadio, mente lcida. Na busca desse equilbrio, os idosos ainda tm de driblar o terrvel problema da falta de memria. Quem j no experimentou? No Brasil, 1,2 milho de pessoas sofrem da mais comum das doenas degenerativas do crebro: o Mal de Alzheimer. Mas, envelhecer esquecer? Quando os adultos devem se preocupar com esses lapsos? Quando notam, por exemplo, a incapacidade de lembrar o nome ou o rosto de pessoas que lhe so importantes - o rosto de um grande amigo ou o rosto do filho, anuncia o professor titular em neuroqumica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ivan Izquierdo. Mas, calma: ningum precisa ficar em pnico quando deixa a carteira em casa, por exemplo. Quanto mais ocupados sejamos, mas vamos esquecer, temos mais coisas em que pensar e isto no uma coisa importante, diz o professor. Conselho de um dos maiores especialistas no assunto: assim como a ginstica importante para manter o corpo a mente tambm precisa de exerccio. E a melhor forma de se exercitar pela leitura, porque a leitura ativa ao mesmo tempo vrias memrias, explica Izquierdo. Feliz de quem pode visitar a memria como se fizesse um passeio pelo poro da casa: reencontrar objetos, cultivar lembranas, misturar passado e presente. Lembro-me de tudo, recito poesias de quando era adolescente, canto coisas de quando era menina. Desculpem-me, mas no me sinto uma mulher de 71 anos, diz a musicista Ivone Pacheco. Esta gacha de 71 anos casou muito cedo. Teve trs filhos e depois de uma separao difcil e muitas angstias deu uma guinada na vida. Com quase 50 anos, passou a se dedicar inteiramente arte que aprendeu na infncia. Quero esquecer o passado, mas s as coisas ruins. Na memria, guardo as coisas boas, como, por exemplo, a msica, diz dona Ivone. Ivone criou um clube de jazz em Porto Alegre, onde mora. Revirou o ba de memrias e hoje divide o palco com msicos de todas as idades. Eterna, como uma estrela. A carcaa, a matria, a forma de caminhar, o tombo, as doenas, isso envelhece. Mas o esprito no, ressalta a musicista.

CUIDADOS ESPECIAIS.

Para os especialistas, uma velhice saudvel mesmo a eterna juventude to perseguida pelos sonhadores. No comea aos 60, nem aos 40, mas aos 20 anos. Alguns conselhos para quem quer chegar l de bem com a vida: cuidar da pele. Uma vez por ms, faa um exame diante do espelho. Ver se no tem nenhuma mancha ou feridinha que no est cicatrizando, orienta a biogerontloga Ivana da Cruz. Nunca esquecer o protetor solar. Usar culos escuros em ambiente de muita luz evita a catarata. Consumir pelo menos cinco tipos de frutas ou vegetais a cada dia. Tomar muita gua limpa hidrata o organismo. Dormir bem: o sono tranqilo um dos segredos da longevidade. Ivana completa: Pessoas que esto tendo sonos entrecortados e que acordam cansadas devem procurar ajuda. Mulheres:auto-exame da mama e Papanicolau como rotina de vida. Homens: avaliao freqente da prstata. Muito pior do que a vergonha uma doena. Ento, o exame de prstata, que consiste no toque mais o exame de sangue, fundamental, diz a especialista. Fundamental, mesmo, no perder o ritmo e seguir os passos de quem fez do tempo o melhor parceiro.

CORRIDA PARA O FUTURO.

Flexibilidade para tirar o corpo esguio do cho e ergu-lo a 1,2 metro de altura. Massa muscular para suportar a exploso nos cem metros rasos, percorridos em 17 segundos. Nada demais para quem passa a vida treinando os msculos. A diferena que, no caso de Antnio e Ins Shizimo, "a vida" algo que j dura h mais de 70 anos. Tenho 72 anos, ela conta. Nasci no dia 12 de setembro de 1927, anuncia Antnio. Depois dos 50, o doce casal parou de contar velinhas e comeou a colecionar medalhas. E tudo comeou em uma marcha leve, para envelhecer com sade, em grupo de vencedores: a turma de cabea branca das aulas de educao fsica da Universidade de So Paulo (USP). Os exerccios no cansam. Pelo contrrio, d mais vontade de faz-los, garante o aluno Horcio Gailito, de 67 anos. O exerccio para a corrida de obstculos da velhice. Acho que muito desagradvel viver sem qualidade de vida, com dependncia, diz outro aluno, lvaro do Nascimento, de 76 anos. Objetos do cotidiano viram equipamento para aguar reflexos. O cabo de vassoura fortalece braos e pernas. "Preciso de fora muscular nas pernas para poder levantar da cadeira, do vaso sanitrio, subir em um nibus, subir degraus, abaixar-me para pegar um assado no forno, por exemplo", observa a professora de educao fsica da USP, Silene Sumire Okuma. O rolinho de areia ensina a fazer fora do jeito certo. O alongamento apronta os msculos para a longa jornada vida adiante. Doutora em educao fsica para a terceira idade, Silene vive correndo contra o calendrio. Luta para impedir que o tempo roube a independncia desta gente. "O envelhecimento sedentrio vai fazer com que se tenha velocidade de perda, que leva degenerao, muito mais rapidamente do que um corpo que se mantm ativo", explica.

ENERGIA AOS 99.

Pular na piscina duas vezes por semana. Esse um dos maiores prazeres de um homem que atravessou um sculo de vida em largas braadas. "Comecei a nadar aos 18 anos. Vou parar quando morrer, diz Miguel Graziano. Parar palavra sem registro no vocabulrio deste italiano de 99 anos e trs meses de idade. Nos 20 minutos dirios de bicicleta, Miguel aproveita para ficar de olho na notcia. O resto do tempo, trabalha. "H dez anos, desde que veio morar comigo, jamais tive que fazer uma compra. Ele se encarrega de fazer supermercado, feira, vai aos bancos", revela sua filha, Marisa Grasiano Tortamano. Com a idade que tem, Miguel faz ainda mais: prepara com mos firmes a massa do po e do macarro que a famlia consome. "Quanto menos fico parado, mais a vida alonga", comenta. Mas o que alonga, mesmo, parecem ser as simpticas sesses semanais de convvio familiar. quando Miguel preside, orgulhoso, a mesa que rene quatro geraes de Grazianos. A vida em famlia parece ser a fonte da vitalidade deste velho senhor, que no come carne desde os 70, mas, at hoje, no dispensa um bom vinho tinto - italiano, de preferncia. "Tudo tem que ser moderado na vida. A comear pelo amor, pela comida e pelo modo de viver. Tudo tem que ter um certo comportamento", ressalta Miguel.

TEMPO DE SE MEXER.

Na superfcie, o grupo da terceira idade de So Caetano ensaia a coreografia para o campeonato de hidroginstica. No fundo, estes aposentados do ABC Paulista comemoram a descoberta de que exerccio e amizade so um santo remdio para envelhecer com sade. A gente deixa os problemas de sade para depois", conta dona Dirce de Matos calvo, de 74 anos. Moo ou velho, no local, so categorias que parecem depender mais da disposio que da data de nascimento. Nos trs centros da terceira idade de So Caetano, a energia madura canalizada para atividades que melhoram a qualidade de vida de quem passou dos 50. A cidade, que tem o melhor ndice de desenvolvimento humano do pas e um dos melhores atendimentos ao idoso, atraiu a ateno dos cientistas. Todas as semanas, uma equipe multidisciplinar da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) desembarca em So Caetano com cronmetros e balanas e tenta traduzir para a cincia o bem-estar estampado em cada rosto da turma. "Ando para ir ao banco, padaria, fao tudo a p, no vou de carro. Esse o segredo para me manter bem, alm de piscina e hidroginstica duas vezes por semana", revela um dos alunos, Joo Bernardes, de 68 anos. "Comeamos a acumular peso, gordura, a perder flexibilidade, a partir dos 30 anos. Nossa condio respiratria, cardiovascular, o flego que a gente tem, tambm perdida a partir dos 30. Ento, dos 30 aos 60, perdi 30 anos de sade que poderia ter poupado perfeitamente se tivesse feito atividade fsica regular", observa a mdica esportiva da Unifesp Sandra Matsudo. Foi-se o tempo em que o estetoscpio bastava. Para conferir a sade desses vovs sarados, haja flego e tecnologia! No Centro de Estudos em Psicobiologia e Exerccio da Unifesp, idosos passam por um programa de condicionamento fsico de seis meses. O resultado impressionante: a depresso caiu 30%; a ansiedade foi 70% menor nos grupos estudados; 80% dos idosos tiveram uma melhora de qualidade de vida, com reflexos na memria, raciocnio e humor. O exerccio pode no rejuvenescer, mas retarda o envelhecimento e o torna mais saudvel. O exerccio fsico faz com que o idoso tenha um grande restabelecimento fsico e mental, diz o professor da Unifesp Marco Tlio de Mello.

MENTE EM EXERCCIO.

Exercitar os neurnios outro jeito de driblar o tempo e envelhecer bem. Vovs e vovs ocupam carteiras nas universidades que abriram suas portas terceira idade, como a Federal de So Paulo. A hora do intervalo e do lanchinho sagrada, mas as aulas so levadas muito a srio. A freqncia mnima para a pessoa ser aprovada de 75%. Se no comparecer a pelo menos trs quartos das aulas, no recebe o diploma. Em quatro anos de Universidade Aberta Terceira Idade, nunca houve uma reprovao. Ou seja, o pessoal vai s aulas mesmo. Os estudantes tm aulas de sade, assuntos contemporneos, informtica, ingls e integrao social. Portas que, em muitos casos, se abrem pela primeira vez diante de olhos que continuam a brilhar de curiosidade. "Hoje no sou mais uma analfabeta virtual, antes era", conta a aluna Maria Luiza Vannucche, de 68 anos. Um senhor nunca saiu da universidade. O velho mestre da Escola de Agricultura Lus de Queirs, em Piracicaba, est aposentado h 20 anos e trabalha at hoje. Aos 90 anos, professor emrito da Universidade de So Paulo (USP), o doutor Walter Accorsi especialista em fitoterpicos, remdios feitos com plantas cuidadosamente cultivadas no horto que leva o nome dele. Diante da placa que diz Horto de Plantas Medicinais e Aromticas Professor Walter Radams Accorsi, brinca: No sei quem ele . O bom humor, a mente gil, a memria prodigiosa surpreendem a cada frase. Os americanos chamam a babosa de planta milagrosa. Ela serve para tudo, tem 56 aplicaes. muito importante para o corao e para o fgado, destaca o mestre. Doutor Accorsi ficou famoso pela defesa do uso medicinal do confrei e pela pesquisa com o ip roxo, o popular pau d'arco. "Agora estou tomando o extrato. Alm de produzir sangue, combate as hemorragias. Os leucmicos encontram no pau darco um tratamento natural. Cncer, ento, nem se fala", comenta. Usurio das prprias receitas, o velho professor toma um coquetel dirio de fitoterpicos. Ultimamente, anda entusiasmado com um tipo de ginseng vindo do Peru. "Agora vou tomar maca, que impede o envelhecimento precoce. Como j estou velho, sem ser precocemente, no sei se vai fazer efeito. A substncia impede o envelhecimento precoce, mas j estou no fim da vida", brinca. Uma vida dedicada cincia de plantar e colher. Algum que lanou razes fortes desde o princpio, continua a semear at hoje. E merece, mais do que nunca, o reconhecimento de vrias geraes de discpulos.

APOSENTADOS NA ATIVA.

Quando as rugas desenham a pele, os cabelos perdem a cor e o corpo pede descanso, seria a hora de esperar o tempo passar em um embalo suave. Mas essa uma imagem que est ficando velha. Ele tem 88 anos e se recusa a representar o papel de velhinho. Heitor Farias prefere vestir o figurino da rebeldia. Nos passeios com um grupo de motociclistas, vai na frente. um veterano e conhece os caminhos da beleza, do prazer. Heitor no tem dvida: precisa do movimento para viver. "Ela precisa de combustvel para funcionar e para mim um combustvel estar andando, trabalhando. Cheguei a ficar parado um tempo, mas senti tristeza, conta. Aposentando do servio pblico por causa da idade, Heitor virou consultor na rea de administrao. Entrega os relatrios que faz usando a moto. Acho que o segredo continuar ativo e tenho convico disso. Por isso que estou nessa atividade. No paro e enquanto tiver disposio estarei em cima da moto. E trabalhando, garante. Nem to aventureiros e radicais como Heitor, mas com muita energia para o trabalho. So assim os idosos de hoje. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea) revela que quase 60% dos aposentados acabam voltando para o batente. Como a estrada da vida est ficando cada vez mais longa, tem muita gente com disposio para continuar rodando nela. Uma vida inteira de trabalho no Jardim Botnico do Rio de Janeiro. A obra identifica o homem. O nome dele Orlando Pereira da Silva, mas todo mundo o conhece como Folha Seca. Um apelido da poca em que usava folhas secas para desatolar caminhes nas estradinhas barrentas do Jardim Botnico. Hoje, nome de lago. Aos 80 anos, tem um orgulho: suas mos ajudaram a embelezar e a cuidar de tudo. "So 20 lagos, quatro cascatas e cinco metros de vala. Aposentei-me em 1977, mas continuei, diz. Continuou atendendo ao pedido da Sociedade dos Amigos do Jardim Botnico. E tambm por medo. "Mais de 30 colegas meus que se aposentam morreram. Morreram porque ficavam parados, iam dormir at 14h. No faziam nada, ficavam jogando domin. Eu no, fao movimento, afirma. Entra no lago, cuida das plantas, pedala por toda parte. Folha Seca dispensa as folgas e as frias. Fez do trabalho sua seiva e das rvores centenrias seu exemplo. A rvore ainda est brotando, aponta. por isso que o velho aqui tambm est brotando. Transformar garrafas pet em vassouras. A idia, revolucionria na poca, surgiu da necessidade de um grupo de aposentados de uma grande siderrgica de Sabar, Minas Gerais. Precisavam bancar o plano de sade e tambm no queriam ficar parados. Formaram uma cooperativa. "Tnhamos um capital de R$ 2 mil. Fomos ao ferro-velho e compramos todo o material por um preo baixinho. Um colega tinha uma mquina de costura e comeamos a aproveitar essas peas", lembra o aposentado Araken Gomes de Paiva. Assim, foi montada a fbrica, que tem capacidade para produzir sete mil vassouras por ms. As garrafas so doadas pela comunidade. O negcio deu to certo que foi ampliado. Agora, tambm fabricam sacos plsticos. Mquinas antigas? No importa. Ningum persegue a produtividade a qualquer preo. "Aqui no existe regulamento rgido. As pessoas fazem o que querem, quando querem e como podem fazer. E funciona, porque nosso objetivo a valorizao da vida e no o enriquecimento", revela Araken. Hoje, os 90 aposentados que se revezam no trabalho da fbrica tm plano de sade. Ganham pouco, mas o orgulho grande. No h mais garrafas boiando no rio, e as vassouras deixam a histrica Sabar um brinco.

VIOLNCIA CONTRA O IDOSO.

As marcas no so s do tempo. O pas que envelhece ainda maltrata quem cruza a barreira da terceira idade. A violncia muitas vezes vem da famlia, como na novela Mulheres Apaixonadas. Na vida real, pode ser muito pior. Ah, meu Deus! Tenho sofrido na minha vida, sabe..., declara dona Maria Alexandre Rosa. A dana com as amigas um jeito de espantar tanto sofrimento. Aos 76 anos, dona Maria encontrou o respeito que no tinha em casa. Moradora da Cidade de Deus, um bairro do Rio de Janeiro dominado por traficantes, viveu anos com medo do prprio filho - usurio de drogas. "Bateu nas minhas costas, deu um soco na minha boca, que levei 20 pontos", conta. Violncia sem limites. "No pude suportar. Fui obrigada a entreg-lo policia, revela. Mas o sentimento de me pode ser mais forte do que a dor da agresso. "Pedi para que no fosse preso, porque iam bater muito nele. Fiquei com pena. Me me, n? Corao de me di", observa. O filho morreu h dois anos. S ento dona Maria comeou a viver. Recuperou a auto-estima em um centro de convivncia onde os idosos ficam s durante o dia. "Essa alternativa visa evitar que o idoso v para um asilo desnecessariamente, porque a gente entende que o asilo a ltima opo", diz a coordenadora da Casa de Santa Ana, Maria de Lourdes Braz. Em So Paulo, a vigilncia no meio da noite. Promotores e tcnicos de sade percorrem asilos particulares e ficam chocados com o que ainda se faz contra os idosos, que pagam para ter atendimento. Em um quarto frio e mal-cheiroso, Francisco, de 69 anos, passa as noites trancado. "Quando o senhor precisa de alguma coisa, bate na porta?, pergunta um dos promotores. No, responde Francisco. O senhor fica a noite toda com a porta fechada?, questiona o promotor. Fico, afirma Francisco. Outro asilo, outra forma de excluso. No local, a responsvel pela limpeza faz tambm o papel de enfermeira. O diretor da Vigilncia Sanitria de So Paulo, Ocimar Azzolini, estranha tantos idosos dormindo to profundamente. Identificou exagero nos remdios. "Dormindo mais noite, o trabalho para quem est tomando conta menor", explica o Azzolini. S 13 anos depois da criana e do adolescente, chegou a vez de o idoso ganhar proteo legal. O Estatuto do Idoso, sancionado na quarta-feira, pune com mais rigor os abusos contra quem passou dos 60. Agora, a sociedade que precisa ficar mais vigilante, porque o caminho a denncia. No Rio de Janeiro, o Ligue-Idoso registrou s neste ano 1,2 mil casos. As ligaes so annimas, e quase todas de vizinhos indignados com o que vem. Dona Zlia um caso mais raro. Foi pessoalmente denunciar duas agressoras: a filha e a neta. Fui agredida pela minha neta, que tem 13 anos. A me dela, minha filha, foi quem me segurou. Ela me maltrata, conta. "S mesmo quem trabalha no atendimento ao idoso pode ter noo de quanto nossa populao massacrada", constata a assistente social do Ligue-Idoso, Rosngela de Castro Augusto. No fundo da enfermaria, em um hospital do Rio, a mostra de que o Brasil ainda no aprendeu a lidar com seus velhos. Presa a uma cama, dona Maria Lucy recebe mais carinho do que tinha em casa. Ela foi libertada pela polcia depois do alerta dos vizinhos. Aos 87 anos, viva, perdeu o nico filho e morava sozinha em uma casa que parecia abandonada. Um pouquinho de biscoito e leite eram os nicos alimentos dentro de casa. Quem passava pela rua conta que uma porta ficava sempre aberta, mas o contato de Maria Lucy com o mundo externo terminava no quintal. No podia passar para a rua. O porto permanecia fechado e Maria Lucy no tinha as chaves. Nos ltimos tempos, comovidos, os vizinhos resolveram ajudar passando alimentos por cima do porto e at caf por um buraco. Era uma priso dentro de casa. Dona Maria Lucy traduzia a solido em gritos. "Gritava muito, a noite inteirinha. Quebrava tudo dentro de casa. Acho que era de fome, porque ela gritava que tava com fome", lembra a vizinha Cremilda Almeida. A equipe do Globo Reprter localizou dona Raimunda de Souza Lopes, a irm de Maria Lucy. Ela no acha que a idosa estivesse abandonada. Conta que, sempre que podia, ia visit-la e que uma neta mandava dinheiro todo ms. As dificuldades de dona Maria Lucy, diz Raimunda, so as dificuldades comuns de uma famlia simples do Brasil. "Acho que existem trs ou quatro testemunhas dizendo que ela maltratada. Mas a pessoa ia agentar trs anos, como eles falam, sem morrer?", argumenta Raimunda. Crcere privado, abandono, maus-tratos. Quem investiga diz que, em mais da metade dos casos as agresses contra os idosos so motivadas por dinheiro. Dona Ruth Giannico, de 80 anos, sofreu um derrame h seis meses. Quando deixou o hospital, foi internada pela filha em um asilo, que tambm recebe pacientes psiquitricos. S conseguiu sair com ajuda do Ministrio Pblico de So Paulo. "Falei que no queria mais ficar l porque ia ficar maluca tambm. Minha prpria filha falou assim: Olha aqui, se acha que no est bom, vou lev-la para um lugar ainda pior. Senti como se fosse uma punhalada, emociona-se dona Ruth. Hoje, dona Ruth est em uma casa de repouso melhor, mas divide um quarto com outras idosas. Poderia estar em um sobrado que j foi dela. Dona Ruth contou aos promotores que, seis anos atrs, transferiu o imvel para outra pessoa por presso da filha. "Ela me fez assinar para passar a casa para esse homem, que amigo deles", revela. Um ms depois, a casa foi transferida de novo: do primeiro comprador para a filha de dona Ruth. Ela queria vend-lo, mas, por enquanto, a Justia impede. Por que tudo isso? A filha de dona Ruth no explica e se recusa a gravar entrevista. "Cuidar do envelhecimento de um minuto para outro no resolve. Tem que se preparar, preparar o idoso de amanh, para enfrentar seu prprio envelhecimento junto aos filhos e famlia, comenta o promotor pblico Joo Estevam da Silva.

DE BEM COM A VIDA.

Parabns pra voc.... A festa pelos 74 anos de Jacira. A reunio das amigas em um edifcio em Copacabana, bairro do Rio de Janeiro onde vivem mais de 40 mil idosos - a maior concentrao do Brasil. No lugar, velhice no sinnimo de isolamento e desnimo. Na praia to famosa se aprende que a terceira idade pode - e deve - ser vivida com disposio e alegria. Prazer ao alcance de todos, em qualquer lugar. A caminhada no calado, a praia, o jogo de cartas. Fsico e mente sempre ativos. O crebro o que temos de mais precioso. Se a cabea no funcionar, nada funciona, avalia Esmeralda Kwaszinsky, de 91 anos. Dona Esmeralda, viva, mora com a filha e o neto. So 91 anos de pura sabedoria. E um grande senso de humor. Quando perguntada sobre a possibilidade de amar de novo, responde: Em primeiro lugar, teria de ser um moo. Porque um homem de 91, nem de graa!. Em um hotel exclusivo para a terceira idade h equipamentos de segurana e servios de enfermaria. Dona Welza Loyola, de 85 anos, garante que feliz. Prefiro morar aqui. Meu filho muito meu amigo, est sempre comigo, mas vou dar trabalho se morar com ele, diz. Motivo para reclamar, todo mundo tem. Mas, unidas pela solidariedade, mulheres superam seus dramas. H 35 anos renem-se em um clube de idosas em Copacabana. E trabalham muito, sempre pensando nos outros. Os vestidinhos que fazemos vo para vrios lugares - para casas de sade, maternidades, conta Cila da Fonseca, de 77 anos. O trabalho maravilhoso. Dona Rosa Comezzano tem 88 anos e coordena o trabalho das costureiras voluntrias. No peito, um marcapasso dita o ritmo do corao generoso. O que nos d sade fazer alguma coisa por nossos semelhantes, diz a coordenadora de costura da Cejuve, Rosa Comezzano. Copacabana ficou l embaixo. No alto do morro, a Favela do Cantagalo. Ser aposentado e viver no local , antes de tudo, um exerccio de sobrevivncia. Seu Joo Feliciano um dos milhes de aposentados brasileiros que trabalham. Aos 73 anos, ainda no pde descansar. Com a penso da aposentadoria, o salrio de tcnico de manuteno e mais alguns biscates, sustenta nove pessoas - filhos, netos e bisnetos. Considero-me um vencedor porque nunca tive derrota, garante seu Joo. O que tenho suficiente: uma famlia consagrada, graas a Deus, diz. Do alto, Dona Maria Helena Rocha, de 63 anos, v a cidade dividida. Mora no morro desde os dez anos. E ainda sonha morar l embaixo. Aos 65 anos, j perdeu a conta de quantos netos e bisnetos mantm com uma aposentadoria de apenas um salrio mnimo. Os pais dessa molecada toda j esto no andar de cima, morreram, revela dona Lelena. Quem vive no morro conhece a lei do silncio. Da famlia toda, s um dos netos concorda em aparecer. Mas nessa luta diria pela vida, dona Lelena no tem tempo para sentir medo. Tenho insnia. Fico preocupada, pensando no meu po, conta. Por mais bonita que seja, a cidade grande , a cada dia, um lugar mais assustador. barulho, poluio, trnsito, violncia. Com medo, o idoso sai cada vez menos de casa. Alguns poucos tm a sorte de poder deixar tudo isso para trs e ir aproveitar a aposentadoria em uma cidade menor, com direito a um horizonte com muito verde e tranqilidade. Em Terespolis, Regio Serrana do Rio, fica uma casa adaptada para um casal de aposentados. Apenas uma pequena rampa na entrada. De resto, a casa toda plana. Portas e corredores largos, as tomadas so mais altas, a iluminao acionada por sensores. Os tapetes tm antiderrapantes e no banheiro, preocupao redobrada. Das pessoas que caem dentro de casa, 70% sofrem algum tipo de fraturas. E grande parte dessas fraturas acontece dentro dos banheiros, por causa do piso escorregadio, revela a arquiteta do Projeto Casa Segura, Cybele Monteiro de Barros. Para evitar acidentes, piso que no escorrega, vaso sanitrio mais alto, barras de apoio nas paredes e cadeira no box para ajudar no banho do idoso. Nunca escorreguei. A gente se sente mais seguro, observam os moradores da casa.

GLOBO-REPRTER: SONO31 DE OUTUBRO DE 2003.

INSNIA EM FAMLIA.

O fim da tarde um momento mgico para Lus Guilherme. Desde criana, nesta hora que solta o corpo e deixa a imaginao flutuar ao som das ondas da Praia do Arpoador, na Zona Sul do Rio. Quando o sol se for, a paz de Lus Guilherme tambm vai desaparecer. A noite virou inimiga deste msico de 26 anos. O problema comeou na adolescncia. "Desde que passei para o segundo grau, quando fui estudar noite, comecei a ter problemas para dormir. Ficava na Internet acordado o tempo inteiro, sem sono nenhum, tendo problemas para dormir entre 23h e 6h", conta. Desde 1997 Lus Guilherme mudou de vida e de nome. Virou Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas. Mas os problemas de sono dele no mudaram. Alis, agravaram-se. "Estava trabalhando muito, ficava cansado e tudo, mas quando chegava noite no conseguia dormir de jeito nenhum. As distncias entre as cidades onde a gente tocava eram longas e no conseguia dormir no nibus direito. Comecei a ter problemas na voz. Procurei um mdico, que me orientou a tomar um remdio para poder descansar e dormir enquanto estivesse em turn, diz Tico. Fiquei oito meses s dormindo base de remdio. E isso era horrvel porque quando voc fica viciado em um remdio o sono fica superficial sem ele". Tico no o nico na famlia com problemas de sono. A me dele, Lcia Fontenelle, h 25 anos tem insnia e para dormir toma remdios que s podem ser vendidos com receita medica. No consigo dormir uma noite inteira tranqilamente. Durmo umas duas horas, acordo e tomo meio comprimido para ver se adianta. Meio comprimido faz efeito por mais umas duas horas. A, acordo de novo. Quando mais ou menos 6h, fico num mau humor danado, porque o mundo inteiro dormiu e fiquei acordada, o mundo inteiro est acordando e eu querendo dormir, diz. Acho que se chegasse um gnio e perguntasse quais so meus trs desejos, um deles com certeza seria dormir direito.

ENQUANTO A MANH NO CHEGA.

Uma da manh no centro de So Paulo. Cada janela acesa marca mais uma madrugada de rolar na cama sem conseguir dormir, de andar pela casa, de ver televiso para passar o tempo enquanto a manh no chega. Assim como Tico e a me dele, outros milhes de brasileiros, nesta hora, em outras cidades, esto lutando para pegar no sono. De 15% a 20% da populao sofrem de insnia. So aproximadamente 36 milhes de pessoas. Dessas, 70% so mulheres. A viva Maria Gomes uma delas. Sempre dormiu mal, mesmo antes da morte do marido. Mas a insnia se agravou quando perdeu o filho mais velho, vtima de meningite. Estava viajando para voltar para casa. Mas no cheguei. A viagem de nibus durou trs dias. Esconderam de mim que ele estava internado e aconteceu o pior. Passei a no dormir. Um dia dormia, outro no, conta dona Maria. Quando acordo, estou cansada e muito mau humorada. "Sempre digo que a insnia a ponta do iceberg. Na verdade, por debaixo desse iceberg existe uma complexidade de fatores. Podem ser fatores fsicos, como problemas respiratrios durante a noite, que levam a um sono extremamente fragmentado, ou problemas psicolgicos afetivos, profissionais, familiares, econmicos", revela o neurologista do Instituto do Sono da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp), Luciano Ribeiro Pinto Jr. O que h por baixo do iceberg, no caso de dona Maria, o que os pesquisadores do Instituto do Sono da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) tentaram descobrir. Ela foi submetida a uma polissonografia. Eletrodos ligados a vrias partes do corpo registraram, durante toda a noite, a atividade cerebral, muscular, respiratria e cardiolgica de dona Maria. Dona Maria demorou quase uma hora para dormir exatos 58 minutos. A polissonografia mostrou que dormiu um sono leve, que no descansa. Acordou vrias vezes durante a noite. E o mais importante: a polissonografia revelou a razo para tantos despertares. "O principal, que chama ateno no exame dela, que teve movimentos peridicos de perna. A pessoa fica movimentando a perna em um intervalo regular. Ento, no s uma queixa psicolgica, ela tem um motivo real para ficar acordando noite, que so os movimentos de perna", anuncia a pneumologista do Instituto do Sono da Unifesp Lia Rita Bittencourt. Um problema de dcadas, finalmente, tem chance de ser resolvido. Pelos prximos oito meses dona Maria vai passar por um tratamento para acabar com a insnia. Nada de remdios para dormir, vai fazer ginstica aerbica, para cansar os msculos da perna, e tomar uma medicao do mesmo tipo que se d a quem tem o Mal de Parkinson. Espero uma melhora com o tratamento, que encoste e durma. o que mais quero", diz ela.

SONO VIGIADO.

Tico livrou-se da insnia e dos remdios sozinho. Enfrentou crise de abstinncia. Ficou quatro dias praticamente sem dormir, mas hoje dorme tranqilo, sem remdios. Em compensao... Com a vida agitada de shows que tem pelo Brasil, o problema dele agora outro. Hoje em dia, sempre que d para dormir nas viagens, durmo. A dificuldade agora s tempo mesmo. Durmo seis horas, s vezes cinco, s vezes trs, s vezes oito. Ento, no existe uma regularidade no meu cronograma de sono, diz o lder da banda Detonautas. Tico o nico da banda que realmente tem problema de sono. Tchello um rapaz que dorme onde bate. que nem saco de batata: voc joga num canto, ele encosta e dorme. Todas s vezes que levanto noite, para ir ao banheiro, por exemplo, Renato est dormindo. Fabinho ronca para caramba. Rodrigo, o outro guitarrista, tambm. DJ Clashton outro saco de batata. Dorme e ronca para caramba, revela Tico. Tico concordou em fazer um teste para o Globo Reprter. Foi monitorado pelo Instituto do Sono da Unifesp. Durante dez dias, o msico usou um actgrafo um objeto que parece um relgio, sem ponteiros nem mostrador. Dentro h um chip, como os de computador, que registra os momentos de atividade e de repouso. O Globo Reprter acompanhou a viagem de Tico e conheceu a rotina dele, inclusive o nibus onde dorme, quando d. "Este o Favelo. O nibus realmente um favelo, no bom sentido, diz Tico. Primeira etapa da viagem: a equipe saiu da capital paulista para Barra do Pira, no interior do estado do Rio. Foram 406 quilmetros de estrada, cansao e falta de sono.

SINAIS DE NOITES MAL DORMIDAS.

Onze e meia da manh, sol a pino, engarrafamento. sexta-feira e muitos paulistanos j comeam a sair da cidade, em busca de um fim de semana na serra ou na praia. No meio deles, o nibus que leva Tico Santa Cruz e seus companheiros de banda ao trabalho. Hoje noite eles faro um show e precisam descansar. Mas difcil dormir com o calor, a luminosidade, o barulho. Quatrocentos e seis quilmetros depois, j noite, a chegada em Pira. Fs na porta. Tico se fecha no quarto para tentar dormir at a hora do show, que vai ser 1h. Descansei legal no nibus, diz Tchello, msico da banda. No dormi nada, s consegui dormir meia hora no nibus. Cheguei aqui ainda com um pouco de sinusite, talvez at por causa do cansao, que baixa a resistncia do corpo, revela o lder dos Detonautas. Mas vai ter que enfrentar duas horas de show, assim mesmo. Por isso, muito exerccio vocal. E o actgrafo no brao. Acabado o show, s 4h, a estrada novamente. Destino: Jaboticabal, no interior do estado de So Paulo. At l, sero 718 quilmetros. Ontem particularmente estava muito cansado. Ento deitei no nibus e s acordei em Jaboticabal. Para mim foi maravilhoso, porque consegui dormir nove horas ininterruptas. S acordei para ir ao banheiro, conta o msico. O repouso se reflete no show. Milhares de jovens vibram com a demonstrao de energia do ex-insone. E sempre com o actgrafo no brao. Do palco, direto para o nibus. De Jaboticabal para a capital paulista, onde far show no dia seguinte, sero mais 373 quilmetros. J faz trs dias que a equipe do Globo Reprter est acompanhando Tico. O actgrafo deve confirmar o que foi presenciado: pouqussimas horas de sono. Alm de perigosa, a privao do sono traz problemas de sade que muita gente nem imagina. "Se privar os animais do sono por 20 dias, morrem. Ento, sono essencial vida. Mas, antes de morrer, com poucas privaes, comea a dar irritabilidade, a ter problemas crdio-vasculares, d uma acelerada no corao, problemas de memria, comea a no guardar mais as coisas. Ento, a qualidade de vida cai muito", revela Srgio Tufik, coordenador do Instituto do Sono da Unifesp. O mdico diz que no h nada pior para o organismo do que a falta de regularidade, de rotina. Comer, dormir e acordar sempre na mesma hora uma economia grande para o organismo. Em animais, a gente fez experimentos mostrando que quando o ritmo varia perde-se de 20% a 30% do tempo de...

AGITO NA NOITE.

Antigamente, as pessoas obedeciam a seus relgios internos, a seus relgios biolgicos. Dormiam quando escurecia e acordavam com o nascer do sol. A inveno da luz eltrica acabou com isso: estendemos o dia noite a dentro e com isso reduzimos as horas de sono. Tudo funciona, tudo est mo. Mas nosso corpo sofre com essa privao voluntria de sono. Durmo em mdia de duas a trs horas por noite, conta a empresria Tammy Kunyoshi. "Gosto de sair e voltar por volta das 4h. s vezes retorno um pouco mais tarde. Ento dou aquela dormidinha de duas horas, acordo e vou para a faculdade. Capengando, mas vou", diz a universitria Melissa Almeida. Tamy e a amiga Melissa so escravas da noite. Tamy, que dona de uma agncia de DJs, vai a festas cinco noites na semana. Chega em casa de manh, troca de roupa, sai de novo. s vezes chego da festa 6h30min, 6h45min. Minha aula comea s 7h20min. Da, vou para o estacionamento da faculdade, dou aquela dormidinha de 15 minutos, s para dar uma acordada, conta Tamy. Melissa tambm trabalha com DJs, tambm faz faculdade e, alm de tudo, tem um filho para criar. Mas no abre mo da noite. Acho que esse ritmo de vida vai ser duradouro porque sou meio acelerada normalmente. Ento, por que parar? Festa bom, passear bom, ento vamos unir o til ao agradvel, diz a universitria. Tenho 27 anos. Se Deus quiser, continuo nessa vida at uns 80, anuncia Tammy. S o tempo dir se Tamy vai conseguir manter esse ritmo - e por quanto tempo. Mas o corpo, com certeza, vai se ressentir. O indivduo que dorme mal cronicamente, que tem insnia crnica, pode ter menos tempo de vida. Existem indcios mostrando que processos qumicos, relacionados privao de sono crnica num organismo podem determinar que um indivduo envelhea mais.

APRENDIZAGEM COMPROMETIDA.

Dormir bastante pode no garantir juventude eterna. Mas quem dorme melhor, comprovadamente rende mais. No trabalho e no estudo. Uma pesquisa feita com jovens da capital paulista e de um vilarejo no litoral de So Paulo mostrou que no s Deus que ajuda a quem cedo madruga. O Sol mal comea a brilhar e jovens j esto indo para a escola. Ontem foram se deitar quando anoiteceu - no h luz eltrica na comunidade. O desempenho escolar deles foi analisado pelo professor-adjunto da Universidade Federal do Paran (UFPR), Fernando Louzada. Em ambientes rurais, as crianas dormem mais cedo. Em funo do horrio da escola ser quase o mesmo que o da zona urbana, acabam dormindo mais. Ento, no apresentam privao de sono, dormem o suficiente, explica o professor. A pesquisa estudou 620 alunos de 5 a 8 sries de comunidades rurais e urbanas e comparou o padro de sono e o desempenho escolar deles. Observamos que os alunos expostos ao ambiente urbano, televiso, ao computador, possibilidade do uso da Internet, acabam atrasando os horrios de sono e dormem menos. Com certeza, se dormissem mais, poderiam ter um desempenho melhor na escola, revela Fernando Louzada. Thiago Luis Barbosa inteligente, interessado, bom aluno. Mas poderia ser melhor, no fossem os cochilos nas aulas. Hoje no dormi na aula, s dei uma descansadinha na aula de Histria, uma deitadinha bsica na carteira. Cochilei um pouquinho, conta. Depois de um dia exaustivo nas aulas e cheio de atividades esportivas, Thiago est cansado, mas no resiste seduo do computador - fica na Internet at, pelo menos, uma da manh. Diz que dorme por volta de 2h30min e acorda s 6h. Sua me, Silmara Parise, nem desconfiava das atividades noturnas de Thiago. Vou dormir antes deles e achava que estivessem dormindo. s vezes percebo os sinais de cansao dele: uma irritaozinha aqui e ali, um mau humor. s vezes complicado para acordar de manh, conta a coordenadora pedaggica. Na aula, principalmente, dou uma cochiladinha de vez em quando. A primeira aula d aquele soninho... Tem vezes at que durmo numa aula assim ou outra. Como vou bem na aula? Segredo, diz o estudante. O autor da pesquisa sugere que as escolas mudem o horrio de entrada, para deixar os jovens dormirem um pouco mais. A mudana de horrio algo que muitas escolas norte-americanas j fizeram, atrasando o horrio do incio das aulas para tentar tornar a durao de sono desses adolescentes maior, conta o professor Fernando Louzada. Uma horinha a mais de manh tudo o que eles sonham. E mais querem.

SONO INCONTROLVEL.

O trabalho da analista de contas Helga de Oliveira Bispo exige total concentrao. Mas, quatro anos atrs, seria uma tarefa impossvel. No precisava nem ser um trabalho montono: Helga vivia caindo no sono - um sono irresistvel. A gente acha que preguia. Tinha uma vida til e de repente se tornou um vegetal. Porque s sabia comer, dormir e mais nada. Nem correspondia aos carinhos que o marido procurava, queria dormir. Queria bater nele quando ele supunha a hiptese de fazermos alguma coisa, conta Helga. A gente chega em casa cansado, recm-casado, esperando encontrar a esposa, a comida, as crianas. E no tinha nada disso. Isso vai magoando, chateando, criando o afastamento do casal, comenta o empreiteiro Gislano da Silva Bispo. H quatro anos as brincadeiras de Gabriel com o irmo mais novo tambm eram impossveis. A me passava a maior parte do dia na cama: era Gabriel quem arrumava a casa e ainda tomava conta do irmo menor. Para meu pai no ficar chateado, porque ele trabalhava e chegava cansado, pensava em ajudar minha me, para ela ficar feliz comigo. Lavava a loua, e quando via que o cho estava sujo, passava pano, conta Gabriel. As crises de sono de Helga foram se tornando cada vez mais freqentes. E cada vez mais perigosas. Certa vez, estava refogando o arroz e a sonolncia foi chegando, chegando... Via que estava incontrolvel, mas insisti em fazer o arroz. Encostei na parede, a colher estava pesando, e de repente... No me lembro de mais nada. S sei que acordei depois e a casa estava toda tomada por fumaa. Foi quando percebi que no estava mais s afetando a mim, e que no estava s sendo desleixada com a famlia, estava colocando-a em risco tambm. Era uma coisa mais sria, diz Helga. Helga sofre de narcolepsia. A doena era tida como rara h algum tempo atrs. Hoje sabe-se que muito mais comum do que parece. Uma em cada duas mil pessoas tem a doena. S na cidade de So Paulo, estima-se que existam cinco mil narcolpticos. Menos de 60 esto em tratamento. A narcolepsia difcil de ser diagnosticada porque nem sempre os sintomas se apresentam completamente em todos os pacientes, observa o pesquisador do Instituto do Sono da Unifesp Mario Pedrazzoli. O doutor Mario Pedrazolli e sua equipe querem chegar a um diagnstico gentico que facilite a identificao da doena. Se um exame assim estivesse disponvel na rede pblica federal, teria diminudo a angstia da professora Terezinha de Jesus da Silva. uma doena incompreendida. Hoje se fala muito em incluso e eu, como educadora, pergunto-me: Ser que a sociedade mudou?. Porque em relao ao caso do meu filho, tive muitos problemas e no achava apoio em lugar nenhum. Ningum sabia o que estava acontecendo, conta a professora. A me se angustiava e o filho sofria. Ashley era discriminado, motivo de chacotas dos colegas de escola. Seu nico refgio era a solido. Tornei-me um cara um pouco anti-social, porque acabei desenvolvendo uma espcie de parania, de que se sair de casa, todo mundo vai achar que sou preguioso, que sou isso, sou aquilo. Ento, vou ficar dentro de casa mesmo, diz o professor Ashley Silva Costa. O diagnstico da narcolepsia demorou e s veio depois que a famlia, que mora no Maranho, procurou especialistas em So Paulo. Ashley tem uma narcolepsia do tipo aguda, com todos os sintomas clssicos: sonolncia diurna, alucinaes e perda repentina do tnus muscular. Uma narcolepsia do mesmo tipo da de uma criana que cai quando submetida a uma emoo, que pode ser uma simples piada. Cai, porque perde o tnus muscular. a cataplexia. A cataplexia tambm atinge os ces. E foram eles que ajudaram os pesquisadores a dar o primeiro grande passo para um tratamento efetivo da doena. Um grupo de cientistas, que incluiu o brasileiro Mario Pedrazolli, conseguiu isolar o gene da narcolepsia. Com a identificao desse gene no co, fomos capazes de saber qual o exato mecanismo da doena no homem. Hoje se busca uma droga que tenha uma ao muito semelhante molcula que est faltando no crebro do paciente narcolptico, anuncia o pesquisador. Tenho quatro anos de diagnstico. Para acertar a medicao, foi preciso mais ou menos um ano. uma luta com ns mesmos. Antes era um desespero por no saber o que era. A dificuldade em seguida foi aceitar a doena. Quando voc passa por essas duas fases, consegue ver que sua vida realmente mudou, comenta Helga. Quem sofre de narcolepsia no Brasil enfrenta outro problema - e grande:os remdios que existem atualmente no mercado custam caro e no so distribudos pelo Sistema nico de Sade (SUS). No conseguia importar o remdio, diz a professora. A gente obrigado a fazer uma economia curiosa. Quando no tenho um dia muito puxado nos finais de semana, simplesmente no tomo, justamente para poder economizar, para ter remdio que possa ser aproveitado num momento mais puxado, conta Ashley.

HORA DE DORMIR.

Ashley Silva Costa professor de Histria em uma turma de cegos. Pode at cochilar no intervalo das aulas. Mas o que quer mesmo se manter acordado sem problemas. O exato oposto de Tico, que gostaria de dormir a hora que bem entendesse. Mas so muitas noites e dias de pouco ou nenhum sono por causa dos shows. Em um deles, em So Paulo, Tico chegou a se jogar na multido. Depois dessa descarga de energia, estou bem, muito bem, graas a Deus. Parece que acabei de acordar. Levaram meus brincos, conta Tico. Sem brincos, sem os sapatos, mas com o relgio - o actgrafo sobreviveu. E registrou os ciclos de viglia e sono de Tico em mais seis dias de viagens. Agora, Tico entrega o actgrafo para os pesquisadores do Instituto do Sono da Unifesp, que recolhem os dados no computador. Vo analisar o quanto o msico dormiu nesses dez dias. Pequenos movimentos durante a noite, observa a pesquisadora do instituto Dalva Poyares. At a pesquisadora se assusta. "Gente, esse cara no dorme!", anuncia. Cada linha do grfico mostra um dia na vida de Tico Santa Cruz. Os momentos de sono ou cochilos so poucos em relao aos perodos de atividade. Nos dois primeiros dias, por exemplo, Tico praticamente no dormiu. Uma pessoa normal, que dorme e acorda todo dia mesma hora, apresentaria um grfico diferente. No dia seguinte, atrasa o comeo do seu sono, e ele encurta. Da, no outro dia, atrasou um pouco mais, encurtou ainda mais. Acho que est precisando dormir, diz a pesquisadora para Tico. Se perder muito a informao do relgio biolgico dele, o horrio de dormir e acordar, pode daqui a uns anos desenvolver um quadro de insnia, alerta Dalva Poyares. Preciso dormir, constata Tico. , Tico, precisa dormir um pouco mais.

PROFISSO DE RISCO.

Quinhentos vos por dia. No Aeroporto Internacional de Cumbica, em So Paulo, h sempre um avio que pousa, outro que decola e vrios no ar. Vinte e quatro horas sem interrupo. Tudo monitorado do alto da torre de controle, onde no pode haver erro. Uma falha pode causar um desastre. Myron Jos Coelho, h 20 anos nessa rotina, sabe disso. Ontem trabalhou de dia. Anteontem, tarde. Hoje comeou meia-noite e ir at s 6h. "Se saio no perodo da manh, s 6h, trabalhei no turno da madrugada todinha. No durmo, para que possa dormir somente no perodo da noite e no inverta o dia pela noite, explica Myron. Nos perodos que tenho de descanso, durmo muito bem, garante. Mas nem todo mundo consegue se adaptar to facilmente ao trabalho em turnos, porque quem determina qual a melhor hora para dormir e acordar o relgio biolgico que existe dentro de cada um. Se encontrasse os vespertinos, que gostam de trabalhar s noite, e os pusesse trabalhando noite; e os matutinos, aqueles que gostam do dia, s de dia, teria um rendimento muito melhor. Essas pessoas teriam uma qualidade de vida melhor e conseguiriam um desempenho muito mais adequado do que esto conseguindo hoje, com essa variao de trabalho em turno, comenta o coordenador do Instituto do Sono da Unifesp Srgio Tufik. No caso de Myron, o domnio do sono uma questo literalmente de vida e morte. uma profisso muito estressante. Trabalhamos com vidas e, trabalhando com vidas, a margem de erro deve ser zero. E o acerto tem que ser sempre de 100%, ressalta o controlador de vo.

O PERIGO DO COCHILO NA ESTRADA.

A falta de sono uma das maiores causas de morte nas estradas do Brasil. Em uma delas, no dia 5 de maro de 2002, um carro com trs policiais voltava de uma investigao, quando de repente o carro cruzou a pista e foi bater em um caminho que vinha no sentido contrrio. Uma carcaa retorcida foi o que sobrou do carro. O motorista, Edmar Guimares, morreu na hora. O investigador de polcia Rosvaldo Costa, que estava ao lado do motorista, perdeu um pedao da orelha e s teve ferimentos leves. "Na frente, estava o Guimares, todo modo, conta Rosvaldo. Durante a viagem, a gente conversava com ele, que parecia estar pensando em outra coisa. No dava para perceber que estava dormindo. Acredita-se que o motorista tenha dormido ao volante, depois de um almoo farto. O Guimares comia bastante. Sempre que almovamos em um restaurante comia muito. Parecia um pouco cansado, como tambm estvamos, lembra o policial. "Temos um erro alimentar que freqente. O Brasil extremamente rico em churrascarias nas estradas, o que estimula a alimentao pesada", observa o mdico especialista do sono Srgio Barros Vieira. O mdico diz que 20% dos acidentes nas estradas ocorrem entre 15h e 19h. Exatamente aps o almoo, um perodo em que o corpo naturalmente j sente sonolncia, por causa da queda da temperatura corporal. Dr. Srgio desenvolveu um programa de medicina do sono pioneiro e patenteado por uma empresa de nibus. O motorista de nibus Joo Alexandre da Silva vai dirigir 10 horas esta noite: do Rio at Vitria. Antes de sair da empresa, submetido a um teste que avalia a capacidade de reao a estmulos. Joo completa o teste em 18 segundos. Acima de 30 e abaixo de dez, no viajaria e seria encaminhado ao Programa de Medicina do Sono, para ser avaliado, diz o mdico. s 23h10min, o nibus de Joo parte da rodoviria, pega a ponte Rio-Niteri e logo est na estrada. Os passageiros adormecem. A segurana deles depende de Joo, que est alerta. s 3h, a nica parada. Em uma sala construda especialmente, a iluminao intensa: 5 mil lux. Tanta luz inibe a produo do hormnio melatonina, um dos fatores responsveis pelo sono. Os exerccios aumentam a temperatura corporal, o que ajuda a evitar a sonolncia. O lanche leve no pesa na digesto. Ao entrar, a gente sente o foco de luz. Nossos olhos j ficam mais alertas. E o lanche muito bom, ressalta Joo Alexandre. Joo atravessa a noite e chega de manh a Vitria, sem problemas, nem sonolncia. Estou tranqilo, firme e forte, garante o motorista. S o ombro di um pouquinho, mas nada de sono. Dever cumprido, Joo vai para o dormitrio da empresa. Pegar a estrada, de novo, s amanh noite, bem descansado.

DRAMA PARA DORMIR.

Homens se preparam para um sono tranqilo e reparador. Um aparelho que parece uma mscara de piloto de caa a arma deles para dormir melhor. Chama-se cepap e capaz de acabar com o inferno de muitos casamentos: o ronco dos maridos. O cepap um compressor de ar, ligado a uma mscara, que injeta ar pelo nariz. O fluxo de ar abre a garganta, aumenta a oxigenao e evita o ronco e as paradas respiratrias. Por mais feio e desconfortvel que parea, quem experimentou no quer mais viver sem ele. O uso do cepap fez uma diferena de 90% na minha vida. Os resultados so rpidos demais. Voc dorme normalmente e acorda bem, diz o corretor Armando Burgatto. "O benefcio que traz, o dia seguinte muito melhor, faz com que a gente queira se adaptar, e logo depois se acostuma a essa mscara", garante o administrador de empresas Ronaldo Gelain. O bom humor, por exemplo, tinha sumido da vida deste executivo de multinacional. Hoje no h m notcia que tire o sorriso do rosto dele. A irritao constante foi trocada por uma harmoniosa vida em famlia. At a presso arterial se estabilizou. "Ronaldo tinha um problema com a presso, vivia sempre irritado, cansado, tudo era motivo para perder muito rapidamente a calma. Isso, ao longo dos anos, vai tornando a pessoa insuportvel", observa a advogada Maria Auzinda Gonalves. "Sentia cansao e no sabia a razo. Achava, inicialmente, que era pelo excesso de trabalho, pelo esforo fsico, excesso de viagens e tudo mais. Depois que vim a saber que, na realidade, no era excesso de trabalho e sim falta de sono", conta Ronaldo. O diagnstico preciso foi feito no Instituto do Corao (Incor), em So Paulo, atravs de uma polissonaografia. No era ronco apenas. O exame constatou vrias paradas respiratrias. Ronaldo sofre de apnia, um problema que afeta aproximadamente 24 milhes de brasileiros. E a maioria nem sabe da existncia dele. Quem tem apnia possui uma via area propensa a desabar. Quando dorme, a lngua cai para trs, os msculos da garganta relaxam e ela se fecha, interrompendo a passagem do ar. Esse estreitamento leva ao ronco. Quando a obstruo total, a respirao fica impossvel, a a pessoa entra em apnia. "Ento, fica bem claro que voc tem paradas respiratrias. No caso, de 35, 38 segundos, anuncia o diretor do Laboratrio do Sono do Incor Geraldo Lorenzi Filho ao corretor Armando Burgatto. Armando teve 70 paradas respiratrias por hora de sono. Mais do que uma por minuto. A soluo para ele foi o uso do cepap. Minha presso voltou aos nveis normais e no preciso tomar remdio para baixar a presso. No tenho mais sono ao dirigir, nem sentado. Se me colocassem em uma cadeira por dez minutos dormiria com certeza, diz Armando. Desde que passou a usar o cepap, Ronaldo tambm no ronca mais. No existiam noites sem ronco, em nenhuma situao, conta Maria Auzinda. E na vida de Ronaldo, que diferena fez? Sinto-me muito mais bem disposto, o humor melhorou, o cansao durante o dia praticamente desapareceu. Minha esposa deve estar bastante feliz, porque o ronco tambm melhorou muito, avalia. Melhorou muito. A essa altura, uma pessoa com bom humor, mais disposio, traz benefcio para a famlia toda, no s para ele, acrescenta Maria Auzinda. Os mdicos lembram que sono no um luxo. Sono uma necessidade vital. Basta dormir pouco por alguns dias que vai sentir o efeito disso na sua qualidade de vida, na sua capacidade de concentrao, na sua prpria capacidade de trabalho, constata o diretor do Laboratrio do Sono do Incor.

GLOBO-REPRTER: DESNUTRIO X OBESIDADE28 DE NOVEMBRO DE 2003.

JOVENS OBESOS.

Juventude sem limites. Da infncia aucarada adolescncia temperada por sabores proibidos, a cada mordida o corpo vai ganhando muito mais gordura do que capaz de consumir. Comer tudo, a toda hora, em qualquer lugar, para eles estilo de vida. Busca pelo prazer. Cheesebrger, cheesesalada, cachorro-quente, salsicho, po-de-queijo, de batata, anuncia Luza Guimares, de 14 anos. Em Santa Catarina h um fogo que no pra. Na cozinha, quem faz o cardpio Fernanda, de 7 anos. Ela adora macarro. E tambm hambrguer, ovo frito... Desejos da menina, sempre atendidos pela me, a qualquer hora do dia. s vezes, isso o nosso caf da manh. Se ela gosta, eu fao, conta a domstica Paula da Souza. De gosto em gosto, Fernanda vai construindo hbitos alimentares difceis de mudar. Ela no troca o prato de macarro por cenoura, beterraba, nem repolho. S trocaria por arroz, bife e batata frita, diz a menina. Tanto colesterol, tanta gordura no incio da vida, ameaa o futuro das crianas. Medindo peso, altura e as dobras da pele dos alunos das escolas de Santos, no litoral paulista, especialistas descobriram: j chegou ao Brasil uma epidemia que se espalha pelo mundo. A pesquisa mostrou que um tero dos estudantes est com peso acima do normal. Para conferir o resultado, s olhar na praia, no calado, nas escolas. O resultado surpreendeu os mdicos. Por isso, de cada dez alunos de Santos, trs vo receber uma carta uma espcie de atestado de excesso de peso. Um aviso aos pais de que os filhos precisam de tratamento, so todos vtimas da epidemia da obesidade. Se nada for feito para reverter esse quadro, 40% dessas crianas sero adultos gordos. E se atingirem a faixa de 14 a 15 anos de idade com este sobrepeso, as chances so de que 80% desses jovens se tornem adultos obesos, alerta o pediatra Jorge Maxter. Uma fora-tarefa foi criada para tentar emagrecer as crianas. Quem recebe a carta vai para lugares como os centros de reeducao alimentar, instalados nas universidades e hospitais. Sensores eltricos para medir a gordura foram espalhados pelo corpo de Bruna. Aos 13 anos, j pesa cem quilos. A corrente eltrica atravessa o corpo da menina. Mas, sensao de choque mesmo, s na hora do resultado. Deu uma percentagem de gordura muito alta: 38%. por isso que vai ter que fazer dieta e tambm atividade fsica, anuncia a mdica. Aprendi que devo controlar, ter bastante fora de vontade para emagrecer, fazer exerccios, muitas coisas, diz Maria Borges, de 8 anos. Mariana tem apenas 8 anos, mas j carrega no corpo taxas de colesterol e de acar iguais s de um adulto de 25 anos. Fiquei nervosa, porque nem eu mesmo sabia o que era colesterol, conta a me da menina, a dona de casa Edileusa Queirs. A culpa de a criana se alimentar errado da gente. Se a gente no comprar aquilo que no deve ser consumido, naturalmente a criana vai se alimentar de uma forma mais saudvel, observa o pai de Mariana, o metalrgico Gilson Borges. A mdica Jane Santana nunca imaginou que um dia receberia lies de sade para mudar a vida do prprio filho. Vincius tem 8 anos e pesa 40 quilos, cinco acima do normal. E j sofre de hipertenso. O corpo respondeu ao excesso de salgadinhos e falta de exerccios. Foi preciso que o nome do filho aparecesse na lista de alunos com excesso de peso para que a mdica percebesse: a epidemia de obesidade atingiu a prpria famlia. Com estmulo dos pais e do irmo, Vincius descobriu na praia de Santos uma vida equilibrada, cheia de novos sabores. Comia pouco e comia mais frituras e guloseimas. Agora melhorei, estou comendo rcula, arroz e feijo. Antes, sentia-me mais cansado, mais pesado, Agora sinto-me mais energtico, mais saudvel, conta Vincius de 8 anos. Atualmente, vejo que ele est consciente do que o levou a ficar acima do peso, comenta a me do menino, a cardiologista Jane Santanna. Tem que mexer agora. Quanto mais gordo ficar, mais difcil voltar atrs, ressalta o pai do menino, o pneumologista Valmir Nascimento Filho. Os mdicos alertam: na idade de Vincius que preciso mais ateno com o que as crianas comem. Eles precisam de regras. A partir dos 7, 8 anos - no incio da segunda infncia -, as crianas ficam mais horas sentadas na escola. Sobra pouco tempo para as antigas brincadeiras. Quando os amigos no querem nada com a bola, fica mais difcil remar contra a mar. Meus amigos no gostam de brincar disso, s querem ficar no videogame. Peo para fazerem uma brincadeira esportiva, mas imploram para ficar no videogame, no computador, diz Vincius. Como resistir? Em uma rua de Curitiba h comida pesada, de todas as partes do mundo. Desde pequeno, Guilherme Poli vive cercado por tentaes. Na feira da gordura globalizada, o rei da comida mineira. Pais donos de restaurante, filho solto na cozinha. Trabalhando e engordando, Guilherme foi parar em um spa com apenas 19 anos. Estava pesando 134 quilos, lembra. Guilherme diz que a culpa do refrigerante. Aos 10 anos, chegou a beber 18 latinhas em quatro horas. Os mdicos disseram que se no me cuidasse, daqui a 15 anos estaria em uma mesa de cirurgia, fazendo ponte de safena, conta Gulherme. Hoje, sabe que o peso da juventude impe sacrifcios. Sem excessos, agora faz dieta rigorosa e promete perder peso. At o final do ano sero de 15 a 20 quilos a menos, calcula.

FISCAL MESA.

Foi com medo da gordura que Edson Arajo tomou uma deciso difcil at para um adulto. Aos 8 anos, o menino decidiu sozinho parar de engordar. Depois que decidiu aplicar em casa as lies que aprendeu na escola, muitas coisas comearam a mudar. A primeira delas foi no jardim. Os planos da famlia para um grande gramado tiveram que ser cancelados, porque hoje o que cresce no local no so flores, so as verduras de Edson. Quando voltou de viagem, o pai descobriu sinais das mudanas crescendo no quintal. Encontrei alface e cebolinha nascendo. Confesso que comer verduras no o meu forte, revela Lus Carlos Arajo, gerente administrativo. Agora estou me habituando ao novo costume do Edson. o regime do Edson, brinca o pai do menino. O regime era um pedido de socorro. Edson no queria mais ver os pais s engordando. Na hora do jantar, ele quem leva as folhas para a salada. Hora de pegar leve no cardpio. Que tal um fil de peixe grelhado? O fiscal est mesa! Por um lado bom e por outro ruim. s vezes, a gente quer comer um docinho e ele j fica de olho, comenta a estudante Priscila, irm de Edson. A gente comia muita massa, muita carne vermelha. Hoje, comemos mais saladas, frutas, peixe e substitumos o refrigerante por sucos. O cardpio da famlia mudou totalmente, e o responsvel por isso foi o Edson, diz a me do menino, a dona de casa Rosngela Arajo. No quero que fiquem gordos, diz o menino. Com a famlia sob controle, o caula j fez o pai perder 15 quilos. A me, 8. Em casa, quando o assunto comida, quem d as ordens Edson. Nossa horta vai crescer. E a nossa alimentao vai sempre assim. A cada dia se faz uma salada diferente, um tipo de carne diferente. A verdura no vai sair mais da nossa mesa, garante a me.

FOME QUE EMAGRECE.

Quem come muito engorda. Quem come pouco emagrece. No Brasil de 2003, a lgica outra. Pesquisas mostram que crianas desnutridas tendem a ser adultos obesos e doentes. No crescem, mas ganham peso. Mesmo quando comem muito pouco. Camila, de 3 anos, come muito na escola e pouco em casa. Milhares de crianas que vivem abaixo da linha de pobreza no Brasil tambm so assim. Em So Paulo, uma realidade para moradores das 2.106 favelas. O Centro de Recuperao e Educao Nutricional (Cren) tem apoio da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). No local, as crianas maltratadas pela fome ganham uma chance de viver. Gabriel foi um dos casos mais graves. Prematuro de sete meses, pesava 1.100 gramas e media 32 centmetros. Em trs meses, o beb j engordou dois quilos e cresceu dez centmetros. Quando vim pra c, ele era bem miudinho mesmo. Achava que nem ia se criar, lembra a me de Gabriel, Rosileide Farias Silva. Quem chega com risco de morte vai para um semi-internato. A frmula simples: os pais deixam os filhos s 7h30min e os buscam s 17h30min. O caf da manh a primeira de cinco refeies. Depois, um soninho tambm alimenta. Quando os pequenos comeam a despertar, hora de brincar e ouvir histrias. Eles so crianas em tempo integral. A mistura simples de comida e afeto em doses certas compensa tambm no custo. O gasto mensal de apenas R$ 200,00 com cada criana. Uma internao hospitalar custaria dez vezes mais. Cruzar a porta e conseguir vaga em um centro de reabilitao muitas vezes o que faz a diferena entre a criana continuar viva ou ter a possibilidade de uma morte prematura. O esforo intensivo do centro para recuperar crianas at que elas atinjam 6 anos, a idade limite para se evitar as seqelas graves da desnutrio, e para que voltem a ter um comportamento de crianas saudveis. preciso tambm evitar recadas. A famlia se torna a parte mais importante na volta para casa. Mes e pais aprendem a preparar comida saudvel e barata. Ensinamos a reutilizar os alimentos. O arroz que sobrou do dia anterior transformado em nhoque, explica a nutricionista Mariana Nogueira. s vezes, preciso comear do zero. Quem j aprendeu, agora ensina. No basta d s arroz e feijo. Enche a barriga, mas no faz tanto efeito. Elas me ensinaram a preparar sempre um tipo de carne e um pouquinho de verdura, constata a dona de casa Eunice da Silva. Fiz bolinho de folha de cenoura, conta a faxineira Luciana Leal. Se tiver fora de vontade, consegue fazer as coisas. No deixa a criana passar fome, observa o auxiliar de servios gerais Cludio Oliveira. uma mudana que surte efeito, fica para a vida da famlia. Tanto que temos casos de famlias que tm outros filhos e os caulas no ficam desnutridos, diz a diretora de projetos do Cren. As crianas s recebem alta quando j esto sem sinais da desnutrio e j tm vaga garantida na escola ou na creche. David e Dayane tm 7 anos. Quando chegaram no centro, aos 3 anos e meio, mal alimentados, tinham peso e altura de crianas de 2 anos. Eles cresceram e engordaram. Um sinal de que o organismo retomou o funcionamento normal. Isso significa que ela est ganhando massa magra, os ossos esto crescendo e puxando os msculos. uma criana recuperada, explica a nutricionista Paula Martins. Dayane ganhou sade e um futuro. No corria direito, agora estou correndo muito bem. Acho que no tinha fora, conta Dayane Rodrigues, de 8 anos. Agilidade, energia. A desnutrio agora passado. Se no tivesse encontrado um novo caminho, o destino de Dayane j estaria escrito: seria uma mulher gorda e doente.

FOME QUE ENGORDA.

Um mal que atinge o Brasil de Norte a Sul. Alagoas um dos estados mais privilegiados pela natureza e tambm considerado um dos mais pobres do pas. Uma pesquisa feita em Macei comprovou o que os cientistas j desconfiavam: crianas desnutridas esto se transformando em adultos obesos. A obesidade uma das conseqncias mais graves da desnutrio infantil, um problema comum em todas as 135 favelas da cidade. O cenrio de pobreza extrema. Tudo difcil na regio. Um cano cortado no meio da rua a nica fonte de gua. A sopa doada pela prefeitura uma vez por dia esperada com ansiedade. A desnutrio j deixou seqelas no lugar: os homens no so altos. Tm cinco centmetros a menos que a mdia nacional. Os mais subnutridos na infncia no passam de 1,58 metro na idade adulta. Nas mulheres, a mdia nacional de 1,60 metro. As moradoras da favela medem menos: 1,54 metro; as desnutridas, 1,47 metro. A escassez de comida que no deixa crescer tambm provoca obesidade. Um em cada quatro favelados convive com o excesso de peso. Nosso crebro entende quando est faltando alimento, quando o alimento no est adequado, em qualidade adequada. Assim, durante o desenvolvimento infantil, o crebro entende que precisa economizar energia. Ento, ele vai mudar todo o seu metabolismo e o corpo vai economizar gordura, deixar de crescer, para a manuteno da vida, explica Ana Lydia Sawaya, chefe do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). O acmulo de gordura se agrava com a falta de atividade fsica. Os homens se movimentam mais, saem procura de emprego. A nutricionista Telma Toledo, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi quem primeiro observou: as mulheres de comunidades pobres estavam engordando, e a gordura a do tipo abdominal, considerada a mais perigosa atinge o corao. Aos 31 anos, Zoraide de Lira faz uma nica refeio por dia, mas o peso no diminui: 111 quilos. Todo dia como sopa. S isso. Sempre fui assim, mesmo que no coma, revela. Maria Alessandra dos Santos tem 23 anos e dois filhos. Tambm nunca teve fartura de comida em casa. Agora, so as crianas que nem sempre tm o que comer. Ontem no tinha nada, nem um gro de farinha, conta. Mas a fome no faz o menor efeito na balana. No posto de sade da favela, Maria Alessandra descobriu que engordou. Hoje, est com quase 123 quilos. Todo carboidrato, que a base da alimentao deles, contribui para manter o nvel de insulina alto. A insulina um hormnio que praticamente probe a liplise, quer dizer, a quebra da gordura, comenta o nutricionista Haroldo Ferreira. A receita simples do Centro de Recuperao Nutricional de So Paulo (Cren) poderia evitar que as crianas desnutridas de Macei fossem as prximas vtimas de uma alimentao inadequada. Para os adultos, as conseqncias da desnutrio e da obesidade j chegaram e desenham um novo Brasil - um pas menos produtivo e mais doente. Elas esto adoecendo em uma poca muito prematura. Essas pessoas esto ficando doentes com 35, 40 anos. Imagine para o sistema de sade o nus causado por milhares de pessoas com idade jovem precisando de atendimento e algumas vezes de internao com diabetes, hipertenso e problemas cardacos, alerta a nutricionista Telma Toledo.

MERENDA ECOLGICA.

Sade que brota da terra. No interior de Santa Catarina, em vez de agrotxico na lavoura, a enxada que acaba com as ervas daninhas. Inseto bem-vindo - afasta as pragas. E a couve plantada pertinho da cenoura ajuda a manter a terra cheia de nutrientes. L se vo quatro anos desde que Hamilton Voges abandonou os venenos da lavoura e adotou a agricultura orgnica. Nos ltimos meses, ganhou clientes especiais: as escolas estaduais de Santa Catarina. Hoje, o que sai do canteiro servido aos alunos da cidade. Plantar a merenda ecolgica tambm d sentimento cidado. A sensao, para ns, saber que a gente est no campo, trabalhando com o orgnico, no sol quente, mas que as crianas esto l na escola recebendo o alimento saudvel, comenta o produtor orgnico. No s sade que sai da horta. Os alimentos orgnicos produzidos na regio esto servindo tambm como uma espcie de material didtico, como os livros e cadernos. Nas escolas de Santa Catarina, a merenda ecolgica no entra s nos refeitrios na hora do almoo, virou tambm matria obrigatria em todas as salas de aula. Enquanto as merendeiras preparam um cardpio mais saudvel para as crianas, frutas, verduras e legumes invadem os computadores na aula de informtica. Do lado de fora, a horta real. O professor da escola de Laguna ensina que a dieta de pescador precisa mudar. preciso sair do arroz com piro e peixe frito e passar a acrescentar na alimentao as verduras em geral, recomenda. Aprender a comer vira uma grande brincadeira. Mas nem todos aplaudem, sempre tem gente do contra. Se tivesse educao alimentar em casa, seria mais fcil de ns trabalharmos, diz a professora Daniela Rosa. Hora do almoo, hora do teste. O que os alunos viram na aula, surge no prato. hora de experimentar o que aprenderam. Acho que nota dez para nossa sade, elogia Ana Cristina dos Santos, de 16 anos. Mas no como assim todo dia. Gordura comigo mesma, batata frita, refrigerante..., revela a aluna. Arroz, galinha, salada. No vai beterraba, porque no gosto, conta Douglas da Luz, de 15 anos. Como vencer o cardpio de preconceitos levados de casa: sanduches, doces e salgadinhos escondidos reforam a preocupao das autoridades com a merenda que engorda. O alerta dos nutricionistas: o que as crianas comem hoje vai determinar que tipo de doenas elas podem ter no futuro. Em Santa Catarina, a preocupao com a sade da meninada foi bem alm daquela recomendao informal, do conselho para comer melhor. No estado, refrigerantes, salgadinhos e frituras foram banidos das escolas. Est em vigor a Lei das Cantinas. Nada escapa aos olhos da nutricionista da lei. H seis anos, Gladys Milanez inspeciona a comida vendida nas escolas. a xerife da merenda. Hoje proibido vender qualquer refrigerante e sucos artificiais, salgados fritos, salgadinhos industrializados, pipocas, balas e chicletes, anuncia a nutricionista da Secretaria Estadual de Educao de Santa Catarina. Proibidos na cantina, mas liberados na hora do lanche. Para um grupo, a lei no faz efeito. Normalmente a bala, o chiclete e s vezes o refrigerante vm de casa, conta a coordenadora de uma escola, Luci Ambros. um contrabando de lanches, ressalta a pediatra e nutricionista Marlene Pires, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A mdica avisa: acabar com o prazer de comer por decreto no funciona. Isso cultural, portanto, vai demorar um tempo at que as pessoas entendam que a alimentao tem duas funes: prazer e nutrio. Usando o bom senso, diz ela. Ficam me chamando de gorda, saco de areia, essas coisas. D vontade de esganar eles! Fico chateada, revela Amanda. Idia da me: Amanda entrou em campo para perder peso, recuperar a auto-estima e ganhar o jogo dirio contra a balana. A dona de casa Patrcia Pretula, a me controladora, confere o sobe e desce do peso. Amanda ganhou um quilo. Controlo ela para que no seja discriminada na sociedade por ser obesa, justifica a me. A comida da despensa foi para em uma caixa. Quero que se sinta bem com ela mesma - corpo e mente, diz Patrcia. O regime de Amanda conta com reforo importante na escola pblica de Curitiba. Os professores mudaram a dieta dos alunos. Em vez de giz e quadro negro, liquidificador na sala de aula. A tarefa hoje fazer e comer torta... de legumes. Na escola, o sonho dos pais vira realidade. As crianas descobrem o segredo para gostar de salada. Comecei a gostar, conta uma aluna. Acostumei-me e agora amo banana, garante uma coleguinha. A professora falava bastante de comida. Quando falou sobre feijo, experimentei um pouco e gostei, diz um menino. Os mdicos usam iscas irresistveis. Um dia, a criana podia receber um lanche mais atrativo, como um sanduche ou um cachorro-quente. E no dia seguinte, j fazia uma refeio mais normal, como um prato de arroz com feijo, carnes e verduras, explica o pediatra Nilo Willrich. O refeitrio hoje a principal sala de aula. Aconteceu uma transformao de hbitos e atitudes. No incio do ano, comiam s arroz e feijo. Hoje, as crianas j comem legumes, salada e frutas, conta Anicyr Sanches, diretora da Escola Municipal Ulisses Falco Vieira. Quem v Carol, de 6 anos, na feira, nem imagina como era o cardpio da menina h seis meses. De chocolate, bala, bombom, biscoito para fruta, verdura, conta. No vigiava a alimentao dela. A partir do momento que foi para a escola e comeou a ficar o dia todo, comeou a comer verdura e fruta e a me cobrar isso em casa, diz a professora Clia Ogeda. Na hora do lanche, Carol se lambuza com as vitaminas. A menina j fala com bom senso de gente grande. Quando crescer, vou escolher as mesmas coisas de hoje, garante.

TRANSTORNO ALIMENTAR.

Na adolescncia, o descontentamento com o prprio corpo passa a ocupar o universo de meninos e meninas. E a ditadura da esttica agrava a obsesso. Por todo lado, frmulas milagrosas. Como se enquadrar em um padro de beleza que passa longe dos mais gordinhos? Pode estar comeando a uma batalha dolorosa. Os nmeros da insatisfao surpreendem. Uma pesquisa que ouviu mais de trs mil adolescentes revela: trs entre quatro jovens queriam um corpo diferente. A insatisfao leva a um padro alimentar anormal, que traz sofrimentos para o corpo, doenas fsicas que afetam diversos sistemas, como o cardaco e o renal. Dessas dietas ditas normais, 35% evoluem para dietas patolgicas. Ento, daqui a 20 anos, teremos 75% de adultos doentes fisicamente tambm, explica a psiquiatra Paula Melin. Vanessa Dellapruta tem 19 anos e o sonho que povoa a cabea de milhes de adolescentes: quer ser modelo de passarela. A altura, 1,73 metro, no seria problema. A questo a briga com a balana, que comeou aos 10 anos. Com 1,55 metro, Vanessa chegou a pesar 70 quilos. Pelo menos dez acima do considerado normal para a altura. Ela cansou de ouvir piadas na escola. A comparao com a irm era inevitvel. A irm era meio que um dolo para ela. Na famlia, diziam que estava gordinha e ela ouvia as pessoas falarem que deveria ficar como a irm, que era magra. Diziam que estava gorda e ela respondia: Quero ser aceita, conta a me de Vanessa, Elyan Dellapruta. Para emagrecer e ser aceita, Vanessa radicalizou: reduziu a alimentao a 250 gramas de queijo branco por dia. Resultado: 32 quilos e um quadro de anorexia nervosa. Quando me olhava no espelho, achava que estava muito magra, que estava muito feia, mas tinha medo de engordar, diz Vanessa. Nos ltimos nove anos, Vanessa conheceu o pior lado dessa obsesso pela magreza: quatro internaes para cuidar da anorexia e de outros transtornos que surgiram. Tornou-se compulsiva. Teve uma poca que cheguei a fazer sete horas de exerccio por dia, lembra. E os longos perodos de jejum tambm despertaram um desejo descontrolado por comida. Cheguei a comer 15 pacotes de biscoito de cada vez, diz Vanessa. S exagerava porque em seguida vomitava tudo, acreditando que assim no iria engordar. Era a bulimia, um vmito provocado. A doena no ajuda a emagrecer. Ao contrrio, provoca reteno de lquido e inchao. As refeies balanceadas que hoje so servidas em quantidades e horrios controlados fazem parte de um tratamento. Vanessa acompanhada 24 horas por uma enfermeira. Evita os exageros e orienta a jovem em todas as refeies. Oriento para que coma um pouco devagar, porque faz parte da compulso comer rpido demais, diz a enfermeira Damiana Gomes. Vanessa est fora da escola h quatro anos. Ainda luta para controlar a doena. Se algum me oferecer um chocolate, no aceito. Mesmo sabendo que tem a mesma caloria que uma ma, no vou comer o chocolate porque tenho medo de engordar, admite a jovem. Os pais precisam ficar atentos. A mudana radical nos hbitos alimentares dos filhos o primeiro sinal de alerta. Em primeiro lugar, preciso ver o que o filho mais gosta de comer. Se o filho estiver resistindo muito tempo a isso e estiver emagrecendo muito, fazendo muita ginstica, em caso de dvida procure um psiclogo especializado, orienta a me de Vanessa. E nessa busca por ajuda, muitas vezes o jovem precisa ser levado pela mo. Poucos tm conscincia do problema e procuram tratamento sozinhos. A Santa Casa de Misericrdia do Rio de Janeiro mantm um servio gratuito para atendimento de transtornos alimentares, com uma equipe de profissionais voluntrios formada por psiquiatra, psiclogos, nutricionistas e endocrinologistas. cada vez maior o nmero de adolescentes com preocupao obsessiva pelo corpo. Kamila Ayres, de 12 anos, como a maioria dos pacientes, era obesa quando criana e se sentia discriminada. Quando era do jardim de infncia, todo mundo me chamava de baleia, saco de areia, coisas assim. Sofria discriminao dos colegas. Ningum me aceitava na hora do recreio. Sempre fui sozinha por causa disso, conta. Decidiu livrar-se dos 56 quilos. S parou de emagrecer quando chegou aos 30 quilos e desmaiou na escola. Comecei a querer emagrecer por conta prpria, para as pessoas me aceitarem melhor, para conseguir ter mais amigos, diz Kamila. Espero que essa minha histria tenha um final feliz. A anorexia e a bulimia so problemas mais comuns entre as mulheres. A proporo de dez meninas para um menino. Diego Barbosa, de 19 anos, era o gordinho da turma:tinha 87 quilos aos 14 anos. Nele, a anorexia se manifestou diferente. Achava que ia morrer sufocado se engolisse comida slida e passou a se alimentar s de lquidos. Acabou ficando com 50 quilos. Segundo os mdicos, um medo inconsciente de ser gordo. Hoje, aos 19 anos, est se recuperando do transtorno. Se ficasse gordinho como antes, ficaria feliz, porque depois de vrios anos me vendo magro no espelho nunca mais quero ver essa imagem, diz. A anorexia nervosa e a bulimia tm cura. So doenas crnicas, de difcil tratamento, mas em 70% dos casos a remisso dos sintomas total. O tratamento difcil, custoso, mas vale a pena, garante a psiquiatra Paula Melin.

VIDA NOVA PARA EX-OBESOS.

O estudante Bernard Ottoboni, de 19 anos, tem 100 quilos. O professor universitrio Renato Ferreira, de 30 anos, tem 94 quilos. Em comum, uma infncia e adolescncia fugindo da balana. Bernard bateu os 180 quilos. Renato chegou a pesar 186. Separados por 500 quilmetros, os dois percorreram os mesmos caminhos. O estudante Bernard, em So Paulo, e o professor Renato, em Juiz de Fora, Minas Gerais, fizeram todas as dietas possveis. Freqentaram spas, conheceram o efeito-sanfona. Aos 11 anos, fiquei oito meses em um spa. Perdi 50 quilos e depois que sa engordei 100, conta Bernard. A aparncia que chamava tanto a ateno passava despercebida diante do espelho. Achava que estava um pouco acima do peso, s, lembra Renato. Para Renato e Bernard, o excesso de peso deixou a vida mais arriscada. Estava comeando a ter apnia do sono, falta de ar durante o sono, erisipela, em decorrncia de m circulao na perna, revela Bernard. Era uma pessoa muito agressiva, de contato difcil, diz Renato. Renato e Bernard pertencem ao chamado grupo de risco da obesidade. So os obesos mrbidos. Casos em que a cirurgia de reduo do estmago sinnimo de sobrevivncia. Bernard foi o paciente mais novo a fazer a cirurgia no Brasil, aos 13 anos. Continuo gostando do chocolate, da picanha, mas como em uma quantidade extremamente menor. Antes precisava de cinco bifes para encher o estmago, hoje so trs pedaos pequenos, observa Bernard. O estmago agora s tem capacidade para receber o equivalente a uma xcara pequena de comida de cada vez. Mas Bernard sabe que, para ter o corpo magro, precisa de uma alimentao balanceada, exerccios fsicos. O estudante reconhece que ainda faz extravagncias. J ganhou cinco quilos. Mesmo com o corpo magro, ainda tenho pensamentos de um gordo. Quem no gosta de coisas que engordam? As melhores coisas engordam, constata. O mineiro Renato tambm no abandonou o prazer pela comida. E famoso entre os amigos por preparar pratos deliciosos. Tenho a mesma vontade de cozinhar sabendo que vou comer pouco. Acho que tenho at mais. uma maneira de ficar mais tempo em contato com a comida, declara. Bernard hoje d risada, mas o melhor saber que ficar encalhado na neve s uma imagem que ficou de lembrana. Induzi o Bernard a gostar de comer bastante, porque servia o prato dele. Na parte alimentar, sem dvida alguma, os pais ditam o que o filho vai ser no futuro, diz Gisleine Ottoboni, me de Bernard. A dona de casa Jaqueline Garcia Barbosa sabe muito bem disso. Filha de me obesa, gordinha desde pequena, nunca se privou dos prazeres da comida. Quando se casou tinha 100 quilos e ainda ganhou mais, ficou com 184. Cada dia voc vai fazendo uma coisa e quando v perde a noo e quase no passa na porta, observa. Duas semanas depois da cirurgia de reduo de estmago, realizada no Hospital das Clnicas de So Paulo, j em casa, os primeiros resultados da cirurgia apareceram: Jaqueline emagreceu 18 quilos. Foi o comeo. Mas o cirurgio Arthur Garrido adverte: este um recurso extremo para quem corre risco de morte. A cirurgia no um milagre. um instrumento poderoso para que a pessoa atinja um objetivo. Quem no atinge um certo grau de obesidade no deve ser operado, porque nenhuma das cirurgias existentes perfeita, ressalta. Para Jaqueline, felicidade voltar aos antigos 90 quilos. Tem uma coisa que no consigo fazer hoje e quero fazer quando estiver bem mais magra: passar na roleta do nibus. horrvel! Se Deus quiser, vai ser outra vida. Tudo vai depender de mim, mais ningum, garante Jaqueline.

GLOBO-REPRTER: ME NATUREZA11 DE DEZEMBRO DE 2003.

VENENO DO BEM.

Um homem chega de branco carregando esperana de cura em uma pequena maleta. Mas Luiz Pereira da Silva, o Tim, no doutor. Uma vez por semana, sai de Minas Gerais para oferecer medicamento vivo aos pacientes que lotam o consultrio improvisado no Rio de Janeiro. Ningum parece ter medo delas. O veneno das abelhas o remdio em um tratamento simples e dolorido. Muitos recorrem apiterapia para combater doenas graves, como a esclerose mltipla, que vai paralisando os movimentos do corpo. Tifany Fiks tem apenas 22 anos. Desde os 14 sofre com a inflamao da medula. Uma vacina contra a meningite provocou o desequilbrio do sistema imunolgico, que passou a agir contra o organismo. Os efeitos so parecidos com os da esclerose mltipla, e os mdicos dizem que no h cura. Lutando contra a paralisia, Tifany j tentou tratamentos convencionais, que no deram resultado. S as ferroadas fazem o corpo reagir. Di, mas acho que sou uma das mais resistentes. O que a dor comparado a ficar curado? A cura no tem preo. Se ele disser que vai me trancar no banheiro com cinco mil abelhas, aceito, diz a jovem. Foi o neurologista de Tifany que indicou a apiterapia. A medicina j descobriu que o veneno da abelha tem 67 substncias. Algumas delas ajudam a equilibrar o sistema imunolgico e tambm estimulam o corpo a produzir cortisona, um antiinflamatrio natural. Segundo o mdico Lus Fernando de Mello Campos, que pesquisa o assunto, o tratamento com o veneno funciona em doenas como a artrite reumatide, a prpria artrite, e principalmente a esclerose mltipla. Funciona em alguns casos, para algumas doenas, em algumas pessoas, em algumas circunstncias. No um remdio para todo mundo usar em qualquer situao, em qualquer doena, porque pode haver um choque alrgico. J houve casos de infarto do miocrdio de pessoas usando veneno de abelha, alerta o mdico. Tim recolhe o remdio produzido pela natureza em um laboratrio a cu aberto. As colmias ficam em um pequeno sitio, em Juiz de Fora. No so abelhas agressivas, mas, como no local ningum precisa de tratamento, ele avisa: bom proteger a cabea, pelo menos. Para paralisar os agressores, elas procuram os olhos, a boca, o nariz, as orelhas e as articulaes inferiores, explica. A intimidade que ele mostra com as abelhas vem de longe. Desde a adolescncia, Tim est entre elas. Primeiro como criador, para produzir mel. Cuido delas como se tivesse cuidando de um filho, de um irmo, de um amigo, conta. Depois de um acidente em que fraturou trs vrtebras e ficou seis meses imobilizado, Tim recebeu a dica de um mdico amigo: as abelhas poderiam ajud-lo a recuperar os movimentos. Ele conta que entrou na colmia e se deixou picar mais de 60 vezes. No sei precisar, mas acho que depois de 15 ou 20 dias comecei a sentir os movimentos melhores, a sentir mais a perna, que antes estava dormente. No fiz cirurgia e continuei fazendo o tratamento, que ainda fao toda semana, do contrrio a rea fica rgida e a perna dormente, conta. Tim faz isso como se estivesse brincando. Deixa o ferro no brao e no desperdia o resto. Gosto de fazer um lanche apcola, conta Tim, mordendo uma abelha. muito bom, tem gosto de ptalas de rosas com mel. As cores intensas e o movimento impresso nas telas dependem dos movimentos do corpo, que Otto de Souza Aguiar luta para manter. O artista plstico, de uma tradicional famlia carioca, construiu a carreira de pintor nos Estados Unidos, onde vive h 30 anos. Mas h dois meses, Otto est morando em um hotel em Juiz de Fora, para ficar perto de Tim e das abelhas dele. J houve sesses em que Otto levou 60 ferroadas. O homem alto, que na juventude chegou a ser modelo no Rio, tem esclerose mltipla h cinco anos e agora est preso a uma cadeira de rodas. Os mdicos americanos no deram muita esperana. Disseram que teria pouco tempo de vida. E o tratamento em outros pases tambm no deu certo. Fiz um tratamento em Portugal, depois no Mxico e no tive muito sucesso. Em Juiz de Fora, em um ms, senti uma diferena muito grande. Nos movimentos tambm. Agora me mexo tranqilamente na cama, sem nenhuma dor na coluna, diz ele. As picadas de abelha doem um pouquinho. Elas so russas, e sabe como as russas so brabas, brinca Otto. Enquanto dava a entrevista, Otto continuava com os ferres nas costas. A bolsa de veneno leva dez minutos para se esvaziar, lanando no organismo as substncias que aliviam o sofrimento. Ele acredita que a apiterapia vai permitir a recuperao completa. Est acontecendo, definitivamente, comemora Otto. Ainda cedo para saber se as abelhas vo mesmo trazer os movimentos de volta. Mas Otto j esboa as novas imagens que sonha em levar para as telas. Tenho vrios quadros na cabea esperando meu brao ficar bom. Um deles tem umas abelhas voando, revela o artista. Foi correndo atrs da cura que o executivo Jos Gilberto de Melo, de 62 anos, cruzou com as abelhas. Depois de disputar 19 maratonas, foi surpreendido com a noticia de que sofria de arritmia e teve que implantar um marca-passo. Mas, mesmo depois da cirurgia, continuou com o problema, e no suportava os efeitos colaterais dos remdios. Fiquei meio duvidoso porque nunca tinha ouvido falar em apiterapia. Mas quando a gente precisa, tem que ser retirado do fundo do poo. A, acreditei. Comecei com mdia de quatro ou cinco e agora estou com 35, conta Gilberto. O executivo, que tem um filho mdico, enfrentou barreiras dentro e fora da famlia quando resolveu fazer o tratamento com abelhas. Mas diz que no se arrepende. Fao eletrocardiograma periodicamente e nunca mais tive arritmia, nunca mais tomei remdio nenhum, garante Gilberto. Quanto s picadas de abelha, o mdico diz que sou doido, conta Gilberto. O corredor voltou s pistas depois do tratamento e hoje j encara os 21 quilmetros da meia-maratona. Quando vejo uma abelha, tenho um orgulho danado de estar vendo algo que a natureza est dando, diz o maratonista.

CALDO DE CANA: COMBUSTVEL PARA ATLETAS.

Da natureza e do verde, podem vir solues surpreendentes. Solues que muitas vezes sempre estiveram ali, ao alcance das nossas mos. Os imensos canaviais, que ainda hoje se espalham pelo interior do Brasil, foram trazidos pelos portugueses. No comeo, abasteciam apenas as caravelas com o acar que seguia para a Europa. Smbolo de uma sociedade desigual, formada por um punhado de senhores e milhares de escravos, a cana-de-acar s foi reabilitada no sculo XX, quando passou a abastecer os carros brasileiros com um combustvel verde. Agora, os pesquisadores dizem que, alm do lcool que vai para os tanques, a cana pode fornecer combustvel tambm para o corpo humano. O popular caldo de cana faz girar mais rpido o motor de atletas, sejam eles amadores ou profissionais. Para dar conta de tanto exerccio, o corpo usa a energia acumulada nas clulas musculares. o chamado glicognio. Sem ele, esportista nenhum consegue fazer seu trabalho. Quando o glicognio acaba, o organismo comea a queimar massa muscular. Para entender o que acontece com os atletas nessa hora, uma equipe do Laboratrio de Bioqumica do Exerccio, da Universidade de Campinas (Unicamp), fez um estudo com o time da Ponte-Preta. Os pesquisadores analisaram o sangue dos jogadores logo aps o treinamento, para verificar os nveis de uria. A quantidade dessa substncia no sangue que indica se eles esto perdendo massa muscular. No futebol e em outros esportes, comum o uso de suplementos energticos, quase sempre importados. Mas na Ponte-Preta, agora o treino termina com uma roda de garapa. Orientados pela nutricionista Mirtes Stancanelli, os jogadores substituram os produtos industrializados pelo caldo de cana, que teve aprovao geral. Se h alguns anos corramos oito quilmetros durante uma partida, hoje corremos o dobro, conta o jogador Luizinho Vieira. Tambm tenho que tomar depois do jogo para repor minhas energias, diz o preparador fsico Cristiano Nunes. Os outros produtos que esto no mercado para suplementao so bem mais caros. No so viveis para os times de futebol, ressalta. O caldo de cana importante para o atleta porque tem a propriedade de repor rapidamente a energia, por causa dos seus acares - sacarose, glucose, frutose. Com ele, o atleta est apto para o prximo esforo. Caso essa reposio no acontea, no prximo esforo, ele pode estar gastando massa muscular, por ter pouca energia guardada, explica Mirtes. A pesquisa da Unicamp constatou que, com o uso do caldo de cana, os ndices de uria no sangue dos jogadores baixaram bastante, significando menor queima de massa muscular. Para uma pessoa que faz um exerccio moderado trs vezes por semana, a sugesto seria um copo de caldo de cana por dia, aps os treinos. Essa quantidade j consegue repor pelo menos de 40 a 50 gramas de carboidrato. Mais do que isso exagero, porque pode virar gordura, orienta a nutricionista.

FLORESTA MEDICINAL.

A msica que o agricultor Neri Ribas saboreia com os vizinhos fala sempre da natureza e do que ela nos oferece de graa. Mas nem sempre ele teve essa viso. No gostou quando a mulher, Palmira Hanke, de famlia alem, comeou a usar receitas da terra para tratar os filhos. Hoje, Palmira mestre nas receitas de remdios naturais. A pomada de confrei, ela prepara com facilidade. Essa pomada boa para cicatrizar ferida, para queimadura. S deve ser usada na pele. A ingesto de confrei, como ch, no aconselhvel porque txico, explica. Para falar com esse conhecimento, Palmira primeiro enfrentou a desconfiana do marido. Com trs vidros de xarope de caraguat curei a bronquite do meu filho. Ele pensou que fosse da farmcia, conta Palmira. Hoje em dia acredito nas plantas. Na propriedade, estamos tentando partir para o lado da agroecologia. Comeamos a pensar mais na natureza, diz o agricultor. Na regio onde vive o casal, em Guarapuava, interior do Paran, a relao mais respeitosa com a natureza veio junto com o amparo tcnico, levado pela Embrapa e por organizaes ambientais, como o Instituto Agro-Florestal. Como outras mulheres da regio, a agricultora Ilda Schiffter Conrado e as duas filhas j no vivem sombra dos maridos. Elas integram o projeto das florestas medicinais. Aqui trabalho, planto para comer. A vantagem que no pago aluguel nem gua. Na cidade, trabalhava como empregada domstica, conta Anilda Schiffter Conrado. O dinheiro ganho com as plantas medicinais completa minha aposentadoria, diz Ilda. Com a venda de ervas como a cavalinha, que tem poder diurtico, conseguem tirar de R$ 100 a R$ 150 por ms. Antes, quando a gente s trabalhava na roa, no tnhamos esse dinheiro. Agora, o trabalho importante tanto pelo dinheiro quanto pela sade, diz a agricultora Teresa Bahles. A floresta medicinal gera renda com a preservao do ambiente e contribui para a melhoria da qualidade de vida do produtor, destaca a agrnoma Juara Elza Hennerich. O Paran, hoje, o maior produtor brasileiro de plantas medicinais cultivadas, frente da Amaznia. J existem at cooperativas para processar e distribuir as plantas medicinais. Os agricultores do estado esto aprendendo a fornecer um produto que barato e confivel. Um produto com qualidade impecvel, que no perca nenhum princpio. No ter elementos estranhos nesse material justamente o que tem dado credibilidade para as plantas medicinais que esto sendo vendidas atualmente no estado, observa o agrnomo Luiz Roberto Graa. Os produtos que ganham espao fora do Paran, j so consagrados no estado. Com a ajuda de Palmira, a agricultora Ana Vieira Coutinho, que tambm sabe tudo de remdios naturais, prepara a olina, um poderoso coquetel de ervas. Alecrim branco, camomila, losna, erva de Santa Maria, arnica, catinga de mulata, hortel, erva-doce e outras, revela Ana. A pinga tira tudo que tem de bom das plantas. A olina muito boa para quem tem problema de fgado, azia, m-digesto, dor de cabea, de estmago. Existem 16 qualidades de ervas no produto. forte, amargo. Mas o remdio amargo, que ruim de tomar, bom pra curar, ressalta a agricultora. Nunca gasto dinheiro na farmcia com remdios, por isso tenho sade. No tomo remdio qumico, afirma Ilda. Se de um lado o projeto das florestas medicinais altera a vida de tantas pessoas, de outro ajuda a conservar uma paisagem cada vez mais rara no Paran. Agora possvel produzir sem acabar com as rvores que so o smbolo do estado. A idia essa mistura. No vamos precisar derrubar araucrias para tornar a rea produtiva. A rea est produzindo espinheira-santa, erva-mate, carqueja, pata-de-vaca e com ambiente de floresta, observa a agrnoma Juara.

VIAGRA NATURAL.

Escondida no meio das florestas, cultivada nos quintais, essa a maior farmcia do mundo. Oficialmente, as plantas que curam no so consideradas medicamentos no Brasil. Mas j chamam a ateno de agrnomos, bilogos e agora at os mdicos querem incluir o conhecimento que vem da natureza no currculo das faculdades. A partir do ano que vem, a fitomedicina j estar disponvel como curso de extenso na Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). Um grupo de professores e estudantes lutam para que ela comece a ser estudada pelos mdicos ainda na graduao. Nosso objetivo justamente validar a fitoterapia tradicional. Pegar esse conhecimento tradicional que foi passado de gerao a gerao durante milhares de anos e fazer estudos cientficos que comprovem sua eficcia, explica Jos Roberto Lazzarini, presidente da Associao Mdica de Fitomedicina (Sobrafito). Muitos estudos j foram feitos, e muitos mdicos j adotam os tratamentos com ervas. O urologista Enrico de Andrade defendeu este ano tese de mestrado sobre o ginseng vermelho, uma raiz que s encontrada nas montanhas da Coria, mas que est disponvel em farmcias de manipulao no Brasil. O estudo revelou que em 68% dos casos o ginseng foi eficaz no tratamento da impotncia sexual. O ginseng coreano deve ser ingerido sempre na dose recomendada pelo mdico. Como fez um advogado, que no quis ser identificado. Ele tinha dificuldades em manter a ereo. Aos 73 anos, com quatro filhos, est no segundo casamento, com uma mulher 28 anos mais nova. Um ms e meio depois, sentia que funcionava normalmente, conta o paciente. O ginseng tem a funo de relaxar a musculatura do pnis. Isso aumenta a circulao sangunea no pnis, facilitando a ereo. A principal diferena em relao aos outros medicamentos industrializados o uso continuo. No h mais a necessidade de ingerir a substncia antes da relao sexual, revela o urologista. Em pases como a Alemanha, o uso dos remdios naturais j est consolidado entre os mdicos. No Brasil, os que defendem a fitomedicina no querem acabar com os tratamentos populares, base de chs, mas, sim, aprimorar o conhecimento tradicional, para que ele ganhe base cientfica. E, quem sabe, possa ser usado tambm no combate a doenas mais graves. Quando a gente fala de doenas, precisamos de outro embasamento e de outro tipo de medicamento. No mais um ch, mas um medicamento feito com o extrato padronizado de princpios ativos. O paciente deve ter certeza de que naquela cpsula h uma quantidade certa de princpios ativos, comenta Jos Roberto Lazzarini. As plantas medicinais no so uma alternativa para o futuro, elas so coisa do presente. Nos ltimos cinco anos, a produo cresceu em mdia 20% ao ano. E essa produo, na maior parte das vezes, no est atendendo o mercado, comenta o engenheiro agrnomo Luiz Roberto Graa.

GLOBO-REPRTER: VIDA SAUDVEL5 DE MARO DE 2004.

RECEITA DE BOA SADE.

Para milhes de pessoas que vivem nas grandes cidades do Brasil, o dia comea com correria nas estaes e empurra-empurra nas lanchonetes. Quem tem tempo para um bom caf da manh? Geralmente, no como nada de manh, conta a auxiliar administrativo Rosivania Cabral. Aqui tem presunto e queijo, revela o marceneiro Jos da Silva enquanto come um pastelo. Nada mais distante do caf da manh recomendado pelos nutricionistas. Quando se pensa em caf da manh, estamos pensando na primeira refeio depois de oito horas de jejum. Ento, muito importante dar alimentos saudveis para o corpo, diz a nutricionista Andra Esquvel. Mas se o caf da manh precisa ser tomado na rua, a caminho do trabalho, ainda assim pode ser saudvel. A sugesto da nutricionista um po com ovo, desde que no seja frito, um cafezinho ou caf com leite e uma fruta da estao. Barato e nutritivo. Comeando o dia bem alimentado, nosso organismo tem mais energia para trabalhar. E mais tempo para queimar as calorias. Uma forma de no engordar. Um bom caf da manh pode ser muito variado, mas preciso prestar ateno nas combinaes. Algumas dicas: Caf e chocolate, quando misturados ao leite, impedem a absoro do clcio. Quem gosta dessa mistura deve comer tambm uma fruta ctrica ou cida, como o abacaxi e a tangerina, por exemplo. Elas ajudam a absoro. Caf preto deve ser pequeno e tomado um pouco antes do resto da refeio. Isso tambm vai ajudar o organismo a aproveitar o clcio dos outros alimentos. Os pes mais indicados so os torradinhos, com a casca mais grossa, os integrais ou com gros. Eles ajudam o funcionamento do intestino. Uma novidade sugerida pela nutricionista: po com azeite e tomate. Receita da culinria espanhola. uma boa opo para substituir o po com manteiga ou margarina, gorduras que no so to saudveis quanto o azeite. A maneira de fazer tostar a parte mais clara do po, que pode ser tostado no forno ou em uma frigideira, sem leo nem manteiga. Em seguida, os espanhis pegam a metade de um tomate e esfregam no po, apertando um pouquinho o tomate para amolecer levemente e dar um sabor de tomate. Ou podemos colocar cubinhos de tomate bem pequenininhos, na quantidade que a pessoa gostar, e um pouco de azeite, ensina a nutricionista. E quem se v obrigado a substituir o almoo por um lanche rpido na rua ou num shopping center? A nutricionista Joselaine Sturmer, de Porto Alegre, garante que possvel fazer uma refeio nutritiva e saudvel fora de casa. Ela testou uma nova receita entre seus prprios pacientes. Gente que no conseguia viver sem um sanduche na hora do almoo. Todos eles tiveram uma diminuio em torno de 15% de triglicerdeos, colesterol e mais ou menos 500 gramas por semana em termos de emagrecimento. Surpreendente, revela a nutricionista. Surpreendente, mesmo, a diferena que pequenas mudanas podem fazer no valor calrico dos lanches. possvel fazer do cachorro-quente, por exemplo, uma refeio saudvel. Basta saber o que colocar dentro do po. Em primeiro lugar, devemos tirar o miolo, assim diminumos um pouco o valor calrico. A melhor opo a salsicha de frango. No devemos colocar molho de tomate e sim tomate cru, que uma fonte muito rica em licopeno, uma substncia boa para evitar o envelhecimento precoce. Em seguida, colocamos uma boa poro de alface, rico em clorofila e fonte de fibras, que fazem bem ao intestino. Milho e ervilha tambm so ricos em fibras e existem em praticamente todos os fast-foods. Para completar, uma colher de sopa de salsinha, fonte de vitamina C. Para dar um pouquinho mais de graa, podemos adicionar mostarda e catchup, ensina a mdica. A nutricionista tambm ensina como preparar um cheeseburguer mais saudvel. Devemos evitar o ovo frito, o bacon e a maionese. Primeiro escolhemos um po no muito grande. Em seguida, colocamos o hambrguer, que pode ser de frango ou boi. O queijo deve ser, de preferncia, mussarela. Completamos com tomate, alface e milho. O resultado um sanduche saudvel, com uma boa quantidade de carboidratos, protenas e um percentual pequeno de gordura. Pode ser comparado a uma refeio tradicional e, por incrvel que parea, pode substituir um prato de arroz com feijo, revela a nutricionista. Mas tem gente que no abre mo do almoo tradicional: feijo, arroz, carne, salada e outros acompanhamentos. Mais uma vez, o segredo est na combinao. O nutrlogo Alexandre Merheb sugere algumas trocas no prato tradicional do brasileiro para quem quer ter mais disposio depois do almoo. Como fonte de protena, indicaria para o almoo, principalmente alimentos de digesto mais rpida, como protenas magras, caso do frango e do peixe, diz ele. Para acompanhar, no lugar do arroz branco e do feijo, arroz integral e lentilha. A vantagem que, com mais fibras, o arroz integral no sobrecarrega tanto o metabolismo. E a lentilha mais nutritiva do que o feijo. Outra opo de acompanhamento mandioca ou aipim, de preferncia cozido, no lugar da batata. Tambm mais nutritivo e a digesto fica mais fcil. Em termos de fibras, recomendaria uma boa salada de verduras e legumes, bem colorida. Quanto mais cor tiver a salada, melhor. Um almoo como este garante um estado de nutrio adequado, que vai preservar o indivduo de se sentir mal, de sentir moleza, falta de disposio durante a tarde, que normalmente o perodo mais produtivo em termos de trabalho, explica o especialista. E para um pas onde o calor prevalece quase o ano todo, o suco fundamental. Laranja com salsinha uma mistura extica e agradvel entre duas fontes de vitamina C. A salsinha tem cinco vezes mais vitamina C que a laranja. Um punhadinho o suficiente para misturar. Podemos bater bastante. um suco prprio para o vero. A vitamina C uma das vitaminas mais importantes, inclusive para combater o envelhecimento. Ela um bom limpador do organismo, faz parte da formao de uma srie de substncias protetoras do corpo, ressalta a nutricionista Andra Esquvel. Outro suco j mais conhecido. s misturar abacaxi, gua e um punhadinho de hortel. Tudo a gosto. A vitamina C ajuda a absorver o ferro. E esta combinao, em especial, estimula a digesto. Este suco ajuda muito a quebra da protena no estmago durante a digesto. A hortel estimula a produo do suco gstrico. O suco muito bom para acompanhar uma carne vermelha, diz a nutricionista.

REVOLUO NA GUA.

Ramos, Zona Norte do Rio de Janeiro, amanhece com muito sol. Do bairro, se v bem a agitao da cidade seguindo para o trabalho. Mas no piscino o movimento outro: congestionamento na areia, uma fila nem um pouco disciplinada. Quanta gente querendo cuidar do corpo! Na maior piscina pblica do Brasil, as aulas so de graa. No espao, as pessoas fazem ginstica, capoeira e caminhadas. Venho todo dia. Mas sbado e domingo a caminhada por nossa conta, diz a dona de casa Maria das Dores. E depois, hidroginstica. So 120 alunos disputando espao. Cada um segue a orientao do professor como consegue. Coordenao, ritmo, nada muito uniforme. O pessoal de Ramos nem imagina que o exerccio que eles ensaiam j considerado o mais completo entre todos. Saindo do piscino para as piscinas dos mais modernos centros esportivos, descobre-se muito movimento na gua. Tem gente levantando peso, pedalando, andando e at correndo debaixo dgua. a revoluo da hidroginstica. Quem diria, logo ela, antes recomendada s para quem no suportava exerccios mais pesados. Nada de exerccio leve. Usando pesos e a resistncia da gua, os msculos so exigidos o tempo todo em exerccios de alta intensidade. A aula bastante puxada. D para ficar em forma, a gente sente bastante a musculatura, conta a telefonista Magda Farias Belm. A bicicleta submersa ajuda a aumentar a resistncia pulmonar. O objetivo da hidroginstica mais puxada varia. Pode ser, por exemplo, o emagrecimento e enrijecimento. Por isso, de forma alguma uma pessoa pode participar dessa aula sem autorizao mdica, diz a professora de educao fsica Mercs Nogueira. Pedro Mile foi nadador profissional e triatleta. Depois que ele abandonou as competies, aderiu hidroginstica para manter a forma. Saio da aula cansado, com a musculatura pesada, fatigada. Sinto bem o resultado, diz Pedro. Se tivesse que classificar entre todos os exerccios, consideraria esse o mais completo, revela a professora Mercs. Tanto empurra-empurra debaixo dgua chamou a ateno dos pesquisadores da Universidade Federal de So Paulo (USP). Decidiram estudar os efeitos da ginstica subaqutica. A concluso surpreendente. Quando comparamos a esteira na gua com a esteira na terra, podemos observar que, apesar do impacto muscular ser muito menor na esteira aqutica, o gasto calrico muito superior: 140% maior do que na esteira terrestre. Por exemplo: se gastar 100 calorias numa esteira na terra, na mesma velocidade na gua gastaria 240 calorias, revela a fisioterapeuta Gerseli Angeli. Mais rendimento e menos desgaste fsico. E isso funciona para qualquer exerccio. Os especialistas garantem que qualquer movimento dentro da gua sempre ser mais eficiente do que fora da gua porque o peso do corpo diminui, os ossos ficam protegidos de qualquer impacto e os msculos so mais exigidos. O resultado da pesquisa deixa claro: a gua pode ser uma grande descoberta para quem no encontrou um caminho na terra. A atividade de caminhada dentro dgua indicada desde quela pessoa que est sedentria h muitos anos, que est obesa, ou que tenha tido algum tipo de leso em alguma articulao, at a um atleta que a utiliza como complemento para o seu esporte. Na gua, fato de no ter dor muscular, de no ter cansao extremo, a pessoa consegue realizar o exerccio alegre e feliz, que a proposta, avalia o professor de educao fsica Fbio Rieser da Silveira. Ser essa a explicao para os resultados da hidroginstica no pessoal do Piscino de Ramos? A teoria, eles no conhecem, mas os efeitos... Tinha crise de asma e com hidroginstica e caminhada, melhorei totalmente. Estou em forma com 47 anos, diz a dona de casa Maria da Penha de Lima. Estimula muito, pois estava mais gordinha e agora estou linda, resultado da hidroginstica, comemora a dona de casa Erivalda de Souza Martins.

SADE SOBRE DUAS RODAS.

Rio de Janeiro, 7h. Um grupo comea o dia pedalando. Dividindo as ruas estreitas com os carros e os nibus esto advogados e empresrios gente que passa o dia em lugares fechados. Sobre duas rodas, so todos atletas. Sentir o vento no rosto, respirar ar puro e fazer muito esforo fsico. As atividades praticadas ao ar livre tm se tornado cada vez mais comuns. Pode ser bem cedinho, antes do trabalho, ou nos fins de semana. A gente aqui procura vida, diz o empresrio Andr Ibeas. Paz de esprito e tranqilidade, acrescenta o comerciante Jos Francisco Paiva. No tem preo, constata o professor de educao fsica Michel Hagge. Haja flego. Esse pessoal chega a pedalar de 60 a 70 quilmetros em um dia antes de trabalhar. Sob o verde que protege do sol, avanam. A beleza da mata, a temperatura amena, tudo ajuda. Garantem que o esforo da subida o maior antdoto contra o estresse profissional. Sade para o corpo e para a cabea. Saio correndo para o escritrio. Moro aqui perto e deso em 40 minutos. Uma hora depois j estou sentado mesa, pronto para agentar o dia. O dia em que no pedalo, sinto-me muito mal, conta o advogado Rodrigo Madeira. A chegada ao mirante da Vista Chinesa compensa todo o esforo. O suor chega a evaporar do corpo. A vista do Cristo Redentor, a cidade ao fundo fazem parte de uma experincia gratificante para quem se dispe a romper a rotina com disciplina. A gente pode se encontrar e curtir a paisagem l em baixo, o mar, o verde, isso tudo que o Rio de Janeiro nos proporciona, ressalta o empresrio Andr Ibeas.

PAIXO SEM LIMITE.

Pedalar, andar, correr. Nas ruas e nas academias, a maratona em busca de sade. Mas encontrar a dose certa tambm importante. O que no pode ter pressa. Exigir do corpo mais do que no consegue dar ou exagerar na carga de exerccios pode significar o fim de um projeto e o comeo de um longo e doloroso processo de recuperao. H trs meses a publicitria Regina Malta est de molho. Os exerccios na gua tentam recuperar uma leso sria no joelho. Mas a fisioterapia s foi iniciada quando os excessos feitos por Regina j tinham agravado o quadro. Um tombo de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, foi o comeo de tudo. Regina bateu o joelho na quina do meio-fio. Tratou-se sozinha e continuou pedalando. No parei porque tenho paixo por exerccio, diz a publicitria. Paixo sem medida que teve um preo alto. Um ano depois, Regina procurou um ortopedista e descobriu que tinha leso no menisco. Exerccios mal feitos no afetam apenas o corao. H risco de contraturas musculares, tendinites, estiramentos, uma srie de leses que acontecem com a sobrecarga da estrutura ssea e muscular do paciente. Geralmente os membros inferiores so os que mais sofrem, porque so os que suportam a carga, alerta o ortopedista Joo Maurcio Barreto. Sem pedalar, Regina acabou ganhando peso: 15 quilos a mais. Para curar o joelho, precisa emagrecer. Mas exerccios, agora, s com a superviso de um especialista e longe das pistas, s na academia. Na verdade, o exerccio no tem nada de vilo, s mal utilizado. E quando isso acontece pode causar um impacto negativo, como algumas leses srias, diz o ortopedista. O prximo vero vai ser diferente, garante Regina.

PROJETO NOMIA 2004.

O dilema da arquiteta carioca Nomia Caiado j cruzou alguns veres: enfrentar ou no o prprio sedentarismo. O projeto, feito h quatro anos e abandonado logo em seguida, era emagrecer. Separada, me de duas filhas, trabalhando em tempo integral, reconhece que difcil lutar contra a falta de fora de vontade e um gosto irresistvel por lanchinhos fora de hora. Sou um pouco comilona, gosto muito de massa. Com isso acabo ganhando alguns pesinhos a mais. A coisa de que mais gosto de um bom sanduche, revela Nomia. Se o sanduche j era um problema quando Nomia praticava atividades fsicas, imagine em uma vida sedentria. A ex-bailarina quer agora, aos 46 anos, voltar definitivamente a fazer exerccios. Vrias vezes ela comentou que ia entrar na academia junto comigo para malhar e emagrecer. Mas nunca fez isso, conta a estudante Bruna Caiado, filha de Nomia. orientando gente como Nomia que o professor de educao fsica Henrique Pira ganha a vida. Assim que se conheceram, quis saber por que ela estava parada h tanto tempo. Preguia e falta de tempo. Junta as duas coisas e acaba no indo nunca, justifica a arquiteta. Para comear, basta se mexer. O professor explica que qualquer movimento uma atividade fsica, como andar no shopping, subir e descer escadas. Mas exerccio mesmo precisa ter ritmo e intensidade definidos. Nomia j fez a escolha: prefere fazer caminhadas ao ar livre. Mas qual a melhor forma? Primeiro tem que se preocupar na maneira como pisa. A primeira parte do p que toca o cho sempre o calcanhar. O movimento deve ser feito de modo a evitar ao mximo o impacto. Outra coisa manter a postura ereta e movimentar sempre os braos, porque isso tende a dar edema na mo. As pessoas reclamam de inchao nas mos exatamente por isso, diz o professor. Quarenta minutos, trs vezes por semana, a medida ideal para quem est comeando. O limite vai ser sempre a sensao de desconforto. A pessoa pode comear mais devagar e aumentar a intensidade da caminhada, ensina Henrique. Depois da caminhada ou de qualquer outro exerccio, o professor orienta: importantssimo fazer alongamentos. O msculo um tecido elstico. Quando fazemos exerccio, ele se contrai e, se no fizermos alongamento depois, a musculatura vai se tornando cada vez mais encurtada, diz Pira. Beber muita gua, mesmo durante a caminhada, usar roupas leves e ter assiduidade so outras recomendaes. Prticas de fim de semana, no levam a nada. Nomia j sabe disso tudo e comea cheia de vontade o projeto 2004. Quero manter a sade. Vou comear com freqncia, prometo. A promessa no parar mais, nem no inverno, diz a arquiteta.

VIDA EM MOVIMENTO.

Equilbrio. Reflexo. Fora nos msculos. Um corpo saudvel, capaz de fazer os movimentos que a vida exige em qualquer idade. Em um grupo todos j passaram dos 60 e cada um tem um motivo para fazer parte da turma. "Atividade fsica uma coisa necessria e temos que fazer, gostando ou no. Gostando muito melhor", comenta a dona de casa Ana Tagliavini. "Tinha muita dor nas costas, na coluna, e depois que vim para c, com as posturas corretas, melhorei bastante", diz o aposentado Takashi Okuma. "Tinha urgncia urinria, uma vontade de correr para o banheiro noite. Mas isso sumiu com a ginstica do perneo", afirma a dona de casa Maria Helena Carvalho Miranda. Especialista em atividade fsica para a terceira idade, a professora Silene Sumire Okuma conhece as necessidades e os pontos fracos de cada um. E sabe o que importante para todos: no deixar o corpo enferrujar, precisa de muito mais que os movimentos do dia-a-dia. "O corpo precisa de desafios. Isso significa ir alm do que o cotidiano exige. Por maior que seja a quantidade de atividades que faa no meu dia-a-dia de dona de casa, no supre a necessidade de perda que o envelhecimento traz", avalia a professora. Nem movimento com vu e msica, nem os exerccios de musculao. Para algumas dessas senhoras, aquelas que passaram a vida cuidando da famlia e da casa, o primeiro e mais difcil dos movimentos foi pegar a bolsa e sair em busca do que o tempo levou. Foi com a auto-estima l embaixo que Eunice Alves Monteiro chegou para quebrar a rotina de uma vida parada e j sem nenhuma graa. "Nunca trabalhei fora, meu marido faleceu e meus filhos tm a vida deles. A solido ruim demais. Nem da casa gosto mais. Fiquei a vida inteira lustrando a casa, a casa brilhava e perdi o brilho. muito triste", lamenta a dona de casa. Sem brilho e sem vontade de se mexer, mas com uma disposio rara de mudar, coisa que a maioria das donas de casa ainda no tem. Em grupos de atividade fsica so minoria, apenas 22%. Foi o que a professora Silene Okuma descobriu estudando o comportamento de idosos que faziam exerccios na Universidade de So Paulo (USP). Os outros 78% so pessoas que tiveram uma vida ativa, fora de casa. "Em geral, donas de casa muito ativas dentro de casa do como justificativa exatamente isso: 'J fao muito dentro de casa'. O que acontece que com o processo de envelhecimento vamos perdendo nossas condies funcionais, estruturais", observa a professora. O primeiro dia de ginstica foi puxado para Eunice, mas so esses exerccios mais fortes que criam as reservas de que todos precisamos ter para um momento de doena ou na hora de fazer um esforo maior. "Hoje tive dificuldade porque foi o primeiro dia, mas vou conseguir. Vou revirar minha vida", garante Eunice. "Uma das coisas que a gente observa que, por j terem dificuldades, as pessoas acham que essa uma condio para no fazer. E exatamente o contrrio, quanto mais dores e pior estiverem mais precisam mudar seus hbitos, no importa a idade, com 82, 83, 91, no importa. O que importa que iniciem da forma mais adequada possvel. Adequado saber quais so as limitaes e fazer um programa a partir delas", diz a professora Silene.

MARCAS DO SOL.

Nos meses mais quentes do ano, o cenrio nas praias sempre o mesmo. Todo mundo querendo um lugar ao sol. Roupa, s o suficiente para garantir conforto. Peles morenas, muita energia no ar. Quem lembra que a luz do vero pode ser desastrosa? O vendedor ambulante Sebastio Nogueira, de 61 anos, nunca pode pensar muito nisso. H 20 anos ele e os dois filhos, Douglas e Lincoln, vendem suco natural na praia. So sete horas de trabalho por dia. Sempre uso chapu, bon, sempre me protejo, garante o vendedor. Na verdade, o mais branquinho da famlia. De tanto tomar sol, mudou o bronzeado, ficou mais moreno nesses 20 anos, conta Douglas. Douglas e Lincoln herdaram a pele morena da me, que negra. Um fator de proteo natural para quem pega tanto sol. Mesmo morenos, nos protegemos com filtro, porque nossa pele muito exigida, diz Lincoln. A cor do vero pode seduzir muita gente, mas no a medicina. Lentes poderosas conseguem ver o que existe alm da pele bronzeada. No primeiro exame de pele da sua vida, seu Nogueira levou um susto. Parece uma esttua de bronze, constatou o ambulante. Foi assim que reagiu ao ver o resultado da foto tirada com raios ultra-violeta. S ela pode revelar os danos causados pelo sol na camada interna da pele. Tem risco de apresentar manchas escuras em algumas regies, que podem se tornar mais espessas, e tambm um risco maior de desenvolver cncer de pele, diz a dermatologista Aline Pinheiro. Mesmo sem equipamentos, a mdica consegue ver muitos problemas na pele de seu Nogueira. O que mais chama a ateno uma mancha enegrecida, irregular. Isso resultado de um efeito solar cumulativo, ao longo dos anos de exposio freqente ao sol na praia. possvel observar tambm na regio das bochechas e do nariz uma grande dilatao dos vasos, que tambm provocada pela exposio solar de longa data. A pele em redor dos olhos tambm mais espessa, avalia a mdica. Os filhos dele apresentam pele de boa qualidade. Por serem mais morenos, tm proteo maior em relao luz solar. Mas isso no os libera de ficar sem utilizar o filtro solar, diz a especialista. De acordo com os conselhos da mdica, seu Nogueira deve usar sempre chapu de abas largas e aumentar o fator de proteo solar para 60. E Douglas e Lincoln, mais morenos, podem continuar usando filtro com fator de proteo 15. As recomendaes servem para qualquer pessoa que goste de tomar sol: cuidado com os excessos. A exposio deve ser sempre antes das 10h e depois das 16h. O filtro solar deve ser usado continuamente e em camada espessa, ou seja, temos que ser bastante generosos na aplicao, orienta a dermatologista. Mais cautelosos, seu Nogueira e os filhos esto de volta praia. Mas agora, sem esquecer a verdadeira imagem de uma pele bronzeada.

GLOBO-REPRTER: O PODER DAS FRUTAS26 DE MARO DE 2004.

MAIS FRUTAS, MENOS DOENAS.

Elas so smbolo de fartura e de fertilidade da terra, traduzem a riqueza e a diversidade de um pas tropical. Desde o tempo dos nossos avs ouvimos falar que comer frutas faz bem sade. Agora, a cincia comprova que as frutas so fonte de vitaminas, protenas, sais minerais, fibras, antioxidantes. Um saboroso coquetel na preveno e no tratamento de doenas. Mas quem come frutas pensando apenas nas propriedades que elas tm? Cada uma guarda forma, cor, cheiro diferentes. Algumas so to antigas quanto a histria da humanidade, do tempo de Ado e Eva e do pecado original. Uma pode trazer lembranas da infncia; outra, um novo gosto a ser descoberto. A aposentada Ernestina Ferreira redescobriu nas frutas o gosto de viver. A gente compra umas mais durinhas e outras mais verdinhas, para serem consumidos depois, ensina a aposentada. Ela mora em Gravata, regio metropolitana de Porto Alegre, e, como a maioria dos brasileiros, comia frutas s de vez em quando. H dois anos, com onze quilos a mais de peso, dona Ernestina procurou os mdicos do Departamento de Geriatria da Pontifcia Universidade Catlica de Porto Alegre. No se sentia nada bem. Estava com o colesterol alto, sofria com dores nas articulaes, tomava antidepressivos e tinha problemas de digesto. Dormia e passava muito mal. Havia noites que achava que at no amanheceria viva. Tinha pesadelos horrveis por causa da janta. Comia feijo, arroz, carne, batata, aipim, enfim, tudo, conta dona Ernestina. A mudana na vida de dona Ernestina comeou no consultrio. Estava entre as 350 pessoas com mais de 60 anos que foram alvo de um estudo sobre hbitos alimentares. A concluso foi surpreendente: Constatamos que as pessoas que tm uma alimentao saudvel, principalmente as que comem mais frutas e verduras, tm at trs vezes menos chances de desenvolver uma doena cardiovascular, um cncer, do que uma pessoa que no tem esse hbito, revela a geriatra Gislaine Flores, da PUC do Rio Grande do Sul. O desafio de geriatras e nutricionistas era melhorar a vida de quem comia de forma pouco saudvel. Foi um trabalho minucioso. A nutricionista Josiane Siviero preparou um cardpio especial: reduziu alimentos calricos, como frituras e doces, e incluiu pelo menos trs frutas e dois vegetais por dia, que a orientao da Organizao Mundial da Sade (OMS). Esses alimentos contemplam certos nutrientes que s eles contm, diz a mdica. Aos poucos, dona Ernestina e os outros idosos foram incorporando as frutas alimentao. Aprenderam a gostar, a variar e a usar as frutas como remdio. Gosto mais da banana. Todos os dias como uma bananinha, conta a dona de casa Cldis de Mello. Emagreci oito quilos depois que diminu os farinceos e comecei a comer frutas e legumes. A disposio melhorou, a digesto tambm, e o intestino foi regularizado. Nunca mais tive dor de cabea. No tomo remdio nenhum, meu remdio so as frutas, diz a aposentada Raquel Oliveira Rech. A nutricionista tambm deu conselhos importantes ao grupo, como comer devagar e vrias vezes ao dia. O ideal so seis refeies por dia. Antes, eles faziam trs, diz Josiane. O resultado da nova dieta foi animador. Em trs anos, 75% dos idosos emagreceram e tiveram diminuio do colesterol ruim no sangue. Perderam bastante peso e comearam a se sentir psicologicamente muito melhores. No exame clnico, a gente observou essa melhora, conta a geriatra Gislaine Flores. Sinto que minha vida mudou bastante, minha disposio melhorou muito, meu nimo de andar, de trabalhar, e a minha mente tambm. Sinto que sou outra pessoa, no aquela que estava quase com a mente apagada, diz dona Ernestina.

MA: DE FRUTO PROIBIDO A REMDIO.

Todos estamos vivendo mais. O segredo que os cientistas buscam incessantemente como viver mais e melhor. No Ncleo de Alimentos Funcionais da Pontifcia Universidade Catlica de Porto Alegre (PUC-RS), foram analisados os efeitos da ma no organismo das drosfilas, as mosquinhas que adoram frutas. Escolhemos a ma porque uma fruta bastante consumida pelos brasileiros, no cara e pode ser consumida de diferentes formas, diz a biloga Guendalina Turcato Oliveira, da PUC-RS. Comparando um grupo de mosquinhas alimentadas com uma papinha especial de ma com outras que receberam a papa sem a fruta, os pesquisadores constataram que as que comeram ma viveram 30% mais que as outras, e com sade melhor. Sabe-se que na ma existe um conjunto de substncias que previnem a formao de radicais livres, entre essas substncias esto flavonides como a quercetina. So substncias que diminuem a formao de radicais livres e com isso aumentam o tempo de vida, explica a biloga. Mas o que aconteceu com as mosquinhas pode acontecer tambm com os seres humanos? Provavelmente, sim. Existem estudos feitos em pases da Europa, como a Finlndia, que acompanharam mais de 10 mil pessoas durante 28 anos. O resultado mostrou que os indivduos que comem ma tm menos doenas como cncer de pulmo, mama, prstata, doenas cardiovasculares e at mesmo asma. Se fizssemos um paralelo com os resultados dessa pesquisa, a gente esperaria que as pessoas no Brasil, por exemplo, que hoje vivem 68 anos, pudessem viver em mdia 80 anos, que casualmente a longevidade mdia de pases desenvolvidos como o Japo e a prpria Finlndia, revela a biogerontloga Ivana da Cruz, da PUC-RS. Mas ateno: ningum deve comer quilos ma, de uma s vez, acreditando que vai viver mais e melhor. Uma boa medida para termos qualidade de vida com a contribuio da ma comer de quatro a cinco por semana, orienta a pesquisadora.

MIRTILO, O BLUEBERRY BRASILEIRO.

Uma pequena fruta, uma grande promessa. em um vale da Serra Gacha, em Forqueta, regio de Caxias do Sul, que uma famlia inteira trabalha no cultivo de uma novidade:o agricultor Nestor Soga; a me dele, dona Mercedes; a mulher, Maria Ins e a filha Llian. O nome da fruta mirtilo. Ela menor que a uva e, quando madura, fica da cor da jabuticaba. Mas o sabor do mirtilo nico, especial. E a semente muito pequena. O mirtilo no apenas uma fruta saborosa. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) comprovaram que o mirtilo produzido no Brasil tem as mesmas caractersticas do blueberry a verso original da fruta, cultivada nos Estados Unidos e na Europa e possui a mesma quantidade de pigmentos antocianos. este pigmento que age de maneira benfica no nosso organismo: combate os radicais livres, antiinflamatrio, melhora a circulao e reduz o colesterol ruim. Outro benefcio comprovado do mirtilo est ligado sade dos olhos. Estudos cientficos tm mostrado que o mirtilo previne doenas relacionados viso, como catarata e glaucoma, melhorando a capacidade de leitura e o foco da viso. Os antocianos presentes no mirtilo tm a capacidade de reverter ou evitar o problema, prolongando a capacidade visual, farmacutico Jos ngelo Zuanazzi, da UFRGS. O poder de melhorar a viso atribudo ao mirtilo uma histria que vem desde a Segunda Guerra Mundial, quando os pilotos britnicos comiam mirtilo antes dos vos noturnos. Eles acreditavam que assim enxergavam melhor os alvos inimigos. Quem enxergou longe foi o padre Darci Bortolini. H cinco anos decidiu apostar no mirtilo. E como acreditar faz parte da vida dele, padre Darci viu na pequena fruta a prosperidade sonhada pelas famlias da regio. De casa em casa, comeou a oferecer as mudas, que comprou com as prprias economias. Mas ningum ps muita f na crena do padre. Os produtores, acostumados a cultivar frutas mais populares, tinham medo de arriscar. Apesar do descaso de dona Mercedes, o filho Nestor emprestou um terreno para o padre plantar o mirtilo. Assim mesmo, meio desconfiado. difcil chegar com duas plantinhas para algum e tentar vender. Mas, se entre dez conseguir convencer uma, isso basta, analisa o padre. A plantao deu certo e se mostrou fcil de cultivar. Aos poucos, a criao de frangos, fonte de renda da famlia nos ltimos 30 anos, foi sendo abandonada. No lugar das granjas, surgiram estufas, onde esto 140 mil mudas de mirtilo, prontas para espalhar a novidade. Com certeza, vai ser um costume brasileiro, mas ainda vai demorar alguns anos. A fruta saudvel, gostosa e o povo vai aprender a sabore-la, avalia Nestor. O sucesso da plantao de Nestor encorajou outros agricultores. Quem orienta os novatos o agrnomo Alverdes Santos, que, atravs da Embrapa, trouxe o mirtilo para o Brasil h 21 anos. "Acredito nas pequenas frutas. a cultura que mais cresce dentro da fruticultura no mercado europeu, no mercado do primeiro mundo. Por que iramos ficar de fora?", comenta o especialista. Sagrada ousadia. Hoje, o agricultor Nestor e padre Darci reverenciam as virtudes prometidas pelo mirtilo, o blueberry brasileiro. "Sade, longevidade, juventude perene", ressalta padre Darci.

A FRUTA CAMPE DE VITAMINA C.

Abacaxi, goiaba, manga, uva, maracuj, acerola. O Brasil produz mais frutas do que o brasileiro consegue consumir. Mas isso est mudando. Nas grandes cidades, as frutas esto deixando de ser apenas sobremesa. Aos poucos, esto sendo consideradas um alimento que faz muito bem sade. E como faz. Na Faculdade de Farmcia da Universidade Federal da Bahia, a professora Maria Spnola pesquisa as propriedades nutracuticas, quer dizer, o poder nutritivo e medicinal das frutas mais consumidas no Nordeste. O estudo derrubou alguns mitos. Por exemplo:quanto tempo dura um suco de laranja sem perder suas propriedades? "A gente verificou que entre trs e quatro horas depois pode perder no mximo 6%. E de um dia paro o outro, em torno de 30%, responde Maria Spnola. Outra constatao: as frutas reforam a defesa do nosso organismo, ajudam a evitar doenas graves. "Todos os frutos avermelhados, cor de laranja e amarelos possuem carotenides, principalmente betacaroteno e licopeno. Podem reforar nossa defesa imunolgica, evitando que a pessoa chegue a ter ou desenvolver um cncer ou outra doena degenerativa", revela a professora. A grande novidade da pesquisa surgiu no exame das polpas. A concentrao de vitaminas encontrada foi a mesma ou at maior do que a da fruta natural. "Encontramos polpas no mercado com teor de vitamina C acima da acerola, que foi a variedade que analisamos, diz Maria Spnola. A pesquisa vai examinar todas as propriedades medicinais das polpas. Mais uma revelao: a laranja sinnimo de vitamina C? Nem tanto. "A acerola tem 40 vezes mais vitamina C do que a laranja. Para um suco de laranja, voc necessitaria de um copo de 200ml. E de acerola somente uma pequena quantidade. Precisamos de 60 miligramas de vitamina C por dia, sendo que as pessoas que tm estresse esto submetidas a um estresse muito elevado ou que fumam, essa quantidade pode aumentar", comenta a professora. Na classificao da vitamina C, depois da acerola vem o caju, a manga, a goiaba. A laranja est em quinto lugar, conforme os nmeros abaixo: Concentrao de vitamina C: Acerola - 1.500 mg, Caju - 200 mg, Manga - 84 mg, Goiaba - 67 mg, Laranja - 40 mg. Que a acerola tem mais vitamina C que a laranja, isso j se sabia. Mas a manga e a goiaba na frente da laranja foi uma surpresa. E um suco de caju, com 200 miligramas de vitamina C num nico copo! O caju curioso. A fruta mesmo a castanha, que vira tira-gosto, torrada e salgada. A parte que se come e de onde se faz o suco uma haste mais cheinha, que tem muito mais do que vitamina. Os pesquisadores da Faculdade de Cincias Farmacuticas da USP, que j estudaram a castanha, dedicam-se agora polpa e ao suco do caju. A nutricionista pernambucana Elma Warta, da Universidade de So Paulo (USP), quer estimular o consumo na populao mais pobre. O estudo est mostrando que a polpa do caju rica em compostos fenlicos, que so antioxidantes, fazem bem sade de quem come a fruta. A pessoas estariam se prevenindo de doenas como o cncer, doenas do corao, cardiovasculares, e at mesmo em alguns processos antiinflamatrios. Sem gastar nada, explica Elma. O professor Jorge Mancini Filho, farmacutico-bioquimco da USP, explica como nosso organismo sofre com a oxidao das clulas, que provoca envelhecimento e doenas: Se tiver uma situao de estresse no organismo, um ambiente de elevado grau de poluio ou alguns quadros como viroses, e puder prevenir isso, vai favorecer o organismo ao ter uma condio de vida melhor. por isso que o estudo das frutas cresce em todo o mundo. Na USP, at a rom, pouco consumida, est sendo alvo de uma pesquisa. A curiosidade da farmacutica Fernanda Jardini vem da infncia. Ser que a rom s serve de enfeite ou para fazer simpatia com as sementes? Pesquisando a rom a gente descobriu que ela muito rica em compostos antioxidantes. Ela rica em cidos fenlicos e tambm em flavonides, que do uma cor avermelhada ao suco. O consumo de rom pode trazer muitos benefcios. Isso comprovado cientificamente, diz Fernanda Jardini.

SUCO CONTRA O ESTRESSE.

Os benefcios das frutas podem ser ainda maiores se forem combinadas. A nutrloga Jane Corona inova nas receitas: diz que possvel misturar as frutas, com indicaes surpreendentes. verdade que existe uma combinao de frutas capaz de prevenir a celulite, uma vil principalmente para as mulheres? verdade. A celulite uma reteno de gua e de toxinas nas clulas. Ento um suco, por exemplo, de abacaxi, ma e cenoura seria uma maneira natural de prevenir a celulite. O abacaxi, porque tem uma enzima chamada bromelina, que antiinflamatria. Alm disso, levemente diurtico. A ma, porque a vassourinha do organismo, ajuda a eliminar todas as toxinas. E cenoura, que riqussima em vitamina A, importante para recuperao e regenerao do tecido celular, confirma Jane Corona. Contra a depresso - que afeta a mente e o corpo - laranja, manga e banana, juntas. As pessoas deprimidas, normalmente, tm pouca vitamina C, e a laranja riqussima em vitamina C. Essas pessoas tambm tm pouca vitamina A, e a manga uma das frutas que tem mais vitamina A. A banana d mais energia, ensina Jane. At as tenses do dia-a-dia podem ser enfrentadas com frutas: o suco antiestresse! Vamos usar a banana, que uma fruta energtica, rica em potssio, que a fruta de escolha para quem pratica exerccio, e para quem est cansado. Vamos usar tambm a pra, que uma fruta de fcil digesto, que pode comer at noite, uma fruta muito boa para ser consumida. E as pessoas estressadas, normalmente, esto com o nvel de vitaminas muito baixo, e as frutas que tm a quantidade maior de antioxidantes e vitaminas so as frutas vermelhas, como o morango, por exemplo. O levedo de cerveja usado para aumentar os nveis de serotonina, porque tem uma quantidade grande de vitaminas do complexo B e tambm cromo, que um mineral importante. As pessoas estressadas tm esse mineral muito baixo, recomenda a nutrloga. Jane explica como preparar o suco antiestresse: s bater no liquidificador uma banana, dez morangos e meia pra com casca. Acrescente uma colher de ch de levedo de cerveja, um copo de gua e pronto. s bater. Est pronto o suco.

FRUTAS BRASILEIRAS BRILHAM NO EXTERIOR.

Um imenso jardim no sul do Brasil com 70 quilmetros quadrados s de macieiras. Fraiburgo, em Santa Catarina, fica na regio que mais produz mas no pas. Em poca de colheita, atraem 10 mil trabalhadores de outras cidades e dos estados vizinhos. Gente que se encanta com frutas to bonitas. "Tem a polinizadora, a rainha do pomar. Com o sabor do beijo dela, sinto o peito vibrar", canta o trabalhador rural Domingos Silva. Os colhedores correm o mundo em busca de trabalho. Hoje, esto l, daqui a pouco... Parancity, no Paran. Depois vou para Minas colher caf, conta o trabalhador rural Ado Tibrcio. Com as mas, dizem que o trabalho mais tranqilo. Isso aqui muito melhor porque no corremos risco de pegar doena. Aqui no tem aquele p, como a cana, nem abelha. E aqui d para ganhar dinheiro. Moro em um lugar h mais de 20 anos e nunca vi uma coisa bonita igual a essa, diz Tibrcio. Com tanta beleza diante dos olhos, qual ma tirar do p? Olho na cor, no tamanho, e s as maduras vo para a sacola. O ofcio tem outros segredos, como tratar as mas com cuidado, para no machuc-las, e ser rpido com as mos. Quem colhe mais, ganha mais. Difcil mesmo ficar longe de casa. Oitocentos quilmetros separam o trabalhador rural Nelson Sabino da famlia, que deixou no noroeste do Paran. O corao fica bem apertado, com saudade de me, filho, pai e irmos que deixei l, conta ele. A distncia o preo da oportunidade de um emprego, ainda que temporrio. Comida e hospedagem so de graa. O salrio pode chegar a R$ 400,00. Nos alojamentos, lavam a prpria roupa, cortam o cabelo um do outro e espantam a tristeza nos fins de tarde, quando o pomar tambm descansa. Um novo dia comea com as mas colhidas passando por tanques, esteiras, engrenagens. S este ano, o Brasil deve produzir 110 mil toneladas um recorde. tanta ma que, em fila, dariam 13 voltas ao redor da Terra. E, como o brasileiro no consome tudo isso, o destino dessas frutas vai mudando aos poucos. Deixamos de ser importadores para exportar cada vez mais. Todos os caminhos da exportao passam pela tecnologia. So mquinas modernas, que lembram uma linha de montagem e asseguram a higiene e a padronizao exigidas pelos mercados estrangeiros. Hoje, esses rios de mas j desembocam nos Estados Unidos, Canad, na Europa, na sia e na Arbia Saudita. Mas para isso preciso perseguir um modelo. O modelo da fruta perfeita. Deve ser bonita, saborosa e sem resduos txicos. Com frutas assim, o Brasil j abocanhou 15% do mercado externo. Hoje, estamos conseguindo tirar os outros do mercado pela nossa qualidade, pelo nosso sabor, pela crocncia, avalia Luiz Borges Jnior, presidente da Associao Brasileira de Produtores de Ma. Tecnologia que j consegue at prolongar a vida das mas. Em cmaras frias, sem oxignio, elas se mantm perfeitas por seis meses. Um retrato de quem antecipa o futuro.

POMAR NA CAATINGA.

A mesma tecnologia que nos permite exportar ma plantou um imenso pomar nas margens do Rio So Francisco, nos municpios de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Na caatinga seca, parreiras, mangueiras, goiabeiras - frutas para o Brasil e para todo canto do mundo, cultivadas no persistente calor do Nordeste. O mesmo sol que maltrata milhes de nordestinos, na regio, deixa de ser um problema e vira soluo. Porque a combinao de muito sol, terra frtil e gua do So Francisco na medida certa tudo que as frutas precisam para brotar no semi-rido. Este o nico lugar do mundo onde se colhem pelo menos duas safras de uva por ano. Seria isso um milagre? O cu ajuda, mas a tecnologia e a criatividade do homem fazem a diferena. As estaes de bombeamento levam a gua do Velho Chico para mais de 100 mil hectares de plantao. A uva, fruta da Europa e de climas frios, s vingou no serto com as pesquisas da Embrapa. Estudos de melhoramento gentico usam at a clonagem de plantas. "A gente seleciona um indivduo, aquele que melhor adaptado s nossas condies, e clona. Faz de uma planta milhares de plantas completamente idnticas planta-me. E isso feito no laboratrio", explica o agrnomo Natoniel Franklin de Melo. Para os produtores, esse suporte tecnolgico uma ferramenta importante. As novas tcnicas ajudam a colher frutas de boa qualidade e permitem competir com pases de mais tradio no cultivo da uva, como frica do Sul, Chile, Espanha e Itlia. "Aqui no Vale estamos usando as tecnologias mais modernas do mundo. Na verdade, agora esto vindo aqui ver o que estamos fazendo. Anteriormente se dizia que uva no dava no serto, nem nos trpicos. Estamos mostrando que d. E esto aprendendo isso com a gente, diz o produtor Luiz Carlos Freire. Os negcios so fechados em dlar. Essa riqueza mudou o rumo de muita gente. O produtor Orlando Castro da Cruz chegou do Sul, na contramo dos retirantes nordestinos. Era motorista de caminho no interior de So Paulo. Hoje um pequeno e bem-sucedido produtor de uva. "Graas a Deus, a minha vida hoje mudou muito aqui. Mudou porque hoje a gente j tem um quadro de funcionrios que trabalha, e tiro todo o meu sustento daqui. A famlia vive bem, meus filhos esto estudando. Meu caulinha est estudando at em escola particular. Tenho um carrinho para passear, uma motinha para andar tambm. E tenho um caminhozinho, que transporta o pessoal. At o momento estou muito satisfeito, comemora Cruz. A manga do Vale do So Francisco tambm conquistou o paladar dos estrangeiros. uma manga doce, tem um bom sabor, um teor de acar alto, uma caracterstica da nossa regio. A manga do So Francisco a melhor manga do mundo, uma manga que tem uma resistncia prpria, mais durabilidade nas prateleiras para vendas, relata o produtor Jos Edival Tenrio. Tem muita polpa, pouco caroo e pouca fibra, voc no sente aquele fiapozinho da manga rosa e da manga espada. uma manga ideal para exportao. A gente manda essa manga para o Canad, Portugal, Alemanha, Frana, Holanda", completa Tenrio. O Brasil j exporta quase 1 milho de toneladas de frutas por ano. So US$ 340 milhes que reforam a balana comercial e geram milhares de empregos. E a tendncia crescer.

UMBU, A FRUTA SAGRADA DO SERTO.

Quem visita as capitais do Nordeste descobre uma delcia de sabor bem peculiar, meio azedinho. o sorvete de umbu. Mas o que muita gente no sabe de onde vem esta fruta e as muitas histrias que tem para contar. Na dura labuta da caatinga, o umbu uma bno para o vaqueiro. Quando a fome aperta, o umbuzeiro, muitas vezes, a salvao. Sede? Isso a raiz resolve. Na seca, o p de umbu como uma caixa dgua. As batatas que ficam na raiz so como caambas, chegam a acumular at 1,5 mil litros de gua. Chova ou faa sol, o umbuzeiro nunca deixa de florescer na primavera. No vero, outra certeza: os frutos brotam dos galhos em grande quantidade. Por isso, a rvore sagrada do serto, como disse o escritor Euclides da Cunha. Na poca da safra, o sertanejo troca a lavoura por longas caminhadas. Pai, me, filhos, todos na trilha dos umbuzeiros. A safra do umbu dura quatro meses: vai de janeiro a abril. A maior alegria para os catadores encontrar o cho coalhado de umbu. So as frutas maduras que o vento derrubou. Na hora de catar, quanto mais rpido, melhor. Para milhares de nordestinos, o umbu a nica renda. "Se no fosse o umbu, a vida seria ruim, por falta de grana", diz a agricultora Judite Reis. Um dos smbolos da caatinga, o bode parceiro do homem quando leva os catadores aos umbuzeiros carregados. Mas quando vira concorrente, o animal atrapalha. "Ele chega no p e cata tudo, se apia nos galhos e vai subindo. Tem que ter sociedade com os bodes, comenta a agricultora Celina de Almeida. O agricultor Manoel sabe at o momento em que os frutos comeam a aparecer. "Um que ns chamamos de Pereira o primeiro. Se chegar l e no tiver, nem precisa ir aos outros, porque no vai achar", garante ele. A sabedoria dele vem desde os tempos de menino. ramos oito, e todos catavam umbu. Minha me tem 80 anos e ainda cata, conta o agricultor. Vendo dona Augusta Gonalves da Silva, com 80 anos e aparncia frgil, a gente at duvida. "Subo em qualquer umbuzeiro. J fiquei pendurada uma vez, mas era baixinho. A, dei um pulo. No me contento com os umbus que caem no cho porque quase no tm valor. Os bons esto em cima", diz a agricultora. Uma fbrica que funciona na cidade de Uau, no serto da Bahia, foi criada pelos catadores com a ajuda de tcnicos do Instituto Regional da Pequena Agropecuria Apropriada (Irpaa). No local se produzem derivados do umbu, todos baseados nas receitas da doceira Jovita Gonalves. Descobriu que a fruta beneficiada vale at 50 vezes mais. "Levei 40 anos catando umbu em cima do umbuzeiro e levando para vender para o atravessador. Recebia aquele tantinho de dinheiro. Voltava para casa e no dava para comprar nem o acar, conta a doceira. Os doces de umbu j esto chegando s escolas da regio como reforo da merenda escolar. A novidade divide opinies e paladares. A tendncia o paladar deles se acostumar com os produtos", diz a nutricionista rica Borges Gama. Para os nutricionistas, a gelia, o suco e o doce de umbu so os alimentos mais energticos da merenda escolar na regio. As informaes nutricionais dizem o seguinte: cada 100 gramas da fruta contm 20 miligramas de clcio, fsforo, ferro, 30 miligramas de vitamina A, 33 miligramas de vitamina C, alm de vitamina B1. Mas qual o benefcio que isso pode trazer para a sade? A professora Maria Spnola, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diz que o umbu ainda uma fruta pouco estudada, mas algumas propriedades medicinais j esto comprovadas. "O umbu possui metade de vitamina C do suco de laranja. Ento, uma contribuio como fonte de vitamina C maior do que da uva e de outros frutos", revela Maria Spnola. Das pesquisas dos cientistas, viro mais informaes sobre o umbu e o prprio umbuzeiro. Uma rvore to sagrada que para dona Jovita, madrinha dos doces, uma redeno. "Sinto-me bem feliz com a valorizao do umbu, como se tivesse subindo um pedacinho do cu", comemora. Do alto do umbuzeiro, dona Augusta j entregou seu destino. "Deus quem sabe at quando vou subir em umbuzeiro para catar umbu, diz a agricultora.

O MILAGRE DA BANANA.

Das guas do Aude de Cocorob, nasceu um osis. Um bananal de 800 hectares, que sustenta um municpio do Nordeste: Canudos, no norte da Bahia, serto de Antnio Conselheiro. As canaletas que correm para irrigar a terra seca fizeram brotar bananeiras carregadas que lotam 30 caminhes toda semana. Agora, corre dinheiro na regio. Curto, mas corre. Umbu, caj, maracuj do mato, mangaba. Essas frutas nativas, o sertanejo conhece bem. Mas banana, na terra da seca, era uma realidade to distante que para seu Manuel, durante muitos anos, isso no passava de um sonho. A bananeira est carregada, graas a Deus", comemora o agricultor Manoel da Paixo. "Estou custeando todas as minhas despesas, no devo a ningum. Minha famlia tem um certo conforto que no tive. Isso representa muita coisa para mim". Graas banana, o agricultor Joo Fereira no s comeou a ganhar dinheiro como investiu na profisso do filho. Josmailton Ferreira passou um tempo fora da roa estudando tcnicas agrcolas e voltou para trabalhar com o pai. "Quando cheguei aqui, se plantava banana apenas de um p. J implementei de dois, de quatro. Aumentou a produtividade em 300%. Se no fosse a banana, no mnimo a gente estaria numa favela em So Paulo ou Salvador, num desses outros grandes centros do Brasil. Esse foi um grande projeto para ns", conta o tcnico agrcola. Um grande projeto que apagou, com gua, um episdio sangrento da Histria do Brasil. O Aude de Cocorob inundou a Canudos de Antnio Conselheiro e seus seguidores. Parte do campo de batalha ainda pode ser vista perto do bananal, as trincheiras foram preservadas. Do alto do morro, o beato parece guardar a nova Canudos, erguida depois da guerra. E lembra um de seus conselhos: a terra para plantar, colher, prosperar. O cho de onde brota a banana o mesmo que d a uva, a manga, o umbu, a ma... a terra do Brasil, um pomar que est ganhando o mundo.

GLOBO-REPRTER: CINCIA E Fɗ9 DE ABRIL DE 2004.

ORAO E TRATAMENTO MDICO.

Rezava todos os dias. Pensava: vou ficar curada. E a senti uma presena forte do meu lado. Era Frei Galvo. Disso, no tive mais dvidas, revela a dona de casa Maria do Carmo Zancan. Tinha uma situao bastante grave. Estava em uma situao de risco de vida, lembra o oncologista Johnny Camargo. Catlica praticante, sempre foi. Mas o encontro com Frei Galvo s veio depois do cncer. A devoo pelo beato, que est enterrado no Convento da Luz, em So Paulo, ajudou Maria do Carmo a enfrentar diagnstico to duro: tinha um tumor agressivo alojado no trax. Faltou voz. Na hora, aquela expresso que a gente sempre ouve falar. Perdi a voz, diz o engenheiro Oscir Zancan. Chegamos na sala e ficamos quietinhos. E o barulho do relgio, sabe Aquele barulho Tic-tac, conta Maria do Carmo. Era muito forte mesmo, batendo... A gente estava em silncio, lembra Oscir Zancan. Olhei para o Oscir e falei: desliga esse relgio. O relgio est ali, desligado No funciona, observa Maria do Carmo. Os ponteiros esto parados desde o dia 19 de novembro de 1999. Exatamente s 10h14min. como se tivesse um tempo para passar, um tempo de vida, constata Maria do Carmo. Naquele momento, Maria do Carmo decidiu que iria enfrentar a doena. Comeava a etapa mais difcil: contar para a nica filha o que estava acontecendo. Muitas vezes chorava e no queria mostrar para a minha me o sentimento que tinha. Se ficasse triste, tinha medo de ela piorar mais ainda, diz a estudante Cristiane Rodrigues Zancan. Era difcil ver a sua esposa naquela situao. A perda de cabelos... Ela mudar totalmente, e voc estar l firme e achar que e continua sendo a mais bela, comenta Oscir Zancan. E ele falava aquilo todo dia para mim: voc est linda, conta Maria do Carmo. A coragem, conquistou com apoio da famlia, mas tambm com muita f e com a confiana incondicional no trabalho dos mdicos. Coloquei para ela que faria a minha parte. Faria a parte dela e o amigo l de cima faria a parte dele, declara o oncologista Johnny Camargo. Tenho certeza de que, quando falou aquilo para mim, foi o maior sinal de Deus na minha vida. Tem que acreditar no mdico que Deus coloca para voc, em voc, e Nele l em cima, constata Maria do Carmo. Deu certo para ela. A quimioterapia fez o tumor desaparecer. Cinco anos depois, est saudvel, ajudando crianas que vo se tratar de cncer em Campinas. Mas at que ponto a f de Maria do Carmo ajudou no tratamento? preciso fazer uma distino: uma coisa so as doutrinas religiosas, e a cada um faz seu julgamento. Outra coisa a f. Tanto que muitos mdicos comeam a olhar para ela sem preconceito. O psiquiatra Alexander Moreira de Almeida coordena um ncleo, na Universidade de So Paulo, que estuda as relaes entre medicina e f. Voltou dos Estados Unidos, onde visitou os maiores centros mundiais de pesquisa sobre o assunto. Existe uma alterao bioqumica no corpo, provocada pelo ato de rezar e orar, de entrar em estado de meditao. Isso produz algumas alteraes cerebrais que, a partir da, vo gerar um melhor funcionamento dos sistemas imunolgico e hormonal, e, com isso, trazendo, de um modo geral, uma maior melhoria nas questes de sade, explica o psiquiatra. Funciona assim: o crebro humano formado por dois grandes ncleos: o sistema cortical comanda os pensamentos, enquanto o sistema lmbico responsvel pelas emoes. No momento de orao, esses dois ncleos enviam comandos para o hipotlamo, e tambm para vrias glndulas espalhadas pelo corpo. Isso aumenta a produo de hormnios, que criam uma sensao de bem-estar. claro que h situaes, h momentos em que a religio tambm pode trazer malefcios. Muitos pacientes abandonam tratamentos graves, na rea da psiquiatria, da oncologia, e tm seus quadros muito agravados, por crenas de que a f em Deus geraria a cura e que se ele se tratasse com os mdicos estariam desacreditando do poder de Deus, observa Alexander Moreira de Almeida.

APENAS F NO RESOLVE.

No caso de Vera Beber, a f teve um papel no mnimo controverso. Mostra os exames: em 1998, Vera retirou um tumor da membrana que reveste o crebro. Em 2000, o cncer reapareceu. Os mdicos recomendaram remdios para prevenir convulses e dores. Vera preferiu outro caminho. No tomo medicao nenhuma. S recebo Johrei, ministro Johrei, dedico-me obra de Deus, conta. A adeso de Vera ao Johrei total. Trata-se de uma tcnica usada pelos adeptos da Igreja Messinica, que surgiu no Japo, h 70 anos. Acreditam que, pela imposio das mos, seja possvel canalizar ondas de luz que tm fora curativa. Os lderes da igreja acham que Vera deveria tambm fazer o tratamento mdico. Mas ela no se convence. Conforme recebia o Johrei, as dores passaram. No tive mais tontura, porque no comeo tinha muita dor de cabea. O tumor no pode avanar porque tenho Johrei. Posso at fazer os exames, mas tenho certeza de que at acabou. Com todas as minhas dedicaes, esse tumor no existe mais, revela. Infelizmente, o tumor continua l. A equipe do Globo Reprter levou Vera para fazer um novo exame. Olhando a imagem, o mdico - que cuidou dela quatro anos atrs no tem dvidas: o tumor est presente. Sinto-me tima, maravilhosa. Isso est me mostrando que o Johrei funciona. Porque se no funcionasse, estaria e se ele aumentou - com mais dor de cabea, com mais tontura, e poderia estar convulsionando, constata Vera. O mdico no soube explicar o que aconteceu. Pelo que conheo de outros casos, as convulses normalmente reapareceriam e as dores, acho que voltariam. Precisava, precisa dos remdios. Mas o que a gente pode fazer? No tem explicao. Tem que tomar o remdio. A gente tem que indicar, o tratamento esse, observa o neurocirurgio Gilberto Ferreira de Paiva. F no remdio. Quer dizer, se um estudo americano mostra que ir igreja pode melhorar o quadro da sua sade, no pode prescrever para um paciente que est com pneumonia, digamos, antibitico e ir igreja, adverte o oncologista Srgio Simon. O oncologista Srgio Simon trata todos os dias de casos graves, como o da mulher de Roberto Carlos. Nem a competncia do mdico, nem a f do rei e de Maria Rita foram capazes de salv-la. O doutor Simon cauteloso ao falar de religio, mas reconhece um papel para ela. Por que uma pessoa jovem, com filhos pequenos, vai ter que morrer daqui a seis meses? A religio d um sentido. Quem no tem religio fica perdido, realmente, declara.

O MILAGRE DE NORTON NASCIMENTO.

O ator Norton Nascimento se encontrou na f evanglica. A converso aconteceu apenas trs meses antes de o ator enfrentar o momento mais difcil na vida dele. Hoje, Norton curte a popularidade nas ruas. Por onde passa, aproveita para pregar a palavra de Deus. Mas os fs querem ouvir como ele sobreviveu ao transplante de corao, em situao to adversa. No dia 15 de dezembro, Norton se internou para uma cirurgia cardaca. O caso se complicou. Precisava de um transplante. O corao chegou quando a vida de Norton estava por um fio. Foi doado pela famlia do mdico Ricardo de Oliveira, morto em um acidente de carro. Foi um milagre, porque no tinha nenhuma possibilidade de vida, acredita o ator. Milagre mesmo talvez tenha acontecido um pouco antes, quando ele passou a freqentar os cultos evanglicos. Largou o cigarro e fez o que parecia impossvel: abandonou o lcool. Tudo por insistncia da mulher Kelly. Quando o ator foi parar na UTI espera do transplante, ela permanecia ali em viglia, orando pelo marido. O ritmo cardaco e a presso dele aumentavam muito. como se tentasse reagir a uma coisa que no podia, porque estava totalmente sedado. Mas, pela aparelhagem, via que estava sentindo as vibraes dela como se tivesse acordado e sentido aquilo, lembra a tcnica de sade Rosangela Xavier. A reao no aconteceria sem o conhecimento tcnico da equipe, comandada pelo doutor Jos Pedro. difcil de acontecer, mas pode ocorrer, por vrias coincidncias. Primeiro: achar um doador grande, do tamanho do Norton; e achar rapidamente um paciente do mesmo tipo sangneo. Depois, o fato de toda a cirurgia dar certo, de no ter nenhuma complicao, nem rejeio. Ento houve vrios fatores favorveis. Isso pode acontecer, explicado apenas pela cincia, acrescenta o cirurgio cardaco Jos Pedro da Silva. Como cristo, no acredito em coincidncias. No creio que fui parar nesse hospital toa, com essas pessoas toa. No acredito que o Ricardo tenha morrido em vo. Inclusive o pai do Ricardo disse, em uma entrevista, na Ana Maria Braga: esse corao no do meu filho, Norton. Esse corao seu, porque a gente no leva nada. Porque, se fosse assim, o Ricardo teria levado o carro dele, o apartamento, mas no levou nada. O Ricardo salvou seis vidas, emociona-se Norton Nascimento. Norton diz que foi milagre, mas, os mdicos, que foi apenas um caso em que medicina e f trabalharam juntas. A vitria do ator virou um emblema: as doaes de rgos se multiplicaram nos ltimos meses. Norton afia o discurso para se transformar em pastor. Quando orei, falei assim: meu Pai, me d um corao novo para voltar e pregar sua palavra, revela Norton Nascimento.

RECUPERAO NA TERCEIRA IDADE.

Um carinho especial pela vida que brota do cimento. Lcida, aos 88 anos, a aposentada Carmen Gonalves uma sobrevivente. Enfrentou com energia o tumor maligno que apareceu no abdmen. Mais ou menos seria um tumorzinho, mas a comeou a crescer e ficou grande, conta. O caso foi parar nas mos do doutor Ivan Sandoval. Tinha que tomar a difcil deciso: levar a paciente com quase 90 anos para a mesa de cirurgia. Dona Carmem era uma pessoa j de idade, portadora de um tumor abdominal, de origem ainda indeterminada, de um volume j considervel. Ento, era um caso preocupante, observa o cirurgio Ivan Sandoval Vasconcellos. Quando o mdico chegou e disse que era um tumor, um cncer, entreguei-me na mo de Deus. Seja l o que Deus quiser. Falei para minha filha: se morrer, todos temos que morrer. No tive medo, juro, lembra dona Carmem. O medo, na verdade, acaba deprimindo o indivduo, e a depresso, que sria na vida do paciente com doenas como o cncer, que to grave, piora o quadro, constata o mdico Jorge Teixeira. Quem diz isso um mdico que passou trs meses entrevistando idosos durante o tratamento de cncer, no Hospital do Servidor Pblico de So Paulo. A pesquisa, que virou tese de doutorado na USP, avaliou a importncia da f na recuperao dos pacientes. Deus estando comigo e mais a equipe mdica me ajudando e me amparando, consigo andar mais do que meu vizinho, que acredita s na f, ou acredita s no tratamento mdico, explica Jorge Teixeira. A cirurgia de dona Carmem foi um sucesso. Prevista para durar oito horas, terminou em duas. E a recuperao tambm foi rpida. Para mim, foi um milagre mesmo, com a graa de Deus. Acho que depois de Deus, os mdicos, n? Mas os mdicos ficaram um pouquinho impressionados, declara dona Carmem. J no momento da cirurgia, a gente pde observar que esse tumor estava livre de aderncias, no comprometia nenhuma estrutura, ento saiu com facilidade. Isso incomum. Pelo tamanho do tumor, incomum que ele sasse com tanta facilidade. E por essa razo ela diz que foi um milagre. Digo que foi uma situao incomum, explica Ivan Sandoval Vasconcellos. Alm de respeitar a f da paciente, o mdico usou isso como uma ferramenta a mais contra a doena. Essa parceria nem sempre acontece. O profissional da rea de sade tende a ver, muitas vezes, a religio como um inimigo, algo que vai atrapalhar seu prprio tratamento. esse tipo de conflito que precisa ser sanado. J que todos ns, na rea de sade, e os religiosos querem apenas uma coisa: o bem-estar do paciente, garante o psiquiatra Alexander Moreita de Almeida.

TECNOLOGIA A SERVIO DA RELIGIO.

Um caso clssico o das Testemunhas de Jeov. Todo mundo sabe que no aceitam cirurgia com transfuso de sangue, por uma interpretao do que est na Bblia. A equipe do Globo Reprter pretendia mostrar isso no programa, como um exemplo de f que atrapalha o tratamento de sade... Mas ser que simples assim? Nos Estados Unidos - e tambm no Brasil - muitos mdicos tm uma viso diferente: aceitam os limites impostos pela religio e vo buscar tcnicas alternativas para evitar transfuses. Essa viso nova permitiu Gabriela reconquistar a energia, que agora esbanja nas brincadeiras. Era uma criana de lbios e unhas bem roxinhos. Uma aparncia sempre abatida, conta Ruth, me de Gabriela. A menina nasceu com um problema srio no corao e precisava de, pelo menos, duas cirurgias - uma delas antes de completar um ano. O problema: a me Testemunha de Jeov. No faria transfuso de sangue de jeito nenhum. Primeiro porque ajo de encontro com meus princpios. Em segundo lugar, existem riscos de outras doenas com a transfuso. Tinha certeza de que encontraria uma equipe disposta a operar Gabriela, afirma a dona de casa Ruth de Camargo. E encontrou! Na cirurgia de Gabriela foi usada uma mquina que permite reaproveitar o sangue do prprio paciente. o aparelho que faz a funo do corao e dos pulmes durante a cirurgia cardaca, explica o cirurgio cardaco Walter Gomes. um recurso a mais, que pode ser posto a servio das Testemunhas de Jeov. O doutor Walter professor da Universidade Federal de So Paulo e h trs anos utiliza outras tcnicas que possibilitam cirurgias delicadas, sem transfuso de sangue. Comeou a fazer isso a pedido dos religiosos. O tratamento dos pacientes Testemunhas de Jeov ajudava a beneficiar outros pacientes, porque, com essa experincia, estamos evitando a transfuso sangnea em outros pacientes, e, conseqentemente minimizando riscos, declara Walter Gomes. O primeiro passo acabar com os sangramentos desnecessrios. Isso possvel com o bisturi eltrico, que cauteriza, ao mesmo tempo em que corta. Outra tcnica dar para o paciente, antes da cirurgia, um hormnio que estimula a produo de glbulos vermelhos. uma forma de combater anemias. Mesmo se tiver uma perda durante a cirurgia, j est preparado para recuperar. O paciente vai para a cirurgia com uma quantidade maior de sangue, fabricado por ele mesmo, observa o cirurgio Walter Gomes. Gabriela foi operada por outra equipe, comandada pela doutora Luciana da Fonseca - que segue a mesma linha. uma satisfao muito grande, porque, na verdade, cumpri o meu objetivo, que foi agradar e respeitar um direito do paciente, constata a cirurgia cardaca. Quando se encontra o equilbrio entre medicina e f, quem ganha o paciente. Agora estou correndo, brincando, pulando..., diz Gabriela. Se houver algum acontecimento catastrfico em que o paciente realmente precise de transfuso de sangue vai ser um dilema de conscincia. O paciente religioso pede para no tomar a transfuso e espero nunca ter que passar por essa deciso, comenta Walter Gomes.

F, PARCEIRA DA SADE.

Enfrentar as ladeiras, sob o sol quente do Cear, no assusta essa mulher. Dona Augusta vem de uma longa caminhada. Em Maranguape, figura respeitada pelos adultos e adorada pelas crianas. Quase todas j passaram pelas mos dessa viva de 72 anos, que aprendeu h mais de meio sculo com a me o ofcio de rezadeira. Sinto emoo quando estou rezando. Ontem foi um dos dias. A criana chegou bem doente. A disse: minha filha sabe o que ? gripe. Comeou agora, a garganta dela t inflamada e t com dor de ouvido. Porque pressinto na orao. Antes, no sabia, mas quando comeo a orao, sinto. No preciso nem examinar, explica a rezadeira Augusta de Lima. A placa na parede uma espcie de selo de qualidade. Como em tantas partes do Brasil, em Maranguape as rezadeiras so uma instituio. Existe uma rezadeira para cada 108 crianas com menos de 10 anos. No tenho idia de quantas crianas j passaram aqui. Tem dia que meu brao s falta de no arribar de cansada de rezar. muita gente, constata a rezadeira Dona Paizinha. Ser que funciona? Ser que no seria melhor levar a criana para o mdico? Em Maranguape, fizeram diferente: levaram as rezadeiras para o posto de sade. Dona Paizinha tem uma sala s para ela. No ganha nada para dar expediente dentro do posto. A sade que ganhou a f como parceira. Muitas mes passaram a visitar o posto para ver a rezadeira e depois passam tambm pelo mdico. Trago para o mdico e para a rezadeira, porque sempre que venho para o mdico, passo na rezadeira, depois vou para o mdico. S o mdico no resolve tudo, porque questo assim de mau olhado, por exemplo, o mdico no resolve. A, sendo a reza, acho que resolve., conta Raquel Alves. Se tira o mau olhado, no se sabe. Mas que acalma, isso est na cara do pequeno Jefferson! Depois do treinamento recebido da Secretaria de Sade, as rezadeiras agora aproveitam a autoridade com as mes para ensinar a receita do soro caseiro. reza, mas tambm precisa do remdio, precisa da mdica tambm. Do mdico, se for preciso. Porque no s a reza que cura, no, garante Dona Paizinha. A idia de fazer da cultura popular uma aliada nos programas de sade partiu dessa professora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ela mora no Cear h 15 anos e foi l que fez a pesquisa, mostrando que as rezadeiras podem formar a linha de frente em favor da vida. O soro, quando vem desse jeito, melhor do que quando vem s pela mo do mdico. No tenho dvida disso. Quando pega aquele sal, gua e acar - que o soro caseiro - abenoado pela rezadeira, vira gua benta. A vem o poder da cura, a f. algum em quem ela acredita, observa Marilyn Nations. Tenho 28 anos de mdica. A melhor experincia para recuperar as crianas desidratadas essa: a rezadeira dentro do posto de sade, diz a mdica do posto de sade, Antnia Sampaio. Em Maranguape, foram cadastradas 188 rezadeiras. A mortalidade infantil, que era de 30 para cada mil crianas nascidas vivas, em 1999, caiu para 13 no ano passado. Na nossa rea aqui - falo com muita segurana - no temos nenhuma morte por desidratao. Em 2003, nenhuma. Em 2000, 2001, 2003, nenhuma, zero. o melhor zero que pode receber, garante Antnia.

FOME: ME DE TODAS AS DOENAS.

Em muitas regies do Brasil, o grande inimigo da sade ainda a fome. Em Eunpolis, no sul da Bahia, a fome a me de todas as doenas. Medicina e f juntas esto ajudando a salvar crianas desnutridas. Uma freira reuniu conhecimento cientfico e terapias alternativas e est conseguindo resultados surpreendentes. To surpreendentes que, s vezes, os pais nem reconhecem quando os filhos voltam para casa completamente recuperados. Meu filho Mateus estava bastante magrinho. Pensava em perd-lo. Agora est bem, recuperado, graas a Deus, conta a dona de casa Maria da Silva. Graas tambm a um trabalho bem feito. Em um bairro de ruas de terra, onde h pouco emprego e muita fome, a casa comandada por Irm Therezinha um refugio. Alm de oferecer comida, era preciso vencer outros problemas. Mateus era uma criana muito nervosa. No tinha sossego, no dormia direito, acordava mais de dez vezes durante a noite. Melhorou bastante. Comeou a andar, a desenvolver a fala e dorme a noite toda, revela a coordenadora da casa de nutrio, Irm Therezinha. Todos os meses chegam outros. So impressionantes as conseqncias visveis da misria. A equipe da Irm Therezinha oferece o carinho que alimenta, e a comida - que tambm enche os olhos. A vida volta a ter o sabor que toda criana merece. Os que agora se lambuzam na mesa, tambm chegaram desnutridos alguns meses atrs. Dar comida s no adiante. Tem que ter o amor, a dedicao, a f no que se est fazendo. Como mdico, acredito que a f fundamental para a gente cuidar de tudo na vida. Se no tivesse f que ia curar uma criana dessas, ou a irm no tivesse f que ia recuperar, no teria nem sentido ela estar fazendo isso, observa o pediatra Rivamar Marques. A f sem preconceitos de Irm Therezinha foi buscar outros alimentos. A freira catlica trouxe um terapeuta holstico para dentro da casa. Alm de massagem, Carlos Cruz usa tcnicas como a radiestesia e o reiki para dar energia s crianas. A gente nunca deixa suspender o tratamento mdico, mas preciso a reposio energtica, ou ento a vibrao palmar, que o reiki, como a gente est fazendo, constata o terapeuta holstico Carlos Cruz. No comeo a gente fica um pouco chocada, mas agora a gente est se acostumando. Acho que uma coisa complementa a outra, declara Irm Therezinha. Foi assim que Matheus ganhou peso e recuperou o nimo. A equipe do Globo Reprter acompanhou os dois ltimos dias dele sob os cuidados da Irm Therezinha. Fica bonito para o esperado reencontro com a me. Para quem pesava quatro, agora so nove quilos. A despedida de Matheus a despedida de um pequeno brasileiro que passou fome e no teria chance nenhuma se no fosse a f. Pode ser em Deus, na cincia... Mas , antes de tudo, f na vida!

REAES CEREBRAIS.

Velas acesas para Buda, o som puro do metal. assim que Sophie entra no mundo da meditao. Sofre de esclerose mltipla h 20 anos e estava condenada a viver em uma cadeira de rodas. Mas, com a ajuda da meditao budista, leva uma vida normal. "Quando medito, consigo aliviar os sintomas da doena", diz. O que ser que acontece no crebro de quem medita? Ser apenas uma fantasia, uma iluso? Os budistas descrevem um estado de xtase, a que chamam nirvana - muito semelhante unio mstica com Deus, descrita por freiras e monges cristos. Na Universidade da Pensilvnia, o cientista Andrew Newberg colocou monges budistas e freiras catlicas em uma mquina e fez uma tomografia do crebro deles. Descobriu que no momento mais profundo da meditao, ou da orao, os crebros de budistas e de catlicos tm a mesma atividade eltrica, caracterstica da experincia espiritual. O crebro humano tem a capacidade inata de experimentar a presena de Deus ou de algo que pode ser descrito como puro esprito, afirma o cientista. Quando a pessoa se concentra para meditar ou rezar, a parte da frente do crebro que fica atrs da testa se torna muito ativa. a rea da conscincia, da ateno. Dali saem impulsos que ativam o centro do crebro, que comandam as reaes involuntrias, inconscientes. Em seguida, so ativadas as reas responsveis pela viso. E desativada a regio posterior do crebro que responde pela orientao espacial. A pessoa tem a viso de um mundo sobrenatural e a sensao de perda de limites. O eu se confunde com o universo. a experincia de uma realidade espiritual superior, descrita pelos msticos. Ao mesmo tempo, sinais so enviados para o corpo para acalmar todo o sistema nervoso e criar uma sensao intensa de prazer. Tudo isso acontece nos dois lados do crebro. Andrew Newberg um dos pioneiros da neuroteologia - a cincia que estuda como o crebro experimenta Deus. Essa nova cincia prova o poder da mente sobre o corpo e explica por que a f pode curar, ou pelo menos ajudar a medicina. O mdico Harold Koening o autor de dezenas de pesquisas sobre f e medicina, financiadas pelo governo americano. Todas mostram que as pessoas religiosas so mais saudveis e vivem mais do que as outras. Segundo o mdico, nos Estados Unidos uma pessoa branca que assiste a pelo menos um servio religioso por semana, vive sete anos mais do que quem no religioso. Se for negro, vive mais 14 anos. Uma das razes da longevidade o apoio da comunidade religiosa. Outra: pessoas que tm f levam uma vida mais regrada e saudvel. As pesquisas tambm mostram que a f refora o sistema imunolgico e a resistncia s doenas, observa Harold Koening. Est crescendo o nmero de escolas de medicina que aderem pregao do doutor Koening. Uma delas a Johns Hopkins, ligada ao hospital do mesmo nome, onde os alunos so treinados para usar a f no tratamento mdico. O hospital considerado o melhor dos Estados Unidos e um dos centros mdicos mais avanados do mundo. Mas para muitos pacientes e mdicos o corao do hospital fica em uma imagem de Cristo colocada, h mais de 100 anos, na entrada do hospital. Muitos passam para rezar, pedir, agradecer e meditar. At quem no cristo se diz reconfortado. O capelo do hospital, o pastor Steven Mann, guarda os livros onde as pessoas deixam mensagens. So mais de trs mil pginas por ms, na maioria agradecendo pelo conforto que a f traz aos doentes. H dez anos, o hospital foi o primeiro nos Estados Unidos a incluir a espiritualidade no ensino da medicina. Segundo a mdica Jeanne Mccauley, o uso da f no tratamento uma exigncia dos prprios pacientes. Ela j dirigiu dois vdeos para treinar mdicos, mostrando como eles podem ajudar os doentes a procurar apoio na religio. Em um deles, aparece a histria de Joni, uma tetraplgica que entrou no hospital de maca e viu a imagem de Cristo na entrada. "Senti ento que Deus me ama. A partir da, passei a aceitar a invalidez, e hoje sou uma pessoa inteira", conta. A f pode no vencer a doena. Mas, segundo a budista Sophie, preciso acreditar em uma fora superior, seja Deus, Buda, ou o que for, mas algo que est dentro da gente. O poder da f est em voc!

MAIS F, MENOS ESTRESSE.

Equipes para comandar. Nmeros, metas a cumprir. Mulheres apaixonadas pelo trabalho, mas atormentadas por tanta responsabilidade. imprevisvel imaginar o que vai ser seu dia amanh. O mximo que consegue colocar na sua agenda o que precisa fazer, constata a executiva Samia Hannouche. muita presso por resultado. cobrado diariamente, ento no pode perder tempo, observa a executiva Isabel Arajo. Samia, que solteira e sem filhos, consegue administrar o tempo para que duas noites por semana fiquem livres. quando atravessa a cidade para participar das sesses espritas, que, segundo ela, ajudam a aliviar o estresse. D um equilbrio, porque acredito que no estamos aqui na terra, ou na vida, s para produzir bens materiais ou riquezas para o mundo, diz. Casada, uma filha, s 6h Isabel gerencia o dia da famlia. Catlica de formao, namora vrias religies, mas no pratica nenhuma. Quando parte para a jornada de 14h, deixa de lado uma parte da vida, que, para ela, faz falta. A gente corre atrs do material o tempo todo, do profissional, s que na hora do desespero, sente falta desse espiritual, que abandonou em algum momento da sua vida, revela. Elas ainda so minoria no mundo dos negcios. E, quando chegam l, costumam ser mais estressadas do que eles. Uma pesquisa com 1,5 mil executivos mostrou que aqueles que praticam uma religio - e a tanto faz homem ou mulher - lidam melhor com o estresse. Ambos tm nveis de estresse alto, porm faz uma grande diferena se a pessoa tem uma religio e a pratica, ou no - exatamente por causa do efeito que a f, o ritual religioso exerce sobre a mente, sobre o estado emocional, sobre o estado psicolgico do indivduo. E, em conseqncia, tambm sobre o estado orgnico, explica o psiclogo Esdras de Vasconcelos. Parece que um lder religioso. Mas o doutor Esdras fala com a autoridade de quem reuniu os nmeros da pesquisa em um livro ainda indito. As entrevistas foram conduzidas por um grupo de psiclogas. As pessoas esto se vinculando a uma religio para fazer um enfrentamento do seu estresse. Tanto que as religies esto crescendo, mundialmente cada vez surgem mais religies, declara a psicloga e pesquisadora Samia Simurro. Para Isabel, a falta de uma religio acabou virando uma fonte a mais de estresse. Sente-se culpada. Na hora do desespero, voc fala: pxa, como que vou pedir ajuda agora a Deus? No estou dando nada em troca. Ento tem isso tambm de s pedir, pedir, nunca agradecer. Realmente cria um conflito, comenta. Ter f vital. A religiosa aquela que mais conhecemos, portanto, a que mais pratica. Mas importante que tenhamos f em ns prprios tambm, e f no outro. Enfim, precisamos ter sempre f, conclui Esdras de Vasconcelos.

GLOBO-REPRTER: TERAPIAS ALTERNATIVAS25 DE JUNHO DE 2004.

O PODER DA ASTROLOGIA.

Entre o Cu e a Terra h muito mais do que um imenso vazio. Ao redor de milhes de galxias, suspeita-se, um mundo infinito e secreto exerce poderes sobre a Humanidade. A energia que equilibra o corpo e harmoniza a mente vem do Universo? Estaria dentro de ns mesmos o remdio para as doenas? A cincia ocidental, que torcia o nariz para esses assuntos, comea a descobrir de que maneira esses fenmenos podem nos ajudar. A comear pela astrologia. Qual seria a influncia csmica sobre ns, os terrestres? So 12 os signos do Zodaco e todos tm caractersticas marcantes. Coragem e iniciativa so qualidades atribudas a quem nasce sob a influncia de Marte, que governa ries. O libriano tem o dom do equilbrio, da harmonia. o signo do ar, dominado por Vnus. Urano governa Aqurio e impe a liberdade, a vanguarda. Netuno teria dado aos piscianos a intuio, a sensibilidade. E os nossos limites? Bom, isso com Saturno, que tem fama de duro. De acordo com os astrlogos, os astros e os planetas tm o poder de nos guiar. E tudo depende da posio do Sol na hora exata do nascimento. Mas estaria mesmo o destino de nossas vidas escrito nas estrelas? "Existem indcios bem fortes e claros de que a posio dos planetas e dos astros, na hora do nascimento, influencia mesmo. D para tirar concluses quanto personalidade da pessoa", diz o coordenador da pesquisa, Paulo Celso Gomes. Paulo Celso vivia desconfiando das previses astrolgicas. Mas, depois que coordenou uma pesquisa da Universidade de Braslia (UnB), o professor passou a acreditar na influncia dos astros. "De todas as afirmaes dos pesquisados que participaram, de 0 a 100, a nota mdia final foi 95", conta o pesquisador. Sem saber os nomes e sem conhecer as pessoas. Foi assim que o astrlogo Francisco Seabra fez os mapas astrolgicos dos cem voluntrios da pesquisa. Data, local e hora exata do nascimento foram as nicas informaes que os pesquisadores passaram para o astrlogo. O professor Flamnio Levy foi um dos pesquisados. O Globo Reprter convidou o astrlogo Francisco Seabra para rever o trabalho que fez h pouco mais de um ano. No se conheciam na poca e, pela primeira vez, conversaram sobre esse assunto. O ndice de acerto foi muito grande, em torno de 96%. Um espanto, ressalta o professor. como se o astrlogo tivesse feito uma leitura antecipada de tudo o que aconteceu com ele naquele perodo. "Fiz duas afirmaes. A primeira:do seu ltimo aniversrio para c sofreu algum acidente ou teve alguma notcia desagradvel vinda de lugar distante. A segunda: emocionalmente, est abatido por questes de trabalho, irmos, parentes ou viagem. Gostaria de saber o que ocorreu naquela poca?, pergunta o astrlogo. Tinha um irmo que residia em So Jos dos Campos e trabalhava no projeto VLS, o foguete brasileiro. Participou da campanha de Alcntara e foi um dos 21 que faleceram no acidente da plataforma, revela o professor que participou da pesquisa. Mrio Csar Levy, o irmo do professor Flamnio, operava o sistema de balanceamento dinmico do VLS, o Veculo Lanador de Satlite. Estava entre os 21 tcnicos que morreram na Base de Alcntara, no Maranho, em agosto do ano passado. "No sabia exatamente que o acidente era com o irmo dele. Sabia que existia possibilidade do acidente, com ele ou envolvendo seus irmos", comenta o astrlogo. Outra particularidade: no parece, mas o astrlogo tambm descobriu que o professor tambm um atleta. A psicloga que entrevistou os voluntrios da pesquisa chegou a duvidar. "Pensei: ser? Quando acabou de pontuar, s de curiosidade, perguntei qual a luta marcial que praticava. Falou que era faixa preta em carat", lembra a psicloga Rosane Gama, da UnB. "J fui corredor, faixa preta de carat, recordista de marcha atltica quando estava na universidade. Essa previso me deixou de queixo cado", diz o professor Flamnio. A vida profissional do msico Kiko Peres tambm foi vista com antecedncia pelo astrlogo Francisco. O guitarrista estava desempregado quando resolveu consultar as previses dos astros, em 1995. "Deu uma olhada nos meus trnsitos futuros, ano a ano. O ano de 1996 estava bom; 1997 tambm. Mas o ano de 1998, em especial, seria de muito sucesso", conta o msico. No deu outra. Em 1998, Kiko era o guitarrista da banda Nativus, o reggae de Braslia que fez sucesso Brasil afora. "A gente chegou a fazer mais de 200 shows naquele ano, viajamos o Brasil inteiro e ganhamos disco de ouro, por 100 mil cpias vendidas, no programa da Xuxa. O ano no poderia ter sido melhor, avalia Kiko. Para o astrlogo Francisco, os astros so uma espcie de guia da famlia. Consulta o mapa at para acompanhar os passos das filhas. "Olho o mapa astrolgico antes. Se tem um aspecto positivo para uma festa, eu deixo ela sair e me despreocupo totalmente. Se for o contrrio, no permito", diz Francisco. Najla tem 16 anos. Mas Rassa, de 10, o esteio da casa. A pequena leonina cuida at do dinheiro do pai. "Controla a economia familiar e tira a gente do buraco. O meu mapa astrolgico aponta dificuldade em dinheiro e o da Najla tambm. A gente nunca tem dinheiro e ela sempre tem, porque organizada, conta o astrlogo. Sou uma fortaleza, bonita e poderosa", gaba-se a menina.

TESTE DO MAPA ASTRAL.

Bonita e poderosa. Seria este o perfil da engenheira qumica Dbora Tanayami. Em So Paulo, procurou a astrloga Vicky D'Orey para uma consulta. Queria tirar dvidas do presente e saber que futuro os astros lhe reservaram. O mapa revela at uma situao que Dbora est vivendo no momento. Um desejo, que segundo os astros, est perto de conquistar. Neste momento, moradia um assunto extremamente marcante, que vai ter que resolver. Como Saturno est na casa do dinheiro grande, vai ter que fazer um esforo para lidar com o assunto de imvel, anuncia a astrloga. "O mapa acertou. Isso me impressionou bastante, comenta a engenheira. A astrologia teria mesmo o poder de enxergar os problemas, a personalidade e at nossa identidade? O Globo Reprter fez um teste. Foram anotados em um papel a data e a hora do nascimento de uma pessoa conhecida. O programa pediu para que a astrloga Vicky fizesse o mapa astral de uma pessoa para ver se as previses iam bater. Uma semana depois, Vicky entregou o mapa e, mesmo sem saber o nome, falou do personagem. um supertaurino, com seis planetas em Touro, diz a astrloga. Seria isso mesmo? S ele poderia confirmar. A interpretao do mapa astrolgico foi apresentada ao nosso personagem. Vejo que um cidado de visibilidade, porque tem o meio do Cu em Leo, que o signo dos reis, dos que comandam o espetculo, dos que aparecem, como os atores de teatro, continua Vicky. Mais uma descoberta. uma pessoa muito ligada a mato, terra, natureza, diz a astrloga. Seria um fazendeiro? Sou um camarada da terra, da montanha, da floresta e dos animais, confirma o personagem. H grandes cozinheiros do signo de Touro, ressalta Vicky. Cozinheiro? Se me dedicasse, acho que seria um bom cozinheiro, mas minha especialidade lavar a loua. Tenho uma tcnica incrvel, diz o personagem. At alguns segredos descobriu: Ele muito passional, controlador e ciumento. Em alguns momentos, sou bastante ciumento sim, admite o apresentador do Globo Reprter, Srgio Chapelin, o personagem do teste. Acho que o ndice de acerto de 85%, avalia. Se os movimentos do Sol, da Lua e de todos os outros astros determinam o destino do homem, isso a cincia ainda duvida. Mas para os pesquisadores da Universidade de Braslia (UnB), astrologia um assunto que merece mais estudos. "Os resultados podem ser conclusivos ou no. Mas volto a afirmar: no validam nem invalidam a astrologia. Mostram que vale a pena pesquisar e dar um tratamento racional, cientfico astrologia", constata o coordenador da pesquisa, Paulo Celso Gomes.

AGULHAS QUE ELIMINAM DORES.

Agulhas finssimas como instrumentos de cura. A tcnica, usada pela medicina chinesa h 5 mil anos, est sendo estudada por especialistas da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). Em um laboratrio, a mdica ngela Tabosa tenta descobrir se a acupuntura tambm pode ajudar nos tratamentos das chamadas doenas modernas. O estresse, por exemplo, o pnico e a depresso. Por enquanto, a experincia feita com ratos. O animal leva 60 agulhadas pelo corpo, em pontos especficos, que supostamente alteram o comportamento. "Esse trabalho cientfico visa demonstrar se esses pontos podem melhorar a memria, o aprendizado, e diminuir o grau de comportamento, que seria semelhante ao comportamento depressivo do animal", explica a mdica. A doutora ngela testa os efeitos das agulhadas. A grade de metal no fundo de uma caixa recebe uma descarga eltrica fraca, mas suficiente para irritar o rato. Trs segundos depois, a luz acende e ele comea a levar choques. O objetivo saber se o tratamento com acupuntura consegue ativar a memria. O animal pode se livrar dos choques se descobrir a sada. Em um dos lados da caixa no h eletricidade. "Em cerca de 57% das vezes em que foram submetidos aos choques, os animais conseguiram fugir. Enquanto que nos animais estressados que se submeteram acupuntura essa capacidade de fuga foi aumentada, chegando a 88% das vezes, revela a pesquisadora. Pacientes que seriam atendidos em uma emergncia tradicional esto na fila de espera do Hospital So Paulo, da Unifesp. Aparentemente, nada estranho. A grande novidade o mtodo do tratamento. Este o primeiro pronto-socorro do Ocidente que funciona apenas com acupuntura. A dona de casa Maria Gomes de Freitas chegou to aflita que foi atendida no corredor. "Est em crise de asma. Estou colocando uma agulha para pelo menos aliviar a crise", anuncia a mdica Mrcia Yamamura. Cheguei aqui muito cansada, agora j aliviou um pouco", conta a dona de casa, depois de ser atendida. Parece um milagre, dizem alguns pacientes. como se o mdico retirasse a dor com as mos. "Quando cheguei, estava com muita dor. No conseguia sequer pentear o cabelo. Agora j consigo movimentar o brao, no est doendo", afirma a dona de casa Ana Lcia da Paixo. "Em princpio, essas agulhas aliviam qualquer dor, seja funcional ou energtica. S no aliviam dores vindas de algum processo que vai necessitar de interveno cirrgica", diz doutora Mrcia. De acordo com os especialistas, cerca de 2,5 mil pontos energticos esto espalhados pelo nosso corpo. Mas apenas 66 so os mais utilizados nos tratamentos. Para a dona de casa Maria do Carmo Freitas, a acupuntura a esperana da cura. "As agulhas doem um pouco. As dores que sinto vo do quadril at o joelho. Antes eram fortes, agora estou melhorando", conta a paciente. Alguns tratamentos com acupuntura j so reconhecidos pela medicina. Mas os pesquisadores esto otimistas quanto ao futuro da tcnica. "As pesquisas apontam o que os chineses falavam h 5 mil anos: a acupuntura tem efeito curativo e preventivo", diz o mdico Ysao Yamamura.

ENERGIA MENTAL.

Outra alternativa, tambm inspirada na medicina chinesa, est sendo estudada no Hospital So Paulo, da Unifesp. Tendinite, enxaqueca, doenas crnicas, como crise de asma, obesidade e at vitiligo. Os pesquisadores acreditam que a cura dessas doenas, de forma rpida e sem medicamento, possvel. Ainda esto estudando, mas j encontraram vrias evidncias. O tratamento tem um nome estranho: Qi Mental. "O termo Qi significa energia em chins. Mobilizamos a energia mental, da mente do paciente, para o tratamento da doena", explica a mdica Mrcia Yamamura. Segundo os especialistas, a origem de quase todas as doenas est no emocional das pessoas. O mdico induz o paciente a buscar na memria, no subconsciente, lembranas do passado, de acontecimentos ruins. assim que a dona de casa Lindalva da Silva Navarro vem tratando uma doena que contraiu h nove anos, o vitiligo. "Tinha o rosto todo atingido pelo vitiligo", conta a paciente. Vivia se escondendo das pessoas e at do espelho. Sentia-se rejeitada. "No admitia nem que meu marido me acariciasse. Achava que era porque estava com d e pedia para que me deixasse em paz, lembra Lindalva. "Esse caso muito interessante porque ela relaciona cada mancha a um acontecimento do seu passado", diz a mdica. Quanto mais Lindalva sofria, mais manchas apareciam em seu corpo. "O tratamento consiste em falar para o paciente resolver esse conflito emocional, dar a ele o desfecho que gostaria de ter dado e no pde por vrios motivos. O importante trocar a emoo ruim pela emoo boa", diz a mdica. Funcionou como um remdio eficaz. Lindalva seguiu direitinho a orientao da mdica e as manchas foram sumindo. "Em 21 dias o vitiligo desapareceu do meu rosto completamente", garante ela. Hoje, o mdico Joo Yokoda cuida de seus pacientes com a mesma tcnica que lhe curou: o Qi Mental. Como trs senhoras, tambm sofria de obesidade. Em outubro de 2000, o mdico pesava 108,3 quilos. Dois meses depois, em dezembro de 2000, j estava com 89,5 quilos. Perdeu quase 20,5 quilos em pouco tempo. Esse foi o primeiro experimento do Qi Mental em mim mesmo", diz ele. Marly, Cludia e Suely. Cludia, a mais magrinha, tinha 120 quilos. "J sinto diferena. Estou mais tranqila e menos compulsiva. Levantava-me durante a noite e assaltava a geladeira. Agora no tenho feito isso", diz Marly Rodrigues, auxiliar de escritrio. " noite no assaltava a geladeira, era de dia mesmo", confessa Cludia Rocha da Silva, secretria. Comearam o tratamento h uma semana e j perderam peso. Suely est com cinco quilos a menos. " uma coisa impressionante, porque um tempo curto e d essa diferena. Gostei bastante porque no tem medicao", ressalta Suely Marques, metroviria. A receita comer. Comer muito e tudo o que quiser e der vontade. Mas s na imaginao. "Mentalizo que estou comendo o que tenho vontade. Adoro po. Ento, sinto o aroma, vejo-me cortando o po, recheando com o que mais gosto e comendo. Comendo mais um, mais um e mais um... Sinto-me saciada s com a impresso. A sensao maravilhosa. Depois que termina est at enjoado", diz Marly. Enquanto pesquisam, os mdicos curam. Em So Paulo, 300 pessoas j deixaram de ser obesas buscando os segredos do subconsciente. O Qi Mental pode ser uma das boas novidades da medicina, dizem os pesquisadores.

IMPOSIO DE MOS.

A fora csmica. As mos e seus poderes. A cura. A medicina sintonizada nos mistrios do Universo. Nosso corpo mesmo um canal de transmisso de energia, capaz de acalmar, aliviar dores e combater doenas? Os pesquisadores esto buscando respostas para essas perguntas. Mas j h indcios, algumas comprovaes daquilo que muita gente ainda duvida. A tcnica conhecida como imposio de mos. O bilogo Ricardo Monesi, da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp), defende em sua tese de doutorado que essa prtica funciona como tratamento complementar nos distrbios orgnicos e psicolgicos. H trs anos vem fazendo experincias em camundongos. Depois de cinco dias de tratamento, o sistema imunolgico dos animais foi examinado em laboratrio. Resultado: os camundongos que receberam a energia das mos apresentaram maior capacidade de destruir clulas cancergenas. "Podemos, atravs desse tratamento por imposio de mos, aumentar o poder de combate do sistema imunolgico de qualquer ser", afirma o bilogo. O reiki um dos mais conhecidos tratamentos por imposio de mos. Uma tcnica inventada no Japo e que vem ganhando adeptos no mundo inteiro. "Canalizamos uma energia que acreditamos vir do Altssimo. Essa energia, em contato com o paciente, faz com que se desprenda dele o que est em desequilbrio. Percebemos isso no por crena apenas, mas pelos resultados", diz a pedagoga Ins Moura. "A pessoa que recebe o reiki responde melhor ao tratamento. Observei que a funo imunolgica foi ativada pelo reiki em vrios pacientes. Isso ajuda a combater a doena", afirma a mdica homeopata Dora Luiza Usam. Ajudou a aposentada Vera Lcia Germano a enfrentar a esclerose mltipla. J estava desanimada. "Quando cheguei para receber o reiki, estava em cadeira de rodas. Sem andar e at sem vontade de viver, conta dona Vera Lcia. Mas quando comeou a fazer o tratamento, tudo mudou. "Hoje no uso mais muleta, no uso mais nada. O reiki me trouxe a energia. Sentia-me toda bagunada interiormente com baixa auto-estima, sem vontade de viver, sem futuro, sem nada", relata dona Vera Lcia. com a energia das mos que o vendedor Heitor Vicente Sola quer se livrar de uma degenerao progressiva nos msculos. A esperana dele o mestre Shioda, um especialista japons. Seu Heitor anda com muita dificuldade e quase no consegue movimentar o brao direito. No exame, a causa da doena identificada pelo toque dos dedos. Mestre Shioda diz que um desvio na coluna, agravado por problemas no nervo citico. Concentrado, comea a transferir a energia das mos para as reas afetadas do corpo. uma espcie de aplicao energtica que dura 15 minutos. "Sinto uma diferena para melhor, diz o vendedor. Quanto ao desequilbrio das pernas, s andando um pouco para saber. "Sinto mais firmeza, ando mais fcil. Depois da aplicao sinto mais segurana", garante seu Heitor. Hoje, o comerciante Tuguio Furukawa j est quase correndo. H trs meses, mal conseguia se levantar da cama. "Se andasse mais rpido, caa, porque no tinha firmeza. Agora posso descer a escadaria do metr", conta. Cinco dias depois, seu Heitor foi reencontrado na clnica do especialista japons, em So Paulo. Era a quinta sesso do tratamento. O mestre Shioda continua trabalhando nos pontos doloridos com a energia, que, segundo ele, vem do Universo. "Sinto um calor fraquinho, conta seu Heitor. Um novo teste no corredor e seu Heitor se sente mais animado. "Agora senti firmeza. Para quem estava de bengala, um milagre", ressalta ele. Todas as tcnicas conhecidas que utilizam a energia das mos como terapia esto sendo estudadas. Para Ricardo Monesi, a divulgao dos resultados cientficos no vai demorar muito. Os mdicos esto otimistas. "Se a medicina j pode receitar esse tipo de tratamento? Isso enxergo como uma possibilidade futura. No como uma promessa longnqua, mas sim como uma coisa que j poderemos estar utilizando e os mdicos podem estar prescrevendo muito em breve", anuncia o pesquisador.

RESPIRAR PARA RELAXAR.

Respirao profunda, cadenciada. Corpo relaxado, olhos fechados. Melhor no pensar em nada, durante 15, 20 minutos, duas vezes ao dia. Esta a receita da meditao. Mas seria tambm uma alternativa teraputica? H cientistas acreditando que sim. A paz dos templos budistas e o poder de concentrao dos monges inspiraram os pesquisadores. Um hbito milenar dos orientais levou a medicina do Ocidente a descobrir um reforo no combate a vrias doenas modernas. A meditao pode ser um remdio eficaz contra o estresse, a angstia e os distrbios emocionais. Sem nenhuma inteno religiosa, o Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) incluiu a meditao em suas experincias cientficas. Os primeiros resultados so animadores, revela a biloga Elisa Kozasa. "A meditao reduz os sintomas de doenas como a fibromialgia e a asma, e melhora o sistema imunolgico. Tambm indicada para pacientes com cncer. E uma pesquisa muito importante est sendo conduzida sobre a reduo da hipertenso", revela a biloga. Dor de cabea, infeces, um longo perodo de internao. A psicloga Mrcia Marchiori descobriu que o seu trabalho com pacientes terminais era a causa de todos os seus problemas de sade. "Foi muito difcil mudar de direo e deixar de fazer aquilo que estava fazendo, porque gostava, tinha vontade de ajudar. Precisei chegar no limite para perceber o quanto aquilo estava difcil para mim", conta Mrcia. E foi com a meditao que a psicloga comeou a se tratar. Os efeitos surgiram nas primeiras sesses. "O resultado imediato na mudana de humor. Levanta de uma sesso de meditao diferente, garante ela. A resistncia e o equilbrio vo aparecendo aos poucos com os exerccios. Mas tudo depende da respirao. Pesquisadores se renem duas vezes por semana. Querem conhecer todas as tcnicas de meditao. Uma delas aprendida com a professora Lvia Giordano, especialista na prtica de yoga. "Podemos meditar em qualquer lugar em meio a uma situao estressante, porque fundamental se conter", orienta a professora.

GRVIDAS ZENS.

Controlar a ansiedade com a meditao e enfrentar o parto sem medo. A pesquisa do obstetra Roberto Cardoso com as gestantes. "A grvida especial. Tem um psiquismo especial, um funcionamento corporal especial. Ser que nessa pessoa especial acontecem os mesmos efeitos diante da meditao?, questiona o mdico. As sesses comeam no terceiro ms de gravidez e todas as voluntrias da pesquisa aprendem a meditar com o mdico. "Sou um pouco ansiosa e tenho medo do parto. Espero que isso me ajude a ficar mais tranqila, a ter mais calma", diz a secretria Mrcia Morais. Valentina nasceu h sete meses, de parto normal. A webdesigner Beatriz Bacci se preparou para aquele momento com o doutor Roberto. Foi uma das primeiras voluntrias da pesquisa. "Antes de fazer parte da pesquisa, era um turbilho", lembra a me de Valentina. Pode ser apenas coincidncia, mas a me diz que Valentina uma criana sossegada. "Acho que de alguma forma a meditao ajudou, porque acabei passando isso para ela", avalia Beatriz. "Caso a meditao tambm funcione na grvida como importante redutor de ansiedade, como funciona nas no grvidas, a idia que possamos atuar na ansiedade da gravidez", anuncia doutor Roberto. As pesquisas ainda no foram concludas, mas a medicina est comprovando que a meditao e muitas outras tcnicas orientais previnem e ajudam a curar doenas. "Somos como a corda de violino. Se estiver muito frouxa, o som mole. Se estiver muito tensa, a corda pode se partir. Ento, vamos nos afinando na meditao. Colocamo-nos no ponto em que o som vai ser perfeito o som que somos, nossa vida", diz a monja Cohen.

CURA PELO AROMA.

Nos jardins, h muito mais do que a beleza das ptalas. Assim como os pomares no fornecem apenas o alimento. Vem da natureza mais um novo caminho que pode nos levar ao alvio das doenas. Um caminho que percorre os ares exalando perfumes e que recebeu o nome de aromaterapia. Se duvida dos cheiros das flores, das plantas e das frutas como alternativa de tratamento, uma boa notcia: os pesquisadores esto encontrando efeitos teraputicos em vrias essncias. Aromas que, em muitos casos, podem substituir os tranqilizantes. Os testes esto sendo feitos no Instituto de Psicobiologia da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). Na primeira etapa, o objetivo avaliar o efeito dos aromas nos ratos do laboratrio, explica o psiclogo Jos Roberto Leite, coordenador da pesquisa. Em uma pea de madeira, que funciona como um pequeno labirinto, o bicho, em estado normal, tende a se esconder, buscando proteo. "Estamos estudando fundamentalmente duas essncias: a de rosas e a de laranja. A de rosas se mostrou bastante efetiva", revela o pesquisador. Depois de passar sete minutos cheirando algodo com essncia de rosas, o rato sai explorando o brao desprotegido do labirinto, uma rea que normalmente ele evitaria. "Isso uma indicao de que o efeito tranqilizante. Quando est sob esse efeito, perde o medo", diz o psiclogo. Banheira de cedro, ambiente de pouca luz, que transmite paz. Quando o leo se mistura com a gua morna o cheiro logo se espalha. A terapeuta Maria Rosemberg Mizrah prepara um banho em ofur para uma pessoa resfriada. "Para ajudar a pessoa que est congestionada, coloco leos de lavanda, alecrim, menta, eucalipto e cedro. Isso faz com que os brnquios se dilatem, a respirao melhore, a coriza pare e o muco seja eliminado. como um descongestionante", explica a terapeuta. A banheira coberta com ptalas de rosas. Sozinha no quarto, a empresria Eva Rabinovic vai aspirando o perfume das flores e das plantas. O tratamento dura 40 minutos. "J respiro melhor, afirma a empresria, dentro da banheira de ofur. Para os pesquisadores, faltam as experincias de laboratrio em seres humanos. Ser a prxima etapa da pesquisa. "A expectativa que a mesma ao observada em modelo animal seja reproduzida no ser humano e acabe-se concluindo que isso poderia ser til em tratamento de algumas enfermidades, de alguns problemas humanos, como estresse, ansiedade", diz o coordenador da pesquisa da Unifesp. Quem poderia imaginar que a milenar medicina oriental est a um passo dos hospitais e clnicas do Ocidente? Estava escrito nas estrelas?

GLOBO-REPRTER: COMIDA REMDIO9 DE JULHO DE 2004.

GUA DE COCO EM P.

O velho ditado j avisa: tudo o que bom dura pouco. Refrescante, saudvel em qualquer idade, a gua de coco unanimidade nas praias de norte a sul do Brasil. A bebida um coquetel de conservantes naturais que rene sais minerais, acares, glicose e carboidratos. Substncias que, juntas, podem ajudar a prevenir at o cncer. Existem estudos feitos nas Filipinas que mostram propriedades anticancergenas importantes, principalmente contra o cncer de colo, de mama e de pncreas, diz o professor Geraldo Arraes, da Universidade Federal do Cear. Mas a gua de coco no resiste muito tempo ao ar livre, fora de sua embalagem natural. Por isso, os cientistas da Universidade Estadual do Cear tentam conservar a bebida de um jeito diferente. Em Fortaleza, a veterinria Cristiane Mello est inventando a gua de coco em p. No perde nutrientes e ainda agrega valor, porque esse produto desidratado pode ser conservado em embalagens fechadas hermeticamente por muito tempo at o momento de ser utilizado, conta a veterinria Cristiane Mello. O lquido quase milagroso se torna um p de cor esbranquiada. Com suas propriedades mantidas, a gua de coco poder ser usada, com segurana, na conservao de rgos para transplantes. As pesquisas j esto sendo feitas com sucesso em crneas de coelho. Verificamos a fisiologia, a espessura e a transparncia da crnea atravs de mtodos de pesquisa. No final, ficou demonstrado que a gua de coco tem uma funo nutritiva dentro do conservante que pode ser utilizada, revela o mdico Rafael Marques, do Hospital das Clnicas. E com uma grande vantagem econmica: 90% mais barato do que os conservantes tradicionais.

SEM MEDO DE DENTISTA.

Voc j imaginou alguma vez chegar no dentista e descobrir que a broca foi trocada pelo mamo? Pois foi de uma conversa entre me e filha que um segredinho de cozinha acabou se transformando na mais nova descoberta da cincia para o tratamento das cries. Da casca do mamo, que a me da dentista Sandra Kalil Bussadori usava em casa para amaciar a carne, veio a papana, um gel que acabou com o pavor de nove entre dez pacientes na cadeira do dentista. Se amolece a carne por que no pode remover o tecido infectado?, indagou a dentista. A pergunta levou a pesquisadora at a frmula do gel. O tratamento de cries sem broca no novidade. O importante de onde vem o produto. At agora, o gel usado pela maioria dos dentistas sinttico, caro, importado da Europa. Este 100% nacional, dez vezes mais barato e est chamando a ateno de especialistas de todo o mundo. Francisca Micaela Neves da Silva, de 7 anos, tem crie no dente. A menina diz que ouvir o barulhinho do motor d medo. No sabia, mas testou a novidade. Em menos de um minuto, o gel da papana amolece a parte cariada do dente. Depois, s raspar e terminar a obturao. Tudo sem aquele barulhinho. A doutora comemorou. Ganhou a confiana de mais uma paciente. Francisca garantiu que no teve medo da dentista e que o tratamento no doeu. Facilita muito porque a criana confia mais. Vem aqui e brinca, s faz coisa legal. E se pode ser legal, por que ser chato? Acho que a imagem do cirurgio-dentista tem que mudar tambm, avalia a dentista Sandra.

LEITE MATERNO: FONTE DE VIDA.

De todos os alimentos, um especial. O mais poderoso, o mais completo, e que no custa nada. Uma mistura natural de comida e remdio que s vezes pode fazer a diferena entre viver e morrer. Fiquei assustada quando cheguei no bero da Giovanna e ela no respondia, conta Brbara Maria Nogueira, me da menina. Por causa de um remdio que tomou para conter um sangramento, Brbara viu o leite do peito secar, e Giovanna teve que receber complemento alimentar. Mas algo estranho aconteceu. A criana apresentava todos os sintomas de envenenamento, problema que os mdicos no resolviam. Eles achavam que ela no ia resistir, diz Brbara. Comeava uma corrida contra o tempo. A menina passou por sete hospitais, pelas mos de mais de 20 mdicos e chegou a ter uma parada cardaca. Durante seis meses, o quarto pronto para receber o beb ficou vazio enquanto a famlia tentava descobrir o que os mdicos no conseguiam. Vendo a menina piorar e perder peso a cada dia, me e av decidiram monitorar a criana, compraram aparelhos para fazer exames, comearam a estudar o assunto e acabaram descobrindo o remdio que salvou a vida de Giovanna: o leite materno. Esse leite foi a vida da Giovanna, ressalta Brbara. Hoje, j se sabe que a menina nasceu com uma doena rara. O organismo dela rejeita alguns alimentos, entre eles, o complemento que recebia no hospital. O leite materno, vindo de doadoras annimas do Banco de Leite, deu foras para Giovanna reagir e sobreviver. Por causa da doena, hoje precisa de alimentao especial importada. Por isso, o prato de feijo com legumes uma conquista no cardpio. A alegria de ver Giovanna irrequieta e brincalhona enche a todos de felicidade. A gente deve a vida da Giovanna a esse leite. Sem ele, no sei o que a gente teria dado para ela, comenta a me da menina. Vitria tambm foi salva. Na UTI do hospital, ainda luta para ganhar peso. Nasceu prematura, e o estresse vivido pela me bloqueou a produo de leite. Depende de doao, e as chances correm contra a menina. Leite materno raro. Com 6 milhes de habitantes, o Rio de Janeiro tem em mdia s 250 doadoras por ms. Vanbia Nogueira uma delas. O que o filho no aproveita, vai para o Banco de Leite. Cada vidro especial. E Vanbia no fazia idia do que acontecia com suas doaes. No sabia para onde meu leite estava indo, conta a doadora. De doao em doao, Vitria passou de frgeis 400 gramas para 1,5 quilo em trs meses. O primeiro dia foi difcil. Foi uma emoo muito grande ver aquela criana pequenininha e no dar nada. A vem o leite, que d essa vida. uma alegria muito grande, comemora Zaqueu Tinoco Leite, pai de Vitria. O leite smbolo de vida, diz Vanderlia Csar Leite, me de Vitria. Doava, mas no tinha idia do que estava fazendo. Agora vejo que no estou doando s leite, estou doando vida tambm, constata Vanbia. Hoje a medicina j sabe que o poder do leite materno vai bem alm do que a alimentao do beb. A cincia j descobriu, por exemplo, que enquanto a criana estiver mamando no peito, no pega clera nem dengue. E em um consultrio, uma surpresa: a mdica receita leite materno como colrio. Substituindo antibiticos, antiinflamatrios e cicatrizantes, o leite materno usado nos olhos do beb elimina secrees e combate a conjuntivite. A pediatra Isa Yoshikawa de Souza, acostumada a atender centenas de mes que procuram o Instituto Fernandes Filgueiras, no Rio, ensina como funciona o colrio materno. A me pode espirrar o leite materno nos olhos do beb. Depois, deve fazer o leite entrar no olhinho dele. Vai ficar um pouquinho lambuzado, mas no tem problema. Para o beb no ficar irritado, a me volta a dar o peito. Nessa hora, o leite est agindo contra os microorganismos. Quando terminar a mamada, limpa-se a sujeirinha toda. O resultado excelente. Em trs ou quatro dias no se v mais a secreo no olhinho da criana, garante a mdica. Nos ltimos anos, a cincia j descobriu e comprovou outras propriedades impressionantes do leite materno. Cada gota carrega tambm uma espcie de herana saudvel. O leite humano constri uma espcie de memria scio-biolgica. Toda a proteo imunolgica que a mulher constri ao longo de sua vida se transfere para a criana no momento da amamentao, explica o coordenador da rede nacional de Banco de Leite Materno, Joo Aprgio Guerra. E sabe aquela esperteza incomum que vrios bebs aparentam nos primeiros meses de vida? A cincia tem uma explicao. O leite o remdio da inteligncia. Estudos mostram que crianas amamentadas por perodos corretos, em regime exclusivo at o sexto ms de vida, em amamentao continuada at o segundo ano, tm um quociente de inteligncia maior do que aquelas que so desmamadas precocemente. Esse o segredo do beb esperto, revela Joo Aprgio Guerra. O leite humano previne, por exemplo, a obesidade no adulto, e diminui o risco de ocorrncias cardiovasculares e linfomas. Estudos mostram que a prpria diabetes insulino-dependente pode ter o risco agravado se a criana for desmamada precocemente, continua Joo. Para a pediatra Isa Yoshikawa de Souza, a pesquisa do leite materno pode revelar novas propriedades dessa substncia quase milagrosa. Dentro do leite tem de tudo:vacinas, fatores cicatrizantes, antibiticos, nutrientes, e tem amor, coisa que a gente no consegue ver. Tem tudo! completo, em todos os sentidos, afirma a pediatra. Com tantos benefcios, o desconhecimento ainda o principal inimigo de mes e bebs. Uma pesquisa do Instituto Fernandes Filgueiras revelou que 78% das mes disseram que interromperam a amamentao porque consideraram o leite que produziam fraco. Alessandra Abrantes, me de Graziela, percebeu que o beb perdeu peso logo aps nascer. No sabia que era s a perda normal de lquidos que acontece nas primeiras semanas de vida. Quando comeou a perder peso, achei que ainda estivesse com fome e que o leite no era suficiente. Os dias iam passando e via que as bochechinhas estavam diminuindo. A, bateu uma certa insegurana, conta Alessandra. A me insegura trocou o peito pela mamadeira com complemento alimentar. O crescimento do beb foi interrompido. Agora, com ajuda das mdicas, ela est tendo que aprender a confiar no poder do pouco leite que sai do peito. Na verdade, quem est alimentando o beb o leite, diz a pediatra Marlene Roque Assumpo. O nenm cresceu, engordou, est timo, avalia a mdica. A dona de casa Solange Marluz Csar da Silva sabe de onde vem toda essa energia da filha Natiele. At os 4 meses de vida, a menina era quieta, tinha movimentos lentos, vivia doente no hospital. Mas a sade de Natiele comeou a mudar depois que Solange aprendeu a amamentar no Banco de Leite. Pegou o meu peito e em uma semana engordou 300 gramas. As doenas acabaram. Vou continuar amamentando enquanto quiser. Voc sabe que tem uma coisa em seu corpo que cura seu filho. Isso inexplicvel, sublime, diz a me da menina.

ERVAS PARA OS ALRGICOS.

Uma adolescncia congestionada, obstruda, marcada por lenos de papel. Caixas e caixas de lenos de papel. Dependo do leno de papel!, conta a jovem Jlia Costa Saturnino Braga. Jlia tem 18 anos e universitria. Sofre com a rinite alrgica. O nariz comea a cocar e pinicar, entope e, quando vou assoar, no sai nada. Depois comea escorrer. D vontade de assoar o nariz e botar tudo que tem para fora! Arrancar o nariz fora!, desespera-se a estudante. Para combater a doena crnica mais comum da Humanidade, Jlia j tentou de tudo: homeopatia, medicina tradicional, at injeo antialrgica. Nada funcionou. Na luta contra a poeira, at os companheiros de pelcia foram condenados ao exlio no alto da prateleira. Fumaa de cigarro, poeira, um cheiro muito forte me levam crise. Incenso muito forte em um quarto fechado, por exemplo, me destri. Muito vento na cara tambm me faz mal. As pessoas no entendem meu problema. S entende o problema quem tem a rinite alrgica, diz Jlia. Hoje, Jlia espirra bem menos. Encontrou alvio usando duas plantas receitadas como remdio pelo fitoterapeuta Alex Botsaris: equincea e alcauz. A alcauz tem efeito antialrgico, mais intenso na mucosa respiratria. A equincea um regulador do sistema imunolgico, explica o mdico. O mdico receitou tambm um spray que reduz a irritao com fungos e poeira. Uma mistura de leos essenciais de capim-limo, laranja, tangerina, patchouli e manjerico. As borrifadas eliminam microorganismos no ar. Mais resistente, Jlia j encara de frente o desafio de abrir a janela e ver a luz do sol sem espirrar. E reencontra o velho amigo urso. O p que solta j no detona mais aquela seqncia de espirros interminveis. Para o mdico que receita plantas, a coleo de plantas medicinais do Jardim Botnico, no Rio de Janeiro, uma grande farmcia vegetal. Junto com a biloga Yara de Brito, apresentam o vaso dos primeiros socorros. Em vez de cpsulas e xaropes, plantas conhecidas, como aafro, gengibre, dente-de-leo, manjerico, carqueja, capim-limo e estvia. Plantas para se ter em casa, na hora da emergncia. D para resolver a maior parte dos problemas comuns de sade, como problemas de estmago, de intestino, problemas respiratrios passageiros catarro, tosse, resfriado , dores de cabea, dores eventuais nas juntas, no corpo, problemas de fgado, revela o fitoterapeuta Alex Botsaris. Remdios to poderosos que no precisam passar por nenhum laboratrio. Da natureza para pele, a seiva da babosa em forma de gel contm alona, poderoso cicatrizante usado em cortes e queimaduras. Alivia o desconforto, a sensao de queimao, protege e evita infeco, afirma o mdico. Uma planta especial. Trazida ao Brasil pelos jesutas, a Agnus castus tem poderes que mexem com homens e mulheres. Ela um regulador da secreo hipofisria. Por isso, tem emprego na Sndrome da Menopausa e tambm na Tenso Pr-Menstural, ou seja na TPM. Se o homem tomar, j no muito bom porque vai causar impotncia. Ela foi trazida pelos jesutas justamente por causa disso. Usavam a planta para controlar a libido. Esse o segredo deles, explica Alex Botsaris. At as plantas tm contra-indicao...

SALADA SEM AGROTXICOS.

O perigo est no ar. Para combater as pragas, os agricultores bombardeiam a lavoura com veneno. O comerciante Ruy Mesquita tenta rastrear as frutas e verduras que vende. Consegue descobrir a origem e a poca em que foram colhidos. No sabemos o que estamos recebendo em termos de veneno no nosso alimento, diz Ruy. Controle de verdade mesmo produto tipo exportao. Os europeus exigentes obrigam os produtores de Campinas a fichar o figo que sai do Brasil. A papeleta registra dia e hora da aplicao de qualquer tipo de veneno. Para cada figueira, um formulrio. No deixamos de aplicar o agrotxico. Apenas administrado em dosagem e perodo controlados. No fazamos isso antes porque no tnhamos orientao e nem percepo do mercado, alega o produtor de figos Olivaldo Belone. Tanto controle tem um motivo: o veneno leva at 15 dias para perder o efeito. Aplicao fora do prazo risco de contaminao por agrotxicos. No tm cheiro, cor, nem sabor. Ento, como ter certeza se a cebolinha, o rabanete ou a folha da alface ainda carregam os efeitos perigosos dos venenos da lavoura? Pois agora os cientistas esto tentando criar uma espcie de teste simples que o consumidor pode usar na hora de comprar o produto e descobrir se o alimento que vai comer ainda tem agrotxico. Por enquanto, s possvel saber se a alface est contaminada depois de testes feitos em laboratrio, como o da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A equipe do professor de biologia Mauro Velho tenta simplificar o processo usando a acetilcolesterase, uma enzima produzida no sistema nervoso do homem e que reage na presena do veneno. Usada como teste, poderia confirmar a presena de contaminao em frutas e verduras. Isso seria a certeza de que ela est ingerindo alimentos que realmente no tem contaminao. Ainda no d para ter certeza hoje, diz o professor Mauro Velho. Enquanto o teste no fica pronto, o cientista d uma receita para purificar a salada. Em uma bacia, coloque gua pura. Em outra, gua com bicarbonato de sdio uma colher de sopa para cada litro. E em outra bacia, coloque gua com vinagre tambm uma colher de sopa para cada litro dgua. Est pronto o sistema domstico de desintoxicao de salada. preciso fazer uma lavagem completa, comeando com gua, lavando com bicarbonato e depois com vinagre, ensina o professor. Mas no to rpido assim. Primeiro, so cinco minutos de lavagem na gua, para retirar a sujeira visvel. Depois, 40 minutos de tratamento na bacia com bicarbonato de sdio. a lavagem mais importante: o bicarbonato remove 90% dos agrotxicos. Ateno: No pode misturar bicarbonato com vinagre, porque reage e perde o efeito, alerta o professor. Por isso, mais cinco minutos na gua, para remover o bicarbonato. S depois, a verdura vai para a bacia com vinagre. So 40 minutos para eliminar o resto dos agrotxicos. Vai demorar um pouco, mais ou menos uma hora e vinte. Tem que ter pacincia. No final, a dona de casa vai ter um produto com maior probabilidade de no estar contaminado. Certeza, ningum tem nunca, constata o professor Mauro Velho.

FARMCIA NO QUINTAL DE CASA.

Montanhas de Minas Gerais. Nas colinas de Ouro Preto, a fumaa que sai da chamin avisa que dia de frango com quiabo na casa da especialista em culinria Vnia Amaral, uma brasileira que juntou s delcias da cozinha mineira segredos que aprendeu com monges budistas. Diz que um prato equilibrado pode interferir nas emoes e at no humor de quem come. a chamada cozinha vibracional. Receita apenas no basta, preciso ter o esprito do cozinheiro. como uma meditao, muito srio. Se o dia est frio, uma salada crua no cai bem, a digesto vai ser mais difcil. Precisamos de uma comida mais quentinha, mais cozida. uma sabedoria, constata a especialista. Vnia diz que o frango com quiabo bem feito ressalta os benefcios de cada ingrediente. A cebola d bem mais que um gostinho na comida. Abaixa a presso sangunea, o colesterol, inibe reaes alrgicas, ajuda a eliminar o catarro, previne resfriado comum. A cebola poderosa, ressalta ela. O gengibre d um toque oriental tradio mineira. Cozinhando com ele, pessoas que tm doenas que pioram com o frio, como reumatismos, artrites, vo melhorar, garante Vnia. Ser que funciona? Em uma noite fria de Ouro Preto, o frango com quiabo vibracional d nimo, esquenta o corpo. Na feira, Vnia uma pesquisadora que no pra de perguntar. Como tem pessoas que adoram ir para o shopping fazer compra, minha diverso vir para a feira, conta ela. Hoje, diverso. Mas um dia, a comida j foi motivo de muita dor, aos 13 anos de idade. Comecei a ter dores de estmago e minha me me levou ao mdico. Ele disse que era uma gastrite, em virtude da alimentao e do sistema nervoso. Sentia muita dor, era um incmodo muito grande, lembra Vnia. Por ordem mdica, Vnia trocou refrigerantes, sanduches e biscoitos por arroz integral, frutas e verduras. A sade melhorou e ficou impressionada com o poder da natureza. Passou a estudar o que a dona de casa Maria Efignia de Carvalho j conhece h muito tempo. A 18 quilmetros da casa de Vnia, passa o dia costurando. S tem farmcia em Ouro Preto, e o mdico demora a chegar, conta a moradora. Quando a dor aperta, dona Maria se socorre da sabedoria dos seus 73 anos e encontra remdio no mato que cresce no fundo do quintal. Nossos pais nos ensinavam isso desde criana, diz ela. As lies que aprendeu com a me chamam a ateno de Vnia. O p de alecrim, por exemplo, serve para qu? Para fazer ch para quem est aborrecido, porque todos na vida, rico ou pobre, tm aborrecimento, ensina dona Maria. para angstia, porque uma planta cardiotnica, completa Vnia. No quintal de dona Maria tem uma planta que faz muita gente correr: urtiga. Ela sapeca!, diz ela. Nem todas. A espcie conhecida como urtiga morta virou salada em Minas Gerais. Este o nico tipo de urtiga comestvel. Disse que boa para diabetes. um tnico heptico, renal, excelente para a vitalidade, explica Vnia. Essa sabedoria que no consta em livros de medicina ajudou a curar o operador de udio Eduardo Rodrigues. Estava h dois dias com dor no estmago. No quintal de dona Maria, Eduardo encontrou o remdio. a pruma, disse dona Maria. s misturar na gua fria. O que amargo cura e o que aperta segura, brincou dona Maria. Alguns minutos depois, quem ria era Eduardo, curado pela experincia de dona Maria.

SOMOS O QUE COMEMOS.

Cada vez que se senta mesa, a especialista em culinria Vnia Amaral lembra que h 2 mil anos, nos banquetes reais da China, o cozinheiro era o mdico do imperador. Se adoecia, o cozinheiro era trocado. Quem cuidava da sade do imperador era o cozinheiro, conta a especialista. Bem longe da China, um mdico brasileiro transformou receitas de farmcia em receitas culinrias. Mauro Perine especialista em medicina chinesa. Trata os pacientes com pratos coloridos. O famoso caldo verde serve para tratar gastrite nervosa. A couve tem a propriedade de harmonizar o fgado. Se a pessoa muito irritada, pode se beneficiar desse prato, ensina o mdico. J a castanha, serve para aumentar o calor. No serve para gastrite, mas serve para uma tosse, por exemplo. Associada ao amargo do agrio, beneficia o pulmo, continua o mdico. De acordo com os especialistas em medicina oriental, na mesa da maioria dos brasileiros est um santo remdio para os homens, de sabor doce, cor escura, e que vem da terra. Para a medicina oriental, o feijo ajuda a combater a impotncia sexual e at queda de cabelo. Doutor Mauro esclarece que no funciona para qualquer careca, apenas para os que perdem o cabelo por cansao ou estresse, um problema que atinge os rins. Os chineses diziam que o cabelo bonito quando o rim est saudvel. E o feijo preto um fortificante para os rins, quando consumido sem exagero, claro. Mauro Perine diz que a preferncia gastronmica pode revelar at a personalidade de uma pessoa. Ser? A equipe do Globo Reprter fez um desafio e levou o mdico a um restaurante onde ele no conhecia ningum. Confira o resultado em vdeo! Realmente falou como sou, sem me conhecer, comentou a assistente de marketing Fernanda Maiorino Uchoa. Vendo a medicina moderna estudar a sabedoria milenar dos chineses e encontrar a dona de casa Maria Efignia de Carvalho ensinando o que aprendeu no fundo do quintal, chegamos concluso de que o ditado popular est certo: somos exatamente o que comemos.

CAMU-CAMU: PURA VITAMINA C.

Quem v de longe confunde o camu-camu com jabuticaba, sua prima distante. Usada para sucos, sorvetes e gelias, uma fruta cobiada pelas indstrias farmacuticas e de cosmticos, que a querem para produzir desde xampu at remdio. Camu-camu, ou caari, como chamada na Regio Norte, tem nome estranho e sabor extico. "A necessidade de vitamina C para o homem de 60 miligramas por dia. Ento, um frutinho desse j ultrapassa muito. Um fruto por dia suficiente", diz o agrnomo Kaoru Yuyama. A fruta originria do Peru, mas existe em toda a Amaznia. Brota em reas alagadas, ao longo das margens de rios e lagos. No Brasil, o camu-camu s foi descoberto no fim da dcada de 70. D fruta praticamente o ano todo, mas a produo ainda pequena. O agrnomo Kaoru Yuyama, do Instituto de Pesquisas da Amaznia (Inpa), quer mudar esta histria. Vem tentando domesticar a planta silvestre, selecionando amostras para plantar em terra firme e aumentar a produo. A meta exportar. "Tem muita gente que se interessa dos Estados Unidos, Japo e de outras regies. Mas eles chegam aqui e no encontram em quantidade grande para utilizarem no pas deles. Para abrir um mercado, preciso pelo menos 500 quilos em uma s colheita. Quer dizer, falta produtor de camu-camu", comenta o agrnomo. "Recebi um pedido de mil toneladas de uma firma japonesa. Impossvel!", diz o produtor de camu-camu Jean Dupui. Uma prova de que a oferta menor do que a procura. O francs Jean Dupui, que vive em Manaus h 30 anos, comeou a plantar em 1996. Acredita que o mercado externo a sada. Aposta na produo do camu-camu orgnico e faz planos para o futuro. "Vou devagar, plantar uns 12 mil ps este ano. No ano que vem, conforme a demanda, vou plantar trs vezes mais. E assim por diante, at chegar a 200 mil ps, daqui a cinco anos", planeja o produtor.

ARCO-RIS DE VITAMINAS.

Riquezas da Amaznia. Na beira dos rios, ficam as palmeiras do aa, do buriti e da pupunha, uma planta de onde tudo se aproveita. Das folhas, a fibra usada para cobertura das casas e para o artesanato. Do caule, uma espcie de palmito saboroso, que substitui o do aa, cada dia mais escasso. Nas feiras livres, os cachos chamam a ateno pela variedade de cores. Quase um arco-ris, rico em protenas e vitaminas. Remdio e alimento em dose nica. Desconhecida no resto do pas, a pupunha fruta amada pelo povo do Amazonas. A pupunha caracterstica da nossa regio. Gostamos dela cozida e saboreada com caf, conta a advogada Arlete Paula. Tem pupunhas que so oleosas, outras so secas. Tem a amarela, que serve para fazer farinha, revela o autnomo Marcos Navegante. Tem creme de pupunha, bolo, sorvete. uma delicia!, garante a professora Ftima Silveira. A pesquisadora Lcia Yuyama, do Instituto de Pesquisas da Amaznia (Inpa), ensina aos alunos de nutrio como se prepara a farinha da pupunha, que prolonga as propriedades da fruta. A pupunha uma fruta comum na Regio Norte, muito apreciada pela populao, principalmente na sua forma mais simples, cozida em gua e sal. O gosto variado. H quem diga que lembra castanha portuguesa, milho e at batata doce. Mas o mais importante que depois de transformada em outros produtos, a pupunha conserva as qualidades nutricionais, mantm vitaminas e as fontes de energia. No leo da pupunha, h um aliado no combate desnutrio. "A vitamina A precisa do leo para ser absorvida e utilizada pelo organismo. Essa frao pigmentada, colorida, que se chama betacaroteno, convertida em vitamina A, um nutriente importante para a viso", explica a pesquisadora. Sob todos os pontos de vista, a pupunha uma fruta verstil. A farinha pode enriquecer outros pratos misturada ao macarro ou farinha de peixe. Dona Maria do Cu prepara bolo com a farinha da pupunha. No Amazonas, os cientistas procuram alternativas saudveis e baratas para alimentar as crianas da regio. As crianas adoram a pupunha. A farinha de pupunha adicionada ao leite uma grande refeio e teve aceitao plena delas. Por que no consumir este fruto fantstico, potencialmente nutritivo, que a pupunha?, questiona a pesquisadora do Inpa.

SORO DE LEITE ESPECIAL.

Em um laboratrio, cientistas querem mudar os recordes de atletas campees. Nada de doping. A idia mexer s no caf da manh. Por enquanto, quem corre so os ratos, alimentados com um soro de leite especial, que teve as molculas de protenas quebradas em laboratrio. As cobaias surpreenderam os cientistas. Percebemos que estvamos na frente de uma coisa importante quando fizemos o teste exaustivo e observamos que o desempenho fsico dos ratos que receberam a dieta com a protena parcialmente hidrolisada tiveram um desempenho 2,6 vezes superior aos que receberam a protena normal. O flego deles foi maior e a recuperao, mais rpida, revela a nutricionista Fernanda Mota Veiga Pimenta. Se funcionou nas cobaias, por que no nos homens? O teste em humanos o prximo passo da pesquisa. Os cientistas agora querem colocar os atletas para correr. Estamos justamente tentando comprovar que as propriedades observadas no animal tambm so factveis de ocorrerem no homem e da resultarem em uma vantagem para o indivduo comum, principalmente para o atleta, diz o professor de nutrio Jaime Amaya Farfan, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Mas preciso cuidado. O soro de leite que duplica o flego no o mesmo encontrado venda no comrcio. O soro de leite que vendido no supermercado um subproduto que tem propriedades boas, mas no o mesmo soro utilizado hoje na indstria farmacutica para pacientes em estado debilitado ou at mesmo para quem pratica atividades fsicas, distingue a nutricionista Fernanda. As descobertas cientficas costumam confirmar o conhecimento popular. Bem antes da criao dos remdios, era a comida que salvava vidas nas sociedades primitivas. De gerao em gerao, as receitas passaram de mo em mo e ajudaram a Humanidade a compreender que a cura para todas as doenas quase sempre est na natureza.

GLOBO-REPRTER: DEPRESSO13 DE AGOSTO DE 2004.

DESEMPREGO, UM DOS VILES.

Nada diz que um homem que se prepara para uma grande noite, que se olha no espelho e v na imagem uma pessoa inteira, tenha vivido anos mergulhado em profunda depresso. Depois de mais de 20 anos trabalhando como gerente em uma grande loja em Santos, So Paulo, Jos Ademar Denari viu-se desempregado da noite para o dia. A gente sempre pensa que o valor o dinheiro. Ento, para mim, o que valia na minha vida era o dinheiro, admite ele. O desemprego foi o estopim para a crise depressiva que durou anos e que o fazia chorar por piedade de si mesmo. No auge da angstia, saiu de casa, sem aviso prvio, sem deixar bilhete. A doena comeou a piorar o relacionamento familiar. No tinha vontade de conversar com filha, esposa, com vizinho, com irmo, com ningum. Fiz a mala, cheguei na rodoviria e fiquei olhando para cima, pensando o que eu ia fazer?, conta Jos Ademar. Isolamento, apatia, tristeza profunda, desnimo, culpa, sentimentos tpicos da depresso, arruinaram a auto-estima de Jos Ademar. O difcil foi comear a ver que todo aquele pai que era, aquela casca que existia, aquela mscara de pai, estava desmontando, aquele gelo estava derretendo. No tinha vontade de trabalhar, de sair na rua, de tomar banho, de escovar os dentes, relata Jos Ademar. Sem conseguir expressar o que sentia, envergonhado, sem lugar no mundo, Jos Ademar foi para So Paulo e passou a vagar pelas ruas. Onde poderia entrar? Na igreja. A, sentava na igreja e ficava. Sentava em uma, em outra, sentava na praa, lembra ele. At que Jos Ademar encontrou quem o levasse a um psiquiatra e passou a se tratar com medicamentos. Fez psicoterapia e participou de grupos de auto-ajuda da Abrata, uma associao que ajuda as pessoas deprimidas e seus familiares. Hoje, j se sente to bem que trabalha l como voluntrio, apoiando quem ainda est na escurido. Meu papel aqui coordenar a reunio, para que atravs desse grupo possamos ajudar os outros que esto precisando entender o que depresso, diz ele aos participantes. Jos Ademar j compreendeu que sofre de uma doena crnica, complexa, sem causa conhecida, mas que pode ser tratada. Agora, vive sozinho na casa de campo do irmo, em Diadema, no ABC Paulista, mas no se sente isolado. Descobriu a vida l fora e um mundo novo dentro de si. Fui conhecer a Avenida Paulista andando de madrugada. um pas gostoso, devemos parar de analisar as pessoas para analisar a vida. O que tenho uma doena da alma, uma doena do corao. uma doena que foi me deteriorando, foi me acabando, fui perdendo minha dignidade, meu nome, meu amor, a expresso familiar, os ttulos de pai, esposo, tio, profissional. Tudo isso fui perdendo, lamenta Jos Ademar. Trs anos depois, Jos Ademar j est na fase das reconquistas. Decidiu ser calgrafo paixo da infncia deixada de lado nos atropelos da vida adulta. D aulas de graa para idosos e ganha algum dinheiro com pequenas encomendas. Tenho que me sentir til profissionalmente e financeiramente. a que est entrando a caligrafia. Fao convites de casamento, certides, diplomas, homenagens, explica Jos Ademar. A recuperao de Jos Ademar veio firme, mas demorou um pouco. Foram trs anos at reunir foras para voltar a sua cidade. Lembra que, beira-mar, curtia a tristeza da depresso. Coisas que ficaram para trs. Que praia, que coisa mais linda! Parece que o sol veio me receber. Parece que Santos sabia que ia chegar e veio me receber de braos abertos, exalta ele. Jos Ademar voltou para enfrentar o maior desafio de sua recuperao:reencontrar a famlia. Vai levar a filha ao altar. Apreensivo, conversa com o mar. Estou esperando que todo mundo me receba como o mar est me recebendo. O que aconteceu a gente passa para trs. Estou at pedindo para me ajudar um pouquinho. Tenho que enfrentar, sou importante no casamento, vou ser importante at a hora de entregar a noiva. Depois de entregar a noiva, a s alegria, festa, felicidade, muitas emoes. Esto me achando com a aparncia boa, e estou me sentindo bem, com o rosto bom, os olhos alegres. Quando voc tem depresso, fica com uma cara de triste, e estou me sentindo muito bem. Estou at bonito, orgulha-se Jos Ademar.

MULHERES SO MAIS VULNERVEIS.

Entrar em depresso como entrar em um tnel sem fim ou cair em um buraco fundo. Da a velha expresso "entrar na fossa". A pessoa se isola, perde o interesse em tudo. Com tratamento, aos poucos sai do buraco e comea a ver de novo a claridade da vida. O importante que o doente e os parentes e amigos no vejam a depresso com preconceito, como se fosse uma fraqueza ou uma loucura. apenas uma doena muito mais comum do que se imagina. Um em cada dez homens ter pelo menos um episdio de depresso na vida. As mulheres so duas vezes mais vulnerveis: uma em cinco vai sofrer depresso. Elas so mais sensveis ao estresse e sofrem muito com as alteraes hormonais. O homem no tem correlao com alterao de testosterona. Geralmente a mulher tem depresso por conflito conjugal; o homem mais por perdas ocupacionais, explica o psiquiatra Joel Renn, do Hospital das Clnicas da Universidade de So Paulo (USP). A mulher tem trs momentos de grandes alteraes hormonais: todo ms, antes da menstruao, logo aps ter filho e quando ela se aproxima da menopausa. A tenso pr-menstrual pode ser um sinal de que o perodo ps-parto ser sofrido, a depresso puerperal. Foi assim com a escriturria Maria Aparecida Conde. Antes da menstruao ficava irritada, deprimida e se isolava. A tristeza era maior, ficava mais agressiva, com o corao acelerado, tinha tontura, relata ela. Maria Aparecida comeou a tomar anti-depressivos. Quando engravidou da filha que tanto desejava, foi obrigada a cortar os remdios e sentiu. Passei o final da gravidez chorando, muito triste, com uma depresso profunda. No tinha nem a alegria e a ansiedade de quando vai nascer o nenm, conta Maria Aparecida. Quando a pequena Giovanna nasceu, Maria Aparecida no dominou uma forte rejeio pela filha, no conseguiu amamentar. A tristeza deu lugar a pensamentos distorcidos. Ficava sozinha com ela, foi terrvel. No gostava dela, achava que no gostava. Sentia uma tristeza profunda e culpa, lembra ela. Maria Aparecida foi vtima da depresso que atinge 10% das mulheres no ps-parto. O mdico conversou comigo e disse que h muitos casos, muitas mulheres que at do os filhos, diz ela. As alteraes psquicas no ps-parto podem levar psicose, o que muito raro atinge uma mulher em mil. Mais comum a tristeza leve, chamada blues, vivida por 70% a 80% das mes. Atravs da abordagem de todos os fatores de risco, por meio de grupos de auto-ajuda, de trabalhos de psicoterapia em grupo com gestantes, sem dvida alguma tem uma chance muito maior de que essas questes possam ser trabalhadas de forma construtiva, diz o psiquiatra da USP. O tratamento de Maria Aparecida foi simples: bastou voltar aos antidepressivos que tomava antes de ficar grvida. O amor pela filha, que sempre esteve l, escondido no fundo da alma, desabrochou. No imagino minha vida sem Giovanna, a alegria dessa casa. E to carinhosa... Uma criana que beija, abraa, conversa, uma graa de menina, no tenho palavras para falar dela e do amor que tenho por ela. S quem mulher e me sabe o que a maternidade, emociona-se Maria Aparecida.

CRIANAS TAMBM SO VTIMAS.

Aos 8 anos, Kelly Moreira, de to deprimida, no queria nem ir para a escola. Quando minha me me chamava, ficava deitada, no queria acordar, conta a menina. Matheus Cavalcanti, antes ainda de completar 5 anos, s pensava em morte, era agressivo com os outros e se maltratava. Quando ficava muito nervosos, tinha o hbito de bater a cabea na parede, a mo na cabea, agredia-se muito. Falava em se matar. Dizia que no sabia por que vivia, que deveria ter nascido morto, relata a dona de casa Ligia Cavalcanti. Matheus, em So Joo do Meriti, na Baixada Fluminense; Kelly, em Belo Horizonte. Situaes distintas, em cidades diferentes, levaram essas crianas a sofrer em uma idade que associada a brincadeiras, alegria, inocncia. A depresso terrivelmente democrtica no distingue rico de pobre, adulto de criana. Kelly mora em um bairro violento. Com a incerteza ameaando a vida, j teria motivos para se sentir estressada. Mas foi no incio deste ano, quando comeou a ganhar peso, que entristeceu. Uma mudana repentina. Tereza, a me, logo identificou a doena. Notei que minha filha estava exatamente entrando nesse quadro, de ficar calada, quieta, sem movimento, j no estava no quadro normal, conta a acompanhante Tereza Lemos Moreira. Matheus era mope e ningum sabia. Na escola, era agressivo, batia nos colegas, no conseguia acompanhar as aulas e repetiu de ano. Tinha o problema da vista, s que no era s esse o problema. Os problemas da vista acarretaram outro problema detectado pelo psiquiatra: a depresso, diz a me do menino. Ligia no se intimidou diante da doena. Ao contrrio, colocou todo o empenho na cura do filho. O que pode esperar de uma criana de 6 anos que diz que o mundo no presta?, comenta ela. Ligia aceitou, sem qualquer preconceito, a indicao mdica: antidepressivos e psicoterapia. E ainda fez a parte dela:participou do grupo de pais e ganhou mais segurana para cuidar do filho. Muitas pessoas avaliam que a pessoa depressiva deve ser tratada como se fosse coitadinha, doente, pobrezinha. Negativo. Era tratado, medicado, orientado pela psicloga, mas tambm corrigido, ensinado na hora certa, diz Ligia. Mesmo com toda essa determinao, sabendo que o filho ia melhorar, emocionou-se com os resultados. Estava na cozinha, fazendo o almoo normalmente, e ouvi uma pessoa dando gargalhada na sala. Sa para ver quem era. Chorei, porque nunca tinha visto meu filho sorrir daquela maneira. No imaginava que algum dia ia ser uma pessoa alegre. Dizia para a psicloga que meu filho no era normal e ela dizia que era, estava passando uma fase difcil, mas ia melhorar, conta Ligia. Matheus teve alta h mais de um ano. No toma mais remdios, est integrado na escola e se mistura nas brincadeiras com os amiguinhos. Normalmente quando chega para um pai e fala, quer tirar o filho da escola, no quer encarar o problema de frente. Deu certo graas ajuda que a famlia deu ao nosso aluno Matheus, avalia a diretora da Escola Vila Jurandyr, Rosane Maia Bicchieri. Em casa, Matheus no desgruda do videogame, a no ser para jogar bola com a garotada na rua. Esse tratamento ajudou-me a lutar. Agora posso brincar com meus amigos. Estou mais feliz, garante o menino. Em Belo Horizonte, Tereza encontrou apoio fora do comum na escola da filha. Ao levar a ioga para a Escola Madre Lusa Locatelli, os objetivos eram claros: aumentar a concentrao nos estudos, melhorar a auto-estima e diminuir a agressividade das crianas. Mas os resultados foram muito alm disso, principalmente na preveno da depresso infantil. A escola fica no centro de uma regio carente da cidade, com as crianas expostas a um ambiente estressante e so poucas as oportunidades de tratamento. A ioga praticada na escola ajudou os alunos a lidar com a realidade do dia-a-dia. O medo de viver 24 horas por dia inseguro causa um estresse e desestrutura. Ento, acreditamos que a ioga ajuda, d um suporte emocional para que possa conviver com essa situao de violncia, de medo, de insegurana, comenta Irm Maria do Rosario Caldeira, diretora da escola. Em casa, Tereza notou que o comportamento da filha, silenciosa e sonolenta, comeou a mudar. Agora j estou melhor. Ela me chama, levanto, visto a roupa e vou para a escola. Est legal. Estava triste, no sorria. Agora j estou brincando, alegre, comemora Kelly. A receita que deu certo para Kelly foi ioga; dieta alimentar sem gordura e acar, para diminuir o colesterol; e psicoterapia. No precisou de antidepressivos.

CUIDADOS NA ALIMENTAO.

O psiquiatra francs David Servan-Schereiber escreveu um livro que ficou famoso no mundo todo. um dos maiores defensores dos mtodos naturais no tratamento da depresso. Reconhece que, se para algumas pessoas em crise grave, os antidepressivos qumicos so indispensveis, nem sempre so recomendados para todos os casos. Foram a descoberta mais importante do sculo 20 na medicina. Mas o que insano, desequilibrado, o nmero de pessoas tomando esses remdios. Especialmente quando sabemos que h mtodos naturais de tratamento que so eficazes, podem curar os sintomas, diz o psiquiatra. Lembra que de 30% a 50% das pessoas que param de tomar remdios antidepressivos tm uma recada em um ano. Portanto, a cura no garantida. Em alguns casos, os mtodos naturais podem ser aliados poderosos, principalmente quando a causa a presso da vida moderna. No pode evitar o estresse, parte da vida. O que pode evitar a sua reao ao estresse. Pode aprender como controlar sua fisiologia, por exemplo, com mtodos, alguns dos quais bem antigos. Ioga, por exemplo, existe h 5 mil anos. Controla sua ateno e respira, controla sua fisiologia, orienta David Servan-Schereiber. sabido h muito tempo existe uma relao entre sade e os alimentos que ingerimos. Nos ltimos anos isso tem sido comprovado cientificamente. Mas, e no caso da depresso? Ser que uma doena que pode ser tratada e prevenida com a ajuda de determinados alimentos? O especialista em nutrio Silvio Lagan no tem dvidas. Para ele, o Omega 3 uma gordura encontrada em peixes, nas nozes, no agrio, no espinafre um remdio natural para a depresso. O espinafre a maior fonte vegetal do Omega 3 em folhas verdes, junto com o agrio, revela o nutrlogo. A ao do Omega 3 nos neurnios, as nossas clulas nervosas, explica os benefcios. O Omega 3 faz com que a membrana celular que reveste os neurnios tenha fluidez, no deixa endurecer essa membrana. No caso das gorduras saturadas as gorduras da carne, do leite e dos queijos , favorece o endurecimento dessa membrana. No bom, vai dificultar a passagem de informao atravs do neurotransmissor, que fica bloqueado, e isso pode favorecer a depresso, explica o especialista. Alguns peixes esto no alto da lista dos alimentos campees em Omega 3. O melhor cavala, que tem uma concentrao grande de Omega 3. um peixe barato tambm. A sardinha vem em ltimo lugar, mas com preo bastante conveniente. rica em clcio, que um mineral bastante importante para a sade humana. A anchova tambm rica em Omega 3. um peixe um pouco mais caro, mas com um sabor bastante peculiar, que agrada muitas pessoas, diz o nutrlogo. A linhaa, um gro pouco conhecido do brasileiro, outra fonte importante de Omega 3. A linhaa um dos nutrientes mais antigos conhecidos como benficos para a sade humana. Voc joga na boca e saliva. Pode tomar um copinho dgua para ajudar a engolir. Duas colheres de sopa de linhaa por dia oferecem uma concentrao excelente de Omega 3, que vai ajudar o funcionamento intestinal e favorecer no ter depresso, afirma o especialista. Uma cpsula de leo de linhaa depois das refeies e uma nova dieta alimentar mudaram a vida da professora de matemtica Ana Lcia de Moraes. Dois anos de tratamento e os sintomas de depresso que estavam acabando com ela sumiram. Era muito agitada, a minha ansiedade estava sempre l em cima. Ento, isso estava me prejudicando at profissionalmente no meu dia-a-dia. Resolvi procurar ajuda de um nutrlogo, diz a professora. Na alimentao, entraram o peixe, as saladas, as nozes. Saram a gordura e os doces. E foi com sacrifcio, ela admite, que cortou algo de que gosta muito. O chocolate faz bastante falta. Mas sou firme, no como mais, garante Ana Lcia.

VIDA NOVA PARA BRUNA.

Se a adolescncia uma fase de reconhecida dificuldade e muitas transformaes, imagine se a pessoa obesa? Sentia-me muito feia. Achava que se sasse na rua todo mundo ia ficar olhando porque era gorda, conta a estudante Bruna Aparecida Pereira. Bruna desenvolveu medo de no ser amada. Achava que ningum ia gostar dela e se isolou. Ento comecei a me trancar no meu mundo. Comia, entrava no quarto e ficava chorando porque tinha comido e ningum gostava de mim porque que era feia, diz ela. A tristeza profunda deu lugar depresso. Os pais no sabiam mais como lidar com o impulso destrutivo de Bruna. Queria morrer, porque j tinha tentado a primeira vez e no tinha dado certo, conta a jovem. A virada na vida de Bruna aconteceu quando partiu para um programa de nutrio da Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP). Junto com exerccios fsicos e atividades recreativas, passou a conviver com pessoas que tm o mesmo problema. Bruna no se deu bem com remdios. Restou o tratamento natural: alm da alimentao, da psicoterapia, do relacionamento com outras adolescentes obesas, os exerccios fsicos tiveram papel fundamental. Esses adolescentes melhoraram muito, no s na perda de peso, como tambm nos sintomas de depresso e ansiedade, tendo um resultado muito bom com o prprio exerccio fsico, explica Marco Tlio de Melo, doutor em psicobiologia da Unifesp. Quanto mais exerccios uma pessoa faz, maior ser a atividade cerebral dela. H uma produo de serotonina e, conseqentemente, maior produo de dopamina, que o neurotransmissor que d prazer, e tambm de betaendorfina, que d o relaxamento muscular, esclarece o professor da UNIFESP. Os bons resultados foram medidos com preciso: 90% das jovens obesas tiveram melhoras nos sintomas depressivos depois de apenas trs meses de exerccios. Acredito que os melhores exerccios so os feitos em grupo, porque melhora a socializao, a auto-estima, a auto-imagem e favorece o convvio social, diz a doutora em nutrio Ana Damaso. Sair do isolamento fundamental para a recuperao de qualquer pessoa deprimida. Bruna encontrou apoio entre os amigos da igreja. Encontrei uma soluo para mim. E no era morrer. dizia antes, muitas vezes, que no era feliz. Mas sou feliz, sou perfeita. S tenho um pouco de peso a mais, mas sou perfeita, ressalta Bruna. Daqui para frente? Quero ficar uns 30 quilos mais magra, fazer minha faculdade, batalhar e deixar tudo isso pra trs, planeja.

MALHANDO A DEPRESSO.

No existe uma relao direta entre obesidade e depresso. A medicina no descobriu uma causa para a doena. O que se sabe que existem fatores que funcionam como gatilho. A origem pode ser fsica, uma disfuno qumica no crebro, por exemplo. Ou psicolgica, como problemas no casamento, a morte de parentes. Ou ainda social, como trauma de uma situao violenta ou a perda do emprego. Bruno de Souza perdeu o pai na infncia. Sofre de desnimo, de falta de prazer e de desejo. O mal dele um transtorno do humor chamado distimia uma depresso leve, mas crnica, que, no caso dele, se arrasta h sete anos. Foi ficando cada dia mais triste, quieto, chorava muito. Achava que era uma coisa que ia passar, mas com o passar do tempo ficou pior, conta Luzia Ferreira de Souza, me de Bruno. Sentia-me mal, no queria fazer nada, conta Bruno. A distimia precisa ser tratada porque pode evoluir para uma depresso mais profunda na idade adulta e nos jovens traz grandes dificuldades para a vida social e escolar. Se no tem prazer para brincar, como vai ter prazer para assistir a uma aula? O transtorno causa dificuldades tanto na escola, que o meio acadmico onde est desenvolvendo as relaes, como no meio social dela. Aquela criana que no desce para brincar, que o prazer muitas vezes ficar em casa, jogando videogame, no mximo, explica Fbio Barbirato, psiquiatria infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro. O jovem pode ter sintomas de irritabilidade e pavio curto. De mau humor, como o Zangado, um dos sete anes de Walt Disney sempre brigando sem conseguir se relacionar. Ou ento mostrar apatia, desprazer, sonolncia. A distimia tanto pode se apresentar de um jeito como de outro. S ficava dormindo. Agora estou melhor, vou jogar bola, diz Bruno. O maior risco os pais acharem que a apatia ou a irritao fazem parte do temperamento do filho. preciso agir. Para evitar problemas como, por exemplo, o uso de drogas. O jovem vai abusar do lcool, da maconha ou de qualquer outro tipo de droga para tentar se auto-medicar, para amenizar essa sensao de angstia, de irritabilidade, alerta o psiquiatra infantil. Nos idosos, a depresso quase tem hora marcada: aposentadoria, morte do parceiro, problemas de sade. Vale tentar tudo para evit-la. Hidroginstica, boa alimentao e muito bate-papo com os amigos. Qualquer um nessa idade acima de 60 anos tem essa depresso pouca ou muita. O camarada no pode se embutir, ficar fechado, ensina o aposentado Francisco Infante. O relacionamento com as pessoas e a prtica de esportes esta a receita apontada por uma outra pesquisa feita pela Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP) com 46 idosos. O idoso responde muito bem pratica do exerccio fsico, que tem uma ao fundamental: melhorar a auto-estima e o metabolismo. Como conseqncia, temos a diminuio da depresso e da ansiedade, explica Marco Tlio de Melo, doutor em psicobiologia da UNIFESP. Depois de passar por perda de pessoas queridas e por problemas de sade, ainda h espao para ser feliz. Na roda de hidroginstica, o aposentado Miguel Angfel Andrada encontrou sua praia. Quem pensa que na terceira idade se perde o interesse pelos relacionamentos se engana. Muitos fazem questo de manter acesa a luz da vida. Isso aqui uma escola. Alm do fsico, ajuda tambm a cabea, avalia o aposentado Zencho Toyano. No s a parte fsica que melhora. Sexualmente, todos esto 100%, garante seu Miguel.

O PREO DE UM BOM SALRIO.

Um estudo comeou pouco depois da Segunda Guerra Mundial. O governo Britnico selecionou todas as pessoas que nasceram em uma semana especfica do ano de 1946. Fez o mesmo em 1958 e novamente em 1970. A vida delas foi acompanhada minuciosamente e se pde fazer uma comparao das mudanas que ocorreram de gerao para gerao. Elsa Ferry uma das principais responsveis pela pesquisa. Diz que entre as muitas informaes, uma das que chamou mais ateno foi de que, para as geraes nascidas em 1946 e 1958, apenas 2% ou 3% se consideravam infelizes;para quem nasceu em 1970, esse nmero pulava para mais de 20%. Imprecisas como so as razes para isso, o que se estranha que a dcada de 60, do rock nroll, da plula e da maior liberdade sexual, deveria ter trazido uma vida melhor e no o contrrio. Elsa d uma possvel explicao. Quem nasceu em 70, de maneira geral, continuou com empregos parecidos com os dos pais. Se era pobre, continuou pobre. A chance de melhorar de vida diminuiu, existe muito menos mobilidade social hoje do que no passado, diz a pesquisadora. A Gr-Bretanha viu nas ltimas dcadas setores inteiros de trabalho praticamente desaparecerem. Fbricas, estaleiros e minas deram lugar a uma economia de servios. O pas est mais rico, mas se trabalha muito mais. A vida das pessoas, aos poucos, foi sendo atropelada. Mais competio, mais insegurana, mais estresse. Na Gr-Bretanha onde se trabalha mais horas por semana na Europa e onde se tira menos frias em mdia, por ano, trabalham oito semanas a mais do que os franceses ou os alemes. E, no mundo, s perdem para os coreanos do sul quando se trata de insegurana em relao aos seus empregos. O resultado de tudo isso so nveis altssimos de estresse e a sensao de que o trabalho suga a vida. A conseqncia dessa crise, que britnica, mas tambm comum em grande parte do mundo ocidental, que se estima que no ano 2020 a depresso ser a doena mais comum. Mais da metade dos britnicos se dizem exaustos depois de um dia de trabalho. Os estudos e as discusses comeam a reconsiderar o preo que se paga por um salrio.

SOFRIMENTO COMPARTILHADO.

Nos Estados Unidos, um programa de computador ajuda adolescentes com depresso. O "teen screen", avaliao de adolescentes, foi criado na Universidade Columbia, em Nova York, por Laurie Flynn. No programa, as escolas convidam os alunos a responderem no computador a uma srie de perguntas. Os jovens em risco so encaminhados para aconselhamento e psicoterapia. Laurie acredita que esse questionrio, aplicado em muitas escolas em todo o pas, j salvou a vida de milhares de jovens. A filha de Laurie sofreu de depresso na adolescncia. A depresso uma doena solitria e silenciosa. Em geral, nem os pais percebem que h algo muito errado com o filho ou a filha. Ela aconselha os pais a agirem assim que desconfiarem que algo no vai bem. Seguir a intuio materna, ou paterna, o melhor caminho. Afinal, corao de me no se engana. A depresso na adolescncia a terceira causa mais freqente de morte entre os adolescentes nos Estados Unidos. Sentia-me totalmente isolada, no tinha com quem falar. Ningum me entendia, conta a jovem Eva. Cada vez que entrava em depresso meus pais me internavam durante meses num hospital. Saa pior do que antes, relata a jovem Dali. Eva e Dali trabalham ajudando outros jovens a enfrentar a depresso. Eva criou um programa que rene jovens internados por depresso profunda. Nos grupos, descobrem que no esto sozinhos e que podem receber apoio dos companheiros. o caminho para romper a barreira do isolamento. Foi em um desses grupos que Eva conheceu Dali, uma jovem da Repblica Dominicana de origem muito pobre. Dali entrou em depresso pela primeira vez aos 12 anos. Era internada, mas nem os colegas dela ficavam sabendo do motivo. Falar em depresso tabu, um segredo que as famlias preferem esconder. Eva e Dali tiveram sorte. Sobreviveram aos momentos mais difceis da adolescncia. Hoje, continuam tomando remdios, sabem que, pelo resto da vida, vo ter que manter a depresso sob controle. Mas encontraram no apoio mtuo, no dilogo com aqueles que sofrem como elas, o caminho da sade e da vida.

IOGA: AJUDA ATRS DAS GRADES.

Quem v homens em meditao, profundamente concentrados, pode pensar que esto em um templo budista, imersos em oraes e embalados por mantras. Na verdade, fazem parte de um grupo que luta contra a depresso com a ajuda da ioga. Um tratamento pouco comum aplicado onde a tcnica nunca havia sido experimentada. Se a depresso muitas vezes aprisiona o doente em sensaes de tristeza, apatia e desnimo, como libertar-se dela vivendo em um lugar cercado por grades de celas reais, em uma priso de verdade? Penitenciria de Guarapuava, regio central do Paran. No local, 240 presos cumprem pena em um regime severo de disciplina e trabalho. Nas celas que privam da liberdade os criminosos, como reage a mente de quem jura inocncia e garante no ter cometido crime algum? Choro, tristeza, angstia, rebeldia, conta o presidirio Admar Maboni. Admar foi condenado a 20 anos de priso acusado de ter matado um argentino que passeava pelo Paran. Nega o assassinato e diz que a priso fez dele uma pessoa depressiva. Voc fica completamente nu dentro de uma cela fria, sem ningum para estender a mo e tir-lo do sufoco. Nessas horas que fica mais difcil, diz o presidirio. Nas posturas e movimentos da ioga, Admar tem encontrado o equilbrio necessrio para enfrentar a vida em uma cadeia. Voc viaja constantemente, o prprio relaxamento faz com que se torne uma ave e ganhe asas para voar, comenta ele. Quem um dia fez da priso de criminosos um ofcio se viu do outro lado da cela. O ex-policial Carlos Kutz foi condenado pela participao em um seqestro. Revoltado, nervoso, passou por um manicmio judicirio, onde foi tratado com drogas pesadas. Se est estressado, por exemplo, do uma injeo e voc dorme uma semana, 15 dias. No querem saber como est interiormente, diz ele. Em Guarapuava, o ex-policial encontrou na filosofia milenar da ioga um tratamento mais suave e de ao mais profunda. Esse relaxamento surtiu um grande efeito. Extravaso certas coisas que tenho guardadas e saio at mais alegre. Permaneo por um certo tempo com o esprito mais apaziguado, mais tranqilo, conta Carlos Kutz. A ansiedade do presidirio Isaas Muller ainda transparece. Aos 12 anos, tornou-se dependente de drogas. Quando entrou na cadeia, enfrentou a abstinncia e encontrou na ioga uma fora vital. A ioga ajudou muito na abstinncia da droga. Depois do relaxamento, quando voltava para o xadrez, em vez de ficar pensando no cigarro ou na droga comeava a fazer as posies, concentrava-me e a vontade de fumar sumia, conta ele. As mos agitadas durante a conversa agora pairam firmes em movimentos seguros. A nova terapia tambm trouxe resultados no ambulatrio. Antes, quando a ioga no fazia parte da rotina da penitenciria, todos os dias, 40 presos recebiam medicamentos antidepressivos, principalmente por causa de ansiedade e insnia. Hoje, apenas oito presos so submetidos a esse tipo de tratamento. Aos domingos, as famlias vinham visit-los e, s vezes, as tratavam de forma hostil, agressivos, distantes. s vezes, no queriam nem receber a famlia. Hoje as famlias nos trazem relatos da mudana: esto mais calmos, tranqilos, alegres, revela a psicloga Luciane Scula. Est mais contente, mais calmo. Tem vontade de estudar, de trabalhar, de sair e ir viver a vida l fora, a liberdade, confirma Anita Maboni, me do presidirio Admar.

GLOBO-REPRTER: OS LIMITES DO CORPO29 DE AGOSTO DE 2004.

REFLEXOS NO CORAO.

Que o sedentarismo deixa marcas visveis no corpo, como aquelas gorduras mal localizadas, isso fcil de perceber. Mas como o corao reage falta de atividade? A resposta pode estar no desempenho de ratinhos atletas. Durante quatro semanas, pesquisadores do Departamento de Fisiologia da Universidade de Campinas (Unicamp) compararam a performance de ratinhos que se alimentavam de rao normal com a de outros que recebiam uma rao rica em gordura. Um grupo s comia e descansava; o outro, entre as refeies, era submetido a um programa de exerccios - sesses de natao, quatro vezes por semana, durante 50 minutos. O estudo acabou mostrando que o exerccio fsico capaz de prevenir a formao de gordura no corao dos ratinhos. O rato que consome uma dieta normal e treina tem um desempenho, uma resposta cardaca, vamos dizer assim, muito melhor que o rato que ingere a dieta lipdica e treina tambm. O animal normal treinado bem mais vigoroso. O ideal uma dieta equilibrada, associada a exerccios fsicos, pelo menos para os ratos, avalia a farmacutica Dora Grassi Kassisse. Mas, e nos homens? O resultado seria o mesmo? A medicina j tem provas suficientes para afirmar que os sedentrios correm um risco trs a quatro vezes maior de desenvolver doenas do corao. A pessoa que no se exercita vai perdendo vitalidade, envelhecendo precocemente. Perde habilidade, destreza e em pouco tempo diz assim: ah, ali tem muita escada, no vai dar para eu ir, diz o cardiologista Cludio Gil. H seis meses a dona de casa Cludia Russo passa a manh inteira na academia, pelo menos seis vezes por semana. A deciso no foi espontnea. Aos 39 anos e nenhum exame que mostrasse problemas de corao, Cludia teve um infarto. A ardncia no peito veio quando ela se preparava para viajar com o marido e os dois filhos, no sbado de carnaval. Troquei uma viagem de carnaval por uma semana deitada em uma cama de hospital. Para minha famlia e meus amigos foi surpreendente mesmo, ningum esperava, diz Cludia. O susto maior foi porque Cludia no tinha mesmo o perfil de uma pessoa do grupo de risco. Uma dona de casa tranqila, s um pouquinho acima do peso. Mas no se preocupava em fazer exerccios. O corao mandou um recado. No menospreze suas coronrias, porque 50% dos indivduos que enfartam nunca tiveram sintomas antes, alerta o cardiologista. Acho que foi um aviso para eu mudar de alguma forma. Tinha que mudar minha vida, fazer alguma coisa que no estava fazendo. No caso, o exerccio, conta Cludia. Para indicar o exerccio ideal, o mdico testa a capacidade do paciente fazendo a captao de oxignio, um exame considerado mais eficiente que o teste ergomtrico. Para o empresrio Jos Antnio Rochedo, ser um programa intenso, j que ele teve uma alta de presso sbita e precisa urgente perder peso e se exercitar. Acho que vou ter que gostar de fazer exerccio. A situao : tenho que gostar para poder mudar meu estilo de vida, ressalta o paciente.

GLOBO-REPRTER: SADE PARA O CORAO24 DE SETEMBRO DE 2004.

OVO NO O VILO.

Mquina perfeita, que faz a vida pulsar. Comanda todo o nosso corpo, at os sentimentos. Saudvel, funciona como uma usina de fora. Mas sem a manuteno adequada, vira sinnimo de risco. As doenas do corao, segundo as pesquisas, matam cerca de 30% da populao do planeta. Superam a violncia urbana e as guerras. No Brasil, todo dia morrem 436 pessoas. A sade desse rgo to vital depende muito da maneira como nos alimentamos. Quanto mais gordura, mais colesterol ruim e mais risco de infarto. Um estudo recente acompanhou os hbitos alimentares de 17 mil pessoas nos Estados Unidos, no Brasil e em Portugal. Resultado: os americanos, amantes do fast food, da refeio rpida, so os campees do colesterol alto. Ns, brasileiros, ficamos em segundo lugar. Perdemos feio para os portugueses. Temos 13 vezes mais colesterol que os lusitanos. que os nossos patrcios costumam dispensar a gordura saturada e se entregam aos prazeres da cozinha do Mediterrneo. "Se imitssemos nossos patrcios, certamente teramos uma chance muito menor de ter calcificao nas artrias e infarto do miocrdio, diz o cardiologista Raul dos Santos, do Instituto do Corao de So Paulo (INCOR). O mdico fez parte da equipe de pesquisadores no Brasil. Ele especialista em colesterol e na preveno de doenas cardiovasculares. Em um passeio por um buf em uma churrascaria, o cardiologista revelou algumas surpresas. Quem disse que um lombinho de porco faz mal? "Nem toda gordura de porco ruim. O lombo de porco, por exemplo, uma carne que no tem muita gordura saturada. Poder ser consumida mesmo por quem tem colesterol alto", afirma o mdico. E para ajudar a baixar o colesterol, sugere peixe e azeite de oliva. Diz que esses alimentos concentram gorduras benficas: a poliinsaturada e a monoinsaturada. "As vantagens dessas gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas que ajudam a baixar o LDL, o colesterol ruim. E a gordura monoinsaturada, que a gordura de alimentos como azeite de oliva e abacate, ajuda a aumentar o HDL, o colesterol bom", explica o especialista. Para quem vive falando mal do ovo, uma novidade: "O ovo um alimento injustiado. Apesar de conter uma quantidade razovel de colesterol, praticamente no tem nada de gordura saturada. E o organismo tem uma capacidade limitada de absorver o colesterol que est no ovo". Na churrasqueira, vendo gordura escorrendo, espetos de dar gua na boca, o mdico surpreendeu mais uma vez: carne vermelha, magrinha, duas, trs vezes por semana, no to desaconselhvel como falam, principalmente para as mulheres. "A mulher tem uma chance maior de ter anemia que o homem, por causa da menstruao. Ento, importante comer carne vermelha, porque esta a melhor forma de absorver o ferro", diz ele.

CAMINHO LIVRE NAS ARTRIAS.

Nosso organismo produz 70% do colesterol que circula na corrente sangunea. Vem do fgado, tanto o bom (HDL) quanto o ruim (LDL). Toda a outra parte, que corresponde a 30%, depende do que comemos. Nas artrias, a gordura vai se acumulando nas paredes e, com o tempo, se calcifica. Formam-se ento as chamadas placas duras, que impedem a passagem do sangue. Mas so as placas moles uma das mais recentes descobertas da medicina. Uma novidade perigosa. "Tem sido demonstrada como a principal causadora dos eventos agudos, como infarto agudo do miocrdio, diz o cardiologista Carlos Eduardo Rochitte. O cardiologista mostrou como elas se alojam nas coronrias. Observa-se um espessamento da parede, demonstrando uma placa mole, em uma regio no calcificada. Mais adiante, comeam a ser identificadas as placas calcificadas. So as reas brancas, demonstrou o mdico na tela do computador. As placas de gordura levaram a dona de casa Maria dos Santos ao centro cirrgico. Tinha duas artrias obstrudas e sentia dores insuportveis. " to forte que chega a subir pela garganta, parece que vai me sufocar. Deve ser como uma pessoa que quer matar outra enforcada. horrvel", descreveu a paciente, a caminho do centro cirrgico. O cirurgio Expedito Ribeiro mostrou em uma ilustrao como ia aliviar as dores no peito de dona Maria. "Essa uma situao em que a artria est completamente obstruda. Um cateter vai abrindo um tnel nessa obstruo, atravs do qual a gente passa uma corda guia, um fio com um balo para abrir o local. Depois vem o stent, uma mola de ao inoxidvel, colocada para alargar o local que estava estreitado", explicou o mdico. Dona Maria ficou pronta para se submeter ao tratamento. S faltava o stent, uma pequena prtese de ao inoxidvel, que mede menos de cinco milmetros. Foi instalada pelo cateter na rea que estava bloqueada pela gordura. "O balo permitiu que levssemos o stent at o local", anunciou o mdico durante a cirurgia. Depois de instalado, o cirurgio mostrou onde fica o stent que passou a fazer parte do corpo de dona Maria. " como se fosse um tubinho", disse ele. Na artria que recebeu a prtese, o sangue voltou a circular. "O local que estava estreitado j desapareceu, contou o mdico. Dona Maria disse que o alvio foi imediato. Ela respirou fundo e desabafou: Uma maravilha. Fazia muito tempo que no respirava assim". Pela reao dela, o mdico teve certeza de que a angioplastia foi um sucesso. "Em alguns pacientes que sofreram infarto, por exemplo, essa melhora muito rpida, imediata", disse ele.

ALERTA PARA O FUTURO.

Vale do Anhangaba, Centro de So Paulo. No meio da rua, exames de graa para avaliar o corao dos paulistanos. De todos os fatores de risco, o colesterol um dos mais traioeiros, segundo o mdico Raimundo Marques, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Uma pesquisa concluda este ano revelou dados preocupantes. "At 70% da populao sabem o que colesterol, mas 60% no fazem um exame de colesterol", constata o presidente da SBC. Um absurdo:30% dos brasileiros no sabem nem o que significa colesterol. Os resultados, na grande maioria dos casos, so sempre desagradveis. tamanha a desinformao que os mdicos esto assustados com as projees para o futuro. "Hoje, 30% dos bitos brasileiros so causados por doenas cardiovasculares, o que corresponde uma morte a cada dois minutos. Em 2020, a projeo que isso atinja 50% da populao, sendo uma morte a cada 30 segundos", alerta o mdico Raimundo Marques. Uma doena silenciosa, sem sintomas. Pode at matar ou deixar seqelas graves. A hipertenso atinge quase 24% da populao do pas. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. A preveno comea com um simples exame, que dura menos de um minuto. Medir a presso arterial deve fazer parte das nossas preocupaes. A presso do taxista Valmirio Jacobi deixou uma enfermeira assustada: 24 por 12. uma presso extremamente alta, o senhor precisa de acompanhamento mdico, anunciou a enfermeira. No sabia que tinha uma presso assim. a primeira vez que verifico, revelou o taxista. Uma pessoa com uma presso de 24, ou 240 como preferimos chamar, tem alto risco de desenvolver derrame, infarto ou alteraes renais no prazo de dez meses a um ano, alerta o cardiologista Dante Giorgi. Segundo os cardiologistas, no Brasil uma em cada duas pessoas que sofrem de hipertenso sabem que tm a doena, mas no faz qualquer tipo de tratamento. mais ou menos como o motorista saber que o carro est sem freio e enfrentar uma descida de serra. A chance de cair pela ribanceira muito alta, avalia o mdico.

RADIOGRAFIA DE UM HIPERTENSO.

O dia do comerciante Jos Hadid comea na Praia de Ipanema, Rio, com uma caminhada. Exerccio fsico um remdio importante contra a hipertenso. Ele um hipertenso de carteirinha e sabe que os exerccios matinais tambm ajudam a combater a obesidade. "No que coma muito. A verdade que sou guloso", admite Jos Hadid. Guloso e cauteloso. O comerciante foi ao mdico para uma avaliao. Tem 66 anos, est acima do peso ideal, e ainda sofre de uma arritmia grave. O corao bate acelerado, chegando a uma freqncia cardaca de 120, 130 batimentos por minuto. Ser que a hipertenso, neste caso, pode se transformar em um problema mais grave? "Agora estou sentindo um pouco de cansao, fadiga, e falta de ar", relata Jos Hdid. Para os mdicos, o diagnstico mais seguro feito com o holter, um equipamento amarrado ao corpo capaz de investigar a rotina da freqncia cardaca. Durante 24 horas o aparelho registrou todas as atividades eltricas do corao de Jos Hadid. No pde se livrar disso em nenhum momento. O objetivo que a gente possa fazer um registro de 24 horas do eletrocardiograma dele. Recebe um dirio em que anota as principais atividades do dia", disse o cardiologista Roberto S. E o dia de Jos tem momentos de muita tenso. Nada mais estressante do que enfrentar o trnsito do Rio de Janeiro. "Uso o carro por obrigao. Acho que dirigir nesse trnsito faz mal", diz ele. No dia seguinte, Jos foi devolver o aparelho e entregar suas anotaes. No monitor, os mdicos examinaram os grficos do holter. a leitura de todos os movimentos que fez nas ltimas 24 horas. "Houve um momento dirigindo em que ficou bastante estressado. A freqncia cardaca acelerou a 120 batimentos por minuto", revela o cardiologista. A partir de hoje tenho que aprender a gostar mais de mim e tratar de obedecer mesmo. Porque o mtodo existe e o medicamento tambm. s querer seguir, concluiu o paciente.

CORAO EM TRS DIMENSES.

Hoje, os avanos da medicina j permitem diagnsticos mais precisos para todos os problemas cardacos e tratamentos muito mais eficazes. O empresrio Jos Mrio Casto um paciente que sofre de hipertenso. O exame a que se submeteu o que h de mais moderno na medicina cardaca: a tomografia computadorizada das coronrias. um exame que mostra imagens ntidas, perfeitas, das principais artrias do corao. Isso sem precisar de nenhum procedimento invasivo, quer dizer, sem precisar de nenhuma cirurgia. um raio-x bem mais completo que os tradicionais. Tudo feito por computador. O aparelho mostra imagens em seqncia das coronrias, do msculo cardaco, de toda a regio investigada. O paraense Jos Mrio foi de Belm para So Paulo tentar descobrir por que no consegue, nem com medicamento, combater a presso alta. "Essa hipertenso se manifesta com dor de cabea, dormncia nos braos e resfriamento no corpo", relata o paciente. O medo dele que o corao j esteja afetado. O cardiologista examina nas imagens detalhes dos ventrculos, das artrias, das contraes do msculo. "Nesse caso, estamos examinando o tronco da coronria esquerda. A parte verde demonstrada em dois planos perpendiculares, o que nos permite olhar a artria em vrios ngulos ao mesmo tempo e dizer que a luz est preservada. No h nenhuma obstruo evidente no momento que precisasse fazer um cateterismo ou um tratamento mais importante", anuncia o cardiologista Carlos Eduardo Rochitte. Jos Mrio s precisou trocar o medicamento que controla a presso.

ENTRANDO NO COMPASSO.

Quando o problema srio, o corao de um hipertenso pode disparar de forma descontrolada. Para curar as arritmias, a medicina j conta com um novo tratamento. A tcnica conhecida como ablao, uma espcie de cateterismo que regula a freqncia cardaca. O corao de um paciente bate 160 vezes por minuto, em repouso. Um quadro grave. Em situao normal, isso no passaria de 60, 70 batimentos por minuto, no mximo. "Essa arritmia ainda acarreta o risco de formar um cogulo dentro do corao. E se esse cogulo se desprender, pode causar um derrame cerebral", explica o cardiologista Eduardo Saad. Os impulsos eltricos que fazem disparar os coraes descontrolados agora podem ser contidos. Para isso, a medicina criou uma cirurgia sofisticada. D para perceber pelo monitor que o procedimento est comeando. O trabalho consiste em isolar um pedao do corao. Os mdicos desligam alguns fios por onde passa uma corrente eltrica que provoca a arritmia. Isso significa cauterizar esse pedao do corao. Atravs da cauterizao, procuramos destruir um tecido que anormal, que provoca a arritmia, diz o mdico. O mdico trabalha com quatro cateteres. Um deles, de forma circular, faz o mapeamento da rea a ser isolada. "A gente v o cateter circular ao redor das veias que vm do pulmo, perto do corao. A ponta preta o cateter que faz a cauterizao, realizando a desconexo eltrica dessa regio do corao", acrescenta o cardiologista. Depois de quase duas horas, o mdico conseguiu controlar o ritmo acelerado de um corao que no parava de dar sustos. "A gente j pode perceber que os batimentos esto mais lentos e mais regulares. Agora o corao est a 60 batimentos por minuto. A arritmia acabou", anuncia o mdico ao final da cirurgia.

UM CORAO SEM FORA.

Tabagismo, hipertenso, diabetes, colesterol alto. Este o perfil de um candidato ao infarto. A doena que mata, por ano, 17 milhes de pessoas no mundo considerada a mais agressiva. O infarto ocorre com o bloqueio das artrias do corao, por um cogulo que se solta das placas de gordura. " uma dor caracterstica, porque, alm de ser muito forte, voc comea a sentir nuseas, conta o empresrio Virglio Amorim. Ele s no pode se queixar da sorte. Virglio Amorim j passou por trs infartos e quatro acidentes areos. No ltimo, estava sendo socorrido quando a porta do avio se abriu em pleno vo. "Foi um barulho muito intenso dentro do avio. O mdico gritava que ia morrer. E eu dizia que quem ia morrer primeiro era eu porque estava infartado", lembra o empresrio. Medicamentos e hbitos saudveis eram tudo de que Virglio precisava. Hoje, o corao dele bate no ritmo da sade. Fumante e estressado, o vendedor Adolfo Habrum trabalha 15 horas por dia. Estava em casa almoando quando foi atacado pela dor forte no peito. "Em cerca de dez minutos fui levado por meu cunhando de carro de casa para a Penha", ele conta. Quanto mais rpido o socorro, maior a chance de escapar da morte, segundo o professor Jos Antonio Franchini Ramires, presidente do Instituto do Corao de So Paulo (INCOR). "Do total de pacientes com dor no peito, 40% morrem entre a casa e o atendimento. Por isso, no pode demorar. O paciente deve entrar na primeira porta de pronto-socorro que vir", explica o cardiologista. Nem todos os casos de infarto so identificados pelo eletrocardiograma. O mdico cardiologista Carlos Alberto de Mendona, de 71 anos, fez os exames tradicionais, mas no conseguiu descobrir a causa do desconforto que sente no peito. Em situaes como esta, os especialistas recorrem cintilografia cardaca. "Diria que um exame excepcional. Pelo menos quanto doena coronria, bastante efetivo", constata o cardiologista. A cintilografia feita com um equipamento de ltima gerao. Os mdicos conseguem ver qualquer anormalidade no sistema cardiovascular. As imagens fornecidas pelo aparelho permitem diagnsticos mais precisos. Por uma mancha branca que aparece no corao, o mdico descobriu que o cardiologista Carlos Alberto e Mendona tem uma isquemia, um pequeno entupimento nas artrias. "Fazendo a avaliao, a gente chegou a 3% do msculo cardaco sob essa isquemia. um nmero pequeno, avalia o cardiologista Cludio Tinoco Mesquita. Risco grande viveu o ambulante Antnio Francisco da Silva. Foi internado no Instituto do Corao de So Paulo (INCOR) com trs grandes obstrues nas coronrias. "Comecei a sentir uma pequena dor e depois foi aumentando mais", conta o paciente. Os exames confirmaram: o corao de Antnio Francisco pulsava sem fora. Uma parte j estava comprometida pela falta de irrigao sangunea. A cirurgia foi para implantar duas pontes de safena e uma artria mamria. Com a experincia de quem j fez mais de 30 mil cirurgias como esta, o professor Srgio Almeida de Oliveira teve nas mos a vida de Antnio Francisco. A veia safena, retirada da perna, estava pronta para ser instalada. Por ordem do cirurgio, os anestesistas comearam a parte mais delicada da cirurgia: fazer o corao de Antnio Francisco parar. Os batimentos vo diminuindo. Por alguns instantes, o rgo vital perde sua funo. A mquina faz o sangue circular e ser oxigenado, sem passar pelo corao, nem pelos pulmes. Assume as funes vitais enquanto o mdico instala a safena. Depois de implantada a mamria, o corao de Antnio Francisco recebeu 60 milhes de clulas-tronco, retiradas da medula ssea dele. Os mdicos do INCOR tambm fazem parte da pesquisa que tenta descobrir se essa tcnica consegue recompor as reas afetadas pelo infarto. "A parte que teve o infarto funciona, mas deficitariamente. A expectativa que essas clulas aqui injetadas possam dar origem a novos vasos e eventualmente a um novo msculo tambm", anuncia o cardiologista. Uma semana depois, Antnio Francisco recebeu alta, se sentindo mais disposto e determinado a se cuidar melhor. Para os mdicos, os infartados devem levar uma vida normal depois da cirurgia, mas precisam seguir algumas regras para fortalecer o corao. Deixar o sedentarismo de lado j um bom comeo. Se quer comear a fazer uma atividade fsica e j passou dos 40 anos, antes de qualquer coisa precisa fazer um teste ergomtrico. um exame mdico que permite avaliar a capacidade que o corao tem de suportar os exerccios. Um exame to importante que pode salvar sua vida. Em companhia do cardiologista, a esteira leva ao limite do esforo, quase exausto. Mas tudo controlado no computador. A anestesista Wilma Martins se submeteu a uma angioplastia para colocao de stent. Quinze dias depois j estava em um programa de reabilitao para vtimas do infarto. "Tinha falta de ar e no conseguia nem falar direito. Melhorei muito", afirma a anestesista. Os especialistas alertam: praticar exerccios fsicos sem avaliao mdica fazer parte de um grupo de risco. "Se chegar a um esforo tal que possa desencadear alguma doena que j tinha sem diagnstico, a pessoa pode ter um infarto durante uma atividade fsica", diz a cardiologista Patrcia Alves Oliveira.

INIMIGO DO PEITO.

O rgo mais precioso do nosso corpo vive cercado de inimigos. Um inseto, por exemplo, conhecido como barbeiro, implacvel. Costuma atacar comunidades pobres do interior, no Norte e no Nordeste do pas e se esconde entre as paredes das casas de taipa. Carrega um protozorio que transmite a Doena de Chagas. Uma doena fatal que fere e deforma o corao. O agricultor Ailton Cruz Tibrcio e a dona de casa Clotilde Miranda foram vtimas do barbeiro assassino que tentaram escapar da morte. A esperana deles foi uma pesquisa pioneira no mundo desenvolvida na Bahia. "A indstria no desenvolve drogas novas para curar a Doena de Chagas h mais de 20 anos porque no existe interesse econmico", diz o mdico e professor Ricardo Ribeiro dos Santos. No Laboratrio da Fundao Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em Salvador, Bahia, a equipe comandada pelo professor Ricardo Ribeiro h trs anos vem trabalhando em uma descoberta que pode ser a cura da Doena de Chagas. A tcnica utiliza clulas do nosso prprio corpo, as chamadas clulas-tronco, matrizes genticas. As primeiras experincias foram feitas em 200 camundongos. Os resultados deixaram os cientistas animados: 90% das leses cardacas provocadas pelo barbeiro desapareceram. Nos seres humanos, os testes comearam em junho do ano passado. "Ainda preciso uma srie de estudos e uma comprovao de pelo menos 300 pacientes da eficcia dessa tcnica para a gente dizer que realmente uma soluo para o chagsico", pondera o mdico. Clotilde foi a 18 paciente dos pesquisadores. De acordo com a avaliao dos mdicos, perdeu quase 70% da capacidade do corao por causa da Doena de Chagas. "Os sintomas eram inchao nas pernas e na barriga, palpitao e fadiga", relatou a paciente. Amparada pelo carinho do marido, Clotilde se preparou para receber as clulas-tronco. No centro cirrgico, mdicos e enfermeiros comearam o procedimento. Com uma seringa, retiraram o lquido da medula ssea, a parte do corpo que chamamos de bacia. l que fica a maior quantidade de clulas-tronco. O trabalho em seguida foi no laboratrio. preciso filtrar o sangue para recolher as clulas. Tudo feito em uma centrfuga. A esperana de Clotilde representou apenas 1% de tudo o que foi retirado da medula ssea dela. Ficou no meio de um tubo, entre uma parte branca e outra amarelada, onde se concentram as clulas-tronco. Uma hora depois elas j estavam prontas para voltar ao corpo de Clotilde, mas com uma outra misso:recuperar o corao ferido. Seriam clulas inteligentes? "Essas clulas-tronco reconheceriam os lugares que precisam ser tratados da mesma forma que algum com uma chave na mo vai tentando abrir uma fechadura. Acreditamos que vai buscando at achar", comenta o hematologista Augusto Mota. Os mdicos dizem que o procedimento simples. necessria anestesia s na virilha, para uma pequena inciso. O primeiro cateter vai levando um contraste. S assim os mdicos conseguem ver onde esto as leses. O mdico cardiologista Augusto Almeida confirmou que as artrias coronrias estavam prontas para receber as clulas. "Vou colocar um segundo cateter, mais fininho, injetar as clulas-tronco por ele", anunciou o mdico. Devagar, com muito cuidado, o mdico foi injetando o lquido retirado da medula ssea. Foram 20 mililitros de clulas distribudos entre as trs coronrias. "A garantia de que o corao da paciente est recebendo as clulas-tronco a posio do cateter, que foi checada antes com o raio-x e com o contraste. As clulas-tronco mesmo so invisveis", diz o cardiologista. Clotilde acompanhou todo o trabalho dos mdicos acordada e disse que nem o movimento do cateter lhe incomodou. "Estou muito mais do que alegre", comemorou a paciente. Mas como fica o corao depois de receber as clulas-tronco? Os pesquisadores acompanharam com uma cmera especial vrias etapas do tratamento. "Duas horas depois da injeo a gente v as clulas-tronco recm-injetadas chegando ao corao. As clulas-tronco vo se incorporando ao tecido cardaco", explica o mdico Ricardo Ribeiro dos Santos. Aos poucos, vo reconstituindo as reas afetadas. "J se confundem um pouco com o msculo e comeam a colar nele. Depois de cinco a nove dias, os exames mostram que essas clulas-tronco se integraram ao corao e transferiram o material delas para a fibra cardaca, modificando-a", continua o mdico. Cerca de 2 milhes de brasileiros sofrem de distrbios cardacos provocados pela Doena de Chagas. Taquicardia, cansao, falta de ar. O agricultor Ailton Cruz Tibrcio, que vive da agricultura, chegou ao ltimo estgio da Doena de Chagas. No imaginava que hoje pudesse estar na roa, trabalhando na enxada. "Tinha uma tristeza na minha vida. Cheguei a um ponto em que eu mesmo j estava desenganado. No falava para ningum, mas dentro de mim mesmo s vezes chorava sozinho e dizia que ia morrer muito novo", conta o agricultor. O sofrimento de Ailton deixava a famlia dele desesperada. "Em certo momento me senti abatido. Foi quando o vi num canto, chorando. Falou para cuidar da minha me porque a hora dele estava chegando", lembra Amilton de Jesus Tibrcio, filho do agricultor. Hoje, Ailton est to otimista que j se sente quase curado. "Aquele perodo foi muito difcil porque pensava que no teria sada", emociona-se. A sade de Ailton melhorou muito depois das clulas-tronco, dizem os mdicos. Clotilde no teve a mesma sorte. Morreu um ms depois do incio do tratamento. S quando conseguirem testar a experincia em 300 pessoas os cientistas vo concluir a pesquisa. At agora trabalharam com 18 vtimas do barbeiro, das quais 17 conseguiram reduzir os efeitos da Doena de Chagas.

O CHOQUE QUE SALVA.

Aos 20 anos de idade e com vigor fsico de um jovem saudvel, de repente o estudante Anderson Rodrigues desmaiou jogando bola com os amigos. Um acidente parecido tirou a vida, dentro de campo, de dois jogadores profissionais. O hngaro Miklos Fehr, do Benfica de Portugal, e o camarons Marc-Vivien Foe, foram vtimas da morte sbita. Anderson teve sorte porque o corao dele reagiu durante o desmaio, mas vai precisar passar por uma cirurgia. "A cirurgia para botar um aparelhinho no corao, que d um choque para reanim-lo caso pare", diz o jovem. O aparelhinho a que ele se refere um desfibrilador interno, nica alternativa segura de sobrevivncia. "Uma anomalia gentica provoca a substituio do msculo do corao por gordura. Com isso, o corao, alm de ficar fraco, fica pr-disposto a ter arritmias que podem ser fatais", explica o mdico cardiologista Eduardo Saad. Antes da cirurgia, o mdico precisa comprovar se a causa do desmaio foi mesmo uma crise de arritmia. Para isso, os batimentos cardacos so acelerados. " capaz que fique at sem pulso por alguns momentos, mas a gente tem como resgatar o paciente atravs de um choque eltrico", tranqiliza o mdico. O corao comea a disparar e chega a 240 batimentos por minuto. Entra em um processo que os mdicos chamam fibrilao. A presso arterial cai, chegando a quase zero. o momento mais crtico. Tudo monitorado, controlado pelo cardiologista. Quando o corao pra, o paciente reanimado imediatamente. A descarga eltrica violenta. "Um choque de pouco mais de 900 volts. um choque forte", diz o mdico. Quando a cirurgia comea, o corao j voltou a bater na freqncia normal. O aparelho instalado em Anderson pesa 78 gramas e tem mais ou menos 7 centmetros de dimetro. Uma parte metlica de titnio; outra de silicone. Dentro tem uma bateria que dura de 5 a 7 anos. Por uma inciso no peito, o cirurgio instala os eletrodos, os fios que fazem a ligao entre o aparelho e o corao. "A parte mais escura faz parte do circuito capaz de dar o choque. Fica dentro do ventrculo, dentro do corao", diz o mdico. Difcil foi encontrar a melhor parte do corao para encaixar os eletrodos. "Colocamos no lugar mais saudvel que achei", conta o mdico. O momento decisivo da cirurgia o teste final. O mdico cardiologista Eduardo Saad precisava saber se o desfibrilador interno, instalado no peito esquerdo de Anderson, estava mesmo funcionando. Para isso, sofreu mais uma arritmia grave e mais uma parada cardaca. Os batimentos foram novamente acelerados at o corao no suportar. Anestesiado, Anderson precisou passar por mais uma descarga eltrica. "Deu para perceber que o aparelho est funcionando muito bem. capaz de reconhecer que o corao est em ritmo capaz de mat-lo, como se fosse morte sbita. E uma vez liberada a energia, o paciente volta ao ritmo normal", explica o mdico. Depois de tanta tenso, o mdico relaxou, com a sensao de mais uma misso cumprida. " um momento de muito estresse, de muita angstia. Sempre gosto de passar por esse momento o mais rpido possvel", diz ele. Acomodado entre a pele e o msculo do peito, o desfibrilador passou a fazer parte do corpo de Anderson. Diz que no se importa. Pela vida, vale qualquer sacrifcio. "Esse marcapasso representa tudo na minha vida agora. Agora e sempre. muita alegria", comemora o estudante. Quinze dias depois, Anderson voltou para casa. O reencontro com a famlia foi um momento de muita emoo. A tecnologia a servio da sade. Remdios e tratamentos mais eficazes. A medicina no pra de descobrir alternativas para preservar a vida. Mas tudo depende de uma mudana de hbitos:parar de fumar, no comer gorduras, praticar exerccios, combater o estresse, evitar o que no saudvel. O corao agradece.

GLOBO-REPRTER: ESTRESSE24 DE OUTUBRO DE 2004.

ESTRESSE NO PARASO.

Estresse, depresso, presso alta. Males tpicos dos habitantes das grandes cidades. Mas ser s deles? Guaraqueaba, no litoral norte do Paran, uma pequena cidade de pescadores a 200 quilmetros de Curitiba. Fica perto do Porto de Paranagu, mas a estrada to ruim que o meio mais fcil de chegar pelo mar. Quem vem das cidades grandes e chega a Guaraqueaba pensa que descobriu um pedacinho do paraso: pouco mais de oito mil habitantes, praias lindas, peixe fresco na mesa e muito, muito sossego. Mas esse cenrio de sonho esconde uma realidade bem menos potica. H trs anos, a Pontifcia Universidade Catlica do Paran (PUC-PR) mandou para a cidade uma equipe de sade. Foi ela que descobriu: 26% da populao tm presso alta. quase o dobro da mdia nacional, que de 15%. Se houvesse uma lista das cidades mais estressadas do Brasil, Guaraqueaba estaria entre as primeiras. No s a cidade grande que estressa as pessoas. A pequenininha tambm. A seu modo, cada cidade, cada vilarejo tem seu problema de estresse. Para os turistas, muito bonito ver os barquinhos ancorados, saindo para pescar, mas, para os moradores, a solido, lugar de isolamento, observa o coordenador de sade do programa Pr-Ao, da PUC do Paran, Ernesto Josu Schmitt. E o isolamento pode apavorar uma pessoa nos momentos mais importantes da vida. O que seria uma expectativa feliz para a arrumadeira Maria Isabel Martins se transformou numa fonte de estresse. O terceiro filho est para chegar. Agora que vem a preocupao. Meu maior receio a hora do parto porque muitas coisas acontecem no hospital por falta de recursos, diz Maria Isabel. O marido de Maria Isabel no tem trabalho fixo. ela quem garante o sustento da famlia com o emprego de arrumadeira. Desemprego, preocupao com tudo, at com a educao dos filhos da gente. Toda essa beleza no resolve, porque aqui existe desemprego, pobreza, e no s na rea de sade, aqui falta muita coisa, comenta Maria Isabel. O impensvel est acontecendo em Guaraqueaba. A razo de vida dos homens que nasceram e se criaram na cidade est faltando tambm. J no h peixe para encher as redes dos velhos pescadores. A pesca industrial, com os grandes barcos, no deixa sobrar nada para os pequenos. A quantidade antigamente era dobrada. Saamos para pescar e pegvamos 80, 100, 150 quilos de camaro. Agora, a gente pega dois, trs quilos, quando d camaro em rea boa. A pescaria est fraca, conta o pescador Joo Castelar Simo. Hoje, por exemplo, sa s 4h, e peguei umas duas dzias de camaro. A gente sofre um pouco para trazer o po para casa. No fcil. Desde quando foi transformada em rea de proteo ambiental, ficou difcil a sobrevivncia em toda a regio. Na Ilha das Peas, vizinha Guaraqueaba, a criao do parque alterou as tradies da cultura local. Agora, proibido plantar. A produo da mandioca era tradicionalssima aqui. Hoje a mandioca foi extinta no temos mais mandioca, nem as fbricas da mandioca, que eram artesanais. No temos mais a rocinha de subsistncia. No se pode roar um terreno para plantar mandioca, revela o escultor Renato Siqueira. Quanta dificuldade. At a pesca foi atingida pelas novas leis de proteo ambiental. bom para a preservao do lugar, mas para quem depende disso para viver, mais uma fonte de angstia. De repente, voc comea a sair para pescar e tem que cuidar para ver se o barco da fiscalizao no est vindo. O pescador no consegue ter paz, comenta Renato. Quem avalia o drama dos caiaras Renato, escultor e descendente de ndios guaranis. A alternativa para o isolamento pode ser o turismo, mas ainda no h nada organizado e que aproveite a mo-de-obra local. A gente quer um turismo ecolgico bem feito, que respeite o meio ambiente e a cultura do povo. Esse o tipo de turismo que a gente quer.

RECOMEO.

Tem uma hora que se percebe que o estresse est ganhando a batalha da vida. Para algumas pessoas, a nica soluo o rompimento drstico. Deixar para trs o trabalho, a cidade, a casa, e at a famlia e os amigos e tentar comear tudo de novo em outro lugar, de outro jeito. Na Ilha do Mel, encontram-se pessoas que fizeram isso e que garantem ter conseguido mais sade e mais felicidade na nova vida. A ex-gerente de banco Alcione Haus est na Ilha do Mel h quatro anos, morando sozinha, mas sempre cercada de amigos. Deixou o ritmo pesado de So Paulo e do trabalho no dia em que sentiu a sade em risco. Muito estresse de tudo, principalmente do trabalho. Depois de ficar de cama, com estresse, deitada, com depresso, pensei bem: O que estou fazendo aqui? Quero qualidade de vida, viver melhor. E por isso eu vim, conta Alcione, que pediu demisso quando tinha 28 anos de servio. Perdi o direito aposentadoria integral. O que adiantaria ser uma velhinha aposentada que no poderia descer sozinha de uma escada de avio? Ento, prefiro ter uma vida modesta agora, mas tranqila, com sade total. A partir do momento que passei a morar aqui no tomei nem mais um remdio, afirma. Se vai ficar na ilha para sempre ou por quanto tempo ficar, Alcione no sabe. No faz planos. Mas garante que para tir-la da Ilha do Mel, s um convite muito especial. S por uma coisa muito legal, muito boa. Mas no penso nisso. Por enquanto, no tenho nem uma vontade. Isso aqui um paraso, garante. Simone e Charles Prncipe Oliveira se conheceram h muito tempo. Comearam um namoro, mas ele voltou para o Rio; ela, para Curitiba. E o romance acabou. Reencontraram-se h quatro anos na ilha. Ela, construindo uma pousada;ele, decidido a acabar com a depresso. Para sair dela, a alternativa buscar outro lugar. Mudei radicalmente, mas no de graa, aleatoriamente. Preparei-me para vir para c, conta Charles. Os dois casaram-se. Mas os dias de sombra e gua fresca duraram pouco. Ele, que j era produtor musical, agora acrescentou outras atividades ao seu dia de trabalho: produz um site da ilha, fotgrafo, participa da associao de moradores e ajuda a promover eventos de esporte e turismo. Ele desestressou mesmo. No sei como era antes, l no Rio. Mas j no trabalha noite e a qualidade de vida aqui bem diferente. Hoje um homem agitado, mas no se estressa, observa Simone, professora de educao fsica. Charles acha que na ilha descobriu a receita de viver bem. Uma mistura do que j foi, com o que aprendeu a ser. Vim para c justamente para no perder esse esprito carioca e o conciliei com o esprito caiara de viver, diz Charles.

POESIA NO TRNSITO.

O trnsito se arrasta. Pra. Parece um imenso cortejo, quase imvel. Faz calor. O rudo dos motores, das buzinas, das sirenes, o som da impacincia, do cansao. D vontade de chegar em casa. Mas falta muito ainda - at o final da linha so 51 quilmetros, e Armando Correia Filho est nessa rotina h seis anos, dirigindo s vezes mais de dez horas por dia. Alm do trnsito, tem a carga horria que devemos fazer, diz o motorista de nibus. De repente, avisa: Vou dar uma paradinha para um socorro. Outro nibus acabava de ser assaltado. Armando parou para oferecer ajuda. Os passageiros estavam assustados. Estava em p e comecei a perceber que o senhor sentado na minha frente estava tirando a pulseira, conta um passageiro. A gente sempre convive com isso, diz Armando. Comecei a ficar nervoso, joguei minha carteira por baixo do assento, continua o passageiro. J fui vitima de assalto duas vezes, at com caso de morte, revela o motorista. Eles estavam armados, eram perigosos, observa ainda o passageiro. No Rio de Janeiro normal. Voc tem que suportar tudo e continuar trabalhando, diz Armando. Para atenuar a tenso, Armando se vale de um talento que cultiva desde menino. Enquanto dirijo, crio uma poesia e s vezes a transformo em msica. Isso a minha terapia, conta. A inspirao quase sempre vem no meio do caminho. Um dos poemas, fiz vendo um enterro. No quero que ningum chore quando desta vida eu partir. s isso que imploro a quem vier se despedir. E l vai Armando, no meio do trnsito, espantando o cansao, o perigo, com suas rimas e versos. O que importa ser artista no volante, na pista. E ter talento pra mostrar todo o dom que Deus o d.

CANSAO, ANGSTIA E FALTA DE PRAZER.

Devastador. o Mal do Sculo. O estresse afeta mais de 90% da populao mundial e no poupa ningum - moos, velhos, ricos ou pobres. No rosto, deixa mais cedo as marcas da velhice. No corpo, fator de risco para doenas fatais como cncer e enfarte. Outra conseqncia dramtica: o estresse pode ser a origem at de problemas sexuais. Quantas mulheres no viram o seu casamento entrar em crise por pura falta de desejo. Uma delas est no auge dos 30 anos. uma profissional liberal bem sucedida e dona de uma beleza exuberante. Quem a v, no se d conta do problema que enfrenta no casamento. O cansao mental e as preocupaes do dia-a-dia acabam indo comigo para a cama. Durmo pensando nisso, preocupada com as coisas que tenho de resolver e no consigo me liberar, relaxar, conta a mulher, que no quer ser identificada. E acontece com muita gente. Outra mulher buscou ajuda porque no conseguia se desligar dos problemas do cotidiano, da falta de dinheiro, das dvidas, do trnsito. A relao sexual uma entrega e voc acaba no se entregando porque tem um monte de coisas para pensar que afetam este momento. Ficava tensa, diz. Reverter isso no um processo difcil, longo. Claro que existem pessoas com traumas ou conflitos que precisam de uma terapia mais profunda. Mas, como estamos falando em estresse, preciso aprender a lidar com o dia-a-dia, a estabelecer prioridades, a falar no, orienta a psicloga do Instituto Kaplan Cristina Romualdo. No caso dos homens, o problema ainda agravado pelo fator cultural, a necessidade do desempenho espetacular que todos se cobram. O homem sempre quer dizer que d duas, trs, dez, vinte, quando, na verdade, para dar uma tem dificuldade, diz um homem, que no quer ser identificado. Ele faz parte de um grupo que atendido no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro. Todos foram buscar ajuda para problemas sexuais. A gente no vai a um cinema, porque o dinheiro no d, no tem diverso. O mnimo que a gente pode esperar da vida exatamente...

DRIBLANDO AFLIES DO TRABALHO.

O mundo das finanas: eltrico, nervoso, instvel, tenso ininterrupta. Foi nesse cenrio que a equipe do Globo Reprter conheceu Carmem Gonzales h seis anos. Executiva de um banco, corria sem parar. Viajava trs vezes por semana. Um drama. Em casa, o filho sofria com a ausncia da me e apresentava os primeiros sinais de vitiligo, doena de pele que, j est provado, ocorre sempre ligada a uma forte situao de estresse. Agora, a equipe reencontrou Carmem no novo emprego, aparentemente mais tranqila. No viaja tanto e acredita que recuperou o equilbrio. O segredo no est no trabalho, mas em casa. Organizando melhor sua vida profissional, conseguiu tempo para cuidar dela mesma e da famlia. A famlia muito importante, o centro. Tenho dois filhos maravilhosos, meu marido, isso muito importante, destaca a executiva. Acho que hoje escuto muito mais e isso foi uma mudana. Hoje respeito mais o limite das pessoas, principalmente daquelas que esto ao meu lado. Gosto mais da minha me de agora. Ela est menos estressada e mais feliz. E estando feliz me deixa feliz, diz Camila, filha de Carmem. Era muito agitada, no conseguia ficar parada, lembra Bruno, filho da executiva. Sem estresse, com a famlia reunida e apaziguada, a doena de Bruno j est quase desaparecendo. Diminuiu muito, praticamente acabou. Exatamente por isso, por causa dessa relao. Estamos muito mais juntos, somos mais parceiros, mais amigos. A gente vive muito mais junto e isso extremamente importante, at porque essa doena uma doena psicossomtica, observa Carmem.

VITILIGO: UMA VIDA SEM COR.

Foi um trauma de infncia que levou a massoterapeuta Maria Emlia Feij a conviver mais de 40 anos com vitiligo. A doena apareceu quando tinha apenas seis anos e foi dada pelos pais para outra famlia, para quem deveria trabalhar. "Sentia-me muito s. Davam-me alimento e tudo, mas no tinha carinho. Ento me fechei muito. Era o que mandavam e ponto. No tinha direito de dizer gosto disso ou gosto daquilo, conta Maria Emlia. Solitria, silenciosa, Maria Emlia cresceu sob estresse e constrangida com sua grande mancha branca na barriga. Incomodava-me muito. Era horrvel botar uma roupa, vestir-me na frente das pessoas. Tinha vergonha, mas no falava, ficava s para mim, diz. A vida seguiu seu curso. Maria Emlia deixou a casa onde trabalhava, casou, teve filhos, encontrou uma profisso. Faltava tratar o vitiligo. Um tratamento que soma cuidados clnicos e psicolgicos. Esta a proposta do Ambulatrio de Dermatologia Sanitria de Porto Alegre. H uma diferena muito grande entre o paciente que faz o tratamento integrado - mdico e psicolgico. O aspecto de repigmentao muito maior em menos tempo do que naquele que s faz o tratamento mdico, diz a psicloga Marisa Campo Muller. A psicloga tem certeza. H uma relao muito prxima entre situaes de estresse, como a perda ou a separao de uma pessoa querida e o aparecimento do vitiligo. como se a pessoa no desse conta de administrar aquilo e de alguma forma o corpo manifesta a dor da alma, explica a psicloga. Maria Emlia encontrou, assim, a resposta que tanto procurava. Por que essa mancha na minha barriga? falta de cor. O que falta de cor? falta de colorido na vida, constata. Transformar a vida, ganhar espao, vencer a marca que o estresse deixou. Uma nova Maria Emlia comea a surgir. Acho que conquistei direitos para mim, achava que s tinha obrigaes. Quanto mancha, est diminuindo bastante. Estou feliz. Ao menos sei que estou colorindo minha vida, conclui Maria Emlia.

CNCER: RELAXAR O MELHOR REMDIO.

Duas mulheres se concentram no exerccio do relaxamento. Para a dona de casa Rosilda do Sacramento Leal, sons e movimentos do ambiente vo aos poucos desaparecendo. como um suave mergulho no escuro e no silncio. E dali a partida para uma viagem mgica. Fui direto para Aparecida do Norte. Cheguei l e fui para a igreja. Em pensamento, vi o lugar onde Nossa Senhora fica. Do alto, abenoou-me a todo momento, conta dona Rosilda. Com 58 anos, dona Rosilda descobriu um tumor no seio esquerdo. Era cncer, foi o desespero. No meu caso, no foi nem medo da morte, mas de deixar meu filho sozinho. J vivi bastante, mas ele depende muito de mim. Minha preocupao meu filho, diz a paciente. importante estarmos sempre relaxados, porque d mais fora, mais f e confiana. E essa fora cura. Precisamos estar com a cabea bem relaxada, ter muita f em Deus para vencer a batalha, destaca Fabiano, filho de dona Rosilda. Casos como esse so a rotina da enfermeira Maria Helena Amorim. Foi ela quem criou no Hospital Santa Rita de Cssia, em Vitria, no Esprito Santo, um atendimento especial para pacientes com cncer de mama, com grupos de relaxamento e meditao que ajudam a equilibrar o violento estresse causado pela doena. A tcnica parece simples, mas com ela possvel fortalecer as chamadas clulas assassinas, capazes de atacar e eliminar as clulas dos tumores. Ao mesmo tempo que so extremamente potentes para eliminar uma clula tumoral, so extremamente sensveis ao humor do indivduo. Ento, numa situao de estresse, essas clulas tendem a decrescer no seu poder de atividade. Se a gente consegue - e tem conseguido, como estudos j comprovaram fazer uma interveno, no caso, utilizando a tcnica de relaxamento, a gente consegue modular essas clulas, ou seja, aumentar a atividade delas em mulheres com cncer de mama, explica a enfermeira. A advogada Marilene Ferreira ia fazer uma plstica quando foi surpreendida por um tumor. Uma pessoa vaidosa como eu, pensando em ficar melhor, de repente v a possibilidade de ficar somente com um seio. Nossa, aquilo doeu muito, diz. O estresse foi to grande que ela perdeu a razo. Fiquei to desesperada que pensei em pagar a algum para me dar um tiro na cabea. Estava destruda, conta a advogada. No saa da minha cabea que ficaria mutilada. De to tranqila, ningum diria que ela tinha acabado de chegar do centro cirrgico, onde tirou o ndulo para a bipsia. O segredo, garante, foi o relaxamento. Fiz tudo aquilo que aprendi com ela. Estava viajando num dos afluentes do Rio Amazonas, aquela tranqilidade, vendo a natureza. Adoro a natureza e quando me vi naquelas guas tranqilas, relaxei como me ensinou. Passei a conversar tranqilamente, no senti nada, diz. Agora, estou vivendo, viva e vou viver muito mais. Vou ficar linda, maravilhosa. Disposta, alegre, nem parece que h apenas 28 dias Snia de Paula retirou totalmente o seio esquerdo. Dona de um restaurante, cozinha, atende aos clientes e ainda acha tempo para pintar. Mas nem sempre sentiu-se forte assim. Ainda se lembra do impacto com que recebeu o diagnstico. Voc fica sem cho, desorientada. Chora, acha que acontece com todo mundo, menos com voc. Tambm pensa se merece estar passando por isso, comenta Snia. Enfrentou com garra o longo ritual de exames, a cirurgia e at a perda do cabelo, causada pela quimioterapia. As sesses de relaxamento no grupo deram ainda mais fora a essa guerreira. O que faz um homem entre essas mulheres? Tambm teve cncer no seio. raro, mas a doena atinge tambm os homens. O aposentado Pedro Rossini igualmente no sabia disso. Nunca soube. Jamais me preocupei com isso. Ento, o ndulo foi retirado e feita a bipsia. E era cncer mesmo, conta. Pedro e dona Lecy tm 43 anos de casados, dois filhos e duas netas. Moram no interior do Esprito Santo. Era bem estressado, mesmo morando em uma cidade pequenininha, aposentado, com filhos criados e netos maravilhosos. Ningum sabe explicar o porqu do estresse, diz Pedro. Agora melhorei. Estou 100% bom mesmo, garante. Hoje, os dois passeiam como namorados beira da praia, em Vitria. Pouco mais de um ms depois da operao, contam como esse sofrimento serviu para enriquecer a vida deles. Nossa vida mudou completamente depois dessa cirurgia, porque antes a gente no dava importncia, constata o aposentado. Hoje a gente vive mais unido. Primeiro, meu marido no gostava de sair, de participar das atividades. Agora est mais feliz. Estamos mais unidos, valorizando mais a nossa vida. Antes a gente no tinha a afinidade de ficar junto, de correr junto para todo lado, conta dona Lecy. A doena traz a perspectiva de uma nova vida, mas isso tambm foi aprendido durante os encontros com as outras pessoas. Com a perspectiva da morte, tudo melhorou, diz Pedro.

PAZ ACIMA DE TUDO.

Hoje o empresrio Lionel Blanchet s usa camisa esporte. Anda a p ou dirige o prprio carro, modelo popular, no trnsito catico de So Paulo. dono de trs pequenas lojas de biqunis e roupas para ginstica. O negcio comeou h trs anos, quando Lionel decidiu dar um novo rumo vida. Tinha 35 anos na poca, no tinha filhos, o apartamento estava pago, o carro tambm. E tinha uma certa reserva financeira, ou seja, havia condies de a gente tomar a deciso de mudar radicalmente de vida, tentar um negcio prprio, porque, se no desse certo, daria para voltar para o mercado de trabalho, conta o empresrio. O trabalho que deixou era nada menos que o cargo de diretor-financeiro de uma multinacional. Uma rea de extrema presso. Para atender quela expectativa, voc se supera. Quando v, est acumulando funes no trabalho, trabalhando de domingo a domingo, 14 horas por dia, para tentar dar o resultado que esperam de voc. O estresse que tive foi mais ou menos isso. A gente vai entrando nisso sem querer, sem perceber, constata Lionel. Do estresse lcera, s noites mal dormidas, s dores de cabea, o excesso de peso, tudo isso foi uma seqncia. Mas Leonel hesitava. Quando chega ao topo, como cheguei, tem a questo financeira, o status, o conforto, e essas questes comeam a pesar tambm:ser que vou abrir mo disso?, diz o empresrio. Nessa hora, a opinio da mulher foi decisiva. So bens materiais, que no so a essncia da vida. Essas coisas - status e carro zero voc conquista de novo, vm com o tempo, observa Mira Blanchet. De grande diretor a pequeno empresrio, Lionel diz que hoje organiza melhor seu tempo, mas que na verdade trocou um estresse por outro. H o risco de tomar deciso errada, gerar desemprego para as pessoas que dependem do seu negcio. Voc tem o capital de 15 anos de trabalho aplicado ali. Ento, esse tipo de estresse continua, ressalta Lionel. O casal cuida da parte administrativa das lojas no escritrio improvisado em casa. Sempre preocupado com as contas, Lionel admite que ansioso. Um pouco de estresse bom. Voc tem um ritmo de crescimento, um lder e tem que puxar. Ento, esse pequeno estresse bom, importante, estimula. Para o advogado Guilherme Morais no deu tempo de mudar de vida. O estresse levou-o em janeiro deste ano at mesa de cirurgia. No corao, um enfarte e vrios aneurismas. Estava entre a vida e a morte. Conseqncia de um trabalho sem limites. A empresa me trazia o problema, vivia o problema da empresa, levava para casa, queria resolver, perdia sono, aquele problema todo do estresse, conta o advogado. Nem repousava. Por causa dessa guerra de concorrncia, sendo sempre um bom prestador de servios, procurava fazer o melhor. Percebeu, da forma mais assustadora, que deveria ter respeitado os limites do corpo. Descobri meu limite e agora preciso respeit-lo, afinal, sou um safenado, destaca Guilherme Morais. Agora falo para todo mundo se cuidar. Vencida a batalha pela vida, a primeira medida foi uma reorganizao do trabalho. Dividi um pouco o trabalho, passei uma parte para meus filhos. Deixei os clientes se conscientizarem de que no era a forma como eles queriam as coisas e sim como posso faz-las. Fui deixando no escritrio o que daqui, e ia embora com a cabea mais tranqila, diz. Mudana tambm de endereo. Na nova casa, o advogado tem lugar e espao para praticar exerccio e manter a forma. E o mais surpreendente: tira o terno e a gravata e veste roupa de jardineiro para cuidar da terra. Tenho um pouco mais de tempo para mim. Agora tenho tempo para chegar em casa, cuidar de alguma coisa, ver as sementinhas que tenho plantado crescer. Est melhor, garante. Com suas plantas e sua famlia, doutor Guilherme aproveita esse recomeo, agora mais cuidadoso e mais feliz.

ESTRESSE BIOLGICO.

A vida sob tenso antecipa a velhice? O Instituto de Geriatria e Gerontologia do Hospital So Lucas, de Porto Alegre, faz o teste que revela o estresse biolgico. A cincia comea a estudar o efeito da angstia e do cansao no organismo de quem tem mais de 50 anos. No teste da saliva que idosos fazem o que se mede o nvel do hormnio cortisol, que o organismo produz em situaes de estresse. Se o nvel se mantiver alto por muito tempo sinal de problemas srios. Quando o estresse crnico, vai deteriorando uma srie de sistemas orgnicos e biolgicos que trazem prejuzo para a sade do indivduo. Por exemplo, a cognio, a memria, pode levar depresso e tambm a alteraes no sistema imunolgico, causar infeces bacterianas e at mesmo o cncer, revela o imunologista da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) Moiss Bauer. Os nveis de cortisol de dona Alvina e de dona Maria de Lourdes esto altos, mas o pior de todos o do seu Altino. Ele tem motivos para isso. H dois anos sofreu uma grande violncia e perdeu seu meio de vida e sua realizao. Tive que abandonar minha chcara porque fui assaltado. No era uma rea grande, tinha em torno de trs hectares, mas era meu paraso, conta o aposentado Altino Joo Bergmeier. Para mim isso foi o que mais me abalou e me levou depresso. Sempre gostei da terra. Transformei a chcara com muito trabalho, e ela me ajudou, conta o aposentado. O que marcou foi o fato de a gente no poder mais viver naquele lugar que a gente preparou para ficar, para colher as frutas quando ficssemos velhos, comenta a esposa, Maria de Lourdes. Seu Altino e dona Maria de Lourdes hoje moram na cidade e a pouca terra de que dispem s permite uma pequena horta. Sinceramente, no gosto de morar na cidade, admite. Sempre procurando um pouquinho de terra para plantar, seu Altino tentou trabalhar numa plantao de flores, mas no foi aceito pela dona. Quando descobriu que era aposentado por causa de problema de sade, depresso, descartou-me. Tenho uma dificuldade muito grande para conseguir outra coisa, conta. Agora, caminho, esperando o tempo passar.

GLOBO-REPRTER: PLANTAS MEDICINAIS12 DE NOVEMBRO DE 2004.

PESQUISA NA MATA ATLNTICA.

Uma floresta mais rica do que a Amaznica. Um fiapo do que j foi um dia. A Mata Atlntica inaugurou o machado do colonizador. Hoje, seis em cada dez municpios brasileiros crescem sobre restos da floresta, incluindo Rio de Janeiro e So Paulo. Mas o que sobrou da Mata Atlntica guarda um tesouro ainda por descobrir. Um desafio para pesquisadores que correm contra o relgio da devastao. Hoje a Estao Ecolgica Juria-Itatins territrio exclusivo de pesquisadores, cientistas e estudantes. Na rea esto preservados 80 quilmetros de Mata Atlntica ao longo do litoral sul de So Paulo. Em alguns pontos so at 100 quilmetros em direo ao interior. a maior mancha contnua preservada de Mata Atlntica em todo o pas. A mata feita de formas e cheiros surpreendentes. Testamos os leos essenciais para verificar se tm atividade antiinflamatria, antitumoral e antimicrobiana, diz o farmacutico Paulo Roberto Moreno, do Instituto de Qumica da Universidade de So Paulo (USP). Pesquisar verbo obrigatrio onde ainda h tanto por desvendar. Uma fora-tarefa rene bilogos e farmacuticos da USP e do Instituto de Botnica de So Paulo. Os cientistas juntam foras em uma bioprospeco, uma investigao para mapear o potencial da Mata Atlntica. A botnica Ins Cordeiro, do Instituto de Botnica, corre os olhos pela vegetao. Em um instante, localiza uma fonte para suas pesquisas. A fruta-de-anta uma planta parente do caf. Muito comum nestas florestas, rica em alcalides, uma toxina que age como estimulante nervoso e cardiovascular. Esses alcalides podem vir a ter algum emprego medicinal. Foi descoberto que populaes dessa espcie, principalmente em So Paulo, tm alta toxidade, revela a pesquisadora. Plantas que tm alcalides so potencialmente utilizadas em terapias tanto para cncer como para os sistemas nervoso e circulatrio, acrescenta o farmacutico Paulo Roberto. Um leigo entra na mata e s enxerga plantas. Um pesquisador v frmulas em cada folha. Cada plantinha dessas uma indstria qumica produzindo vrios frmacos para interesses do ser humano, constata Paulo Roberto. Encontrar remdios no meio do verde exige esprito de detetive. s vezes, a planta mais castigada maravilhosa aos olhos do cientista. "Quando as plantas esto sendo atacadas por insetos, comeam a produzir alguma coisa para sua defesa. Se for uma substncia simples, podemos tentar mimetiz-la ou sintetiz-la em laboratrio, diz o farmacutico. A Mata Atlntica guarda pelo menos 2 mil espcies vegetais que no se repetem em nenhuma outra parte. Um nmero ainda mais impressionante quando se pensa no que o homem j devastou: desde a chegada de Cabral j caram mais de 92% destas florestas. Muita coisa desapareceu antes mesmo de ser estudada. Existem reas na Mata Atlntica com mais de 400 espcies de rvores em um s hectare. uma diversidade muito grande, e em boa parte disso ainda no se conhece a qumica dessas espcies. Muitas delas podem fornecer substncias muito importantes para a sade do homem. Seria uma ignorncia jogar fora toda essa riqueza e utilizar, por exemplo, a madeira, que o produto mais bvio de uma floresta, mas que acaba rpido e no promete nada para o futuro. Simplesmente, quem ganha com isso a madeireira e ponto final. Todos perdemos, conclui a botnica Ins.

POMADA DE JACA.

Cada espcie perdida apaga uma possibilidade. Quem diria, por exemplo, que a jaca, uma planta importada, mas muito popular, poderia produzir um poderoso cicatrizante para queimaduras? A professora Maria Cristina Roque Barreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo, de Ribeiro Preto (USP-RP) comeou a testar o uso de substncias da semente da jaca como antiinflamatrio. Teve uma enorme surpresa ao descobrir o KM+, uma protena que estimula uma impressionante regenerao de queimaduras. A partir do estmulo com a protena KM+, os glbulos brancos contidos na corrente sangnea vo para os focos de inflamao. Foi uma surpresa. Diria que melhor do que uma cicatrizao mais rpida, avalia a professora. Muito melhor, descobriu o cirurgio neurologista Ricardo Oliveira, quando ainda fazia o segundo ano de medicina. Pesquisava os efeitos da jacalina, uma das protenas da jaca, sob a orientao da professora Maria Cristina. A experincia foi feita com cobaias anestesiadas. O animal sofria uma queimadura controlada, provocada por gua a 60C durante um minuto. Em seguida, os ratos eram separados em dois grupos. Um recebia um pouco de vaselina com o derivado da jaca. O outro tinha a queimadura tratada apenas com vaselina. Vinte e quatro horas depois, o ento estudante voltou ao laboratrio e viu nos ratos uma reao totalmente inesperada. A equipe do Globo Reprter tambm voltou ao laboratrio 24 horas depois de as cobaias sofrerem as queimaduras para ver o que tinha acontecido. Seria possvel repetir ainda hoje aquela experincia de anos atrs, quando o professor viu os animais melhorarem com a pomada feita a partir da semente da jaca? A gente percebe que existe uma grande rea enegrecida, caracterizando necrose, ou seja, morte do tecido. O animal tambm est bastante quieto, sem demonstrar muita atividade no seu ambiente. Enquanto isso, no outro animalzinho, a gente observa que no existe rea de necrose de tecido to evidente. E o animal est muito mais ativo que seu colega vizinho, avalia o cirurgio neurologista. A professora continuou os estudos e percebeu que outra protena da jaca, batizada de KM+, acelera a reposio das clulas destrudas pela queimadura. melhor do que cicatrizao porque a cicatrizao forma um tecido fibroso, que no um tecido funcional e que esteticamente tem problemas. Com o uso da protena isso no acontece. Temos um tecido com aspecto e funcionamento absolutamente similares ao do tecido anterior, ressalta Maria Cristina.

PRPOLIS VERDE.

Por sorte, existem casos em que a natureza entrega o remdio pronto, como a rarssima prpolis verde, uma exclusividade nacional. Prpolis verde s existe no Brasil porque s aqui existe a planta que fornece a matria-prima usada pelas abelhas para produzir esse tipo especial de prpolis. a vassourinha-do-campo, chamada tambm de alecrim brasileiro, encontrada no nordeste do estado de So Paulo, na regio de Franca, e tambm no sul do estado de Minas Gerais. Os cientistas conhecem bem o poder da prpolis. A substncia produzida pelas abelhas com a resina que protege algumas plantas. Usada para vedar as frestas da colmia, funciona como um antibitico natural e evita que a superlotao provoque infeces e epidemias entre os insetos. Criadores como Abdala Dagher Neto perceberam que as abelhas que produzem prpolis verde tm colmias muito mais saudveis. Abdala revela o trabalho frentico dos insetos. O mel escorre do favo como ouro lquido, mas a verdadeira riqueza outra. A prpolis est no coletor, onde esto todas as substncias interessantes para o uso do ser humano, explica o apicultor. To interessante que a prpolis brasileira disputada por importadores internacionais, especialmente na sia, para consumo direto e para a produo de medicamentos. E pensar que, no faz muito tempo, os produtores jogavam tudo isso fora. Prpolis d mais dinheiro que mel. Nossa mdia nacional fica em torno de 50 quilos de mel e dois quilos de prpolis por ano. A quantidade muito menor, mas o valor agregado maior. Dependendo da qualidade do prpolis, um quilo pode custar at R$ 140,00, revela o apicultor. Empresas japonesas j descobriram que a prpolis verde contm cidos muito eficientes na preveno e tratamento do cncer. No Brasil, o antibitico das abelhas tambm estudado. A farmacutica Raquel Jamil, da Universidade de Franca, confirmou que a prpolis verde mais poderosa que as outras variedades. Conseqncia da origem da resina: a vassourinha-do-campo, planta chamada pelos cientistas de Baccharis dracunculifolia. Essa prpolis tem princpios ativos muito valorizados. Pesquisei e encontrei os trs princpios ativos dela na prpolis. Obtive resultados excelentes contra bactrias gran-positivas e gran-negativas. Ela eficiente. Se tivermos a presena de organismos patognicos, vai destrui-los, explica a pesquisadora.

FLORESTA: FONTE DE VIDA.

No Vale do Ribeira, tirar remdio da Mata Atlntica costume antigo. Mais que tradio, opo de trabalho uma das poucas existentes na regio mais pobre do estado de So Paulo. Pobre por falta de informao, garante o mateiro Carlos Novi, um homem que tem tanta intimidade com a riqueza da floresta que chama as plantas por nome e sobrenome. Esse conhecimento de Carlos Novi disputado pela indstria farmacutica. Conta que recebe encomendas de laboratrios do Brasil e do exterior. No contam para o que , e no tenho interesse em perguntar. Se for uma coleta programada, no corremos o risco de destruir a mata, garante o mateiro. O olho treinado do mateiro v dinheiro brotar nas pedras. A mata como a galinha dos ovos de ouro, diz Carlos Novi. Quem colhe com critrio tem sustento para toda a vida. Cuidadoso, no conta tudo o que sabe, pois tem medo de que a divulgao provoque a destruio de alguma espcie. Nem tudo que se tem na mata conhecido. Por exemplo, a rubicea. da famlia do caf e mentolada. Serve para as mesmas coisas para as quais usamos o mentol. Se os laboratrios descobrirem isso, vo sair matando. Em uma rea grande, temos um nico p. Vo cortar tudo isso aqui e no vo replantar, diz Carlos Novi. As trilhas da Mata Atlntica tm plantas poderosas. Nos ramos da capa-homem, por exemplo, h venenos capazes de intoxicar uma pessoa. A planta venenosa, se a pele absorver, intoxica a pessoa porque ataca o sistema nervoso, explica o mateiro. O mateiro conta que, no Vale do Ribeira, muitas mulheres usam o ch de capa-homem para controlar maridos infiis. O ch dado para pessoas que tm uma sede fantstica e as mulheres no sabe como amansar, da o nome popular, capa-homem, revela. Plantas poderosas atraem interesses igualmente fortes. No mercado internacional, h laboratrios dispostos a pagar centenas de dlares por um vidrinho de seiva de determinadas plantas brasileiras. S at setembro deste ano o pas exportou US$ 4,5 milhes em compostos para fabricar cosmticos e medicamentos. Esse o nmero oficial, mas Carlos Novi mostra como fcil extrair a matria-prima. Usa uma seringa para extrair a seiva. Um vidrinho de 5ml vale US$ 300. Isso vai para laboratrios de fora, denuncia o mateiro. Despachar um vidrinho para o exterior s exige uma visita ao Correio mais prximo. Isso biopirataria, crime difcil de conter e punir. Mas os cientistas brasileiros comeam a criar conhecimento capaz de aproveitar aqui mesmo o potencial das nossas matas.

MAMICA-DE-CADELA.

H cada vez mais pesquisadores brasileiros investindo nisso. Dois professores universitrios do interior paulista, por exemplo, dedicam seu tempo a uma espcie do Sul do pas conhecida como mamica-de-cadela. Surge como fonte de remdio para duas doenas gravssimas e sem cura: o Mal de Chagas e a esquistossomose. A planta possui um princpio ativo tambm encontrado na pimenta-do-reino, a cubebina. A atividade contra a esquistossomose foi descoberta de forma inesperada, resultado da manipulao das molculas de cubebina. No foi uma coisa planejada, mas aleatria, diz Mrcio Andrade, professor de Qumica Universidade de Franca. Poderia tanto dar certo quanto errado. E conseguimos um timo resultado nas atividades com essa modificao aleatria, comenta a doutoranda em Farmcia Vanessa de Andrade Royo. Em uma simples modificao como essa pode estar o futuro da cura ou do tratamento da esquistossomose, acrescenta o professor Mrcio. A esquistossomose, ou "barriga dgua", uma doena fatal, contrada em guas contaminadas. Quando a droga mais potente entra em contato com o parasita, comea a dissolv-lo. Precisaramos fazer um estudo pr-clnico dessa substncia para confirmar. Mas as chances de no ter toxidade so de 95%, adianta o professor. Alm disso, a mesma planta, a mamica-de-cadela, pode fornecer uma substncia chamada metilpluviatolido: uma forte esperana de tratamento para o Mal de Chagas. A doena atinge cerca de 6 milhes de pessoas s no Brasil. causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, que destri os msculos do esfago e do corao. O nico remdio no mercado altamente txico e s consegue frear o avano da doena. Uma droga feita a partir da mamica-de-cadela poderia ser muito mais eficiente, diz Jairo Kenupp Bastos, professor de Farmcia da Universidade de So Paulo de Ribeiro Preto (USP-RP). O parasita realmente morre, principalmente a forma circulante. E isso pode parar a doena, explica o professor. O professor acredita que, no futuro, as vtimas do Mal de Chagas podero ter uma recuperao total. Ele aposta na associao do medicamento tirado da planta a outra tcnica em desenvolvimento:o tratamento com clulas-tronco. "Liquidaramos o parasita e, em seguida, as clulas-tronco regenerariam o tecido cardaco. O paciente passaria a ter uma vida normal", adianta Jairo Kenupp.

CHAZINHO DE VOV TEM PODER.

Faz tempo que a cincia estuda as plantas que o povo usa. Mas a Universidade de Campinas (UNICAMP) foi mais longe: levou a sabedoria da terceira idade para dentro da academia. Toda sexta-feira, um grupo de veteranos da vizinha cidade de Paulnia arregaa as mangas e bota a mo na terra do viveiro do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Qumicas, Biolgicas e Agrcolas (CPQBA). Sem se intimidar com tanta letra, vovs e vovs plantam mudinhas, aprendem novidades e, em troca, deixam brotar o que sabem sobre os remdios da natureza. Quando a mulher est na semana da TPM, toma ch de losna e no tem mais dores nem calores, conta a aposentada Alade Evangelista. Falam o que sabem, embora a gente no possa abusar do que sabemos. Um remdio caseiro ingerido em excesso pode prejudicar em vez de fazer bem. Tudo tem um meio termo, pondera a aposentada Elza Tiziani. Uso erva baleeira porque tenho artrose na articulao coxa-femural. Tira a dor mesmo, afirma a aposentada Marilene Bergamini. A erva-baleeira um santo remdio para os caiaras do sul do pas. Nos laboratrios da UNICAMP, a plantinha provou seu poder. Seria um antiinflamatrio, revela o bilogo Bencio Pereira. A planta pode curar, mas custa a virar medicamento. Para comear, precisa ser domesticada adaptada para o cultivo comercial. a misso do centro de pesquisas. A erva-baleeira j cresce na plantao experimental. Os pesquisadores retiram seu princpio ativo em uma espcie de destilaria. O extrato vai para uma indstria farmacutica que quer desenvolver um produto com o poder da plantinha do litoral. Usamos 400 quilos de folhas frescas para fazer um copo de leo. usado em concentrao de 1% para fazer o medicamento. Com esta quantidade, daria para fazer 300 frascos de remdio, calcula a agrnoma Glyn Figueira.

ERVA-MATE: ESTIMULANTE E DIGESTIVA.

Chimarro na cuia do gacho no tratamento. quase um vcio! Mas, sem saber, brasileiros do Sul podem estar bebendo da fonte da juventude. Teoricamente, quem toma erva-mate fica mais jovem. Porque os radicais livres formados no organismo so responsveis pelo processo de envelhecimento, e esses compostos tm habilidade de seqestrar esses radicais livres, explica a agrnoma Deborah Markwicz Bastos, Faculdade de Nutrio da Universidade de So Paulo (USP). Os ndios j usavam a erva-mate como estimulante e digestivo. E faziam muito bem, dizem duas pesquisadoras da Faculdade de Nutrio da USP. Confirmaram que o chimarro rico em cafena, estimulante do sistema nervoso, e possui tambm muitos compostos fenlicos substncias antioxidantes, boas para evitar o envelhecimento e controlar o mau colesterol. Alm disso, a erva-mate possui saponinas. As saponinas aumentam a defesa do organismo e, portanto, o mantm mais preparado para combater as infeces, diz a agrnoma Deborah. A sempre-viva outra planta que o povo botou no armrio de remdios. Agora, freqenta tambm os tubos de ensaio. Estudamos o potencial antiulcerognico da planta, ou seja, a capacidade de combater as lceras gstricas, explica a pesquisadora de farmacologia Mara Cola Miranda, a Universidade de Campinas (UNICAMP). Nas mos de estudantes de mestrado e doutorado da UNICAMP, a flor da sempre-viva seca, pulverizada e misturada com diversos solventes. Transformada em extrato, mostra uma de suas maiores riquezas: os flavonides. Os flavonides tm atividades antiulcerognica e antiinflamatria e poder de cicatrizao das leses gstricas, revela a pesquisadora. Os flavonides so defesas da planta que podem defender a sade do homem. A capacidade de curar lceras rapidamente foi comprovada em cobaias, que desenvolveram lceras induzidas pelos pesquisadores. A cicatrizao de quase 100%, anuncia a pesquisadora. Jovens cientistas semeiam suas carreiras com o estudo de plantas medicinais. Eles querem ver o pas colher mais medicamentos da natureza. Em pases desenvolvidos, os laboratrios pagam para ter a pesquisa e a droga. Aqui no acontece isso, comenta o pesquisador Anderson Luiz Ferreira. Em alguns modelos de induo de lcera, nossas drogas so at melhores que as j consagradas pelo mercado, ressalta a pesquisadora Fabiana Pimentel. Temos muitas substncias na nossa vegetao que no foram descobertas ainda. Se a gente no estudar, as pessoas de fora vo fazer isso, alerta o pesquisador Victor Barbastefano. As florestas, o Pantanal e o cerrado brasileiros tm mais de 55 mil espcies de plantas. So 22% de todas as variedades do mundo. Uma riqueza vegetal to grande que talvez nunca se chegue a conhec-la por inteiro. Nossa nica chance nasce do trabalho de cientistas, pesquisadores e mateiros. Que eles tenham tempo e apoio para fazer germinar todo esse potencial.

SEGREDOS DO PANTANAL.

No Pantanal, a vida exibe seu poder logo cedo. Na imensido verde, o homem se rende fora da natureza. O isolamento estica as distncias. Na regio no h mdico, no h hospital. So as plantas que curam. A vida segue no passo da boiada. Peo de comitiva passa semanas, meses no campo, tocando o rebanho. O cozinheiro tambm o curandeiro do grupo. Quando algum fica doente no meio do mato tem que apelar para raiz de taiui. Uso para dor no estmago e para gua ruim. Limpa a gua e o estmago tambm, diz o cozinheiro Lus do Esprito Santo. Albuquerque povoado antigo, tem quase 300 anos e 2 mil moradores. A farmcia mais prxima fica a 60 quilmetros, em Corumb. O mdico vai duas vezes por semana. Pantaneira de nascena, a dona de casa Ramona leite cria do cerrado. Aprendeu cedo os segredos das plantas. Conhecimento antigo, herana de famlia. Quando fico doente, vou ao quintal e colho as ervas para tomar. Vou ao mdico para certas doenas, porque s vezes somos obrigados. Mas, do contrrio, no vou, conta ela. A farmcia natural tem muitos segredos. Aqui tem bacaiva. Fervo gua, apago o fogo, coloco a planta dentro e abafo. Sai uma cor meio esverdeada. Coloco um pouquinho de acar e tomo para presso alta, ensina a dona de casa. Para dor no rim, o segredo outro. Caninha-do-brejo. Coloco na gua quente junto com o mate. Tira a dor e desinflama o rim, garante a pantaneira. A caninha-do-brejo um diurtico de uso comprovado pela cincia. J o broto da bocaiva ainda no foi estudado. Em So Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, remdio natural j vendido no posto de ervas medicinais. O Servio Nacional de Aprendizagem Rural ajudou a transformar as receitas caseiras em medicamentos. Usar plantas medicinais para curar os males do corpo um hbito que veio dos ndios. Isso muito comum entre as pessoas que moram no campo. E por que no levar esse costume para a cidade? Foi isso que fizeram mulheres em So Gabriel do Oeste. Um xarope expectorante feito com o broto da bananeira. Qualquer um pode faz-lo em casa. bom para tosse, gripe, rouquido, bronquite, diz Laci Motta, chefe de produo do posto. Cobre a panela com acar mascavo. Vai alternando camadas de acar com broto de bananeira, agrio, mil em ramas, hortel gordo. s acar e plantas, no contm gua, ressalta Laci. O xarope fica quatro horas no forno. Leva prpolis e um pouco de mel. Uma bioqumica supervisiona o trabalho. Uso nas minhas crianas, em mim, na minha famlia toda, e funciona, garante a bioqumica Vnia Vasques. Por ms, quase 200 pessoas vo ao posto comprar remdios e atrs de tratamentos curiosos. Minha audio estava fraca e por isso vim limpar o ouvido, conta o diretor de escola Srgio Ferreira. Meia hora depois... cera de ouvido, anuncia a enfermeira. assustador saber que tem tudo isso dentro do nosso ouvido. No doeu nada e estou ouvindo melhor, afirma Srgio.

FARMCIA VIVA.

Em Campo Grande, remdio popular vendido aos quilos no Mercado de Ervas. Mas em uma infinidade de razes e cascas, bom ter cuidado. Muito conhecida em todo o Brasil, a buchinha-do-norte usada para fazer inalao para sinusite. um medicamento que funciona, mas uma buchinha deve ser cortada em quase oito pedaos e usar uma parte pequena para fazer a inalao. Se for feita com uma dosagem um pouco maior, a inalao provoca queimaduras e at hemorragias, podendo levar o paciente morte, alerta o bioqumico Ronaldo Abro. As embalagens tambm so um risco criam fungos se as plantas no forem bem secas. Ervas colhidas perto de rios poludos, lavouras com agrotxicos ou lixes podem estar contaminadas. O ideal seria ter uma horta de plantas medicinais em casa. Cura uma dor de barriga, uma dor de cabea, orienta o bioqumico. Nem todas as pessoas tm o privilgio de ter canteiros com ervas medicinais no quintal de casa. Mas, a cada dia, muita gente quer buscar a simplicidade e resgatar a tradio de usar plantas para se curar. E por que no levar pequenas mudas e ter uma farmcia viva? No preciso muito espao. Basta um lugar com luz natural, como uma janela na cozinha da psicloga Elizabeth Raquel, no 10 andar de um prdio. Chego em casa cansada e relaxo tomando um chazinho de camomila. Alfavaca bom pra gripe e boldo para o estmago. O cuidado mnimo, mas nada que exija muito de voc. J o benefcio que a horta traz imenso, ressalta a psicloga.

MAGO DA FAMLIA REAL BRITNICA.

Na terra dos remdios base de flores, a medicina alternativa cada vez mais popular. Mas no s uma crena do povo. A famlia real tambm acredita no poder da natureza. Nos anos 80, o prncipe Charles chegou a revelar que falava com as plantas. Debochado pela imprensa, hoje ganha uma fortuna fabricando produtos naturais orgnicos. Quem o Rasputin do Palcio de Buckingham, o mago que alivia os males da famlia mais famosa do mundo? O nome dele Mosaraf Ali, um mdico indiano que cura seus famosos pacientes com uma boa massagem e uma simples xcara de ch. Polticos, duques, sultos e reis procuram este mdico, que olha o passado para curar as doenas de hoje. Fiz medicina na ndia e ganhei uma bolsa de estudos para estudar na Rssia, conta doutor Ali. Em Moscou, descobri que os mdicos estavam fazendo pesquisas a portas fechadas em acupuntura, telepatia, fotografia da aura e remdios base de ervas. Hoje, na sua clnica em Londres, analisa o paciente, observando o pulso, a lngua, as unhas e o cabelo. Dieta, ioga e meditao reforam as massagens e os remdios base de ervas indianas e europias. As ervas so muito poderosas, explica doutor Ali. Todo mundo sabe o efeito do alho e do gengibre no corpo, mas existem muitas outras. Agora, por exemplo, todo mundo est falando sobre o taxol um remdio feito com o extrato da rvore teixo do Pacfico, que inibe as clulas cancergenas, principalmente as de cncer de ovrio. Doutor Ali acha que usar as ervas na medicina exige muito conhecimento. Toda planta tem o ativo e o antdoto. Se tira apenas o ingrediente ativo da erva, pode ter efeito colateral, alerta ele. Doutor Ali conhece poucas ervas brasileiras porque no so encontradas facilmente na Europa. Na farmcia da mais famosa clnica de medicina alternativa de Londres, a Clnica Hale, possvel encontrar o guaran, o pau d'arco e a unha-de-gato. Mas, o prpolis verde, por exemplo, no. O mesmo acontece em drogarias comuns, onde os remdios base de ervas so vendidos juntos com os qumicos. Na Floresta Amaznica existem milhares de ervas, mas como fazer para patente-las? Antes de tudo, os cientistas precisam conhecer as plantas e saber como us-las, conclui doutor Ali. Acredita ainda que a cura do cncer sair da floresta e que o povo deveria saber mais sobre as ervas. Mas, de acordo com ele, a medicina prefere manter este conhecimento apenas para ela porque seno todo mundo vai usar ervas do jardim e parar de ir ao mdico. Quem pode argumentar que uma xcara de ch de gengibre no reanima? Ou que um ch de hortel fresco no relaxa e alivia a acidez do estmago?, questiona ele. Doutor Ali se despede para ir ao Palcio de Saint James sem revelar que erva usa no ch do herdeiro do prncipe de Gales.

GLOBO-REPRTER: EXCESSOS NO ESPORTE19 DE NOVEMBRO DE 2004.

PELADEIROS DE FIM DE SEMANA.

Meia, chuteira, camisa. Uniforme completo. O assistente tcnico Lcio Fernandez est pronto para entrar em campo. a grande fora da defesa, tarefa que pede preparo fsico e muito flego. Desafio para quem tem 48 anos e confessa ser um bom fumante. E ainda tem uma barriguinha que revela: Lcio est longe de ser um exemplo de atleta em plena forma. Tambm pudera! O jogo s no domingo. S uma vez por semana. O servio no d tempo, muito agitado, diz Lcio. Atletas de fim de semana como Lcio correm um grande risco. O professor de educao fsica Roberto Carneiro acompanhou as reaes de jogadores de futebol society em quadras de So Paulo. Todos so gordinhos e tm, em mdia, 41 anos. Lcio passou pela mesma avaliao. Recebeu um medidor de freqncia cardaca para usar em campo. O relgio registrou quantas vezes por minuto seu corao batia enquanto estava jogando. Antes mesmo de comear, o marcador mostrou batimentos altos: 103 por minuto. Lcio entrou em campo e o relgio comeou a marcar. A partida pegou fogo. Lcio correu, chutou forte, se esforou. E o relgio, a cada cinco segundos, gravava tudo. No banco de reservas, outros jogadores esperavam a vez de entrar. No aquecimento, um golinho, uma tragada! E chegou a hora da substituio. Depois de 20 minutos em campo, Lcio encerrou o teste, cansado e curioso. Est bom ou ruim?, perguntou ele. Teve uma mdia de freqncia cardaca durante esse perodo de 160 batimentos por minuto e um pico mximo de 175 batimentos por minuto, revelou o professor Roberto. O corao bateu forte demais. Mesmo assim, deu tudo certo. Mas h pouco tempo Lcio sentiu o peso da vida sedentria. "Quando cheguei na quadra dei dois piques e j senti a coxa. No teve mais jeito de continuar. Passei remdio e melhorou. Estou de novo na ativa", conta Lcio. No estudo que fez com outros jogadores para uma tese de mestrado na Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP), o professor Roberto chegou a dados preocupantes: 90% deles foravam tanto o ritmo que corriam o risco de ter problemas no corao. A maioria tinha batimentos altos, como os registrados no teste de Lcio. como um carro que pode andar a 150 quilmetros por hora e fica forando-o a andar a 180, 200 quilmetros por hora. Chega um momento em que vai reclamar, no vai suportar, compara o professor Roberto. Isso pode ser modificado. Se comear a aumentar o nmero de atividades fsicas por semana, pode ter um condicionamento fsico melhor e at preparar o corao para suportar esse tipo de trabalho, orienta o professor. Bom, mas na hora que o jogo acaba, ningum quer pensar nisso. hora do melhor da festa: lingia, cerveja, farra com o pessoal. E algum quer ouvir falar em exame mdico? "Nunca fiz. No tenho medo, no acredito que v acontecer alguma coisa, comenta o representante comercial Joo Vicente de Campos. E foi o futebol tambm, esse amor que parece que nasce com todo menino brasileiro, que acabou levando Daniel Lutfi para a mesa de operao. Dono de uma loja de roupas em So Paulo, jogava nos finais de semana e fazia musculao. Tudo sem orientao e com um certo exagero. Resultado: o joelho no agentou. Chegou uma hora em que a dor estava insuportvel, e fui procurar um mdico. Houve um desgaste na cartilagem e por isso tive que operar, conta o comerciante. No ano passado, quis retomar a vida de atleta. Escolheu musculao e boxe, mas repetiu os erros. Fazia um peso, achava que estava leve e, em vez de chamar o orientador profissional, aumentava por conta prpria. Achava-me o forto. S que depois, no dia seguinte, no conseguia andar, lembra Daniel. E l foi ele, de novo, para a mesa de cirurgia. Tentei enganar o professor, mas, na verdade, enganei a mim mesmo. Aprendi a lio, agora tomo jeito, afirma Daniel. Essa obsesso por treinos, marcas e corpos cada vez mais perfeitos, fica ainda maior nesta poca do ano. A hora agora. O vero est a e todo mundo quer ficar com o corpo em forma para usar pouca roupa, ir praia e desfilar no carnaval. Mas preciso muito cuidado. Os mesmos exerccios na academia que podem modelar msculos podem tambm causar leses muito srias. O objetivo est claro: perder, em pouco tempo, os quilos e as dobrinhas acumuladas no inverno. E d-lhe peso, suor, esforo. Dobra a perna, estica o brao, encolhe a barriga. A ordem queimar calorias. Mas sem descuidar do jeito certo de fazer cada exerccio. O ortopedista Rene Abdalla, especialista em medicina esportiva, diz que para modelar o corpo nos aparelhos, preciso ateno. Um exerccio simples, feito de forma errada, pode ter graves conseqncias. Dobrar muito os joelhos aumenta a presso da rtula contra o fmur. A mdio e longo prazo, comea a dar dor nos joelhos, diz ele. Todo mundo acha que o msculo tem que ser forte. O msculo no tem que ser forte, tem que ser equilibrado. No s fortalecer alongar, fortalecer e balancear, que a palavra-chave quando se trata de exerccios envolvendo grupos musculares.

DANOS SADE.

O exagero nunca faz bem a ningum, muito menos quando se trata de mulher e esporte. Malhar demais pode resultar at em uma doena conhecida como Trade da Mulher Atleta. A professora de educao fsica Elaine Pinto conhece bem as conseqncias do excesso de treinamento. Disputava campeonatos de aerbica. Chegava a treinar de manh, tarde e noite. Acaba no tendo limite, acha que tudo muito pouco. Fazia e queria mais e mais. No parava, conta Elaine. O corpo comeou a reclamar. Primeiro veio a insnia. Depois, a falta de apetite. Por ltimo, o sinal dos hormnios: falhas na menstruao. Comeou a atrasar 15, 20 dias. Teve um ms que parou, no veio. Foi quando disse que havia alguma coisa errada. Mas nunca associei que o erro era a atividade, diz Elaine. Mas era. Alm de distrbios alimentares como anorexia e bulimia e problemas na menstruao, a Trade da Mulher Atleta tambm pode provocar doenas como a osteoporose, o enfraquecimento dos ossos. At uma certa intensidade adequada e prescrita de forma gradual e progressiva , o exerccio extremamente benfico para fortalecer os ossos. A partir de uma certa intensidade, comea a seqestrar clcio dos ossos e provocar fragilidade, explica Turbio de Leite Barros Neto, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Fsica e do Esporte da Universidade Federal de So Paulo (CEMAFEUNIFESP). Mas no pensem os homens que esto livres dessa doena. Assim como a mulher pra de menstruar, se o homem fizer exerccio em excesso, a produo de espermatozides diminui e muitas vezes at interrompida. Ento, h quadros de queda de fertilidade no homem que pratica exerccio em excesso, alerta o coordenador do CEMAFE. A Trade da Mulher Atleta tem cura, mas preciso pisar no freio diminuir o ritmo dos exerccios ou, s vezes, at parar por um perodo tempo necessrio para que os hormnios voltem aos nveis normais. Foi o que Elaine fez. Hoje, formada em educao fsica, treina, d aulas, est em plena forma. Tudo na medida certa. A esttica no pode falar em primeiro lugar. Primeiro vem a qualidade de vida e depois a esttica. Porque se faz uma atividade visando qualidade de vida, obviamente a esttica vai vir, no tem jeito, conclui Elaine.

ATLETAS COMPULSIVOS.

Quanto mais suor, melhor. assim que a funcionria pblica Karla Cndido Pessoa se sente feliz. O corpo precisa estar trabalhando, se exercitando. Mas o turno de atividades passa longe do normal: quatro horas por dia, a semana inteira. Comea com musculao. Peso logo cedo! Depois, uma hora de esteira. Mas em um pique de dar inveja a muito atleta. E com um detalhe: o p direito est torcido. E no acabou. Ainda falta ginstica localizada, com 12 quilos em cada perna. como se o corpo fizesse hora extra e depois reclamasse. "No final do dia estou totalmente acabada, um bagao", conta Karla. "Sinto que estou errando, mas cad a soluo? uma coisa mais relacionada cabea do que ao corpo. O cansao muitas vezes j minou a resistncia, trouxe doenas. Mas ainda assim, o exagero foi levado s ltimas conseqncias. "Dois anos atrs peguei meningite. Mesmo doente, vim correr. Fui parar no hospital e a doena foi detectada", lembra Karla. Karla j percebeu os sinais do corpo, mas no consegue se controlar. "Acho que uma doena mesmo, uma coisa meio compulsiva. Uma coisa de dentro e que no consigo parar, diz ela. "Considero-me compulsiva. De uma coisa emendo na outra, passo o dia inteiro assim." E esta ansiedade desmedida que as mos da terapeuta acupunturista Paula Gribel Mansul tenta diminuir. Karla buscou ajuda na medicina chinesa. A compulso por exerccios pode trazer sintomas desagradveis porque vai sempre ir alm do que seu corpo permite, vai trabalhar indiscriminadamente sem ter uma conscincia corporal, sem ter uma viso voltada para seu corpo especificamente", avalia a terapeuta. "Estou tentando controlar e vou conseguir, tenho certeza, afirma Karla. Minha meta sempre menos. Exagerar na carga muito mais comum do que se imagina. E fcil perceber quando se est passando do limite. A pessoa tem mais dificuldade para dormir, em alguns momentos, sofre de tonteira, nuseas, tem excesso de cansao para realizar as atividades dirias, a capacidade intelectual tambm cai, a pessoa fica mais irritada", descreve o mestre em biocincias Andr Leta. Mas ningum est livre de achar que pode suportar mais do que est habituado. O risco de extrapolar to tentador que mesmo quem disciplinado, s vezes escorrega. O publicitrio Hugo Lamberg Mendona, jogador de futebol americano, s treina musculao acompanhado por um profissional. Sempre achou que sabia a hora de parar, de descansar os msculos. At se esquecer dessa regrinha bsica. "Fui a uma festa em uma boate e fiquei danando em p. No dia seguinte, acordei cedo e fui jogar bola com meu pai. Entrei sem aquecer. No primeiro pique que dei, meu msculo estirou, e fiquei com um hematoma enorme na coxa. Levei dois meses para me recuperar, conta Hugo. Mas qual a medida exata, o tempo ideal de malhao? A regra seguir sempre a individualidade: o que serve para um nem sempre faz bem ao outro. Todos os especialistas concordam que preciso ter equilbrio, bom senso, estar atento aos sinais do corpo para no pagar um preo alto demais. O professor universitrio Ricardo Vigna conhece bem a tabela de preos cobrada pelo corpo. As leses na coluna lombar e no joelho restringiram a vida do ex-maratonista, ex-jogador de vlei de praia, ex-capoeirista e ex-jogador de tnis. No tinha orientao profissional, era mais por paixo de ver as outras pessoas praticando e pela idia que est no ar de que a gente deve praticar esporte, conta o professor. Foram mais de 30 anos praticando esportes dessa forma. Depois de acumular contuses, no teve jeito, Ricardo precisou abandonar todas as suas paixes definitivamente. "Estou pagando um preo, que olhar os outros e ficar na vontade, lamenta. Hoje, enquanto d as braadas na piscina, nico exerccio autorizado pelo fisioterapeuta, o professor universitrio se lembra de todos os enganos que cometeu desde a adolescncia. "Muitas vezes estava chegando na praia sem nenhum aquecimento. Os colegas me chamavam para formar uma dupla e entrava sem nenhuma preparao. No pensava que isso iria prejudicar meu corpo, diz Ricardo. " muito arriscado e no recomendvel agir dessa maneira. Sempre importante buscar um profissional na rea de educao fsica que seja especializado na rea do treinamento desportivo, orienta o professor de treinamento desportivo Csar Couto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O EXEMPLO DE FERNANDA KELLER.

Se equilbrio fundamental, o corpo de Fernanda Keller agradece o cuidado. Em 18 anos de competies pelo mundo afora como triatleta, no houve um s momento em que ela precisasse parar por causa de leses ou por ter cometido exageros. E em triatlo, o prprio limite j parece um exagero. "Normalmente pedalo de trs a quatro horas de manh. Em seguida, fao uma hora e meia de natao. Fao musculao de duas a trs vezes por semana e corro trs horas, de trs a quatro vezes por semana, conta a triatleta. E isso s a preparao normal. Em pocas de competio, chega a treinar oito horas por dia. Mas se o corpo pede descanso, Fernanda respeita. " fundamental saber parar, saber qual a hora de descansar. O organismo precisa de um tempo para assimilar o exerccio. Saber dosar o descanso com o esforo faz o organismo obter um resultado muito melhor, avalia. Entre as triatletas mais famosas do mundo, Fernanda a que permanece por mais tempo entre as dez mais bem colocadas do ranking e, aos 41 anos, ainda tem a melhor performance na competio de Iron Man, uma das modalidades mais exaustivas entre todos os esportes. Para quem olha de fora, parece quase impossvel que algum consiga correr uma maratona de 42 quilmetros, pedalar 180 quilmetros e ainda nadar quase quatro quilmetros, tudo em uma mesma competio, que chega a durar 10 horas seguidas. Em 18 anos, Fernanda s no subiu ao pdio duas vezes. E sempre com um rendimento de impressionar. "Graas a Deus, concluo uma prova inteira. Nunca cheguei em uma prova cansada demais ou me arrastando. Tenho essa facilidade desde o incio, conta. Desde o comeo da carreira vem sendo treinada pelo ex-colega da faculdade de educao fsica Marcelo Borges. O entrosamento entre eles tanto que os dois aprenderam juntos, e hoje em dia sabe exatamente o que fazer para que Fernanda tenha um bom desempenho. "A gente comeava com um volume grande de treinos e, com medo de errar, fazia mais. Com o tempo, a gente teve estudos e a cincia do esporte melhorou muito. A gente veio diminuindo o treino para melhorar a qualidade de vida dela e diminuir o desgaste fisiolgico e muscular, revela o treinador. O resultado de tanta disciplina, de tanto cuidado, que o tempo no trouxe desgaste. a certeza que Fernanda tem de ter agido da forma correta. "Nada na vida que compulsivo bom. Temos que procurar o equilbrio. Sei que muito fcil falar, mas acho que a grande procura. Hoje em dia as pessoas esto procurando ter esse balano para conseguir curtir a vida, praticar esporte, trabalhar, namorar, comenta a triatleta.

CAMPEES DA VIDA.

Quem poderia imaginar um brasileiro no pdio de uma maratona olmpica? Para o ex-bia-fria Vanderlei Cordeiro de Lima, era um sonho inatingvel. At se transformar em realidade, nas passadas certeiras do atleta. Maring, norte do Paran. Na cidade, o rapaz que chegava de Tapira, um municpio com apenas 6 mil habitantes, ganhou uma chance para mudar seu destino de lavrador. Um vestirio em precrias condies, pouco iluminado, quase sem ventilao. Um alojamento modesto. Vanderlei enfrentou dificuldades, passou noites de frio. Para o bia-fria que foi para a cidade, o emprego de zelador j era uma grande conquista, mas foi ali que as portas se abriram para outros sonhos. Vendo atletas treinando todos os dias, competies sendo realizadas, o zelador Vanderlei percebeu que podia ir longe. E foi. Minha cama sempre ficava no cantinho. Hoje est bem melhor, tem forro. Antes, no tinha e por isso ventava muito. No inverno era muito frio. Mas passei por essa, graas a Deus, diz o maratonista. Hoje, na casa do atleta Vanderlei, medalhas e trofus esto por toda parte. O primeiro, que ganhou aos 15 anos, divide a estante com os mais importantes. No comeo da carreira, ganhar trofu era a coisa mais importante. Minha ltima conquista foi o bronze em Atenas, a mais importante de todas, comemora Vanderlei. A rotina de treinamento comea cedo, na varanda de casa. Rotina de campeo, marcada minuto a minuto. Odair Jos Fernandes, assistente e amigo, est sempre ao seu lado. aprendiz de corredor. So 35 quilmetros por dia, todos os dias, na cidade e fora dela em estradas de cho, entre lavouras de caf. Para Vanderlei, uma volta ao passado, quando as corridas no meio das plantaes ainda eram brincadeira de criana. Odair tambm j passou dessa fase. Aos 20 anos, corre com os olhos no futuro. Quero ser um vencedor. Quero lutar, ser um maratonista. Se Deus quiser, vou ser um maratonista, afirma. Repete os sonhos que um dia j foram do mestre. Estou seguindo os passos dele. Fala que s depende de mim, tenho que treinar, diz o jovem. Acho que vale a pena ter um sonho na vida. A gente vai em busca dele e acaba realizando, conclui Vanderlei.

APLAUSOS PARA A VIDA!

A cada gol marcado, o centro-avante Washington Cerqueira, do Atltico Paranaense, bate a mo no peito e comemora muito mais que um novo gol. H dois anos, a trajetria do atual artilheiro do Campeonato Brasileiro quase chegou ao fim. Uma artria do corao estava entupida, conseqncia do diabetes, descoberto seis anos antes. A sobrecarga de esforo fsico poderia lev-lo morte repentina. Mas como convencer um atleta de 27 anos e no auge da carreira a abandonar a profisso? Propusemos para ele fazer um tratamento que seria uma alternativa de possibilidade para jogar futebol. Mas que requeria confiana, pacincia e disciplina, conta o mdico Constantino Constantini. Confiana nos mdicos, disciplina para seguir risca o tratamento e pacincia para esperar pelos resultados. Usando as mais avanadas tcnicas cirrgicas do mundo, uma finssima malha de ao foi implantada por dentro da artria e o entupimento removido. Em seis meses o atleta estar em perfeitas condies. No tem nenhuma alterao funcional no corao. Como proibir sua prtica esportiva?, comenta o mdico. Quem v Washington na convivncia com os companheiros de time no imagina que durante um tempo ficou longe disso. Viveu momentos de extrema solido. Treinou sozinho, tentando provar para si mesmo e para os outros que ainda era capaz de jogar. Liberado pelos mdicos, Washington retomou os treinos lentamente. Uma recuperao do corpo guiada pela fora da alma. Tive muita f em Deus e acreditei muito em mim mesmo. S eu conseguiria superar aqueles problemas, ningum mais, ressalta o jogador. Isso faz a gente acreditar que, quando temos perseverana, constncia e confiana, podemos chegar longe, diz o mdico. Passado o susto, o corao do guerreiro sai fortalecido. Para os mdicos, muito mais do que o da maioria dos torcedores. De nada adianta continuar falando de Washington e outras pessoas famosas se no falarmos de preveno, porque ele no como muitas outras pessoas que esto com problemas coronrios e esto morrendo, e no sabemos porque no tm a exposio do jogador. Temos que educar, que o jovem tambm pode ser um portador de hipertenso, de diabetes, de colesterol e que isso vai ser descoberto com 40, 50 anos, quando o indivduo j tem uma catstrofe no organismo", alerta o mdico. Vencendo dificuldades, driblando contratempos. Quis o destino que nos caminhos de Washington e do maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima tivesse tanta pedra. No contava que a vida do atleta feita da busca pela superao. Acho que o esporte abre as portas para tudo. No s do ponto de vista competitivo, mas tambm para o bem-estar, avalia Vanderlei. Acho que importante no perder a esperana e acreditar. Que vejam no s no meu exemplo como em vrios que existem que tem muitas coisas maiores e piores que muita gente consegue superar, conclui Washington. Depois desse problema, aprendi muita coisa, a dar valor vida.

RECEITA DO EQUILBRIO.

Envelhecemos a cada minuto desde que nascemos. Mas quando somos pequenos, parece que o tempo demora a passar. H pressa apenas para as brincadeiras. O que as crianas tm de curiosas tm de agitadas. E assim elas se exercitam, sem cansao, nem dores musculares. Energia o que no falta. Mas quando amadurecemos, as brincadeiras, muitas vezes, so substitudas por ocupaes rotineiras e sedentrias. E toda a energia da infncia quase desaparece. "Pura preguia. Achava que o meu trabalho era muito mais importante, ento dedicava-me exclusivamente ao trabalho e famlia", conta o engenheiro eletrnico aposentado Jaime Szajner. A escolha pesou na coluna e no corao. Resolvi que precisava pensar um pouco mais na minha sade, de tal forma que pudesse viver mais para conhecer meus netos e, quem sabe, meus bisnetos, diz Jaime. Hoje, trs vezes por semana, nada ou caminha. "A diferena bastante grande, Hoje, tenho condies de andar cinco quilmetros e sair vivo. A primeira vez que comecei, consegui andar 300 metros e sa quase morto", lembra. Para cada um de ns o tempo passa em um ritmo diferente. Na corrida para retardar o envelhecimento, vence quem se cuidar melhor. E, segundo especialistas, isso implica em movimentar o corpo. Mas para quem ficou um longo tempo parado, qualquer corridinha parece uma maratona. ... Chegar fase adulta sedentria sobrecarrega o corao. Homens e mulheres com mais de 40 anos descobriram as atividades fsicas em um programa de treinamento desenvolvido pela Universidade de Campinas (Unicamp). Durante trs meses, praticaram exerccios localizados e aerbicos. "Todos os voluntrios que participam dos projetos tm melhora na funo cardiovascular, ganham resistncia muscular localizada, especialmente fora para as atividades de rotina", revela a pesquisadora Mara Patrcia Mikahil. No precisaram esperar o resultado dos testes para perceber as mudanas. "Tinha muita dor no ombro, que ia at o cotovelo. Agora, depois do fortalecimento com os aparelhos, no tenho mais dor", afirma a dona de casa Rosa do Esprito Santo. "Voc no v os anos que passaram e sim o que quer atingir l na frente. Se chegar aos 90 anos assim, est muito bom", comenta a enfermeira Alade Autran. Ivo Magnani foi alm. Deixou o sedentarismo e a hipertenso para trs. Aos 55 anos, o ex-tcnico industrial se tornou maratonista. "Tem tudo a ver com sua prpria auto-estima. Descobri a forma de gostar de mim praticando esporte. Sinto-me bem, tenho bom humor, trato melhor os outros, coisa que no fazia at ento, conta. Nosso organismo funciona como uma mquina complexa. Se no movimenta, enferruja. Se usa demais, desgasta as peas. A recomendao dos mdicos para manter o corpo saudvel evitar excessos, encontrar o equilbrio. O rendimento e as vitrias conquistadas em quadra exigiram que a ex-jogadora de basquete Paula treinasse at seis horas por dia. "Foram 28 anos agredindo bastante o corpo, porque quando fazemos um esporte de alto rendimento, de alto nvel, estamos sempre buscando ir alm do limite do corpo", comenta Paula. A despedida do basquete h cinco anos foi tambm um adeus musculao. O condicionamento fsico agora mantido com aulas de pilates, alm de caminhada e corrida. "Hoje sei o que qualidade de vida, o que bom para mim", diz ela. Mas no caso do ex-jogador de futebol Chico, foi justamente a vida de atleta que ajudou na recuperao do infarto, seguido de derrame, h cinco anos. "Sem dvida nenhuma, pegar um organismo adaptado ao exerccio facilita. Alm disso, a perseverana dele, a vontade de recuperao, o costume de fazer exerccios a vida toda, facilitou e muito, ressalta o mdico Alberto Liberman, cardiologista de Chico. Perguntava para o mdico se iria jogar bola, correr, porque no queria parar de forma alguma. Falou que na seqncia ia poder fazer tudo. Ento, estou feliz, comemora Chico. O atacante, medalhista olmpico em Los Angeles, leva hoje uma vida normal. E no deixou de praticar exerccios todos os dias ao lado da mulher, a gerente de loja Maria de Ftima Vidal. "A gente cultiva tanto andar quanto amar. No podemos deixar nada morrer", diz ela. A paixo tambm faz bem para a sade? Com certeza, afirma o casal. A histria de Chico virou exemplo para os alunos da escolinha de futebol onde d aula. "Se ficar muito tempo parado, seu corpo vai perdendo energia, diz o estudante Jlio. "No pode desistir da vida, tem sempre que seguir em frente", acrescenta Felipe. E se for um caminho saudvel, d at para resgatar o que ficou l atrs, perdido no tempo. "A gente sai daqui como criana. Eu, pelo menos, saio com um pique que nem me reconheo, cheia de energia", garante a dona de casa Benedita Maria Sontag.

ACERTANDO O PASSO.

Quinze, dezesseis horas por dia. E eles, presos, equilibrados, apertados! Por necessidade ou vaidade, o tratamento que a maioria d aos ps. Logo eles, que so fundamentais nesta poca do ano, quando uma multido caminha rumo ao mesmo destino: um corpo saudvel e em forma para exibir no vero. tempo de andar pelos parques e praas da cidade. Mas muitos no se do conta de que o caminhar, uma atividade que parece to simples, tem segredos que, se no conhecidos, podem provocar problemas sade. Ento, preciso acertar o passo. Foi no comeo de um vero que Romano Botin comeou a sentir dores. O empresrio aposentado, que tinha passado a vida dentro de um escritrio, descobriu que precisava de preparo nos ps para enfrentar os dias de folga. "A dor comeava no calcanhar. Na parte dianteira da sola do p, junto aos dedos, era insuportvel. Quando colocava no cho, parecia que dava choque", conta Romano. A palma do p um retrato da sade do corpo. Um exame detalhado mostrou que Romano sofria de encurtamento dos tendes. Era tanto aperto provocado pelos sapatos que os ps dele perderam a mobilidade. "Faltaram exerccios", constata o mdico que avaliou o resultado do exame. Pontos que piscam mostram a presso que os ossos dos ps fizeram sobre os sensores da esteira. Mesmo parados, movimentaram-se o tempo todo. por isso que ps que passaram um longo tempo trancafiados tm os msculos fracos e podem sofrer muito com a chegada do vero. Para Romano, a cura veio com o reforo da musculatura dos ps e muito alongamento. O mdico Celso Gomes, doutor em ortopedia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), observou duas jovens caminhando. Esto caminhando relativamente bem, nota-se que uma delas est um pouco mais solta que outra, avaliou o especialista. Estou comeando agora, contou a jovem menos descontrada. O mdico Celso Gomes explicou-lhe que a caminhada com amigos a melhor forma de comear, mas os mais experientes que devem baixar o ritmo. "No force sua maneira, vai aumentando gradativamente. Com isso, vai ter o prazer e vai entrar para o clube dos caminhadores e corredores, orientou. O mdico tem o olho treinado para identificar excesso ou falta de movimentos que podem trazer problemas futuros. "Membros superiores com movimentos muito rpidos podem provocar cansao e dor", alerta. E andar de mos dadas com o cachorro na guia? "A pessoa perde a harmonia da movimentao do corpo", diz o mdico. "A caminhada perfeita a que a gente executa todos os movimentos no forados, absolutamente espontneos e soltos. Esse o melhor andar." O mdico sugere alongamento para o corpo fora de forma. Camila tem apenas 10 anos e j sabe disso. "Fao exerccios para no doer depois da caminhada. Minha me me ensinou, conta a menina. Sbia Camila. A caminhada no pode se resumir a um vero. O empresrio Eugnio Machado j passou por muitos. Sempre no passo certo. "Caminho 45 minutos, em mdia, por dia. Sinto-me muito bem durmo bem, fao tudo bem", garante ele. Com alguns cuidados, d para praticar sem problemas esta atividade fsica que a mais antiga e a mais completa. E se faz bem para o corao, para os pulmes, imagina o que no faz para a cabea.

GLOBO-REPRTER: SADE COM PRAZER26 DE NOVEMBRO DE 2004.

COMBATE AO ENVELHECIMENTO.

Na praa, na feira-livre e no laboratrio de pesquisas. A melancia uma fonte de vida fresca e doce. No corte afiado, mos delicadas revelam mais um avano cientfico. Em um laboratrio da Universidade de Campinas (UNICAMP), a engenheira de alimentos Kathleen Fullin acaba de descobrir novas frmulas extradas da generosa fruta, que brota nas quatro estaes das terras brasileiras. Alm de gostosa, o que tem? Madura, viva, cor de sangue. Sangue novo, capaz de proteger milhes de clulas! "Esse vermelho exatamente o licopeno!", conta Katlhleen. Encontrado nos frutos vermelhos, o licopeno cada vez mais admirado pela cincia. Pode ser na melancia, no tomate. O licopeno mais do que uma dose de esperana. Por que ser? "Atua no combate aos radicais livres. bem interessante para preveno de cncer, especialmente o cncer de prstata", revela a pesquisadora. Experimentei com iogurte natural, sorvete de morango, iogurte de frutas vermelhas. possvel aplicar licopeno no s em produtos com o gosto caracterstico da melancia como tambm em papinha de beb. "Todo paciente um agente da sua prpria cura", comenta a empresria Clarice Shein, enquanto saboreia sua sopinha de tomate. Clarice provou e gostou. Agora testa o tomate como remdio no tratamento do cncer de mama. "Precisava reforar meu organismo porque sabia que passaria por uma cirurgia e, depois, por uma quimioterapia. Tive que fazer a retirada total da mama", conta a paciente. "Senti muitas mudanas. Meu cabelo cresceu muito rpido. Haviam me dito que levaria quatro meses depois da ltima quimioterapia para que comeasse crescer, e j cortei duas vezes. No tive enjo, no tive nada", afirma. "A gente observa que, quando as pessoas comeam a ficar mais conscientes da sua alimentao e dos seus hbitos de vida, passam a ter outra atitude perante a vida. Aproveitam o histrico do cncer para dar uma grande virada. No incomum as pacientes dizerem que a vida melhor depois do cncer", conta a mastologista Maira Caleffi. "Encontramos licopeno basicamente no tomate. No tomate cru, a absoro muito pequena. melhor no tomate cozido ou colocado no forno, no frito. Se colocarmos um pouquinho de azeite de oliva, damos um toque especial, ensina a mdica. Acredito que o licopeno, sendo ingerido de forma muito maior do que estamos fazendo, pode ajudar a diminuir o risco de cncer de mama e de outros cnceres tambm. Porque um anti-radical livre potente que, se ingerido de forma correta, ajuda na diminuio de risco. Todos os cnceres esto aumentando hoje em dia em funo do nosso hbito de vida, principalmente por causa da alimentao. Precisamos mudar alguns hbitos, para favorecer toda essa energia que a terra e os alimentos podem nos dar." O supertomate. A cincia tambm se aproxima do tomate perfeito. Um fruto bonito, firme e carregado de licopeno. O interesse cada vez maior das pessoas em consumir alimentos que previnam doenas fez do tomate biofortificado um sucesso. A novidade mal saiu do laboratrio e j foram plantados 1 milho de ps. Agora, o supertomate est virando produto de exportao e comea a ser vendido para o Mxico. Somos testemunhas do nascimento do supertomate brasileirssimo, gerado em uma estufa, em pleno cerrado de Braslia. "A gente prepara a fmea para receber plen que vem de outra planta", explica Leonardo Giordano, engenheiro agrnomo e geneticista da Embrapa. "Fizemos o cruzamento de um tomate rico em licopeno e pouco resistente a doenas com outro, bastante resistente. Fizemos o cruzamento desses dois tipos de tomate e obtivemos um material com resistncia a doenas e com alto teor de licopeno." Esta a razo de tanto empenho dos cientistas da Embrapa. Dez anos de pesquisa e eis que nasce o filho prdigo: o supertomate, mais resistente a doenas e mais rico em licopeno. "Como antioxidante, previne cncer de ovrio e prstata e tambm reduz o colesterol, tendo ao em doenas cardiovasculares", revela a engenheira agrnoma da Embrapa Maria Esther Fonseca. "Hoje muito importante que o tomate tenha qualidade de tomate, sabor de tomate e cor do tomate", ressalta Leonardo Giordano. "J experimentei. saboroso, garante o produtor de tomates Altair Mattos. Bala em forma de corao, papinha de nenm, sorvete, iogurte, melancia sozinha, com ameixa ou com frutas vermelhas. Nada de corante e muito licopeno concentrado. "A melancia tem mais licopeno do que o tomate comum encontrado no mercado. Alm disso, a gente faz um processo de concentrao. Nosso produto muito mais concentrado", diz a engenheira de alimentos Kathleen Fullin. Melancia ou tomate? Que tal os dois? Nunca demais em se tratando de sade. "Nossa preocupao nos ltimos anos colocar alimento saudvel na mesa do consumidor brasileiro, diz Leonardo Giordano. Depois do supertomate, nossos incansveis cientistas esto buscando agora o tomate do futuro. "O tomate do futuro vai combinar licopeno, betacaroteno e vitamina C. Vai ser uma salada em um s fruto. Em cinco anos vamos ter este tomate", anuncia o engenheiro agrnomo da Embrapa Leonardo Boiteux. "Todo mundo est querendo conservar a sade. Ento, vamos comer tomate, sugere Altair Mattos. Tomate e melancia de todas as formas!

CAFEZINHO: INSTITUIO NACIONAL.

Na casa de Benedita Noronha, um cafezinho sempre bem-vindo. Ela e os filhos so apaixonados por caf. A cada rodada, faz um litro. Sou um alcolatra do caf, brinca o autnomo Dario Traversin. Na casa de Benedita, no bar ou no balco da padaria, o cafezinho uma instituio nacional. Simples ou sofisticado, tem lugar garantido entre os hbitos do brasileiro. E bebemos cada vez mais caf. O consumo anual de quase quatro quilos de p por pessoa. Isso quer dizer que, em mdia, cada um toma 60 litros de caf por ano. O aroma to sedutor que a gente comear a apreciar o caf antes mesmo de sentir o gosto que tem. Quentinho, servido na hora, quanto prazer cabe em uma xcara! Alm de saboroso, o cafezinho tambm estimulante, ajuda a nos manter acordados, bem dispostos. O que nos tira o sono so os estudos que relacionam a bebida a algumas doenas. Mas, agora, os pesquisadores esto descobrindo que, em doses moderadas, o caf pode at fazer bem sade. A pesquisa foi feita pelo Servio de Nutrio da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal do Estado de So Paulo (UNIFESP). Durante trs meses, 60 pacientes que precisam controlar o colesterol foram submetidos a um tratamento especial. Todos os dias, tomaram a mesma quantidade de caf: seis copinhos, o que equivale a 300 mililitros. Na primeira etapa, o caf foi preparado com filtro de papel; depois, com coador de pano. A boa notcia para os participantes do estudo que nenhum deles teve aumento nos nveis de colesterol. O cafezinho moda antiga, feito pela vov, melhor do que o caf de mquina porque este no consegue filtrar nem reter substncias, diz a nutricionista da UNIFESP Rosana Perim Costa. As substncias do caf que fazem mal ao corao so conhecidas como cafestol e kahweol. So gorduras que resistem ao processo que torra e mi os gros. De acordo com a pesquisa, s o filtro de papel e o velho coador de pano conseguem ret-las. Nem por isso o estudo condena as outras formas de preparo, desde que no haja exagero no consumo. As pessoas que tomam um ou dois cafezinhos por dia de outros modos de preparo no tm tanto problema porque a quantidade pequena. Mas pessoas que tomam mais do que cinco xcaras, e que tm o colesterol elevado, devem filtrar ou coar o caf, para que no haja interferncia e o colesterol no consiga ser reduzido, orienta a nutricionista. Outra boa nova do estudo foi revelada por acaso. O alvo dos pesquisadores era o colesterol, mas descobriram tambm os efeitos do caf em pessoas obesas. As cinco xcaras dirias de caf coado ou filtrado deixaram os pacientes mais magros. Perderam peso e tambm massa corprea. A dona de casa Benedita Noronha, que fez parte da pesquisa, ficou mais leve e cheia de satisfao. A pesquisadora dizia que minha cintura era a mais fina entre todos os pacientes. Emagreci dois quilos, comemora. No podemos dizer que caf faa exatamente bem. Acho que o caf no pode ser considerado uma substncia protetora do corao, mas pode contribuir para uma discreta perda de peso e pode ter alguns benefcios sobre o indivduo. Fica mais alerta, tem atividade maior. Talvez a resida uma pequena perda de peso, diz a cardiologista da UNIFESP Francisco Fonseca.

BISCOITO FORTIFICANTE.

"A criana no tem discernimento para escolher o que bom para ela. O papai e a mame que devem insistir nos alimentos saudveis", diz a nutricionista Eliana Vellozo. Uma alimentao saudvel contm frutas, legumes, verduras e carnes. Mas deve ser colocada no cardpio da criana a partir do sexto ms, de forma gradativa. Fartura no cardpio, sade para dar e vender desde o sexto ms de vida. Esta a receita da nutricionista, responsvel por programas de nutrio e sade da prefeitura de So Paulo. "Acredito que no d para competir com os alimentos mais atraentes, aparentemente mais gostosos. Acho que, a partir de certa idade, d para negociar. Por exemplo, dar uma alimentao saudvel durante a semana e uma vez na semana ir a um fast food", orienta Eliana. de pequeno que se aprende, porque, quando esto mais crescidos, querem as mesmas coisas. Uma pesquisa da Universidade Federal do Estado de So Paulo (UNIFESP) descobriu um fenmeno entre os adolescentes. O estudo foi feito durante seis meses na cidade de Guararema. Guararema cercada por montanhas. A rea urbana bem pequena e a cidade espalha stios e chcaras onde quase todo mundo encontra alimento de qualidade no quintal das casas: legumes, verduras e, principalmente, leite. Mas ser que toda essa riqueza garante hbitos alimentares saudveis para as crianas que moram na cidade? Peso, medida, entrevistas. Confisses de adolescente, e constataes da pesquisadora, a biomdica Regiane de Paula: "O questionrio foi surpreendente. Estamos em uma cidade a 75 quilmetros da capital, com 21 mil habitantes, onde basicamente existem muitos stios e a oferta de leite e derivados lcteos muito grande. Para nossa surpresa, essas crianas no tm o hbito de ingerir leite e derivados. "Faz parte do adolescente. Primeiro, acreditam que o leite infantiliza. Quando entram na adolescncia, o primeiro ato deixar de consumir leite, explica a pesquisadora. "Bebia bastante leite antigamente, mas agora no bebo muito", conta Riane Calixto, de 12 anos. "Consomem metade das necessidades dirias de clcio. Isso preocupante. As meninas consomem menos clcio ainda, o que nos deixa mais preocupados. Essas meninas tendem, na ps-menopausa, a ter um aumento da osteoporose, no vo ter um osso sadio, alerta a biomdica. "No caso dos homens, a osteoporose vem crescendo tambm."

AS PESQUISAS AVANAM E NO H TEMPO A PERDER.

Escolhemos o biscoito porque faz parte do hbito alimentar do adolescente. Tem 30% a mais de clcio do que os outros biscoitos", revela Regiane de Paula. S biscoito? No. A garotada de Guararema passou 180 dias mudando os hbitos. "Estou mudando devagarzinho, por causa do clcio. Tenho que crescer", diz Anderson Maciel Siqueira, de 15 anos. "Meu caf da manh era refrigerante, porque no gostava de leite, conta Renata Oliveira, de 13 anos. "Quando descobri que as crianas estavam com carncia de clcio, fiquei preocupada, mas tambm no tinha conscincia", admite a me da jovem, Ana Anglica Oliveira. "Nossas refeies eram uma mistura de arroz com feijo e fritura. Agora, comemos alface, brcolis, couve, repolho." "Podem encontrar clcio no leite e derivados lcteos, como margarinas, manteiga, iogurte, requeijo. Algumas folhas verdes, como espinafre, brcolis, feijo vermelho e feijo branco so fontes alimentares naturais de clcio", explica a biomdica. A pesquisa sobre os hbitos dos adolescentes revelou que faltava qualidade naquilo que comiam. Um exame mais profundo avaliou como estavam os ossos dos adolescentes antes e depois dos seis meses de tratamento com o reforo de clcio. "Houve pequena melhora em funo de uma incorporao maior do clcio proveniente dos biscoitos", revela a biomdica. Quanto mais incorporarmos clcio aos ossos, por volta dos 14, 15 anos de idade, melhor vai ser a qualidade desses ossos. Automaticamente, preveni-se a osteoporose. Este um dos processos. Existem outros, como a atividade fsica, que tambm necessria." "Troquei fritura, hambrguer e refrigerante por chuchu, abobrinha, quiabo, queijo, leite, requeijo. Emagreci e fiquei com mais disposio. Agora jogo vlei, gosto de basquete", conta Renata. "O importante que a gente possa educar e conscientizar no s os adolescentes mas os jovens e a populao em geral da necessidade de consumir clcio. Isso passa pelos pais e professores", comenta Regiane de Paula.

PAPINHA IDEAL.

"O processo de alimentao, de conscientizao, se inicia no nascimento. Hoje meu filho tem 8 aninhos e negociamos idas lanchonete, se o cinema vai ser acompanhado de pipoca com manteiga ou no", conta a nutricionista Eliana Vellozo. "A criana tem rejeio quilo que novo. muito importante a formao porque os hbitos alimentares comeam logo cedo. Essa mais uma razo muito forte para insistir em determinados tipos de alimentos. E a nutricionista d a receita:"At o sexto ms, fundamental fazer o aleitamento materno. A Organizao Mundial de Sade recomenda o aleitamento materno at os 2 anos. Nos intervalos das mamadas, utilizamos mas, inclusive como sobremesa. Aps a refeio salgada, deve ser muito bem higienizada com uma escovinha. Depois, deve-se parti-la ao meio e ir raspando com colherinha". "Para fazer papinha, uso cenoura, rica em betacaroteno e vitamina A; batata, para aumentar a densidade energtica, e brcolis cozidos. Depois, o ideal amassar os legumes com um garfo e no pass-los no liquidificador, nem peneir-los", ensina a nutricionista. Os mestres em sade mostram que, no b--b da boa alimentao, a lio de casa, feita pelos pais, pode ser a mais importante. Sade para toda a famlia!

CHOCOLATE ANTI-RADICAIS LIVRES.

Fascnio que encanta os olhos. Prazer que derrete na boca. inegvel a atrao que o chocolate exerce na maioria das pessoas. Mas, por ser rico em gorduras e ter muitas calorias, tambm considerado o vilo das dietas. Fama que vai mudando aos poucos. Estudos cientficos vem dando ao chocolate um julgamento mais justo. E o principal motivo a presena dos chamados flavonides. As pesquisas sobre os flavonides no chocolate tm mostrado benefcios como a diminuio do risco de doenas cardiovasculares, diminuio do colesterol e melhoria no sistema imunolgico, revela a engenheira de alimentos Priscila Efraim, da Universidade de Capinas (UNICAMP). Os flavonides so compostos fenlicos que funcionam no nosso corpo como antioxidantes. Neutralizam os radicais livres, famosos por apressar o envelhecimento e provocar cncer. A novidade que os pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP esto desenvolvendo agora um chocolate muito mais rico em flavonides. Foram dois anos de trabalho em laboratrio at que os pesquisadores encontrassem uma forma de preservar os antioxidantes naturais que existem no cacau. Na prtica, fizeram com o alimento o que tentamos fazer com nosso prprio corpo: manter uma reserva de substncias protetoras que nos torne pessoas mais saudveis. Um trabalho difcil. Mais de 80% dos flavonides do cacau so perdidos na etapa de fermentao. Uma enzima oxida e destri esses componentes. O desafio dos pesquisadores era inibir a ao da enzima. E eles conseguiram, usando um processo que elimina o oxignio presente na fermentao do cacau e com a ajuda de um aditivo qumico. No faz mal sade. Essa pesquisa teve, obrigatoriamente, que passar pela Comisso de tica da UNICAMP, e foi totalmente autorizada porque a concentrao no afeta o produto final, afirma o engenheiro de alimentos Horcio Pezoa Garcia. O segundo desafio foi manter o sabor doce e gostoso do chocolate. Pega um pouquinho mais na boca, diz Priscila Efraim. Ser que as pessoas vo saber a diferena entre um e outro? A atriz Tissa Valverde gosta muito de chocolate. A estudante Helen Mazarakis compulsiva. E o produtor musical Luciano Malheiros come demais, sem culpa. No vivo sem chocolate. Em qualquer lugar, a qualquer hora, est valendo, diz Luciano. Os trs tiveram nas mos o novo chocolate especial, com mais flavonides. Ser que notaram diferena? Achava que ia comer um chocolate tipo remdio, mas no isso, bom, comenta Tissa. D para comer. Talvez o comprasse pelo fato de ser mais saudvel, porque hoje qualquer ajudinha est valendo, diz Luciano. Acho que o gosto poderia melhorar, sugere Helen. Segundo os pesquisadores, a vantagem do chocolate com mais flavonides que estaramos ingerindo mais substncias protetoras, sem precisar comer demais. Quarenta gramas de chocolate convencional teriam mais compostos fenlicos que uma ma ou uma taa de vinho tinto. Com esse processo, no seria necessrio comer essas 40 gramas. Talvez fossem suficientes 20 ou 25 gramas de chocolate para ter a mesma concentrao de compostos fenlicos, avalia Horcio Pezoa Garcia.

FOME OCULTA.

Aos olhos da qumica e fisiologista Rebeca de Angelis, da Universidade de So Paulo (USP), o mercado um misto de jardim e laboratrio. Aos 78 anos, a especialista em nutrio tem uma indiscutvel intimidade com os alimentos. Foi a primeira estudiosa no Brasil a dar o alerta sobre a fome oculta. A fome oculta uma fome silenciosa porque no se sente, no se manifesta. a necessidade de protetores nutricionais que no esto chegando porque a gente no est comendo tudo isso, explica ela. A fome oculta no apresenta sintomas especficos, mas traioeira. Quando aparece, j se transformou em doenas como osteoporose, cncer, hipertenso, problemas cardiovasculares, envelhecimento precoce. A fome oculta a carncia que o corpo tem de certos nutrientes que previnem essas doenas. O problema pode estar escondido por uma aparncia de normalidade ou de exageros. A que est o perigo: alm de no comermos o que necessrio, comemos em excesso o que no preciso. Infelizmente, o ser humano, alm dessa fome que visceral, tem principalmente a fome que chamamos de apetite. E um apetite descontrolado por algumas coisas que no so necessrias e que a gente acaba comendo. Por exemplo, se o indivduo vai a uma festa, para que comer docinho? Docinho no necessrio, no h necessidade de acar, porque tudo o que comemos vai formar acar. No precisamos comer acar, diz a especialista. A receita para matar a fome oculta uma s: comer aquilo que nos faz bem, como frutas, verduras e legumes em quantidade. A professora rebeca d um exemplo: uma salada feita com brcolis, tomate, almeiro e cenoura, temperados com vinagre, azeite e ervas aromticas. Um prato cheio de fibras, vitaminas e substncias protetoras que ajudam a prevenir doenas. O ideal comer assim desde criana, mas sempre tempo de mudar. Mudar para melhorar. O indivduo vai ter menos doenas e correr menos riscos. Se conseguir convencer a cabea dele, muda, garante Rebeca de Angelis.

DIETA DO FUTURO.

Meu nome Hussei Hatem, sou de origem libanesa, diz o empresrio. Sou Julieta Harui Hayachi, diz a estudante de traos orientais. Meu nome Alexandre Ferrari, diz o jovem de origem italiana. So os primeiros voluntrios de um estudo que est comeando no Sul do Brasil. A pesquisa envolve uma nova cincia: a nutrigentica, que relaciona a nutrio com os genes a herana que recebemos de nossos ancestrais. O passado, o presente e o futuro da nossa sade. Todos os estudos tm levado ao entendimento de que muitas das doenas que nos afetam depois da velhice podem ter um comeo ainda quando estamos na barriga da nossa me, diz a geneticista Ivana da Cruz. Os cientistas gachos escolheram a pequena Iju para aplicar a pesquisa por uma razo muito especial: a cidade conhecida pela diversidade de imigrantes que chegaram no final do sculo 19. Onze etnias diferentes formam hoje a populao de 78 mil habitantes. Os pesquisadores querem saber quem est mais exposto a algumas doenas e tentar evit-las usando os alimentos com receitas feitas especialmente para cada pessoa. a cincia botando a colher no prato nosso de cada dia. Um prato de doces ou de frituras teria o mesmo efeito sobre pessoas com caractersticas genticas diferentes? Na medida em que estamos conhecendo o nosso mapa gentico, tambm podemos identificar pequenas alteraes metablicas que podem ser corrigidas atravs da nutrio, como o caso dos genes associados ao metabolismo do colesterol. Esta molcula, s vezes, est associada a muitas doenas, como as cardiovasculares, o cncer e at mesmo a demncias, revela a geneticista. Os pesquisadores j sabem que pelo menos um em cada cinco gachos tem pr-disposio gentica para ter colesterol alto. O jovem bioqumico Matias Frizzo faz parte da equipe de pesquisadores. E foi por acaso, nos testes que antecederam os estudos, que descobriu, no prprio sangue, o gene que aumenta em 30% a chance de ter colesterol elevado. Acho que saber foi a melhor escolha, porque hoje sei que tenho uma tendncia a aumentar os nveis de colesterol. Ento, posso ter hbitos de vida mais saudveis para no correr o risco de ter um colesterol mais alto, comenta o pesquisador. E Matias comeou logo. A nutricionista Loiva Dallepiane, que tambm faz parte da pesquisa, deu-lhe a primeira aula sobre o que comer e o que no comer a partir de agora. Vamos escolher alimentos que tm menos possibilidade de aumentar o colesterol e, ainda, escolher alguns que tenham a propriedade de diminuir o colesterol, diz a nutricionista. A idia comear sempre pelas saladas. Matias se serve das folhas, da couve-flor, do brcolis, da cenoura, da beterraba e do kiwi. So ricos em antioxidantes, que agem sobre os radicais livres e impedem ou dificultam a adeso do mau colesterol, que o LDL, nas veias, explica a nutricionista. Na hora de temperar, o corao agradece. Matias orientado a usar azeite de oliva, que contm as gorduras saudveis, que fazem bem. Uma poro de arroz, outra de feijo, e uma novidade: a dica de um alimento bastante popular, com propriedades que pouca gente conhece. A farinha de mandioca, to tradicional, possui fibras solveis que teriam propriedades para diminuir o colesterol, revela a nutricionista. Na escolha do prato principal, o indicado reduzir as carnes vermelhas. Consumir frango sem pele e comer peixes, de preferncia, grelhados. No precisa ser apenas salmo, serve qualquer outro peixe que possa ser grelhado. Os peixes do mar so os que mais tm Omega 3, como atum e sardinha, orienta a nutricionista. Desse novo prato, a fruta, que no costumava comer com a comida, e a farinha so novidade. Nunca tive o hbito de comer farinha de mandioca junto com a comida, a no ser em alguns churrascos. A mudana no foi nenhum sacrifcio, foi um prazer, diz Matias. Descobrir que tem o gene do colesterol alterado fez Matias mudar. Adaptar o cardpio em busca de um futuro mais saudvel. Mas ser que os voluntrios da pesquisa esto preparados para saber o que dizem os genes? o que eu quero saber, diz Julieta. Tenho muita curiosidade e um pouco de medo tambm, admite Hussein. A gente acredita que conhecer o mapa gentico vai ser to comum quanto fazer um exame de presso. Conhecer nosso mapa gentico nos auto-conhecermos antes de mais nada. E no temos nada a temer em nos conhecer, somente a ganhar, se pudermos trabalhar com essa informao a nosso favor, constata a geneticista Ivana da Cruz.

TABELA DE ALIMENTOS.

O jaleco branco identifica dois cientistas que vo s compras. Como qualquer brasileiro, buscam qualidade. Verduras frescas, legumes coloridos, frutas da estao e carnes. Comeando pelos peixes, conservados no gelo. Uma maratona para o engenheiro agrnomo Dag Mendona e para a estudante de economia Mariam Stenger. Os dois trabalham no Ncleo de Pesquisas em Alimentao da Universidade de Campinas (Nepa-Unicamp). O feijo e o arroz tambm esto no prato da investigao cientfica. Ao todo, so 198 produtos analisados na maior pesquisa nacional sobre a comida que chega nossa mesa. O resultado de sete anos de estudos est na primeira Tabela Brasileira de Composio de Alimentos (Taco). Em 42 pginas a tabela mostra o que cada alimento tem de bom, como vitaminas, minerais, fibras, e tambm o que tem de ruim, como gordura e colesterol. Na hora de escolher a carne, a tabela mostra que preo nem sempre indica o melhor. O msculo, por exemplo, uma carne de segunda, mas to magrinho quanto o fil mignon, que custa bem mais caro. Os dois tm, em mdia, 140 calorias em cada cem gramas. A pesquisa tambm comprovou o que se imaginava: a mais gordinha de todas a costela. As mesmas cem gramas esto recheadas com 358 calorias. Para saborear ainda mais a receita dos cientistas, precisamos entender que todas as experincias so comprovadas em testes interminveis. No Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), em Campinas, comea a ser preparada a segunda tabela. Ainda mais variada, vai ter 150 novos produtos. Outra tabela genuinamente nacional. A diferena est na origem da informao. Hoje, a maioria dos produtos traz no rtulo composies baseadas em alimentos produzidos nos Estados Unidos e analisados em laboratrios americanos. Mas, como temos outro tipo de clima, solo e espcies de plantas diferentes, os cientistas esto certos de que nossos alimentos tambm no so iguais podem ter mais ou menos vitaminas, fibras, gorduras. S agora o consumidor vai saber disso. O rtulo tem algumas informaes que so adequadas e outras, no. Primeiro, a gente usou os alimentos mais consumidos. Agora, a gente est pegando os alimentos regionais", diz a coordenadora do NEPA, Elizabeth Salay. O regional vatap, a regional feijoada, e por a vai. O banquete da cincia promete despertar nosso paladar e revigorar nossa sade! A gente espera que o ITAL continue a dar para a populao o que precisa ter para se alimentar de forma correta, se manter saudvel e feliz, que o que todo mundo espera, diz a engenheira de alimentos do ITAL Ana Maria Rauen.

CAPTULO III.

RESUMO DAS INDICAES FEITAS PELOS NUTRICIONISTAS.

ADOANTES:

Adocyl, Assugrim, Dietyl, Doce Menor, Doura, Finn, Gold-fructo fibras, Holda, Stevita (natural), Sucaryl, Sucralose, Tal e qual, Zero-Cal.

NOTA: O stevita foi, por grande margem de votos, o adoante mais indicado pelos NUTRICIONISTAS, por ser natural. Em Salvador, por exemplo, encontrado no Shopping Center Iguatemi, loja da Mundo Verde, 2 Piso, prxima Livraria Civilizao Brasileira e Loja Arapu. O seu fabricante a Steviafarma Industrial S. A., de So Paulo. Cuidado com os laboratrios de fundo de quintal! Acha-se o stevita, tambm, nas melhores lojas do ramo de alimentos naturais.

ALIMENTAO EQUILIBRADA SEMPRE CONTM:

Acares, gua;carboidratos (glicose): cereais (arroz, aveia, batata, centeio, cevada, milho, trigo) e seus produtos (biscoitos, farinhas, macarro, massas, po, pipoca) e tubrculos (batata inglesa, batata-doce, car, inhame, mandioca); fibras vegetais; gorduras: frutas oleaginosas (amndoas, amendoim, avels, castanhas, nozes), margarinas, leos vegetais; protenas: aves, carne de boi, coalhada, frutos do mar, iogurte, leguminosas (ervilhas, feijes, gro-de-bico, lentilha, soja), leite, ovos, peixes, queijos; sais minerais, vitaminas.

ALIMENTOS CUJOS CONSUMOS DEVEM SER EVITADOS:

Acar (refinado ou mascavo), alimentos fritos, ameixa seca, arroz branco, azeitonas (em conserva), balas, bebidas alcolicas (cerveja, champanha, usque, vinho doce, etc), biscoitos salgados, bolo, bombons, caf, carnes gordas, castanhas, ch-mate, chocolate, doces em geral, leite condensado adoado, leite tipo C, maionese, manteiga com sal, margarinas, mel, po doce, queijos (amarelos), rapadura, refrigerantes, sardinha (em lata), sorvetes, sucos (concentrados), tortas.

ALIMENTOS FUNCIONAIS:

Cereais integrais, ervas naturais, frutas, verduras.

ALIMENTOS INTEGRAIS:

Arroz integral, biscoitos integrais, gros (ervilha, gro-de-bico, lentilha, milho), legumes, pes integrais, verduras.

ALIMENTOS MONOTERPENOS. Reduzem o apetite:

Alfafa (broto), hortel, laranja, limo, ma, tangerina.

ALIMENTOS OLEAGINOSOS:

Amndoas, avels, castanha-do-Par, macadmias, nozes, pistache.

ALIMENTOS PR-BITICOS. MELHORAM A DIGESTO E ALIMENTAM A FLORA INTESTINAL:

Banana, cebola, trigo.

ALIMENTOS QUE AUMENTAM O METABOLISMO E AJUDAM QUEIMAR GORDURA:

Alfafa, banana, linhaa (semente), ma, salsinha, trigo (grmen).

ALIMENTOS RICOS EM FIBRAS:

Aveia (farelo), cereais integrais (arroz, aveia, po), ervilha (fresca), feijo, frutas com casca e bagao, gro-de-bico, legumes, lentilha, soja, verduras cruas.

ALIMENTOS TERMOGNICOS. Obrigam o organismo a gastar energia e queimar calorias:

Aafro, alfafa, banana, gergelim (semente), linhaa (semente), ma, papoula (semente), salsinha, trigo (grmen).

CHS:

Abajeru, banch, camomila, capim-santo, capim-limo, ch verde, erva-cidreira, erva-doce, funcho, hortel, jasmim, ma (feito com a casca), maracuj (feito com a casca), melissa, pata-de-vaca, verde.

NOTA: Os fabricantes de chs mais conceituados do mercado so a Leo e a Vemat.

FRUTAS. Os nmeros colocados entre parnteses representam a quantidade de calorias de cada 100 g da fruta:

Abacate (168), abacaxi (58), acerola (60), ameixa preta seca, com casca (190), ameixa vermelha (54), amora (61), banana: dgua (ou nanica), caturra e ma, esta branca ou preta (105, em mdia), caj (46), caju (37), caqui (86), carambola (29), cereja (97), figo (136), framboesa (60), goiaba vermelha (43), groselha (40), jabuticaba (94), jaca (90), kiwi (85), laranja pra ou lima (50), lima (51), limo (32), ma (66), mamo, com as sementes (68), manga (70), maracuj (90), melancia (31), melo (30), morango (39), nectarina (64), pra (64), pssego (52), pitanga (50), rom (62), tangerina, ou mexerica (50), uva branca (78).

FRUTAS COM BAGAO:

Laranja, lima, mamo (com sementes), manga, mexerica, tangerina.

FRUTAS COM CASCA:

Ameixa (fresca), caqui, goiaba, ma, pra, pssego, uva.

LEGUMES E VERDURAS. Os nmeros colocados entre parnteses representam a quantidade de calorias de cada 100 g do alimento:

Abbora (40), abobrinha (30), acelga (34), agrio (28), aipo, alface (20), almeiro (28), aspargo, berinjela (28), bertalha (20), beterraba (49), brcolis (37), cenoura (50), chicria (21), chuchu (92), couve-flor (41), couve-manteiga (55), endvia, ervilha fresca (39), escarola, espinafre, jil (38), maxixe, moranga (19), mostarda fresca (80), nabo (35), palmito (27), pepino (25), quiabo (40), rabanete (16), repolho (25), rcula (21), taioba, tomate (20), vagem (42).

LEOS VEGETAIS:

Agodo, arroz, azeite doce, azeite puro de oliva, azeite-de-oliva extra virgem, canela, canola, extra-virgem, gergelim, girassol, milho, soja.

TEMPEROS NATURAIS DE VERDURAS E DE OUTROS ALIMENTOS. S DEVEM SER ACRESCENTADOS APS O PREPARO DOS ALIMENTOS:

Aafro, alecrim, alho, baunilha, canela, cebola, cebolinha verde, cheiro verde, coentro, cominho, hortel, limo, louro, manjerico, manjerona, noz moscada, organo, pimenta (malagueta), pimento, salsa, salso, slvia, tomilho.

TUBRCULOS E RAZES:

Aipim, batata baroa (mandioquinha), batata doce, batata inglesa, car, inhame.

RELAO DOS FABRICANTES DE PRODUTOS NATURAIS IDNEOS E MAIS CONHECIDOS:

MUNDO VERDE FRANCHISING.

Site: http://www.mundoverde.com.br/inicio.asp

E-mail: franquia@mundoverde.com.br

Telefones:0800-222528/031-24-237-2528.

Fax:031-24-231-4690.

LOJAS EM SALVADOR:

1 LOJA. Mundo VerdeMax Center.

Avenida Antnio Carlos Magalhes, 846, lojas 1/2, Edifcio Maxcenter, Itaigara,

41825-900/Salvador, BA.

Telefone:031-71-359-0976.

E-mail: maxcenter@mundoverde.com.br

2 LOJA. Mundo VerdeCenter Lapa.

Rua Porto da Piedade, 155, loja 229, Shopping Center Lapa, Barris/Piedade, 40070-900/Salvador, BA.

Telefone:031-71-328-1308.

E-mail: mvcenterlapa@mundoverde.com.br

3 LOJA. Mundo VerdeCenter Barra.

Avenida Centenrio, 2992, 3 piso, loja 340/1, Shopping Center Barra, Barra/Chame-Chame, 40140-902/Salvador, BA.

Telefone:031-71-264-0392.

E-mail: mvshoppbarra@mundoverde.com.br

4 LOJA. Mundo VerdeIguatemi.

Avenida Tancredo Neves, 148, Quadra P, 2 piso, loja 22, Shopping Center Iguatemi, Caminho das rvores/Pituba, 41820-908/Salvador, BA.

Telefone:031-71-460-3293.

E-mail: iguatemi@mundoverde.com.br

5 LOJA. Mundo VerdeCentro-Mercs.

Avenida Sete de Setembro, 147, Dois de Julho/Rosrio, 40060-000/Salvador, BA.

Telefone:031-71-329-0279.

E-mail: mvmerces@mundoverde.com.br

ME TERRA.

Site: www.maeterra.com.br

E-mail: maeterra@maeterra.com.br

Telefone:031-11-5686-3406.

Representante em Salvador:

Eduardo. Telefone: 031-71-346-1644.

NOTA: Os produtos da ME TERRA so encontrados nas melhores lojas do ramo.

JASMINE COMRCIO DE PRODUTOS ALIMENTCIOS LTDA.

Site: http://www.jasminealimentos.com.br/

E-mails: sac@jasminealimentos.com.br jasmine@jasminealimentos.com.br

Telefones:0800-7018003/031-55-41-286-7871.

Fax: 031-55-41-286-3378.

Representantes em Salvador:

ERNANI FRANKLIN. Telefone:031-71-363-5208.

KI NATURA. Telefones:031-71-321-4316/322-1687.

NOTA: Os produtos da JASMINE so encontrados nas melhores lojas do ramo.

PR-VIDA ALIMENTOS INTEGRAIS.

Site: http://www.providaonline.com.br/

E-mail: provida@providaonline.com.br

Telefone:0800-7074355.

Representante em Salvador:

Segundo Comrcio RepresentaesCsar.

Telefones:031-71-230-6933/9955-9423.

TELEFONES IMPORTANTES E TEIS:

1.Alfredo Halpern. Endocrinologista. 031-11-3167-1449.

2.Aline Arouca de Castro. Nutricionista. 031-19-3251-1670.

3.Amlio de Godoy Matos. Endocrinologista. 031-21-2266-2553/2579-0291/2579-0292.

4.Ana Paula Rodrigues. Nutricionista. 031-21-2411-5880.

5.Ari Lopes Cardoso. Mdico Pediatra e Nutrlogo. 031-11-3069-8610.

6.Eliana de Carvalho Gomes. Nutricionista. 031-71-322-8037.

7.Daniela Ricco Pinheiro/JASMINE. Engenheira de Alimentos. 0800-7018003.

8.Fernanda Ventura. Engenheira de Alimentos. UNICAMP. 031-19-3788-4006.

9.Fernando. 031-11-3884-1731/3884-4575/5533-3861.

9.George Guimares. Nutricionista. 031-11-3884-1731/3884-4575/5533-3861.

10.Jane Corona. Nutrloga. 031-21-2496-3768 (consultrio).

11.Jos Luis Ascheri. Engenheiro de Alimentos. 031-21-2410-7449 (Embrapa).

12.Joselaine Stmer, Nutricionista. 031-51-3311-0514/3222-1387.

13.Luclia Caldas. Nutricionista. 031-21-2295-5737 (Ramais: 301/302. Uni-Rio).

14.Maria Aparecida Silva. Nutricionista. UNICAMP. 031-19-3788-4074.

15.Maria Aparecida Teixeira. Engenheira de Alimentos. Uni-BH. 031-31-3891-3301.

16.Mauro Fisberg. Mdico Nutrlogo. 031-11- 5575-3875.

17.Mriam Najas. Mdica Geriatra e Nutrloga. 031-11-3842-5144/3841-9497.

18.Regina. 031-11-5013-1240/1241.

19.Sandra Derivi e Maria Heide Marques Mendez. Doutoras em Cincia dos Alimentos. Universidade Federal Fluminense. 031-21-2711-1012.

20.Sandra Veloso. Endocrinologista. 031-71-353-5953.

21.Slvia Regina. Nutricionista. 031-11-5013-1240/1241.

22.Wilma Turano e Simone Boekel. Nutricionistas. 031-21-2295-5737 (Ramais: 301/302. Uni-Rio).

23.Walmir Coutinho. Endocrinologista. 031-21-2493-5764.

CAPTULO IV.

CARDPIO DE JOS CARLOS DUTRA DO CARMO.

Por causa do diabetes (tipo II, o menos grave), em razo de uma pancreatite crnica, eu mesmo fiz uma revoluo em minha dieta alimentar e me impus, espontaneamente, este cardpio. Tenho 67 anos, 1,70 m de altura e peso 92 kg. Portanto, estou com 22 kg de excesso de peso. Tive LABIRINTITE recentemente.

DE MANH.

Ao acordar, entre 8h30min e 9h, tomo meio copo mdio de gua mineral, sem gs, em jejum.

9h20min:

Bebo uma xcara mdia de ch branco (camomila, erva-cidreira, erva-doce, ou hortel), com 3 gotas de adoante natural (stevita).

9h40min:

Como um pouco menos de uma fatia de po integral de soja com meio copo pequeno de leite desnatado (puro, sem caf, acar, sal ou adoante artificial). Ambos ficam 7min no forno eltrico.

9h45min:

Como 1 copo pequeno cheio de salada de frutas (geralmente abacaxi, goiaba, ma, mamo, melo, pra, mais ameixa vermelha, kiu, morango, quando h na feira).

12h:

Como 1 banana prata mdia ou 2 bem pequenas.

ALMOO.

12h50min:

Arroz ou macarro integrais (nunca os dois juntos). (No equivalente a um copo grande de arroz e igual quantidade de macarro, colocada meia colher grande de azeite de oliva extra-virgem em cada parte, com 3 dentes mdios de alho bem amassados, mais pequenas poes de cebolinha verde, cebola branca, coentro, pimento, tudo picadinho).

Feijo de soja. (No equivalente a um copo grande de feijo, colocada meia colher grande de azeite de oliva extra-virgem, com 3 dentes mdios de alho bem amassados, mais pequenas poes de cebolinha verde, cebola branca, coentro, pimento, tudo picadinho).

Peixe, em pequena quantidade (2 pedaos pequenos), assado no forno eltrico. (No equivalente a 250 g de peixe, colocada uma colher grande e meia de azeite de oliva extra-virgem, com 5 dentes mdios de alho bem amassados, com maiores poes de cebolinha verde, cebola branca, coentro, pimento, tudo picadinho).

Frango, em pequena quantidade (2 pedaos pequenos), assado no forno eltrico. (No equivalente a 500 g de frango, colocada uma colher grande de azeite de oliva extra-virgem, com 3 dentes mdios de alho bem amassados, mais cebolinha verde e coentro, em pouca quantidade, meia cebola branca, meio pimento, tudo picadinho e com uma colherzinha de corante).

1 colher grande de SUPER salada de verduras cruas: beterraba, cenoura, chuchu, pepino, trituradas em pedaos bem pequenos.

Pequenas poes de verduras refogadas: chuchu, couve, quiabo e repolho. (Cada preparo leva uma colher mdia (de sopa) de azeite de oliva extra-virgem, com 3 dentes mdios de alho bem amassados).

Um ovo cozido, sem gema.

OBSERVAES.

Na hora da refeio espremo um limo mdio em cima da comida e espalho uma colher grande cheia de sementes de linhaa dourada.

No tomo qualquer tipo de lquido durante o almoo, nem mesmo gua. Tomo gua mineral, sem gs, somente duas horas aps.

Quantidade de comida: Um prato fundo quase cheio at as bordas.

TARDE.

16h s 16h30min:

Bebo 2 xcaras mdias de ch branco (camomila, erva-cidreira, erva-doce, ou hortel), com 3 gotas de adoante natural (stevita) em cada uma.

16h50min:

Como 2 bananas pratas bem pequenas ou 1 mdia.

17h10min:

Como duas fatias de po integral de soja, com 1 copo mdio de leite desnatado (puro, sem caf, acar, sal ou adoante artificial). Tudo fica no forno eltrico durante 11min. Em cada fatia de po coloco 4 rodelas grossinhas ou 6 mais finas de um tomate mdio maduro, em cima das quais acrescento 4 folhas pequenas ou 2 maiores de alface manteiga.

NOITE.

19h30min:

Como 1 copo mdio cheio de salada de frutas (geralmente abacaxi, goiaba, ma, mamo, melo, pra, mais ameixa vermelha, kiu, morango, quando h na feira), com 2 colheres mdias (1 de cada) de farelo de aveia e farinha de castanha do Par.

Tomo meio copo mdio de gua de coco verde, natural, pura.

21h30min:

Como duas fatias de po integral de soja com 1 copo mdio de leite desnatado (puro, sem caf, acar, sal ou adoante artificial). Tudo fica no forno eltrico durante 7min. Em cada fatia de po coloco 4 rodelas grossinhas ou 6 mais finas de um tomate mdio maduro, em cima das quais acrescento 4 folhas pequenas ou 2 maiores de alface manteiga.

23h30min:

Chupo 1 tangerina pequena ou mdia, engolindo os respectivos bagaos.

Todos os dias, s 22h30min, como 5 balas de banana, sem acar, de fabricao caseira.

Durante o dia e noite tomo uma mdia de 5 copos mdios de gua mineral, sem gs.

Antes de dormir, entre 1h a 2h, tomo meio copo mdio de gua mineral, sem gs.

IMPORTANTSSIMO.

Eliminei, completamente, o uso de acar, sal e gordura animal do meu cardpio, bem como de carne vermelha, refrigerante, bolo, doce, ou sorvete.

Mesmo tendo sido acometido de LABIRINTITE, tenho feito o maior esforo do mundo para manter minhas atividades fsicas, que julgo fundamentais e imprescindveis, pelo menos de segunda a quinta-feira, na parte da manh.

Freqento uma Clnica de Fisioterapia, tera e quinta-fera, de manh, onde fao uma srie bastante grande de flexes e musculao.

Pratico pingue-pongue comigo mesmo, lanando a bolinha da mesa contra a parede, tocando-a 200 vezes.

Dou 60 voltas, alternadamente de 20 em 20, andando de maneira bastante acelerada num compartimento equivalente a uma sala grande, no total de 2100 passos, aproximadamente.

Fao dezenas de flexes de maneira leve.

Fao bicicleta ergomtrica, equivalente a 1000 pedaladas, com rotaes um pouco aceleradas.

Dou o equivalente a 1000 passos numa esteira eltrica, de forma um pouco acelerada.

Fico 30min no sol, s de short.

CAPTULO V.

Mensagens (e-mails) emocionantes que recebi de pessoas portadoras de diabetes, e de nutricionistas, com informaes importantssimas e preciosas, inclusive relativas a uma alimentao nutritiva e saudvel. So seres humanos com atributos excepcionais, que encarnam o bem em toda a sua plenitude, enfim, amigos sinceros, leais, autnticos e verdadeiros. A eles, o meu imenso e eterno agradecimento.

1. Sou diabtica h 11 anos e s pude ver seu e-mail hoje, pois estava viajando. Posso, desde que me seja possvel, tirar algumas dvidas suas sobre diabetes. Meu e-mail debma@sti.com.br e meu telefone 0XX-11-9179-2608. Assim que quiser ligar-me, pode. Prefiro que me ligue de noite, porque durante o dia fica difcil atend-lo. Meu nome Dbora.

2. Ol. Lembro-me quando estava na sua situao. Descobri meu diabetes no carnaval do ano passado; logo, tenho-o h 1 ano e pouco. No sabia de nada na poca, ento comecei a procurar na Internet... mas s encontrei coisas muito genricas. A encontrei o site da ADJ: http://www.adj.org.br/default.htm L eles me informaram de um monte de coisas. Passei a me sentir muito melhor e a aprender a conviver com minhas "novas tarefas". Terei o maior prazer em ajud-lo no que for possvel. Qualquer dvida, pode contar comigo. Forte abrao, Chrystiano de Castro, chrystiano@brturbo.com

3. Li seu email. Voc, como marinheiro de primeira viagem, est preocupado por ter pouca experincia. O seu diabetes diferente do meu, pois tomo 4 injees de insulina diariamente. Portanto, muito mais difcil de controlar do que o diabetes tipo 2, que o seu. Faa dieta, exerccios e use medicamentos que com certeza controlar seu diabetes. Use margarina becel, que boa, e v ao mdico e ao nutricionista em uma cidade com mais recursos. Alis, conheo Ilhus e gosto muito dessa parte da Bahia. Tenha f em Deus e em voc, que viver por muito tempo. Um abrao, Nelson.

4. Ol, Z Carlos. um exemplo de paciente diabtico que deveria ser seguido e levado a srio por milhares de diabticos no Brasil. Pelo que podemos perceber, j toma, por conta prpria, uma srie de providncias que so altamente recomendveis no caso do diabetes. Podemos dizer que, certamente, est no caminho certo. No entanto, colocamo-nos sua disposio. Fique vontade para entrar em contato conosco pelo telefone 0XX-61-328-8277, em horrio comercial. Caso no seja possvel atend-lo no momento, pea para agendar um horrio no telefone para conversar com o nutricionista Mrio Jnior. Ele ter prazer em atend-lo. Atenciosamente, By Corpus-Nutrio, Personal Training e Fisioterapia, bycorpus@bycorpus.com.br

5. Caro Jos Carlos, meu nome Gelson Schmitt, tenho 31 anos e sou proprietrio de duas drogarias e uma farmcia de manipulao. H 2 meses comeamos um trabalho sobre diabetes e estamos muito empenhados, pois temos um objetivo e vamos atingi-lo. O slogan da campanha : "como viver bem mesmo sendo diabtico". muito importante que tenha um monitor (aparelho para monitorar diabetes) para que acompanhe diariamente sua taxa de acar no sangue. De imediato, o que posso fazer indicar-lhe alguns sites, muito bons: www.lowcucar.com.br, www.tiojuliao.com.br, www.diabete.com.br, www.diabetenet.com.br Caso queira falar comigo, ligue para: 0XX-69-321-3305 ou envie-me mais e-mail. Jos Carlos, um abrao muito forte. Espero que possa ser seu parceiro nesta luta.

6. Oi! Meu nome Margarette, tenho 32 anos e 1 filho de 10 anos. Desde os 3 diabtico. Faz uso trs vezes ao dia de insulina aplicvel. Foi muito difcil para mim, pois nem imaginava que existisse diabetes, ainda mais em crianas. Faz sua dieta de 6 refeies dirias normalmente, e acha at bom, porque no quer ficar gordo. Aplica sozinho a insulina e faz os testes tambm. Tenho participado de cursos na Associao e existem outros sites com bastante informaes: www.adj.org.br www.anad.org.br www.bdbomdia.com www.diabetesnoscuidamos.com.br www.lowcucar.com.br que possuem endereos e telefones para eventuais dvidas, ou, ento, mande-lhes um e-mail e, com certeza, responder-lhe-o. Qualquer coisa que puder fazer para ajud-lo, s informar-me. Boa Sorte! Margarette.

7. Z Carlos, como vai? Meu nome Sabrina, tenho 21 anos e h dois estou com diabetes. No comeo fiquei to confusa e preocupada quanto voc. Mas acredite: com f e responsabilidade superar tudo isso e ver que muitos momentos da vida so mais doces que o que deixamos de comer. No momento, estou na faculdade e daqui a pouco tenho que entrar para a aula, portanto no posso escrever muito, mas assim que possvel mandar-lhe-ei um e-mail com a minha histria. Se der, liga-me. Sou de Vinhedo, SP. Meu telefone 0XX-19-3876-4706. Tenho muita amizade e contato com vrios diabticos, at de 6 e 8 anos de idade. Tudo de bom e pode esperar que entrarei em contato com voc. Qualquer coisa, envie-me mais mensagens. Feliz Pscoa, s com chocolate diet (logo acostuma!) e que Deus nos abenoe. Um abrao, Sabrina, smcayres@bol.com.br

8. Ol, Jos Carlos, sou Karol, tenho 20 anos e h 13 sou diabtica! Vou explicar-lhe a importncia das 6 refeies dirias para um diabtico evitar complicaes.Tanto a hiper quanto a hipo nos fazem mal! No sou nutricionista, mas com o pouco que conheo, vou passar-lhe umas dicas: CAF DA MANH×8h: 1 po francs, 1 copo e meio de leite com caf e adoante (poucas gotas). LANCHE10h: Uma fruta, ou suco, ou uma barra de cereal, pois ajudam voc no sentir tanta fome no perodo da manh e poder alimentar-se adequadamente no almoo e no sentir hipos. ALMOO12h: Legumes e verduras vontade. Arroz: uma escumadeira mdia. Feijo: uma concha mdia, de preferncia com bastante caldo. Carne: coma a que mais gosta, desde que seja frita com pouco leo, de preferncia 2 pedaos. Sobremesa: uma fruta. LANCHE15h: O mesmo cardpio do lanche da manh. JANTAR18h: O mesmo cardpio do almoo. CEIA22h: O mesmo cardpio dos outros lanches. Faa somente caminhadas ou pedaladas, porque ajudam a queimar gorduras e reduzir a taxa de glicose mais rpido e beba um copo de gua a cada uma hora. Quaisquer dvidas, entre em contato comigo: 0XX-16-3331-4674.

9. Ol, Z Carlos, tudo bem? Meu nome Marcelo, tenho 31 anos, 17 de diabetes e moro em Curitiba. Ficarei imensamente feliz em ajud-lo. Seu e-mail foi longo e vou fazer apenas comentrios gerais. Se tiver alguma dvida especfica, escreva-me novamente. Sua alimentao interessante. Acho que meio radical. Com certeza sua fome no fim da manh porque no est fazendo uma alimentao mais estruturada. DEVE fazer pelo menos 6 refeies por dia. Sobre as fraquezas, s pode ser uma hipoglicemia (taxa de glicose baixa no sangue) por no fazer as refeies de maneira correta. O certo verificar com um monitor de glicemia como ela est. Comer bolacha noite at terminar a fome muito errado. Tem que ter um planejamento alimentar e saber quanto vai comer. Se no tem nutricionista em sua cidade, tente agendar uma consulta a cada 6 meses em outro local. Com certeza, em Salvador encontrar bons profissionais. Sobre os sites na internet, tome cuidado com as fontes. Muitas vezes os jornalistas tendem a aumentar as coisas. Mas uma referncia para pesquisar mais e validar com seu mdico. Bom, escreva-me com mais detalhes sobre suas dvidas. Abraos, Marcelo Bellon Ferreira, marcelo@bellon.com.br

10. Z Carlos, recebi seu e-mail, entre dezenas de outros. Vou trat-lo como coisa sria. Sou diabtico h 4 anos e pouco e tenho 57 anos atualmente. Levo uma vida absolutamente NORMAL com meu diabetes. Claro, corro pela manh, mas a nica coisa que fao para me manter dentro dos limites aceitveis de glicose no sangue. COMO?! Perguntar voc. Obviamente, fazendo vrias medidas de glicemia por dia, 5 ou 6, e ajustando-a com doses de insulina de ao rpida. Essa tcnica, desenvolvida pelo meu endocrinologista, e ajustada por mim (sou engenheiro) me permite comer, literalmente, de TUDO, exceo feita s feijoadas, rabadas e similares, que nunca comi na vida por no gostar. Mas bolinho de bacalhau com chope, queijos, sorvetes sundae do McDonalds, etc, como de tudo e, uma ou duas horas aps, meo a glicemia e tomo insulina para reduzir a glicose. Meus nveis de hemoglobina glicosilada e frutosamina se mantm BONS e meus outros exames regulares (4 vezes por ano), tambm. Com o passar do tempo, desenvolvi um sistema grfico de acompanhamento dos meus nmeros, usando a planilha eletrnica EXCEL, que muito me tem ajudado a determinar as minhas tendncias. Enfim, PODE-SE viver BEM com o diabetes, desde que se tenha conscincia e se aceite a doena como parte da vida. No preciso dietas especiais, mas apenas um acompanhamento RACIONAL. Se desejar saber mais, responda este e-mail. Abrao.

11. Oi, Z Carlos. com enorme alegria que recebo seu e-mail e respondo-lhe. Explico-lhe: no estou alegre por voc ter uma doena chata, mas, sim, por estar procurando cuidar-se. Isso, sim, muito importante. A sua dieta um show. Se souber a minha... Hoje mesmo comi 1 hot dog e um sandwich, por absoluta falta de tempo para jantar. Bom, deixa-me apresentar-me. Meu nome Janana, tenho 26 anos, trabalho e estudo noite, ento deve imaginar como a minha vida! Moro, trabalho e estudo em trs lugares diferentes. Infelizmente, o diabetes no um probleminha que leve numa boa; ao contrrio, sofro muito, com todas as conseqncias que a doena traz. Vivo cansada, com a glicemia muito alta e com as pernas super inchadas. H dias que no sinto os dedos dos ps, afora todos os outros sintomas que o diabetes juvenil causa. Tomo insulina de 4 a 6 vezes por dia e fao exames de destro mais ou menos 4 vezes diariamente e mesmo assim tem dias que quero morrer de tanta dor nas pernas. No lhe digo estas coisas para desanim-lo, muito pelo contrrio, cuide-se. No que no me cuide, mas o meu caso mais complicado. Fiquei mais de 5 anos enfiada dentro de hospitais, em UTIs, sem trabalhar ou estudar. Ento pensei: se vou morrer disso, que seja de outra maneira, a voltei a estudar, arrumei um emprego no qual no sabem que sou diabtica (se soubessem, me mandariam embora!), passei no vestibular e estou fazendo engenharia. Meu corao est feliz, mas o meu corpo: COITADO! Bom, vou ficando por aqui. Se quiser, ligue-me. Estarei em casa domingo:031-11-4351-2087. Abraos, Jana. janainaluana@hotmail.com

12. Prezado Z Carlos, vi que suas dvidas so muitas e precisarei de um pouco de tempo para responder-lhe uma a uma. Fui diabtica por 10 anos e graas a Deus h 8 meses estou transplantada de pncreas. Tomava insulina 5 vezes ao dia, um horror! Ainda bem que no toma insulina! Acesse o site do diabetenet.com.br Irei responder-lhe com calma aps a Semana Santa. Saiba que toda fruta tem frutose, o mesmo que acar, logo, comer jaca, uva (a mais doce), abacate, no o ajuda em nada. Para um bom controle, precisa se alimentar 6 vezes ao dia; caf s 7, lanche s 10, almoo s 12, lanche s 15, jantar s 18 e ceia s 22h. A, sim, comear a no ficar louco de fome. Por outro lado, o leite tem lactose, sendo ele desnatado ou no. O exerccio fsico timo para voc e indispensvel para qualquer pessoa, mesmo completamente sadia. O bom humor tambm. Em So Paulo existem excelentes mdicos. Procure um bom nutricionista. A minha mdica em Salvador a Dra. Sandra Veloso, tel. 031-71-353-5953. O tal ch no seria pata-de-vaca? Tomei muito e no vi muita mudana. Procure alimentar-se de saladas, mas no somente cenoura, que doce. Beterraba tambm. Eu, por exemplo, tomava 1 xcara de leite desnatado, com nescaf, 2 fatias de po integral e 1 fatia pequena de queijo minas frescal. Lanche, 1 fruta; almoo, 1 concha pequena de feijo, 3 colheres cheias de arroz, 100 gramas de carne, frango, salada no lanche (180 calorias), fruta ou suco ou 2 biscoitos; no jantar, tirava o feijo; na ceia, 3 torradas bauducco sem acar, 1 fatia de queijo branco. mais ou menos isso. O que quiser me perguntar, envie-me e-mail. Boa sorte e nos falaremos dentro em breve. Boa pscoa e que Deus o proteja. Cuide-se bem. O diabetes uma doena que, se controlada, voc chega l. Um grande abrao, Jane Miranda, advjanem@hotmail.com

13. Caro Z Carlos, no sei como seu e-mail veio parar no meu endereo, no entanto gostei de receb-lo. Gostaria de ter mais tempo para analisar suas dvidas e tentar ajud-lo em alguma coisa. Sou nutricionista e professora de nutrio na Universidade Catlica Dom Bosco, em Campo Grande, MS. Trabalho com sade coletiva e o diabetes uma das doenas mais comuns em nosso consultrio. De incio gostaria de dizer-lhe que me pareceu um pouco ansioso de mais com o problema. Acho que poderia viver de forma mais natural e conviver bem com a doena. Se j pratica atividade fsica e controla a alimentao, sua vida pode ser perfeitamente normal, apenas com alguns cuidados, claro. Quanto ao nmero de refeies, no necessariamente precisa ser 6 ao dia, desde que no tenha hipoglicemia e nem coma grandes quantidades de alimentos aps um longo intervalo sem se alimentar. Em relao ao consumo de frutas, elas so ricas em um acar chamado frutose (tm pouca glicose), que absorvido no sangue como frutose e s se transforma em glicose no fgado. Sendo assim, no aumenta muito a taxa de glicose no sangue aps a absoro, exceo feita s uvas, que possuem uma quantidade maior de glicose que as outras, por isso bom consumi-las com muita moderao. O nico alimento que realmente no pode consumir o acar e os alimentos que o contenham. Coma com moderao as massas e abuse de verduras e legumes. Outra opo muito boa so os alimentos integrais: po, arroz e biscoitos integrais, que so ricos em fibras e diminuem e velocidade de absoro da glicose no sangue. E nada de comer bolachas at matar a fome. Prefira, pois, as comidas integrais, com bastante moderao. Parabns pelo bom humor e valorizao de Deus e da vida. Certamente, com Deus em primeiro lugar, todas as outras coisas sero alcanadas. Um abrao. Espero t-lo ajudado um pouco. Osvaldinete Oliveira, olinete@ucdb.br

14. Caro Z Carlos, inicialmente parabenizo-o pela maneira positiva como est cuidando de sua sade. Gostaria de enfatizar-lhe alguns pontos referentes ao diabetes mellitus, sobre muitos dos quais demonstrou j ter conhecimento. O fundamental que procure ter um estilo de vida saudvel, o que pressupe, alm da dieta, da prtica de exerccios regulares, no fumar e evitar bebidas alcolicas, combater o stress, ter lazer e tambm um sono adequado, e tambm cultivar uma vida espiritual. Em relao a sua dieta sugeriria que procurasse realmente ter 6 refeies dirias para evitar a hipoglicemia e picos sanguneos de insulina. A dieta fracionada ajuda a balancear nossa alimentao e deve ser adotada por todas as pessoas, independentemente de ter ou no problemas metablicos como o diabetes. Sugiro-lhe que faa uma avaliao com um nutricionista que ir avaliar seu peso, altura, atividade fsica, etc, e prescrever-lhe uma dieta que dever ser adequada aos seus hbitos alimentares, bem como a sua disponibilidade de alimentos em Ipia. Enquanto no faz a avaliao, aconselho-o a substituir o cafezinho do perodo da manh e da tarde por uma fruta ou 1 copo de iogurte desnatado. A sua atividade fsica me parece interessante, ficando a seguinte sugesto: praticar pelo menos 1 hora de exerccios por dia, a maior parte dos dias da semana, de preferncia, se possvel, todos os dias, pois o exerccio o melhor remdio para nossa sade. No que tange a medicamentos, seria interessante que avaliasse com seu mdico a introduo de aspirina e que ele tambm avaliasse a necessidade de medicaes para controle de lpides (gorduras) sanguneas e da presso arterial, pois no diabetes costuma coexistir estas alteraes. Gostaria de orient-lo para que faa uma avaliao cardiolgica com teste de esforo e outros exames, o que ficar a critrio mdico. No mais, referendo-lhe o Dr. Luiz Leite, mdico clnico e gastroenterologista de grande capacidade que poder acompanhar-lhe com avaliaes peridicas. Cordialmente, Roberto Dultra. Coloco-me sua disposio, em Ubaitaba, onde exero minha atividade em Medicina Clnica e Cardiologia na Clinicor. Telefone: 031-73-230-1990.

15. Ol, Jos Carlos. Recebi seu e-mail, mas estava sem tempo para respond-lo. Perdoe-me a demora. Bom, sou de So Paulo e diabtica desde os 5 anos de idade, portanto faz 24 anos. Na ocasio me foi muito difcil e penoso, pois era raro casos de crianas com diabetes. Meus pais no aceitavam a doena (na verdade, ningum a aceitava). As condies financeiras do meu pai no eram muito boas e o mercado no oferecia os tratamentos e as modernidades de hoje. Mas, graas a Deus, tudo teve um jeito, passei por bons mdicos e conheci pessoas maravilhosas que souberam cuidar bem de mim e da minha sade. Hoje temos a ADJ (Associao de Diabticos Juvenil) e a ANAD (Associao Nacional de diabticos). Ambas contam com servio de bons profissionais, orientao, dicas, cursos de culinria, auto aplicao de insulina, contagem de carboidratos (para uma dieta melhor) e cuidados com os ps, mos, olhos, e exerccios fsicos. muito til e proveitoso, porm quase no fao parte, pois essa aula sei de cor e salteado e a aprendi no dia-a-dia. uma pena que a sua cidade distante e deve ser pequena, com poucos recursos. Tente se educar e pesquisar sobre o assunto para orientao e dilogo. Pela minha experincia, aconselho-o a tomar a medicao recomendada pelo mdico direitinho, no abusar de massas, doces, gorduras e acares (sejam eles carboidratos, como arroz, massas e suco de fruta natural que contm a frutose). Nunca misture duas massas. Se, por exemplo, comer arroz, no coma batata, ou vice-versa. Suco de fruta, apesar de natural, contm frutose, que o acar da fruta que tambm altera a glicemia. Quando tom-lo, misture-o com gua, pois nossa dieta pode conter duas ou at trs frutas e se tomarmos o suco estaremos ingerindo 4 ou 5 laranjas de uma s vez, por exemplo. Quanto aos chs, ajudam no bom funcionamento do rim e a eliminar excesso de acar na urina. Isso no quer dizer que vai ficar curado do diabetes. Se fosse assim, j teria me curado, pois quando era pequena minha me me deu chs de:pata-de-vaca, unha-de-vaca, confrei, abacate, caju, jambolo, alm de simpatias com cana-de-acar, mamo papaya e tomei at vinagre (foi uma das simpatias), tudo o que pode imaginar. Penso que meu organismo tem uma deficincia (alguma coisa no funciona), por isso o fato de tomar remdios e fazer dieta, mas para quem pensa diferente tudo vlido, no acha? No deixe que o problema faa sua vida desandar para caminhos tortuosos. Todas as precaues que tomarmos valero a pena, porque retardaremos a chegada das molstias mais graves e at fatais (falncia dos rins, cegueira e amputao). Sou super saudvel e feliz. Minha dieta to boa quanto dos demais. Fique dentro do peso. Faa bastante exerccios fsicos, principalmente hidroginstica. Coma a cada 2 horas (em pequenas quantidades). Tome a medicao recomendada pelo mdico e viva feliz. Vou pesquisar os endereos e sites na Internet e livros para me familiarizar com os riscos e tratamentos. Escreva-me. Beijos. Luciana, lucianakora@ig.com.br

16. Ol, Z Carlos. Foi com muita satisfao que li seu e-mail. Tambm sou portadora de diabetes e sei o quanto difcil no comeo. Pelo visto tem o diabetes tipo 2 e o trata com comprimidos. timo! Descobri h 1 ano e meio que tenho o diabetes tipo 1 e preciso tomar insulina 6 vezes por dia. Hoje a encaro de forma tranqila, mas no comeo... Peo desculpas por no lhe telefonar, mas que moro em Paranagu, PR, e sairia muito caro um interurbano, porque tenho certeza de que ficaria muito tempo falando com o amigo, pois senti que uma pessoa muito especial. Por isso fica mais fcil corresponder-me com voc por e-mail. Quanto quela "fraqueza" que disse sentir em intervalos da manh e da tarde, chama-se HIPOGLICEMIA. quando a taxa de glicose baixa alm do normal. No comeo tambm no sabia o que era e ficava desesperada. uma sensao horrvel. Sentimos que vamos desfalecer e o corpo no reage. Realmente s ingerir um pouco de acar que mais ou menos 15 minutos depois j melhora. A quantidade pode ser: uma colherinha de cafezinho de acar em meio copo dgua, ou uma bala (normal), ou um pedao de chocolate, etc. No comeo, passei muita fome. Tinha medo de comer qualquer coisa, porque minha taxa de glicose era de 380 mg/l e no abaixava de jeito nenhum. Em trs meses perdi 14 quilos. Cheguei a pesar 36 (hoje estou com 48). Naquela poca parecia um cadver ambulante. Eu, meu marido e meus filhos ficamos desesperados. Depois que iniciei o tratamento com insulina comecei a recuperar meu peso. Voc falou no lado emocional da doena e verdade. Afeta mesmo. Creio que a adquiri por motivos emocionais. H cinco anos perdi meu pai (que adoro) de cncer. Minha me, devido morte dele, sofreu inmeros derrames, e ficou vegetando na cama por quatro anos e meio. Faleceu tambm. Tenho duas irms e uma delas tambm est com cncer. Tinha certeza de que estava reagindo bem a tudo isso, mas a apareceu a doena e o mdico me explicou que meu organismo reagiu desencadeando o diabetes. Fazer o qu, no ? Dos males, o menor. Agora procuro controlar mais o meu emocional e estou conseguindo. H dois meses uma amiga minha me indicou um remdio natural que est fazendo "milagres" para mim e para quem indico. totalmente natural. O laboratrio de Minas Gerais. Chama-se JAPADI. Vou dar-lhe o telefone deles, que gratuito. Liga para l e pergunta-lhes aonde pode encontrar o remdio a na sua cidade. O telefone 0800312903. Meu querido amigo (no se importa de cham-lo assim, no ?) mas que senti um grande carinho por sua pessoa, no sei se lhe ajudei muito, pois ainda estou aprendendo tambm com a doena. De qualquer forma, adoraria corresponder-me com voc e trocar idias, conhecimentos, mensagens, piadas, etc. Para me conhecer um pouco melhor: tenho 41 anos, sou casada, com dois filhos lindos (hehehehehe) e me sinto muito feliz. Sigo a doutrina esprita kardecista e participo de reunies semanais. Acredito, incondicionalmente, no Pai Celestial e sei que tudo que nos acontece para o nosso bem. Desejo-lhe, e a sua famlia, uma FELIZ PSCOA e que a paz de Deus esteja sempre com vocs. Beijos carinhosos, Ktia, kpm@brturbo.com

17. Boa tarde! Legal receber seu email. Muito bom mesmo. Pois , minha estria muito parecida com a sua. Sou casado, tenho 2 filhos lindos e maravilhosos: o Eric, com 18 anos (fez aniversrio em dezembro passado ) e o Emlio, com 16 anos. Resido em Volta Redonda, RJ, mas meus pais e parentes esto em So Paulo, enquanto minha esposa mineira de Leopoldina. Aqui mesmo, tenho poucos parentes, mas, graas a Deus, muitos amigos. Tenho 48 anos e fiquei sabendo que era diabtico h 3 anos. Tive uma srie de infeces de pele, sede excessiva, perda de peso violenta, ou seja, uma srie de anormalidades, todas num intervalo muito curto de 2 a 4 semanas. A coisa ficou preta. Todo mdico que me atendia perguntava: diabtico? A resposta: claro que no, nunca tive isso, etc. Mas, aps um simples exame de sangue, veio a evidncia que temia: 486 de glicose. Mesmo assim, na poca, no admitia o fato. Para mim era uma crise passageira que sumiria em pouco tempo. Sem nunca ter nenhum sinal, de uma hora para outra a surpresa. Meu diabetes do tipo 2. No incio, comecei o tratamento com 2mg de PRANDIM + 2mg de AMARRIL. Abandonei o carro, s ando a p (e bastante), doces, e nunca mais ingeri acar direto. Recomecei a praticar natao e futebol com os amigos e tenho me sado bem nessa brincadeira toda. De 2+2mg, hoje estou usando - regularmente - o PRANDIM de 0,5mg. Mas, para chegar at aqui, foi uma batalha que tive que vencer internamente. Atualmente, todos os familiares e amigos me ajudam no que podem, no dia-a-dia. No servio, todo ms tem festa de aniversariantes e - antes - era bolo doce, confeitado e com recheio maravilhoso. Hoje, continua o bolo doce, mas incluram torta e bolo salgado, refrigerante diet, etc. Como pode observar, isso mudou os meus hbitos e dos familiares e amigos com os quais convivo. Bem, resumindo: O diabetes uma deficincia do pncreas em produzir insulina em quantidade suficiente para metabolizar o acar (transform-lo em energia ). Assim, em vez do acar ir para as clulas (levado pela insulina) fica no sangue (onde prejudicial) e causa bastante transtorno. Pode acarretar coisas muito desagradveis, chegando a comprometer outros rgos e levar - em ltima instncia - morte. Mas, hoje em dia, ningum mais morre de diabetes, se estiver bem informado e monitorado. O excesso de acar no sangue tende a deix-lo magro, com muita sede, aparecimento de infeces, etc. A falta de acar no sangue o deixa tonto, com a vista embaada , vendo estrelinhas. Sugesto: No coma mais do que gasta em energia (isso fcil). Comeu pouco, gaste pouco. Comeu muito, gaste muita energia. Infelizmente, s os exerccios no resolvem de imediato. Procure ajuda mdica e se medique conforme orientao do profissional. Procure medir periodicamente sua taxa de glicemia (compre um bom aparelho). Gordura gera acar. Evite comidas e alimentos gordurosos. Faa exerccios moderados e contnuos. Valem mais que exerccios pesados e eventuais. No ingira acar direto, evite sempre acares indiretos (pes, massas, batatas). Use e abuse de verduras. Consuma frutas regularmente, coma as cascas e o bagao, se possvel. Evite stress e confuso. Viva tranqilo e sossegado. E o mais importante:mantenha-se alegre e usufrua da vida da melhor maneira possvel. Esteja sempre de bem com ela. No mais, abraos, carlos.rocha@csn.com.br

18. Ol, Z Carlos! Por que decidiu escrever-me? Como descobriu meu e-mail? Bem, sou nutricionista e tenho alguns comentrios a fazer. Voc perguntou a real necessidade de fazer vrias refeies ao dia, no mesmo? Normalmente, oriento meus pacientes dessa maneira para que no entrem em hipoglicemia (ou seja, glicemia muito baixa), quadro bastante comum em diabticos que fazem uso de hipoglicemiantes (no seu caso, Daonil). Quando isso ocorre, o corpo d sinais: tremores, tontura, mau hlito, fraqueza, formigamento, palpitao e, s vezes, at desmaio. Voc vem apresentando esses sintomas exatamente porque concentra sua alimentao no almoo e nas refeies noturnas. Como faz exerccios regularmente, DEVE comer carboidratos (massas ou frutas) vrias vezes ao dia. Em vez de comer 2 pes noite e, ainda, biscoitos, coma um po pela manh e outro noite, ou deixe o po para a noite e, logo cedo, coma o biscoito. Mas, cuidado! Biscoitos tm muita gordura e sal. Evite comer mais de 6 biscoitos de uma vez. Nos intervalos, coma uma fruta. No preciso mais do que isso. No d trabalho, pode levar para o trabalho (no sei se o caso). Mas, ateno: importante comer a fruta, e no tomar o suco. Os sucos, principalmente os naturais, tm muito acar. No que o acar da fruta faa mal, mas a quantidade que come em uma fruta bem menor (e sacia mais) do que a que tem em um copo de suco natural, pois ele leva muitas frutas. E o suco ainda nem enche tanto. O melhor mistur-lo com gua em vez de tom-lo puro. Faz bem em comer muita verdura e no abolir o arroz (ou o macarro) e o feijo da alimentao. Quanto margarina light, a melhor opo a Becel, e tem tambm a Milla. No acho esta a principal correo da sua dieta. Que tal um plano? Caf-da-manh:Leite, caf, po com margarina ou queijo branco, fruta. 10 h: fruta (basta uma unidade ou uma fatia). Almoo e jantar: 1 tipo de massa - arroz, macarro, batata, mandioca, milho, pur de batata, nhoque, angu... (preencha 1/4 do prato com o carboidrato, nome cientfico das massas); feijo (1/4 do prato, tambm);carne (uma a duas pores, dependendo do tamanho). Nada de exageros! Ningum precisa tanto de carne a ponto de comer muita quantidade. Carne demais pode afetar os rins, que j so muito sensveis nos diabticos. Coma bastante salada, verdura cozida ou refogada. No precisa abolir o leo, que extremamente necessrio: s usar pouco e evitar frituras. Lanche: fruta. Jantar: almoo ou sopa ou igual ao caf-da-manh. Antes de dormir: leite (ou queijo ou iogurte) e um pouco de massa (1 po ou 6 biscoitos ou 1 fatia mdia de cuscuz). A grande mudana : caf da manh com algo alm do caf preto e, nos intervalos, uma fruta! Vai ver como seus tremores e formigamentos vo melhorar! Como toma o remdio pela manh, precisa comer pela manh muito bem, seno acaba sentindo aquela fome agressiva tarde e noite. No isso o que acontece com voc? Acaba engordando porque come muito noite, depois vai dormir e corre o risco de sofrer com a hipoglicemia durante o dia. Caso sinta o problema, pode chupar uma balinha ou tomar um copo de suco com acar. Melhora na hora, pois quando isso acontece porque o corpo tem pouco acar circulando no sangue. O caramelo que perguntou bem vindo nessa hora. Por fim, como tem mais de 60 anos, no precisa exigir tanto do seu peso. Pode pesar at 78 kg, que perfeitamente saudvel. Outro detalhe importante: caf demais faz a presso subir e, se for coado em coador de pano, pode aumentar o colesterol. Assim, beba-o menos ou, caso no consiga diminuir a quantidade, passe a co-lo em filtro de papel (acho mais fcil beber menos!). Sei que muita informao, mas no nada demais ser diabtico. uma doena que s o prejudica se deixar, e no difcil control-lo, basta comer a cada 3 horas ( imprescindvel), tirar o acar e comer muita fibra (frutas, verduras, saladas, feijo devem fazer parte de sua alimentao diariamente). Procedendo dessa maneira, fica at mais fcil emagrecer! Espero t-lo ajudado um pouco. Sempre que quiser, pode escrever-me. Abraos, Helinia, Braslia-DF.

CAPTULO VI.

PESQUISA FEITA NA INTERNET SOBRE DIABETES, CUJAS INFORMAES TAMBM ABORDAM ASSUNTOS LIGADOS REA DE NUTRIO.

NOES GERAIS SOBRE O DIABETES.

O diabetes mellitus, popularmente conhecida por DIABETES, um distrbio do metabolismo que afeta primeiramente os acares (glicose e outros), mas tambm tem repercusses importantes sobre o metabolismo das gorduras (lpides) e das protenas. Muita gente pensa que o diabetes uma doena simples e benigna, um probleminha banal de "acar alto no sangue". Na verdade, infelizmente no bem assim. O diabetes uma disfuno que, se no tratada e bem controlada, acaba produzindo, com o correr do tempo, leses graves e potencialmente fatais, como o infarto do miocrdio, derrame cerebral, cegueira, impotncia, nefropatia, lcera nas pernas e at amputaes de membros. Por outro lado, quando tratado e bem controlado, todas essas complicaes crnicas podem ser evitadas e o paciente diabtico ter uma vida perfeitamente normal. Recentemente, foi concludo um grande estudo, nos Estados Unidos, que demonstrou que o controle adequado do diabetes , realmente, o nico caminho para se evitar as complicaes mencionadas. Essa foi a concluso do Diabetes Control and Complications Trial.

DIABETES TIPO 1.

No diabetes tipo 1, ou insulino-dependente, as clulas do pncreas que normalmente produzem insulina, foram destrudas. Quando pouca ou nenhuma insulina vem do pncreas, o corpo no consegue absorver a glicose do sangue; as clulas comeam a "passar fome" e o nvel de glicose no sangue fica constantemente alto. A soluo injetar insulina subcutnea (embaixo da pele) para que possa ser absorvida pelo sangue. Ainda no possvel produzir uma forma de insulina que possa ser administrada oralmente, j que ela degradada, no estmago, em uma forma inativa. Uma vez que o distrbio se desenvolve, no existe maneira de "reviver" as clulas produtoras de insulina do pncreas. O transplante de um pncreas sadio ou, apenas, o transplante de clulas produtoras de insulina de um pncreas sadio j foram tentados, mas ainda so considerados em estgio experimental. Portanto, a dieta correta e o tratamento com insulina ainda so necessrios por toda a vida de um diabtico. No se sabe o que causa a destruio das clulas produtoras de insulina do pncreas ou o porqu do diabetes aparecer em certas pessoas ou em outras. Fatores hereditrios parecem ter um papel importante, mas o distrbio, praticamente, nunca diretamente herdado. Os diabticos, ou as pessoas com diabetes na famlia, no devem ter restries quanto a ter filhos.

DIABETES TIPO 2.

Embora no se saiba o que causa o diabetes tipo 2, o fator hereditrio tem uma importncia bem maior do que no diabetes tipo 1. Tambm existe uma conexo entre a obesidade e o diabetes tipo 2; embora a obesidade no leve, necessariamente, ao diabetes. O diabetes tipo 2 um distrbio comum, afetando 5 - 10 % da populao. Todos os diabticos tipo 2 produzem insulina quando diagnosticados e, a maioria, continuar produzindo-a pelo resto de suas vidas. O principal motivo que faz com que os nveis de glicose no sangue permaneam altos est na incapacidade das clulas musculares e adiposas de usarem toda a insulina secretada pelo pncreas. Assim, muito pouco da glicose presente no sangue aproveitada por estas clulas. A ao reduzida da insulina chamada de "resistncia insulnica". Os sintomas do diabetes tipo 2 so menos pronunciados e a razo para considerar este tipo de diabetes mais "brando" que o tipo 1. O diabetes tipo 2 deve ser levado a srio, embora seus sintomas possam permanecer desapercebidos por muito tempo, pois pode ser um srio risco sade do indivduo.

SINAIS DO DIABETES.

Uma pessoa com diabetes mellitus no tratada apresenta os sinais da hiperglicemia que nada mais do que a tentativa do organismo em eliminar o excesso de glicose, que produz muitos sintomas. Os mais freqentes so: Aumento do volume de urina (poliria); sede (polidipsia); fadiga, fraqueza; perda de peso; aumento do apetite (polifagia). Algumas vezes os sintomas so to discretos que o indivduo pode ficar anos sem perceber estas alteraes. Por isso o diagnstico de diabetes freqentemente feito atravs de exames de rotina, sem que houvesse uma suspeita anterior da doena.

NVEIS DE GLICOSE NO SANGUE.

Para diagnosticar apropriadamente o diabetes, o mdico deve saber a quantidade exata de glicose presente no sangue do paciente. A quantidade expressa em milimols por litro (mmol/1), referindo-se ao nmero de molculas de acar por litro de sangue. Outra maneira de expressar o valor em miligramas de acar por decilitro (mg/dl). Em indivduos no diabticos, o nvel normal de glicose no sangue , aproximadamente, de 5 mmol/1 (90mg/dl). Logo aps uma refeio, o nvel aumenta para, talvez, 7 mmol/1 (126mg/dl). 0 nvel raramente cai abaixo de 3,5 mmol/1 (63 mg/dl). Em geral, no se encontra acar na urina se o nvel de glicose no sangue for menor que 10 mmol/1 (180mg/dl).

MONITORIZAO DO DIABETES.

Quando se fala em automonitorizao, sempre pensamos nas implicaes que ela representa e no fato de que a pessoa deve tratar do diabetes a partir de controles metablicos. Existem estudos e pesquisas que j demonstraram a importncia da manuteno dos controles metablicos (glicemia capilar, glicosria e cetonria) em taxas ideais, como maneira de prevenir ou retardar as complicaes crnicas do diabetes mellitus. Os objetivos da automonitorao chegar a valores mais prximos do normal para glicemia capilar, glicosria e cetonria. Os valores para glicemia capilar em jejum vo de 60 a 120 mg/dl. Aps a alimentao, o valor normal da glicemia chega a 160 mg/dl. Antes de dormir a glicemia deve estar entre 120 a 160 mg/dl. Nos casos dos valores de glicosria e cetonria, o ideal que estejam sempre negativos. Cada tipo de controle tem suas vantagens e desvantagens. Contudo, preciso considerar que a glicemia capilar oferece uma vantagem significativa que a avaliao direta da glicemia. Atravs do teste de ponta de dedo, possvel saber no momento o valor da taxa de acar no sangue, o que possibilita a deteco de uma hipoglicemia ou de uma hiperglicemia. Em alguns casos possvel fazer uma leitura visual do valor da glicemia. Apesar do pequeno desconforto da picada e do custo mais elevado para se fazer a glicemia capilar com freqncia, o tipo de teste mais indicado. necessrio que o exame seja efetuado com a tcnica adequada, caso contrrio os valores resultantes estaro incorretos. H que se considerar ainda que as pessoas com problemas de viso podero ter dificuldades de ler o exame. Portanto, quem tem algum problema visual deve estar acompanhado na realizao do teste.

HIPOGLICEMIA.

O principal objetivo do tratamento do Diabetes normalizar sua glicemia (acar no sangue). Para conseguir um perfeito equilbrio metablico, preciso um equilbrio entre dieta, exerccios fsicos e medicao (insulina ou hipogliceminantes orais). Caso no ocorra esse equilbrio, poder apresentar hipoglicemia ou hiperglicemia). A hipoglicemia a queda excessiva de acar no sangue. A apario dos sintomas rpido e os nveis de glicose no sangue estaro abaixo de 70 mg/dl. Causas da Hipoglicemia: Excesso de exerccios fsicos; falta de uma refeio regular ou fora do horrio; pouca quantidade de alimentos; vmito ou diarria; administrao de alta dose de insulina ou ingesto de maior quantidade de hipogliceminantes orais; consumo de bebidas alcolicas. Sintomas da Hipoglicemia: Fome sbita; fadiga; tremores; tontura;taquicardia; suores; pele fria, plida e mida; viso turva ou dupla; dor de cabea; dormncia nos lbios e lngua; irritabilidade; desorientao; mudana de comportamento; convulses; perda do conhecimento. Em caso de suspeita de hipoglicemia, vai perceber um ou mais desses sintomas. Ao detectar os sintomas, deve-se proceder da seguinte forma: O objetivo elevar o nvel de acar no sangue. Se possvel, verifique sua glicemia com tiras reagentes. O teste quantifica o acar no sangue. No aconselhvel faz-lo atravs da urina, pois o resultado no confivel no momento da hipoglicemia. Deve ingerir algum alimento, como um copo de leite, suco de frutas ou refrigerante. Se, aps 10 minutos, os sintomas no melhorarem, beba gua com acar, coma chocolate, uma bala ou tabletes de glicose. Seu mdico pode ainda indicar para estas situaes o medicamento Glucagen injetvel. O Glucagen libera glicose no sangue. O alimento deve ser dado quando o diabtico estiver consciente e for capaz de engolir, nunca quando inconsciente. Se estiver inconsciente, deve ser feito o seguinte: Colocar na boca dele, do lado interno da bochecha, acar ou mel e friccionar a parte interna da bochecha para facilitar a absoro. As medidas devem ser imediatas e as pessoas que convivem com o diabtico precisam ser informadas do problema: colega de escola ou trabalho, familiares e amigos. Eles podem salvar sua vida. Se, aps as medidas, o diabtico continuar inconsciente, leve-o imediatamente ao Pronto-Socorro mais prximo, informando ao mdico plantonista o antecedente de diabetes, os sintomas da hipoglicemia que a pessoa apresentou e o que foi feito at o momento. Seguramente, o mdico administrar Glucagen ou glicose endovenosa e verificar a glicemia. Quando a reao terminar, o diabtico deve ingerir algum alimento de absoro lenta, como um sanduche, bolachas, uma fruta ou outro alimento que tenha costume de comer normalmente. Como evitar a Hipoglicemia. Programe suas atividades fsicas; ingira alimentos extras antes de exerccios fsicos; cumpra o plano alimentar: horrio, quantidade e qualidade dos alimentos. Em caso de vmito e diarria, informe seu mdico imediatamente. Utilize a medicao prescrita nas doses e horrios indicados pelo mdico. Evite bebidas alcolicas. Em situaes especiais, como viagens, festas, entre outras, intercale sua alimentao regular com lanches extras, de acordo com a situao. IMPORTANTE. Use sempre um carto de identificao de diabtico, que pode salvar sua vida. Leve sempre consigo Glucagen, que, em caso de hipoglicemia severa, poder salvar sua vida. Tenha sempre consigo balas ou tabletes de glicose. Reconhea os sintomas e trate-os prontamente. Hipoglicemias noturnas podem se manifestar com pesadelos, gritos, alm dos sintomas mencionados. Pode acontecer hipoglicemia sem sintomas e sua deteco s possvel ao fazer o exame de glicemia no sangue. Por isso, muito importante realizar autocontrole domiciliar e informar seu mdico.

HIPERGLICEMIA.

Taxas de glicose elevada (acima de 140mg/dl em jejum ou acima de 180mg/dl aps a refeio). Se ocorrer a hiperglicemia, significa que o diabetes est fora de controle e se assim permanecer durante um perodo prolongado, poder causar circulao de sangue deficiente, implicando num risco maior de complicaes crnicas, como: problemas no corao, cegueira, amputaes de ps ou pernas e enfermidades nos rins. No diabetes tipo 1, a hiperglicemia pode conduzir cetoacidose, onde a taxa de glicose no sangue geralmente est muito elevada, acima de 240mg/dl, ocorrendo a liberao das cetonas na corrente sangunea e na urina. Portanto, quando h presena de cetonas na urina, a glicemia est extremamente alta. A cetoacidade uma emergncia mdica muito importante. Causas: Excesso de alimentos; medicao insuficiente; doena ou infeco;tenso emocional; pouco exerccio fsico. Sinais e Sintomas: Muita sede;garganta seca; urina freqente; viso turva; muito cansao e sonolncia;cetonria; inconscincia, nos casos graves. Tratamento: Verifique a glicemia ou a glicosria e a cetonria. Se a glicemia estiver acima de 240mg/dl procure o mdico. Quem se esfora para manter um adequado controle da glicemia (acar no sangue) sabe que isso nem sempre fcil. Muitas vezes, pensamos que estamos fazendo tudo certinho, da melhor forma possvel e tomamos um susto enorme quando pegamos o resultado dos exames. Uma boa indicao para prevenir a hiperglicemia fazer 5 ou 6 pequenas refeies bem equilibradas todos os dias. No importa se vai almoar em Belm, Salvador, Porto Alegre, ou fazer sua refeio na rua, no trabalho ou em casa: escolha sempre um bom prato de salada para comear, uma poro de carne (de preferncia frango, peixe ou carne vermelha magra) e uma pequena poro de arroz e feijo, ou macarro, ou batata. Para a sobremesa, prefira as frutas. Deixe as preparaes tipo diets para a hora dos lanches. Lembre-se de que a maioria dos produtos dietticos ou mesmo as receitas diets feitas em casa, preparadas sem acar, podem ser bastante calricas e, portanto, tambm aumentam a glicemia. Isso no significa que no pode nunca mais comer os produtos diets. S que tem que aprender a escolher qual o melhor horrio do dia para consumi-los, sem que interfiram ou faam sua glicemia subir demais. OUTROS SEGREDINHOS. Utilize alimentos integrais ricos em fibras. Beba bastante lquido ao longo do dia. gua, chs, refrescos e sucos de frutas como limo, maracuj ou caju so muito bem-vindos. Deixe sucos como laranja, manga e uva para beber quando estiver com hipoglicemia (glicemia abaixo de 70 mg/dl) ou tiver feito algum tipo de atividade fsica. Sempre que possvel evite o uso de doces ou acar para corrigir as hipoglicemias. Freqentemente, com o uso de doces e com o excesso de zelo, acaba indo da hipo direto para a hiperglicemia (acima de 180 mg/dl). Lembre-se de que numa emergncia deve usar o que estiver mo. Se no tiver uma pastilha de glicose ou o lanche que utiliza com freqncia, aceite qualquer outra coisa para poder elevar sua glicemia.

A IMPORTNCIA DO TRATAMENTO.

Os diabticos que raramente monitoram seus nveis de glicose no sangue podem estar controlando muito mal o distrbio sem se darem conta disso, porque os sintomas no so sempre bvios. Porm, muitos diabticos se sentem melhor quando monitoram o nvel de glicose no sangue. No fcil definir exatamente qual o nvel ideal de glicose para todos os diabticos. Naturalmente, o nvel normal de glicose no sangue o ideal, embora talvez seja muito difcil obt-lo. Existem indicaes fortes de que um bom controle da glicose no sangue retardar ou prevenir o desenvolvimento das posteriores "complicaes do diabetes". As complicaes que podem levar anos para aparecerem incluem:Aumento dos riscos de um ataque cardaco; circulao sangunea deficiente e a perda de sensibilidade nas pernas e ps; olho diabtico e doenas renais. Os diabticos no precisam, necessariamente, apresentar todas estas complicaes e alguns jamais as experimentaro. Porm, no possvel predizer quem as apresentar ou no.

EXERCCIOS.

Os exerccios fsicos aumentam a sensibilidade do corpo insulina e, portanto, tendem a diminuir o nvel de glicose no sangue. Para o diabtico, qualquer tipo de atividade fsica (trabalho em casa, caminhar, correr) deve ser considerado como exerccio. Exerccios regulares e programados so melhores porque impactos sbitos, de exerccios mais intensos, podem trazer problemas para o controle da glicose no sangue. Se pratica esportes, pode continuar a faz-los com toda a segurana, desde que o seu diabetes esteja razoavelmente bem controlado e que tome as precaues necessrias para evitar nveis extremamente baixos de glicose no sangue. Durante os exerccios que no faam parte de sua rotina diria, especialmente os pesados, provavelmente necessitar de um lanche prvio ou diminuir a dose de insulina injetada, sempre com a orientao do seu mdico.

DIETA.

Os alimentos podem, a grosso modo, ser divididos em duas categorias: os que contm acares "rpidos" (carboidratos de absoro rpida) e os que tm acares "lentos" (carboidratos de absoro lenta). Os alimentos com acares "rpidos" contm acar refinado e incluem gelias, doces, balas, frutas, sucos de frutas e leite. Estes acares "rpidos" produzem altos nveis de glicose no sangue (dependendo da quantidade consumida), porque o acar chega corrente sangnea em um curto perodo de tempo. Portanto, melhor combin-los com acares "lentos", que so encontrados em alimentos como batatas, vegetais e arroz. Os acares "lentos" so mais seguros para o diabtico porque chegam corrente sangnea mais lentamente e do ao corpo a chance de absorv-los antes que se "acumulem"no sangue. As fibras dos alimentos retardam a absoro de acares. Pode, tambm, reservar o consumo de acares "rpidos" para os perodos onde o seu controle mostrar que o seu nvel de glicose no sangue est muito baixo. Quando isso acontecer, sentir os efeitos e dever consumir acares "rpidos" para corrigir esse estado. Ter mais informaes sobre essa condio na parte relativa ao tratamento com insulina. Algumas regras gerais devem ser sempre lembradas: Coma de 4 a 6 pequenas refeies e lanches por dia;mantenha horrios rgidos para as refeies; no "pule" refeies;no coma alm da conta; coma apenas as quantidades recomendadas pelo seu mdico, nutricionista ou educador em diabetes; coma pes de fibras ou de gros inteiros e evite o po branco; coma verduras e legumes diariamente; evite gorduras, acares e o lcool.

COMO DEVO COMER?

Uma alimentao equilibrada aquela que contm todos os nutrientes: carboidratos ou acares, protenas, gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras vegetais e gua. O equilbrio nas refeies garante boa nutrio e melhor controle da glicemia. Fracione os alimentos em vrias pequenas refeies. Os alimentos que tm fibras so: Leguminosas (feijes, ervilhas, lentilha, gro-de-bico e soja), cascas e bagaos de frutas, legumes e verduras. Inclua aveia e cevada em sua alimentao. Prepare os alimentos com leos vegetais, como os de soja, arroz, girassol, gergelim, canola ou oliva. Evite carnes gordas, queijos gordurosos, creme de leite, maionese e manteiga. Reduza a adio de sal no preparo de alimentos. No coloque sal no alimento j preparado. No use temperos, molhos e alimentos industrializados. Abuse de ervas aromticas, como alho, cebola e cheiro verde. Use moderadamente adoantes e outros produtos dietticos. Produtos dietticos devem ser consumidos sob orientao do nutricionista ou mdico. Verifique na embalagem se o produto indicado para diabticos.

DICAS PARA UMA DIETA SAUDVEL.

Tenha fora de vontade. No adianta comear uma dieta e abandonar logo na primeira dificuldade. Coma as frutas com o bagao, pois contm fibras que ajudam a saciar a fome e a melhorar o funcionamento do intestino. Pedale, nade, corra ou ande pelo menos trs vezes por semana. Quando precisar subir dois ou trs andares, evite o elevador. Subir pela escada ajuda a queimar algumas calorias. Troque os sorvetes cremosos pelos picols de frutas, porque so bem menos calricos. No pule o caf da manh para no exagerar no almoo. No pule o almoo para no exagerar no jantar. Se tiver fome entre as refeies, fuja dos doces e salgadinhos. Prefira uma fruta. No use s roupas largas. Pode pensar que cabe mais um pouquinho e acabar comendo em excesso. Aproveite as claras de ovos para fazer omeletes e sufls. protena pura, no contm colesterol e tm apenas 45 calorias cada. Prefira alimentos integrais em vez dos refinados. Contm mais fibras, so mais nutritivos e acabam com a fome mais rpido. Em vez de se pesar, tire as medidas das coxas, da cintura, do quadril e do busto. um recurso mais eficiente para saber se est perdendo gordura. Use e abuse dos chs de erva-cidreira, erva-doce, etc. Evite os que contm cafena, como o preto e o mate, j que estimulam o sistema nervoso central, deixando-o mais ansioso. No adianta ficar magro e flcido. Um programa de exerccios deve acompanhar a dieta. Esquea as frituras. Prefira assar, grelhar, refogar ou cozinhar os alimentos, de preferncia sem leo. A cervejinha, o usque e a caipirinha no so proibidos para sempre. Mas evite-os no dia-a-dia. Qualquer bebida alcolica extremamente calrica. Coma sempre sentado mesa, nem que seja uma fatia de queijo. Fica mais fcil para criar uma disciplina. No faa as refeies ouvindo msica alta e agitada. Pode entrar no mesmo ritmo e acabar comendo rpido demais. Descanse os talheres no prato entre uma "garfada" e outra. Esse truque o ajudar a comer devagar. Antes de repetir o prato, d tempo da mensagem de saciedade chegar ao crebro. Comece a refeio com uma salada variada. Ao partir para os pratos quentes, j vai estar com menos fome. No reprima suas emoes. Grite quando estiver com raiva e chore quando estiver triste. Assim, no desconta na comida. Programe sua geladeira. Tenha sempre iogurtes, frutas e legumes em vez de tortas, bolos e sorvetes. Nunca faa jejum. Alm de no emagrecer, vai deix-lo fraco e com mais fome. Saboreie realmente os alimentos. Do contrrio, comer tornar-se- um gesto automtico que far sem pensar e sem sentir o gosto da comida. No final da refeio, no fique na mesa fazendo hora. No tenha pressa para emagrecer. Perder os quilos extras aos poucos no o deixar entrar no efeito sanfona (engorda-emagrece-engorda). Cuidado com a fome psicolgica, aquela que provocada pela ansiedade e no pela fome verdadeira. Se j acabou de almoar, nada de ficar beliscando. Fuja das confeitarias! Quando chegar o inverno, use e abuse das sopas que no levam creme de leite. No repita o chavo:"Preciso fechar a boca". Em vez de fazer greve de fome, reeduque os seus hbitos alimentares. Quando fizer algo perto de casa, prefira ir a p. Deixe o carro na garagem. Evite os carboidratos no jantar. Durante o sono, o metabolismo mais lento e o gasto energtico menor. No substitua as refeies principais por sucos. Apesar de poucas calorias, no saciam a fome e no contm todos os nutrientes de que precisa. No vero, fique com os alimentos leves. Abuse das saladas. Os pequenos excessos ficam para o fim de semana. No dia-a-dia, controle-se! Beba dois litros de gua por dia, no mnimo. Depois do jantar, espere duas horas para se deitar. Isso evita o risco de armazenar gorduras. Evite fazer as refeies sozinhas, pois acaba comendo mal e com pressa. Aprenda a dizer no para si mesmo quando sentir vontade de repetir o prato. A segunda rodada quase sempre gulodice e no fome. No v com fome ao supermercado para no atacar as guloseimas. O iogurte diet pode substituir o creme de leite. Use-o para engrossar molhos e cremes. Se no resistir a um churrasco, fique com as carnes mais magras, como picanha ou alcatra (sem gordura!). Fuja do cupim, da carne de porco e da lingia. No v para uma festa com fome. L vai encontrar bolo, coxinha, brigadeiro... Por isso, melhor comer uma salada ou tomar uma sopa antes de sair. Evite os fast-foods. Sempre que estiver nervoso ou ansioso, deixe para comer mais tarde. Caso contrrio, acabar no prestando ateno na quantidade e no sabor dos alimentos. Evite os alimentos enlatados, principalmente os conservados em leo ou acar e o excesso de sal, que retm lquido no corpo. Uma opo mais light quando for comer fora a comida japonesa (no confunda com a chinesa, que super gordurosa). Se adora massa, coma logo aps se exercitar. Assim, o carboidrato servir para repor a energia que gastou e no ser armazenado na forma de gordura. Quando quiser um sanduche, opte por itens leves: po integral, ricota, peito de peru ou frango, alface e cenoura. Evite o acar direto, calorias "vazias", sem nenhum valor nutritivo; prefira o acar indireto, contido nas massas, no po, etc. Substitua o po comum pelo po integral e o acar pelo mel. Quando partir para um pequeno luxo alimentar, v at o fim, em qualidade. Compre o melhor chocolate e coma pouco. Aprenda a reconhecer o paladar. Se j comeu muito jantando com os amigos, no faa um drama, cuide-se no dia seguinte e lance como perdas e ganhos. Para sua salada, reduza levemente o leo: uma colherada em lugar de duas, j uma vitria. Continue a caa gordura, deixando suas frituras descansarem sobre um papel absorvente. Um truque para ovos estrelados: substitua o leo ou manteiga por gua. Os ovos no grudam e economizar uma boa centena de calorias. No se deixe enganar, nove torradas fazem em calorias o mesmo que seis pezinhos. No restaurante, sempre que possvel, utilize a regra do prato nico, seguido de uma fruta. Coma lentamente: no fim de vinte minutos, depois do comeo da refeio, o organismo desencadeia mecanismos de saciedade. Adquira o hbito de mastigar bem os alimentos. Ter uma digesto melhor e comer menos. importante pesar-se regularmente. Uma vez por semana suficiente. Reaja ao primeiro quilo a mais. Deve-se emagrecer antes de correr e no correr para emagrecer - o que dizem alguns especialistas em corrida. Quando chegar em casa telefone para um amigo, ou beba um copo d'gua, assim evitar os petiscos do fim da tarde. S use adoantes. Elimine totalmente o acar do seu ch, caf e dos iogurtes. Descobrir o autntico sabor. Se o seu regime elimina o prazer de comer porque qualquer coisa no funciona. Consulte um endocrinologista. Fruta faz bem, mas cuidado - nunca mais do que uma ou duas por dia, porque tambm tem acar. Privar-se do sal nunca fez ningum emagrecer, mas seu abuso excita o apetite. Seja prudente com os regimes aconselhados nos produtos dietticos: as recomendaes so freqentemente contestveis e perigosas para a sade. O po integral aconselhado por ser rico em vitamina B e em germe de trigo, que possibilita o perfeito funcionamento dos intestinos.

A IMPORTNCIA DAS FIBRAS NA ALIMENTAO DO DIABTICO.

Fibra alimentar o material da parede celular vegetal que resiste digesto das enzimas e demais secrees digestivas do homem. Seu uso melhora o controle metablico com a reduo dos nveis plasmticos de carboidratos, glicose e insulinas ps-prandiais atravs do retardamento da absoro dos carboidratos, reduzindo a dose de insulina necessria para o controle. A fibra, quando ingerida crua, desempenha melhor suas funes, pois aps coco, fervura ou espremedura, rompem sua estrutura, diminuindo os efeitos benficos. Classificam-se em solveis (aveia, feijo, leguminosas secas, abbora, couve-flor, couve, cenoura, batata, ma, frutas ctricas, morango) e insolveis em gua (trigo, cereais, gros integrais, leguminosas, favas, brcolis, couve de Bruxelas, casca de pepino, rabanete, beterraba, berinjela, hortalias, pimenta, ma, pra, morango). Apresentam como efeito: Retardam o esvaziamento gstrico;aumentam o tempo de trnsito intestinal; tornam mais lenta a absoro de glicose; retardam a digesto do amido; reduzem os nveis elevados de colesterol; aumentam o volume fecal, melhorando o funcionamento do intestino;aumentam a sensibilidade do msculo insulina e a sensao da saciedade. Dicas para aumentar o consumo de fibras na alimentao. D preferncia ao consumo de frutas e verduras cruas. Inicie sempre a refeio com uma salada e, na sobremesa, prefira uma fruta aos doces ou preparaes diets em geral. Coma frutas, verduras e leguminosas com casca e bagao. Prefira comer as frutas em vez de beber seu suco. Consuma alimentos base de gros integrais. O aumento do consumo de fibras deve ser acompanhado de um maior consumo de lquidos, que ajudam a determinar a quantidade de fibra ideal para cada indivduo. Tome diariamente 2 a 3 colheres de sopa de farelo de trigo (com gua, leite desnatado ou na comida). Poder encontr-lo nas lojas que vendem produtos para diabticos e supermercados em geral.

PES E MASSAS SEM EXAGERO.

falsa a idia de quem tem diabetes no pode consumir massas e pes (carboidratos). A alimentao de qualquer pessoa deve ser equilibrada, contendo alimentos que forneam quantidades suficientes de nutrientes (protenas, carboidratos, gorduras, vitaminas, sais minerais, fibras e gua) para o bom funcionamento do organismo. No existe nenhum alimento que, sozinho, contenha todos os nutrientes necessrios ao organismo. Por isso, devemos ter sempre uma alimentao variada, consumindo nas refeies principais alimentos que forneam nutrientes variados e em quantidades diferentes. Os carboidratos so importantes porque fornecem energia para que nosso organismo possa se manter em bom funcionamento e, com isso, exercer todas as nossas atividades dirias, como andar, trabalhar, estudar, praticar esportes, ginstica e outros afazeres. Portanto, o consumo de carboidratos, como os contidos nas massas e pes, no causa nenhum dano sade. Os alimentos ricos em carboidratos so: arroz, milho, batata, macarro, po francs, po de centeio, mandioca, polenta, bolachas, farinha de trigo, farinha de mandioca, aveia, inhame, entre outros. Podemos consumir qualquer alimento desse grupo, desde que no ultrapassemos nossa ingesto calrica. Hoje contamos com uma grande variedade de pes ricos em fibras, cuja ingesto ajuda a controlar a glicemia porque as fibras tornam mais lenta a absoro da glicose presente nos alimentos. Mas lembre-se de que os pes tambm so calricos e fonte de carboidratos. Portanto, seu consumo deve ser igual ao dos outros tipos, dependendo do valor calrico dirio de cada pessoa. De maneira geral, no valor calrico total da alimentao, os carboidratos devero representar de 50 a 60%, as protenas de 10 a 15% (no ultrapassando 20%) e as gorduras at 30%, sendo recomendado menos de 10% de gorduras saturadas. A ingesto de alimentos ricos em fibras fundamental para auxiliar o bom controle glicmico. Uma recomendao importante: naquele almoo de domingo preparado pela "mama", a pessoa com diabetes pode consumir alimentos de todos os grupos. Deve iniciar a refeio com um bom prato de saladas cruas e em seguida saborear uma poro de massa, outra de carne magra, legumes ou verduras cozidas e de sobremesa uma fruta.

DIFERENAS ENTRE DIET E LIGHT.

Por muito tempo, o nico alimento a que o diabtico tinha acesso eram os produtos diets, direcionado as dietas com restrio de acar. No entanto, apareceu h alguns anos no mercado um novo produto: o light. Isso acabou provocando muitas dvidas, principalmente nos consumidores. No se sabe se o light mais saudvel que o diet ou se quem tem diabetes s pode comer produtos diets. Por isso, importante compreender algumas diferenas entre os dois tipos de produtos. DIET: um dos termos estrangeiros permitidos na rotulagem dos alimentos para fins especiais e se relaciona aos alimentos dietticos. Alimentos dietticos so produtos para dietas com restrio de acares, de sdio, gorduras, protenas, entre outros. LIGHT: So os alimentos modificados que devem ter somente uma reduo de no mnimo 25% de alguns de seus componentes, como acar, gorduras, protenas, etc. Utilizados para controles de peso, dislipidemia, em alguns casos de pessoas com diabetes e at quem quer ter uma alimentao saudvel.

MUITO ACAR NO SANGUE AFETA A MEMRIA.

Altos nveis de acar no sangue podem estar ligados memria ruim, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nova York. A descoberta pode ajudar a explicar porque as pessoas podem sofrer problemas de memria quando ficam mais velhas. Segundo os cientistas, a memria pode ser melhorada com exerccios e perda de peso, que ajudariam a controlar os nveis de acar no sangue. A glicose necessria para dar energia ao corpo. Acreditava-se que o suprimento para o crebro estaria protegido, mas agora se sabe que isso no verdade quando se trata de diabticos ou de pessoas com alto nvel de acar no sangue. Os pesquisadores afirmam que tentar relembrar fatos pe muita presso no suprimento de energia das pessoas que tm nveis mais altos de glicose, causando problemas de memria.

CUIDADOS COM OS DENTES.

IDENTIFICAO. Obturaes, extraes ou cirurgias dentrias ou de gengivas freqentemente causam angstias nas pessoas com diabetes. O QUE FAZER. Deve-se ter certeza de que os seus nveis de glicemia (taxa de acar) no sangue esto controlados antes de tratar-se. Avise ao dentista que tem diabetes. ATENO. A pessoa com diabetes pode fazer qualquer tratamento dentrio, desde que seu diabetes esteja bem controlado. Gengivites (infeces de gengivas) aparecem freqentemente em pessoas com mau controle (taxas altas de glicose mantidas por algum tempo). Deve-se procurar o dentista, quando aparecerem. Como em qualquer outra infeco, podem elevar as taxas de glicose e, por isso, s vezes necessrio aumentar as doses de insulina ou hipoglicemiantes orais. Procure seu mdico se tiver esse problema.

CUIDADOS COM OS PS.

Os diabticos tm motivos muito especiais para cuidar dos ps. Nveis elevados de glicose no sangue por um longo tempo podem levar perda de sensibilidade e dificuldade na circulao do sangue nos ps do diabtico. Com isso, pode no sentir queimaduras, cortes e machucados, facilitando o aparecimento de infeces. As infeces interferem no bom controle do diabetes. O cuidado dirio e meticuloso dos ps e a escolha de um calado adequado podem ajudar a prevenir esses problemas. Olhe para seus ps, procure calos, cortes, rachaduras, bolhas e mudanas na cor da pele. Use um espelho ou pea a ajuda de outra pessoa se tiver dificuldade para ver seus ps. Examine cuidadosamente entre os dedos. Lave os ps diariamente com gua morna e sabo neutro. No deixe os ps de molho e no use bolsas de gua quente. Seque bem os ps, principalmente entre os dedos e ao redor das unhas. Passe creme hidratante nas pernas e nos ps, mas nunca entre os dedos. No use talco, spray ou esparadrapo nos ps. No corte os calos e no use produtos para retir-los. Corte as unhas em linha reta e nunca as deixe muito curtas. No retire as cutculas e os cantos das unhas. No use canivete, gilete ou faca para cortar as unhas. Informe pessoa que cuida de seus ps para seguir esses cuidados. Use calados fechados e macios e meias confortveis. No use calados apertados, abertos, de bicos finos e de saltos altos. Antes de calar meias e sapatos, verifique se no h nada dentro deles que possa machucar seus ps, como pregos, pedras, ou furos. No ande descalo, nem mesmo dentro de casa. Quando indicado, use palmilhas diariamente, durante todo o tempo. Ao fazer exerccios, use calados adequados e a palmilha. Use meias de algodo sem costura e sem elsticos, trocando-as diariamente. IMPORTANTE. Quando houver qualquer alterao nos seus ps, procure o mdico ou a enfermeira do local em que faz o acompanhamento do diabetes. Pea ao profissional para examinar seus ps durante a consulta. Cuide bem deles. Um passeio dirio estimular a circulao sangunea e o far sentir-se muito melhor. Lembre-se de caminhar e fazer exerccios diariamente, para que o hbito possa contribuir para evitar as complicaes tardias do diabetes.