DRA. ANA PAOLA SANTOS MACHADO DINIZ

AUTORIA, PESQUISA, REVISÃO, ORGANIZAÇÃO: JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO.

Este arquivo é uma cortesia de JOSÉ CARLOS DUTRA DO CARMO, que sempre tem por filosofia de vida ajudar o próximo da melhor maneira possível.

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63º CAPÍTULO.
DRA. ANA PAOLA SANTOS MACHADO DINIZ.

Ex-Juíza Presidente da Vara do Trabalho de Ipiaú.

Não poderia deixar de homenagear uma criatura com tantas qualidades, que sempre é lembrada com muito carinho por todos os funcionários.

Educada, calma, tranqüila, equilibrada, jamais levantou a voz para alguém, nem para o mais humilde reclamante. No ambiente em que estava sempre reinava a mais absoluta serenidade. Hierarquicamente, nunca se valeu do alto cargo que ocupava para impor decisões ou pontos de vista. Sua retidão de caráter, por si só, já a coloca em lugar de destaque como pessoa e como profissional de ilibada reputação.

Lembro-me de que, ao solicitar meus serviços, jamais deixou de utilizar as palavras mágicas que regem os preceitos básicos da boa educação: por favor e obrigada. É pessoa de fino trato, capaz de pedir desculpa a um funcionário com a maior naturalidade do mundo.

Como vêem, não estou aqui somente para dizer das injustiças e da falta de solidariedade observadas em alguns raros personagens com quem convivi; também marcam as lembranças desses meus longos anos de vida dedicados ao trabalho o feliz encontro com pessoas como Dra. Ana Paola, a quem pretendo, com minhas palavras, externar a mais profunda admiração.

Criatura de caráter nobre e digno, que sabe o exato significado das palavras: respeito e solidariedade.

Um fato marcante demonstra, de forma sobeja e indelével, a generosidade e extrema humildade de Dra. Ana Paola.

Na época em que fui seu Secretário de Audiência, o TRT começava a informatizar a Vara do Trabalho de Ipiaú.

Um curso de apenas uma semana não me deixou suficientemente habilitado para trabalhar com o computador. Em conseqüência, cometia alguns erros ao lidar com arquivos do Word (editor de texto). E ela me chamava bastante a atenção por isso, inclusive na presença das partes (reclamantes, reclamados, advogados, classistas, etc.). Naturalmente, ficava nervoso e acabava errando mais ainda.

Um dia disse-lhe que precisava falar-lhe. Foi quando lhe pedi que não me chamasse mais a atenção no decorrer da audiência, pois estava ficando bastante nervoso e errando muito. Dra. Ana, num gesto grandioso, magnânimo, de que não vou me esquecer pelo resto dos meus dias, disse-me: “Está bem, Carlos, prometo-lhe que nunca mais vou chamar sua atenção perto dos outros.”

Sinceramente, quase perdi a fala com tanta grandeza de espírito! E ela cumpriu sua palavra até o último dia em que permaneceu na Vara do Trabalho de Ipiaú.

Por questão de justiça, registro, com especial destaque, um acontecimento inusitado e extraordinário que ocorreu com relação à Dra. Ana Paola.

Em determinada sessão, ela conseguiu fazer o que eu chamo de um autêntico milagre, que me deixou bastante admirado. Imagine o leitor que — enfatizo, em plena audiência — ela prolatou nove (isso mesmo, nove!) sentenças! O mais incrível de tudo isso é que em dois processos havia cartões de ponto!

Só mesmo uma magistrada com inteligência muito acima da média seria capaz de realizar tão excepcional façanha.

Esse recorde, provavelmente inédito e imbatível, deveria ficar registrado nos anais da história da Justiça do Trabalho no Brasil.

Parabéns, Dra. Ana, a senhora brilhou intensamente. Foi uma grande honra ter sido Secretário de Audiência de uma Juíza dotada de tamanha competência, apesar de muito jovem.