EU ACUSO UM JUIZ DO TRABALHO DE ASSÉDIO MORAL!

AUTORIA, PESQUISA, REVISÃO, ORGANIZAÇÃO: JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO.

Este arquivo é uma cortesia de JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO, que sempre tem por filosofia de vida ajudar o próximo da melhor maneira possível.

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Minhas sinceras homenagens à JUSTIÇA DO TRABALHO, que é inatacável, da qual sinto imenso orgulho de ser funcionário aposentado.

Infelizmente, alguns servidores e magistrados do TRT da 5ª Região-BA cometeram faltas gravíssimas, cujos fragmentos, que integram parte de meu livro MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO, reproduzo a seguir.

IMPORTANTÍSSIMO. A obra é isenta e justa, tanto assim que faz elogios "rasgados" a duas magistradas maravilhosas.

Um Diretor de Secretaria da Vara do Trabalho de Ipiaú-BA fez de “motel” o quarto do Juiz Presidente, em plena “luz do dia” e no horário de expediente da Vara.

Uma magistrada do TRT da 5ª Região, ex-Juíza Presidente da Vara do Trabalho de Ipiaú, foi punida pela Corregedoria com 22 despachos especiais por prolatar sentenças com quase um ano além do prazo legal.

Uma Juíza Presidente da Vara do Trabalho de Guanambi-BA, ao transferir-se para Salvador-BA, “subtraiu” os móveis da Sala de Audiência da referida Vara e levou-os para um imóvel rural de sua irmã, em Brumado-BA. O TRT da 5ª Região, para não adiar várias audiências, mandou fazer outros móveis, às pressas.

Uma penhora, na gestão de Amilton Antônio Silva como Diretor de Secretaria da Vara do Trabalho de Ipiaú, ficou “parada” mais de um ano, porque o Oficial de Justiça, que deveria cumpri-la, tinha um débito “eterno” com o dono da reclamada, fato este de conhecimento de Amilton. A propósito, o maior capítulo do livro revela, com riqueza de detalhes, todas as arbitrariedades cometidas por Amilton como Diretor de Secretaria.

Fui vítima de assédio moral, de forma intensa, cruel e covarde, de um Juiz Presidente da Vara do Trabalho de Ipiaú - citado nominalmente no livro -, com quem tive a infelicidade de trabalhar na Mesa de Audiência. Esse mesmo magistado, que se arvorava em ser o paladino da ética, aceitou, ilegalmente, um isopor “gigante” cheio de camarões “tipo exportação” do proprietário de uma reclamada contra a qual havia dezenas de reclamações trabalhistas na Vara do Trabalho de Ipiaú.

O TRT da 5ª Região precisa punir, com todo o rigor, funcionários e juízes que denigrem a reputação da Justiça do Trabalho.

Sobre o livro MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO, afirmou o Procurador Federal CARLOS AUGUSTO TOSTES DE MACEDO: "É uma obra fantástica, que já li mais de uma vez e, portanto, leitura fundamental e indispensável aos servidores e magistrados do judiciário brasileiro".

90º CAPÍTULO.
DR. CRUEL.

Apesar de me considerar plenamente realizado pelo fato de ser funcionário da Justiça do Trabalho, devo ressaltar que nem tudo são flores no seio da família trabalhista!

Situações terríveis e inacreditáveis ocorrem no nosso ambiente de trabalho, no que se refere ao abuso de autoridade por parte de quem deveria ser o primeiro a dar exemplo.

Vou chamar a personagem central deste capítulo de Dr. Cruel.

Saiba o leitor que, movido pelo instinto perverso que lhe é peculiar, pela cisma, pelo desejo compulsivo de perseguir quem quer que seja, Dr. Cruel tirou-me o encargo de Secretário de Audiência da Vara do Trabalho de Ipiaú.

É um cargo de confiança, reconheço, mas tivesse ele sido justo comigo, agido com espírito humanitário e me tratado com um mínimo de respeito e dignidade, não estaria eu aqui, proclamando ao mundo, meu anseio por justiça.

Lembro-me perfeitamente deste episódio porque o fato jamais sairá da minha memória: ao ponderar-lhe que a perda do cargo comissionado me traria uma série de dificuldades financeiras, respondeu-me com arrogância, do alto de sua insensibilidade, com o maior desprezo do mundo: “Problema seu!”

Eis um caso típico e insofismável de ASSÉDIO MORAL!!!

Em seguida, estando ainda atônito com tamanho gesto de desumanidade, Dr. Cruel, não satisfeito, ameaçou abrir inquérito administrativo contra mim se criasse caso na Secretaria da Vara do Trabalho de Ipiaú.

Será que foi sua bola de cristal quem lhe disse que iria criar problema na Secretaria?! Ora, isso é pré-julgamento aliado à incoerência!

Senão, vejamos: como Dr. Cruel, sendo tão culto e preparado, pôde desconhecer o teor de uma lei que o impede de abrir inquérito administrativo contra servidor?!

Confesso que fiquei perplexo diante de tanto autoritarismo e tamanha incongruência.

Diante de tudo isso me pergunto: será que Dr. Cruel tem condições psicológicas e emocionais para tirar o encargo de algum funcionário sem nenhum motivo, sobretudo daquele que está provando, por meio do livro MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO, que é um dos mais competentes e brilhantes servidores públicos do Brasil?

Hipoteticamente, se Dr. Cruel tivesse agido da mesma forma numa grande empresa da iniciativa privada, teria sido punido exemplarmente.

Detenha-se, leitor, no perfil do Dr. Cruel: filho único de pais da classe média alta (com grande poder aquisitivo), estudou nos melhores colégios de Salvador e viajou, a passeio, a dezenas de países.

Veja, portanto, que é o protótipo de um jovem nascido em berço esplêndido (de ouro) e que teve uma educação de altíssima qualidade (sua mãe é professora universitária).

Assim, e diante de um currículo tão profícuo, continuo perguntando às pessoas sensatas e justas: teria o insigne doutor razões concretas para agir de forma tão contrária aos ensinamentos que, presumo, tenha recebido no decorrer da vida, que lhe brindou com tranqüilidade e fartura?

Teria esse magistrado algum motivo para agredir verbalmente, com requintes de perversidade, um subordinado seu que, órfão desde os seis anos de idade, teve uma infância terrivelmente sofrida e infeliz?

É claro que não pretendo fazer o leitor chegar às lágrimas, dando um tom dramático à história da minha vida, mas apenas dizer que o dinheiro, o conforto e as ótimas escolas que um jovem freqüenta ao longo da vida não são garantia para a formação de um cidadão de bem, generoso, justo e humano.

Lembro-me, muito bem, como se fosse hoje, de que dos dez aos quatorze anos já trabalhava.

De manhã até meio-dia, na roça, enfrentava o cabo da enxada, sob um sol inclemente; à tarde, estudava num colégio distante oito quilômetros de onde morava e fazia todo o percurso de ida e volta a pé.

Devo acrescentar, ainda, que nessa época acordava bem cedo, às cinco horas da manhã, para tocar o gado leiteiro para o curral. Ajudava na ordenha do leite e desnatava, sozinho, numa desnatadeira manual, trezentos litros de leite.

Era um trabalho duríssimo, quase desumano, para um garoto com idade tão tenra!

Mas, retomando o assunto, pois não quero chorar pitangas, acredito que Dr. Cruel equivocadamente pensa, do alto de sua prepotência e audácia, que o encargo de qualquer funcionário da Justiça do Trabalho a ele subordinado lhe pertença de fato e de direito e, como tal, pode tirar-lho quando lhe aprouver ou por qualquer motivo que ache justo. É o caso típico do: quando lhe der na telha.

Mas todos sabemos que as coisas não são bem assim. Os encargos públicos, que por si só já se definem, pertencem às instituições públicas; nesse caso, especificamente, ao Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.

E é justamente pensando assim que, por uma questão de justiça, o TRT deveria retirar do Dr. Cruel, para sempre — por considerar absolutamente desprovido de qualquer fundamentação legal —, o direito que o prezado doutor atribuiu a si mesmo de, arbitrariamente, perseguir funcionários, utilizando-se de recursos e argumentos no mínimo despóticos e por que não dizer: cruéis.

Reiterando meu brado de revolta, volto a perguntar: Pode, afinal, um superior hierárquico tomar a função comissionada de um funcionário e, ainda, de forma estúpida, autoritária e injusta, desprezá-lo e ameaçá-lo?

Como um cidadão, também funcionário público, que ocupa um alto cargo na hierarquia da Justiça do Trabalho, pode usar o poder de maneira tão desumana, arbitrária, tirânica e ditatorial?! E quanto à máxima que diz que justiça começa em casa, como fica?

Com os demais colegas ainda não sei, mas comigo Dr. Cruel se esqueceu de que estava tratando com uma pessoa com inteligência bem acima da média e que jamais deixaria, por nada desse mundo, de narrar episódio tão mesquinho e nefasto para a posteridade, especialmente para os funcionários da Justiça do Trabalho de todo o Brasil, que serão, sem dúvida, os maiores leitores de MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO.

Era mais do que necessário que algum dia um funcionário corajoso e destemido denunciasse esse tipo de tratamento dispensado a um servidor íntegro, dedicado e competente por alguém que se julga todo-poderoso, acima do bem e do mal.

Estou com a consciência tranqüila e com a alma até mais leve por, simultaneamente, estar prestando um grande serviço a todos os colegas da Justiça do Trabalho que já foram maltratados e até tripudiados em sua honra e nada puderam fazer.

Recordo-me — e esse fato jamais sairá de minha memória — de que, após ter sofrido a maior injustiça de minha vida, desapareci da Vara do Trabalho de Ipiaú por dois dias consecutivos, de tão arrasado e desesperado que fiquei.

Não tenho vergonha nem sinto constrangimento algum de confessar-lhe, prezado leitor, que passei duas noites em claro, sem conseguir dormir, chorando como uma criança, aos prantos.

A injustiça doeu muito forte, bem lá dentro do meu peito, nas profundezas do meu coração. Fiquei com a alma partida, aos frangalhos, completamente despedaçada.

Deus sabe que não merecia ser vítima de uma injustiça tão pérfida e covarde!

Se tivesse tendência ao suicídio, outro destino não teria tomado, porque o sofrimento foi imenso, desmedido, quase insuportável.

A mesma sorte e força de vontade, desgraçadamente, não teve um funcionário da Vara do Trabalho de Barreiras, que deu cabo de sua vida com um tiro na cabeça (sugiro, inclusive, o tema SUICÍDIO a algum colega que esteja fazendo doutorado, para abordá-lo como tese universitária).

Carlos, no entanto, graças a Deus, tem forças de sobra para levantar-se e gritar por justiça, utilizando-se de uma arma poderosa que domina com maestria: o VERBO.

Embora não freqüente igreja — e reconheço que estou errado —, tenho uma fé inabalável naquele Ser Superior que nunca nos abandona, mesmo nos momentos mais desesperadores.

“Oxalá não se me fechem os olhos sem que o queira Deus” (Rui Barbosa) – perdoe-me, leitor, se essa frase está repetida no livro, mas é que li quase toda a obra de Rui Barbosa e sou seu fã de carteirinha. Outra frase lindíssima e antológica do nosso Águia de Haia: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto.”

Saiba Dr. Cruel que o rio de lágrimas que me fez derramar transformou-se no livro MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO, e, certamente, vai propagar a injustiça perpetrada contra mim em todo o território brasileiro, especialmente onde houver um funcionário da Justiça do Trabalho.

Não sei se foi dito por algum filósofo, se é uma expressão popular ou uma passagem bíblica, mas em algum lugar muito especial está escrito, com letras GARRAFAIS: Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido; ou, aqui se faz, aqui se paga; ou, ainda, quem semeia vento, colhe tempestade.

Que Dr. Cruel tenha aprendido a lição e nunca mais cometa a mesma atrocidade com outro funcionário.

Esse “magistrado”, apesar de desprovido de qualquer tipo de ética e de sentimento, ainda teve a “cara-de-pau” de escrever um livro sobre ASSÉDIO MORAL!!!

108º CAPÍTULO.
DR. MARCELO RODRIGUES PRATA.

Ex-Juiz Presidente da Vara do Trabalho de Ipiaú.

Invoco aqui um preceito legal, contemplado inclusive pela nossa Lei Maior, a Constituição Federal - a saber, o do pleno direito de que goza o cidadão brasileiro de expressar-se livremente -, para revelar, neste capítulo, o massacre psicológico de que fui vítima.

A Carta Magna (Constituição Federal) brasileira veda a censura.

Censura, para quem não sabe, é tudo aquilo que, imposto em qualquer uma de suas formas, cerceia a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Todos os cidadãos têm o direito de escrever e veicular sua opinião por meio de jornais, revistas, livros, rádio e televisão.

Em 1996, o Brasil aderiu ao Tratado de Chapultepec, que estabelece que não deve existir nenhuma lei ou restrição à liberdade de expressão ou de imprensa, seja qual for o meio de comunicação.

Fui afastado da função de Secretário de Audiência da Vara do Trabalho de Ipiaú sem qualquer motivo ou justificativa plausível. Nem satisfação me deram!

Sendo assim, tenho o sagrado direito de entender que o lamentável episódio foi motivado por capricho, cisma e perseguição.

Antes, porém, faz-se necessário que descreva o calvário por que passei durante todo o tempo em que trabalhei com o Dr. Marcelo Rodrigues Prata.

Humano que sou, evidentemente que estava sujeito a alguns equívocos, erros e desacertos, o que era muito raro de acontecer. Mas aí é que se encontrava todo o problema, o xis da questão!

Dr. Marcelo não queria um Secretário de Audiência eficiente, competente, exímio datilógrafo, com extrema dedicação ao trabalho, de redação impecável (cansei-me de melhorar muitos textos que o magistrado a mim ditava), enfim, um cidadão que goza do mais alto conceito na cidade de Ipiaú, BA, onde se canta em prosa e verso sua tão elevada inteligência.

Não foram poucas as vezes em que recebi elogios dos advogados e das partes pela decisiva contribuição que dava ao rápido desenvolvimento das audiências.

Tal como um visionário, o Juiz exigia que eu fosse infalível, a perfeição da perfeição.

Não havia limites para as exigências do Dr. Marcelo, que chegavam às raias do absurdo.

Em certa época, pediu a Amilton que arranjasse um motorista fixo para buscá-lo em Salvador e levá-lo de volta.

Amilton comentou, na cozinha da Vara, sobre alguns predicados que o profissional deveria possuir, inclusive quanto à parte comportamental e do vestuário. Enfim, só faltava exigir do pobre chofer que falasse francês e inglês fluentemente.

Disse a Amilton, que com o perfil que Dr. Marcelo estava querendo, nem se o procurasse em todo o Planeta Terra, com lanterna na mão, iria conseguir achar o polivalente motorista!

E, como era de se esperar, não o encontrou mesmo!

Transcorrido bastante tempo, o ex-Juiz Classista da Vara, Roberto Hohlenwerger da Costa, arranjou um motorista da cidade de Ubaitaba para servir ao Dr. Marcelo.

Um profissional exímio ao volante de um carro, de muita responsabilidade, que dirigia para muita gente em Ubaitaba, inclusive para o Prefeito, o Juiz, o Promotor, enfim, uma pessoa que desfrutava do respeito e da confiança de toda a população.

Pois esse motorista só fez uma viagem com Dr. Marcelo para Salvador. Disse a Roberto que por dinheiro nenhum do mundo (palavras dele) voltaria a dirigir para o magistrado.

É o que acontece com quem pretende que um simples mortal seja a perfeição da perfeição!

Ocorre que, abaixo de Deus, nenhum ser humano o é, nem mesmo um magistrado culto como Dr. Marcelo!

Sou testemunha de que corrigiu centenas de equívocos que cometeu nas sentenças que prolatava graças ao funcionário do Setor de Cálculos da Vara do Trabalho de Ipiaú, na época, Ubirajara Pereira Coqueiro. Por essa razão, é muito provável que tenha deixado de julgar igual número de Embargos Declaratórios.

Nesse momento histórico da Justiça do Trabalho no Brasil, em que um funcionário seu tem a coragem de fazer revelações até então inimagináveis, mas verdadeiras, não posso deixar de registrar no MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO um episódio lamentável de que foi vítima um colega Oficial de Justiça, muito cioso dos seus deveres e extremamente competente.

Houve um problema sério com determinada penhora, por culpa exclusiva do então Diretor de Secretaria, na época, Amilton Antônio Silva, que deixou passar incólume uma certidão que mencionava um fato muito importante.

O referido colega ficou mais de uma hora sendo advertido por Amilton, que dava a entender, nas entrelinhas, que o funcionário se arriscava, com isso, até a perder o encargo.

Nesse momento, no entanto, para sua salvação, qual mensageiro enviado por Deus, o ex-colega Aldo Barbosa Cortes (transferiu-se para a Vara do Trabalho de Jequié), com o dito processo nas mãos, mostrou a Amilton a certidão que ele havia ignorado (engolido mosca).

Foi aí que o colega Oficial de Justiça, usando de uma ironia mais do que justa, merecida e ferina, disse a Amilton: “E agora, o que faço com você?”

Posteriormente, Dr. Marcelo chamou o referido colega, pôs defeito em alguma coisa, para variar — de modo a não ter que dar o braço a torcer, claro! — e pediu-lhe que não revelasse o fato a ninguém!

Pergunto-lhe, leitor: ficaria você quietinho após ter sofrido, injustamente, tanta humilhação?!

É claro que nenhum ser humano na face da terra, na mesma circunstância, guardaria segredo! Só se fosse um perfeito idiota, masoquista e puxa-saco! E esse colega, por sinal uma criatura fantástica e maravilhosa, não o é!

Obviamente, todos os funcionários ficaram sabendo do fato com riqueza de detalhes.

Até admito que Dr. Marcelo foi induzido ao erro por Amilton, mas, meu Deus do céu, jamais poderia ter feito ao colega um pedido impossível de ser cumprido!

Portanto, sujeito a erros que estava, não tinha o direito de exigir o impossível de um semelhante seu.

O cidadão devia sofrer da síndrome de Deus, porque jamais me pedia coisa alguma. Ao contrário: impunha, determinava, exigia, cobrava-me, impiedosamente, até procedimentos absurdos.

Se visse, por exemplo, um advogado, ou uma das partes, adentrar a sala de audiência mastigando chiclete, exigia que eu pegasse o recipiente plástico de lixo, levasse-o até a pessoa e lhe pedisse que ali depositasse a borrachinha mascada com tanto gosto!

Implorava a Deus, todos os dias, de mãos postas para o céu, para que essa situação tão esdrúxula não acontecesse, porque morria de vergonha de ter de me dirigir a alguém com um pedido tão deselegante e intempestivo.

Educação é coisa que vem do berço e não seria eu que iria consertar o mundo.

Em termos hierárquicos, numa sala de audiência, era a pessoa menos indicada para solicitar esse tipo de coisa a pessoas tão vaidosas, apesar de mal-educadas, reconheço.

Tanto assim que houve um caso em que o advogado não atendeu nem mesmo ao pedido do Juiz Classista, e então Dr. Marcelo teve de intervir.

O indivíduo — que se esquece de que também é funcionário público —, desconhece as mais elementares regras do tratamento digno, respeitoso e humano que deve dispensar ao subordinado. Pensa que pode tudo: ameaçá-lo, ridicularizá-lo e impor-lhe tarefas humilhantes, algumas impossíveis de serem cumpridas.

A determinação ridícula, inconcebível e execrável até hoje deixa as pessoas que gostam de mim — e são muitas, graças a Deus — perplexas, horrorizadas, quase incrédulas diante da cruel história que lhes conto.

Às vezes deixava transparecer seus complexos nas mais inócuas situações.

Em certa ocasião, ao indagar-lhe se era filho único, respondeu-me defensivamente com outra pergunta: “Por quê?”.

Será que o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região não deveria promover curso de Relações Humanas para esse magistrado, especificamente?!

Dr. Marcelo era uma pessoa que não reconhecia mérito em ninguém, a não ser no seu Diretor de Secretaria, e era incapaz de fazer um elogio sequer aos demais funcionários da Vara do Trabalho de Ipiaú.

Mas o pior de tudo é que ele ia mais além em suas excentricidades e perseguições: quando cismava com um subordinado seu, punha defeito nele, mesmo se não o tivesse, só para satisfazer sua morbidez!

De certa feita, ao afirmar, capciosamente, aos Juízes Classistas — e não lhes perguntar, como seria justo e honesto — que eu estava ficando surdo, obteve deles a resposta que não queria ouvir: “ Carlos está ouvindo até demais!”

Como a intenção dele era, exclusivamente, prejudicar-me e ridicularizar-me, de nada valeram as opiniões favoráveis de Nesmar e Joaquim a meu favor.

Continuou, nas audiências subseqüentes, na presença dos advogados e das partes, de forma cruel e insistente, a dizer-me, para que todos o ouvissem: “O senhor está ficando surdo!”

Mais um caso absurdo de ASSÉDIO MORAL!!!

Formalidade rima com desumanidade, mas não combinam entre si, concorda, leitor?

Era motivo de risadinhas e chacotas por parte de dois advogados sem personalidade e puxa-sacos do magistrado, e às vezes tinha até vontade de entrar debaixo da mesa, tamanho meu constrangimento, porque, afinal, tenho muito brio e vergonha na cara.

Era uma situação extremamente humilhante e vexatória para mim, que não merecia estar passando por tanto sofrimento!

Bem sei que não se morre por reagir à pressão de alguém mais forte e poderoso, mas, involuntariamente, ia perdendo uma parte de mim mesmo.

No final do dia, após tão árdua batalha, voltava para meu apartamento exausto, ofendido, deprimido e só conseguia me recuperar porque sou muito forte (uma fortaleza!) e imune a sofrimentos prolongados.

Mas a humilhação pela qual passava nos dias de audiência na Vara do Trabalho de Ipiaú era torturante, que tornaria qualquer indivíduo bem disposto estressado e doente.

Quando estava para sair de férias os colegas me suplicavam, de joelhos e mãos postas para o céu (desculpe-me, leitor, pela repetição da frase no livro): “Por favor, pelo amor de Deus, Carlos, não me indique para substituí-lo na mesa de audiência”.

Dava para sentir, claramente, em toda a sua magnitude, a expressão de pavor nos olhos deles!

Dr. Marcelo, durante a sessão, deixava o Secretário de Audiência aterrorizado com suas impertinências e com o tratamento desumano que lhe dispensava.

Um exemplo bem vivo e inacreditável?!

Certo dia, o magistrado interrompeu a sessão e, do alto de sua sabedoria, de forma inadequada, intempestiva e inoportuna perguntou à humilde colega (que detestava a função, como a maioria dos servidores da Justiça do Trabalho): “A senhora já leu Machado de Assis? Lê o jornal Folha de São Paulo? Assina alguma revista semanal?”

Em seguida, determinou-lhe que anotasse várias indicações para leitura e que fizesse um roteiro com os termos iniciais da abertura da ata de audiência, algo que ela já sabia de cor e salteado.

Que ridículo, “excelência”: ASSÉDIO MORAL novamente!!!

As pessoas presentes à referida sessão ficaram perplexas diante do autoritarismo do Dr. Marcelo Rodrigues Prata.

A colega me disse que quase morreu de vergonha e que lhe deu vontade de entrar debaixo da mesa ou, então, de sair correndo da sala de audiência e nunca mais voltar.

Ao conversar com ela sobre o assunto, apesar de decorridos alguns anos do lamentável episódio, notei que até hoje ainda guarda uma certa mágoa por ter sido tão maltratada.

Senti uma aura de felicidade em seus olhos quando a informei de que iria abordar o triste fato no MINHA HISTÓRIA NA JUSTIÇA DO TRABALHO.

O gesto, no mínimo infeliz, do magistrado, não tem desculpa nem perdão.

Se a intenção dele fosse realmente contribuir com a melhoria do nível intelectual ou cultural da colega, deveria tê-la chamado em particular (no seu gabinete, por exemplo), em vez de tripudiar de uma subordinada na presença de tantas pessoas (reclamante, reclamado, advogados, Juízes Classistas, etc).

Será que não há, hierarquicamente, ninguém superior ao Juiz Marcelo Rodrigues Prata, no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, para chamar a atenção dele e até mesmo adverti-lo?

Ele pode tudo, é Deus, o dono do mundo?

Pode, inclusive, destroçar a auto-estima de uma funcionária e humilhá-la publicamente, tornando-a alvo de piadas, gozações e chacotas?

Parece-me que seu esporte favorito é humilhar e ridicularizar as pessoas que estão à sua volta, reduzindo a pó o amor próprio delas.

Dr. Marcelo jamais teve a grandeza de espírito de elogiar um funcionário ou transmitir-lhe uma palavra sequer de estímulo para elevar seu moral.

“O senhor está nulo em informática, porque não soube fazer uma operação elementar”!

Foi o que me disse Dr. Marcelo Rodrigues Prata quando não consegui passar um arquivo do Word (editor de texto) para o disquete.

Tempos depois, tomando curso com um professor de Informática de Ipiaú, fiquei sabendo que a mencionada tarefa não era assim tão elementar como insinuara o exigente e impiedoso magistrado.

Dr. Marcelo só não sabia que o curso que o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região ministrara a mim, de apenas uma semana, tinha sido o mais superficial possível.

Fiquei angustiado e desesperado por ter passado mais de duas horas diante do computador (poderia ter ficado um século!), tentando, em vão, fazer a maldita transferência de arquivo que ele me pediu.

Acredite-me, leitor, Dr. Marcelo presenciou tudo com a maior indiferença e frieza do mundo e, cruelmente, foi incapaz de me fornecer uma dica sequer.

Como gostava muito de diminuir as pessoas, jogando a auto-estima delas para debaixo dos seus pés, ridicularizando-as, terminou por me afirmar, do alto da sua sabedoria, que aprendera a mexer no computador sozinho.

Não sabia estar diante de um gênio!

Dois meses após, no entanto, contradizendo-se, apresentou-me outra versão da fantasiosa história de sua genialidade, a saber: que tomou curso intensivo de informática durante três meses consecutivos.

Como não quero chamar o magistrado de mentiroso, peço-lhe sua opinião, leitor: com qual das verdades devo ficar? Seria uma pesquisa bastante interessante!

Lembro-me de um dia em que fui trabalhar sem a menor condição física e psicológica.

Foi numa época em que meu filho, Marcelo, estava me causando sérios problemas em Salvador e, por essa razão, havia passado a noite em claro.

Não consegui dormir um minuto sequer e mais parecia um farrapo humano.

Para complicar, a pauta da audiência era imensa, inclusive com várias instruções.

Em tais circunstâncias, é impossível alguém desempenhar a função na plenitude de suas reais possibilidades.

Reiteradamente, no início de duas atas, me esqueci de alguma coisa. Enfim, me deu um branco total!

Na situação em que me encontrava, era perfeitamente normal e compreensível que isso pudesse ocorrer, como, de fato, aconteceu.

Só não o era para Dr. Marcelo Rodrigues Prata, que foi insensível e desumano para comigo.

Como parecia estar sempre estressado, ficou muito impaciente e irritado com minhas duas falhas, esquecendo-se de que Carlos é um ser humano, falível, de carne e osso como ele!

Jamais, em toda a minha vida, conheci uma pessoa tão implacável e cruel!

Como represália, queria que eu digitasse o texto inicial da ata e colocasse o roteiro ao meu lado nas sessões seguintes.

Tal medida só podia ter a deliberada intenção de me ridicularizar pois, com mais de cinco anos na mesa de audiência, sabia o referido texto de cor e salteado.

Como não sou de engolir sapo gigante, fingi que não ouvi a determinação absurda e autoritária do magistrado.

Para reflexão do Dr. Marcelo Rodrigues Prata, e para qualquer um que não saiba lidar de maneira equilibrada, sensata e justa com seus subordinados, transcrevo, a seguir, alguns fragmentos da matéria publicada na Revista Veja do dia 31.10.2001, CALE A BOCA, INCOMPETENTE, edição 1.724, páginas 102 a 109.

A pesquisa foi feita com os maiores especialistas na área de Recursos Humanos do mundo, inclusive John Kotter, autor de vários best-sellers sobre o tema.

“Mais dramáticos que qualquer número são os casos singulares de pessoas que sofrem sob o comando de tiranos ou incompetentes”.

“...muitos apresentaram sintomas já amplamente associados a situações de estresse, como distúrbios de sono, dor de cabeça e pressão alta.”

“Quem precisa do emprego, infelizmente tem de calar-se e agüentar. Aí você sente tudo. Vêm as dores, a raiva, a revolta.”

Calar, no meu caso, jamais!

“Resultado da perseguição ao funcionário de uma multinacional: sofrimento com reflexos físicos: insônia, enxaqueca, dores na coluna, emagrecimento.”

“A humilhação é abuso de poder — e, como tal, jamais deve ser tolerada. A empresa que não age para coibir esse tipo nefasto de ação é co-responsável por suas conseqüências.”

“A situação psicologicamente massacrante a que o funcionário é submetido por seu chefe, já há algum tempo tem sido apontada como prejudicial à produtividade. O que não se sabia — ou não se levava em conta, até muito recentemente —, é que a má chefia não abala apenas a saúde das empresas. Ao contribuir para a degradação do ambiente de trabalho, ela traz danos concretos à saúde de seus subordinados.”

O meritíssimo me determinava, por exemplo, que eu, durante as audiências, não fizesse uma pergunta sequer às partes e aos advogados!

Não obstante todo o respeito que tenho à hierarquia, posso afirmar, com plena convicção, que somente um ser irracional, sem qualquer domínio da razão, ou um Secretário de Audiência com dons sobrenaturais, seria capaz de cumprir tão absurda ordem!

Afinal de contas — e todos hão de concordar comigo —, estou certo de que inquirir, questionar e perguntar são atributos de valor irrefutável para a raça humana. Que me contradigam os cientistas, os maiores perscrutadores do mundo!

Qualquer funcionário da Justiça do Trabalho no Brasil, que exerce a função de Secretário de Audiência, sabe que é totalmente impossível não se perguntar nada às partes no decorrer da audiência.

O problema todo é que Dr. Marcelo não teve sensibilidade suficiente para perceber que estava tratando com alguém de QI elevado!

Ele estava, ardilosamente, querendo arranjar um pretexto para tirar-me o encargo, tese que sustentarei até os últimos dias da minha vida.

Há pessoas que falam com a voz fanhosa (pelo nariz), outras que balbuciam (falam bem baixinho) e aquelas que simplesmente engolem sílabas.

E há algumas que ainda — e não são poucas! — ditam coisas completamente erradas.

Um Secretário de Audiência caprichoso, responsável e que zela, sobretudo, pela transcrição fidedigna do que é dito pelas partes numa sala de audiência, muitas vezes tem de perguntar mesmo (o barulho do ar-condicionado no pé do ouvido atrapalha demais), para que nenhuma dúvida fique pendente.

Uma palavra, apenas, digitada com outro sentido na ata pode até complicar o Juiz no momento de prolatar a sentença.

Lembro-me de que, após o término de várias audiências, Dr. Marcelo, do alto de seu autoritarismo, qual tirano implacável, me dizia: “O senhor não está cumprindo minhas determinações.”

De que adiantava tanta formalidade com requinte de perversidade?! Pura hipocrisia e falsidade!

O mais estranho, incompreensível e paradoxal dessa história repugnante e que até hoje me embrulha o estômago é o fato de que a colega que entrou no meu lugar perguntava “tudo que fosse necessário às partes” (palavras dela), fato que me foi confirmado pelos Juízes Classistas.

Carlos, discriminado e censurado, não poderia argüir absolutamente nada: estava terminantemente proibido de se dirigir a advogados, reclamados e reclamantes. No entanto, à ex-colega Ivana tudo era permitido, e ela tinha a maior liberdade do mundo!

Que tipo de justiça o magistrado praticou nesse caso?! A do dois pesos e duas medidas?!

Não entendo como nós, simples e mortais funcionários, temos de andar na linha e seguirmos normas tão rígidas de conduta!

Já o magistrado, chefe máximo hierárquico de uma Vara do Trabalho, também servidor público, que deveria ser um primor de exemplo, comete tantas arbitrariedades impunemente!

Era dificílimo trabalhar com Dr. Marcelo, porque sua aparente tranqüilidade escondia um temperamento impaciente, muito nervoso e, ao que me parece, em constante estado de estresse.

Recordo-me de que falava tanto em médicos, remédios, psicólogos, que até parecia um especialista nessas áreas! Se ele tem problema de saúde e está com forte quadro depressivo, retiro as ironias!

De certa feita, cismou que eu teria de conversar com uma psicóloga do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, em Salvador.

Meu pai do céu, todos os santos dias Amilton, religiosamente, me lembrava, qual lavagem cerebral: “Dr. Marcelo quer saber se já conversou com a psicóloga.”

Num ambiente de trabalho assim é bem capaz de o funcionário ficar doente, mesmo contra a vontade, ou louco varrido!

A coisa já estava se tornando um martírio para mim, porque a cobrança era intermitente, sem me dar trégua.

Até que um dia, já não agüentando mais tanta encheção de saco (perdoe-me, leitor, pela vulgaridade!), fui à sede do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, em Salvador, e conversei com a dita cuja, por sinal muito fraquinha! Imagine que a criatura, que jamais me havia visto, queria que contasse minha vida para ela!

O resultado de uma viagem tão cansativa foi decepcionante, porque foi um papo rapidíssimo, um tanto constrangedor, de menos de cinco minutos.

A psicóloga deve ter percebido que estava conversando com o paciente errado e que não precisava dos seus conselhos.

Quero deixar bem claro que tenho o maior respeito do mundo pela digna classe dos psicólogos, só que nunca precisei deles, porque sempre estive em paz comigo mesmo e com Deus.

Ao contrário de certas pessoas, que deveriam dormir num divã, tamanho o peso que devem carregar na consciência!

Uma vez li numa reportagem do jornal Folha de São Paulo que um dos melhores exercícios para quem digita muito é flexionar bastante os dedos várias vezes ao dia. E sempre fazia isso até durante os intervalos das audiências, pois me sentia muito bem.

Pois não é que Dr. Marcelo cismou que tal procedimento denotava nervosismo, estresse?! Deve ter sido por esse motivo que me encaminhou à mencionada psicóloga!

Dr. Marcelo às vezes era uma pessoa surpreendente. Não vou dizer esquisito, porque se trata de um magistrado que me merece todo o respeito.

Um dia, deixei de propósito meus dois livros de testes psicológicos — cada um com mais de setecentas páginas — em cima de sua mesa na sala de audiência. E fiquei observando a reação dele. Como não se manifestou, apesar das capas serem muito bonitas, multicoloridas, disse-lhe:

“— Dr. Marcelo, veja os livros de minha autoria, dos quais já vendi mais de vinte mil exemplares.”

A reação surpreendente dele me deixou atônito, de boca aberta, quase sem fala.

Respondeu-me, seca e friamente, sem tocar nos livros (que não estavam com antraz!):

“— Como o senhor pode provar que vendeu tantos livros?!”

Que decepção! Parece-me que ficou morrendo de inveja! Como um comentário antipático e impertinente pode ter partido de uma pessoa tão culta?

Imaginava que ele fosse me dizer a mesma coisa que dezenas de outros magistrados com os quais trabalhei me disseram: “Parabéns, Carlos, não sabia que era tão inteligente!”

Não há mesmo como negar que Dr. Marcelo era uma pessoa muito estranha, incapaz de trocar uma só palavra com um colega a quem deu carona para Salvador, numa viagem bem longa.

Esse colega, que havia comido alguma coisa (e nunca poderia fazê-lo antes de viajar), estava passando muito mal no início da viagem.

Segundo ele, estava amarelo, verde, suando frio e quase vomitando dentro do carro, mas não teve coragem de pedir ao Dr. Marcelo que parasse o veículo (quem teria?!).

Sua salvação foi que em Gandu, quando não estava suportando mais, Dr. Marcelo parou e ele foi correndo ao banheiro.

Sempre tratei Dr. Marcelo maravilhosamente bem, com todo o respeito, e muitas vezes deixei meu aparelho de som ligado para que pudesse ficar ouvindo Enya, Henry Mancini, Kenny G, Kitaro, Loreena Mckennitt, Paul Mauriat, Ray Conniff, Richard Clayderman, Yanni e outras preciosidades (modéstia à parte, tenho gosto musical bastante apurado).

Em duas oportunidades, quando cheguei cedo à Vara no dia seguinte, observei que o som ficou ligado a noite inteira e o equipamento estava super quente, quase queimando. Nunca reclamei dele por isso.

Algumas vezes dizia-me: Secretário catiguria! Mais tarde, infelizmente, ficou comprovado que o elogio não era nada verdadeiro!

Nunca desrespeitei uma determinação sua, apenas ponderava-lhe sobre a grande dificuldade de cumprir algumas, como a de não me dirigir às partes durante as audiências.

É absurdo e desumano o magistrado, de forma ditatorial, pretender que o funcionário cumpra uma determinação de prática inexeqüível, mesmo quando dirigida à pessoa mais inteligente do mundo!

A perda da função não me diminuiu em nada ante as pessoas, inclusive os colegas, que me consideram um funcionário exemplar e supercompetente.

Por questão de coerência e auto-estima continuarei gritando bem alto, a plenos pulmões, para o mundo inteiro ouvir, que me considero um dos melhores Secretários de Audiência do TRT da 5ª Região.

Após decorrido algum tempo, cheguei à conclusão de que minha saída da função de Secretário de Audiência foi uma das melhores coisas que me aconteceram nos últimos anos, embora não possa dizer o mesmo da maneira desrespeitosa, desumana, injusta e cruel como o episódio ocorreu.

Graças a Deus, sou uma pessoa muito equilibrada financeiramente e, portanto, não preciso de encargo, que já está incorporado ao meu salário. Todo mês me sobra dinheiro à vontade! Afirmo isso sem qualquer tipo de dor-de-cotovelo ou de orgulho bobo.

Moro em um apartamento muito confortável — talvez o mais aconchegante da cidade —, com mesa de pingue-pongue (meu esporte favorito), mini-academia, sauna, Internet.

Disponho dos canais de TV a cabo TVA, SKY e DIRECTV, tenho um aquário maravilhoso (com peixinhos decorativos importados), televisão de trinta e quatro polegadas, aparelho de DVD e som estéreo com capacidade para sessenta CDs.

Sou um dos pouquíssimos habitantes da cidade de Ipiaú — talvez o único —, que tem os áudios do som e da televisão interligados a seis potentes caixas acústicas.

Quando vejo um filme na DIRECTV, por exemplo, ouço o barulho de uma folha quando cai no chão, tal a perfeição do som estéreo digital — costumo brincar com meus queridos colegas da Vara do Trabalho de Ipiaú que sou metido a rico!

Possuo muitas plantas, das mais diversificadas espécies, um canário belga dourado que canta até a noite, etc. Portanto, estava precisando, urgentemente, de dispor de mais tempo para usufruir de tanta mordomia!

Agora terei tempo de sobra, também, para terminar meu livro MANUAL DE TÉCNICAS DE REDAÇÃO.

Poderei, ainda, dedicar-me a outros projetos de vida que tenho em mente, como o lançamento de um livro com expressões muito usadas no meio jurídico, mas totalmente equivocadas e condenadas pelo nosso vernáculo.

VEJA-SE UM EXEMPLO: em vez de se usar, de maneira simplificada, como recomendam os gramáticos mais consagrados, o termo PENHORE, vê-se tal palavra transformar-se, injustificada e espichadamente, na expressão PROCEDA-SE A PENHORA, sem o acento indicativo da crase no a (despacho preparado por um Diretor de Secretaria, que tem mania de encher lingüiça). Conheci alguns que judiavam bastante do nosso tão maltratado idioma!

Por que erudição inútil no lugar de simplicidade? Tem gente que adora complicar!

Judiar do vernáculo é um fato a ser lamentado.

Mais deplorável e doloroso, porém, é maltratar um íntegro e exemplar funcionário.

Mas, como em meu coração não há lugar para mágoa, sempre estarei com o espírito aberto e desarmado e à disposição da Secretaria da Vara do Trabalho de Ipiaú para o que der e vier.